Os fascitóides estão assanhados (a campanha em SP já começou...)

Publicado em 25/01/2012 08:12 e atualizado em 07/08/2013 17:30 1095 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Aqui, os democratas de esquerda expõem seus argumentos

Abaixo, vocês vêem o carro em que estava o prefeito Gilberto Kassab (PSD) sendo chutado por “manifestantes”. Embora ele esteja namorando a idéia de apoiar o candidato do PT à Prefeitura, vou deixar claro por que essa é a primeira manifestação em defesa da candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura. O petista já havia anunciado, em claro desrespeito à lei eleitoral, que a campanha começaria hoje. E começou.

Carro com o prefeito Kassab é atacado aos chutes (Foto> Márcio Fernandes/AE)

Carro com o prefeito Kassab é atacado aos chutes (Foto: Márcio Fernandes/AE)

Por Reinaldo Azevedo

 

Aqui, mais um democrata tenta desentorpecer a razão e expor seus argumentos

Vejam mais esta foto de Marcio Fernandes, da Agência Estado. Ele não leva mesmo todo o jeito de ser um pobre oprimido da classe operária? O que será que o rapaz da cueca azul carrega na mochila? A Constituição? Acho que não!

manifestante-voadora

Por Reinaldo Azevedo 

 

Vocês assistiram ao primeiro dia da campanha eleitoral dos que querem se impor em São Paulo na base do berro, dos socos e dos chutes

Meia-dúzia de gatos pingados — dado que São Paulo tem 11,4 milhões de habitantes — resolveu organizar um protesto no Centro de São Paulo contra a desocupação do Pinheirinho, a retomada da Cracolândia pelo estado democrático e de direito e sei lá quantas outras medidas tomadas pela legalidade. A PM fala em 200 manifestantes. Os que promoveram a baderna dizem ter reunido mil pessoas. Um número ou outro, trata-se de uma manifestação da extrema minoria. Quando se considera o número de “entidades” que o promoveram, o número de siglas é quase tão grande como o de pessoas. Vimos os métodos e os argumentos: pancadaria, confronto com a polícia, socos, chutes, mastro de bandeiras na cabeça. É o que entendem por democracia: espancar os adversários. E, é evidente, acusam a Polícia Militar de ser violenta.

Em tese, o dito protesto foi organizado por um troço chamado “Luz Livre”, que reuniria aquela pletora de movimentos. De fato, quem enviou mensagens à imprensa foi um grupo que se denomina “Coletivo Desentorpecendo a Razão”, aquele mesmo que promoveu uma churrascada na cracolândia. Até outro dia, essa turma tinha como proposta principal a descriminação da maconha. Entenderam? Os valentes acreditam que a venda de maconha tem de deixar de ser crime — e, quero crer, de todas as drogas — para que a razão saia do entorpecimento. Huuummm… Com essa notável visão de mundo, promoveram aquele espetáculo grotesco com os pobres desgraçados da creacolândia, que já não podem mais ser socorridos pela razão — entorpecida ou não. Terminada a churrascada, voltaram para seus lares “burgueses”, deixando lá os mostos-vivos que servem a seu proselitismo.

Manifestações que evoluem para a pancadaria, o que pede a ação da polícia, sempre dão a impressão de que há muita gente na rua, tratando de questões sérias e graves. Sabemos que não. Aquela gente que estava lá foi amplamente derrotada pela opinião pública. Pesquisa Datafolha publicada hoje pela Folha demonstra que nada menos de 90% - !!! - dos brasileiros é favorável, por exemplo, à internação forçada de viciados. Tanto isso é verdade que até os petistas graúdos, que nunca ligaram para o assunto, passaram a defender a medida.

Pois bem… O tal Desentorpecendo a Razão era, até outro dia, só o ajuntamento de uma turminha defendendo a descriminação ou legalização da maconha, procurando emprestar à sua “luta” certo viés político, com algum apelo a teóricos do anarquismo. Robusteceu-se de repente. Foi do seu e-mail que partiu a convocação para a manifestação desta quarta em São Paulo. Reproduzo na íntegra, em vermelho:

De: Coletivo DAR - Desentorpecendo A Razão
Enviada em: terça-feira, 24 de janeiro de 2012 12:56
Para: undisclosed-recipients

Assunto: Pauta: 25/1, 8h na Sé, nova manifestação contra ações militares de Alckmin e Kassab Especulação extermina: basta de trevas na Luz e em São Paulo!Depois de churrascão e em apoio aos removidos do Pinheirinho, novo ato contra a militarização usará cobertores para ir até Alckmin e Kassab na manhã desta quarta-feira, 25, em São Paulo, na Praça da SéMoinho, Pinheirinho, “Cracolândia”.
Além de décadas de descaso por parte do poder público, estas regiões ganharam um novo elemento em comum: o terrorismo de Estado, que carrega consigo inúmeras denúncias de abuso de autoridade, racismo, violação de direitos humanos e tortura. Fica cada vez mais evidente que a política do governo paulista está calcada na militarização como instrumento de garantia dos lucros da iniciativa privada que a financia. Fica também cada vez mais claro que é hora de dizer BASTA.
A população paulista não pode mais tolerar que  questões sociais complexas como consumo de drogas ou habitação sejam “resolvidas” por meio da violência policial pura e simples, desrespeitosa de todo e qualquer direito, de toda e qualquer lei que ainda possa vigorar em nosso “Estado de Direito”, cada vez mais de direita.As políticas de “dor e sofrimento” implementadas pelos governos de Kassab e Alckmin - e pouco ou nada combatidas pela esfera federal - dizem respeito a todos os cidadãos e cidadãs, sejam usuários de drogas ou não, tenham sido despejados violentamente de suas casas ou não.
Estão em jogo a capacidade de resolvermos nossos problemas através do diálogo, a implementação verdadeira da democracia, o direito à cidade e à políticas públicas efetivas, o respeito aos direitos humanos e à Constituição, o fim do aparelho repressivo implementado na ditadura militar que deveria ter acabado em 1985.Não é exagero dizer que, com estes governantes, são nossas vidas que estão em jogo. Soluções só se materializam se os problemas estruturais - da desigualdade, do controle da política por parte das corporações, da falta de democracia real - forem enfrentados.
Quarta-feira, dia 25, na Praça da Sé, mais de 60 grupos, entidades e movimentos sociais dirão um imenso NÃO à criminalização da população pobre e à militarização de São Paulo e um SIM à implementação de políticas de saúde, moradia, educação, cultura e emprego que respeitem os direitos humanos e a dignidade das pessoas. Nos juntamos também à exigência de suspensão imediata da desocupação do Pinheirinho, com retorno das famílias às suas casas na área anteriormente ocupada.Grande ato ESPECULAÇÃO EXTERMINA: BASTA DE TREVAS NA LUZ E EM SÃO PAULO!Concentração a partir das 8h, na Praça da Sé.
Caminhada rumo ao Pátio do Colégio, onde Alckmin e Kassab estarão, por volta das 10h.
Atividades culturais (10 grupos de teatro confirmados, música hip hop, dança) na Luz no período da tarde. Manifesto e entidades que formam o movimento http://luzlivre.wordpress.com/
Contatos com imprensa:
Paulo - 8203 XXXX
Isabel - 6583 XXXX
Pedro - 9562 XXXX

Voltei
Está formalmente bem escrito. Não é coisa de maconheiro amador. Não se trata mais apenas de um grupelho com uma casua marginal. O que vai acima é linguagem política organizada, com, vejam vocês!, até mesmo uma equipe para fazer assessoria de imprensa. A turma foi muito longe, inclusive na calúnia e na difamação. Dá curso à mentira estúpida de que há mortos na operação do Pinheirinho e pública uma fotomontagem em que o governador Geraldo Alckmin aparece caracterizado como Hitler. Sua página se transformou num libelo contra o PSDB e a administração tucana em São Paulo. A quem interessa?

Quem deu a senha para a difamação das autoridades públicas em São Paulo e se lançou contra a aplicação da lei? Ora… O núcleo da resistência, como é sabido, está em Brasília. O QG contra a retomada da Cracolândia estava na Secretaria Nacional de Direitos Humanos. A palavra de ordem para a difamação do governo do Estado, da polícia e da Justiça de São Paulo foi dada, na prática, por Gilberto Carvalho, os olhos de Lula no governo e um dos principais auxiliares da presidente Dilma Rousseff.

NUNCA SE ESQUEÇAM: O PRIMEIRO ÓRGÃO DE IMPRENSA A VEICULAR A MENTIRA DE QUE HAVIA MORTOS NO PINHEIRINHO, O QUE FOI PARAR  NA IMPRENSA INTERNACIONAL, FOI A EBC, COMANDADA PELO PETISTA NELSON BREVE. Ainda voltarei a esse tema hoje.

Chegou a hora
Chegou a hora de o Estado democrático e de direito coibir os criminosos que recorrem à Internet para espalhar calúnias. A liberdade de expressão não confere a ninguém a liberdade de caluniar — continua a ser um crime, pouco importa o meio. Se há grupos espalhando a mentira de que a Polícia Militar esconde corpos do Pinheirinho, é a instituição que está sendo atingida. Os responsáveis têm de arcar com as conseqüências, não é?

Atenção, paulistas, e paulistanos em particular: o que se viu hoje, com aquela minoria de violentos na rua, foi o primeiro dia de uma campanha eleitoral que deve mergulhar fundo na baixaria. Vale tudo para tentar conquistar a Prefeitura de São Paulo e, depois, quem sabe?, o governo do Estado.

Na prática, os paulistanos terão de escolher entre os que defendem que áreas da cidade possam ser sitiadas por grupelhos e os que entendem que o patrimônio coletivo é público. Na prática, os paulistanos terão de escolher entre os que defendem que as leis democráticas têm de ser cumpridas e os que entendem que certas categorias têm o direito de se impor na base do berro e da pancadaria.

Se os que se opõem ao PT na cidade deixarem claro que essas são as duas alternativas, poderão enfrentar a máquina organizada em Brasília e operada em São Paulo por suas franjas fascistóides. Se ficarem com medo de fazer o correto debate político, então serão engolidos pela truculência daquela meia-dúzia de gatos pingados.

Por Reinaldo Azevedo 

 

Eis o “democrata humanista”. Ou: Os nazistas de ontem e de hoje. Ou: Somos os judeus deles!

Um repórter do Estadão flagrou um dos “humanistas democratas” convocados pelo Coletivo Desentorpecendo a Razão murchando o pneu do carro do prefeito Gilberto Kassab. Vejam o vídeo. Notem a reação do rapaz. 

Segundo os ministros petistas Gilberto Carvalho e Maria do Rosário; o candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, e Rui Falcão, presidente do PT, violenta é a PM.

Esse rapaz é um dos convocados pelo Coletivo Desentorpecendo a Razão, aquele que publicou uma montagem caracterizando Geraldo Alckmin como Hitler. Em sua convocatória, lê-se:
“Estão em jogo a capacidade de resolvermos nossos problemas através do diálogo, a implementação verdadeira da democracia, o direito à cidade e à políticas públicas efetivas, o respeito aos direitos humanos e à Constituição (…)”

Ele tem razão. Por isso mesmo, o lugar daquele coroa disfarçado de moleque, ameaçado o trabalho da imprensa, garantido pela Constituição, é a cadeia, não as ruas.  O crime está filmado e documentado.

Alias, a referência ao nazismo vem bem a calhar. No dia 25 de outubro de 2010, publiquei aqui um post sobre a primeira grande manifestação convocada por Goebbels depois que Hitler chegou ao poder, no dia 19 de fevereiro de 1933. Referindo-se à imprensa, ele afirmava:
“Um dia nossa paciência vai acabar e calaremos esses judeus insolentes, bocas mentirosas! E se outros jornais judeus acham que podem, agora, mudar para o nosso lado com as suas bandeiras, então só podemos dar uma resposta: “Por favor, não se dêem ao trabalho!”

Nós, da imprensa livre, somos os “judeus” desses que decidiram partir para a pancadaria. É um ironia que a violência tenha atingido um repórter do Estadão, justamente o jornal que hoje mais ataca a correta política de intervenção do governo do Estado e da Prefeitura na cracolância e que mais dá voz a esses “coletivos” que tratam a imprensa livre como inimiga.

Como lembrou Goebbels, os nazistas não aceitam quem “muda de lado” — lição que o próprio Kassab deveria levar em consideração.

Ah, sim: devemos todos dar os parabéns ao valente repórter, que não se deixou intimidar, honrando a sua profissão.

Por Reinaldo Azevedo

 

“Eles têm de apanhar nas ruas e nas urnas”. Ou: Como eles se comportavam em 2000 e como se comportam hoje

Vejam esta foto, de Márcio Fernandes, da Agência Estado. São “eles” fazendo política democrática em 25 de janeiro de 2012.
pancadaria

Agora vejam este vídeo.

São eles fazendo política em 2000. Dias depois, em junho daquele ano, os comandados de Dirceu, como o vídeo evidencia, arrancaram sangue do governador Mário Covas, já bastante doente. Morreu no dia 6 de março de 2001.

O câncer só passou pela sacralização política no Brasil depois de atingir Dilma e Lula. Antes, não servia como “desculpa” nem para poupar o doente de algumas porradas. Afinal, um paciente de câncer dos “outros” é só um canceroso desprezível. Um doente de câncer do PT passa a ser a ser um profeta, aplaudido de pé.

Por Reinaldo Azevedo

 

Abaixo, a lista dos que convocavam a baderna em São Paulo; há quase mais organizadores do que manifestantes. Divulguem! É bom o paulistano saber quem quer o quê

A baderna em São Paulo foi promovida, nesta quarta, por um grupelho. A PM fala em 200 pessoas. Os manifestantes, em 1000. Digamos que houvesse 600 — o que eu duvido. Vá lá. O curioso é que há mais de 100 (!!!) entidades que convocaram o tal protesto. Há quase mais organizadores do que manifestantes, mais caciques do que índios. A lista está aí. Reúne de tudo, com destaque para parlamentares do PT e grupos ligados à descriminação das drogas. Se cada entidade dessas juntasse ao menos 10 pessoas, haveria mais gente na baderna do que o número de propaganda que eles próprios divulgam

Espalhe a lista! É bom saber quem está de qual lado em São Paulo. Ah, sim: eles se chamam “sociedade civil”. Então tá! Felizmente, a sociedade civil na cidade reúne um pouco mais do que alguns celerados que fazem da cracolândia uma causa humanista e que condenam um governo por cumprir uma determinação judicial.

Eis os organizadores:
Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (ACAT-Brasil)
Ação da Cidadania SP
Ação da Cidadania, Contra a Fome, Miséria e pela Vida - SP
Ação e Cidadania Planeta 21
Amparar - Associação de Amigos e Familiares de Presos
ANEL - Assembléia Nacional dos Estudantes Livres
Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasmesp)
Associação de Moradores e amigos da Santa Ifgênia e Luz (AMOALUZ)
Associação Pró Falsêmicos (Aprofe)
Associação Sem Teto da cidade de São Paulo (ASTC-SP)
Associação Vida em Ação
Avoa núcleo artístico
Barricadas Abrem Caminhos
Bloco do Saci do Bixiga
Brava Cia de Teatro
Brigadas Populares - SP
Buraco D´oráculo
Campo Debate Socialista
Cedeca Interlagos
Central de Movimentos Populares (CMP)
Centro de Convivência É de Lei
Centro Franciscano Chá do Padre (Sefras)
Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
Cia Antropofágica de Teatro
Cia do Latão
Cia Estável de Teatro
Cia Ocamorana de Teatro
Cia Parlendas de Teatro
Cia São Jorge de Variedades
Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada
Circulo Palmarino
Coletivo Artístico Elenco de Ouro -  Curitiba - PR
Coletivo Desentorpecendo A Razão (DAR)
Comitê para a Democratização da Informática - SP
Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça
Cooperativa Paulista de Teatro
Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE-SP)
Conselho Regional de Psicologia (CRP) de São Paulo
Conselho Regional de Serviço Social do Estado de São Paulo
Contraponto
CSP - Conlutas
Dolores Bocaaberta Mecatrônica
Estudo de Cena
Espaço Cultural Latino-americano (ECLA)
Folias D´ Arte - Grupo de teatro
Fórum Centro Vivo
Fórum da Esquerda
Fórum de Juventudes RJ
Frente Estadual Antimanicomial de São Paulo
Fórum Popular de Saúde Mental da Região do ABCDMRR
Fórum Permanente de Acompanhamento das Políticas Públicas para População em Situação de Rua de São Paulo
Forum Regional de Defesa do Direito da Criança e do Adolescente - Sé
Frente de Luta por Moradia (FLM)
Grupo de Estudos Pandiá Calógeras (GEPC)
IDENTIDADE - Grupo de Luta pela Diversidade Sexual
Instituto Cultural Lyndolpho Silva (ICLS)
Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais - Pólis
Instituto Práxis de Direitos Humanos
Juventude Libre
Kiwi Cia de Teatro
Mandato Deputado Estadual Adriano Diogo (PT)
Mandato Deputado Estadual Carlos Giannazi (PSOL)
Mandato Deputado Federal Ivan Valente (PSOL)
Mandato Vereador Carlos Neder (PT)
Mandato Vereador Ítalo Cardoso (PT)
Mandato Vereadora Juliana Cardoso (PT)
Marcha da Maconha - SP
Marcha da Maconha - Recife

Marcha Mundial das Mulheres
Militância em Ambientes Virtuais do PT - (MAVPTSP)
Movimento Água Branca
Movimento de Moradia da Região Central - MMRC
Movimento de Teatro de Rua
Movimento dos Trabalhadores de Teatro
Movimento dos Sem Juízo
Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
Movimento Nacional de Luta Antimanicomial
Movimento Nacional do Povo de Rua
Movimento Negro Unificado - MNU
Movimento ParaTodos São Paulo
Movimento Passe Livre - MPL-SP
Movimento Sem Teto do Centro (MSTC)
Núcleo de Defesa dos Dirreitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores de Materiais Recicláveis de São Paulo. NDDH-SP
NEILS (Núcleo de Estudos  de Ideologias e Lutas Sociais (PUC)
Núcleo de Direito à Cidade da Faculdade de Direito da USP
Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP)
Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo
Ocupa Sampa
Partido Comunista Brasileiro - PCB
Pró Centro - Sustentável
Promotora Legal Popular
PSOL-SP
PSTU

Rede 2 de Outubro
Rede de Juventudes de Favela - RJ
Rede Estadual de Saúde Mental e Economia Solidária
Rede Internúcleos da Luta Antimanicomial - SP
Roda do Fomento
Setorial de Direitos Humanos do PSOL
Sindicato dos Guardas Civis de São Paulo - Sindguardas
Sindicato dos Metroviários de SP
Sindicato dos Trabalhadores da Saude do Estado de São Paulo - SindSAÚDE
Tribunal Popular - O Estado no banco dos réus
Trupe Olho da Rua - Santos - SP
UneAfro
União da Juventude Comunista - SP
União de Movimentos de Moradia - UMM-SP
Unidos Pra Lutar!

Por Reinaldo Azevedo

 

Kassab repete pose histórica de Jânio Quadros em foto

Na Folha Online:
Imagem capturada nesta quarta-feira (25) na catedral da Sé, em São Paulo, mostra o prefeito Gilberto Kassab (PSD) em pose semelhante a que tornou célebre uma foto do ex-presidente Jânio Quadros há mais de 50 anos.

Na foto premiada de Jânio, de 1961, o ex-presidente aparece com as pernas torcidas e os pés apontando para lados diferentes, em uma síntese do momento político da época. Naquele mesmo ano, Jânio renunciou ao cargo sem motivo aparente e colocou o Brasil em uma profunda crise política. Três anos depois, em 1964, os militares tomaram o poder.

Embora em proporções diferentes, Kassab também vive momento decisivo na sua vida política. Patrono do recém-fundado PSD, o prefeito deve definir nos próximos dias se mantém aliança com o PSDB na disputa pela sua sucessão, ao mesmo tempo em que flerta com o PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Gilberto Kassab durante missa pelo aniversário de 458 anos de São Paulo (Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

Gilberto Kassab durante missa pelo aniversário de 458 anos de São Paulo (Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

 

Jânio Quadros em foto clássica em que

Jânio Quadros em foto clássica em que "cruza as pernas", imagem vencedora do Prêmio Esso de Fotografia (Erno Schneider - 1961/Jornal do Brasil)

Por Reinaldo Azevedo 

 

STF nega pedido de suspensão da desocupação do Pinheirinho

Na Folha Online:
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Cezar Peluso, arquivou a ação da Associação Democrática por Moradia e Direitos Sociais de São José dos Campos (97 km de SP) que pedia a suspensão imediata da desocupação da área invadida do Pinheirinho. A reintegração de posse começou no domingo (22).

O ministro disse que o pedido da associação é “inviável”, porque o mandado de segurança foi impetrado contra uma decisão do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) –onde ainda não foram esgotadas todas as possibilidades de recurso. O presidente do STJ entendeu que era válida a ordem da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, que determinou a desocupação da área para reintegração de posse.

No pedido ao STF, a associação alegava perigo na demora de uma decisão, e afirmava que não seria possível aguardar o fim do recesso do Judiciário para que o STJ julguasse o recurso interposto contra a decisão do presidente da corte. A associação pedia o reconhecimento do interesse da União e a competência da Justiça Federal para analisar o caso.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

PF apura se vazamento do Enem é maior do que admitido

Na VEJA Online:
A Polícia Federal (PF) confirmou nesta quarta-feira que requereu ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) acesso a 30 cadernos de questões usadas no pré-teste do Enem em 2010. Até agora, apenas dois cadernos foram tornados públicos - eles continham as 14 questões vazadas pelo Colégio Christus, de Fortaleza, antes da realização da prova de outubro de 2011.

O pedido da PF atende a uma requisição do Ministério Público Federal no Ceará. Além de ver os cadernos, o procurador da República Oscar Costa Filho quer saber a quantidade de questões presentes no banco de itens do Enem - cerca de 6.000, segundo disse certa vez o ex-ministro da Educação Fernando Haddad - e a data em que cada uma delas foi testada.

A suspeita do procurador é que o vazamento de questões é maior do que o admitido até agora pelo Ministério da Educação. Ou seja, testes presentes nos 30 cadernos ainda mantidos sob sigilo pelo MEC também poderiam ter sido vazados antes da realização da avaliação.

Novela
Até agora, o MEC admite apenas o vazamento das 14 questões. Presentes na edição de 2010 do pré-teste - exame que “calibra” questões para a avaliação federal -, os testes foram distribuídos a estudantes do Colégio Christus e do cursinho pré-vestibular dias antes da realização do Enem 2011. Inicialmente, o MEC cancelou apenas os testes das provas do alunos do colégio, reconhecendo somente depois que o vazamento havia beneficiado também os participantes do cursinho.

Até agora, a investigação da PF levou ao indiciamento de dois funcionários do Colégio Christus, apontados como responsáveis pelo vazamento. A investigação revelou também falhas na realização do pré-teste de Fortaleza: os fiscais da prova foram contratados pelo Christus, o que contraria determinação do Inep e, portanto, do MEC. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma e PT, Aécio e PSDB. Ou: O que falta à oposição? Um nome ou um conjunto de idéias?

No domingo, a Folha trouxe a pesquisa Datafolha com a avaliação do governo. Desde o primeiro levantamento, feito em março, com 90 dias de gestão, consolidou-se um critério a meu juízo cretino e tecnicamente furado que consiste em comparar os números obtidos pela presidente com aqueles de igual período de seus antecessores, especialmente Lula e FHC. Para que isso fizesse algum sentido, seria preciso que:

a) a pesquisa fosse respondida pelas mesmas pessoas;
b) ainda que fosse possível, forçoso seria que o entrevistado tivesse como fazer a avaliação dos três governos.

Isso é uma besteira gigantesca que combina duas vertentes. Uma primeira é mesmo a paixão adesista que caracteriza boa parte da análise política no Brasil — afinal, Dilma sempre esteve à frente dos que a antecederam. Uma segunda não deixa de trair uma forma curiosa de viés anti-Lula!!! “Como, Reinaldo?” Sim, é isto mesmo: não são poucos os que consideram que reforçar a posição de Dilma é uma forma de manter afastado do poder — ao menos do poder formal — o fantasma lulista. Eu, vocês sabem, não lido com esse critério. Para mim, as diferenças pessoais entre os petistas são quase irrelevantes.

O que mais me interessa no petismo não são pessoas, mas o sistema. E não alimento a ilusão que vejo em alguns colegas de que existam contradições relevantes entre ambos. Ela, é bem verdade, à diferença do antecessor, não tentou até agora, por exemplo,  censurar a imprensa. Sim, ponto positivo. Se tentasse, não conseguiria, como ele não conseguiu. Só para encerrar este particular: se Dilma fosse muito diferente, poria um ponto final na prática indecorosa que consiste em financiar o gangsterismo disfarçado de imprensa, especialmente na Internet. Mas não o faz. Administração direta e estatais continuam a usar o dinheiro público para financiar campanhas de difamação contra líderes da oposição, contra ministros do Supremo e contra a chamada grande imprensa. Dilma é a chefe. Se deixa a coisa rolar, é a responsável. O pior é que nada disso seria necessário porque raramente se viu uma imprensa tão dócil com uma presidente. De maneira geral, o jornalismo consegue ser ainda mais “dilmista” do que era “lulista”. Não são os escroques que colaboram para a sua boa reputação. Ao contrário até… Volto ao curso.

Dilma superou Dilma; isso é o que conta
Quando afirmo que é uma besteira essa história de comparar o desempenho dela com o de antecessores em igual período, alguns tontos acreditam que o faço para tentar diminuir a conquista da presidente! Como petralha é burro! Ao contrário até! O DADO RELEVANTÍSSIMO DA PESQUISA DATAFOLHA DE DOMINGO, E AQUI COMEÇO A TANGER A CARDA DA OPOSIÇÃO, NÃO ESTÁ NO FATO DE AVALIAÇÃO POSITIVA DELA SER SUPERIOR À DE LULA, E SIM NO DE TER CRESCIDO 12 PONTOS DESDE MARÇO, 10 DELES SÓ NOS ÚLTIMOS SEIS MESES! Isso, sim, é importante!

Dilma não está muito bem junto à opinião pública porque com uma avaliação de “ótimo e bom” (59%) superior à do antecessor. Ela está muito bem porque, em comparação consigo mesma em início de mandato, quando os pontos ainda não eram seus, mas de Lula, ela cresceu. A sua grande conquista, até agora, É TER SUPERADO DILMA, NÃO TER SUPERADO LULA. Nota: existe uma forma burra e dilmista de ser antilulista; fazer aquela comparação é uma delas. Eu não sou “anti” coisa nenhuma! Só sou a favor de uma meia-dúzia de idéias não compartilhadas nem por ela nem por ele. Vamos continuar.

O que aconteceu e o que não aconteceu
A avaliação positiva da presidente disparou justamente no período das crises que colheram seus vários ministros — seis deles demitidos sob suspeita de corrupção. E olhem que a lista poderia ser de nove! Nesse caso, talvez ela já andasse ali pelos 65% de ótimo e bom… À medida que Dilma demitia, à esteira de denúncias feitas pela imprensa, conquistava o apoio popular. É bem verdade que a grande imprensa lhe deu uma ajuda fabulosa. Nesse caso, aliás, os escroques financiados tentaram empurrar a presidente para o lado errado — e Lula também… Convidaram-na a resistir, a não demitir ninguém. Se o fizesse, diziam o Apedeuta e o subjornalismo a soldo, ela ficaria refém da grande imprensa e das denúncias etc e tal… É claro que os petralhas sempre estão de um lado, e a verdade, de outro. À medida que as evidências de corrupção foram punidas ao menos com a demissão (e não haverá outra pena), a presidente consolidou a fama de moralizadora.

Deu-se um fenômeno estranho, algo talvez possível só nestas terras: a presidente passou a ser tratada como ombudsman no próprio governo, como ouvidora. Parecia que estava apenas corrigindo erros alheios, pelos quais não tinha a menor responsabilidade. Ora, não tinha sido ela própria a nomear aquela gente, tão cedo defenestrada porque com um padrão moral incompatível até mesmo com os elásticos costumes políticos brasileiros? O fato é que ali estava a Dilma que caía nas graças do povo: enérgica!

Sua gestão, já demonstrei aqui tantas vezes, é muito ruim. O Brasil vai relativamente (e só relativamente) bem porque mudanças estruturais feitas nos últimos 20 anos, especialmente o Plano Real, forneceram condições para sair de atoleiros históricos. O fato é, no entanto, que a infra-estrutura é lastimável, a máquina é cara e ineficiente, os serviços são precários, e as promessa solenes feitas por Dilma para o primeiro ano de mandato se frustraram todas. Já coloquei aqui a verdade em números — das casas às creches. Chega a ser constrangedor. No atual ritmo, o governo entregará, por exemplo, três milhões de casas (um milhão de Lula e mais dois milhões de Dilma) só daqui a 22 anos! Para realizar parte das obras previstas para a Copa (e será parte mesmo!), foi preciso violar a legislação e alargar ainda mais os já alargados critérios de moralidade no uso do dinheiro público. Para mais detalhes sobre as ruindades, leia-se um texto que publiquei aqui no dia 26 de setembro do ano passado.

Se o governo é ruim, o povo é bobo?
Não, o povo não é bobo. O modelo petista está fortemente ancorado no consumo, e isso não mudou, ainda que algumas âncoras de manutenção desse arranjo acenem para severas dificuldades no futuro. E daí? O eleitor avalia o seu presente. Com uma economia estável e com uma cobertura das ações presidenciais que beira, em alguns casos, a hagiografia, é compreensível que tantos considerem o governo Dilma “ótimo ou bom”. Mais: a despeito das não-casas, das não-creches, das não-UPAs, das não-quadras, do atraso vexaminoso nas obras da Copa, das trapalhadas nas privatizações dos aeroportos, das estradas federais miseráveis, da roubalheira das ONGs incrustadas no governo, apesar de tudo isso, 72% a consideram “competente”. Desde quando era ministra, já escrevi aqui, a maior competência de Dilma é fazer os outros acreditarem que ela é competente. Um de seu segredos era o ar sempre enfezado; eleita, um de seus segredos é fazer-se de enfezada generosa…

Cadê a oposição?
“Pô, Reinaldo, você afirmou que falaria da oposição, mas cadê?” É de caso pensado, queridos! Meu texto reflete o que foi a oposição nesse tempo. Sim, vimos líderes a protestar no Parlamento, esmagados, coitados!, por uma maioria avassaladora. Um senador como Álvaro Dias (PSDB-PR) merece o reconhecimento por um trabalho sério e dedicado na tentativa de apontar desmandos. Mas é evidente que isso não basta. Repete-se, no primeiro ano de gestão de Dilma, o que foi uma constante no governo Lula, muito especialmente depois que o petista se recuperou da crise do mensalão: teme-se enfrentar um governo popular. O grande discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que viria para ser a bússola da oposição, foi pouco mais do que nada. A sua síntese poderia ser esta: “Nós não somos como o PT”. Claro que não! Ocorre que a maioria do eleitorado escolheu justamente o… PT!

Não custa lembrar que um texto recente escrito por Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, com críticas severas ao governo Dilma passou por uma plástica quando caiu nas mãos de Sérgio Guerra, presidente do partido, e do próprio Aécio. Escrevi a respeito no dia 13 de janeiro. Ontem, diga-se, na presidência interina do PSDB, Goldman emitiu uma nota dura e sensata sobre a exploração vagabunda que o petismo faz da desocupação do Pinheirinho. Os leitores deste blog até estranharam: “Nossa! Há quanto tempo o PSDB não fala assim!” E alguns atribuíram o tom mais duro ao fato de que Sérgio Guerra está fora do país…

O curioso é que não seria difícil demonstrar que o PSDB parece sem agenda não exatamente porque jamais teve uma, mas porque o PT lhe tomou a que tinha. Ou alguém conseguiria demonstrar que os petistas estão executando seus programas históricos? Ora… São bem poucos os acertos em curso que fazem parte de seu estoque intelectual. E daí? Quem tem de ser convencido não são os historiadores honestos, mas os eleitores.

Nome ou idéias?
O noticiário nacional está ainda carregado pela entrevista — calculada e, a meu ver, desastrada e contraproducente — que FHC concedeu à Economist, em que classificou Aécio Neves de “nome óbvio” do PSDB para 2014 e teceu considerações que creio impertinentes sobre a candidatura de José Serra em 2010. Que bem faz ao partido a sua fala? Se ele souber, que diga. O que eu digo? Acho que há aí um erro de análise fundamental — e nada tem a ver com o nome de Aécio em princípio. A pergunta que faço é outra: o problema do PSDB (e das oposições) está na definição do nome ou na definição do conjunto de valores com o qual se vai enfrentar a disputa eleitoral?

Os aecistas do PSDB já tratam a entrevista como a unção — e ponto final! Eis o PSDB que jurou, desta feita, acabar com decisões de cúpula… Mas nem entro nesse particular. Digamos que, sim, a entrevista de FHC consolide desde já: “Será Aécio é pronto!” E aí? O que isso significa? Que conjunto de valores ele representa que se distingue, de maneira essencial, daquele representado por Dilma Rousseff, que disputará a reeleição? Digamos que eu soubesse a resposta… Ocorre que eu não represento a maioria ou a média do eleitorado. Há coisas que chegam mesmo a ter uma graça particular. O PSDB aecista tem no PT, em Minas, um parceiro antigo. Como bem lembrou o governador Antonio Anastasia quando as “consultorias”de Fernando Pimentel vieram a público, o petista era “amigo e mineiro”… Por que o eleitorado tem de ser convencido de que o PT, bom para governar Belo Horizonte junto com os tucanos, com a mediação do PSB, não é bom para governar o Brasil? Digamos que uma campanha se encarregue de esclarecer… A minha pergunta segue sendo a mesma: seja candidato Aécio, Serra ou qualquer outro, qual será a mensagem levada ao eleitor? Não adianta os tucanos virem com retórica oca: terão de dizer por que eles merecem um “sim” do eleitor e por que o PT merece um “não”.

Por quê?

Eu sei parte da resposta
Parte da resposta, ao menos, eu conheço. Posso não saber hoje por que “sim PSDB”, mas sei muito bem “por que não PT”. E, de novo, as minhas respostas não são as mesmas dos tucanos que conheço. Na verdade, vênia máxima, eu os vejo fazer rigorosamente o contrário do que entendo que seria o certo. Há algum tempo, a cúpula do PSDB debateu o resultado de uma pesquisa sobre a reputação do partido — usada, para não variar, para fazer guerrilha contra Serra — e constatou que o PSDB tinha imagem de “elitista”, que precisaria se aproximar mais do povo, ter seu braço sindical mais ativo, ser mais popular, sei lá eu…

Entendo isso tudo como o caminho da perdição. Nas próprias entrevistas de FHC, um dos presidentes mais corajosos que o país já teve, noto certas inflexões à esquerda — e outras fracamente doidivanas, como o debate sobre a maconha — que evidenciam o esforço para emular com o PT no, como vou chamar?, campo do progressismo. É tão impressionante constatar que os tucanos ainda não perceberam que jamais tomarão a bandeira do “social” das mãos dos petistas! Se existe alguma saída para o partido, é evidente que essa saída só pode se dar pela — à falta de melhor palavra, vai esta —  direita. Falo em termos relativos: à direita do PT.

 Escrevi dia desses, e muitos tucanos ficaram bravos — paciência! —, que os tucanos ocupam hoje o lugar que, em todas as democracias do mundo, é ocupado por partidos conservadores. Só que o PSDB não é um partido “conservador”, mas não consegue ser um “partido progressista” — ou, se quiserem, de esquerda. Então é o quê?

Na entrevista que concedeu à Economist, agarrado à tese errada de que é preciso logo definir um nome e partir pra luta, FHC arriscou alguma sociologia: à diferença de Serra, Aécio viria de uma política mais tradicional, mais afeita a alianças etc… Huuummm… Digamos que sim! Dado o andar da carruagem, quem terá mais condições de assegurar as alianças em 2014? Ou alguém conta que o prestígio de Dilma vai se esfarelar por obra do Espírito Santo?

Medo do eleitor e do conservadorismo
A verdade é que o PSDB tem medo do eleitor, especialmente do eleitor que não é “progressista”. Teme, em suma, o conservadorismo da sociedade brasileira — o bom conservadorismo, deixo claro! Isso ficou evidente na campanha eleitoral de 2010, por exemplo. O debate sobre ao aborto — é mentira que tenha sido feito pelos tucanos; essa foi uma invenção dos petistas e da imprensa patrulheira —, por exemplo, deixou foi o partido assustado.

Ontem, Alberto Goldman, como já informei, emitiu uma nota dura sobre a exploração vigarista que o PT faz da desocupação da tal área do Pinheirinho. Falou em nome da direção do partido! Mas que demora, não? As grandes lideranças do PSDB — quais? — já deveriam ter-se manifestado a respeito. Deveriam ter feito o debate político também por ocasião da retomada da cracolândia — afinal, eis um assunto que não diz respeito apenas a São Paulo. Mas quê!!! Fez-se um silêncio sepulcral a respeito. Para ser preciso, o governo tucano de Minas até entrou na guerra de propaganda oferecendo uma suposta abordagem alternativa a respeito…

Caminhando para a conclusão
Ok, os aecistas do PSDB podem se regozijar. Hoje, e tudo o mais constante, o nome do PSDB para disputar a Presidência da República é Aécio Neves. Digamos que a questão interna esteja mais do que precocemente resolvida. E daí? Com que eleitor, e sobre quais temas, os tucanos pretendem conversar? Como é que vão convencer os brasileiros, COM QUAIS VALORES?, de que Dilma não merece uma segunda chance? FHC parece apostar que um “político tradicional”, aliancista, tem mais chances. Pode ser. Desde que a equação não ignore o eleitor…

Para encerrar: que os tucanos e seus eventuais aliados não caiam na esparrela de  disputar em 2014 “só para fazer nome”, deixando a esperança de vitória mesmo para 2018, quando, então, nem Lula nem Dilma estiverem no páreo… O PT tem como fazer novos candidatos até lá. Para o bem e para o mal — sobretudo para o mal —, trata-se de um partido — isto é, de um sistema que aprendeu como dobrar “elites tradicionais”.

Por Reinaldo Azevedo

 

VINTE ANOS DEPOIS, MAIS UMA AULA DE JORNALISMO PARA NELSON BREVE, O CHEFÃO DA EBC, QUE DIFAMOU A POLÍCIA DE SÃO PAULO

Queridos, o texto, mais uma vez, vai ficar um pouco longo. Mas vale a pena ler porque estou destrinchando um método.

Relatei aqui dia desses uma conversa que tive há uns 20 anos com Nelson Breve, atual chefão da EBC. Ele começou a carreira jornalística no Diário do Grande ABC, onde também comecei. Quando nos falamos, eu era redator-chefe do jornal, e ele, repórter iniciante. Embora já maduro (não sei sua idade, mas deve ser mais velho do que eu;  estou com 50), não tinha experiência na área porque havia feito carreira no setor bancário. Era um rapaz cordato, de temperamento amigável. Eu não menos — ainda que alguns bobalhões suponham o contrário —, embora jamais abra mão de dizer que o penso. Concordar com aquilo de que se discorda por elegância é burrice ou covardia. Sim, ele era petista, o que, para mim, era irrelevante. Não fazia peneira ideológica para contratar repórteres. Já escrevi aqui a síntese de minha conversa com ele — e sempre a levei a sério onde quer que tenha trabalhado: “Eu me interesso pela notícia, não por aquilo que grupos de pressão dizem ser notícia”. Saí do jornal em 1992, Breve ficou. Deu seqüência à sua carreira jornalística e política, no que, vê-se, foi muito bem-sucedido.  Talvez tenham faltado algumas conversas, a julgar por, como vou chamar?, um verdadeiro crime jornalístico cometido pela Agência Brasil, que pertence à EBC, que ele preside.

Relatei aqui o caso na manhã de ontem. Na segunda-feira, a Agência Brasil veiculou para o país e o mundo uma “denúncia” feita por um advogado, evocando a sua condição de membro da OAB de São José dos Campos, segundo a qual haveria mortos na operação de desocupação do Pinheirinho. Os corpos estariam sendo escondidos pela Polícia Militar. Descobriu-se depois que o dito-cujo, Aristeu César Pinto Neto, é advogado do Movimento dos Sem-Teto, uma das forças que comandam a luta política do Pinheirinho. A suposta notícia foi parar nos grandes portais, como Terra e UOL. Os petralhas deram um jeito de espalhar a mentira mundo afora. No Guardian, por exemplo, estava escrito:
“Throughout Sunday, social media sites filled with apocalyptic reports of a supposed ‘massacre’, taking place within the community. One email, sent to international media, claimed there were reports that people had been killed. Brazil’s biggest TV network, Globo, described the eviction as ‘an operation of war’.”
“Durante todo o domingo, sites das redes sociais foram tomados por relatos apocalípticos sobre um suposto massacre. Um e-mail enviado à imprensa internacional sustentava que havia relatos de que pessoas tinham sido assassinadas. A maior rede de Tv do Brasil,  a Globo, descreveu a desocupação como ‘uma operação de guerra’”.

Não sei se a Globo realmente recorreu à expressão. Mas essa foi a fala, como se sabe, de Gilberto Carvalho. Muito bem, meus caros! A mentira veiculada pela empresa oficial de jornalismo, vê-se, ganhou o mundo, ainda que na forma de “relatos”. Os petralhas e a extrema esquerda, está cada vez mais claro, estão articulados para fazer circular suas mentiras mundo afora. Voltemos a Nelson Breve.

Ele tentou consertar a barbaridade feita no dia 23 e conseguiu incorrer em mais uma penca de, serei delicado, delitos jornalísticos. Reproduzo em vermelho a nova reportagem, assinada agora por Alex Rodrigues, publicada ontem. Comento em azul. O desastre já começa no título.

*
Autoridades negam que tenha havido morte durante desocupação em São José dos Campos
Não, Nelson Breve! Isso é delinqüência jornalística financiada com dinheiro público. Você deveria ter pedido desculpas e informado que NÃO HAVIA MORTOS COISA NENHUMA e que a empresa que você dirige errou ao publicar uma denúncia de um militante, sem qualquer evidência ou apuração. ONDE VOCÊ APRENDEU A FAZER JORNALISMO ASSIM, NELSON BREVE? Comigo, com absoluta certeza, não foi! Enquanto eu comandei a redação do Diário do Grande ABC, de meados dos anos 80 até o comecinho dos 90, isso não aconteceria de jeito nenhum! Se alguém cometesse barbaridade semelhante contra qualquer partido, inclusive o PT, seria demitido num piscar de olhos. ASSIM, NELSON BREVE, OU VOCÊ DEMITE OU SE DEMITE! Não fazer nem uma coisa nem outra será evidência de que acha bom o procedimento criminoso.

Ao menos 23 pessoas ficaram feridas durante os conflitos entre moradores de um terreno ocupado em São José dos Campos, no interior paulista, e policiais militares que cumprem decisão judicial de reintegração de posse. Segundo a prefeitura, a maioria sofreu ferimentos leves e foi socorrida nas unidades de Pronto-Atendimento. Um das vítimas, contudo, continua internada. Trata-se de um homem atingido por um tiro. Hoje (24), autoridades negaram à Agência Brasil a informação divulgada ontem (23) de que houve morte durante a retirada das cerca de 9 mil pessoas que vivem há sete anos e 11 meses na área conhecida como Pinheirinho, na periferia da cidade. A prefeitura informa que, em agosto de 2011, cerca de 5.500 pessoas viviam no local. De acordo com a Polícia Militar, “é improcedente a afirmação de que teria ocorrido alguma morte durante as ações”. Toda a ação foi documentada e acompanhada por autoridades do Poder Judiciário, diz a corporação.
Deixem-me ver se entendi o método Nelson Breve de fazer jornalismo com dinheiro público. Um militante da “causa” denuncia a existência de mortos numa operação comandada pela PM, SOB DETERMINAÇÃO JUDICIAL. Em qualquer empresa jornalística decente do mundo, antes que isso seja jogado ao vento, faz-se uma apuração. Afinal, não se trata de uma divergência de opinião, certo? Esse é um procedimento da Agência Brasil? Qualquer denúncia rende reportagem, mesmo sem nenhuma evidência, e basta ouvir os acusados no dia seguinte? É assim, Breve? Venha a público para defender o procedimento!

Por meio de sua assessoria, a prefeitura de São José dos Campos garantiu que, desde o início da operação da PM, na manhã do último domingo (22), nenhuma morte, de criança ou adulto, foi registrada. Segundo o coordenador de Comunicação da prefeitura, Eustáquio de Freitas, declarações de que uma pessoa teria sido morta são “fantasiosas”.
Ah, Nelson Breve!!! Eu vou lhe ensinar como se apura e como se derruba uma reportagem. Isso tudo que seus repórteres fizeram no dia seguinte deveria ter sido feito no dia mesmo em que a denúncia foi feita. E sem publicar uma linha a respeito. Como se constata, não há uma só evidência, nada! Essa matéria é uma delinqüência jornalística derivada da delinqüência original. Diga-me aqui, Breve: seria correto eu publicar aqui no meu blog que há quem diga que você trapaceou na EBC para assumir o lugar da Tereza Cruvinel? Se eu não conseguir provas, no dia seguinte faço outro post dizendo: “Breve nega, e não há evidências de que tenha trapaceado”. Isso é jornalismo? Foi o que você fez.

“O mesmo tipo de boato já vinha sendo divulgado pela internet, por meio de redes sociais. Não houve nenhum caso de morte”, afirmou Freitas, hoje, à Agência Brasil. Freitas se refere às declarações do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto. Ontem, Neto disse, em entrevista à TV Brasil (que não chegou a ser veiculada pela emissora), que houve morte na operação de reintegração de posse e que crianças estariam entre as vítimas.
Vejam que método, digamos, transparente de confessar a picaretagem feita no dia anterior, não é? Como se atuasse em sua defesa, o texto informa: “a notícia não chegou a ser veiculada na TV Brasil”. Pô, que gente cuidadosa, não é mesmo? MAS ATENÇÃO PARA O MOMENTO MAIS ESTÚPIDO E BRUTAL NA REPORTAGEM.

Procurada, em um primeiro momento,a prefeitura não quis se manifestar. Mais tarde, no entanto, depois de a Agência Brasil divulgar matéria com a informação de que teria havido morte durante a operação, o prefeito Eduardo Cury fez questão de desmentir as declarações do representante da OAB no município Aristeu César Pinto Neto.
Ah, a culpa é das vítimas, que foram acusadas de praticar homicídios e de ocultar cadáveres. Viram? Quem mandou o prefeito não falar? Sei… Alguém acusa Breve, mesmo sem provas, de usar a EBC e sua posição no PT para beneficiar a própria família. Mesmo sem a prova. Eu o procuro para saber o que ele tem a dizer. Caso não fale, publico o boato e ainda o acuso de não ter querido “dar o outro lado”. Pô, Breve, dá o outro lado aí, ou ponho você na boca do sapo! É um absurdo! É uma prática fascistóide! “Ou o acusado fala ou será o responsável pela difamação que o atinge”.

De acordo com Freitas, o caso mais grave registrado até o momento é o de um homem de cerca de 30 anos, atingido por um tiro no domingo (22) de manhã, durante tumulto que ocorreu no centro de triagem, fora, portanto, do terreno ocupado. O homem foi operado e está internado no Hospital Municipal. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso e ainda não se sabe de onde partiu o tiro. Por telefone, uma atendente do Instituto Médico-Legal (IML) de São José dos Campos informou à reportagem, hoje de manhã, que nenhum corpo identificado como sendo de morador do Pinheirinho deu entrada no instituto desde o início dos conflitos.
Certo! Todo o trabalho que deveria ter sido feito no dia e que derrubaria a reportagem foi feito só no dia seguinte, gerando uma nova matéria absurda!

O presidente da OAB local, Júlio Aparecido Costa Rocha, desautorizou o presidente da Comissão de Direitos Humanos a falar sobre o assunto em nome da instituição. “[Até o momento] não foi apresentada à OAB nenhuma informação concreta [a respeito de uma possível morte]. Estamos aguardando dados objetivos para iniciar uma investigação. O doutor Aristeu [Neto] não pode fazer declarações em nome da OAB porque, além de exercer o cargo de presidente da comissão, é também advogado das famílias, o que o coloca em uma posição de duplo interesse.”
Um dia depois de ficar claro que Aristeu não tinha prova de nada e estava comprometido com o movimento, como aqui se evidenciou, a Agência Brasil foi ouvir a OAB. Mas notem como a EBC se preocupa com o outro lado! Aristeu, coitadinho, o que MENTIU SOBRE AS MORTES, é citado acima. Ora, vamos ouvi-lo de novo, a título de outro lado.

Procurado, Aristeu Neto voltou a criticar o que classifica de “violência excessiva” dos policiais militares durante a operação. Ele revelou, contudo, não ter provas concretas que sustentem sua afirmação de que teria havido morte ou que moradores estejam desaparecidos. “As imagens demonstram excessiva violência e, independentemente de ter ocorrido morte ou não, a postura da polícia e do governo [estadual] está incorreta”, disse Neto à Agência Brasil, explicando que sua afirmação anterior foi baseada nas cenas que presenciou durante um conflito no Ginásio Poliesportivo, de onde, segundo o advogado, uma criança teria sido retirada em “estado grave”.
Ah, agora o Aristeu diz não ter “provas concretas”. Grande advogado! Vai ver ele tinha as provas abstratas.

De acordo com o último balanço divulgado pela prefeitura, 925 famílias residentes no Pinheirinho já foram cadastradas por funcionários da prefeitura. Dessas, 250 estão abrigadas em três dos oito espaços preparados pela prefeitura. A PM deteve 30 pessoas por resistência, desordem ou danos ao patrimônio público. Oito pessoas foram presas, sendo três procuradas pela Justiça e as demais acusadas de tráfico de drogas ou outras práticas delituosas. A PM também diz ter apreendido duas armas, uma delas uma espingarda calibre 12, além de três bombas incendiárias, maconha e cocaína. Oito veículos foram incendiados.
*Colaborou: Alice Marcondes//Edição: Graça Adjuto

Pois é… Eu me envergonho um tantinho por Nelson Breve. Não sei o que o petismo fez com a sua moral e a sua ética nos últimos 20 anos, mas ele tinha ao menos discernimento para reconhecer o trabalho porco feito na ida e na volta.

Sim, eu faço jornalismo de opinião — ou chamem lá como lhes der na telha os que não gostam de mim. Mas não lido com dinheiro público nem sou financiado pelo estado. Opino muito, às vezes com dureza. Fatos considerados muitas vezes verdadeiras poesias pelas esquerdas são tratados aqui como manifestação do horror e do terror político. MAS A MENTIRA ESTÁ FORA DA JOGADA. Aí não dá! Não houvesse mais nenhuma distinção entre mim e eles (e há um monte!!!), haveria esta, essencial e definitiva: eu só lido com fatos.

A notícia veiculada pela Agência Brasil é uma forma de terrorismo político. Se os repórteres escreveram, se os editores trabalharam o texto e o puseram no ar, isso significa que há uma cultura política que autoriza prática tão nefasta. EU TENHO A ABSOLUTA CERTEZA DE QUE ALGO PARECIDO NÃO ACONTECERIA SE OS ALVOS FOSSEM PETISTAS. Aliás, tenho bem mais do que a certeza: tenho a prova. Cadê o destaque, na Agência Brasil, ao estudante que ficou cego de um olho num confronto com a Polícia do Piauí, governado pelo PSB e pelo PT?

Os goebbels do petismo já podem se dar por satisfeitos. A mentira veiculada na Agência Brasil já ganhou o mundo. É mentira! E daí? Para que o episódio lhes causasse algum constragimento, forçoso seria que a verdade lhes fosse um imperativo moral.

Por Reinaldo Azevedo 

 

O DIA EM QUE O PIRATINI SE SUJOU COM O SANGUE DE INOCENTES - VEJA O FILME EM QUE TARSO GENRO ABRAÇA O ASSASSINO. OU: ESTE ABRAÇO ESCONDE QUATRO CADÁVERES

Mesmo eu não me sentindo minimamente responsável por Tarso Genro ter sido ministro da Justiça e ser hoje governador do Rio Grande do Sul, ainda assim, eu experimento certa vergonha por ele ter exercido o cargo que exerceu e exercer o que exerce. Vejam o filme com trecho da reportagem da Band em que o petista abraça efusivamente o assassino Cesare Battisti. Volto em seguida.

Ontem, os petralhas inundaram a rede com filmes sobre a desocupação do Pinheirinho, denunciando mortes que nunca existiram. Acima, vocês estão vendo um vídeo sujo de sangue. Ele esconde quatro cadáveres, sobre os quais Tarso tripudia. Aliás, o biógrafo entusiasmado de Lênin, do ponto de vista intelectual, endossa os milhões de mortos do comunismo. Quatro a mais, apra ele, são irrelevantes.

Tarso agora tem uma justificativa nova para a impostura. Não teria cumprido o tratado de extradição porque o governo de Silvio Berlusconi seria fascista. É uma justificativa delinqüente. Berlusconi foi eleito e foi deposto pela democracia italiana. Era uma questão de estado, não de governo. Mas atentemos para a sua fala:

“Naquela oportunidade, o governo italiano não só tentou humilhar o Poder Judiciário brasileiro como também tentou submeter o governo brasileiro à sua visão a respeito do caso Battisti”.

Trata-se de uma afirmação escandalosamente mentirosa e absurda até para o padrão Tarso Genro. Não! O governo italiano respeitou o Judiciário brasileiro — tanto é assim que recorreu JUSTAMENTE ao Judiciário, ora essa! O que se deu foi o contrário: ao se comportar como corte revisora da Justiça da Itália, foi Tarso quem tentou humilhar o Judiciário daquele país. “Submeter o presidente Lula à sua visão???” Quer dizer que Lula se dá o direito de ter a sua própria visão dos criminosos de um outro país?

Na hipótese de que tenhamos um bom futuro, vamos nos envergonhar, como nação, enormemente por termos passado por isso. De certo modo, a história já começa a fazer Justiça a Tarso. Por que digo isso? Leiam o que falou Battisti:
“Vim agradecer ao governador pela coragem política, pelo alto valor moral que mostrou”.

Tarso Genro merece cada palavra elogiosa que lhe dirige o assassino.

PS: Battisti agora está com os cabelos longos e tingidos de louro. Sua cara, nota-se, está paralisada pelo excesso de botox. Por baixo da máscara, ainda há a face de um assassino.

Por Reinaldo Azevedo

 

90% aprovam internação involuntária de viciados em crack

Por Vaguinaldo Marinheiro, na Folha:
É quase uma unanimidade: 9 em cada 10 brasileiros acham que os viciados em crack devem ser internados para tratamento mesmo que não queiram. É o que mostra pesquisa nacional do Datafolha feita na semana passada. Questionados se um adulto dependente de crack deveria ser internado para tratar seu vício mesmo contra a vontade, 90% dos entrevistados disseram que sim.

A concordância é praticamente a mesma entre homens e mulheres e em todas as faixas etárias. Cai um pouco entre os moradores do Sul (86%), os que têm ensino superior (84%) ou renda acima de dez mínimos (79%). A chamada internação involuntária (feita à revelia do paciente/viciado) é prevista na lei 10.216, de 2001, que trata de doentes mentais.

Ela exige a recomendação de um médico e que seja comunicado o Ministério Público em até 72 horas, para que se evitem abusos. O tema voltou a criar polêmica com o lançamento, em dezembro, do plano federal de combate ao crack e com a ação da PM na cracolândia, iniciada no dia 3 pelo governo do Estado de São Paulo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Insatisfação com a saúde sobe 11 pontos em um ano

 Por Tathiana Barbar, na Folha:
Apesar de ter encerrado o primeiro ano de governo com aprovação recorde de 59%, a presidente Dilma Rousseff obteve um resultado negativo na pesquisa Datafolha realizada na semana passada. Desde o final da gestão de Lula, aumentou em 11 pontos percentuais o número de brasileiros que consideram a saúde como o principal problema do país. O levantamento indica ainda que a área em que numericamente o governo aparece com maior aprovação é a educação, com 11%, índice similar ao verificado após três meses de gestão (10%) e no final do governo Lula (9%).

A percepção de que a saúde é o principal problema do Brasil vem desde 2008. No final de 2010, 28% dos entrevistados apontavam o setor como o mais preocupante. Após três meses da gestão Dilma, o número foi a 31%, e agora chega a 39%. Em anos anteriores, o desemprego era, disparado, a principal preocupação. Hoje, está em 3º (9%).

Por Reinaldo Azevedo

 

Líder peemedebista usou Dnocs para manter obra superfaturada no RN

Por Fábio Fabrini e Marta Salomon, no Estadão
Uma operação comandada pelo grupo do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), salvou uma obra superfaturada em R$ 33,2 milhões, que estaria sob a responsabilidade do governo do Rio Grande do Norte, e a pôs sob o controle de apadrinhados do deputado no Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). Orçada em R$ 241,7 milhões, a construção da Barragem de Oiticica, em Jucurutu (RN), foi projetada e licitada pelo Estado, que assinou, em 2010, contrato com o consórcio formado pelas construtoras EIT e Encalso.

O empreendimento integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e seria tocado com recursos do Ministério da Integração Nacional em convênio com o governo do Rio Grande do Norte. Mas o Tribunal de Contas da União (TCU) apurou que os preços estavam inflados e, por meio de uma medida cautelar, determinou o bloqueio de recursos para os serviços em 24 de agosto.

Quase dois meses após a constatação da irregularidade pelo tribunal, em 13 de outubro, o líder do PMDB e o diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, afilhado do parlamentar, se reuniram com o vice-governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, e oficializaram, por meio de um ofício, a transferência da verba para o Estado. O repasse seria feito por meio de convênio, a ser assinado com o ministério. Também participou do encontro o deputado Fábio Faria (PSD-RN), filho do vice-governador.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Obama propõe aumento de imposto para os ricos em discurso sobre União

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
Diante do risco de pronunciar seu último discurso sobre o Estado da União, na noite de ontem nos EUA, o presidente americano, Barack Obama, atacou os dois maiores inimigos de sua reeleição, em novembro - a economia fraca e a insatisfação do eleitorado democrata com seu governo.

No plenário do Congresso, Obama defendeu o aumento dos impostos sobre a renda dos mais ricos e a expansão de incentivos do governo ao preparo da mão de obra e aos setores de energia verde e da indústria de manufaturas. A agenda externa foi sublinhada com a ameaça, indireta, de uso da força militar para evitar que o Irã construa armas nucleares. Obama deixou claro que seu governo “não descartará nenhuma das opções sobre a mesa para alcançar esse objetivo”. Igualmente destacou que a retirada de tropas do Afeganistão continuará e indicou não ter dúvidas da queda, em breve, do regime de Bashar Assad, na Síria.

“Nós não voltaremos a uma economia enfraquecida pela terceirização, pelas dívidas incobráveis e pelos falsos lucros financeiros”, afirmou Obama, ao anunciar seu propósito neste ano de “traçar um plano para uma economia feita para durar”.

“Não nos esqueçamos nunca: milhões de americanos que trabalham duro e conforme as regras todos os dias merecem um governo e um sistema financeiro que façam o mesmo. É hora de aplicar as mesmas regras de cima para baixo: não aos resgates, não às benesses, não aos subterfúgios. Uma América construída para durar insiste na responsabilidade de todos.”

Como manda a tradição, Obama iniciou seu discurso no plenário do Congresso às 21 horas (meia-noite de Brasília). Por meio de um e-mail assinado por “Barack”, enviado por sua campanha de reeleição, o presidente informou sua intenção de propor uma “economia que funcione para todos”. Abaixo, estava o link para uma doação a sua campanha.

Com seu discurso, Obama tentaria convencer o eleitor-contribuinte a ver o pleito de novembro como uma escolha entre a agenda democrata e a lei do Estado mínimo proclamada pelos pré-candidatos republicanos - não como o referendo de seu governo. Sua proposta mais emblemática nesse sentido foi a de reforma na tributação federal, para acabar com os benefícios fiscais para os contribuintes com renda superior a US$ 370 mil por ano. Em três ocasiões, desde dezembro de 2010, Obama teve de recuar nesse tópico caro aos democratas para evitar a paralisia de seu governo pelo Congresso, dominado pelos republicanos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Alô, governo de SP, Justiça e Ministério Público! Hora de combater os criminosos da rede. Cadeia para os mentirosos!

É impressionante!

Multiplica-se na rede a delinqüência originalmente veiculada pela Agência Brasil, sob o comando da EBC, segundo a qual houve mortos na desocupação do Pinheirinho. Há vídeos circulando na rede que acusam, entre outras coisas:
- a Polícia Militar de esconder corpos;
- o governo e a PM de separar as crianças de seus pais;
- a prática de tortura.

E onde estão as evidências? Não há! Até porque não aconteceu nada disso. Afirma-se que, entre os mortos, há crianças. São criminosos operando a serviço de teses políticas. A EBC publicou hoje uma patética reportagem desmentindo o que ela própria havia divulgado ontem (as tais mortes) e, mais uma vez, atropelou a boa técnica jornalística e o bom senso. Na madrugada, trato do assunto. Terei de lembrar a Nelson Breve alguns fundamentos da profissão, uns 20 anos depois de nossa última conversa. Daquela vez, eu lhe passei alguns fundamentos do jornalismo em seu primeiro emprego na área. Agora, eu vou convidá-lo a recuperar alguns fundamentos de sua experiência no setor bancário — de onde ele vinha. Ele precisa tratar o leitor, o ouvinte e o telespectador da EBC como os bancos tratam os correntistas: procurando ganhar a sua confiança!

A expressão na Internet é e deve continuar livre. Mas ninguém tem licença para usar a rede para cometer crimes. Acusar a Polícia Militar, o governo do Estado e a Prefeitura de São José dos Campos de esconder corpos é crime — no caso, de calúnia. E o lugar de caluniadores é a cadeia.

Ou os entes do estado reagem contra os criminosos, ou eles progridem! É perfeitamente possível chegar à origem dessas mensagens e responsabilizar seus autores, segundo as regras vigentes no estado democrático e de direito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os termos lamentáveis em que se expressa o juiz que concedeu liminar contra o acesso à correção de redação do Enem

Como se informa no post anterior, a Justiça Federal concedeu liminar contra o acesso à correção de redação do Enem. Comecemos, como quer a velha tautologia, do começo. Essa questão não surgiu do nada, mas dos comprovados e reiterados erros havidos na correção. No caso extremo, um aluno saltou da condição de “prova anulada” para “880 pontos”, de um total de mil possíveis. Uma estudante do Rio recebeu 800 de um corretor, “anulado”, de outro e 440 de um terceiro. Na mensagem que recebeu do examinador com as explicações, a soma dos itens dava uma quarta pontuação: 680!

Assim, a onda de indignação contra o banguncismo do Enem 2011 — cujo sigilo já tinha sido violado — não surgiu do nada. Havia casos concretos, que foram se multiplicando, evidenciando o sistema precário, porco mesmo, de correção das redações. Ora, elas têm um peso imenso no Enem e podem decidir o destino de um aluno. A reivindicação para que todos tenham acesso ao espelho da correção tem razão de ser: nasce da comprovada incompetência do MEC. Sigamos.

Muito ruim o despacho do juiz Paulo Roberto de Oliveira, presidente da 5ª Região (TRF-5), em Recife. Não pelo conteúdo da decisão em si. Se ele acha que não é o caso, ok. Lastimáveis são seus argumentos. Segundo ele, não cabe o acesso à correção de 2011 porque já há um termo de conduta liberando esses dados a partir de 2012. Não entendi. O que uma coisa tem a ver com outra? As evidências de correção precária, de falta de rigor e de falta de método se referem à prova já feita, não à que está por fazer. Ou perdi alguma coisa, meritíssimo?

O trecho que, a meu ver, escandaliza a lógica e o bom senso é este:
“Daí que a disponibilização das provas e dos espelhos - tese sedutora pela perspectiva de realização do sagrado Direito Constitucional à Informação, consoante Art. 5º, XXXIII - contribuiria, em dias de hoje (com o ‘escasso’ instrumental de que a administração reconhece dispor), mais para tumultuar o certame, já tão devedor de credibilidade à sociedade, que propriamente para eficacizá-lo (CF, Art. 37, caput). Na ponderação entre informação e eficiência, neste momento agudo, deve-se uma reverência algo mais acentuada à segunda.”

Sei, sei…

Confesso que o meu primeiro susto se deu com o verbo “eficacizar”. Caramba! Os dicionários de sinônimos não costumam trazer tudo. Por isso recorri ao meu “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”. Nada! “Eficaciar”, sim, está lá, como está nos Houaiss. Mas não “eficacizar”. No critério vocabulário, retirei ao menos 20 pontos do juiz.

Mas eu lhe dei zero mesmo foi em lógica. Ou vejamos: segundo ele, permitir que os alunos tenham acesso à correção vai “tumultuar o certame, já tão devedor de credibilidade à sociedade”. Ora… Os alunos só querem a informação justamente porque há evidências de problemas — daí a falta de credibilidade. O juiz usa contra os estudantes os motivos que os levaram a reivindicar o acesso às provas. Nunca vi nada parecido. A síntese é a seguinte: “Doutor, estamos sendo prejudicados pela falta de informação”. Ao que ele responde, na prática: “É verdade! E vocês continuarão sem informação porque, se a tiverem, tudo ficará ainda pior!”

Há em sua decisão outra coisa perversa. O doutor conseguiu ver uma contradição entre “o direito constitucional à informação” e o direito constitucional à “eficiência”, de sorte que, segundo ele ao menos, ao escolher um, está rebaixando o outro. Entendo. Entre os dois, ele preferiu o Artigo 37 e deixou pra lá o Artigo 5. Epa! O 5º não é justamente aquele que reúne os direitos fundamentais?

O juiz também pode ter ido além das suas sandálias ao afirmar que “salta aos olhos a politização” da questão. Mais uma vez, a lógica cobra do doutor: se aqueles que querem o acesso às provas estão politizando a questão, por que o meritíssimo, que não quer, também não estaria? Ou politização, doutor, é tudo aquilo que fazem aqueles de quem o senhor discorda, e verdade é tudo aquilo que dizem aqueles com os quais o senhor concorda? Ora, os alunos agora devem ser os punidos porque o Enem não tem credibilidade? Eles já são! Já têm as suas provas corrigidas mal e porcamente, doutor!

O juiz quer dar a liminar? Que dê. Acho que ele pode encontrar motivos melhores. Seu despacho é lamentável. Quando não joga a lógica no lixo, opta pelo confronto político. Eu poderia lembrar que seus argumentos são, por exemplo, idênticos ao de Fernando Haddad. Nem por isso vou acusá-lo de estar tomando uma decisão pautada pelos petistas e pelos interesses eleitorais do partido. Ou eu deveria desconfiar dele como ele parece desconfiar dos que recorreram à Justiça?

A Justiça brasileira passa por uma fase muito difícil. Magistrados já recorreram,nestepaiz, a uma linguagem mais solene e já expressaram mais amor pela lógica.

Por Reinaldo Azevedo

 

Juiz concede liminar contra acesso à correção das redações do Enem 2011

Vocês já sabem disso. Daqui a pouco, comento os termos desastrados da liminar. É tudo muito impressionante. Leiam o que informa a VEJA Online:

Estudantes não poderão conferir redação do Enem

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), em Recife, derrubou nesta terça-feira a liminar que garantia acesso à redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011 a todos os participantes da avaliação federal. O Ministério Público Federal no Caerá ainda pode recorrer da decisão.

De acordo com o presidente do Tribunal, Paulo Roberto de Oliveira, uma das razões para a suspensão da liminar concedida pela Justiça Federal no Ceará é que o Inep, autarquia do Ministério da Educação responsável pelo Inep, e a Subprocuradoria Geral da República já haviam celebrado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) prevendo o acesso dos participantes à correção da prova a partir deste ano. O acordo, portanto, não incluía aprova de 2011.

Oliveira alega também que uma razão operacional justifica a suspensão da liminar. “Com efeito, a disponibilização das provas quer-se feita a 3.881.329 candidatos (os com nota, os com redação em branco e os com redação anulada por algum motivo). Mas nem todos o postularam, e talvez somente uns poucos estejam insatisfeitos com a nota obtida.” E continua: “Daí que a disponibilização das provas e dos espelhos - tese sedutora pela perspectiva de realização do sagrado Direito Constitucional à Informação, consoante Art. 5º, XXXIII - contribuiria, em dias de hoje (com o ‘escasso’ instrumental de que a administração reconhece dispor), mais para tumultuar o certame, já tão devedor de credibilidade à sociedade, que propriamente para eficacizá-lo (CF, Art. 37, caput). Na ponderação entre informação e eficiência, neste momento agudo, deve-se uma reverência algo mais acentuada à segunda.”

Por fim, o magistrado afirma que atuação do MPF no Caerá, por meio do procurador Oscar Costa Filho, foi confusa. ”A ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal no Ceará sofreu dois aditamentos, sugerindo que o MPF não sabia o que queria, mas que reconhecidamente queria, perseguindo o resultado - fosse qual fosse - até obtê-lo”, afirma o Tribunal em nota oficial.

Na semana passada, às vésperas de deixar o MEC, o então ministro Fernando Haddad afirmou que a liminar autorizando o acesso às redações poderia inviabilizar a realização de duas edições do Enem em 2012. ”Não podemos colocar a máquina em fadiga. Há uma questão tecnológica a ser resolvida. É um problema novo que foi colocado e que não é tão simples assim”, afirmou. Um dia depois, uma empresa de gestão de risco contratada pelo MEC afirmou que a pasta não está tecnicamento preparada para realizar duas edições da avaliação ao ano, desmentindo o ministro. Com a decisão, o Enem 2012 só será aplicado uma vez, nos dias 3 e 4 de novembro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Em solenidade, Mercadante deixa claro que, no governo Dilma, o bom sofista leva vantagem sobre o bom executor. Eu já desconfiava!

Ah, os mistificadores. No texto que escreverei sobre as oposições, falarei um tantinho também, sobre a imagem quer se está plasmando de Dilma Rouseff, que ajuda a explicar o seu bom desempenho nas pesquisas de avaliação de governo. Leiam o que segue. Volto em seguida.

Por Flavia Foreque, Renato Machado e Márcio Falcão, na Folha Online:
Em cerimônia de posse nesta terça-feira, o novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fez uma série de sugestões ao seu substituto na pasta de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, sobre como lidar com a presidente Dilma Rousseff em reuniões de trabalho. Em tom bem-humorado, ele afirmou ao novo titular do ministério que a primeira etapa de uma proposta a ser apresentada à presidente é o “espancamento do projeto”.

“Você vai ouvir a seguinte expressão: ‘Ele não fica de pé’”, afirmou Mercadante, arrancando risadas da platéia. Após mais uma rodada de conversas, ele afirmou, ainda não haverá apoio da presidente. “Você vai poder ouvir a seguinte expressão: ‘Está de pé, mas você não vai conseguir entregar’”, afirmou o ministro. Segundo ele, esse estilo da presidente é uma prova da eficiência da gestão de seu governo. “Foi um aprendizado absolutamente inédito”, elogiou.

Mercadante fez afagos a seu antecessor na pasta, Fernando Haddad, que deixa o governo federal visando a campanha pela prefeitura de São Paulo. “Não vejo como seu nome não possa estar entre os grandes ministros da Educação da história desse país”, afirmou Mercadante para o petista.  Mercadante ainda se emocionou ao citar o trabalho feito pelo ex-presidente Lula, que acompanhou a cerimônia ao lado da presidente Dilma. “Tem um significado muito especial sua presença aqui hoje. Nós começamos juntos quando esse projeto era apenas um sonho.” Antes de assumir o ministério, Raupp era presidente da Agência Espacial Brasileira.

Comento
Começo por um dado engraçado: Lula, a quem Mercadante se referiu com tanta emoção, pôs muita tranqueira em seus ministérios, mas nunca escolheu Mercadante para a tarefa. Vai ver era vingança do tempo em que o agora ministro da Educação convenceu Lula de que o Plano Real seria um desastre para o Brasil…

A historinha de Mercadante, contada na solenidade, ajuda a compor a mitologia sobre Dilma Rousseff, a severa. O curioso é que esse juízo só faz sentido em contraste com Lula, também presente, que seria o relaxado. Fica a impressão de que, com ele, qualquer porcaria servia; já ela ficaria fazendo teste de estresse com seus subordinados para ver se eles sabem se defender.

Que pena que Lula não fez o mesmo com ela, quando ministra da Casa Civil. Tivesse feito, a privatização dos aeroportos teria saído muito antes. Tivesse feito, os portos não se encontrariam na situação miserável de hoje. Tivesse feito, as estradas federais não estariam esburacadas.

Entendi, também, do método revelado por Mercadante que o governo, então, não sabe direito o que fazer. Tudo é uma questão de saber argumentar direito, de convencer a presidente. Um bom executor e mau sofista quebraria a cara com Dilma; já um bom sofista, mas mau executor, leva uma imensa vantagem.

É por isso que Mercadante ficou um ano na Ciência e Tecnologia, e não se conhece exatamente o seu trabalho. Mau executor, certamente se mostrou um sofista competente — com Dilma ao menos. Tanto é assim que vai substituir um outro na Educação.

Pra mim está tudo muito claro. Agora eu compreendo todas as casas, as creches, as quadras e as UPAs que não saíram do papel. Os sofistas enrolaram a presidente, que também enrolou a seu tempo. Afinal, ninguém, como Dilma, foi e é tão competente na arte de convencer os outros de que é competente. Essa é a impressão que 72% dos brasileiros têm dela, segundo o Datafolha, ainda que as casas, as creches, as quadras e as UPAs sejam feitas de saliva.

Por Reinaldo Azevedo

 

Direção do PSDB acusa o governo federal, Gilberto Carvalho e o PT de fazer exploração político-eleitoreira da desocupação do Pinheirinho

Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB e, no momento, presidente interino do partido — Sérgio Guerra está fora do país — divulgou uma nota a um só tempo dura e serena sobre a intromissão do governo federal na reintegração de posse de área invadida em São José dos Campos, em São Paulo.

A direção do PSDB acusa o governo federal e o PT de fazer exploração política e eleitoreira do caso. Acusa, o que é correto, o ministro Gilberto Carvalho de incitar o descumprimento da lei. Leiam a íntegra.
*
É deplorável a intromissão do governo federal, através do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, no processo de reintegração de posse da área invadida do Pinheirinho, em São José dos Campos. Ao politizar um assunto que se transformou em drama que sensibiliza a todos nós, mas sobre o qual nunca procurou encontrar uma solução, o ministro ignorou o princípio da separação entre os poderes e
a autonomia dos entes federativos. Mais: ao dizer que o “método” do governo federal não é esse, sugeriu à nação que não se acatem decisões judiciais. Fato grave quando a atitude vem de um ministro que tem a obrigação de zelar pela Constituição.

O método do ministro e de seu governo é conhecido. O cumprimento da decisão judicial fez com que o PT movimentasse todos seus tentáculos políticos e sua máquina de desinformação, com o intuito de atingir três metas: culpar o Governo do Estado pelo fato, caracterizar como de extrema violência a intervenção policial no local e se apresentar como paladino da justiça social, fazendo falsas promessas e criando expectativas irreais para os moradores do local.

Criaram, o ministro e seu partido, nos moradores do Pinheirinho, uma falsa expectativa, nunca concretizada, de resolver a questão. Ao invés de fazer proselitismo político, o Governo Federal poderia ter publicado decreto de desapropriação da área, mas não o fez.

É  temerário que, mal se tenha iniciado o processo eleitoral deste ano, o PT já disponha de uma fábrica tão ampla de mentiras. Pior ainda é ver esse projeto de poder ser traçado às custas da ordem democrática e do sofrimento de pessoas que os petistas, hipocritamente, fingem confortar.

O governo de São Paulo agiu em cumprimento de determinação do Judiciário, e a operação foi comandada diretamente pela Presidência do Tribunal de Justiça paulista. Enquanto o governo federal só agride, o governo paulista e a prefeitura do município providenciam a ajuda necessária para minorar o sofrimento das famílias desalojadas.

Brasília, 24 de Janeiro de 2012
ALBERTO GOLDMAN
Presidente Interino
Comissão Executiva Nacional

Por Reinaldo Azevedo

 

Diante do assassino que protegeu, Tarso Genro posa de vítima. Não! Vítimas são as pessoas que Battisti matou

Nunca, mas nunca mesmo!, cometam o equívoco de achar que um petista já chegou ao limite. Ele sempre pode mais. Se for Tarso Genro, ex-ministro da Justiça e atual governador do Rio Grande do Sul, nem o inferno é a fronteira. Essa gente deixa o diabo desenxabido.

Tarso, o lírico do leite derramado — Chico só veio depois… — é aquele senhor que concedeu o status de refugiado ao assassino italiano Cesare Battisti. O histórico da imoralidade, da impostura e da vigarice política está no blog. O então ministro da Justiça inventou que a Itália que condenou o facínora era uma ditadura. Mentira! Afirmou depois que, se Battisti voltasse para cumprir pena em seu país, estaria correndo riscos. Também era mentira! De fato, jogou no lixo o tratado de extradição celebrado entre os dois países e as regras para a concessão de refúgio, que não alcançam o crime comum — e foi como criminoso comum que o celerado foi condenado.

Muito bem! Nesta terça, em evento que faz parte do Fórum Social — aquela estrovenga organizada por hoje mamadores nas tetas de estatais —, Tarso discursou. E quem estava na platéia? Ninguém menos do que Cesare Battisti, condenado na Itália pelo assassinato de quatro pessoas.

Tarso não só discursou como ainda se disse alvo de um “massacre da mídia”, pobrezinho!, e de um “governo corrupto”, referindo-se a Silvio Berlusconi. Tarso segue o mesmo, com o amor de sempre pela verdade. O governo brasileiro não ofendeu o governo Berlusconi, e sim o estado italiano! Uma das lideranças mais indignadas com o refúgio concedido pelo Brasil foi Giorgio Napolitano, presidente do país. Aos 87 anos, é uma das figuras mais respeitadas da política italiana. Dele, Tarso nem pode dizer que é um “direitista”, como diria do ex-primeiro-ministro. Napolitano vem do antigo Partido Comunista Italiano.

Eis Tarso Genro. Comporta-se como corte revisora da Justiça italiana, desrespeita um tratado de extradição, viola as regras para a concessão de refúgio… Tudo para dar guarida a um assassino. Não contente, posa (Emir Sader escreveria “pousa”) de vítima e ainda abre as portas do Palácio Piratini, que pertence ao povo gaúcho, ao assassino que protegeu. Não, senhor! Vítimas são as pessoas que Battisti matou!

Tarso é só mais um algoz petista da verdade.

Por Reinaldo Azevedo

 

Aula prática de mau e de bom jornalismos - “PM do PSB e do PT deixa estudante negro do Piauí cego de um olho; Gilberto Carvalho e Maria do Rosário fingem que nada aconteceu”

Vejam esta foto:

estudante-cego

É Hudson Silva. Ele estuda filosofia na Faculdade Federal do Piauí e participava de uma das manifestações organizadas em Teresina contra a elevação da tarifa de ônibus. Fragmento de uma bomba de efeito moral usada pela PM para reprimir o protesto — violento, é bom que fique claro — o deixou cego do olho direito.

Agora vamos ao título lá do alto. O que lhes parece? Imito o procedimento das milícias esquerdopatas que atuam nas redes sociais e nos sites e portais da grande imprensa (aliás, nas redações também!). É claro que se trata de uma partidarização detestável do fato. O grave, meus caros, é que a imprensa por enquanto séria está se deixando contaminar por essa prática — desde, é claro, que o partido atacado não seja, como é o caso, de esquerda.

Acompanhem. Foi parar no Jornal Nacional o conflito entre um PM e um estudante invasor da USP — que lhe disse algo inaudível no vídeo, que o deixou furioso. Já escrevi mais de uma vez que o comportamento do policial foi inaceitável. O estudante em questão é um notório militante pró-invasão. Tocava, junto com outro invasor, um bar — isto mesmo!!! — na área pública invadida. Não saíram uma palavra e uma linha na chamada grande imprensa sobre a privatização do espaço público. Mais: foi parar em rede nacional a acusação de racismo. Afinal, o estudante é mestiço — nota: ele não era o único do grupo, como acusou um certo frei. Voltemos agora ao Piauí.

A manchete lá do alto, obviamente distorcida, é construída a partir de fatos, a saber:
1) O Piauí é governado por PSB e PT;
2) a PM do Piauí está, pois, sob o controle desses dois partidos;
3) houve um choque entre estudantes e PM;
4) fragmento de uma bomba de efeito moral deixou cego de um olho o estudante Hudson Silva;
5) Hudson Silva é, segundo os critérios adotados pelos militantes, negro — tão negro como o tal estudante da USP;
6) os dois ministros petistas não disseram mesmo nada a respeito.

Tudo isso é verdade. Mas é evidente que o título lá do alto força a barra, não é? É evidente que ele não é exemplo de bom jornalismo. Afinal:
1 - A PM está sob a gestão de um governo do PSB-PT, mas não é uma “polícia do PSB-PT”, e sim do estado do Piauí;
2 - o estudante que ficou cego de um olho é mestiço (os racialistas o chamam “negro”), mas não há a menor evidência de que jogaram uma bomba perto dele por isso — como não há a mais remota evidência de que o policial da USP se indispôs com aquele invasor por causa da cor de sua pele;
3 - ministros não têm a obrigação de ficar se pronunciando sobre confrontos que ocorrem nos estados;
4 - a formulação faz crer que a PM tem a intenção deliberada de ferir manifestantes;
5 - não fica claro, em nenhum momento, que a PM reagia a um protesto violento.

Este jornalista tem lado, sim!
Sim, eu tenho lado! O jornalismo “nem-nem” sempre me causou repulsa. Hoje, nem mais isso ele é. E qual é o meu lado? É o de algum partido? Uma ova! Sou aborrecidamente defensor da legalidade democrática. E parto do princípio de que a imprensa séria também. Ou não? Há casos que requerem conversa, e há casos que requerem polícia. Não se deve usar polícia quando é para conversar e conversa quando é para usar a polícia. “Ah, em conflitos sociais, sempre se deve bate papo”…  Desde que os manifestantes não decidam que incendiar ônibus é uma forma de diálogo. Desde que os manifestantes não formem uma tropa de choque particular para enfrentar a ordem.

Alguns idiotas lotados mesmo na grande imprensa pretendem, para me desqualificar, que eu seja uma espécie de “outro lado” (sempre essa perspectiva) dos blogueiros a soldo do oficialismo, alimentados por estatais. Podem me detestar à vontade (aliás, quanto mais batem, mais cresço), mas saibam ao menos odiar. Errado! Eu não recebo dinheiro público, da administração direta ou de estatais. Mais ainda: também não lido, como Nelson Breve, com a grana que pertence a todos os brasileiros. Ainda que eu fizesse o trabalho sujo que fez a EBC, mas do “outro lado”, seria um caso diferente. Só que eu não faço.

Quando os subordinados de Breve puseram no ar aquela mentira sobre mortos no Pinheirinho, estavam fazendo um trabalho partidário. Ocorre, e eis a sem-vergonhice essencial do procedimento, que nem todos os brasileiros são petistas ou de esquerda. Usar o recurso que é de todo mundo para veicular um ponto de vista que é de um grupo, e ainda ancorado numa mentira, é prática de tiranos.

Um peso, duas medidas
NÃO, EU NÃO COBRO QUE A CHAMADA GRANDE IMPRENSA FAÇA COM OS PARTIDOS DE ESQUERDA O QUE AS ESQUERDAS FAZEM COM OS PARTIDOS QUE DIZEM SER DE DIREITA (JÁ QUE NÃO SÃO…). Cobro, isto sim, é que não se usem para uns e outros um peso e duas medidas.

Alguma emissora de televisão se interessou em conversar com o estudante do Piauí, que ficou cego de um olho? Alguma entidade de defesa dos negros acusou a prática de racismo? Alguém se lembrou de perguntar se houve ou não exageros da PM (o mesmo se diga de Pernambuco e Espírito Santo, também governados pela dupla PSB-PT)? Por que um “negro da USP” é uma causa — adotada até pela grande imprensa —, mas um “negro do Piauí” não interessa a ninguém? Será que as forças ainda dispostas a enfrentar o petismo terão, também elas, de criar uma máquina de mentiras e distorções para enfrentar a outra máquina de mentiras e distorções?

Acho este post muito importante porque ele destrincha os passos da manipulação da notícia. A grande imprensa, com raras exceções, está se tornando refém das ONGs e dos grupos organizados de pressão. Como eles correram para condenar a ação do PM na USP, acusando até racismo, o jornalismo foi atrás. Como eles ignoraram os eventos do Piauí, de Pernambuco e do Espírito Santo (afinal, os petistas financiam boa parte das entidades e as dirigem), então a grande imprensa faz o mesmo.

Tenho a impressão, às vezes, de que a chefia de reportagem de jornais, sites e portais desapareceu e é exercida hoje por alguns coronéis das redes sociais.

Por Reinaldo Azevedo

 

Mais um procedimento do neojornalismo que ajuda a devastar a verdade

Antigamente, quando havia um COMPROMISSO COM A VERDADE, não com o OUTRO-LADISMO, jornalistas acompanhavam eventuais confrontos entre manifestantes e polícia e contavam o que viam. Claro, queridos! Sempre há distorções. Um relato nunca é o fato. A depender dos valores, do viés ideológico e das crenças do observador, determinados aspectos ganham ou não relevância. Mas o evento constatado é, ao menos, um compromisso mínimo com a objetividade.

Hoje em dia, a coisa é diferente. Jornalistas se transformaram em “porta-vozes dos que sofrem” — porque, afinal, eles estão ocupados em criar um mundo melhor, entendem? Mas também não é de qualquer sofredor, não — já chego lá. Vejam o caso do Pinheirinho. “Fulana de tal diz que a polícia chegou e a obrigou a sair de casa, sem tempo pra nada”. Ou ainda: “A polícia chegou gritando etc.” Os mais equilibrados ouvem ao menos o comando da PM, que garante que vai apurar o caso. Os mais “comprometidos com o Bem” não fazem nem isso. Afinal, se é invasor de terreno que está falando, então deve ser verdade; se a polícia está sendo criticada, então deve ser assim mesmo.

Há pouco, li no Estadão uma reportagem sobre o fechamento de bares na cracolândia. A dona de um deles acusa os fiscais de terem inventado a existência de uma barata em sua geladeira só para fechar o estabelecimento. E fica por isso mesmo. Ora, como, na grande narrativa inventada por setores da imprensa paulistana, trata-se da luta do Bem contra o Mal (e o “Mal” são o governo do Estado e a Prefeitura), então a acusação da dona do tal bar pode ser publicada na boa. No máximo — nesse caso, não se fez nem isso —, ouve-se algum representante da Prefeitura. E o que o coitado tem a dizer? “Vamos apurar…”

Esse tipo de procedimento não é mais jornalismo. Isso é militância política. Quando criança, escrevi panfletos políticos e participei de jornalecos alternativos. Era trabalho ideológico, sim. E asseguro: não se recorria a esse procedimento. A razão é simples: não há grande diferença entre isso e a mentira.

PS - Afirmei que nem sempre se dá voz aos “oprimidos” contra o Poder Público, não é? Isso só acontece se esse “poder” for “reacionário”, “de oposição”. Se for “progressista”, petista, esquerdista, o assunto some logo do noticiário. CADÊ O ESTUDANTE QUE FICOU CEGO DE UM OLHO no confronto com a Polícia Militar do Piauí, governado pelo PSB e pelo PT? Desapareceu!

Por Reinaldo Azevedo

 

Pinheirinho, outro-ladismo e neojornalismo; os mortos e a massa falida

Às vezes se tem a impressão de que os idiotas são mesmo maioria nas redes, o que não é impossível em razão da lógica elementar, não é mesmo? Os cretinóides agora deram para espalhar que os pobrezinhos foram tirados do Pinheirinho para devolver a área a Naji Nahas… Tenham paciência.

O equívoco tem origem. Ontem, a EBC, a empresa dirigida por Nelson Breve, teve o desplante de dar voz a um sujeito identificado como presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São José — na verdade, é advogado de uma associação de invasores —, segundo quem a operação havia resultado em vários mortos. O nome do rapaz é Aristeu César Pinto Neto. Afirmou: “O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem”.

É o fim da picada! O terreno não pertence mais a Naji Nahas, mas à massa falida da Selecta, e entra, portanto, na composição do patrimônio que será usado para saldar as dívidas da empresa, inclusive as trabalhistas. Quem tem a posse da área não é Nahas. A propósito: quem teria mais direito ao patrimônio que já foi de Nahas? Os que vão chegando e vão ficando ou aqueles a quem ele deve?

Neojornalismo
É que o “neojornalismo companheiro”, convertido em mero “outro-ladismo”, agora é assim: “Fulano diz que houve mortos; Beltrano nega”, como se haver mortos ou não fosse uma questão de opinião. “Fulano diz que o terreno vai voltar para Nahas; Beltrano nega”, como se também isso fosse questão de opinião. “Fulano diz que a Polícia Militar era obrigada a executar a reintegração de posse; Beltrano nega”, como se fosse questão de opinião.

“Jornalistas”, no Brasil — e, acreditem, deste modo estúpido só está acontecendo por aqui — agora se tornaram meros repetidores do diz-que-diz-que das redes sociais. Haver ou não mortos numa operação se iguala a saber, afinal, quem era a Luíza que estava no Canadá…

Estamos diante de uma perda de norte. Até anteontem, o procedimento correto e óbvio, antes de dar curso ao boato, era este: “Precisamos verificar se isso aconteceu mesmo ou não”. Os imbecis influentes mudaram o procedimento: “Vamos noticiar que estão dizendo isso; se não aconteceu, aí a gente desmente”. Foi o que fizeram o Terra e o UOL. Deram curso à mentira do Aristeu e escreveram depois: “Polícia nega que haja mortos”. Mas houve ou não houve?

Os grandes veículos estão sem norte, mas não os fascistóides contratados por um partido político para espalhar a mentira: exercem um trabalho orientado e remunerado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Petistas poderiam ter atuado para impedir desocupação do Pinheirinho, mas a atração pelo sangue dos pobres não deixou. Veja como

Sim, o governo federal poderia ter impedido a ação da Polícia Militar na região do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), se, em vez de se excitar com o cheiro de sangue dos pobres — que, felizmente, não correu —, tivesse tido a vergonha na cara e o bom senso de tomar uma medida em favor daquelas famílias. Já explico. Vocês vão se surpreender como tudo teria sido muito simples houvesse vontade resolver. O problema é que a atração pelo sangue era maior. Os palacianos apostaram no confronto. A petezada vislumbrou mais uma chance de jogar a população de São Paulo contra a polícia e contra o governo do estado. Antes que o demonstre, algumas considerações.

O Planalto tentou criar um caso político — e eleitoral, em favor de Fernando Haddad — em São Paulo quando decidiu sabotar a correta intervenção do poder público na cracolândia. Fez política vagabunda com a vida daqueles zumbis que vagavam quase vivos e quase mortos numa área destruída da cidade, governada por traficantes. Deu tudo errado. A população do estado, especialmente a da capital, apoiou com entusiasmo a ação da PM. No caso dos maconheiros da USP e da invasão da Reitoria, já havíamos assistido a esforço idêntico, igualmente frustrado. Não por acaso, Haddad criticou a polícia nos dois episódios. Então chegou a vez da região do Pinheirinho, desocupada pela PM POR ORDEM DA JUSTIÇA.

A atuação de Gilberto Celso Daniel Santo André Carvalho, demonizando a PM e o governo do Estado, entra para o rol da infâmia, da ignomínia. Vamos relembrar a fala de Carvalho: “Eu não quero fazer uma crítica direta ao governo de São Paulo, com todo respeito à autonomia. Agora, eu só posso dizer que esse não é um método nosso, do governo federal”. Heeiiinnn? Qual é o “método” do governo federal? Desrespeitar ações judiciais? Carvalho está incitando o desrespeito às leis? Carvalho acha que o governo de São Paulo deveria ter investido num confronto entre Poderes? Carvalho queria que Alckmin tivesse jogado o despacho no lixo? É o que ele próprio faria? É o que Dilma faria?

Reproduzi aqui na manhã de ontem a determinação do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Ricardo Garisio Sartori. Não se tratava de ordem de cumprimento facultativo: “Olhem aí, governador Alckmin e PM, façam se quiserem…” Num dado momento, escreve Sartori: “Também não houve manifestação de interesse jurídico da União neste feito, de modo que fosse deslocada a competência para a Justiça Federal. Por isso que sem nenhum valor o processo concorrente naquela Justiça em oposição ao presente.”Ou seja: os petistas não moveram uma palha. O confronto entre PM e invasores lhes era útil. Sempre souberam que o governador Geraldo Alckmin não tinha alternativa.

O governo federal tinha, sim, uma alternativa desde sempre — e, creio, a tem ainda agora. Poderia ter desapropriado a área, depositando em juízo o valor do terreno, que pertence à massa falida da Selecta, e tudo estaria resolvido. Aí bastaria recorrer à Justiça estadual para suspender a reintegração de posse — o que seria certamente aceito. Em vez disso, preferiu mandar um estafeta para o meio do conflito para fazer política partidária.

Não! Preferiu-se não tomar providência nenhuma! Como a impostura não tem mesmo limites, o PT decidiu emitir uma nota de solidariedade aos invasores. No texto assinado por Rui Falcão, lêem-se maravilhas como esta:
“A mega-operação de reintegração de posse que envolveu a Polícia Militar do Estado de São Paulo e a Guarda Municipal de São José dos Campos frustrou os esforços para uma saída pacífica para o conflito social, com base em proposta de políticas públicas para a regularização, urbanização e construção de moradias populares na região envolvendo os três níveis de governo - federal, estadual e municipal.”

Quais “propostas”? A única “proposta” do PT era ignorar a decisão judicial. O partido vai mais longe: “O PT cumprimenta o Governo Federal pelos seus esforços de diálogo e por sua responsabilidade em todo o processo do Pinheirinho, e condena fortemente a intransigência e a insensibilidade social dos governos tucanos de São José dos Campos e do Estado de São Paulo, instando a todos pela retomada das negociações que permitam reparar o sofrimento causado desnecessariamente a famílias pobres e sem-teto.” Eis aí. Se faltava a prova de que os invasores estão sendo usados como massa de manobra, já não falta mais. E sempre é um momento lindo ver petistas parabenizando petistas… Está fundado o onanismo ideológico.

Mas, vocês sabem, o PT é muito ético. O partido, muito sério, escreve em sua nota: “A dissimulação e a mentira são posturas inaceitáveis em relações políticas e administrativas”. É mesmo? Muito comprometido com a “verdade”, a EBC teve o desplante de dar voz a um advogado ligado aos militantes que denunciavam mortes no Pinheirinho (leiam aqui). Não morreu ninguém.

Encerro destacando que aí está a natureza do PT. Uma bomba de efeito moral jogada pela Polícia Militar do Piauí, governado pelo PSB em parceria com os companheiros, acabou deixando cego de um olho um estudante que protestava contra o aumento das passagens de ônibus. Fico a imaginar uma ocorrência como essa em São Paulo… Carvalho seria tentado a sugerir que Dilma mandasse tropas ao estado.

Não adianta. Eles não têm limites nem têm cura.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

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