Biodiesel ganha espaço no debate energético, mas setor descarta solução imediata
A escalada do conflito no Irã e a instabilidade em torno de uma possível trégua têm pressionado os preços do petróleo no mercado internacional. Nesse cenário, o biodiesel volta ao centro das discussões no Brasil como alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar riscos de desabastecimento.
Apesar do potencial, representantes do setor alertam que o biocombustível não é uma solução de curto prazo para o atual momento.
Segundo o presidente da Fecombustíveis, James Thorp Neto, a principal barreira é técnica. O biodiesel exige rigor nos padrões de qualidade, que, segundo ele, “não podem ser negligenciados”, além de demandar atenção especial na logística de distribuição.
Em entrevista ao portal iG, o executivo explicou que o combustível pode gerar resíduos capazes de comprometer o funcionamento de motores, causando entupimentos e outros danos mecânicos.
Tempo versus segurança mecânica
Embora exista expectativa de aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, de 15% para 20%, há entraves legais e operacionais que dificultam uma implementação imediata, especialmente em um contexto de instabilidade internacional.
Segundo Thorp, o setor precisa de tempo para ajustar processos e garantir que o produto chegue ao consumidor final sem comprometer a integridade dos motores.
Para ele, o biodiesel é uma alternativa viável no médio prazo, mas sua adoção acelerada, como uma solução emergencial, pode gerar efeitos negativos ao longo da cadeia.
“O que defendemos é a participação de todos os elos da cadeia refino, distribuição, importação e revenda — para atingir o principal objetivo, que é causar o menor impacto possível para a população”, afirmou.
Busca por alternativas
A avaliação do setor é de que o biodiesel deve ser tratado com cautela, e não como uma solução imediata para conter os efeitos da crise global de combustíveis.
Enquanto o cenário internacional segue pressionado, distribuidores e revendedores buscam alternativas para equilibrar preços sem comprometer a eficiência operacional, evitando decisões de curto prazo que possam gerar impactos negativos no futuro.
O Brasil está entre os maiores produtores de biodiesel do mundo, com destaque para a região Sul como um dos principais polos de produção.
De acordo com dados da Petrobras e da Abiove, o diesel é comercializado atualmente a cerca de R$ 7,58 por litro, enquanto o biodiesel apresenta preço médio de R$ 5,50.