FS prevê emitir 25% mais CBios em 2025 e vê milho com 40% do mercado de etanol em até 4 anos

Publicado em 03/04/2025 12:54 e atualizado em 03/04/2025 14:38

 

SÃO PAULO (Reuters) - A FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil, projeta elevar em 25% as emissões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2025 em relação ao ano anterior, enquanto vê o combustível produzido a partir do cereal compondo uma fatia maior, de cerca 40% do biocombustível do país, em até quatro anos.

Durante participação em evento do setor em Mato Grosso, o vice-presidente executivo de Sustentabilidade e Desenvolvimento de Negócios da FS, Daniel Lopes, disse que companhia está preparada para emitir 3 milhões de CBios em 2025, versus 2,4 milhões no ano passado.

"Isso são R$240 milhões gerados para a companhia, é um programa de sucesso muito grande, e que a FS acredita muito", declarou ele, durante conferência da consultoria Datagro e da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

No Brasil, os CBios são emitidos pelos produtores de biocombustíveis, enquanto as distribuidoras são obrigadas a comprá-los para compensar a emissões de carbono gerados pela comercialização de combustíveis fósseis.

A emissão dos CBios é realizada após uma série de comprovações de indicadores de sustentabilidade pelos produtores.

Um trunfo do etanol de milho é o fato de a matéria-prima ser produzida na segunda safra, após a colheita de soja, reduzindo emissões relacionadas ao uso da terra, entre outros fatores.

O executivo lembrou que o sucesso do etanol de milho pode ser medido pelo seu ganho de competitividade frente à gasolina.

"Tenho convicção de que podemos chegar ainda mais longe... a consolidação do etanol de milho já virou grande realidade, tenho convicção que vamos chegar a 40% do mercado de etanol em três a quatro anos", disse ele, citando um prazo antes do previsto pelos órgãos oficiais.

Atualmente, do total produzido de etanol no Brasil, 20% vem do combustível de milho, já que há indústrias com novos projetos e expansões.

Lopes comentou que o próximo salto de produtividade do setor vai se dar por meio da redução da pegada de carbono, com as indústrias apostando na produção de biometano, biogás e em captura e armazenamento de carbono (CCS).

Ele destacou que o caminho de descarbonização será fundamental para a globalização do etanol.

"Isso não vamos fazer sozinhos, exportando, mas trabalhando em coalizão com outros países e outros setores", disse ele, salientando que nações como Japão, Vietnã, Tailândia e Indonésia estão interessadas.

(Por Roberto Samora)

Fonte: Reuters

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