Assim não, Marina! Cadê a honestidade intelectual? Ou: Há o que diz Marina, e há o que dizem os fatos!

Publicado em 09/12/2011 02:55 e atualizado em 09/12/2011 11:14 932 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

Assim não, Marina! Cadê a honestidade intelectual? Ou: Há o que diz Marina, e há o que dizem os fatos!

Lembram-se quando Marina Silva e o Greenpeace afirmaram que o simples debate sobre o novo código florestal havia aumentado o ritmo do desmatamento? Eu negava, dizia que aquilo era absurdo, que qualquer ação ilegal posterior a julho de 2008 não contaria nem com a possibilidade da compensação ambiental: era multa e pronto. Mas não adiantava. A imprensa comprou a versão dela. Costuma ser assim: Marina fala, os jornalistas que cobrem a área vão atrás. Saíram quilômetros e quiloos de reportagens vocalizando aquela mentira. Só para dar alguns exemplos:

No Estadão, aqui;
Na Folha, aqui;
No Portal G1, aqui.

São só três exemplos entre centenas, talvez milhares de reportagens do gênero. As fontes eram sempre as mesmas: Marina e seus derivados — ou suas versões genéricas — e os patriotas do Greenpeace. No caso, patriotas holandeses, claro!

Se vocês clicarem aqui, lerão a própria Marina a sustentar a tese mentirosa. Ela até reuniu meia-dúzia de gatos pingados no Ibirapuera sustentando a tese.

Muito bem! Então ficamos assim: a expectativa de votação do novo código, diziam, estava aumentando o desmatamento. Não fazia sentido! Não era lógico! Mas e daí? Elas são pessoas boas, né? E eu sou uma pessoa má, que não gosta de mato. Ora…

Desmatamento caiu
Na segunda-feira, todos os veículos de comunicação do Brasil foram obrigados a noticiar um fato realmente interessante. O título de uma reportagem do Estadão Online foi o mais completo:
Desmatamento na Amazônia cai 11% e atinge menor taxa em 24 anos

- Então Marina estava errada, e eu, que não sou ecologista nem vivo disso, estava certo.
- Então o Greenpeace estava errado, e eu, que não sou ongueiro nem vivo disso, estava certo.
- Então os que acreditam em Marina estavam errados, e eu, que acredito nos fatos, estava certo.

No Estadão desta quinta, para escândalo da lógica e da memória, eis que surge Marina. Leiam:
“Ela [Marina] lembrou que os 11% de redução no desmatamento da Amazônia neste ano, comparado ao período anterior, foram obtidos com a atual legislação. ‘Com sua remoção, as coisas podem ficar bem diferentes’”.

É inacreditável!
- Marina afirmava que o desmatamento estava subindo; ele estava caindo;
- Marina afirmava que o debate no novo Código aumentava o desmatamento; ele diminuía;
- Marina afirmava que a expectativa do novo código, na vigência do anterior, acelerava o desmatamento; mas este estava em desaceleração.

Assim, por uma questão de lógica elementar, de honestidade intelectual — sim, Dona Marina, de honestidade intelectual — e de decoro, ela deveria ter vindo a público para dizer: “Eu estava enganada. Se é que o debate do novo código teve alguma influência nessa questão, ela foi favorável à preservação da floresta”.

Encerro
Eu sei. Alguns não gostam de mim, entre outros motivos, porque faço coisas como  esta aqui: confrontar as pessoas com aquilo que elas próprias disseram, pondo a memória dos fatos a serviço da verdade.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 21:37

Governo brasileiro diz que topa acordo global para redução de metas: mas tem de ser pra todo mundo e de cumprimento obrigatório. É o certo! Olhem Tio Rei elogiando o governo aqui!!!

Huuummm… Em matéria de meio ambiente, a chance de a gente fazer um elogio e queimar a língua é grande. Mas lá vou eu correndo riscos, hehe. O fato é que a ministra Izabella Teixeira me parece, no geral, uma pessoa sensata. Não é que eu concorde sempre com ela, não. Mas me parece que está entre aquelas sinceramente interessadas em conciliar a necessidade do desenvolvimento com a preservação do meio ambiente, sem apelar a raciocínios mágicos e a truques de quinta categoria, como faz Marina Silva às vezes — e já comento uma fala inacreditável desta senhora, o que demonstra, mais uma vez, que seus admiradores não prestam atenção ao conteúdo de sua fala. Sigamos.

Leiam o que informa a Reuters. Volto em seguida:

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta quinta-feira (8) na conferência do clima da ONU, na África do Sul, que o Brasil está disposto a negociar um acordo global de cumprimento obrigatório para a redução das emissões de gases do efeito estufa após 2020.  Mais de 190 países estão reunidos na cidade sul-africana de Durban para discutir o que fazer quando a expirar a primeira etapa do Protocolo de Kyoto, atual tratado climático global, em 2012. “O Brasil trabalha com afinco para a adoção de um segundo período de compromisso para o Protocolo de Kyoto e o fortalecimento da implementação da convenção [climática da ONU] no curto, médio e longo prazo”, afirmou a ministra em Durban, diz o texto de seu discurso divulgado pelo ministério.

A UE (União Europeia) propôs que um novo acordo global para a redução das emissões seja selado até 2015, para entrar em vigor a partir de 2020, mas os europeus condicionam sua participação à adesão dos três grandes poluidores da atualidade –China, Índia e Estados Unidos, que rejeitaram um novo acordo vinculante. O Protocolo de Kyoto prevê obrigações apenas para países industrializados, sendo que os EUA se retiraram do tratado. Já os países emergentes, como China e Índia, ficam dispensados de qualquer redução obrigatória. “Se todos, repito, todos trabalharmos juntos, poderemos negociar o mais cedo possível um novo instrumento legalmente vinculante sobre a convenção, baseado nas recomendações da ciência que inclua todos os países para o período imediatamente pós 2020″, afirmou.

A ministra disse que o Brasil tem assumido uma posição de vanguarda para promover a redução das emissões de gases de efeito estufa e ao mesmo tempo desenvolver-se com sustentabilidade. Segundo Izabella, no combate ao desmatamento –a maior fonte de emissões do Brasil–, o objetivo é reduzir em 80% o desmatamento até 2020 em relação à média de desmatamento entre 1996 e 2005. Em 2011, o país atingiu uma redução de 66%, o menor índice de desmatamento desde que o sistema de monitoramento foi criado, em 1988. “A urgência dos desafios impostos pela mudança do clima requer que incrementemos ações tanto em mitigação quanto em adaptação, orientadas pela ciência e pela equidade”, disse a ministra.

Voltei
Vejam que coisa: se a maior emissão do Brasil é o desmatamento, não a indústria, isso quer dizer que nós temos não um, mas dois problemas. Há um déficit óbvio de desenvolvimento. Nossa economia ainda ruma para um patamar que realmente atenda às necessidades básicas da totalidade do povo, como acontece nos países ricos e, vejam que coisa, também na China, hoje o motor do crescimento mundial.

O Brasil precisa reduzir as queimadas? Claro que sim! Mas que sentido faz estabelecer um protocolo se Índia e China não estiverem engajadas — e, como não estão, os EUA então caem fora também? Nenhum! Izabella Teixeira disse a coisa certa, ora essa! Ou a coisa é pra valer e é pra todo mundo ou, então, não é pra ninguém. A menos que se considere que existe uma emissão moralmente mais nefasta do que a outra, né? Ou emissão de queimada é coisa de gente feia e boba, e a da indústria, de iluministas?

Por Reinaldo Azevedo

Podem vir quente que eu estou fervendo. Ou: Aos meus leitores, com açúcar, afeto e pimenta!

Blogueiros a soldo do oficialismo, que pagam as contas com o nosso dinheiro, criaram o mito de que ofendo as pessoas. Já aconteceu, sim, aqui e ali, coisa rara, mas em questões pessoais — e nunca sem ter sido atacado antes. Mas deixei isso de lado. Quando se trata de um tema público, nunca! Nada de ofensas! Ao contrário: devo ser o jornalista que mais argumenta no país. Marcelo Coelho, colunista da Folha, acusou certa feita essa minha mania de fazer vermelhos-e-azuis de ser uma tática policialesca ou algo assim. Não lembro direito. Sei o que respondi. Eu recorro a isso em respeito àquele de quem divirjo e aos leitores. Feio é fazer como Márcio Sotelo Felippe, ex-procurador-geral do Estado de São Paulo, marido de uma juíza “para a democracia”, que me acusa de jogo bruto, mas não cita uma só passagem do meu artigo que o evidencie, reproduz de forma distorcida o texto de referência que nos pôs em confronto e, para mostrar que é um homem suave, acusa-me de recorrer a práticas nazistas, sugerindo que eu seja censurado. Ele não é mesmo um exemplo de democracia?

Eu não ofendo ninguém! Gostem ou não, faço análise política, mais acerto do que erro — tudo está disponível para consulta —, cito textos de referência (quem não gostar ou discordar que diga onde está a impropriedade) e tempero o texto opinativo com pitadas de crônica, apelando a algum humor. Nem todo mundo acha engraçado. Fazer o quê? E chamar Lula de “Apedeuta” não é ofensa? Não! Como não era quando a imprensa americana chamava George W. Bush de ignorante. Há vários livros sobre os “bushismos”, as suas batatadas. Atenção! Foram publicados enquanto ele era presidente! As bobagens que Lula disse ao longo da carreira ainda não foram devidamente coligidas e confrontadas com os fatos. A mais engraçada e aquela em que ele explica que, caso a Terra fosse quadrada, a poluição não seria um problema… global!

Comecei a chamar Lula de “O Apedeuta” para irritar mesmo, para provocar. Quantas foram as ironias feitas com FHC porque ele era um professor? Sacanear alguém com formação intelectual é coisa de progressistas, mas só um reacionário sacanearia alguém que faz a apologia da ignorância? Ora… “Ah, mas Lula não estudou porque não pôde…” Vêm dizer isso pra mim? Justo pra mim? Não cola! De resto, nunca o critiquei por sua baixa escolaridade, mas por sua ignorância saliente e propositiva. E o fiz sem nunca deixar de reconhecer a sua notável inteligência política — e muitos leitores sempre me criticaram por isso.

Eu não ofendo ninguém. O que faço é confrontar as falas das personalidades políticas com o seu próprio discurso e, freqüentemente, com os fatos. Critiquei aqui duramente, por exemplo, uma intervenção da psicanalista petista Maria Kehl no programa Roda Viva. Ela contou uma inverdade escandalosa sobre a reivindicação dos invasores da USP e fez uma apreciação do trabalho da Polícia de São Paulo que considerei injusta porque contra os fatos. Mas eu não fiquei só nisso, não! Eu escrevi um outro post com dados oficiais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, dados esses coligidos pelo governo federal. Provei com números que ela estava errada e que seu discurso era mero proselitismo partidário. Ela ficou ofendida? Que venha a público dizer que estou errado! Seus admiradores ficaram bravos? Excelente! Em vez de recorrer a surrados clichês da desqualificação do adversário — “reacionário, direitista…” —, tentem evidenciar que quem mente sou eu, não ela. Mas o façam com números, como fiz.

É claro que tenho convicções políticas!
É claro que não sou de esquerda!
É claro que me identifico com a direta democrática — nunca escondi isso de ninguém! POr que o faria?

Enquanto alguns que me acusam estavam no conforto do lar ou puxando o saco da ditadura, eu a estava combatendo, correndo riscos. E assim fiz porque quis e porque achei o certo. Não me deixo patrulhar por vagabundos — notem: uso a palavra “vagabundos”, mas deixarei claro por quê!  que ganharam dinheiro puxando o saco de Sarney, de Collor, de Itamar, de FHC, de Lula e agora de Dilma. Que palavra pode definir essas pessoas? “Vagabundos” me parece apropriada. Como são “vagabundos” aqueles que se penduram nas tetas do governo para atacar os “inimigos do regime”.

Convenham: independentemente do mérito e desde que dentro das regras do jogo democrático, será sempre mais corajoso criticar o poder do que lhe puxar o saco. Ou há algo de errado nesse raciocínio? Sim, elogiar um governo quando ele acerta também é de rigor. Também pode ser corajoso, especialmente quando se é um crítico. E eu já elogiei. “Ah, mas bem pouco…” Queriam o quê?

Uma psicanalista me censura
Recebi de uma psicanalista de expressão em seu meio uma mensagem me censurando pelas críticas que fiz a Maria Rta Kehl. Ela deixou claro que sua restrição nada tinha a ver com a “contestação objetiva” que fiz ao que a petista havia dito sobre a polícia. Segundo a missivista, com quem tenho alguma proximidade por razões que não vêm ao caso, isso foi até positivo. Ela não gostou foi de outra coisa. Eu transcrevi no post a fala de Maria Rita e demonstrei que ela tem um raciocínio tortuoso, confuso. Em sua intervenção, afirmou que iria fazer uma “pergunta dupla”, que tentaria “juntar as pontas” de ambas, que eram, na verdade “duas coisas paralelas”… Mais adiante, completamente perdida no raciocínio, ao fazer a segunda insagação, considerou: “Por outro lado, parece que não tem a ver, mas acho que tem…”

Bem, eu observei que Maria Rita seria a primeira pessoa na história a “juntar as pontas das paralelas”, que isso era uma verdadeira revolução geométrica  e notei: “Além de militante petista — e era nessa condição que estava no Roda Viva -, Maria Rita é psicanalista. Consta que é lacaniana. Huuummm… A linguagem exerce, assim, papel importante no seu ofício. (…) É o que chamo linguagem da “lacanagem”. Estamos no meio de um tumulto mental, mas o propósito, é evidente.”

“Ao fazê-lo, Reinaldo, você tenta desqualificá-la profissionalmente, o que é uma desnecessidade”, escreveu a missivista. Bem, lamento discordar. Começo esclarecendo que “lacanagem” é uma ironia que faço com os lacanianos há muito tempo. É, não sou exatamente fã de Lacan, mas isso não cabe agora aqui. Ora, por que Maria Rita estava lá? Porque petista? Há outros mais qualificados intelectualmente para debater política com um ex-presidente. Suponho que estivesse por sua outra especialidade: a psicanálise. Sendo assim, qual é o grande pecado de cobrar algo a alguém que seja pertinente a sua área?

O problema é outro
Não! O problema é outro! As personalidades de esquerda e a militância de modo geral se acostumaram a jamais ser contestadas pela imprensa. Ao contrário. Publiquei ontem aqui um post sobre as barbaridades ditas por Marina Silva antes e depois da aprovação do novo Código Florestal. Ela falou, está falado. Separaram-se as esferas de opinião em dois blocos: o das pessoas que estão sempre certas e o das pessoas que estão sempre erradas. Algumas, como quer Rui Falcão, “estão acima de qualquer suspeita”, e outras, como diria Louis, o policial corrupto do filme Casablanca, são “os suspeitos de sempre”.

Eu estou entre os poucos — não sou o único — que resolveu afrontar essa lógica. Os difamadores, em vez de ler o que escrevo, atacam-me pelo que nunca escrevi. Querem ver? Eu nunca escrevi que pessoas presas pelo regime militar e que morreram ou foram seviciadas não devam receber indenização — ou seus familiares. Nunca! Ao contrário: afirmei que, nessas condições, é justo e imperioso. Mas escrevi, sim, e acho, sim, que indenizar alguém que pegou em armas — porque quis — para derrubar o regime e instalar o socialismo no país, não se encaixando na condição acima, é indecoroso. Eu nunca defendi as ações dos porões — ao contrário: fui vítima de um agente da repressão. Mas escrevi, sim, que as esquerdas armadas nunca quiseram democracia e que é um impostura, uma mentira factual, afirmar o contrário. Fatos, fatos, fatos… Por que, até hoje, não surgiu um só documento daqueles esquerdas defendendo a democracia? Porque não existe! Mas existe, sim, o “Minimanual da Guerrilha urbana”, de Marighella, transformado em “herói do povo brasileiro” pela Comissão de Anistia, defendendo o terrorismo. Fatos, fatos, fatos… O mundo dos fatos!

Outras verdades
As esquerdas não suportam ser contestadas porque acham que detêm o monopólio do bem! Há anos defendo que viciados em crack sejam compulsoriamente retirados das ruas e internados. Andrea Matarazzo, um dos pré-candidatos do PSDB à Prefeitura, sempre pensou o mesmo. Ele, um político, e eu, um jornalista, fomos demonizados por um desses padres de passeata que não saberia rezar um “Pai Nosso” — eventualmente fã do “vinde a mim as criancinhas” (não gostam do meu humor? Que pena!) — e tachados de “higienistas”. A proposta foi agora incorporada pelo tal programa do governo federal de combate ao crack e defendida com entusiasmo pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do PT. Pronto! O que antes era “higienismo de direita” passou a ser agora uma proposta ousada, corajosa, sei lá o quê? Cadê o padre vermelho? Cadê o amigo das criancinhas? Cadê as ONGs fazendo barulho? Eu me nego a ser patrulhado por esse tipo de vigarice intelectual.

Além do ódio à contestação, há duas outras coisas que odeiam em mim. Uma delas é o fato de que não sou, de fato, um sujeito nem-nem, que pensa com escusas, pedindo licença. Não sou exatamente suave e não tentarei dizer o contrário. Mas o que realmente os deixa enfezados é o fato de quem não conseguem quebrar a lógica com a qual opero; não conseguem, em suma, é articular o contra-argumento. Então preferem sair gritando por aí: “Reinaldo me ofendeu! Reinaldo ofende as pessoas! Reinaldo só sabe xingar!”

Uma ova! Se Reinaldo vivesse do xingamento, não haveria motivo para braveza e para rancor. Bastaria xingá-lo também. E pronto! Ao contrário: o Reinaldo que mais os ofende é justamente o Reinaldo que não ofende ninguém! Até tentam me arrastar para a baixaria, mas eu não vou. No esgoto, eles ganham! Na língua pátria, ganho eu.

É pouco provável que os milhares de leitores deste blog venham aqui, todos os dias — inclusive os petralhas — em busca de duas ou três ofensas. Vêm em busca de argumentos. Há até quem o faça só para poder defender o contrário. Pode haver evidência maior de Reinaldo-dependência?

E não! Eu não vou parar! Também não vou mudar! Nem vou “pegar mais leve”. É o que eu tenho a fazer de mais digno para e com os meus, bem…, muitos milhares de leitores! Podem formar correntes à vontade! Mal sabem os difamadores que, ao proceder assim, fortalecem o blog porque outros tantos vão chegando. A corrente do bem é maior.

Podem vir quente que eu estou fervendo!

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2011

 às 6:57

E se a reforma ministerial de Dilma piorar o que já é ruim?

Já abordei aqui o que chamei de “Paradoxo Dimenstein”, que marca o governo Dilma, em homenagem àquele que chegou mais longe na tese. E ele consiste no seguinte: quanto mais a presidente demite, mais seu governo se mostraria virtuoso. Já caíram seis ministros acusados, sejamos genéricos, de malversação de recursos públicos. Em alguns casos, é a tal corrupção mesmo. E há certa exclamação: “Oh, que mulher decidida!” Claro, claro… Houvesse Dilma escolhido uma constelação de probos, talvez tivéssemos mais tempo, e clareza, para perceber que seu governo é fraco! Votemos… Quem nomeou? Foi você, leitor amigo? Fui eu? É muito provável que nem você nem eu tenhamos votado nela, certo? Nomear, então, nem pensar! Todos os que estiveram na Esplanada e estão ainda são de inteira responsabilidade da Soberana. Criou-se o mito de que os que tombaram foram impostos a Dilma por Lula, a suposta pior parte… Será mesmo?

Vejam aí o caso Fernando Pimentel. Há uma  de comoção no petismo nem tanto porque ele seja, assim, uma figura de grandíssima expressão no partido. Trata-se apenas de uma estrela de médio porte. Mas está num cargo importante; é, afinal de contas, “um deles” e, acima de tudo, atenção!, é “um dos dela”.Talvez seja, de todos os ministros, o mais próximo da presidente. Eles se conhecem desde os tempos da militância clandestina.

Pimentel foi uma espécie de aluno de Dilma, com quem aprendeu os primeiros, e creio que não mais do que isto, rudimentos de marxismo. Os dois pertenciam, em Belo Horizonte, a um grupo terrorista chamado Colina (Comando de Libertação Nacional). Mais tarde, reencontraram-se no Rio. O Colina se fundiu com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Carlos Lamarca, e teve origem a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Quanta vanguarda para tanto retrocesso sem retaguarda, né? O marido de Dilma, que era chefão, deslocou Pimentel para o Rio Grande do Sul. O grupo rachou de novo, Lamarca refundou a VPR, e Pimentel preferiu segui-lo.

Dilma pertencia à área de organização da VAR-Palmares; não consta que tenha participado pessoalmente de alguma ação armada. Com Pimentel, é diferente. Em todo o ministério, o único que, comprovadamente, pegou no berro foi ele. Em março de 70, foi o protagonista de um assalto ao carro do Banco Brasul, em Canoas. No dia 4 de abril, participou da tentativa de seqüestro do então cônsul americano em Porto Alegre, Curtis Carly Cutter. Deu tudo errado. Cutter se safou com sua caminhonete, embora tenha levado um tiro no ombro. Passou com o carro sobre o pé de Pimentel. Quando vai chover, o agora ministro ainda sente uma dorzinha — só no pé, não na consciência. Pimentel pode não ser uma reserva técnica do governo, pode não ser uma reserva moral, mas é uma reserva sentimental… E a companheira de armas, desta vez, está decidida a resistir.

Sem motivos! Não há nada que Antonio Palocci tenha feito, reitero, que Pimentel não o tenha superado. As evidências de promiscuidades que ligam sua empresa à Prefeitura são de trincar as montanhas de Minas. Suas explicações estão se saindo mais atrapalhadas do que o seqüestro do embaixador americano. Nesta quinta, prometeu mostrar documentos definitivos e coisa e tal, mas recuou. Dilma decidiu que ele a acompanha à Argentina, e Rui Falcão decreta que, “por sua história, ele está acima de qualquer suspeita”.

Qual história? Suponho que não seja a história de prefeito de Belo Horizonte, porque esta mais o condena do que do o absolve. É justamente porque ele era lá uma autoridade política que sua consultoria se mostra, quando menos, indecorosa. Quanto à história pregressa — e agora o leitor entende por que eu a narrei brevemente aqui; estava em busca deste fecho no parágrafo —, sou forçado a dizer que o assalto a um carro pagador e uma tentativa de seqüestro de um cônsul não servem para tornar ninguém “acima de qualquer suspeita”, especialmente quando contra as evidências. Eu diria até que piora as coisas um pouquinho no terreno puramente moral. Ou eu perdi alguma coisa do especioso, por assim dizer, raciocínio de Falcão?

Dilma escolhe bem?
Criou-se certa expectativa na imprensa — expectativa otimista, diga-se — de que Dilma fará uma reforma ministerial no começo do ano, e, então, seu governo começará de fato, aí com os quadros que ela realmente escolher. Pois é… Vejam Pimentel. É uma escolha inequívoca de Dilma. Mas eu posso recuar um pouco tempo para avaliar se ela sabe mesmo escolher seus auxiliares.

A sua mais notável braço direito na vida pública, como havemos de nos esquecer disso?, foi Erenice Guerra. Nenhuma escolha foi mais pessoal do que essa. E, no entanto, deu no que deu. Aliás, a reação à primeira reportagem da VEJA sobre essa senhora, se bem se lembram, seguiu o padrão de sempre: também ela estava acima de qualquer suspeita; tudo não passava, diziam, de uma tentativa de desestabilizar a candidatura de Dilma à Presidência etc e tal. Erenice era de tal sorte uma escolha sua que, ao deixar a Casa Civil, Dilma fez de sua secretária-executiva a titular, com os resultados conhecidos.

O que eu estou dizendo, em síntese, caminhando para o encerramento, é que não há garantia nenhuma de que as escolhas REALMENTE FEITAS POR DILMA sejam exemplos notáveis de eficiência ou, lamento dizer, probidade. O esforço nervoso para tentar evidenciar, contra as evidências!, que Pimentel agiu dentro das regras começa a assumir  um tonzinho meio desesperado.

Conhecem aquela piada da platéia de ópera que vaia o péssimo barítono? Limpando o tomate do rosto e da roupa, ele adverte: “Não gostaram do barítono? Então esperem até ouvir o tenor…”

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2011

 às 6:53

Letargia do PAC emperra 191 obras este ano

Por Lu Aiko Otta, no Estadão:
Uma parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não saiu da estaca zero este ano. Levantamento feito pelo Estado a partir de dados coletados pela Associação Contas Abertas no Sistema de Administração Financeira (Siafi), do governo federal, mostra que 191 obras e programas, no valor total de R$ 2,6 bilhões, não tiveram nem um centavo empenhado até o dia 6 de dezembro. Isso significa que não foi assinado contrato com prestador de serviço para executá-los, ou seja, eles dificilmente sairão do papel em 2011.

Esse é o caso, por exemplo, dos R$ 350 milhões disponíveis este ano para a implantação de postos da polícia comunitária em todo o País. Ou dos R$ 8,5 milhões constantes do Orçamento para a construção da eclusa de Tucuruí (PA). A paralisia atinge ainda a construção de terminais fluviais, perímetros de irrigação no Nordeste e obras de saneamento nas bacias do São Francisco. A própria administração do PAC foi vítima do empenho zero. Estão disponíveis no Orçamento R$ 2,3 milhões para “gestão e coordenação do PAC”, mas o dinheiro ficou parado.

Em alguns casos, a parada se dá pelas dificuldades enfrentadas pelo Executivo para avançar com seus planos. O trem de alta velocidade (TAV) ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, foi a leilão em julho deste ano mas não apareceram interessados. Isso obrigou o governo a rever toda a modelagem da licitação e ainda não se sabe quando o trem será novamente leiloado. Assim, os R$ 284,6 milhões que havia no Orçamento para estudos técnicos, apoio à implantação e participação da União no capital da concessionária do trem-bala não foram empenhados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

09/12/2011

 às 6:51

Principal doadora de Pimentel tem contrato com prefeitura investigado

Por Marcelo Portela e Eduardo Kattah, no Estadão:
A principal financiadora da campanha eleitoral do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) em 2010 está na mira do Ministério Público Estadual (MPE) de Minas Gerais por suspeita de superfaturamento em contrato firmado com o Executivo municipal durante a gestão do petista. A empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A formou com a Santa Bárbara Engenharia S/A um consórcio para construção de habitações populares na capital mineira. Pelo contrato, segundo a prefeitura, o consórcio faturou R$ 165,9 milhões entre 2005 e 2010. Após uma representação feita no fim do ano passado, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MPE instaurou inquérito civil (MPMG-0024.10.002514-7) para apurar o contrato. A empresa e a prefeitura disseram desconhecer a investigação (leia ao lado), que está em andamento.


Quando disputou uma vaga no Senado em 2010, Pimentel declarou, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma arrecadação de R$ 8,7 milhões para a campanha. Deste total, R$ 2 milhões foram doados pela Camargo Corrêa. As doações foram feitas em quatro parcelas de R$ 500 mil, transferidas eletronicamente para a conta da campanha entre 4 de agosto e 22 de setembro. O Consórcio Camargo Corrêa fez ainda depósito em espécie de R$ 1,8 mil em 1.º de outubro.

O grupo Camargo Corrêa já havia feito doações à campanha de Pimentel à Prefeitura de Belo Horizonte em 2004, bem mais modestas que a de 2010: foram R$ 100 mil por meio da Construções e Comércio Camargo Corrêa e outros R$ 100 mil pela Camargo Corrêa Equipamentos e Sistemas S/A.  No ano seguinte a empresa integrou o consórcio com a Santa Bárbara que arrematou o contrato de R$ 165,9 milhões para a realização de obras de urbanização da favela do Cafezal, região centro-sul da capital mineira.

Os trabalhos, parte do programa Vila Viva - uma das principais vitrines da administração de Pimentel -, incluíram a construção de unidades habitacionais e outras intervenções, como pavimentação de vias. Segundo a prefeitura, as obras tiveram início no mesmo ano da assinatura do contrato e foram concluídas no ano passado. O inquérito civil foi aberto em novembro do ano passado após denúncia levada aos promotores pelo ex-vereador Antônio Pinheiro (PSDB). O ex-vereador disse que pediu exoneração do cargo de fiscal da Companhia Urbanizadora da capital (Urbel) quando a prefeitura lhe negou o acesso aos contratos para as obras que fiscalizava in loco.

Conforme a representação, o projeto Vila Viva executado no morro do Cafezal também teria sido objeto de superfaturamento, com apartamentos que teriam custado mais de R$ 200 mil aos cofres públicos. “Os preços estavam muito acima do mercado e pedi os contratos para fazer meu trabalho, mas não me deram. Então, saí”, disse Pinheiro. “Uma casa que fica por R$ 25 mil eles estão pagando R$ 210 mil.”

Por Reinaldo Azevedo

UE obtém acordo em princípio para regras fiscais mais rígidas

No Estadão Online:
A União Europeia (UE) alcançou um acordo em princípio sobre regras fiscais mais rigorosas para fazer frente à crise da dívida na zona do euro, afirmou hoje um diplomata. A fonte diplomática explicou, no entanto, que os detalhes do acordo ainda precisam ser desenvolvidos.

Reunidos em Bruxelas, os chefes de Estado e de governo dos países da UE concordaram com o estabelecimento de um “pacto fiscal” em torno das regras orçamentárias do bloco, disse a fonte. Mas “ainda não foi discutido o formato legal” do acordo, prosseguiu o diplomata.

União Europeia x zona do euro

Ainda nesta noite, fontes do governo da Alemanha disseram que os participantes do encontro de cúpula europeu devem decidir se as novas e mais rígidas normas fiscais que estão sendo propostas vão se aplicar a todos os 27 países membros da União Europeia ou somente aos 17 que integram a zona do euro.

“A cúpula será um sucesso, desde que os 17 avancem. Uma decisão básica será tomada esta noite”, disse um funcionário.

Os chefes de governo dos países da UE iniciaram seu encontro com um jantar em Bruxelas. A cúpula continua nesta sexta-feira e alguns observadores acreditam que ela pode se estender pelo fim de semana. Eles estão discutindo a possibilidade de mudar o tratado de constituição da União Europeia de modo a obrigar os países membros a coordenarem suas políticas fiscais e econômicas.

Um dos obstáculos a um acordo que inclua todos os 27 países membros é a oposição do Reino Unido a mudanças no tratado, a não ser que o país obtenha concessões em algumas áreas.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 22:40

Cameron e Sarkozy batem boca antes de reunião de cúpula européia

Na VEJA Online:
O premiê britânico, David Cameron, protagonizou um bate-boca nesta quinta-feira com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, informou o jornal The Guardian. O político inglês teria ficado furioso com o que classificou com uma tentativa de Sarkozy de isolá-lo na reunião de cúpula da União Europeia, que acontece em Bruxelas. O líder francês insinuou, segundo o Guardian, que Cameron estaria tentando excluir o poderoso mercado financeiro do país - a chamada City londrina - da regulação financeira europeia.


Cameron teria usado o argumento de que o Reino Unido havia se tornado uma espécie de “bode expiatório” da crise na tentativa de articular uma forma de excluir o país da regulação europeia para o mercado de capitais. A informação é desmentida oficialmente por Bruxelas.

Políticos franceses reclamaram ao Guardian que estavam sozinhos na tentativa de fechar um acordo para impor regras fiscais mais duras à zona do euro. Já os ingleses argumentavam que Sarkozy estava propositalmente distorcendo o posicionamento britânico, que é apenas assegurar que as mudanças na união monetária não prejudicassem a City - o que não significa que o país não estaria disposto a seguir regras.

O desentendimento
Cameron teria discutido com Sarkozy na frente da chanceler alemã, Angela Merkel, numa reunião fechada. O embate se deu pouco antes de os líderes dos 27 países da UE se encontrarem para um jantar em que tentariam costurar um pacto para apoiar a nova integração fiscal da região.

A antipatia com a postura inglesa não parece ser exclusiva da França. Além de Sarkozy, Merkel e outros líderes da zona do euro têm se colocado contra Cameron e sua campanha para obter uma recompensa em troca da concordância da Inglaterra por um novo pacto fiscal.

Para o Guardian, o clima dessa reunião fechada deu o tom da tensa noite de negociações ora em curso, em que os líderes europeus tentam evitar a ruína da moeda comum da região. O foco deste encontro é definir se o Tratado de Lisboa será modificado, e como isso será feito. A reabertura do acordo teria como objetivo estabelecer um novo pacto de estabilidade para o euro, desta vez mais rigoroso, com penalidades semi-automáticas para aqueles que não respeitem as regra de controle fiscal; maior controle europeu sobre os orçamentos nacionais; e mudanças estruturais para consolidar a zona do euro como uma entidade mais poderosa.

Por Reinaldo Azevedo

Serra diz que governo Dilma ainda não começou e é “pré-euclidiano”

Por Gustavo Uribe, da Agência Estado:
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) avaliou nesta quinta-feira, 8, que, após quase um ano de administração, o governo da presidente Dilma Rousseff ainda não começou de fato. Em palestra realizada durante o 1º Encontro Nacional do PPS Sindical, na capital paulista, ele disse que o governo Dilma teve como marca, em 2011, a saída de ministros e o anúncio de medidas, mas com poucas resoluções. “O governo da presidente Dilma Rousseff não começou, tomou posse, mas não começou”, ressaltou. “Eu espero, de fato, que comece no dia 1º de janeiro de 2012, porque é o que o Brasil está querendo.”

Serra citou uma das frases marcantes do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. “Se não se sabe para onde vai, qualquer caminho serve”, lembrou o ex-governador paulista, ressaltando que este é o atual drama do governo Dilma. Ele ainda afirmou que a atual administração é “pré-euclidiana”, fazendo referência ao Teorema de Euclides, segundo o qual a menor distância entre dois pontos é uma linha reta. “No governo federal, a menor distância entre dois pontos não é uma linha reta, pode ser uma curva ou um espiral”, ironizou.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 20:43

A impressionante fala de Rui Falcão. Ou: O PT é a falência da lógica

Eu entendo por que eles não gostam de mim e vivem tentando me esculhambar por aí, sem sucesso. Mais batem, mais aumentam as visitas ao blog. Fazer o quê? Eles acabam virando a minha melhor referência. É isto: “Leiam o blog do Reinaldo Azevedo… Os petralhas não gostam dele!” Perfeito! Sigamos.

Eu acho que todos os homens são iguais perante a lei. Eles não!
Eu acho que ninguém tem licença para cometer crimes. Eles não!
Eu acho que a história pregressa de alguém não justifica lambanças no presente.

Rui Falcão, presidente do PT, deu um declaração realmente fabulosa sobre Fernando Pimentel, o ministro enrolado com suas “consultorias”. Prestem atenção:
“Pela sua história de vida e pela sua conduta pública, o ministro Pimentel está acima de qualquer suspeita”.

Heeeinnn?

As palavras de petistas só fazem sentido além da linha do paradoxo.

Vocês já notaram? Dilma demitiu seis sob suspeita de corrupção, e então exclamam: “Isso é que é governo! Que moralizador!” Se ela demitir os 36, então se torna uma mistura de Catão com Buda!!!

Agora vem essa fala fantástica de Falcão. Ora, vamos pensar: por sua história de vida, Jesus Cristo poderia ter matado alguns milhares, não é mesmo? O aluno de Massinha I do Curso de Lógica contrapõe o óbvio: “Mas, se Jesus Cristo matasse milhares, não teria sido Jesus Cristo; seria só um falso Messias…”

Pois é… Eis o busílis! Quem usa o passado virtuoso para justificar lambanças presentes não só não justifica como ainda falsifica o passado.

O petismo é a falência da lógica.

E há, evidentemente, a questão política. Há dias, Rui Falcão concedeu uma entrevista queimando o então ainda ministro Carlos Lupi. Ora veja… São muitas as evidências de lambança no Ministério do Trabalho, mas convenham: de enriquecimento pessoal, contra Lupi, não havia nenhuma, nao nessa série recente. Já contra Pimentel…  O seu passado socialista, de membro da VAR-Palmares, grupo de Dilma, o perdoa?

Ele vai dividir a grana da consultoria com “o povo”?

Por Reinaldo Azevedo

Se vocês notarem, a campanha que orquestram contra mim tem como protagonistas — incluindo os blogueiros petistas, pagos com grana oficial —  os mesmos que vivem atacando a imprensa, que acusam de “golpista”. Há uma exceção ou outra, mas irrelevantes.

Essa imprensa dita “golpista” está, sim, na origem da demissão de seis ministros sob suspeita de corrupção. SEIS! Na maioria dos casos, a reportagem inicial foi feita por VEJA. Que coisa, não?

Tudo invenção, só para desestabilizar o governo? Ora, então por que Dilma os demitiu? Se a imprensa foi injusta, injusta também foi a presidente. Se a imprensa foi justa, então justa também foi, ao demitir, a presidente.

É uma questão de lógica elementar. Não obstante, vociferam: “Ah, a mídia golpista!”

Golpista é defender batedores de carteira e ladrões de dinheiro público.

Caro leitor, sempre que você encontrar por aí, no trabalho, na escola, nas festas e nos botecos da vida, um desses bobalhões que acusam a imprensa de “golpista”, não tenha dúvida: ou você está diante de um idiota — e, no caso, convém afastar-se — ou de um partidário de ladrões.

“Não há alternativa, Reinaldo?” Não que eu conheça.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 17:06

Denúncia de João Dias atinge campanha presidencial do PT

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
No depoimento que prestou à Polícia Militar, nesta quarta-feira, o soldado João Dias conta que sua relação com Paulo Tadeu, secretário de governo do Distrito Federal, teve início ainda em 2006. O motivo: o policial intermediava a arrecadação de recursos para o comitê regional da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Delator de esquemas de corrupção no Ministério do Esporte e no governo de Brasília, Dias conta que ajudou a cobrir um rombo milionário na coordenação local da candidatura a presidente.

“Foram repassados 1 milhão de reais de forma parcelada ao deputado Paulo Tadeu para o pagamento das campanhas regional e presidencial no 1º e no 2º turno para presidente, para que o deputado pudesse ser o coordenador”, afirma Dias no depoimento obtido por VEJA. O episódio é relatado de forma breve, quando o delator explica o surgimento de sua relação pessoal com o atual homem forte do governador Agnelo Queiroz.

Registro
O policial diz que o registro de saques de uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF) pode comprovar as transações financeiras. A unidade fica na cidade de Sobradinho, onde vive João Dias. O soldado relata que as informações também foram repassadas à Polícia Federal (PF). No depoimento à Polícia Militar, no entanto, João Dias não detalha a origem dos recursos. O período a que o delator se refere ainda é anterior à descoberta das fraudes no Ministério do Esporte, reveladas em 2008. Dono de entidades que mantinham contratos milionários com a pasta, João Dias foi acusado de desviar recursos dos contratos. Ele alega que o PCdoB, partido de Agnelo à época, cobrava propina para manter os convênios.

Os desmandos tiveram início justamente na gestão do atual governador do Distrito Federal, que comandou a pasta entre 2003 e 2006. Na campanha que João Dias diz ter ajudado a financiar, Agnelo foi candidato a senador pela coalizão petista. João Dias foi detido nesta quarta-feira após entrar no palácio do governo distrital e jogar 200.000 reais em dinheiro no gabinete de Paulo Tadeu. Durante a confusão, o delator ofendeu uma funcionária e quebrou o dedo de um policial militar.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 16:47

Este blog nunca incomodou tanto. Mas por quê?

Este blog nunca incomodou tanto. Mas por quê?

- Se sou mesmo “ultradireita”, como dizem os babacas, por que não encontram, então, os meus textos “de ultradireita” e os trazem a público?

- Se alguma vez defendi algo fora da Constituição e das leis, por que não demonstram?

- Se a defesa do aparato legal do meu país, democraticamente definido, faz de mim um homem horrível, por que não dizem, então, abertamente, que o certo é transgredir as leis?

- Se acham que o certo é transgredir as leis, por que não dizem, então, quais devem ser respeitadas e quais não devem?

- Por que, em vez de me satanizar, não provam, com o texto legal, que a polícia agiu ilegalmente na USP, por exemplo?

- Eu digo por que não gosto daqueles que chamo “esquerdopatas” e demonstro onde está o seu erro de raciocínio. Por que, em vez de simplesmente me xingar, não fazer o mesmo comigo? A resposta é simples: porque não podem!

O fato é o seguinte: para que pudessem demonstrar que estou errado, seriam obrigados a defender o cumprimento seletivo da lei. Para explicar por que me satanizam tanto, teriam de fazer a defesa aberta do arbítrio.

Ora, se sou um incitador do descumprimento das leis e da Constituição, por que não me processam? O que essa gente sustentaria no tribunal? “Eis aqui, meritíssimo, este homem horrível! Ele tem a coragem de declarar que todos os homens são iguais perante a lei; ele tem o topete de sustentar que uma determinação judicial, de reintegração de posse, é de cumprimento obrigatório; ele tem a impiedade de sustentar que o papel de um juiz não é fazer justiça segundo princípios da luta de classes, mas segundo as leis democraticamente instituídas”.

Ora, criem o “Caso Reinaldo Azevedo”, que ousou desafiar os grupos de assalto à democracia para defender a Constituição da República Federativa do Brasil!

Coragem, valentes! Ficar gritando “Cortem-lhe a cabeça!”, como a Rainha de Copas, é de uma covardia asquerosa.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 16:32

Enquanto nos esfolam, eles gritam: “Chega de violência!”

- Um bando de encapuzados invade um prédio público, depreda o patrimônio coletivo e se impõe pela força. Se a polícia cumpre uma ordem judicial e recupera o espaço público, eles gritam: “Violência!”

- Uma associação de juízes — notem bem: de juízes! — declara, com todas as letras, que existem homens acima da lei. Se alguém critica a afirmação, eles logo gritam: “Violência!”

- Homens públicos fazem do dinheiro, também público, o que lhes dá na telha. Fraudam a lei, metem-se em lambanças inexplicáveis, inventam histórias da carochinha, como consultorias inexistentes. Se a imprensa noticia, eles logo gritam: “Violência!”

- Bandidos disfarçados de representantes “da comunidade” e proxenetas com curso universitário que lhes dão guarida afrontam a lei, metem-se com o narcotráfico, tornam-se agentes objetivos do crime. Se as forças de segurança decidem atuar, eles logo gritam: “Violência!”

- Nessa marcha, chegará o dia em que seremos impedidos de sair às ruas porque cercados e achacados tanto pelos “representantes dos excluídos” e seus doutores como pelos “rebeldes primitivos” que escolheram o caminho da bandidagem, uma variante de “democracia direta do crime”. E ai daquele que reclamar!!! Os que estiverem nos linchando gritarão, enquanto nos esfolam, “chega de violência!”

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 16:17

RESPOSTA A UM HOMEM PODEROSO, CASADO COM UMA MULHER PODEROSA

Um dos mecanismos mais desonestos, no que concerne ao debate intelectual, é ignorar o objeto que distingue as opiniões e os valores dos debatedores, partindo para o puro e simples apelo à torcida e ao xingamento. Enviam-me um violento ataque desferido contra mim — grande novidade! —  pelo ex-procurador-geral do Estado Marcio Sotelo Felippe. Ele não gostou de uma crítica que fiz à Associação Juízes Pela Democracia, aquela que sustenta, LITERALMENTE, haver homens que estão acima da lei. Compreendo as motivações pessoais de Sotelo, embora ele devesse ser mais comedido. Ele é marido de uma das principais militantes da associação, a juíza Kenarik Boujikian Felippe, que posou, como publiquei, ao lado de João Pedro Stedile. A tal associação tinha acabado de premiar o chefão do MST. Segundo entendi, ele representaria uma espécie de ideal de democracia e justiça. Não, não vou, por isonomia, chamar a minha mulher para me defender. E sugiro a Sotelo deixar o machismo de lado. Uma juíza, que lida com o destino de tantas vidas, é certamente capaz de falar por si mesma. Está na hora de criar a Associação Juízes pela Igualdade de Gênero.

Sotelo deixou de lado os fatos e preferiu partir para a simples adjetivação, associando-me ao nazismo. Pois é, meu senhor… As pessoas descontentes costumam atacar aqueles de que dissentem das mais variadas maneiras. Também já fui chamado de agente da CIA por um desses subintelectuais de esquerda — que ainda teve o desplante de me processar por me ofender; perdeu! — e até do Mossad!!! Uau! Por que este senhor não pergunta aos representantes da comunidade judaica no Brasil quem é Reinaldo Azevedo, o que pensa e com quem dialoga. Um conselho, senhor Felippe: tenha a decência de debater o que está escrito em vez de fugir da contenda pela porta dos fundos da desqualificação. Essa é uma tática covarde.

A crítica que fiz à Associação está aqui. Escreve Sotelo:
“Reinaldo Azevedo vem numa escalada de violência verbal.  Perdeu a noção de limites. Embriagado pelo sucesso de sua retórica ultradireitista em certo segmento social, criou um círculo vicioso em que ele e seus leitores alimentam-se reciprocamente de ódio. Sua linguagem incita o ódio dos leitores, e o ódio dos leitores  o incita a tornar-se mais violento e permissivo.”

Por que ele não cita uma passagem do meu texto que prove a sua afirmação? Por que ele não diz onde está a violência? Por que ele não prova onde está o meu erro? Por que, em vez de atacar a mim e aos meus leitores, não evidencia em que trecho recorri à “retórica ultradireitista”? Se estou “incitando o ódio”, por que ele não me processa? A resposta é simples: porque nada disso aconteceu! É uma invencionice. Se ele encontrar no meu texto uma só crítica que não seja de natureza intelectual e técnica, paro de escrever. Mas eu posso, sim, encontrar na nota da Associação Juízes pela Democracia a afirmação clara, insofismável, indiscutível, inegável, de que existem homens acima da lei. Está aqui:
Não é verdade que ninguém está acima da lei, como afirmam os legalistas e pseudodemocratas: estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais e que, por isso, rompendo com o estereótipo da alienação, e alimentados de esperança, insistem em colocar o seu ousio e a sua juventude a serviço da alteridade, da democracia e do império dos direitos fundamentais.”

Sotelo diz que “pincei” uma frase do texto. A afirmação é falsa. O meu texto contestando a associação é longuíssimo; eu a analisei trecho a trecho, fazendo o que ele não faz: cuidando de cada palavra. Sotelo deixa de lado o que escrevi e prefere me atacar, acusando jogo bruto. Naquele trecho em que ataca até os meus leitores, se notarem bem, há a indisfarçada sugestão de que devo ser censurado. Por quê? Ora, porque discordo dele. Vão dizer que não é motivo o suficiente…

É impressionante! Sotelo tem de negar o conteúdo da nota que a associação emitiu para poder me atacar. Diz ele:
“A nota da AJD diz, em certa passagem, que a lei, seja em si mesma, seja na sua aplicação, deve ser recusada se contrariar princípios constitucionais. Acontece todos os dias nas sociedades democráticas.   Nas decisões dos tribunais, juízes ou administradores públicos.  Do ponto de vista dos cidadãos, relaciona-se com o conceito de desobediência civil, tal como praticado por Gandhi e Martin Luther King, filosoficamente consolidado, ainda que de escassa repercussão prática. No conflito entre uma regra positiva  e a moralidade, prevalecem a moralidade e os princípios constitucionais.”

Epa!!! Eu contestei aquilo que vai em vermelho, meu senhor! Honestidade intelectual há de ser o princípio número um do polemista. Ora, é claro que a lei deve ser recusada se contrariar princípios constitucionais. Existe, para tanto, até um tribunal constitucional no país, não é mesmo? O que eu quero saber, senhor ex-procurador-geral do estado, é se o senhor acredita que “estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais”. Acredita nisso ou não? Quando o senhor era procurador-geral do estado, aplicou esse princípio? De que modo?

TENHA A CORAGEM DE DEBATER O TEXTO DA ASSOCIAÇÃO, MEU SENHOR! TENHA A CORAGEM DE DEBATER O QUE EU ESCREVI, NÃO O QUE O SENHOR ACHA QUE EU ESCREVI! Isso é feio! Num moleque, é passável. Num homem de barba e cabelos brancos, em que a aparência respeitável faz supor compromisso com a seriedade, não fica bem.

Nazista é afirmar que existem homens acima da lei!
Nazista é transformar um tribunal numa corte de exceção em nome da ideologia!
Nazista é considerar que o respeito à lei é coisa de “legalista e pseudodemocratas”!
Nazista é dar apoio objetivo a indivíduos encapuzados, que invadem o espaço público e se impõem pela força.
Nazista é constranger professores e alunos, impedindo, pela violência, que uma universidade exerça as suas atividades de ensino e pesquisa!

Sotelo não é o único a se manifestar. Há outras pessoas ligadas à tal associação que decidiram me atacar. TRATA-SE DE UM PROCESSO DE INTIMIDAÇÃO.Afinal, são juízes e indivíduos ligados a juízes, e isso significa que são pessoas poderosas, que, reitero, podem decidir o destino de muita gente.

A verdade é a seguinte: de tudo o que escrevi no meu texto original, o que verdadeiramente incomodou estas senhoras e estes senhores foi este trecho:
“Se vocês tiverem alguma demanda na Justiça, verifiquem se o juiz que vai cuidar do caso pertence à “Associação Juízes para a Democracia”. Se pertencer, verifiquem, em seguida, se a ‘outra parte’ integra um desses grupos que são considerados, sobretudo por si mesmos e pelas esquerdas de modo geral, os donos da democracia. Se isso acontecer, só lhes resta pedir que seja declarada a suspeição do magistrado.”

Isso doeu. E o motivo é escandalosamente óbvio. Se um juiz da tal associação considera que “estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais” e se um dos eventuais contendores de uma causa se encaixar nesse perfil, é evidente que a outra parte já perdeu, certo? Se essa parte está acima da lei, está até mesmo acima do juiz. Por que Sortelo não demonstra onde está o erro lógico do meu raciocínio?

Tenha a coragem, senhor Sotelo, de apontar que passagem do meu texto apela à violência. O seu, sim, incita o ódio contra mim. Uma das práticas corriqueiras do nazismo, diga-se, era acusar as vítimas de responsáveis pelo mal que as atingia. Hitler tinha a lista de todos os “males” que os judeus haviam feito à Europa, assim como o senhor tem a lista de todos os males que eu faço ao debate democrático.

O meu texto é público, meu senhor! O da associação também! Louvo o seu zelo sentimental, mas eu não critiquei a “sua mulher”. Eu nem sabia que os senhores eram casados. Parabéns pela união feliz! Eu critiquei uma associação de juízes que sustenta haver homens acima da lei.

Sou só um jornalista. O sr. é um ex-procurador-geral de estado, marido de juíza, com uma poderosa rede de amigos e de influência. Pois é, doutor, fazer o quê?

O estado de direito me obriga a lembrar que ainda existem juízes em Berlim!

Abandone a retórica da pura violência, dispa-se da arrogância do “sabe com que está falando?” e venha debater na planície. Mas tenha a coragem de contestar o que eu de fato escrevi.

PS - Como de hábito, sejam comedidos nos comentários. Vamos colaborar para que doutor Sotelo concorde conosco: NÃO EXISTEM HOMENS ACIMA DA LEI NUMA DEMOCRACIA!!! ISSO É COISA DE FASCISMO E COMUNISMO, REGIMES TOTALITÁRIOS.

Por Reinaldo Azevedo

Como todos vocês viram, William Oliveira, o preferido das estrelas e dos políticos, foi preso porque flagrado vendendo um fuzil de fabricação russa, avaliado em R$ 50 mil, ao traficante Nem. Desde que o blog existe, acuso a escandalosa convivência de algumas ONGs com o crime. As pessoas não gostam, ficam irritadas. No Rio, isso é mais freqüente porque vem de longe certo esforço de “poetização” do morro, que considero uma das formas mais refinadas — e canalhas — de crueldade dos ricos. Em 2005, o tal William foi preso, acusado de colaboração com o narcotráfico. No dia 25 de fevereiro daquele ano, na página da ONG “Viva Rio”, comandada pelo buliçoso antropólogo Rubem Cesar Fernandes, encontrava-se esta nota de protesto (fotografei a página para que não suma), com um miniabaixo-assinado. Reparem no tom.

Fórum Dois Irmãos faz pronunciamento sobre a prisão do líder comunitário da Rocinha
- 25/02/2005
Nós, que participamos do Fórum Dois Irmãos e do Conselho do Viva Rio, vimos nos pronunciar sobre a prisão de William Oliveira, Presidente da União Pró Melhoramentos dos Moradores da Rocinha. Acompanhamos de perto a crise vivida pela comunidade no último ano e podemos dizer que William tem sido uma liderança importante na busca de soluções positivas. Com coragem e discernimento incomuns, defende publicamente não apenas investimentos sociais, como também medidas de segurança que possam estabilizar a situação de forma duradoura. Acreditamos na Justiça e confiamos na lisura da investigação policial neste caso. Apelamos às autoridades responsáveis e à imprensa que considerem os danos causados por esta prisão não apenas a William e sua família (com filho recém nascido), mas também ao povo da Rocinha, que o elegeu em processo eleitoral exemplar e que, com ele à frente, manifestou-se contra a violência de modo que raramente se vê. A prisão preventiva de pessoa com endereço e trabalho certos e as conclusões precipitadas na opinião pública fazem mal a ele, às lideranças comunitárias em geral, à Rocinha e ao Rio de Janeiro.

Amaro Domingues - Líder Comunitário do Complexo da Maré
André Midani -   Empresário
André Urani - Diretor Executivo do IETS - Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade
Alfredo Luiz Porto Britto - Arquiteto
Antônio Carlos  Mendes Gomes -  Diretor  Executivo  do Sindicato da Indústria e Construção Civil do Rio de Janeiro - SINDUSCON
Antônio Felix -   Lider Comunitário na Região de Santa Cruz
Andres  Cristian Nacht - Presidente do Conselho de Administração da MILLS do Brasil Estruturas e Serviços Ltda.
Carlos Manoel Costa Lima -  Vice-Presidente da Federação Nacional dos Metalúrgicos
Eduardo  Eugênio Gouvêa Vieira Filho -  Empresário
Elysio Pires - Consultor de Comunicação e Marketing
Fernanda Carísio -  Diretora  do Sindicato dos Bancários  do Rio de Janeiro
Isabel Barroso Salgado - Técnica de Vôlei
Jorge Hilário Gouvêa Vieira - Advogado - Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira
Luiza Parente - Professora de Educação Física / Ginástica Artística
Luis Roberto Pires -TV Globo - Gerente de Projetos Sociais
Milton Tavares - Associação Comercial do Rio de Janeiro
Rubem César Fernandes - Antropólogo - Diretor Executivo do Viva Rio

viva-rio-william

Pois é…

A nota é de 25 de fevereiro. No dia 12 de março, a edição nº 1896 de VEJA começava a chegar às bancas com uma reportagem sobre o rapaz! Ô revista encardida, essa, né?, como se diria lá em Dois Córregos. Sempre estragando a poesia da turma que aplaude o pôr do sol…

Lia-se, então, na reportagem:
Com a força das armas, o tráfico de drogas conquistou, nos últimos anos, o domínio sobre regiões inteiras das grandes cidades. No Rio de Janeiro, 1 milhão de pessoas que vivem em 700 favelas são submetidas a um regime tirânico. Esse avanço territorial tem várias causas, entre elas o arsenal de guerra dos bandidos, a falta de uma política de segurança eficaz e a corrupção policial. Mas, no dia 23 de fevereiro, a prisão do líder comunitário William de Oliveira jogou luz sobre uma face mais complexa e chocante desse fenômeno. Presidente da União Pró-Melhoramentos, a mais importante associação de moradores da Rocinha, a maior favela do Rio, William foi flagrado em escutas telefônicas com os chefes do tráfico local. Em uma das gravações, autorizadas judicialmente, o líder comunitário pede ao traficante Erismar Rodrigues, o “Bem-Te-Vi”, patrocínio para uma festa em comemoração ao aniversário da associação de moradores.

Pesa ainda contra William a suspeita de ter usado a entidade que preside para comprar aparelhos de radiocomunicação e repassá-los aos traficantes. Outra líder comunitária, Maria Luiza Carlos, também presa na operação policial, foi mais longe. Ex-presidente da mesma União Pró-Melhoramentos, “Madrinha”, como é conhecida, atuava como elo entre bandidos e policiais corruptos. Era de sua responsabilidade a entrega, de três em três dias, de uma propina de cerca de 2.500 reais. A prisão de William e Maria Luiza revela a deformação de uma estrutura que deveria agir em favor dos interesses comunitários, e não prestar vassalagem a bandidos. Estudos apontam que, no Rio de Janeiro, quase metade das associações de moradores sucumbiu à proximidade com o tráfico e hoje oscila entre a calada submissão e o apoio ostensivo ao crime organizado.
(…)
A revista também trazia um trecho da conversa em que William pede patrocínio para uma festa ao traficante Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi.
William -
 Vou fazer, dia 22, o aniversário da associação, 43 anos, lá na Curva do S.
Bem-Te-Vi - Vai fechar um show lá?
William - Vou, vou, vai ser no domingo. De 3 da tarde até meia-noite, a entrada é 1 quilo de alimento. Tô fechando a programação e quando tiver pronta eu vou falar contigo, pra ver o teu patrocínio aí, o que você pode me patrocinar.
Bem-Te-Vi - Que patrocínio? Pô, tá maluco? Minha “firma” tá quebrada. Tá ligado que tá quebrada a firma? Mas a gente fala alguma coisa, a gente pede alguma coisa a alguém, tá ligado?

VEJA teve acesso também à transcrição de conversas telefônicas entre Maria Luiza Carlos, antecessora de William na presidência da União Pró-Melhoramentos da Rocinha, e Bem-Te-Vi. Fica claro que ela servia de ligação entre traficantes de drogas e policiais corruptos.
Bem-Te-Vi -
 Manda eles ficarem no Largo da Macumba, e, se passar, não precisa dar tiro, não, que nós tá (sic) vendo tudo.
Maria Luiza - Eu vou passar para ele. Olha, eles estão mandando te perguntar se você não quer comprar um colete à prova de balas novinho.
Bem-Te-Vi - Tem aquele porta-pistola na frente do peito?
Maria Luiza - É esse mesmo.
Bem-Te-Vi ­ Quanto é?
Maria Luiza - Mil e quinhentos.
Bem-Te-Vi -
 Que é isso? Os amigos deles outro dia venderam um por 600, aí comprei mais vinte
(….)

Como reagiu Ruben César Fernandes, da Viva Rio, diante dessas evidências? Assim:
“Eu, pessoalmente, mantenho a minha opinião sobre o William mesmo depois da divulgação das conversas, que podem ser interpretadas de diferentes maneiras. Hoje, não há liderança comunitária dentro de favela que não fale com o tráfico”.

Pois é… Essas convicções de Rubem César acabaram metendo terceiros em roubadas, como foi o caso de um diretor da ONG  “Sou da Paz” (leia aqui)Outro que saiu em defesa de William foi o jornalista Zuenir Ventura. Os dois chegaram a participar de um debate sobre… meio ambiente!!! Na sua página na Internet, o “líder comunitário” cita o jornalista: “A cidade partida definida por Zuenir Ventura pode começar a ser unida a partir das nossas práticas.”
Nem diga!

Inversão total de valores
Dias depois da prisão de William, em 2005, o que mobilizou os descolados do Rio, sabem quem estava na defensiva, tendo de se explicar? O então secretário de Segurança, Marcelo Itagiba. As acusações contra William acabaram dando em nada, apesar das evidências. No ano passado, o site que anunciava que ele debateria meio ambiente com Zuenir apresentava o seu currículo:
“É presidente nacional do Movimento Popular de Favelas, vice-presidente do Fórum de Turismo da Rocinha e vice-presidente da Federação das Associações de Jacarepaguá, Barra, Recreio e Adjacências. É diretor jurídico e relações públicas da Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro. Morador da Rocinha, participa dos conselhos comunitários de segurança pública e do PAC.”

O evento se chamava “Rio de Encontros”. Várias páginas se produziram na Internet da mais pura e comovente poesia social!!!

Entre a conivência e a tolice dos abobados metidos a iluministas, quem, historicamente, paga o pato é o homem comum, o povo de verdade, aquele sem pedigree, que não aprendeu a falar as palavras-chave que encantam os bem-nascidos.

O crime organizado deve rir desses, como chamarei?, clowns!

Ah, sim: não adianta me chamar de reacionário, não, viu? Em primeiro lugar, não dou a mínima. Em segundo lugar, reacionário é ficar alimentando mitos e fortalecendo posições de “lideranças” que mantêm refém a população invisível, aquela que não debate com o Zuenir…

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:35

RESPOSTA A UM TRAPACEIRO INTELECTUAL QUE SE QUER DE CENTRO-DIREITA E QUE É SÓ UM PENSADOR “AD HOC”

Há certos tipos que ignoro. Há outros que merecem uma resposta. No caso que segue, recomendo ao rapaz não se apaixonar.

Há um senhor chamado Alberto Carlos de Almeida. Não é um cantor de iê-iê-iê. Quer dizer, mais ou menos. Ele se tornou mais ou menos conhecido com um livro chamado “A Cabeça do Brasileiro”. Deu alguns números a um fato óbvio, sobre o qual escrevo neste blog, COMO VOCÊS SABEM, há mais de seis anos e em outros veículos há uns 15: os brasileiros são mais conservadores do que muitos supõem. Muito bem! Foi convidado a dar uma entrevista ao programa Roda Viva. Escrevi a respeito no dia 28 de agosto de 2008. Apanhou impiedosamente. Eu o defendi. Não mereço, claro, gratidão por isso. Eu me comportaria hoje do mesmo modo. As minhas convicções não mudam conforme o vento. Eu não ganho para pensar isso e aquilo. Porque penso isso e aquilo, não me falta emprego, entenderam? Na bancada, eu era o único entrevistador sem qualquer simpatia pela esquerda.

Muito bem! O tempo foi passando, e fui percebendo que o livro de Alberto Carlos, apenas correto, era bem melhor do que o caráter do autor. Certa manhã, ali pela antevéspera da campanha eleitoral de 2010, eu o encontrei no Aeroporto de Congonhas. Foi efusivo. Efusivo demais para quem, como eu, está sempre algo impróprio para a convivência antes das 14h. Ele também gosta de falar de perto, de muito perto. Isso me constrange, me incomoda. Bastam-me os sentidos da visão e da audição para uma convivência civilizada, eventualmente o tato, para o aperto de mão. Acho que o olfato deve ser guardado para mais intimidade. O paladar, então… O perdigoto é uma das maiores agressões que podem vitimar um ser humano. Cobriu meu trabalho de elogios. Disse que precisávamos conversar. “Claro, sim, vamos marcar…”, olhava eu para os lados, em busca de um socorro que não chegava. Finalmente se foi.

Entendi depois. Tinha sido chutado do PSDB, para quem trabalhava. Se eu escarafunchar um pouco, saberei mais detalhes, os motivos. Mas agora estou com um pouquinho de preguiça. Parece que tinha lá algumas propostas um tanto caras, que não foram assimiladas pelo caixa do partido. E eu com isso? Há alguns bobalhões que acreditam, e é possível que ele fosse um deles, que tenho alguma influência no partido. No caso, para ser explícito, talvez houvesse a crença de que eu poderia dar alguma idéia a José Serra, com quem converso, sim, como pede a minha profissão — e não só com ele! —, mas de quem não sou íntimo a ponto de me atrever a dar dicas ou sugestões. Tenho senso de ridículo.  Outros, com mais importância do que eu, já tentaram, hehe…

Basta, aliás, avaliar algumas posições históricas do líder tucano para constatar que temos divergências imensas. Os que pretendem me colocar, como faz certa canalha, como um de seus braços na Internet têm um duplo objetivo: a) atingir a minha independência — e eu escrevo apenas o que quero e sobre o tema que quero; b) atribuir a Serra, para atingi-lo, a responsabilidade por certas brigas que compro. Quanto à intimidade com os tucanos… Tenham paciência! O que tenho escrito no blog fala por mim. Sempre votei nele para qualquer cargo que tenha disputado? Sim! Apesar das divergências. É um fato público. Não preciso me esconder em certa patifaria que se faz de isenta. Mas sigamos.

Também critiquei Almeida em meu blog, sim. Chutado do PSDB, parece que ele decidiu pôr a sua expertise a serviço da desconstrução da candidatura Serra. Em agosto de 2010, ele previa a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno — e já se estava na reta final da eleição — por até 20 pontos de vantagem sobre a soma de todos os candidatos. REITERO: A POUCO MAIS DE UM MÊS DA ELEIÇÃO, ALBERTO CARLOS DE ALMEIDA, ABRAÇADO A SEU RANCOR, ACHAVA QUE DILMA OBTERIA 20 PONTOS A MAIS DO QUE TODOS OS CANDIDATOS SOMADOS. Bem, ele errou por mais de 20 pontos, não é? Houve segundo turno.

O rapaz que lidava com certa destreza com os números naquele livrinho se tornava um “inteliquitual” ad hoc. Como não é de esquerda — começo a desconfiar que é por indústria, como se dizia antigamente, não por convicção —, seduz alguns incautos. Sim, apontei o despropósito de sua análise em agosto mesmo! NÃO SOU DO TIPO QUE ESPERA O RESULTADO DAS URNAS PARA FORMULAR UMA TEORIA. Não sei para quem Alberto Carlos de Almeida trabalha hoje. Se escarafunchar, é fácil saber. O que sei é que está puxando o saco do senador Aécio Neves (PSDB-MG), a exemplo do que fez num artigo no jornal Valor Econômico, publicado na sexta-feira, de que só tive notícia hoje. Vivo tendo pegas com esquerdistas. Por que não um com quem se quer um “social-liberal”?

Em seu texto, ele se oferece como um grilo falante de Aécio, a quem chama de “carismático e agregador”. E resolve dar o caminho das pedras para a vitória em 2014. Atenção! Ele já sabia o caminho das pedras em 2010; é que não lhe deram ouvidos, entendem? No texto, Alberto Carlos diz com todas as letras: “mesmo nas condições mais adversas possíveis, o voto oposicionista no Brasil é capaz de mobilizar, no mínimo, 37% dos eleitores.” Grande mestre! Se esse é um dado da equação e considerando que Marina Silva aparecia nas pesquisas com algo em torno de 20%, como esse gênio da raça sustentava, então, que Dilma venceria no primeiro turno com mais de 20 pontos de vantagem sobre a soma dos demais candidatos? Que tamanho tem o 100% de Alberto Carlos? É que o rapaz se converteu num fazedor de teorias ad hoc. Basta encomendar, ele tortura os números até que eles confessem.

Como ele não tem, definitivamente, medo do patético, sustenta que o piso da oposição é 37% e que, então, o “carismático e agregador Aécio Neves” pode superá-lo tranqüilamente. Mas ele tem um senão — e, confesso, sinto vergonha alheia. Adverte o gênio da raça: “O principal obstáculo de Aécio para atingir esse desempenho é a eventual candidatura de Marina Silva (…) Aécio sabe disso e, não por acaso, Marina recebeu recentemente o título de cidadã mineira.”Huuummm… Como Marina é só uma bobinha da floresta, né?, trocou a sua candidatura por um título de cidadã mineira… Tentando puxar o saco do senador mineiro, Alberto Carlos o trata como mercador eleitoral de títulos de cidadania. Não creio, sinceramente, que Aécio esteja comprando os seus serviços.

Chupim de teorias alheias. Só de teorias?
O autor prossegue dando dicas. Modéstia às favas, sou eu o autor da “Teoria dos Três terços” do eleitorado brasileiro. Eu falei sobre ela neste blog pela primeira vez no dia 19 de julho de 2006. A página tinha apenas 25 dias. Atenção! Isso foi aqui. Trato do assunto há muito mais tempo. Qual é o ponto? Um terço do eleitorado vota no PT, um terço contra o PT, e o outro terço pode oscilar pra lá ou pra cá. Se vocês procederem a uma pesquisa no blog, encontrarão dezenas de textos a respeito.

Depois de prever a vitória de Dilma no primeiro turno por mais de 20 pontos sobre a soma dos demais, escreve agora o Alberto Carlos no Valor:
“A sociedade brasileira, quando se trata de eleição presidencial, é dividida entre os votos certos do PT e os votos certos do PSDB ou as idéias que ambos representam. Os dois partidos têm, cada um, pelo menos 40% de votos válidos certos. Isso significa que a eleição presidencial brasileira é definida pelos 20% de eleitores centristas.”

Ele dá uma ajustadinha nos números (e está errado, diga-se), mas essa é a minha tese, como se vê. É o que se chama batida de carteira intelectual, apropriação indébita descarada, vergonhosa. Ora, se ele tinha essa convicção, como afirmou aquela porcaria que afirmou? Eu só o contestei, então, sem medo de errar porque aquela era a MINHA CONSTATAÇÃO, A MINHA CONVICÇÃO. Não é possível que Aécio esteja pagando por isso. Não acredito. Calma que a apropriação indébita ainda não terminou.

Guerra de valores
Alberto Carlos também afirma que as oposições precisam construir valores mais à direita e coisa e tal, para confrontar o PT. Escreve ele: “É possível, sim, construir uma identidade de centro-direita no Brasil. A terminologia mais adequada seria mesmo a da identidade social-liberal. O eleitorado desse discurso, dessa visão de mundo, que é o eleitorado que não vota no PT, já assegura 40% dos votos em primeiro turno para quem defender esse credo.”

Atenção, eu tratei explicitamente deste assunto no dia 12 de outubro de 2006. Cito trecho: “Não temos sabido - especialmente os partidos políticos (ou, vá lá, ‘lideranças políticas’) que não comungam dessa escatologia autoritária [da esquerda] - fazer a devida guerra de valores. (…) Reparem a facilidade com que, hoje em dia, lideranças do PSDB e mesmo do PFL pretendem disputar com o PT valores que se dizem de centro-esquerda. Vejam a facilidade com que o ‘discurso do social’, sem que se especifique exatamente que diabo isso quer dizer, se torna pauta obrigatória dos partidos - ainda que esta “agenda” não respeite a lei”.

Na última edição da VEJA de 2010, escrevi um longo artigo, de quatro páginas, a respeito do assunto. Está aqui. Escrevo lá:
“Temos já um Brasil de adultos contribuintes, com uma classe média que trabalha e estuda, que dá duro, que pretende subir na vida, que paga impostos escorchantes, diretos e indiretos, a um estado insaciável e ineficiente. Milhões de brasileiros serão mais autônomos, mais senhores de si e menos suscetíveis a respostas simples e erradas para problemas difíceis quando souberem que são eles a pagar a conta da vanglória dos governos. É inútil às oposições disputar a paternidade do maná estatal que ceva mega-currais eleitorais. Os órfãos da política, hoje em dia, não são os que recebem os benefícios - e nem entro no mérito, não agora, se acertados ou não -, mas os que financiam a operação. Entre esses, encontram-se milhões de trabalhadores, todos pagadores de impostos, muitos deles também pobres!”

Qualquer semelhança com o texto deste senhor não é mera coincidência. A diferença é que eu escrevo bem, e ele, muito mal. Parece que Alberto Carlos de Almeida não respeita muito números com paternidade. Tampouco respeita a paternidade das idéias. Sigamos.

Ataque pessoal
Acima, forneço as evidências, com provas, de que estamos falando de alguém que fabrica teorias ad hoc, a depender do seu rancor, e que vai dispondo livremente de idéias e teses que outros formularam. No artigo em que puxa o saco de Aécio e fala sobre a necessidade de criar um pensamento social-liberal no Brasil, escereve ainda:
“Portanto, não se pode cair, por exemplo, na armadilha ultradireitista de Reinaldo Azevedo. Se fosse na França, ele seria ideólogo do movimento de Le Pen. Toda vez que o PSDB, ou aqueles ligados ao partido, defendem pontos de vista elitistas, se afastam da realpolitik brasileira e dão argumentos para seus adversários jogarem-nos no corner elitista e direitista. Foi esse o caso, por exemplo, do episódio da estação de metrô de Higienópolis. Aécio não é bobo, não cai nessa armadilha.”

“Ligado ao partido”? Quem está rebolando para o PSDB é Alberto Carlos, não eu. Só sou “ultradireitista” para os ultraidiotas, ultratrapaceiros, ultrapilantras, ultraprestadores de serviço, ultravigaristas, gente assim… Ele não poderia dizer, naturalmente, o que há de “ultradireitista” no meu pensamento porque não há. Sou apenas um defensor da Constituição. Este senhor repete o mantra da extrema esquerda para, como se nota, poder me bater a carteira de algumas idéias. É um troço asqueroso! Tivesse vergonha intelectual na cara — não tem! —, não faria alusão ao metrô de Higienópolis, uma canalhice inventada por setores do petismo para desgastar o governo Alckmin. Nunca existiu a hipótese de não se construir uma estação no bairro. O ponto escolhido, aliás, é, em termos imobiliários, ainda mais “nobre” do que o anterior. Ele mente. E está, para variar, tentando agredir São Paulo no texto em que rasga elogios a Aécio. Não creio que seja com o endosso daquele cujas glórias ele canta. Deve fazê-lo por voluntarismo gratuito.

Uma das formas de não debater o que o outro diz é criar pechas, atribuir-lhe coisas que não escreveu, não fez e não pensa. É uma das táticas canalhas das esquerdas para demonizar pessoas. Alberto Carlos não é de esquerda.

Alberto Carlos é um plagiador vulgar. E é bom ele se lembrar que outros trabalharam com ele na área de pesquisa e conhecem os seus métodos. Os meus também são conhecidos. Tenho hoje o blog, já tive uma revista — onde trabalhavam 21 pessoas — e já fui funcionário da Folha duas vezes. Em todos esses lugares, a minha reputação, que corresponde, felizmente, aos fatos, é de pessoa trabalhadora, dedicada a seu ofício, eventualmente desagradável porque diz sempre o que pensa.

Uma pergunta a Alberto Carlos: ainda está à procura de quem pague pelo seu iê-iê-iê ou já encontrou? Atacar o Reinaldo Azevedo, pelo visto, rende uns trocos.

Texto publicado originalmente às 21h24 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:33

Empresário petista e comunista defende o neocolonialismo chinês!!!

Existe uma dita página “independente” na Internet, onde só escrevem petistas, que reúne artigos de bambas ligados ao partido. As esquerdas brasileiras estão a merecer, de fato, um estudo. Vejam lá o outrora revolucionário Fernando Pimentel, hoje ministro de Dilma. O homem saiu na Prefeitura de Belo Horizonte e se tornou um consultor de salário milionário da noite para o dia. A história, como viram, é um tantinho enrolada. Mas volto.

Wladimir Pomar, esquerdistas de quatro costados, ex-militante do PC do B, hoje petista, escreveu um artigo defendendo, eu juro!, o imperialismo chinês! É!!! Ataca os “nacionalistas brasileiros” que estariam preocupados com a concorrência chinesa. Leia um trecho do seu texto. Volto depois:

” (…) o que mais espanta na análise de vários de nossos nacionalistas é sua visão de não diferir um til sequer do discurso norte-americano e europeu sobre o que chamam de projeto geopolítico e a geoeconômico chinês. Tal projeto estaria transformando a África, a Ásia e a América Latina em simples fornecedores de alimentos e matérias-primas. Em busca de minério de ferro e petróleo, a China teria ‘ocupado’ economicamente o Gabão e Angola, e se expandido pelo extremo sul da América Latina, ameaçando transformar o Mercosul em pura retórica.
A China estaria, assim, repetindo a estratégia do capitalismo do final do século 19: tornar a periferia mundial em fonte de matérias-primas e alimentos. Sua proposta seria neocolonizadora, um risco de ‘conto do vigário’. Os que se contrapõem a essa visão sobre a China seriam vendilhões da pátria, dispostos a entregar energia e alimentos para o neo-sonho imperial chinês. Em resumo, a China amarela passou a ser o inimigo principal para esses nacionalistas.”

Voltei
O texto é escandaloso porque isso que ele escreve ab absurdo, como se caricatura fosse, é mesmo verdade. A China, de fato, ocupou o Gabão e Angola e busca uma relação neocolonial com vários países. Aí o leitor meio desavisado pensa: “Pô, Reinaldo, o cara é um comunista, né? Vai defender a China mesmo…”. Como diria o Apedeuta nos velhos tempos, é “menas verdade” do que parece.

O leitor talvez não esteja lembrado de um post de 4 de julho deste ano. Atenção!Wladimir Pomar É UM EMPRESÁRIO. E LUCRA JUSTAMENTE COM A… CHINA! Essa defesa do neocolonialismo é, antes de tudo, uma questão de interesse pessoal. Anotem aí. São consultores de sucesso hoje no Brasil: José Dirceu, Antonio Palocci, Fernando Pimentel e Wladimir Pomar. Leiam trecho daquele post., Volto depois.
*
O negócio do momento é o socialismo de resultados!

Em nenhum país do mundo, com as prováveis exceções das máfias russa e chinesa, a esquerda se deu tão bem quando se meteu, como dizer?, com a economia de mercado como no Brasil. Em breve, os “radicais petistas” estarão fazendo seminários mundo afora sobre como se dar bem no capitalismo pregando o socialismo. Por que isso?

O Brasil tem uma verdadeira dinastia de “vermelhos”, uma família de “radicais autênticos”. O nome mais conhecido hoje é Valter Pomar, expressão da dita extrema esquerda petista. Ele tem sempre uma porcentagenzinha dos votos que lhe permite a fama de autêntico esquerdista e lhe garante o posto de Secretário de Relações Institucionais do partido. Entre 14 e 29 de maio, Pomar, o Valter, fez uma excursão política pela Espanha, França, Suécia e Inglaterra, com uma parada em Frankfurt, na Alemanha. Recebeu tratamento VIP do Itamaraty, coisa de autoridade mesmo!

Valter é filho de Wladimir e neto de Pedro, lendário dirigente comunista, morto durante o regime militar. E é Wladimir - nome que homenageia seu xará mais famoso, o Lênin - um dos protagonistas da reportagem abaixo, de Ricardo Balthazar, na Folha deste domingo. Vejam que mimo. Eu já começo a me encantar com o fato de um notório comunista ser “consultor de empresas”…
*
Na parede atrás da mesa de trabalho do consultor de empresas Wladimir Pomar, há uma fotografia que mostra seu pai apertando a mão do primeiro-ministro chinês Chu En-lai ao final de um encontro político, em 1971. O empresário Marco Polo Moreira Leite faz negócios com a China desde a década de 90, quando procurava produtos chineses para abastecer redes de varejo brasileiras e viveu perto de Pequim. Os dois trabalham juntos hoje em dia, abrindo portas no Brasil para um punhado de gigantes estatais chineses que querem entrar no país. Uma pequena empresa de comércio exterior que eles criaram há três anos, a Asian Trade Link (ATL), representa um consórcio interessado no trem-bala que ligará São Paulo ao Rio, uma indústria que quer vender turbinas para a hidrelétrica de Belo Monte e uma empresa que está de olho no petróleo do pré-sal.

“A China tem dinheiro e tecnologia”, diz Pomar. “Em vez de ficar com medo, o Brasil deveria ter políticas para atrair esses investimentos.” Pode parecer ambição demais para uma empresa tão nova, mas Pomar e Moreira Leite têm uma vantagem que poucos possuem nesse ramo: uma vasta rede de relacionamento que ajuda a abrir caminho no Brasil e na China.

Aproximação
Filho de um dirigente do PCdoB que foi morto pela polícia na ditadura militar, Pomar, 74, participou da fundação do PT e é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi o coordenador da primeira campanha presidencial de Lula, em 1989. Moreira Leite, 66, começou a trabalhar com Pomar em 2002. Lula estava prestes a assumir o poder e os amigos de Moreira Leite na China o procuraram. “Eles queriam muito se aproximar do novo governo”, diz o empresário.

Pomar levou o assunto a Lula, e a dupla recebeu dinheiro do governo para realizar seminários promovendo o comércio entre o Brasil e a China. Eles participaram da organização da primeira visita de Lula à China, em 2004. Na mesma época, Pomar apresentou à então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, o grupo Citic. A Eletrobras depois o contratou para construir uma usina termelétrica em Candiota (RS).

Pomar diz que evita tirar proveito de sua amizade com Lula para fazer negócios. Mas sabe como os chineses valorizam esse tipo de conexão. “Aprendi com eles que você precisa ter relações com todo mundo”, afirma Pomar. A ATL tem 13 sócios. Entre eles, estão o ex-vice-governador de Mato Grosso do Sul Egon Krakhecke, que é do PT e hoje é secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente. São sócios o deputado estadual Jailson Lima, do PT de Santa Catarina, e o ex-deputado federal Luciano Zica, que deixou o PT para entrar no PV.
(…)
Volto para encerrar
O herdeiro do empresário Wladimir Pomar é Valter Pomar — não sei se único. Além de secretário de Relações Internacionais do PT, é também secretário-executivo do Fórum de São Paulo, entidade que reúne as esquerdas da América Latina, muitas delas no poder.

Ocorre-me agora: como chefão do Fórum, Valter, o filho, pode ser um ativo e tanto para Wladimir, o pai, um consultor de empresas da… China!

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:31

Nos Emirados Sáderes – Um homem que não tem medo do ridículo e da gramática

Sabem aquela foto de Dilma Rousseff, sobre a qual escrevi muito aqui? Pois é. Emir Sader, o habitante solitário daquele país mental chamado “Emirados Sáderes”, escreveu o seguinte, em sua gramática sempre destemida e muito pessoal (envia-me um leitor):

“Que bom que uma foto como essa reflita um momento como esse, com essa cara de dignidade, enfrentando seus algozes, que escondem seus rostos!
Que bom que essa foto reflita a cara de uma militante depois de 22 dias e noites das torturas mais cruéis - de pau de arara, choque elétrico, afogamento e outras violências físicas -, como não se quebra a coragem de um ser humano que se decidiu a lutar contra as injustiças!”

Eu me dispenso de analisar a sintaxe de Sader porque desisti de contar com esquerdista alfabetizado faz tempo. Como essa gente fala e escreve mal, Jesus! Adiante. Em primeiro lugar, cumpre destacar que a foto é de novembro de 1970, e Dilma foi presa em janeiro. Acho que os torturadores não esperariam 11 meses para fazer o serviço sujo, não é? A lógica do porão era quebrar a resistência do preso o mais rápido possível. Na ânsia de cantar as glórias de sua heroína, Sader se esqueceu desse detalhe. Se Dilma foi torturada, não deve ter sido pouco antes de ir ao tribunal, que fazia sessões legais e públicas.

Mas essa é só a parte tolinha de sua baba amorosa. Há aquela moralmente complicada. Quer dizer que, se Dilma aparecesse toda estropiada — e seria o normal “depois de 22 dias e noites das torturas mais cruéis - de pau de arara, choque elétrico, afogamento e outras violências físicas” —, ela seria menos digna, é isso? Sader está dizendo que o torturado é o responsável por sua boa aparência? Os de têmpera firme ficam como Dilma, altivos, e os molerões se abatem?

A esquerda já foi melhor. Não muito, mas foi.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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