Distribuidoras de combustíveis querem corte de 15% nas metas anuais do RenovaBio
Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 29 Out (Reuters) - A associação de distribuidoras de combustíveis Brasilcom pediu ao governo, em consulta pública, uma redução de 15% nas metas anuais propostas para o programa federal RenovaBio, alegando que perspectivas mais fracas para a economia, avanço dos veículos elétricos e o crescimento dos biocombustíveis devem reduzir a demanda por combustíveis fósseis.
A redução das metas diminuiria a necessidade de compra de Créditos de Descarbonização (CBios) pelas distribuidoras de combustíveis. Os títulos representam um custo para o setor, uma vez que as empresas precisam adquiri-los para cumprir suas obrigações anuais de descarbonização.
"Eles (governo) estão com uma visão muito otimista de venda de gasolina e diesel que a gente não está enxergando", argumentou o presidente da Brasilcom, Abel Leitão, em entrevista à Reuters.
No caso do diesel, combustível mais consumido do Brasil, o comportamento está muito associado à evolução do Produto Interno Bruto (PIB), lembrou.
Representando mais de 40 distribuidoras regionais do país, a Brasilcom propôs ao Ministério de Minas e Energia que a meta de CBios para 2027 seja reduzida para 47,6 milhões de títulos, com crescimento gradual até 63,04 milhões em 2036.
Na consulta pública, o governo propôs uma meta nacional de aquisição de 56 milhões de CBios em 2027, com aumentos graduais nos anos seguintes até atingir 74,16 milhões em 2036, considerando tanto a emissão esperada de novos créditos quanto os estoques já existentes no mercado.
Os CBios são emitidos por produtores de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, que seriam impactados no caso de um corte nas metas.
Caso a proposta da Brasilcom seja aceita, haveria uma redução na meta de 490 mil CBios em relação a 2026.
Segundo a Brasilcom, as projeções para 2027 apontam desaceleração da economia brasileira, com estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre cerca de 1% e 2,3%.
"O (consumo de) diesel, que é muito ligado à economia, ao PIB, deve crescer muito pouco... A gasolina tem um agravante, que o álcool está crescendo muito. Então, aqueles números que o (governo) projetou, não batem", afirmou Leitão.
A associação também destacou alterações no perfil da frota brasileira. "O avanço dos emplacamentos de veículos elétricos e híbridos tende a reduzir a demanda por combustíveis fósseis", afirmou.
Ao mesmo tempo, os veículos flex-fuel perderiam espaço relativo na frota nos próximos anos, segundo a entidade.
Além disso, a Brasilcom avalia que o aumento da participação dos biocombustíveis na matriz de transportes, impulsionado pela Lei do Combustível do Futuro, tende a substituir parte do consumo de gasolina e diesel.
A entidade cita a elevação das misturas obrigatórias e a expansão da produção de etanol de milho como fatores que devem reforçar essa tendência.
(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)