Antecipada por NA em abril, Estadão confirma crítica da ANP a abuso das distribuidoras

Publicado em 02/05/2019 10:43 e atualizado em 02/05/2019 15:26
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Consultor sai em defesa das distribuidoras, que pratica preços acima mesmo com a Petrobras reduzindo valores, usando o comparativo dos frigoríficos, revelando desconhecimento absoluto tanto de um setor quanto do outro

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Depois da agência reguladora do setor de combustíveis dar parecer favorável à venda direta de etanol das usinas aos postos, na sequência, em outra nota técnica, mostrou que as grandes distribuidoras mantiveram preços elevados da gasolina na contramão da redução dos valores cobrados pela Petrobras na refinaria. Antecipada pelo Notícias Agrícolas no dia 10 de abril (clique aqui), e nesta quinta (2) tema de reportagem do jornal o Estado de S. Paulo, a informação mostrava que a margem bruta das empresas ultrapassou os R$ 0,40/litro.

Endereçada ao Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade), o estudo da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) apontava diretamente as três distribuidoras dominantes, Ipiranga, Raízen (joint venture Shell-Cosan, também maior produtora de etanol) e BR Distribuidora, braço da Petrobras que está na mira das privatizações.

O período alegado pela ANP, demonstrando que elas não haviam reduzido os valores cobrados na venda aos postos de suas redes - também com grande predomínio do varejo - foi o final do ano passado. Em 27 de dezembro, o barril do petróleo brent, cotado na ICE Futures em Londres, esteve em US$ 52,16, para ficamos apenas em um exemplo do rompimento da cotação abaixo de U$ 60 que preponderou desde o meio daquele mês.

Em um trecho da nota técnica que o Cade recebeu da ANP dizia:

“No caso do segmento da distribuição, a margem bruta ultrapassou os R$ 0,40/litro no período em que houve a maior redução de preços da Petrobras, o que sugere, em uma primeira análise, a falta de competição no setor, o que gera a apropriação pelas distribuidoras de parte significativa dos descontos praticados pela empresa”.

Embadeiramento

Em outra nota técnica dirigida ao Cade, também adiantada por Notícias Agrícolas em 10/4,  a ANP falava do embadeiramento da rede de varejo, outro viés de concentração do setor.

Dizia um trecho:

"O segmento de distribuição de combustíveis da cadeia de abastecimento tem se tornado cada vez mais concentrado”.

Bobagem

Na reportagem exibida agora pelo Estadão, contrapondo ao argumento apresentado pela ANP, além da óbvia Plural, que representa as distribuidoras, está o de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), revelando de uma extrema bobagem.

Ele alega que a ANP "peca" por não levar em conta as realidades regionais da distribuição e venda de varejo, comparando com a situação dos frigoríficos.

Diz ele que os frigoríficos pequenos competem com os grandes e tiram peso do preço da carne no atacado. Ao contrário, os pequenos não conseguem acompanhar os preços dos maiores por falta de escala e, portanto, sempre acabam até ofertando mais. Quando muito, a mesma coisa oferecida pelos grandes.

No caso dos combustíveis é a mesma coisa. As pequenas distribuidoras só atendem postos sem bandeiras ou de suas próprias redes, extrema minoria. A ponto de muitas cidades médias e pequenas só contarem com varejo ligado às três grandes redes.

 

Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas

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