Produção de algodão deve aumentar em 42%

Publicado em 10/11/2010 10:38
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Para a safra 2010/11, a área semeada deve superar 1 milhão de hectares.
Para a temporada 2010/11 de algodão, que começa agora em novembro, as perspectivas da AgraFNP são cada vez melhores. Os preços externos em franca elevação, os baixos estoques nos Estados Unidos, a quebra de safra no Paquistão e a redução das exportações da Índia sustentam o otimismo para a próxima safra. Além disso, o consumo em 2010 surpreendeu o mercado, que não esperava uma demanda tão aquecida, já que o mundo ainda vive resquícios da crise financeira de 2008/09. A recuperação do mercado deve manter o setor de algodão em alta durante o próximo ano.

Para a quarta estimativa de safra da AgraFNP, a área semeada com algodão deverá ficar em 1,093 milhão de hectares, alta de aproximadamente 31% em relação à temporada passada. A produção brasileira da pluma deverá atingir 1,695 milhão de toneladas, desempenho 42% superior ao obtido no ciclo 2009/10. Ainda sim, devido às condições climáticas, parte deste aumento projetado deverá ocorrer no plantio da primeira safra, diferente do cenário observado na safra 2009/10, que teve mais de 60% da área de algodão plantada na segunda safra.

Em muitas regiões, o algodão vinha sumindo e perdendo território para soja e cana. Com o atraso da safra verão dessas culturas, o cotonicultor resolveu focar o plantio da pluma para esta primeira safra, avalia o analista de grãos da AgraFNP, Fernando Terao.

Os estados do Mato Grosso do Sul e Goiás também devem registrar expressivos aumentos de áreas. Em Mato Grosso do Sul, de uma área de 38,6 mil hectares na safra 2009/10, a expectativa é de que sejam plantados 52,2 mil hectares. Em Goiás, a estimativa é que sejam semeados 72 mil hectares, contra 56,7 mil hectares na temporada passada. Os cotonicultores do oeste baiano também devem investir mais na cultura para aproveitar a fase de cotações em alta. Essa região, atualmente, corresponde por 30% do que o Brasil produz, porém, para a safra de 2010/11, essa participação deve crescer. Na última temporada, o algodão ocupou pouco mais 260 mil hectares e na temporada atual este número deve chegar a 326 mil hectares, segundo a AgraFNP.

Mesmos nos estados de São Paulo e Paraná, estima-se que a área plantada cresça expressivamente. Na região de Paranapanema, principal polo produtor do estado de São Paulo, os cotonicultores pretendem semear mais de 12 mil hectares com algodão, ante aos três mil hectares plantados no ciclo 2009/10. No Paraná, a região de destaque é a de Cornélio Procópio, onde produtores plantarão pouco mais de 800 hectares com a cultura, sendo que no ano anterior o que predominou foi o cultivo de soja.

Ganhos de produtividade

Outro aspecto que influencia o aumento da área plantada é a expectativa de boa produtividade das lavouras. A cultura do algodão depende de tecnologias avançadas e conhecimentos específicos, e tem um risco de quebra elevado. A safra 2010/11 estará sob a influência do fenômeno La Niña, que atrasa as chuvas da primavera no Sudeste e no Centro-Oeste e as antecipa no Nordeste. As estimativas iniciais da AgraFNP indicam que a produtividade média brasileira de algodão em caroço no ciclo 2010/11 pode superar a de 2007/08, quando também ocorreu o fenômeno La Niña. Para a próxima temporada, a expectativa é de 3,9 toneladas/hectare, aumento de 7,4% em relação a safra passada e 2,4% a mais se comparado a 2007/08.

 Indústria têxtil produz mais

O aumento esperado na produção nacional encontrará um mercado ativo na temporada 2010/11. O crescimento projetado da produção física da indústria têxtil brasileira é de aproximadamente 16% em 2010. Há expectativa de crescimento também para 2011, ainda que não tão grande quanto no ano anterior. Deve-se manter na casa de 5%, o que é suficiente para manter a demanda relativamente aquecida.

O Indicador Cepea/ESALQ da pluma subiu quase 9% no mês de outubro, chegando ao patamar de R$2,50/libra-peso. O elevado volume exportado também é um fator que impulsiona internamente os preços da pluma. São registrados negócios pontuais, suficientes apenas para consumo no curto prazo, pois as indústrias têm a consciência de que esta não é uma boa hora de recompor seus estoques.

 No porto de Santos, em 28 de outubro, foram registrados negócios a US$1,00/libra-peso, referentes ao produto da safra 2010/11. Seguindo a cultura do setor, grande parte da produção brasileira já foi negociada, cerca de 45%, e desse volume algo em torno de 40% é para exportação.
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Fonte: AgraFNP

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