E32 pode ampliar demanda por etanol e reforçar segurança energética no Brasil, avalia UNICA
A proposta de ampliar a mistura de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) é vista pelo setor sucroenergético como um avanço estratégico para a matriz energética brasileira. A avaliação é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA.
Em nota, a entidade avalia que a medida é coerente com as demais políticas públicas do governo. A Unica ainda defende que o E32 “fortalece a segurança energética ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, contribuindo para maior autonomia e previsibilidade no abastecimento”.
Segundo a entidade, o aumento da mistura segue uma trajetória já consolidada no Brasil, baseada na capacidade produtiva instalada e no desenvolvimento tecnológico do setor ao longo das últimas décadas.
A proposta deverá ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética em reunião prevista para o dia 7 de maio, conforme sinalização do Ministério de Minas e Energia.
Impacto na demanda
De acordo com estimativas do setor, a adoção do E32 pode gerar um aumento significativo na demanda por etanol. Em relação ao atual E30, o consumo adicional de etanol anidro pode crescer cerca de 1 bilhão de litros por ano. Considerando a evolução desde o E27, o incremento total pode chegar a aproximadamente 2,4 bilhões de litros em um período de 12 meses.
Para o presidente da entidade, Evandro Gussi, o país já possui experiência e estrutura para operar com níveis mais elevados de mistura. Segundo ele, o etanol representa uma alternativa disponível em larga escala, com ganhos não apenas energéticos, mas também ambientais, ao contribuir para a redução das emissões no ciclo de combustíveis.
Tendência global
A entidade também destaca que o movimento brasileiro acompanha uma tendência internacional de maior valorização dos biocombustíveis. Discussões em andamento na Comissão Europeia sobre a ampliação do teor de etanol na gasolina, como a possível adoção do E20, indicam um avanço global na direção de matrizes energéticas mais sustentáveis.
Nesse contexto, o Brasil já se posiciona entre os países com maior participação de biocombustíveis na gasolina, o que reforça sua vantagem competitiva no setor.