Bruninho, você não vai viajar com a gente nem vai ganhar Toddynho!

Publicado em 23/12/2011 17:06 e atualizado em 23/12/2011 18:02 981 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Bruninho, você não vai viajar com a gente nem vai ganhar Toddynho!

plutarco-vidas-de-homens-ilustresComo vocês sabem, os petralhas me arrumaram um filho bastardo, de extrema esquerda, invasor de Reitoria… Ele se chamaria “Bruno” e estudaria artes plásticas na USP. O mais admirável nesses caras é que eles mentem com excesso de detalhes para que os incautos fiquem ao menos com a semente da desconfiança: “Pô, algum fundo de verdade deve ter; afinal, há tantos detalhes que não pode ser tudo inventado…” A propósito: um estudante de artes plásticas de extrema esquerda faz o quê? Pinta os sucessos da vida de Kim Jong-Il, o “Estimado Líder”?

Pois é… No caso de paternidade, a coisa é mais complicada, né?, porque ninguém é filho do outro “só um pouquinho”… Ainda que existisse uma rapaz com essas características e ainda que eu tivesse conhecido sua mãe no passado, ou eu seria pai ou não seria…

Pois é… Papai é contra o desrespeito à lei numa democracia, viu, Bruninho? Vai ficar em casa lendo “Vidas dos Homens Ilustres”, de Plutarco, em especial o volume 8, que conta os sabores e dissabores de Demóstenes, Tucídides, Cícero… E nada de Toddynho e sucrilho! A USP oferece bandejão nas férias?

Por Reinaldo Azevedo

Pois é… Desta vez, nem o melhor, mais inteligente e mais engraçado site de humor político, o  “Vanguarda Popular”, superou o PC do B — no humor, é claro! O elogio feito pelo partido brasileiro a Kim Jong-Il, ditador da Coréia do Norte morto no sábado, deixa no chinelo qualquer ironia, qualquer galhofa, qualquer piada. Esquerdistas mundo afora já disseram quase tudo da Coréia do Norte, mas a ninguém ocorreu chamar aquele país de “próspero” ou afirmar que a ditadura comunista tentou a reunificação das duas Coréias, lutando pela paz.

Vejam o que escreveu o “Vanguarda Popular”, com a graça habitual:
“A morte do camarada Kim é, por isso, uma perda excepcionalmente pesada, não apenas para o bravo povo Norte-Coreano, que, graças ao companheiro Kim, se libertou das cadeias da escravidão capitalista, mas também para os trabalhadores do mundo inteiro, para os maconheiros da USP e para toda a humanidade progressista.”

Agora leiam o que escreveu o PC do B tentando afetar seriedade:
“O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.”

O que é mais risível?

Ao vencer o “Vanguarda Popular” no humor, o PC do B emula com a seriedade de uma dupla que parecia imbatível: a TV estatal norte coreana, a KCTV, e o jornal eletrônico cubano www.granma.cu!!!

Por Reinaldo Azevedo

Na Folha Online:
Leia abaixo a íntegra da nota do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski em nega ter sido beneficiado com a decisão que suspendeu inspeção feita pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na folha de pagamento do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ministro Lewandowski divulga nota sobre o caso
Sobre notícia veiculada hoje (21) a respeito de liminar proferida em mandado de segurança impetrado pela Associação dos Magistrados Brasileiros, Associação dos Juízes Federais e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, o ministro Ricardo Lewandowski esclarece o seguinte:

1. Eu estava em meu gabinete no STF por volta das 21 horas do dia 19, último do corrente ano Judiciário. Diante da ausência do relator sorteado, ministro Joaquim Barbosa, e dos demais ministros, foi-me distribuído o referido mandado segurança para apreciação de pedido de liminar.

2. Concedi a liminar em caráter precaríssimo, tão somente para sustar o ato contestado, até a vinda das informações, as quais, por lei, devem ser prestadas pela autoridade coatora no prazo de dez dias. Tomei a decisão, em face da amplitude das providências determinadas pela corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, que compreendem a quebra do sigilo de dados fiscais e bancários de um número indeterminado e indiscriminado de magistrados e servidores de vários tribunais de todo o país, inclusive dos respectivos cônjuges e filhos, cumprindo o indeclinável dever de prestar jurisdição.

3. Após a vinda das informações, o processo será encaminhado para o relator sorteado ou, no recesso forense, à presidência do tribunal, para decisão definitiva quanto à liminar.

4. Cabe esclarecer que a decisão de minha autoria não me beneficia em nenhum aspecto, pois as providências determinadas pela corregedoria do CNJ, objeto do referido mandado de segurança, à míngua de competência legal e por expressa ressalva desta, não abrangem a minha pessoa ou a de qualquer outro ministro deste tribunal, razão pela qual nada me impedia de apreciar o pedido de liminar em questão.

Por Reinaldo Azevedo

Na VEJA Online:
O norte-coreano Kim Jong-un, filho caçula e sucessor de Kim Jong-Il, terá que dividir o poder com os militares, revelou uma fonte que mantém estreitas ligações com os governos da Coreia do Norte e da China, consultada pela agência Reuters. Isso significa que o regime comunista passará a ter um comando coletivo, com palpites também do tio Jang Song-Thaek, cunhado de Kim Jong-Il e vice-presidente da poderosa Comissão de Defesa Nacional

Segundo a mesma fonte, citada pela Reuters, é “muito improvável” a hipótese de um golpe militar. “Os militares juraram obediência a Kim Jong-un”, acrescentou. Apesar de a fonte não ter sido identificada, a Reuters afirma que ela já deu informações corretas em importantes eventos anteriores, como que a Coreia do Norte testaria sua primeira arma nuclear em 2006, fato comprovado posteriormente.

Kim Jong-un sucederá a seu pai como parte de uma dinastia familiar comunista que dirige a Coreia do Norte desde a fundação do país, na década de 1940. Kim Jong-Il morreu no último sábado, mas sua morte só foi anunciada na segunda-feira.

Culto
Nesta quarta-feira, a Coreia do Norte reforçou uma campanha para fortalecer o culto à imagem de Kim Jong-un e preparar seu caminho ao poder em uma transição que deixa a Coreia do Sul em estado de alerta. “Respeitado camarada” e “nascido do céu” são alguns dos termos usados pela imprensa norte-coreana para se referir ao jovem, principalmente na televisão estatal KCTV, que emitiu novas imagens durante sua visita ao velório de seu pai.

Nestas novas imagens, Jong-un aparece cumprimentando diplomatas norte-coreanos e outras pessoas que participavam da cerimônia de condolências da morte de Kim Jong-Il, cujo corpo segue no Palácio Memorial de Kumsusan, situado nos arredores de Pyongyang.

Por Reinaldo Azevedo

O notório “delegado” Protógenes Queiroz, eleito deputado federal pelo PCdoB com os votos de Tiririca, indiciado ele próprio pela Polícia Federal por dois crimes — esconde-se na imunidade parlamentar —, protocolou na Mesa da Câmara um pedido de CPI das Privatizações, aquelas mesmas já investigadas e viradas do avesso pelo petismo ao longo de nove anos de governo. O pedido conta com 206 assinaturas, mas ele admite que algumas podem ser “repetidas”. Não diga!!! Sabem como é… É assinatura demais para fazer uma simples checagem e eliminar as repetições… Tenham paciência! O objetivo é um só: manter a farsa no noticiário, assim como se mantém a mentira de que o livro do tal ex-jornalista — indiciado em quatro crimes — já teria vendido 15 mil exemplares. Os esquerdistas se dedicam a uma campanha frenética na rede, mas não jogam dinheiro fora.

Segundo Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, o exame só será feito no ano que vem. O circo está potencialmente armado. Nada menos de seis ministros foram demitidos sob a suspeita de corrupção. E não há, evidentemente, a menor chance de se instalar uma comissão de inquérito para investigar o que quer que seja. Um ministro como Fernando Pimentel nega-se até mesmo a prestar um simples esclarecimento no Congresso. Mas há, em tese ao menos, a possibilidade de se instalar uma CPI para investigar as privatizações feitas em… 1998!!! Imaginem se os petistas já não teriam botado a boca no trombone e levado ao horário eleitoral gratuito eventuais irregularidades. Nunca o fizeram porque não há o que dizer. É por isso que sempre preferiram a guerra ideológica.

Ter a possibilidade de uma CPI em ano eleitoral pode ser uma arma e tanto de constrangimento da oposição. Não que essas coisas sejam assim tão simples: a Constituição Federal, no Parágrafo 3º do Artigo 58, exige que haja um “fato determinado” para a instalação de uma comissão. Não basta um amontoado de ilações sem provas — e o livro do ex-jornalista indiciado não passa disso.

O leitor talvez não se dê conta do absurdo que é esse pedido —  e não só porque falta o fato determinado. CPIs são instrumentos das minorias, nunca das maiorias. E assim é por um motivo óbvio: se à maioria bastasse se reunir para “investigar” a oposição, convenham que se estaria no caminho de uma ditadura.

Essa história não passa de uma patuscada, mas é bom a oposição acordar para o que está em curso. Estão tentando usar a CPI não para investigar o que quer que seja — ou alguém pretende chamar Lulinha da Silva para falar sobre o seu contrato com a Telemar? —, mas como instrumento de intimidação da oposição, oposição essa que já é numericamente raquítica. Logo, temos algo além da simples intimidação: é mesmo uma tentativa de extermínio.

É claro que Protógenes, o indiciado, integra o grupo dos parlamentares  folclóricos. Mas é preciso ter claro que o comando do PT está dando apoio nada discreto à iniciativa. Ora, se a coisa colabora para corroer a reputação da oposição, tanto melhor, ainda que seja com um amontoado de delírios.

Por Reinaldo Azevedo

Na Folha Online:
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cezar Peluso, fez uma nota para defender a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que suspendeu inspeção feita pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na folha de pagamento do Tribunal de Justiça de São Paulo. Lewandowski recebeu pagamentos sob investigação, feitos a todos os desembargadores da corte por conta de um passivo trabalhista da década de 90. O próprio ministro Peluso, que, como Lewandowski, foi desembargador do TJ paulista, recebeu recursos desse passivo. Ele recebeu R$ 700 mil. Peluso considera que, apesar dos recebimentos, nem ele nem Lewandowski estão impedidos de julgar ações sobre o tema porque os ministros do STF não se sujeitam ao CNJ. Portanto, não seria possível falar que agem em causa própria ou que estão impedidos quando julgam a legalidade de iniciativas daquele órgão, já que não estão submetidos a ele, e sim o contrário, de acordo com a Constituição e com decisão do próprio STF.

A corregedoria do CNJ iniciou em novembro uma devassa no Tribunal de Justiça de São Paulo para investigar pagamentos que magistrados teriam recebido indevidamente junto com seus salários e examinar a evolução patrimonial de alguns deles, que seria incompatível com sua renda. Um dos pagamentos que estão sendo examinados é associado à pendência salarial da década de 90, quando o auxílio moradia que era pago apenas a deputados e senadores foi estendido a magistrados de todo o país. Em São Paulo, 17 desembargadores receberam pagamentos individuais de quase R$ 1 milhão de uma só vez, e na frente de outros juízes que também tinham direito a diferenças salariais. Tanto Peluso quanto Lewandowski dizem ter recebido menos do que esse valor.
(…)
Leia a íntegra da nota de Peluso:
“O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, repudia insinuações irresponsáveis de que o ministro Ricardo Lewandowski teria beneficiado a si próprio ao conceder liminar que sustou investigação realizada pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra magistrados de 22 tribunais do país. Em conduta que não surpreende a quem acompanha sua exemplar vida profissional, o ministro Lewandowski agiu no estrito cumprimento de seu dever legal e no exercício de suas competências constitucionais. Inexistia e inexiste, no caso concreto, condição que justifique suspeição ou impedimento da prestação jurisdicional por parte do ministro Lewandowski.

Nos termos expressos da Constituição, a vida funcional do ministro Lewandowski e a dos demais ministros do Supremo Tribunal Federal não podem ser objeto de cogitação, de investigação ou de violação de sigilo fiscal e bancário por parte da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça. Se o foi, como parecem indicar covardes e anônimos “vazamentos” veiculados pela imprensa, a questão pode assumir gravidade ainda maior por constituir flagrante abuso de poder em desrespeito a mandamentos constitucionais, passível de punição na forma da lei a título de crimes.”

Por Reinaldo Azevedo

No dia 26 de outubro de 2010, escrevi aqui a respeito do Enem:
“Trata-se de uma questão de princípio. Se houve o vazamento para um colégio, descobriu-se que o sistema apresentou falha e que, por ela, muito mais gente pode ter tido acesso às provas. Se o exame é mantido, a Constituição vai pro lixo. Não é só isso, não! As universidades que hoje usam o Enem como mecanismo de seleção ou que empregam o desempenho dos alunos nessa prova como um dos critérios de pontuação estarão, também elas, se expondo à fraude.”

Ocorre que o petista Fernando Haddad vai disputar a Prefeitura de São Paulo e não poderia contar com o vexame — e o custo — de mais um cancelamento em seu currículo. Então o governo decidiu naturalizar a fraude. Na segunda-feira, a VEJA.com demonstrou que, além de condescender com a fraude, o ministério também agasalhou a MENTIRA. O ministro tinha sido alertado pela PF de que o vazamento era maior do que se admitia, mas nada fez; preferiu ignorar o assunto e continuou a cuidar de sua candidatura. Leiam o que vai na VEJA.COM:

MEC volta atrás e cancela testes de mais 500 participantes do Enem

Exatos quarenta dias após ser informado pela Polícia Federal que o vazamento do Exame Nacional do Ensino Médio (2011) era maior do que admitia, o Ministério da Educação (MEC), enfim, voltou atrás e ampliou o cancelamento de questões da prova. Agora, além dos 639 estudantes do ensino regular do Colégio Christus, os 500 alunos do curso pré-vestivular da mesma instituição também terão as 14 questões vazadas canceladas em sua média final.

É a decisão justa, já que o cancelamento agora atinge todos os participantes que tiveram acesso privilegiado à prova. Mas é uma decisão tardia. Como já foi dito, há 40 dias o MEC sabe que o vazamento não se restringia aos estudantes do Colégio. Confrontado com as evidências, o MEC se calou. Em entrevista a VEJA.com no dia 9 deste mês, um assessor direto do ministro Fernando Haddad afirmou que “os indícios apresentados pela PF não foram considerados fortes o suficiente”. Se não eram fortes naquela data, o MEC deve explicar quais são as novas informações que levaram ao cancelamento.

O assunto do vazamento, contudo, não deve de maneira alguma ser encerrado com a decisão tardia desta quarta-feira. Como revelou reportagem de VEJA.com desta segunda-feira, a PF colheu testemunhos que colocam em xeque a lisura da elaboração do Enem, durante a fase conhecida como pré-teste. Nessa etapa, questões que poderão ser apresentadas no Enem são resolvidas por estudantes, com o objetivo de determinar o grau de dificuldade dos testes. Só então, as questões seguem para o banco de dados do Enem e, em seguida, são aplicadas no exame federal.

Segundo depoimentos de um profissional que prestava serviços para a Cesgranrio, fundação contratada pelo Inep para aplicar o pré-teste, houve uma falha grave nessa etapa. Os profissionais contratados para fiscalizar o pré-teste em Fortaleza em 2010, justamente no Colégio Christus, mantinham laços profundos com a escola. Além de contrária ao bom-senso, a prática era proibida pelo próprio MEC, que prometia rigor na fiscalização. Se pessoas ligadas à escola tiveram acesso aos testes, viola-se o princípio da isonomia, segundo o qual todos os participantes do Enem devem estar submetidos às mesmas condições ao realizar a prova. Resta apurar também se a falta de rigor descoberta pela PF em Fortaleza se repetiu em outros pré-testes: no ano passado, 16 avaliações como essa foram realizadas em todo o país.

O ministro Fernando Haddad não se pronunciou sobre o assunto. Aliás, desde que o episódio teve início, no próprio fim de semana de realização do exame, nos dias 22 e 23 de outubro, ele pouco falou sobre o tema. Praticamente, restringiu-se a afirmar que problemas como o ocorrido no Enem eram corriqueiros em exames similares de outros países, como o SAT americano. Ouvido pela reportagem de VEJA, o representante do ETS, associação responsável pelo SAT, negou a tese do ministro.

Por Reinaldo Azevedo

Todos vimos a truculência contra o canal a cabo de TV do grupo Clarín, na Argentina. A camarilha, liderada por Cristina Kirchner, está disposta a quebrar a espinha da imprensa e conta, para isso, com setores do Judiciário, da polícia e, como sempre acontece nesses casos, do empresariado. Muitos oportunistas se aproveitam para obter benefícios que não seriam concedidos por um regime democrático pautado pela transparência. No Brasil, setores da esquerda e aquela corja de ex-jornalistas financiada pelo governo federal e por estatais aplaudiram a truculência da “Beiçola de Buenos Aires” — o outro ídolo da súcia é o “Beiçola de Caracas”. O mais impressionante é que Cristina nem se encontrava em solo argentino. Estava em Montevidéu para participar de uma reunião do Mercosul, em companhia dos presidente do Uruguai, Paraguai, Venezuela e Brasil. Sim, Dilma Rousseff entre eles. O dia da operação contra o grupo Clarín foi escolhido a dedo. A presidente da Argentina quis transformar os demais líderes em cúmplices de sua investida.

A propósito: a Venezuela ainda não é membro efetivo do Mercosul, e o grupo decidiu estudar meios de acelerar seu ingresso. Isso só é possível com a concordância unânime dos países, mas a decisão de cada um precisa ser referendada pelos respectivos Parlamentos. O Senado paraguaio, até agora, rejeita a Venezuela porque considera que o país transgride a cláusula democrática  o que é uma verdade absoluta. Então, caras e caros, a síntese é a seguinte: enquanto Cristina buscava esmagar a liberdade de imprensa na Argentina, fazia-se escoltar por quatro outros presidentes da América do Sul, que, por sua vez, prometeram se esforçar para que uma ditadura seja admitida como membro, ignorando a própria carta de fundação do Mercosul. Chávez, apenas um convidado, hostilizou os senadores paraguaios e defendeu que o bloco inclua o Caribe  leia-se: Cuba. Adiante.Volto à questão da liberdade de expressão.

A imprensa enfrenta hoje formas abertas ou veladas de censura na Venezuela, na Argentina, no Equador, na Bolívia e… sim!, se vocês quiserem saber, também no Brasil, ainda que de um modo um pouco mais sutil. Depois de uma América Latina que passou por um amplo e virtuoso processo de democratização, com a obsolescência das ditaduras militares ditas “de direita” (já explico), vive-se a era do surto autoritário de esquerda. Se os militares esmagavam a liberdade de expressão em nome da segurança do estado, os esquerdistas o fazem em nome da igualdade e da suposta vontade popular. Uns e outros odeiam a liberdade.

Estado a serviço de um grupo
Todos os governos dos países citados, inclusive o do Brasil, hoje se utilizam da estrutura do Estado para criar constrangimentos à liberdade de expressão. Na Venezuela, Argentina, Equador e Bolívia, os poderosos da hora o fazem abertamente, apelando à maioria que detêm nos respectivos Parlamentos para votar leis antidemocráticas 
 recorrendo, então, a mecanismos da democracia com o intuito de solapá-la. O governo petista tentou seguir a mesma linha no Brasil ao propor o Conselho Federal de Jornalismo e o “controle social da mídia” nas tais conferências  inclusive a de Direitos Humanos. Houve uma forte reação da opinião pública e o recuo. Oficialmente, Dilma não quer saber do tal controle social. Mas o fato é que seu governo financia a pistolagem política e ideológica do subjornalismo praticado por ex-jornalistas, a exemplo do que fazia Lula. Se ela realmente não gostasse disso ou não concordasse com a prática, poria um ponto final na farra.

O confronto ideológico é parte do jogo político. Um mesmo fato pode ser interpretado de diversas maneiras a depender dos valores de cada um. É natural que veículos de comunicação se dividam a respeito dos mais variados assuntos, escolhendo, então, o seu público. É assim em todo o mundo democrático. Muito bem. Vai aqui uma pergunta à Soberana Dilma Rousseff: é aceitável que a Caixa Econômica Federal financie páginas na Internet cujo objetivo explícito, declarado, indisfarçável, é difamar e caluniar lideranças da oposição, outros veículos de comunicação e mesmo ministros do Supremo Tribunal Federal? Faço a mesma pergunta em outros termos: a Caixa Econômica Federal, UMA EMPRESA PÚBLICA, também não pertence aos eleitores da oposição? Um partido ou grupo, ao assumir o poder, assume também o direito de pôr as estruturas do estado a seu serviço?Cristina Kirchner, Hugo Chávez, Rafael Corrêa e Evo Morales acham que sim! Lula e o PT acham que sim! Alguns supõem que Dilma acha que não. Se não, por que permite a farra?

É evidente que isso caracteriza uma forma detestável de assédio e de patrulha. Se o PT quer promover a guerra contra seus adversários políticos, que o faça com seus próprios meios, os do partido, não com o dinheiro público. Não que essa gente tenha grande importância ou seja muito influente — infinitamente menos do que o barulho que faz. O que estou denunciando aqui é a intenção se setores aboletados no governo, que acham legítimo que o dinheiro da população — porque pertence à população — seja usado em benefício de um grupo. Se e quando o PT for apeado do poder, vai se admitir que o governo federal e as estatais financiem panfletos para perseguir petistas?

Ódio à democracia
O ódio que essa gente tem à democracia e à liberdade de expressão é um troço visceral. Não adianta! Os caras não conseguem entender o modelo. Noticiei ontem aqui que Juan Arias, correspondente do jornal El País no Brasil, havia vertido para o espanhol um post meu e publicado em sua página. Foi o que bastou! A petralhada toda invadiu a página de Arias para me atacar, atribuindo-me, como de hábito, coisas que nunca escrevi. Um delinqüente sugere lá que torci até pela morte de Lula — quando todos sabem que escrevi justamente o contrário. Atribui-me, imaginem vocês!, ter dito que o Apedeuta precisava “desencarnar”. Todos sabem que ele próprio empregou esse verbo, não eu. Outros ainda reclamam que não publico em meu blog as suas opiniões 
 e as mentiras que contam lá explicam por que não , e isso seria a prova do meu pouco apreço pela liberdade de expressão.

Para eles, “liberdade de expressão” consiste em entrar em meu blog para me atacar, para emplacar suas correntes de difamação, para xingar seus desafetos, para agredir pessoas das quais discordam. Ora vejam! Eu, que repudio qualquer forma de censura estatal à imprensa, seria adversário da liberdade de expressão; eles, que vivem pedindo o “controle da mídia” seriam seus defensores! Ainda não entenderam que a liberdade está justamente no fato de que podem criar as suas próprias páginas. Por que precisam usar a minha para um tipo de pregação que sabem oposta aos valores essenciais do blog? A resposta é simples: PORQUE ELES CONSIDERAM INADMISSÍVEL que exista uma página de sucesso  a mais lida de política; podem chorar na pia!!!  que não comungue dos seus valores. Então “exigem” o direito de pichá-la.

O ridículo dessa gente é de tal sorte que muitos tentam, numa língua que lembra o português e o espanhol sem ser nem uma nem outra, “explicar” a Arias quem eu realmente seria, como se ele não pudesse acessar a minha página e ler o que escrevo com seus próprios olhos, fazendo, então, seu próprio julgamento. Tratam um experiente jornalista como se fosse um forasteiro a quem precisassem explicar os hábitos da terra. Sentem-se imbuídos de uma missão: difamar! E há, claro!, aqueles que estão trabalhando. O PT tinha anunciado a criação de uma tropa de choque para monitorar a Internet.

Falta de compromisso com a verdade
Ora, eu não tenho dúvida de que penso coisas que eles detestam. Mas o que realmente penso parece não ser suficiente para que possam secretar o seu ódio e convocar outras pessoas a me odiar também. Então inventam coisas, mentem, atribuem-me o que nunca escrevi, pensamentos que nunca tive, defesas que nunca fiz. Ora, para quem se sente imbuído de uma missão ou é um difamador a soldo, a verdade e a mentira são categorias irrelevantes.

Estamos, sim, queridos, no meio de uma guerra de valores. Os petistas chegaram ao poder porque a liberdade de expressão  QUE NÃO É OBRA DELES, ASSIM COMO NÃO O É O REGIME DEMOCRÁTICO  permitiu que fizesse a sua pregação, falasse de seus valores, atacasse os adversários etc. Uma vez no topo, a liberdade, em sentido amplo, deixou de lhes interessar. Não podendo partir para a violência institucional, acompanhada da violência armada, a exemplo de alguns de seus “companheiros” da América Latina, então optam pelo uso dos cofres públicos para financiar as correntes de difamação. Imaginem se o Ministério Público Federal já não teria entrado em ação caso o PT estivesse na oposição, sendo atacado por grupos e veículos financiados com dinheiro público. As lideranças do partido já teriam botado a boca no trombone. As oposições que temos ainda não atentaram para essa forma de “controle político da mídia”…

Digam o que disserem, o fato é que MEUS TEXTOS, o que realmente escrevi, estão arquivados no blog. Os petralhas estão inconsoláveis. Levaram a sério durante tanto tempo as suas próprias fantasias que se sentem compelidos a entrar no blog de um experimentado correspondente, que conhece o Brasil, para lhe implorar, à moda Groucho Marx: “Juan, você vai acreditar no que você lê na página do Reinaldo ou naquilo que nós dizemos sobre ele?” O post de Arias está aqui. E o “amor” dos petistas pela liberdade de expressão está devidamente demonstrado.

Por Reinaldo Azevedo

Por Dimmi Amora e Rubens Valente, na Folha:
O relatório de investigação interna da Caixa Econômica Federal para apurar as causas de um apagão entre 2008 e 2009 em seu sistema apontou falhas gerenciais e “conduta omissiva” no banco. As conclusões dessa apuração foram o estopim para azedar de vez o clima entre as alas do PT e do PMDB que estão no comando da Caixa. O apagão, como a Folha revelou no domingo, permitiu que uma empresa do Rio vendesse contratos de baixo ou nenhum valor por valores acima dos de mercado.

À Caixa cabia zelar pelo registro de dívidas que esses papéis mantinham junto à União. Mas os papéis acabaram vendidos sem as dívidas, o que projeta um dano aos cofres públicos porque é o governo que os garante. O problema nos computadores atingiu R$ 1 bilhão em papéis, segundo a auditoria interna feita pela Caixa entre julho e outubro de 2011.

A reportagem teve acesso ao relatório e a comunicações posteriores à conclusão da investigação, que foi pedida pelo presidente da Caixa, Jorge Hereda, indicado pelo PT. O resultado da auditoria opôs o PT de Hereda ao PMDB do vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias do banco, Fábio Cleto, e do atual ministro Moreira Franco (Assuntos Estratégicos), que, à época do problema, era o titular de Loterias da Caixa.

CULPA NO PMDB
A investigação apontou que a culpa maior pelo problema foi de uma empresa terceirizada, mas também atribui papel relevante, embora “com atenuantes”, à área de gestão do banco. O relatório descreveu um erro “culposo” (sem intenção) da terceirizada TI Stefanini. A companhia fora contratada pela Vice-Presidência de Tecnologia da Informação da Caixa, à época comandada por um grupo do PT.

Mas a auditoria relatou que o problema perdurou porque a Gerência de Fundos de Governo não tinha controle sobre o que era produzido. O documento disse que a Caixa não tinha “ferramentas de controle gerencial confiáveis”. A gerência é área sob controle do PMDB. Sobre os gestores, que não foram nomeados, o relatório interno afirmou que “houve falha no controle e na conferência dos dados”, o que “concorreu para que o sistema fosse processado por quase um ano sem que o problema fosse detectado”.

CULPA NO PT
Depois de receber os resultados, Fábio Cleto contestou as conclusões. Ou seja, no entender de setores do PMDB, a auditoria responsabilizou mais a área peemedebista do que um setor loteado ao PT. Ao ler o relatório, Cleto classificou-o de “limitado” e apontou seis deficiências no trabalho, segundo um informe assinado por ele.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Na Folha:
O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), está entre os magistrados que receberam pagamentos investigados pela corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) no Tribunal de Justiça de São Paulo, onde ele foi desembargador antes de ir para o STF. Lewandowski concedeu anteontem uma liminar suspendendo a investigação, que tinha como alvo 22 tribunais estaduais. O ministro atendeu a um pedido de associações como a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que alega que o sigilo fiscal dos juízes foi quebrado ilegalmente pela corregedoria, que não teria atribuição para tanto.

Por meio de sua assessoria, Lewandowski disse que não se considerou impedido de julgar o caso, apesar de ter recebido pagamentos que despertaram as suspeitas da corregedoria, porque não é o relator do processo e não examinou o seu mérito. A liminar que ele concedeu suspende as inspeções programadas pelo CNJ e permite que o relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, volte a examinar a questão em fevereiro, quando o STF voltará do recesso de fim de ano.

A corregedoria do CNJ iniciou em novembro uma devassa no Tribunal de Justiça de São Paulo para investigar pagamentos que alguns magistrados teriam recebido indevidamente junto com seus salários e examinar a evolução patrimonial de alguns deles, que seria incompatível com sua renda. Um dos pagamentos que estão sendo examinados é associado a uma pendência salarial da década de 90, quando o auxílio moradia que era pago apenas a deputados e senadores foi estendido a magistrados de todo o país.

Em São Paulo, 17 desembargadores receberam pagamentos individuais de quase R$ 1 milhão de uma só vez, e na frente de outros juízes que também tinham direito a diferenças salariais.  Lewandowski afirmou, ainda por meio de sua assessoria, que se lembra de ter recebido seu dinheiro em parcelas, como todos os outros.

O ministro disse que o próprio STF reconheceu que os desembargadores tinham direito à verba, que é declarada no Imposto de Renda. Ele afirmou que não entende a polêmica pois não há nada de irregular no recebimento. A corregedoria afirmou ontem, por meio de nota, que não quebrou o sigilo dos juízes e informou que em suas inspeções “deve ter acesso aos dados relativos à declarações de bens e à folha de pagamento, como órgão de controle, assim como tem acesso o próprio tribunal”.

No caso de São Paulo, a decisão do Supremo de esvaziar os poderes do CNJ suspendeu investigações sobre o patrimônio de cerca de 70 pessoas, incluindo juízes e servidores do Tribunal de Justiça.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Por Felipe Recondo, no Estadão:
Praticamente todos os 2,5 mil processos em tramitação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) correm o risco de “morrer na praia” com a liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, que esvaziou as atribuições do colegiado.

De acordo com integrantes da Corregedoria Nacional de Justiça, quase todos os processos - entre pedidos de providência, reclamações disciplinares, sindicâncias e processos administrativos - foram abertos diretamente no CNJ. Muitos foram encaminhados para os tribunais locais continuarem a investigação e outros permaneceram no próprio Conselho.

Pela decisão do ministro, somente os tribunais locais podem abrir processos para investigar irregularidades cometidas por magistrados. O CNJ só poderia processar os juízes depois que o caso fosse concluído por essas cortes. A depender do alcance que for dado pelo STF a essa decisão, todos os processos que foram abertos na Corregedoria teriam de começar do zero nos tribunais locais. E isso levaria muitos dos casos à prescrição. Como são leves as punições administrativas para magistrados, o prazo de prescrição é curto - de seis meses a cinco anos - e começa a contar no momento em que o fato foi levado ao conhecimento de quem deve investigá-lo.

A liminar de Marco Aurélio ainda precisa ser julgada pelo Supremo, o que deve ocorrer na primeira sessão do tribunal após o recesso de fim do ano, em fevereiro. Caso a decisão seja mantida, os ministros terão então de determinar seu alcance. Caberá a eles, por exemplo, definir se o entendimento de Marco Aurélio vale para todos os casos já abertos ou se valeriam apenas da data do julgamento para frente, se as punições impostas em casos já julgados poderiam ser revistas e se as investigações que foram abertas diretamente pelo CNJ estariam viciadas e, com isso, deveriam ser anuladas.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Do Portal G1:

O ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa concluiu o relatório sobre o processo do mensalão, que tramita na Corte desde 2007. Com o relatório pronto, que tem 122 páginas, ele encerra a análise da ação, que apura a suposta compra de apoio político no Congresso durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A previsão é que o julgamento ocorra no meio do ano que vem.

Barbosa ainda não terminou seu voto, em que define as responsabilidade de cada acusado e sugere punição ou abolvição. Em 2006, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou 40 pessoas. Ele apontava os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, entre outras infrações.

O suposto esquema foi revelado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). Ele acusava o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, de comandar o pagamento, que seria feito pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e operado pelo lobista Marcos Valério. Todos negam envolvimento na compra de apoio político.


A alegação é de que a distribuição de dinheiro destinava-se ao pagamento de dívidas de campanha e que o recurso não era oriundo dos cofres públicos, mas de doações não declaradas ao PT durante as eleições.

Na semana passada, o ministro Ricardo Lewandowski disse que alguns crimes poderiam prescrever até que ele concluísse a revisão do processo. Diante do risco, o presidente do STF determinou que o relator, Joaquim Barbosa, distribuísse cópias do processo a todos os outros 10 ministros da Corte.

Por Reinaldo Azevedo

Na VEJA Online:
Preso na semana passada, acusado de chefiar um dos braços da máfia do jogo do bicho no Rio, o ex-prefeito de Teresópolis Mário Tricano tentava interferir em decisões do Ministério da Justiça, em Brasília. Um trecho do relatório da Operação Dedo de Deus, da Polícia Civil do Rio, tem transcrições de uma interceptação telefônica autorizada pela Justiça em que Tricano conversa com um interlocutor que demonstra proximidade com a cúpula do ministério. Esse interlocutor afirma que terá, em breve, um encontro com um homem que, para os investigadores, seria o ministro José Eduardo Cardozo. O nome todo do ministro, no entanto, não aparece nas gravações.

A conversa interceptada e transcrita no relatório da Polícia Civil ocorreu em 20 de dezembro de 2010, às 19h15. A informação veio a público na edição desta terça-feira do jornal carioca O Dia. A voz de Tricano — provavelmente protegida por um sistema de criptografia — não aparece no áudio.

O amigo de Tricano afirma: “(…) Eu vou ter uma reunião de final de ano com o Cardoso para a questão da nomeação do diretor-geral da Polícia Federal. Essa reunião está marcada para ser quarta-feira”. E, mais à frente, avisa: “Vai ter coisa pra frente que nós vamos precisar, até porque se tudo sair certo a indicação do diretor vai seguir uma linha muito boa e uma linha que vai ajudar muito aquilo que eu falei pra você que eu quero fazer aí no Rio”.

O caso abre uma nova frente nas investigações sobre as ligações da máfia do jogo no Rio. O que se pode afirmar, até o momento, é que alguém, na conversa com Mário Tricano, tentava vender influência no ministério. Nove dias depois do diálogo interceptado, o ministro José Eduardo Cardozo anunciou o delegado da PF Leandro Daiello Coimbra como futuro chefe da instituição.

Além do teor da conversa, o que chama atenção é a origem do telefonema. O número utilizado para o contato com Mário Tricano está em nome do escritório Trajano e Silva Advogados Associados, de Brasília. Um dos sócios da empresa éAntônio Eudacy Alves Carvalho, irmão da ex-ministra da Casa Civildo governo Lula, Erenice Guerra. Antônio Eudacy teve seu nome ligado ao escândalo da Casa Civil quando se descobriu que outra irmã da minsitra, Maria Euriza Alves Carvalho, contratou o escritório Trajano e Silva, sem licitação, para o Ministério de Minas e Energia, ao qual está vinculada.

Como mostrou reportagem de VEJA, o escritório era usado por Israel Guerra, filho de Erenice, para despachar com os clientes. Um dos advogados da banca é Marcio Silva, que atuou como coordenador em Brasília dos assuntos jurídicos da campanha presidencial de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

Lembram daquele ar severo e durão de Dilma Rousseff, deixando claro que a Fifa não imporia as suas vontades ao Brasil nem se sobreporia à legislação brasileira? Pois é… Tudo papo furado! O projeto de Lei Geral da Copa, relatado pelo PT, é um manifesto à sujeição voluntária. Eu posso imaginar a gritaria dos petistas se o PSDB estivesse no poder, fazendo as concessões que o petismo está fazendo.  Pois é… O fato é que os petistas estão privatizando a soberania do Brasil. Leiam o que vai no Globo Online. Volto em seguida.

*
Parecer do deputado Vicente Cândido (PT-SP) sobre a Lei Geral da Copa prevê que o governo federal será obrigado a indenizar a Fifa por qualquer prejuízo que a entidade sofra durante os jogos do mundial, mesmo que não tenha qualquer responsabilidade sobre os danos. A proposta, incluída na quinta versão do texto original, provocou forte reação da oposição e forçou o adiamento da votação do projeto para o próximo ano. O texto seria votado nesta terça-feira pela Comissão Especial encarregada de analisar as regras gerais da Copa no país.

Pelo artigo 22, do relatório de Vicente Cândido, a “União responderá integralmente, independentemente de culpa, pelos danos ou pessoas, de qualquer natureza, inclusive de segurança, relacionados com as competições ou com os eventos, ainda que causados por quaisquer fatos da natureza, caso fortuito ou força maior”. O parecer foi distribuído aos deputados da comissão no final da manhã, horas antes do início da sessão de discussão e votação do relatório. Surpresos com as mudanças, deputados de oposição e até da base governista retiraram assinaturas de presença. Sem quórum, a reunião da comissão teve que ser adiada.

“Não pode ser assim. Estão estabelecendo responsabilidades para a União pagar por qualquer prejuízo da Fifa, independentemente de culpa. Este projeto não tem condições de ser votado agora”, disse o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ).

Para a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) é inaceitável a ideia de transferir para os cofres públicos as despesas com eventuais danos que a Fifa pode sofrer durante dos jogos. Para o PPS, a alteração de Vicente Cândido fere a Constituição. A indenização só seria possível se a União tiver responsabilidade direta no prejuízo. “Do jeito que está no texto, se uma pessoa cair da arquibancada o prejuízo é nosso. Só o lucro vai para a Fifa”, disse Carmen.

O presidente Renan Filho (PMDB-AL) suspendeu a sessão antes mesmo do início dos debates. Segundo ele, a proposta de responsabilizar a União independentemente de culpa desagradou a oposição e também ao governo. O relator nem chegou a comparecer à reunião. Renan disse que o projeto deverá ser votado no início de 2012. Ele sustenta, no entanto, que o novo adiamento não atrasará os preparativos do país para a Copa.

O relatório também tem vários pontos obscuros sobre importantes propostas. O texto não deixa claro como será a troca de armas por ingressos. O texto não diz nem mesmo se a arma deverá estar em condições de uso no momento da entrega. “Uma AR 15 valerá o mesmo que um revólver ? Eu não sei. Não está dito nada sobre isso aqui”, questiona Otávio Leite.

Voltei
É claro que o Brasil tem leis cretinas. A da meia entrada para idosos (pessoas com mais de 60 anos) e a da meia entrada para estudantes são dois exemplos gritantes. O benefício só faria algum sentido, é evidente, para quem não tem condições de arcar com o valor total do ingresso — e deveria ser assim, entendo, para qualquer evento. Quando se premia uma “categoria”, a despeito das condições objetivas de cada indivíduo, ganha o corporativismo, e perde a Justiça.

As leis são ridículas, mas são as leis. Não será, ou não deveria ser, a Fifa a chegar aqui e dizer: “Isso não serve”. Alguém objetará: “Ah, não fosse a expectativa de mudança, a Fifa não faria a Copa no Brasil”. Não? Que governo e entidade vissem isso antes. Sim, eu sei, as concessões acabarão sendo feitas. E isso nos expõe duplamente ao ridículo: a) em primeiro lugar por causa da estupidez das leis em si; b) em segundo lugar, porque estaremos dispostos a abrir mão delas temporariamente. E quem o exige? Uma entidade privada! Isso nos coloca, na escala da honra, abaixo do cocô do cavalo do bandido.

Notem: na proposta do tal Cândido, os idosos e estudantes, com direito à meia entrada, terão de disputar os 300 mil ingressos a preços populares que serão postos à venda. Já demonstrei aqui como o mecanismo, além de jogar no lixo a legislação brasileira, ainda transfere ingressos de pobres para ricos.

Agora há essa história — e pouco me imposta se a Fifa faz isso em todos os países — de responsabilizar judicialmente a União por quaisquer contratempos que venham a acontecer, não importa a sua natureza. Isso é o que se costuma chamar de “cláusula leonina” num contrato. Vale dizer: na sociedade do contrato, há de valer o que está combinado, sem dúvida, mas esse combinado não pode contrariar a legislação.

Férias escolares
A Lei Geral da Copa expõe a desordem brasileira — ou do governo brasileiro. A antecipação do recesso escolar, digam o que quiserem, tem uma razão de ser: as cidades que sediarão a disputa não contarão com as chamadas obras de mobilidade urbana que foram anunciadas. E é preciso dar um jeito de tirar os nativos da rua para que os turistas possam se locomover.

Não estou tomado de nenhum sentimento nativista, não! Eu sou um legalista. Nas democracias, as leis ou são cumpridas ou são mudadas. Desrespeitá-las de maneira deliberada, sob o patrocínio do estado, é flerte com o baguncismo.

Por Reinaldo Azevedo

Por Rosa Costa, no Estadão:
Sem nenhuma explicação, a Mesa Diretora do Senado retirou da relação de requerimentos com pedidos de informação que examinou na reunião desta manhã o de iniciativa do líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), dirigido ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. Na reunião desta terça-feira, 20, foi aprovado, sim, um requerimento do líder tucano, mas aquele que questiona o ministro da Educação, Fernando Haddad, sobre a contratação de empresas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), e não o referente a Pimentel. A informação equivocada de que o requerimento dirigido ao ministro Pimentel havia sido aprovado na lista desta terça-feira foi dada pelo primeiro-secretário, senador Cícero Lucena (PSDB-PB), em conversa com jornalistas.

O procedimento dos integrantes da Mesa Diretora do Senado - sendo cinco deles da base aliada do governo e apenas dois da oposição - mostra o interesse em poupar Pimentel de indagações sobre suas atividades como consultor. Se o requerimento tivesse sido avalizado pela Mesa Diretora, o prazo de 30 dias para ele responder às 12 perguntas do líder tucano começaria a contar nesta quarta-feira, 21, data em que o documento seria protocolado no Ministério.

Em vez disso, o requerimento nem mesmo recebeu um relator para fazer o encaminhamento. No entender do líder do PSDB, isso mostra que os governistas querem protelar ao máximo possível o envio das perguntas, na expectativa de que as suspeitas sobre as atividades de Fernando Pimentel como consultor, cargo no qual faturou R$ 2 milhões nos anos de 2009 e 2010, diminuam. “Eles não têm interesse no envio do requerimento”, lamentou Dias. “Querem protelar todas as providências, na expectativa de o assunto sair da ordem do dia”.

Álvaro Dias apresentou esse requerimento na quinta-feira passada, dois dias depois de os senadores da base aliada do governo rejeitarem na Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle (CMA) o convite para Pimentel participar de uma audiência pública para falar de suas atividades como sócio da P-21. Os destinatários dos requerimentos de informação do Senado e da Câmara têm 30 dias para respondê-los, como prevê o parágrafo 2º do artigo 50 da Constituição. O dispositivo estabelece, ainda, que a recusa em responder aos pedidos escritos de informação ou a prestação de informações falsas serão tratados como crimes de responsabilidade.

No requerimento, Álvaro Dias pede a Fernando Pimentel cópia dos programas de desoneração tributária e desenvolvimento que a P-21 teria sugerido à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O líder pede igualmente cópia de recibos e de outros documentos que comprovariam as afirmações de Pimentel sobre sua atividade de consultor. E mais: ele quer saber sobre as palestras que o ministro teria dado nas 10 unidades regionais da Fiemg e a respeito dos técnicos da entidade que teriam recebido suas orientações. O senador pede também informações sobre outras empresas citadas como clientes da P-21. Outras perguntas se referem ao fato de Pimentel ter dito que fez contratos verbais, apesar do valor elevado, e se ele próprio não vê conflito de interesse na relação que mantém com as empresas, ditas clientes, e sobre as “garantias” de prestação dos serviços dadas por ele.

Por Reinaldo Azevedo
Fragmento do blog

Fragmento do blog "Vientos de Brasil", de Juan Arias, do jornal espanhol "El País"

Juan Arias, correspondente no Brasil do El País, um dos jornais mais importantes do mundo, tem um blog hospedado no site do veículo espanhol chamado “Vientos de Brasil”. Ele reproduziu ontem em sua página um texto que publiquei aqui intitulado “De cães e de homens” - “De perros y hombres”, na versão para o espanhol.

O jornalista espanhol escreveu um dos artigos  mais instigantes sobre o Brasil nete ano de 2011. Indagava por que, afinal de contas, os brasileiros resistem tanto em ir às ruas contra a corrupção. Ensaiei uma resposta que também foi muito comentada.

Arias, um repórter agudíssimo, deixa claro que nem sempre concorda comigo — assim é nas democracias —, mas faz uma apreciação muito gentil do meu texto. Leiam De perros y hombres. (La opinión de Azevedo, el mayor analista político de Brasil)Dêem uma passadinha lá. Afinal, esta página também é de vocês — na verdade, mais de vocês do que minha.

Por Reinaldo Azevedo

Venha logo, 2012! Este nosso coração se alegra é na batalha dos justos!

champagne-9368Caras e caros.

conforme já havia anunciado ontem, este blog faz um pausa na reta final de 2011 e início de 2012, como acontece todos os anos. Estará de volta, com a produção regular — a minha regularidade, que vocês sabem qual é —, a partir de 9 de janeiro. Isso não significa que eu não possa aparecer antes caso considere necessário. Se acontecer, dou um toque no Twitter (twitter.com/reinaldoazevedo). Há dois anos, vocês se lembram, interrompi o meu descanso para denunciar as imposturas do tal Plano Nacional de Direitos Humanos, aquele que introduzia a censura prévia no Brasil e extinguia o direito de propriedade. Vocês sabem: em nome dos “direitos humanos”, eles acham que tudo lhes é permitido. E pode ser que eu escreva um post ou outro nesse período para matar a saudade de vocês, ora… Passem por aqui de vez em quando. Se a mediação dos comentários demorar um pouco, não se zanguem. Daremos conta de tudo.

Desejo a todos vocês um ótimo Natal, voto que estendo àqueles para os quais a data nada diz de especial seja por que razão for. Que sejam dias de solução de conflitos, de caminhos que se abrem, de alternativas que se desenham no horizonte. E que 2012 chegue com todas as suas exigências. Enfrentaremos a vida e seu ofício como temos feito desde sempre. Essa é a nossa tarefa.

Travamos o bom combate. Este blog continuará a ser uma trincheira, e há outras, em defesa do estado democrático e de direito, do pluralismo político, da liberdade individual e da livre iniciativa. Este blog continuará a ser um defensor contumaz de um estado controlado pela sociedade, não o contrário. Este blog continuará a ser uma voz em defesa dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição, que não pode ser assaltada por grupos de pressão, maiorias de ocasião e clamores organizados por interesses corporativos. E não vai arredar pé.

Vocês conhecem as falanges do ódio e da desqualificação tão bem quanto eu conheço porque as enfrentam também nas redes sociais. Eles não combatem o que dizemos — e nem saberiam como fazê-lo; preferem combater aquilo que eles próprios dizem que dizemos. Não debatem no mundo dos fatos, mas no das fantasias ideológicas. Não têm adversários políticos, mas inimigos. E, sendo assim, não aceitam jogar segundo as regras: não lhes basta eventualmente vencer o oponente: querem também destruí-lo.

Mas não vão!

O ano que vem será denso, como é todo ano eleitoral. É possível que o Supremo Tribunal Federal julgue, finalmente, o maior caso de corrupção da história republicana: o mensalão. Essa possibilidade está na origem de uma verdadeira rede criminosa que se criou na Internet com o intuito de proteger a outra rede criminosa, aquela que tentou tornar irrelevante o processo democrático. A falsa lista de Furnas é o emblema de um método: com ela, pretendem incriminar inocentes para inocentar culpados.

O Supremo poderá ser palco de outros embates que têm tudo para ser memoráveis — para o bem ou para o mal. Isso exigirá a nossa atenção, a nossa vigilância e a nossa militância. Qual militância? A partidária? Ainda que eles lá digam o contrário, sabem vocês que falo, sim, sobre partidos — porque meu assunto principal é a política —, mas não sob um ponto de vista partidário. As minhas convicções não são hoje representadas por nenhuma das legendas que estão aí organizadas. E duvido que venham a ser.

Em 2012, vocês encontrarão em textos novos, que tratarão das questões da hora, os princípios de sempre. Se, em algum momento, esta página refugar diante da defesa da democracia e do estado de direito, então vocês me denunciem como farsante; se, em algum momento, esta página condescender com a violência institucional, então vocês me acusem de fraude intelectual; se, em algum momento, este blog abandonar a lógica e aderir à mistificação, então vocês apontem a trapaça.

E continuarei a defender esses princípios com a alegria e a satisfação de sempre. Há quem sofra escrevendo; eu me divirto. Há aqueles para os quais esse trabalho é uma condenação; para mim, é um exercício de liberdade. Estaremos, se Deus quiser, juntos em 2012, firmes, fortes e plenos de bons sentimentos. Como o rei Davi, enfrentamos os que “teimam no mau propósito e conspiram para armar ciladas”. Sabemos ser “um abismo o pensamento e o coração de cada um deles”, mas temos a convicção de que “a própria língua se voltará contra eles”.

Minhas caras, meus caros, obrigado por mais este ano que passamos juntos. Outros virão. Muitos outros. Sentimo-nos glorificados porque temos “o coração reto”.

Venha logo, 2012! Este nosso coração se alegra é na batalha dos justos!

Até a volta!

Por Reinaldo Azevedo
Da coluna Direto ao Ponto, por Augusto Nunes:

O Supremo fica bem mais sensato com uma faca imaginária no pescoço

Às nove e meia da noite de 28 de agosto de 2007, o ministro Ricardo Lewandowski chegou ao restaurante em Brasília ansioso por comentar com alguém de confiança a sessão do Supremo Tribunal Federal que tratara da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o escândalo do mensalão. Por ampla maioria, os juízes endossaram o parecer do relator Joaquim Barbosa e decidiram processar os 40 acusados de envolvimento na trama. Sem paciência para esperar o jantar, Lewandowski deixou a acompanhante na mesa, foi para o jardim na parte externa, sacou o celular do bolso do terno e, sem perceber que havia uma repórter da Folha por perto, ligou para um certo Marcelo. Como não parou de caminhar enquanto falava, a jornalista não ouviu tudo o que disse durante a conversa de 10 minutos. Mas qualquer das frases que anotou valia manchete.

“A tendência era amaciar para o Dirceu”, revelou de saída o ministro, que atribuiu o recuo dos colegas a pressões geradas pelo noticiário jornalístico. “A imprensa acuou o Supremo”, queixou-se. Mais algumas considerações e o melhor momento do palavrório: “Todo mundo votou com a faca no pescoço”.  Todo mundo menos ele: o risco de afrontar a opinião pública não lhe reduziu a disposição de amaciar para José Dirceu, acusado de “chefe da organização criminosa”. Só Lewandowski ─ contrariando o parecer de Joaquim Barbosa, a denúncia do procurador-geral e a catarata de evidências ─ discordou do enquadramento do ex-chefe da Casa Civil por formação de quadrilha. “Não ficou suficientemente comprovada  a acusação”, alegou. O mesmo pretexto animou-o a tentar resgatar também José Genoíno. Ninguém divergiu tantas vezes do voto de Joaquim Barbosa: 12. Foi até pouco, gabou-se na conversa com Marcelo: “Tenha certeza disso. Eu estava tinindo nos cascos”.

Ele está tinindo nos cascos desde 16 de março de 2006, quando chegou ao STF 26 dias antes da denúncia do procurador-geral. Primeiro ministro nomeado por Lula depois do mensalão, Lewandowski ainda não aprendera a ajeitar a toga nos ombros sem a ajuda das mãos quando virou doutor no assunto. Para tornar-se candidato a uma toga, bastou-lhe a influência da madrinha Marisa Letícia, que transmitiu ao marido os elogios que a mãe do promissor advogado vivia fazendo ao filho quando eram vizinhas em São Bernardo. Mas só conseguiu a vaga graças às opiniões sobre o mensalão, emitidas em encontros reservados com emissários do Planalto. Ele sempre soube que Lula não queria indicar um grande jurista. Queria um parceiro de confiança, que o ajudasse a manter em liberdade os bandidos de estimação.

Passados mais de quatro anos, Lewandowski é o líder da bancada governista no STF ─ e  continua tinindo nos cascos, comprovou a  recente entrevista publicada pela Folha. Designado revisor do voto do relator Joaquim Barbosa, aproveitou a amável troca de ideias para comunicar à nação que os mensaleiros não seriam julgados antes de 2013. “Terei que fazer um voto paralelo”, explicou com o ar blasé de quem chupa um Chicabon. “São mais de 130 volumes. São mais de 600 páginas de depoimentos. Tenho que ler volume por volume, porque não posso condenar um cidadão sem ler as provas. Quando eu receber o processo eu vou começar do zero”. Como o relatório de Joaquim Barbosa deveria ficar pronto em março ou abril, como precisaria de seis meses para cumprir a missão, só poderia cloncluir seu voto no fim de 2012. O atraso beneficiaria muitos réus com a prescrição dos crimes, concedeu, mas o que se há de fazer? As leis brasileiras são assim. E assim deve agir um magistrado judicioso.

A conversa fiada foi bruscamente interrompida por Joaquim Barbosa, que estragou o Natal de Lewandowski e piorou o Ano Novo dos mensaleiros com o presente indesejado. Nesta segunda-feira, o ministro entregou ao revisor sem pressa o relatório, concluído no fim de semana, todas as páginas do processo e um lembrete desmoralizante: “Os autos do processo, há mais de quatro anos, estão digitalizados e disponíveis eletronicamente na base de dados do Supremo Tribunal Federal”, lembrou Barboza. Lewandowski, portanto, só vai começar do zero porque quis. De todo modo, o que disse à Folha o obriga a terminar a tarefa no primeiro semestre. Se puder, vai demorar seis meses para formalizar o que já está resolvido há seis anos: vai absolver os chefes da quadrilha por falta de provas.

As sucessivas manobras engendradas para adiar o julgamento confirmam que os pecadores não estão convencidos de que a bancada governista no STF é majoritária. Ficarão menos intranquilos se Cezar Peluso e Ayres Brito, que se aproximam da aposentadoria compulsória, forem substituídos por gente capaz de acreditar que o mensalão não existiu. Para impedir que o STF faça a opção pelo suicídio moral, o Brasil decente deve aprender a lição contida na conversa telefônica de 2007. Já que ficam mais sensatos com a faca no pescoço, os ministros do Supremo devem voltar a sentir a carótida afagada pelo fio da lâmina imaginária.

21/12/2011

 às 21:31 \ Direto ao Ponto

O recado dos deuses do futebol

Poderia ter sido qualquer time brasileiro, ou qualquer seleção formada depois de 1982. Mas os deuses dos estádios entenderam que não haveria portador mais credenciado que o Santos para o recado aos habitantes do que foi ─ até perder o rumo e a alma ─ o País do Futebol. Em 90 minutos (mais de 70 com a bola nos pés, o restante do tempo preparando-se para retomá-la), o campeão do Mundial de Clubes fez, a rigor, o que fizeram Pelé e seus parceiros de espetáculo na seleção de 1958, na seleção de 1970 e no Santos dos anos 60. “Pelo que ouvi do meu pai, os brasileiros jogavam assim”, disse depois da goleada o técnico Pep Guardiola. O Barcelona é a versão moderna daquele Santos que transformou numa forma de arte a velha e brasileiríssima pelada.

O que se viu na manhã de domingo, a rigor,  foi uma sublime pelada regida por 11 craques. E os 4 a 0 em Yokohama (que poderiam ter sido 6, 8, 9 a 0) liquidaram muito mais que um adversário sem chances desde o primeiro segundo. Liquidaram os técnicos medrosos, as táticas retranqueiras, a discurseira defensivista,  o cabeça de área, o volante que só desarma, o centroavante de ofício, o chutão do goleiro em direção ao imponderável, o jogo aéreo, o zagueiro que rifa a bola, o carrinho homicida, o atacante que não volta para marcar, os brucutus que trocam golpes de luta-livre na hora do escanteio e outras flores do buquê de cretinices tropicais.

A superioridade de dimensões amazônicas também desmoralizou os cartolas que desprezam as equipes de base para caçar medalhões em fim de carreira, que demitem o técnico depois de cinco derrotas, que desmontam a equipe vencedora depois do título conquistado, que acham que o importante é ganhar, mesmo com um gol de mão aos 47 do segundo tempo. E escancarou os estragos causados pelo sumiço da várzea e seus campos de grama rala por escolinhas que formam jogadores de futebol americano e proíbem a fantasia. Hoje, caso disputasse uma peneira, Garrincha não iria além da primeira ginga: seria expulso a pauladas como as ratazanas grávidas das crônicas de Nelson Rodrigues. E substituído por um volante de contenção.

Depois do que se viu no domingo, o que têm a dizer os devotos do futebol de resultados? Quem ousará recitar que o futebol bonito é incompatível com o sucesso duradouro? Muricy Ramalho vai declamar de novo que quem quer ver espetáculo deve ir ao teatro ou ao circo? Mano Menezes vai continuar murmurando que o Barcelona é de outro planeta? O recado dos deuses do futebol será certamente ignorado por Ricardo Teixeira: se depender do dono da CBF, os calendários assassinos permanecerão intocados e a seleção seguirá desperdiçando o que lhe resta de prestígio no papel de cabo eleitoral do chefe. Para Teixeira e seus comparsas, é irrelevante o que se passa nos gramados. Ganhar ou não a Copa é secundário. Eles só pensam em ganhar com a Copa.

Ou os times brasileiros redescobrem o drible, a finta, a tabelinha, a audácia, o improviso, a fome de gol, o prazer de jogar bola, ou vão acabar perseguindo a pontapés títulos sem importância em arenas entregues ao controle de quadrilhas uniformizadas às quais interessa a vitória a qualquer preço, se possível com a eliminação física dos inimigos. O aparecimento de um Neymar só serve para reafirmar, por contraste, o que se perdeu. O futebol brasileiro tornou-se banal, comum, sem brilho, triste. Cada vez mais parecido com Ricardo Teixeira,  vai ficando com cara de fraude.

20/12/2011

 às 19:26 \ Direto ao Ponto

O especialista em livrar pecadores da cadeia é o Homem sem Visão de 2011

Márcio Thomaz Bastos, o Doutor do Mensalão, é o Homem sem Visão de 2011. Confira o texto que descreve os melhores momentos da festa de premiação, abrilhantada pela presença dos 36 mensaleiros.

Da coluna

A renovação do mandato da diretoria do clube dos cafajestes segue em frente disfarçada de ‘reforma ministerial’

Só depois de gravar o comentário de sexta-feira para o site de VEJA é que me lembrei do post publicado em 19 de março deste ano, e que acaba de voltar ao ar na seção Vale Reprise. Título: O Brasil está fora da zona dos terremotos, mas permanece na rota dos mercadantes. Um dos parágrafos inspirados em Aloízio Mercadante começa assim: “Essa estranha mistura de sabujice e arrogância precisou de dois ou três dias no emprego novo para virar especialista em coisas que ignora profundamente. Bastou-lhe uma ligeira mirada na Região Serrana devastada pelas tempestades, por exemplo, para avisar que isso não se repetirá”. Na semana passada, o ministro da Ciência e Tecnologia disse o contrário com o desembaraço sem remorsos que identifica os irresponsáveis vocacionais. Os falatórios são conflitantes. Mas igualmente cretinos.

Nesta segunda-feira, Dilma Rousseff confirmou que, na Era da Mediocridade, quanto mais bisonho é o desempenho de um ministro maior é a chance de ser promovido. Graças aos desastres acumulados no Ministério da Educação, o companheiro Fernando Haddad virou candidato do PT à prefeitura de São Paulo. Graças à vexatória performance no emprego que ganhou como prêmio de consolação pelo naufrágio na disputa do governo paulista, Mercadante deverá ser premiado pela chefe com o gabinete em que Haddad agiu. A substituição de Tarso Genro pelo Terror dos Estudantes confirmou que, no Brasil de Lula e Dilma, o que está muito ruim sempre pode ficar péssimo. A promoção do Herói da Rendição provará que sempre é possível ir um pouco além do que parece o fundo do poço.

Muitos por vassalagem, outros tantos por cinismo, alguns por estupidez, a maioria dos jornalistas insiste em chamar de “reforma ministerial” a sequência de movimentos desastrados empreendida por Dilma. Começou com a absolvição de Fernando Pimentel, foi em frente com o aviso de que Iriny Lopes seguirá no comando da usina de ideias imbecis disfarçada de Secretaria de Políticas para as Mulheres e deve prosseguir com a transferência de Aloízio Mercadante. O que está em curso nada tem a ver com uma reforma ministerial sem aspas.  É só a renovação do mandato da diretoria do clube dos cafajestes. A turma faz de conta que alguma coisa mudou para que tudo continue igual. Ou fique um pouco pior.

(por Augusto Nunes)

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo

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