Algodão: Diante de preços recordes, momento é de euforia no MT

Publicado em 13/12/2010 06:35 294 exibições
Semana se encerrou com recorde de preços em 140 anos. Em reais, arroba da pluma acumula valorização de 126% puxada pela demanda.
A euforia tomou conta dos cotonicultores de Mato Grosso após os preços da arroba da pluma atingirem níveis históricos na semana passada por causa de uma forte redução dos estoques mundiais ocasionada pela elevada demanda – principalmente da indústria têxtil – proveniente da Ásia. Na Bolsa de Nova York, o preço da libra-peso alcançou a maior cotação em 140 anos (US$ 1,20), superando o recorde de 2005. Cotada a R$ 93,90 para os contratos com entrega em julho de 2011, a arroba da pluma no Estado está 126% mais cara do que observada em novembro.

Mas nem todos vão poder se beneficiar desse bom momento. Levantamento da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) aponta que 60% de toda a safra de algodão no Estado (cerca de 540 mil toneladas) já está vendida. E, desse total, 50% dos contratos foram negociados ao peço de US$ 0,75/libra-peso, o que ainda chega a ser remunerador para o produtor.

“Estamos vivendo um momento muito especial. Esperamos que este cenário perdure por um longo tempo”, afirma o presidente recém empossado da Ampa, Carlos Augustin, lembrando a volatilidade dos preços da commodity nos últimos anos e a baixa do dólar. “Para se ter uma idéia, nas últimas safras tivemos preços do algodão variando entre US$ 0,30 e US$ 1,20 e, o dólar, entre R$ 3,50 e R$ 1,60. O risco ainda é muito grande”.

A opinião é endossada pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o produtor mato-grossense Sérgio De Marco, descartando qualquer aplicação nos próximos meses, alegando que a volatilidade dos preços não traz segurança aos cotonicultores de que a procura pela fibra continuará forte como agora. Para ele, as perspectivas de investimentos apenas serão feitas a partir de julho, quando a produção, que está começando a ser plantada em dezembro, estiver encerrada.

Do total de 1,8 milhão de toneladas de pluma no Brasil – produção estimada pelo Conab para o próximo ano - cerca de 1 milhão já foi vendido. A maior parte - perto de 700 mil toneladas - foi comercializada ao preço de US$ 0,75 por libra-peso. Aproximadamente 300 mil toneladas, a US$ 1/libra-peso. As vendas foram feitas em um momento em que os cotonicultores acreditavam ser esse já um preço bastante compensador. Mas, atualmente, o algodão está sendo vendido ao dobro desse valor no mercado internacional. Mato Grosso, maior produtor nacional da fibra ofertará 51% do volume nacional, contra 48% na safra passada (08/09).

O extraordinário avanço se deu, basicamente, devido à queda da produção e ao aumento da demanda para a fabricação de roupas. China e Índia respondem pela maior demanda da fibra. “Os preços realmente são fantásticos e o produtor tem de tirar proveito deste momento”, afirma o conselheiro consultivo da Ampa, João Luiz Ribas Pessa, lembrando que a produção não respondeu ao aumento do consumo.

Na avaliação de Carlos Augustin, a situação foi motivada pela decisão dos países emergentes em distribuir melhor suas riquezas, favorecendo o consumo das classes sociais mais baixas e gerando maior demanda por alimentos e roupas. “Foi o bastante para os estoques mundiais ficarem reduzidos”, salientou.

RENTABILIDADE – Os custos de produção do algodão ainda continuam elevados – cerca de US$ 2,2 mil por hectare. “Será o melhor ano para a história da cotonicultura brasileira”, afirma Augustin, lembrando que o mercado – tanto interno quanto externo – deverá se manter aquecido porque a matéria-prima continuará em falta. “O momento é de euforia, sim, mas precisamos ficar atentos aos movimentos do mercado para nada dar errado. Só não será melhor pela fragilidade do dólar”, diz o produtor mato-grossense Celso Griesang.

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Diário de Cuiabá

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