Anea eleva projeção da safra de algodão e prevê recorde nas exportações

Publicado em 21/10/2026 12:48
Apesar dos atrasos nos embarques, a Anea mantém a perspectiva de recorde nas exportações entre julho de 2026 e junho de 2027, sustentada pela safra brasileira de algodão, estimada em 4,27 milhões de toneladas em 2025/2026

A revisão para cima da produção brasileira de algodão na safra 2025/2026 amplia a oferta da fibra para o mercado internacional e sustenta a possibilidade de novos recordes nas exportações. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), a safra deverá alcançar 4,271 milhões de toneladas de pluma, um acréscimo de 93 mil toneladas, ou 2,2%, em relação à estimativa de agosto. Os números foram consolidados nesta terça-feira (20), durante a reunião do Comitê de Oferta e Demanda da entidade, e refletem produtividades superiores às expectativas iniciais. A perspectiva de manutenção da oferta elevada também se estende à safra 2026/2027, cuja estimativa de produção foi ampliada de 4,029 milhões para 4,267 milhões de toneladas, alta de 5,9%.

Segundo o presidente da Anea, Dawid Wajs, o desempenho das lavouras ao longo da colheita confirmou resultados melhores do que os inicialmente previstos. “As produtividades vieram bem acima do esperado durante a colheita”, afirmou. Em relação à safra 2026/2027, Wajs explica que a revisão considera a janela favorável de plantio da soja e as indicações dos produtores sobre as projeções para o próximo ciclo. A entidade, contudo, acompanha os riscos climáticos, especialmente a possibilidade de ocorrência de um episódio intenso de El Niño, que poderá influenciar os resultados da próxima safra.

Oferta maior

Com duas safras consecutivas acima de 4,2 milhões de toneladas, o Brasil deverá manter volumes expressivos disponíveis para exportação. Apesar da revisão positiva na produção, a Anea reduziu ligeiramente sua projeção de exportações para o segundo semestre de 2026, de 1,604 milhão para 1,578 milhão de toneladas. O ajuste de 26 mil toneladas considera o atraso da colheita e dificuldades logísticas nos portos, que vêm afetando o ritmo de embarques. Com isso, a estimativa de exportações para o ano de 2026 ficou em 3,392 milhões de toneladas, considerando os 1,814 milhão de toneladas embarcadas no primeiro semestre e a nova projeção para os seis meses finais do ano.

Recorde de exportações no radar

Mesmo com essas dificuldades, a associação mantém uma avaliação positiva para o comércio internacional da fibra brasileira. Segundo Wajs, o volume elevado da safra deverá sustentar os embarques nos próximos meses. “A gente acredita que ainda o Brasil deve bater recorde de exportação no combinado de segundo semestre do ano 2026 com o primeiro semestre do ano 2027, porque temos safra consideravelmente grande e esse algodão tem que sair”, afirmou.

Para 2027, a projeção da Anea é de exportações de 3,419 milhões de toneladas, das quais 1,8 milhão no primeiro semestre e 1,619 milhão no segundo. A estimativa para os últimos seis meses do ano foi elevada em 8 mil toneladas em relação ao levantamento anterior.

Estoques e consumo

Com a produção elevada e o ajuste no calendário de exportações, a Anea também revisou os estoques de passagem. A estimativa para dezembro de 2026 passou de 2,914 milhões para 3,038 milhões de toneladas. Para dezembro de 2027, a projeção subiu de 2,780 milhões para 3,149 milhões de toneladas. Já o consumo doméstico foi mantido em 745 mil toneladas para 2026 e 753 mil toneladas para 2027.

Fonte: Anea

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