Etanol: ano de 2025 trouxe mudança no mix produtivo e prepara setor para expansão em 2026

Publicado em 13/01/2026 13:34
Com produção diversificada e projeção de recorde, indústria aposta em renovação dos canaviais e força do etanol de milho

O setor sucroalcooleiro brasileiro encerra 2025 com importantes marcos e expectativas renovadas para o próximo ano. Segundo análise da equipe de Inteligência de Mercado da StoneX, o ano passado foi caracterizado por movimentos relevantes nos preços, produção e consumo do etanol, além do fortalecimento do etanol de milho, que já representa uma parcela significativa da oferta nacional. Detalhes completos sobre o desempenho e as tendências para 2026 estarão disponíveis no Relatório de Perspectivas para Commodities da StoneX, a ser divulgado em 27 de janeiro e que poderá ser baixado de forma gratuita.

Em 2025, os preços do etanol seguiram o padrão sazonal do setor. Durante o pico de safra, entre junho e julho, o mercado paulista registrou mínimas próximas a R$ 3,10/litro, refletindo uma paridade de 65% em relação à gasolina. Na segunda metade do ano, os preços voltaram a subir, encerrando dezembro em torno de R$ 3,53/litro, o que representa alta de 11,6% frente ao final de 2024. Apesar do recuo no consumo de etanol hidratado, o volume de vendas permaneceu elevado, ainda que inferior ao recorde de 2024. Já as vendas totais do biocombustível (anidro e hidratado) mantiveram-se estáveis, impulsionadas pela elevação da mistura obrigatória do anidro na gasolina de 27% para 30% em agosto.

O mercado de gasolina C, que influencia diretamente a competitividade do etanol, apresentou preços estáveis ao longo de 2025 em São Paulo, variando entre R$ 6,18/L e R$ 6,05/L. Dois cortes nos preços da Petrobras, em junho e outubro, foram parcialmente compensados por aumentos sucessivos no ICMS, em fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. A valorização do real e a queda nas cotações internacionais do petróleo também contribuíram para o cenário de preços.

Etanol de milho ganhando espaço

O etanol de milho consolidou seu espaço em 2025, mesmo sem atingir as projeções mais otimistas do início do ano. O destaque nacional foi o Maranhão, com a usina da INPASA em Balsas produzindo próximo de 1 bilhão de litros anuais. A margem operacional do produto manteve-se favorável, próxima a 40% em Mato Grosso, resultado do recuo nos preços do milho e da valorização do etanol. Novos projetos reforçam a expansão do segmento: mais de 40 usinas de cereais estão mapeadas pela StoneX, sendo 12 nas regiões Norte e Nordeste, o que pode elevar o número de usinas no país para mais de 70 até o fim da década.

O ano de 2025 também marcou uma mudança no mix produtivo das usinas do Centro-Sul, que, apesar do recorde na produção de açúcar, já sinalizam retorno do foco para o etanol devido à queda nos preços do adoçante e à melhor remuneração do biocombustível. A reversão de tendência deve se intensificar em 2026, especialmente até abril ou maio, com expectativa de redução significativa na proporção de produção voltada ao açúcar.

Tendências para 2026

Para 2026, as projeções são otimistas. A oferta de etanol deve alcançar novo recorde, estimada em 36,1 bilhões de litros, crescimento de 9,3% em relação à safra anterior. Esse avanço será impulsionado tanto pelo aumento do mix alcooleiro quanto pela expansão do etanol de milho, além de condições climáticas favoráveis e renovação dos canaviais. Apesar da alta do ICMS da gasolina e do aumento da mistura de álcool, a tendência é de queda dos preços médios do etanol, com a paridade frente à gasolina se estabilizando próxima a 66% em São Paulo e o hidratado mantendo participação próxima a 30% no mercado.

Diante desse cenário, o setor sucroalcooleiro aguarda 2026 como um ano de novas oportunidades, mas também de desafios para as margens das usinas de cana.

Fonte: StoneX

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