Algodão: variedade da Fundação Bahia é sucesso comprovado e já ultrapassa os limites do cerrado baiano

Publicado em 26/08/2010 15:20 508 exibições
Tecnologia 100% desenvolvida no Oeste da Bahia já está disponível para próxima safra, com grandes vantagens competitivas.

Com expectativa de alcançar 40% do mercado de algodão precoce, ou 10% de todo o algodão plantado na Bahia, a variedade BRS286, lançada pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Oeste Baiano (Fundação Bahia) no ano passado, já é um sucesso. O primeiro algodão genuinamente baiano do Brasil, fruto de um trabalho de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de quase 10 anos, ultrapassou os limites do cerrado da Bahia, chegando com grande aceitação ao Mato Grosso do Sul, e já saiu até do Brasil, com a venda de 450 toneladas de sementes para a Venezuela no mês passado.

Obtida através do cruzamento entre as variedades CNPA ITA 90 e CNPA 7H, a BRS 286 foi avaliada por cinco safras consecutivas em condições de cerrado antes de estar disponível como variedade comercial. “Esse processo longo de desenvolvimento é característico de toda nova tecnologia que é lançada. No caso das cultivares que a Fundação Bahia trabalha, chega-se a levar 10 anos entre os primeiros cruzamentos e os últimos testes. Isso é necessário para garantir tanto a qualidade, quanto a segurança destes materiais”, explica o presidente da Fundação Bahia, Amauri Stracci.

A performance da BRS 286 é de produtividade média de 325 arrobas por hectare de algodão em caroço, com rendimento de pluma de até 41%. As fibras e fios deste material são de alta qualidade, o que confere mais valor à tecnologia.  Nas lavouras, a BRS 286 se caracteriza pelo baixo porte das plantas e por exigir menores doses de reguladores de crescimento. O ciclo de vida dela varia de 140 a 160 dias, além disso, possui níveis adequados de resistência às pragas e doenças com ocorrência no cerrado da Bahia.


No gatilho

Estão em fase final de lançamento duas novas variedades convencionais de algodão que a Fundação Bahia desenvolveu e deverão estar disponíveis para a safra 2011/12. O grande atrativo que trazem é aliar fibras maiores (média e longa) que as existentes no mercado, com boa produtividade. Os materiais estão em observação e ainda não foram registrados, mas a expectativa da Fundação Bahia, da Associação Baiana dos Produtores de Algodão - Abapa e do mercado é grande.


Tecnologia de ponta

Para desenvolver tecnologias como a BRS286 e as diversas outras já lançadas ou em teste, a Fundação Bahia, uma entidade de pesquisa privada, fundada há 12 anos, investe anualmente algo em torno de R$ 8 milhões apenas nos trabalhos de melhoramento. Estes recursos são oriundos do produtor rural e do Governo do Estado, através do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro).

A Fundação Bahia/Centro de Pesquisa e Tecnologia do Oeste da Bahia (CPTO) está instalada em um moderno complexo equipado com laboratórios de Fitopatologia, Sementes, Entomologia e Nematologia. Os laboratórios têm foco no algodão, mas possuem flexibilidade para atender também a outras culturas. Só de laboratórios, o Centro dispõe de 900 metros quadrados para atender aos produtores locais, e breve, segundo a estimativa da entidade, atenderá também agricultores de outras regiões como o Sul do Piauí e do Tocantins.

O complexo de laboratórios do CPTO está instalado no Complexo Bahia Farm Show, onde todos os anos é realizada a maior feira de tecnologia agrícola e negócios do Norte/Nordeste. Fazem parte do CPTO cinco pivôs de irrigação, onde ocorrem as etapas de campo do desenvolvimento tecnológico. Nesse pivôs, além de algodão, há ensaios com algumas das principais culturas da região, como soja, milho e feijão. “Assim encurtamos as distâncias entre a teoria e a prática, garantindo mais qualificação para os profissionais do agronegócio da Bahia”, explica Amauri Stracci.

 

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Fonte:
Agripress

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