Produtor de algodão em Minas Gerais garante venda da safra antes da colheita

Publicado em 18/11/2010 09:41 360 exibições
Preços históricos incentivam realização de contratos antecipados.
A safra mineira de algodão 2010/2011 começa a ser plantada agora, porém muitos agricultores já estão com a produção vendida meses antes do início da colheita. Os baixos estoques mundiais levaram à valorização do produto que atingiu preços históricos. Empresas exportadoras e indústrias têxteis nacionais estão fechando contratos antecipados com produtores para garantir a oferta de matéria-prima para o ano que vem.

“São os melhores preços de todos os tempos. Com este sistema, o produtor já garante o preço e a entrega do produto após a colheita”, comenta o diretor executivo da Associação Mineira de Produtores de Algodão (Amipa), Lício Pena.

Ele explica que nos contratos futuros, a arroba (15 quilos) do algodão em pluma está sendo negociada por aproximadamente R$ 78,00. Em safras passadas, o valor da arroba não passava de R$ 55,00. Entre as razões para a redução da oferta mundial de algodão estão as enchentes no Paquistão. Importante produtor e exportador de algodão, o país foi obrigado a importar a mercadoria. Na China, outro tradicional produtor e consumidor da pluma, há uma tendência em priorizar o cultivo de alimentos. Já o governo da Índia, país que também exporta algodão, restringiu as vendas externas do produto para garantir a oferta no mercado interno.

Segundo a Amipa, vários dos produtores de algodão em Minas Gerais já comercializaram um parte da safra que será colhida entre março e agosto do próximo ano. A previsão é de que o algodão se mantenha valorizado, pelo menos, até 2012, quando os estoques devem começar a se regularizar.

O superintendente de Política e Economia Agrícola de Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, João Ricardo Albanez, explica que os bons preços do algodão também refletiram no grande aumento da área plantada da cultura neste ano.  “A associação dos produtores estima que a área cultivada com algodão irá passar de 14 mil hectares no ano passado para 27 mil hectares neste ano”, informa.

A maior parte da produção de Minas Gerais está concentrada nas regiões Noroeste, Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. “Nessas regiões o plantio é feito em grandes áreas e a mecanização predomina. Já no Norte do Estado a atividade é basicamente de pequenos produtores”, diz o superintendente.

Indústria

O assessor de Suprimentos de Algodão da Cedro Têxtil, Breno Mattos Mascarenhas, afirma que a negociação antecipada é uma tendência. A Cedro já tem costume de fazer contratos antecipados e, neste ano, um dos contratos foi com um produtor de Minas Gerais. “A comercialização antecipada envolvendo produtores e indústrias de Minas ainda não é tão comum como em outros estados. Mas é uma tendência, pois o Brasil é um grande fornecedor mundial e tem um mercado interno forte”, explica.

A Cedro é uma as principais indústrias têxteis do país. A empresa produz 168 milhões de metros quadrados de tecidos por ano e possui quatro fábricas em Minas Gerais.

Inventivo à cultura

Em 2003, o Governo de Minas criou o Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas) com o objetivo de fortalecer toda a cadeia produtiva, em parceria com produtores e indústrias têxteis.

No momento da venda, os produtores recebem da indústria o valor cotado pela Bolsa (Cepea/Esalq) com um acréscimo de 9%. Já as indústrias que compram o algodão produzido em Minas recebem uma desoneração de 41,66% do ICMS para a venda dos produtos acabados. “Para receber o benefício, os empresários do setor têxtil têm que adquirir uma cota do algodão mineiro calculada de acordo com a estimativa de produção do algodão em pluma e de consumo das indústrias”, explica João Ricardo Albanez.

Cerca de 200 produtores e 52 indústrias participam do Proalminas.  O estado tem o terceiro maior parque têxtil do país, com um consumo de 150 mil toneladas de pluma de algodão por ano.

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Fonte:
Sec. de Agricultura de MG

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