Dilma, a “barbárie” e a ditadura

Publicado em 31/01/2012 07:16 e atualizado em 02/08/2013 14:51 1125 exibições
por Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, em veja.com.br

A presidente Dilma Rousseff tem tido uma agenda muito interessante. Na semana passada, ela foi ao tal Fórum Social, por onde já havia passado o terrorista e assassino Cesare Battisti (que mereceu um abraço apertado de Tarso Genro; na verdade, eles se merecem), e definiu lá a desocupação do Pinheirinho como “barbárie”.  Não houve barbárie nenhuma! Ao contrário. Dado o tamanho da operação, a Polícia Militar se saiu muito bem. No dia seguinte, Gilberto Carvalho, um humanista conhecido — de notáveis serviços prestados ao partido, especialmente no caso Celso Daniel —, endossou as palavras da chefe e avançou: falou em “terrorismo”. Talvez os miasmas deixados  pela passagem de Battisti por lá o tenham contaminado.

Ontem, Dilma foi à Bahia, onde uma cozinheira ficou cega de um olho em razão de um confronto com a Polícia. A Soberana não viu barbárie nenhuma e preferiu ignorar o assunto, a exemplo do que fizeram as TVs. Seguindo os passos do antecessor, atacou governos passados, que não teriam se preocupado com casas populares… Já fizemos a conta: a presidente que prometeu quase 1.600 creches para o ano passado (seis mil até 2014) e que fechou 2011 sem entregar nenhuma é a mesma que prometeu 3 milhões de casas até o fim do mandato. Dado o ritmo atual, chegar-se-á a esse número por volta de 2034!!!

Dali ela rumou para Cuba. Cuba é aquela ilha para onde Tarso Genro, esse aí acima, despachou dois pugilistas. Eles haviam justamente fugido da ditadura dos irmãos Castro. Parece que os rapazes tinham a ficha limpa demais para merecer refúgio. O então ministro da Justiça impediu até mesmo que tivessem contato com a imprensa.

A presidente que acusa “barbárie” num ato de reintegração de posse no Brasil (ato que cumpre os mais estritos princípios do estado democrático e de direito), visita alegremente uma tirania — onde o Brasil financia obra de quase R$ 700 milhões — e deixa claro que sua pauta está voltada para os negócios. Nada de política! Dilma não pretende tratar de questões que digam respeito aos direitos humanos e, obviamente, não quer conversa com os críticos do regime. O limite do Brasil foi conceder o visto à blogueira Yoani Sánchez caso a ditadura cubana permita que ela saia da ilha para participar de um seminário no Brasil.

É… Faz sentido! A decisão de Dilma de não se encontrar com críticos do regime é coerente com o seu passado. Afinal de contas, ela queria instalar no Brasil, quando militante, justamente o regime hoje vigente em Cuba. O paraíso dos facinorosos irmãos Castro é a utopia da militante Dilma.

No dia 29 de março de 1978, o então presidente norte-americano, Jimmy Carter, desembarcava no Brasil. Respondendo ao discurso frio de recepção do presidente Ernesto Geisel, foi direto: “Hoje estamos todos nos unindo num esforço global em prol da causa da liberdade humana e do Estado de Direito. Esta é uma luta que só será vitoriosa quando estivermos dispostos a reconhecer as nossas próprias limitações e a falarmos uns com os outros com franqueza e compreensão”. Encontrou-se com líderes da oposição e críticos do regime, como dom Paulo Evaristo Arns e Raymundo Faoro, presidente da OAB. Recebeu um dossiê com nomes de pessoas mortas, torturadas e exiladas.

Dilma vai adular dois ditadores que promovem a barbárie, esta sim, há mais de 50 anos. Carter veio ao Brasil e cobrou democracia de um regime acusado de matar 424 pessoas. Em Cuba, entre fuzilamentos e pessoas que se afogaram tentando fugir, morreram 100 mil (234,8 vezes mais) — e passam de um milhão as que vivem no exílio. E há outra gigantesca diferença: a população brasileira é 19 vezes maior do que a cubana.

Dilma foi às armas contra a ditadura de cá. Eleita pela democracia, continua a adular a ditadura de lá.

Por Reinaldo Azevedo

 

Longe de dissidentes, Dilma chega a Cuba com linha de crédito milionária

Por Lisandra Paraguassu, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff chegaria ontem à noite em Havana para sua primeira visita oficial a Cuba. A julgar pelos sinais enviados por Brasília, o governo cubano tem mais razões para ser otimista do que a dissidência. Dilma leva à ilha mais uma linha de crédito, dessa vez de US$ 523 milhões. Com isso, o financiamento brasileiro à ilha chega a US$ 1,37 bilhão.

Com a visita da presidente brasileira, o regime cubano - que investe em algumas mudanças econômicas para tentar tirar a ilha da inércia financeira - espera do Brasil mais investimentos pesados em obras de infraestrutura. Por seu lado, os dissidentes, apesar de todos os sinais contrários vindos de Brasília, ainda acreditavam ontem que o governo brasileiro não manteria a tradicional indiferença às violações dos direitos humanos no país.

O Itamaraty não esconde que o propósito da visita de Dilma é econômico e comercial. O Ministério das Relações Exteriores tem reiterado que o Brasil não tem intenção de tratar publicamente de temas espinhosos, como a repressão cubana. A avaliação do Brasil, de acordo com o chanceler Antonio Patriota, é a de que “a situação dos direitos humanos em Cuba não é emergencial”. Incluir na agenda presidencial encontros com opositores do regime, mesmo que para tratar de direitos humanos - na teoria, um tema caro à presidente - não cairia muito bem.

O que interessa ao governo brasileiro é incentivar o regime cubano a seguir adiante com as mudanças econômicas. A avaliação da diplomacia brasileira é a de que ajudar Cuba a avançar economicamente é a melhor colaboração que se pode dar ao país. Por isso, o País vai financiar do término do Porto de Mariel, uma obra de US$ 683 milhões, até a compra de alimentos e máquinas. O comércio entre os dois países cresceu 31% de 2010 para 2011, chegando a US$ 642 milhões. No entanto, essa é quase uma via de mão única: apenas US$ 92 milhões são de exportações cubanas, especialmente medicamentos. Há pouco para Cuba vender e muito para comprar. Chegam do Brasil equipamentos agrícolas, sapatos, produtos de beleza, café, em alguns momentos, até açúcar.

Hoje extremamente dependente da Venezuela, que garante praticamente todo o petróleo usado na ilha a preço de custo, os cubanos repetem uma situação que já viveram nos anos 70 e 80 com a União Soviética, antes de Moscou falir e abandonar Cuba à própria sorte. “A Venezuela é nossa nova URSS. O equilíbrio cubano hoje se chama Hugo Chávez”, avalia o economista Oscar Espinosa Chepe. “Há muito potencial, especialmente na agricultura, mas é preciso investimento. É preciso buscar investimentos estrangeiros reais, buscar um país mais sério.” Pelo menos três diferentes grupos de dissidentes pediram audiência a Dilma ou a alguém de sua comitiva, mas não receberam resposta.

“O que podemos esperar é que a presidente fale das pessoas, do povo cubano. Ela pode falar muito perto de Raúl e Fidel Castro, nós não podemos. Gostaria que essa visita marcasse o antes e o depois”, disse a blogueira e colunista do Estado Yoani Sánchez.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Na coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

As provas da conspiração forjada para sepultar o caso Celso Daniel

Entre o fim de janeiro e meados de março de 2002, investigadores da Polícia Federal encarregados de esclarecer o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André, gravaram muitas horas de conversas telefônicas entre cinco protagonistas da história muito mal contada: Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”,  suposto mandante do crime, Ivone Santana, viúva da vítima, Klinger Luiz de Oliveira, secretário de Serviços Municipais de Santo André, Gilberto Carvalho, secretário de Governo, e Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado-geral do PT. Todos sabiam da existência da fábrica de dinheiro sujo instalada na prefeitura para financiar campanhas do partido.

As 42 fitas resultantes da escuta foram encaminhadas ao juiz João Carlos da Rocha Mattos. Em março de 2003, pouco depois da posse do presidente Lula, Rocha Mattos alegou que as gravações haviam sido feitas sem autorização judicial e ordenou que fossem destruídas. Em outubro de 2005, condenado à prisão por venda de sentenças, o juiz revelou a VEJA (confira a reportagem na seção Vale Reprise) que os diálogos mais comprometedores envolviam Gilberto Carvalho, secretário-particular de Lula entre janeiro de 2003 e dezembro de 2010 e hoje secretário-geral da Presidência da República. “Ele comandava todas as conversas, dava orientações de como as pessoas deviam proceder. E mostrava preocupação com as buscas da polícia no apartamento de Celso Daniel”.

Em abril de 2011, depois de ter cumprido pena por venda de sentenças, Rocha Mattos reiterou a acusação em escala ampliada. “A apuração do caso do Celso começou no governo FHC”, afirmou. “A pedido do PT, a PF entrou no caso. Mas, quando o Lula assumiu, a PF virou, obviamente. Daí, ela, a PF, adulterou as fitas, eu não sei quem fez isso lá. A PF apagou as fitas, tem trechos com conversas não transcritas. O que eles fizeram foi abafar o caso, porque era muito desgastante, mais que o mensalão. O que aconteceu foi que o dinheiro das companhias de ônibus, arrecadados para o PT, não estava chegando integralmente a Celso Daniel. Quando ele descobriu isso, a situação dele ficou muito difícil. Agentes da PF manipularam as fitas de Celso Daniel. A PF fez um filtro nas fitas para tirar o que talvez fosse mais grave envolvendo Gilberto Carvalho”.

Só escaparam da minuciosa queima de arquivo algumas cópias que registram diálogos desidratados dos trechos com alto teor explosivo. Ainda assim, o que se ouve escancara uma conspiração forjada para bloquear o avanço das investigações e enterrar o caso na vala dos crimes comuns. E revela a alma do bando de comparsas que, em vez de chocar-se com a execução brutal de Celso Daniel, só pensa em livrar da cadeia o companheiro Sombra ─ e livrar-se do abraço de afogado do suspeito decidido a afundar atirando. Confira os diálogos nos seis áudios:

Áudio 1: Luiz Eduardo Greenhalg diz a Gilberto Carvalho que é preciso evitar que João Francisco, um dos irmãos de Celso Daniel, “destile ressentimentos” no depoimento que se aproxima. “Pelo amor de Deus, isso é fundamental!”, inquieta-se Carvalho.

Áudio 2: Um interlocutor não identificado elogia Ivone Santana pela entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo e incentiva a viúva a repetir a performance no programa de Hebe Camargo. Alegre, a viúva informa que vai fazer o reconhecimento das roupas da vítima. Do outro lado da linha, a voz pergunta como estava vestido, afinal, “o cara”. O cara é o marido morto horas antes.

Áudio 3: À beira de um ataque de nervos, Sombra cobra de Klinger um imediata ação de resgate. Assustado com o noticiário da imprensa, exige que Gilberto Carvalho trate imediatamente de “armar alguma coisa”.

Áudio 4: Klinger diz a Sombra que Gilberto Carvalho está preocupado com o teor do iminente depoimento do companheiro acusado de ter ordenado a morte do prefeito. Sugere um encontro entre os três para combinar o que será dito. No fim da conversa, os parceiros comemoram a prisão de um suspeito.

Áudio 5: Gilberto Carvalho cumprimenta Ivone Santana pela boa performance em entrevistas e depoimentos. Carvalho acha que as declarações mudarão o rumo das investigações.

Áudio 6: A secretária de Klinger transmite a Gilberto Carvalho rumores segundo os quais a direção nacional do PT pretende manter distância do caso “para não respingar nada”. Carvalho nega e encerra o diálogo com uma observação ambígua: é nessas horas que se percebe quem são os verdadeiros amigos.

Em vez de exigir o esclarecimento da morte do amigo, Gilberto Carvalho resolveu matar as investigações no nascedouro. Por que agiu assim? Ele poderá responder também a essa pergunta na entrevista ao site de VEJA.

(por Augusto Nunes)

 

PT tentou usar Pinheirinho para impor a versão original do “Plano Nacional-Socialista dos Direitos Humanos”, derrotada pela democracia. Ou: Por que o homem de Carvalho não fez nem mesmo um BO?

Vocês se lembram da famigerada versão original do “Plano Nacional-Socialista dos Direitos Humanos”? No começo de janeiro de 2009, tive de interromper as minhas férias para publicar um dos maiores furos de reportagem deste blog (só não foi maior do que a entrevista que fiz com uma “morta”, né?): o decreto do governo, que havia passado pela Casa Civil de Dilma Rousseff, propunha, entre outros mimos, legalização do aborto, censura prévia à imprensa e fim do direito de propriedade. De que modo?

O juiz ficariaa proibido de decidir a reintegração de posse de uma área invadida no campo ou na cidade. Antes, o caso tinha de passar por uma junta de conciliação, DE QUE O INVASOR TAMBÉM SERIA PARTE, ENTENDERAM? Isso significava que o simples ato de invadir uma área já tornava o grupo dotado de direitos especiais. Reproduzo o trecho, em vermelho, para que não reste a menor dúvida:

Acesso à Justiça no campo e na cidade.
Ações programáticas:
- a) Assegurar a criação de marco legal para a prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos, garantindo o devido processo legal e a função social da propriedade.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Ministério das Cidades
- b) Propor projeto de lei voltado a regulamentar o cumprimento de mandados de reintegração de posse ou correlatos, garantindo a observância do respeito aos Direitos Humanos.
Responsáveis: Ministério da Justiça; Ministério das Cidades; Ministério do Desenvolvimento Agrário

- c) Promover o diálogo com o Poder Judiciário para a elaboração de procedimento para o enfrentamento de casos de conflitos fundiários coletivos urbanos e rurais.
Responsáveis: Ministério das Cidades; Ministério da Justiça; Ministério do Desenvolvimento Agrário
- d) Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos, com a presença do Ministério Público, do poder público local, órgãos públicos especializados e Polícia Militar, como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares, sem prejuízo de outros meios institucionais para solução de conflitos.
Responsáveis: Ministério do Desenvolvimento Agrário; Ministério da Justiça.

Texto foi mudado
Pois é… Naquele 6 de janeiro de 2009 (publiquei o post no dia seguinte), bebendo caipirinha e com os pés na areia (que eu não sou carioca pra tomar mate gelado na praia, hehe… Isso nem existe em São Paulo; biscoito de polvilho também não!), mal acreditava no que lia. Decidi consultar a patroa: “Eu estou lendo isso mesmo ou bebi demais?” Dona Reinalda foi definitiva: “É isso mesmo! Propriedade vira coisa do passado!”.

Bem, a sociedade brasileira reagiu a esse e a outros absurdos, e o texto teve de ser mudado. O então ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, prometeu renunciar se houvesse alteração. Houve, e ele não renunciou. Hoje, está com o Apedeuta no Instituto Lula, em companhia de Franklin Martins. Os bravos sempre se encontram. Adiante.  Notem que o que vai acima viola a Constituição no que diz respeito ao direito de propriedade e à autonomia do Poder Judiciário. Tiveram de dar outra redação. Pois bem!

Eis que chega o caso do Pinheirinho. A sentença de reintegração de posse é de julho do ano passado, lembre-se mais uma vez. O governo federal resolveu se meter no caso da reta final — enviando à área, inclusive, um agitador de Gilberto Carvalho — para abrir as tais “negociações”. Queria, então, aplicar aquele trecho do Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos que a sociedade brasileira já havia recusado.

Mesmo quando já estava evidente aos olhos de toda gente que a Polícia Militar e o governo de São Paulo cumpriam uma determinação judicial, Carvalho, secretário-geral da Presidência, insistiu que o governo federal agiria de outro modo. Que outro modo? Descumpriria a lei? Os governos federal e do DF, ambos petistas, tiveram uma idéia genial na semana passada parar retirar invasores de uma área da União: chamaram a Polícia!!! Invasão boa é a de área privada. Quando a terra da União, nem é preciso convocar a Justiça. Basta a Polícia!

Esse é o PT: se perde o debate na sociedade, tenta impor à força a sua vontade. O governo federal poderia ter resolvido a questão desapropriando a área. Em vez disso, enviou um agitador de Carvalho para a invasão. E agora falemos um pouco deste senhor.

Paulo Maldos
Ontem, escrevi dois posts sobre Paulo Maldos, aquele que usa o tal anelzinho da “justiça social”. Como vocês viram, ele adora ser fotografado segurança balas de borracha e faz caras sempre muito estranhas, caracterizando felicidade extrema; eu diria mesmo que, em certos casos, há esgares que lembram prazer. Segundo disse, foi atingido por elas. Teria exibido o seu crachá de Bozó do governo federal, e o soldado, insensível, nem assim: pimba! Maldos é secretário nacional de Articulação Social, seja lá o que isso signifique. Dada a sua atuação no Pinheirinho, posso imaginar.

Pois é… Tive uma curiosidade ontem e tentei saber em que delegacia de polícia ele fez o Boletim de Ocorrência. Deus Meu! Ainda acabo virando repórter, hein!? É uma função nobre demais pra mim; se não tiver outro jeito… Descobri, estupefato, que ele não fez boletim em lugar nenhum. Em seguida, perdigueiro da notícia, tentei saber o resultado do exame de corpo de delito… Bem, sem BO, sem corpo de delito, né?

Não vou aqui cobrar que o Bozó de Carvalho exiba as marcas de seu heroísmo a esta altura do campeonato. Mas me dou o direito de achar estranho que um homem “ferido na batalha política”, um destemido defensor dos direitos humanos, leve umas balas de borracha e nem mesmo se ocupe em documentar legalmente o ocorrido.  Em vez disso, preferiu fazer proselitismo, exibindo exemplares de bala — que podem ser conseguidos sem muito esforço. Sem BO e sem exame, a Polícia fica impedida até de investigar. Afinal, investigar o quê? O ar triunfante de Maldos? Seus esgares sugerindo satisfação?

Por Reinaldo Azevedo 

 

Dilma acerta com PP substituição de Negromonte

Por Christiane Samarco, João Domingos, Marta Salomon e Tânia Monteiro, no Estadão: A presidente Dilma Rousseff acertou a saída do ministro Mário Negromonte (Cidades) com a direção do PP e com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). De acordo com informações de bastidores do governo, Negromonte poderá sair ainda nesta semana, logo depois da volta da presidente ao Brasil, na quarta-feira. Dilma viajou para Cuba na segunda-feira, 30; na quarta, segue para o Haiti e retorna ao Brasil.

Como na quinta-feira a presidente terá de enviar uma mensagem com os planos de trabalho do governo ao Congresso, é possível que o acerto para a saída de Negromonte ocorra na sexta-feira. A presidente pretende reunir-se com o ministro, uma forma de demonstrar um último sinal de prestígio, repetindo um gesto que usa desde a saída de Antonio Palocci (Casa Civil), em junho.

Será o nono ministro a deixar o governo Dilma. Desses, seis foram após denúncias de irregularidades: Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Carlos Luppi e Orlando Silva.

Entre os nomes analisados pelo governo para suceder a Negromonte no Ministério das Cidades estão o do líder do PP na Câmara, Agnaldo Ribeiro (PB), e dos deputados Márcio Reinaldo (MG), Beto Mansur (SP) e dos senadores Benedito de Lira (AL) e Ciro Nogueira (PI). A presidente Dilma Rousseff, no entanto, prefere Márcio Fortes, que já foi ministro das Cidades e hoje ocupa o cargo de Autoridade Pública Olímpica (APO).

O acordo entre Dilma, o PP e o governador Jaques Wagner para a saída de Negromonte foi acertada na segunda-feira pela manhã, durante assinatura da ordem de serviço para o início das obras de revitalização urbanística da bacia do rio Camaçari, região metropolitana de Salvador. Depois, Jaques Wagner entrou no avião presidencial e seguiu com Dilma para a viagem a Cuba e Haiti. Ele foi o único governador a acompanhar a presidente.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

31/01/2012 às 6:23

Ministros de Dilma gastam mais que os de Lula com jatinhos

Por Lúcio Vaz, na Folha:
Os ministros da presidente Dilma Rousseff gastaram 19% a mais do que os ministros de Lula com viagens em jatinhos da FAB (Forças Aérea Brasileira) nos dez primeiros meses do ano passado. A comparação foi feita com o período de janeiro a outubro de 2007 (primeiro ano do segundo mandato do ex-presidente Lula). Os titulares da Esplanada dos Ministérios de Dilma usaram R$ 15,3 milhões em recursos públicos no ano passado, enquanto os auxiliares de Lula fizeram despesas de R$ 12,9 milhões em 2007. Já as viagens da presidente Dilma custaram pouco mais da metade das realizadas pelo seu antecessor no mesmo período.

As despesas da presidente ficaram em R$ 11,6 milhões em dez meses do ano passado, contra R$ 22,4 milhões de Lula de janeiro a outubro de 2007, em valores de horas-voo já atualizados. Além dos custos com o avião presidencial, um Airbus 319, há despesas com o deslocamento de um escalão avançado, de um avião reserva e de missões à disposição da Presidência. Na viagem em que Dilma passou pela Bulgária, país dos seus ancestrais, o custo total com os deslocamentos ficou em R$ 994 mil. Mas o roteiro também incluiu Bélgica, Turquia e Portugal.

Se somadas as viagens da presidente, do vice-presidente Michel Temer (PMDB), dos ministros e dos presidentes da Câmara e do Senado, foram gastos R$ 30,3 milhões de janeiro a outubro de 2011. Os dados são inéditos e constam de requerimento de informação feito ao Ministério da Defesa a pedido da Folha, que revelou no domingo quanto Temer e os ministros de Dilma despenderam com os jatinhos no período. As aeronaves são utilizadas para cumprir agendas oficiais e também nos deslocamentos para casa, o que está regulamentado no decreto 4.244/2002. Muitos ministros marcam compromissos oficiais e políticos nos seus redutos eleitorais nos finais de semana.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 22:26

Na Bahia, Dilma não chamou de “barbárie” cozinheira que ficou cega de um olho em ação da PM; preferiu criticar governos passados

Na Bahia da cozinheira cegada pela Polícia, Dilma fez o discurso que vocês verão abaixo. Mais tarde, volto ao assunto.

Na Bahia, Dilma critica governos que precederam PT

Por Tiago Décimo, na Agência Estado:
A presidente Dilma Rousseff disse hoje, durante evento realizado em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, que o Brasil não sofre efeitos maiores da crise econômica mundial por ser um país “diferente”. “Hoje, no mundo, nós vemos países até então desenvolvidos serem países que lideram o campeonato de quem mais desemprega no mundo - o Brasil é diferente, nosso modelo é diferente dos outros modelos”, afirmou a presidente.

“Para nós, o Brasil vai crescer se as pessoas melhorarem de vida, porque, para nós, quem é a maior força que empurra o Brasil para a frente é seu povo, porque são consumidores, trabalhadores, empresários. São aquelas pessoas que criam aquele ciclo muito bom, que uma coisa puxa a outra. Quem consome, ao mesmo tempo cria oportunidade e, com isso, a roda vai girando e o Brasil vai crescendo”, disse a presidente. Dilma participou, na cidade baiana, da assinatura da ordem de serviço para o início das obras de revitalização urbanística da Bacia do Rio Camaçari.

O projeto de urbanização da bacia hidrográfica prevê, além da construção da rede de saneamento básico da região, da recuperação ambiental da área, da proteção de encostas e da instalação de rede de iluminação pública, ao custo de R$ 163 milhões, a construção de 2.357 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, destinado a famílias com renda de até R$ 1,6 mil. Os investimentos previstos são de R$ 112 milhões e a população beneficiada é estimada, pelo governo, em 90 mil pessoas.

Habitação
Durante o discurso, Dilma também criticou os governos anteriores ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ela, não davam importância à política habitacional. “O Brasil passou mais de 20 anos sem ter uma política real de habitação”, afirmou. “Isso mostra a pouca importância que lideranças políticas e governos deram a uma questão que é essencial. A casa é, talvez, a coisa mais importante para qualquer família. É a garantia de segurança, de proteção e acolhimento para nossas crianças, nossos filhos.”

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 22:17

Henrique Meirelles defende aliança de Kassab com o PT

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Em reunião da cúpula do PSD em São Paulo, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles voltou nesta segunda-feira a defender que o partido do prefeito Gilberto Kassab apoie o pré-candidato do PT, Fernando Haddad. “Sempre manifestei minha simpatia pelo candidato do ex-presidente Lula e do PT. Mas vamos aguardar a decisão do partido”, afirmou.

Cotado para ser o vice de Haddad, Meirelles não descartou a possibilidade de integrar a chapa petista, mas disse não ter se filiado ao PSD para isso. “Não é o objetivo. Entrei para fazer o programa econômico do partido”, desconversou. Ele disse ainda que a sigla deve estar “sempre aberta a alianças”.

Kassab convocou reunião após dirigentes do PT manifestarem incômodo com a aproximação do PSD. Rui Falcão, presidente nacional do partido, disse que o PT “não cogita” uma aliança com o prefeito de São Paulo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 22:11

Dilma humilha Negromonte mais um pouco. Pra quê?

Dilma humilha, como vocês verão, o ministro Mário Negromonte mais um pouco. Pra quê? Não é ela quem manda? Leiam o que vai na VEJA Online, por Gabriel Castro:
O governo determinou a exoneração do chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério das Cidades, João Ubaldo Coelho Dantas. A demissão foi oficializada nesta segunda-feira por meio do Diário Oficial e é assinada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ubaldo é mais um aliado do ministro Mário Negromonte a perder o cargo. O servidor exonerado era encarregado de negociar as emendas parlamentares - foco de parte das suspeitas que recaem sobre a aplicação dos recursos da pasta. 

O processo de fritura de Negromonte, cada vez mais frágil no cargo, teve início ainda em agosto do ano passado. Reportagem de VEJA mostrou que o ministro havia oferecido 30 000 reais a deputados de seu partido, o PP, em uma tentativa de manter a influência de seu grupo político dentro da legenda.

De lá para cá, não faltaram escândalos no currículo de Negromonte: ele foi, por exemplo, flagrado fazendo promoção pessoal e de seu filho em um evento custeado com verbas do ministério no interior da Bahia. E foi acusado de se reunir com lobistas de uma empresa que, depois, venceria uma concorrência para a área de informática da pasta.

Antes do chefe da Assessoria Parlamentar, o chefe de gabinete do ministério, Cássio Peixoto, perdera o cargo na semana passada. A situação de Negromonte é frágil porque, além de perder apoio do governo, ele não tem respaldo nem mesmo dentro do próprio partido - que só não entregou ainda a cabeça do ministro porque teme perder o controle sobre o orçamento bilionário das Cidades.

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 21:32

Do capítulo “aulas de bom e de mau jornalismos” - Polícia Militar do PT deixa mais uma pessoa cega de um olho, agora uma cozinheira da Bahia

Vejam esta foto.

cozinheira-cega

Essa mulher estava num show do Olodum, no Pelourinho, em Salvador, no dia 22. Houve lá uma confusão, a Polícia Militar interveio, ela foi agredida por policiais e ficou cega do olho esquerdo. A Bahia é governada pelo figurão petista Jaques Wagner.

Agora vejam lá o meu título. É claro que estou forçando a barra. Estou imitando o mau jornalismo que os petistas fariam se isso tivesse acontecido em São Paulo.

Até agora, Maria do Rosário não falou nada!
Até agora, Gilberto Carvalho não falou nada!
Até agora, Dilma Rousseff não falou nada.

O tal Paulo Maldos e seu anel de tucum também vão ficar fora dessa história.

Em menos de um mês, é a segunda vez que a Polícia Militar sob o comando de progressistas deixa uma pessoa cega. A outra vítima é o estudante Hudson Silva, da Universidade Federal do Piauí, num protesto contra a elevação da tarifa dos ônibus em Teresina. O estado é governado pelo PSB e pelo PT.

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Também no caso de Hudson, Maria do Rosário havia se calado.
Também no caso de Hudson, Gilberto Carvalho havia se calado.
Também no caso de Hudson, Dilma Rousseff havia se calado.

Não conheço as circunstâncias de uma ocorrência e de outra. Lamento as conseqüências. Mas é preciso responsabilidade.

O que eu sei?
Fosse em São Paulo, as duas ocorrências seriam destaque em todos os telejornais. Como se deram em estados governados por companheiros, não se diz uma vírgula.

Fosse em São Paulo, Fábio Konder Comparato, Márcio Sotello Felippe e Sérgio Salomão Shecaira já teriam redigido uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Não é a defesa dos direitos humanos que torna toda essa gente asquerosa, mas a defesa seletiva. Vai ver que os cegados pelas polícias dos “companheiros” o foram por bons motivos.

Imaginem uma ocorrência como essa no Pinheirinho… Graças a Deus, não aconteceu!

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 20:46

A uma estudante bravinha do PSTU: “Go into the light, Arielli! There is peace and serenity in the Light”

Ah, já que eles querem mais publicidade, podem contar comigo. Eu adoro expor os seus métodos! Revejam esta foto. É aquela moça que decidiu “argumentar” com Andrea Matarazzo, secretário da Cultura do estado de São Paulo e um dos pré-candidatos tucanos à Prefeitura da Capital, na inauguração da nova sede do MAC-USP.

miitante-descontrolada1 

Cheguei a pensar, como escrevi num post, tratar-se de outra estudante, que havia feito uma convocação para o protesto. Mas fiz a correção, a saber:
“A convocação mais entusiasmada para o ato está na página de Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está. É daquela turma contrária à presença da PM no campus, entenderam? Cheguei a pensar que fosse ela.”

Otorrinolaringologistas e pesquisadores do palato do país inteiro enviaram mensagens ao blog querendo saber quem é ela. Matéria de curiosidade científica. Não sei bem por quê. Agora sei. Trata-se, na verdade, de Arielli Tavares Moreira, que já está nos blogs de esquerda orgulhando-se, pelo que se vê, de seu ato. Ela é militante do PSTU, diretora do Centro Acadêmico das Letras da USP e dirigente da Assembléia Nacional dos Estudantes Livres. Essa tal “Assembléia”, de que vocês, provavelmente, nunca ouviram falar, pretende ser uma UNE alternativa… Alguém dirá: “Que bom!” Atenção, é uma dissidência pela esquerda, entenderam?

O Centro Acadêmico das Letras é aquele que “decretou” greve de estudantes numa assembléia manipulada e acabou desmoralizado pelos próprios alunos, que tiveram de “ocupar” o prédio da faculdade, que havia sido interditado pelos truculentos. O filme com o “Occupy Letras - Versão do Bem” segue abaixo. Revejam depois.

São dois exemplos da democracia de que Arielli gosta. Num dos sites em que ela se mostra orgulhosa do seu feito, diz sobre Matarazzo (segue como está no original):
“[O secretário] apontou o dedo pra mim e me chamou de ‘mal-educada’. De fato, para a ideologia burguesa, hipocrisia é sinônimo de educação, e dizer a verdade sem meia palavras não é de bom tom. Tomado pelo ímpeto professoral de quem insiste em dar ‘aulas de democracia’, ele continuou se aproximando e me chamando de mal-educada. Em seguida um de seus assessores conseguiu convencê-lo a entrar no carro, e ele foi embora.”

Pô, estou gostando de Matarazzo cada vez mais. A exemplo de Mário Covas, não aceita ser ofendido de graça por gente que não respeita parâmetros mínimos de civilidade. Ah, sim: eu não afirmei que Rafaela ou Arielli eram filiadas ao PT. Escrevi que uma das páginas que a primeira acompanhava era a da “Corrente Marxista do PT”

PS - Não sei que idade tem esta jovem senhora. Eu era da Convergência Socialista quando tinha 15… A Convergência resultou no PSTU. Pois é… Há 35 anos, eu já não argumentava com as amígdalas linguais e achava que mais importantes eram as amígdalas cerebelosas…

PS2 - Por favor, espalhem este post. Arielli acha que isso é bom pra ela, pelo visto. E eu acho bom para Andrea Matarazzo, o meu candidato à Prefeitura de São Paulo.

PS3 - Arielli faz questão de assinar o seu feito — deve contar pontos na escala da militância —, e eu também faço. Atenção, o nome dela é Arielli, tá, pessoal? Ela acha que, “para a burguesia, hipocrisia é sinônimo de educação”. Entendi. Vai ver, para a turma de Arielli, “educação é que é sinônimo de hipocrisia”. Por isso ela decidiu ser tão sincera!

Queridos comentaristas, sem ofensas para a moça. Só palavras doces. Vamos repetir a anãzinha (oopps! A verticalmente prejudicadinha) Tangina, sobre a “boa luz”, ao tentar salvar Carol Ann em Poltergeist:

“Cross over children. All are welcome. All welcome. Go into the Light. There is peace and serenity in the Light.”

Sim, o PSTU é o partido que mandava no Pinheirinho…

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 19:08

Ah, agora entendi o anel do homem de Carvalho…

No post anterior, publico algumas fotos de Paulo Maldos, assessor de Gilberto Carvalho, presente à desocupação do Pinheirinho. Vejam a satisfação com que ele exibe a tal bala de borracha. Chamo ali a atenção para aquele anelzinho escuro, que vejo nas mãos de muitos “progressistas”. Leitores me alertam que está tudo explicadinho na Wikipedia. Seria um sinal de adesão à Teologia da Libertação — que costumo chamar de “Escatologia da Libertação” — ou, mais amplamente, a seus valores. Vocês verão a explicação.

Entendo. Já vi, acho que vi, o tal anelzinho nas mãos de jornalistas também. Pergunta óbvia: isso não significa, de saída, a evidência de compromisso e comprometimento com um grupo, não com a isenção?  Em que isso é diferente da exposição do emblema ou logo de um partido?

Segue transcrição do que  vai na Wikipedia:

Anel de tucum é um anel feito da semente de tucum, uma espécie de palmeira nativa da Amazônia. É utilizado por fiéis cristãos como símbolo do compromisso preferencial das igrejas, especialmente da Igreja Católica, com os pobres.

O anel tem sua origem no Império do Brasil, quando jóias feitas de ouro e outros metais nobres eram utilizados em larga escala por membros da elite dominante para ostentarem sua riqueza e poder. Os negros e índios, não tendo acesso a tais metais, criaram o anel de tucum como um símbolo de pacto matrimonial, de amizade entre si e também de resistência na luta por libertação. Era um símbolo clandestino cuja linguagem somente eles compreendiam.

Mais recentemente, a utilização do anel de tucum foi resgatada por fiéis cristãos, especialmente adeptos da teologia da libertação, com o objetivo de simbolizar a aliança das igrejas com os pobres e oprimidos da América Latina, especialmente por fiéis católicos após o Concílio Vaticano II e as Conferências Episcopais de Medellín e de Puebla.[1]

Anel de Tucum e Bíblia Edição Pastoral.O anel de tucum foi tema de documentário homônimo dirigido por Conrado Berning em 1994. No filme, o bispo católico Dom Pedro Casaldáliga, um dos entrevistados, explica da seguinte maneira a utilização do anel:

” Este anel é feito a partir de uma palmeira da Amazônia. É sinal da aliança com a causa indígena e com as causas populares. Quem carrega esse anel significa que assumiu essas causas. E, as suas conseqüências. Você toparia usar o anel? Olha, isso compromete, viu? Muitos, por causa deste compromisso foram até a morte. “

Embora o anel de tucum, tenha sido originalmente criado para simbolizar o matrimônio entre escravos e índios, atualmente, em meios cristãos, o anel é usado para representar a preocupação com causas populares, e pela igualdade. Católicos tradicionalistas por sua vez, especialmente devido a forte ligação entre os usuários do anel de tucum e a teologia da libertação, consideram que este “é uma ostentação de pobreza. E ostentar virtude é vaidade que anula toda virtude. Usar isso, para demonstrar amor aos pobres, mais é demagogia do que virtude. Se alguém é realmente pobre, deve praticar essa pobreza e o desprezo das riquezas, sem ostentação, porque se não é pura vaidade e desejo de ser considerado pobre e bom. Isso é orgulho mascarado de pobreza”.

O anel e a estrovenga na mão de Maldos

O anel e a estrovenga na mão de Maldos

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 18:09

Por que o assessor de Gilberto Carvalho tem essa estrovenga na mão e exibe esse ar de perversa satisfação?

Vejam esta foto:

paulo-maldos-quatro

Foi publicada na edição de sábado do Estado. Este que aparece aí é Paulo Maldos, assessor do ministro Gilberto Carvalho. Isso que ele tem na mão, que exibe por aí como um troféu nas mais variadas circunstâncias (vocês verão), é uma bala de borracha que, segundo ele, o atingiu durante a reintegração de posse do Pinheirinho.

A imagem NUNCA DIZ MAIS DO QUE MIL PALAVRAS. A imagem pode sintetizar milhões delas, que, ainda assim, precisam ser ditas e escritas para que tenhamos ainda mais clareza do objeto tratado.

Olhem a cara de Maldos.
Insatisfação?
Indignação?
Dor?
Fúria?
Rancor?
Revolta?

Não!
O nome do que se vê acima é prazer!
Se, agora, fosse o caso de evocar Freud, teria de visitar os meandros do masoquismo — o homem que se afeiçoa ao instrumento que o machuca. Mas é bom deixar o doutor de lado. Isso está mais para Marx — um Marx mixuruca, mas está. Aquele rosto que se vê ali é de vitória. Voltem lá. O que fazem aqueles olhos voltados sabe-se lá para onde? Ele posa para o fotógrafo, mas mira uma outra coisa. Nota à margem: também ele exibe aquela aliança ou anel preto, que vejo nas mãos de muitos “progressistas”. O que significa? Não tenho a menor idéia. Vai ver esquerdistas nascem com predisposição para anéis pretos… Se alguém tiver alguma explicação melhor…

Já que ninguém perguntou, então pergunto eu: o que fazia Maldos em plena madrugada de domingo, lá no Pinheirinho? “Ah, estava lá para proteger a população”, poderiam responder o militante e o ingênuo. Mas proteger do quê? “Ora, Reinaldo, da reintegração de posse!” Ah, havia a decisão da reintegração, certo?, de cumprimento obrigatório pela Polícia Militar? Então Carvalho e Maldos sabiam que ela iria acontecer, como sabiam os tais “líderes” do Pinheirinho, mas engabelaram os moradores, mantendo-os na ignorância.

Eis aí. Parece que o objetivo era mesmo usar o lombo dos pobres em benefício de uma causa política.

Ora, todo mundo sabe que uma operação de ocupação envolvendo três mil pessoas (nem 9 mil nem 6 mil) tende mesmo a ser conflituosa, especialmente quando há a disposição para reagir à ação da polícia. Ainda assim, não houve o esperado “massacre”.

Pergunto: o que distingue, nesse caso, o trabalho de Maldos do de um agitador qualquer? Em que ele se diferencia de um agente infiltrado, disposto a investir no quanto pior, melhor? Carvalho falta com a verdade de modo absoluto ao afirmar que estavam em curso “negociações”. Não estavam mais! Isso a juíza já deixou claro de modo insofismável. Elas já haviam sido encerradas. Também estava definida a incompetência da Justiça Federal para cuidar do caso.

Os moradores do Pinheirinho, em suma, estavam à mercê de oportunistas, que se prepararam para o banho de sangue que não houve. E a operação “de resistência”, àquela altura, estava sendo coordenada, como se vê, pelo gabinete de Gilberto Carvalho, assim como o de Maria do Rosário comandou a tentativa de sabotagem à retomada da área em que ficava a cracolândia — essa operação apoiada por 82% dos paulistanos.

Este Maldos ser apresentado como uma vítima ou herói do Pinheirinho é evidência da degradação intelectual de consideráveis setores do jornalismo. E não que ele tente disfarçar, não é mesmo? Ele posou (Emir Sader escreveria “pousou”) para outras fotos. Numa delas, não resiste e ri a pregas soltas, como se diria em português castiço, sempre com a estrovenga na mão.

paulo-maldos-foto-diogo-alcantara

paulo-maldos-foto-tres

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 17:04

Mais um pouco sobre a anunciada luta do PT com os evangélicos. Há teoria que explica a convocação de Gilberto Carvalho

Há gente que ficou um tanto surpresa com a intenção do PT, anunciada por Gilberto Carvalho — o homem mais poderoso no partido, depois de Lula — de disputar com os evangélicos a adesão da chamada “classe C”. Outros ainda dizem que estou forçando a barra e coisa e tal… Forçando a barra por quê? As palavras são de Carvalho, não minhas. De resto, tenho um certo histórico de acerto no que diz respeito ao partido, não é? Ainda me orgulho de ter escrito em 2002 que, se eleito, Lula seria mais, digamos assim, “conservador” na economia do que José Serra. Já disse que não acho que o PT seja “socialista” à moda antiga; ele é autoritário (à moda antiga ou moderna…). Mas sigamos.

Não há surpresa nenhuma! O objetivo do PT sempre foi se estabelecer como partido único. Isso não implica proibir ou exterminar pela via cartorial as outras legendas. O esforço é para torná-las irrelevantes. E tem sido bem-sucedido. Um de seus segredos é não ter princípios. Vale tudo para conquistar o poder e nele se manter. Querem um exemplo? Se os petistas fizerem uma aliança com Kassab, vão protegê-lo na campanha eleitoral. Se não fizerem, vão atacá-lo. Eles acham o prefeito bom ou mau? Depende… Ele estará de que lado?

Os entes políticos estão devidamente domesticados. Na imprensa, a presença já é grande, mas a crítica ainda resiste, daí o esforço de cooptação. Lula tentou o método da censura. Não deu certo. Então se vai por outro caminho: criar e sustentar a “imprensa amiga”. Está em curso. Não é o suficiente. É preciso, diz Carvalho, levar a “mídia independente” (leia-se: estatal) para os pobres que entram no mundo do consumo.

Ocorre que os evangélicos têm uma forte presença nessas fatias da população. Além da crença em Deus, há um conjunto de valores que constitui as igrejas, muitos deles opostos ao petismo. E isso explica por que, ainda que aliado a muitas correntes evangélicas hoje, o PT as considere, no médio prazo, forças a serem vencidas. Está tudo na teoria. Gramsci explicou direitinho. Ao explicar o que deve ser “O Partido” na sociedade, que ele chama “Moderno Príncipe”,  escreveu:
“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.

Isso significa que também a religião só será virtuosa ou criminosa na medida em que servir para aumentar o poder do partido ou para se opor a ele. O cristianismo que se opõe ao aborto, por exemplo, se contrapõe ao PT, ao Moderno Príncipe. E é preciso vencê-lo. Uma das forças que movem a crença evangélica — o incentivo ao esforço pessoal, que não fica à espera das doações do estado — também é hostil ao “mercado de almas” onde o PT fisga os seus “fiéis”.

Há correntes evangélicas que se aproximaram do governo em busca de benefícios, especialmente na área de telecomunicações. Nesse caso, a religião é usada apenas como pretexto para bons negócios. Aquelas que realmente se ocupam da fé e dos valores cristãos estão na mira da turma que não pode admitir a existência de uma outra igreja que não “o partido”.  

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 16:17

Dilma, a mãe durona e incompetente. Ou: Relação de brasileiros e de imprensa com o governo nunca foi tão infantilizada! Freud complica!

Sugiro aos leitores que façam depois uma pesquisa na área de busca do blog, à direita da foto deste escriba (preciso trocar, agora que deixei a cabeleira crescer…) com as palavras “creche Dilma primeiro ano” (sem as aspas). Vejam lá o resultado. Venho fazendo a conta do estelionato eleitoral da presidente desde… bem, desde fevereiro do ano passado, e ela estava apenas no segundo mês de mandato.

No dia 22 de fevereiro do ano passado, escrevi um texto intitulado “Dilma, o dividendo, o divisor e o quociente do estelionato eleitoral”, de que reproduzo um trecho (em azul):
Dilma prometeu entregar 3,288 quadras esportivas em escolas neste ano. No dia 1º de janeiro, isso significava 9,01 por dia. Como não se fez nenhuma, agora, já são 10,5. Também garantiu construir 1.695 creches só em 2011 - 5 mil até 2014. São 5,42 creches a cada um dos 313 dias que faltam para encerrar o ano. Também neste ano, asseverou que seriam feitos 723 postos de policiamento comunitário -2,31 por dia agora. Unidades Básicas de Saúde seriam 2.174 neste ano: 6,95 por dia a partir de hoje. E, claro, há as UPAs, aquelas capadas pela metade: agora há 313 dias para entregar 125 unidades: 0,4 por dia.
Ao fim desta terça, Dilma terá deixado de entregar:
- 10,5 quadras;
- 5,42 creches;
- 2,31 postos policiais;
- 6,95 Unidades Básicas de Saúde;
- 0,4 UPA

Dilma ruim de serviço
Os petralhas ficavam sempre muito bravos. “Como? Você já está cobrando?” Ora, parodiando Camões, para tão grande obra, tão curto o mandato, não é? Como demonstrei no dia 26 de setembro do ano passado, Dilma é muito ruim de serviço. E não é de hoje. Toda a infra-estrutura brasileira, que patina no atraso, especialmente portos, aeroportos e estradas, estava sob o seu domínio no governo Lula. Desde quando ministra, ela sempre FOI MUITO COMPETENTE EM CRIAR A FAMA DE QUE É COMPETENTE. E assim foi avançando…

A imprensa, no geral, é fascinada por essa imagem da “Dilma mandona, que faz e acontece”. O Estadão de domingo fez uma edição particularmente interessante. Na página A4, lia-se: CEO do governo”, Dilma escala Gerdau para cobrar ministros e definir metas. Deixo para a ironia da história o fato de ser um empresário o homem encarregado, no Partido dos Trabalhadores, de cobrar eficiência dos companheiros… A matéria seguinte, na página A8, tinha este título: Broncas em público, rotina do Planalto. Éramos então informados de que Dilma não se constrange em fazer os ministros passar carão. Dá bafão mesmo! Huuummm… A terceira reportagem a abrir uma página de política, na A10, informava: Governo fecha 1º ano sem concluir nenhuma creche. Entendo.

Com qual Dilma você fica, leitor? Com a que sai distribuindo pitos, que chama o Poderoso do Bairro Peixoto para puxar a orelha de todo mundo, ou com aquela nossa velha conhecida, que promete a enormidade de 1.695 creches só no primeiro ano — 6 mil em quatro anos!!! — e que encerra 2011 sem entregar um miserável prédio de pé? Com a que prometeu acrescentar dois milhões de casas àquele milhão do programa “Minha Casa, Minha Vida” ou com a Dilma de verdade: tudo o mais constante, os três milhões de unidades só serão entregues daqui a uns 20 anos?

Talvez seja o nosso lado sentimental, não sei… Quem sabe haja algo de coletivamente edipiano nessa relação… O fato é que a imprensa, na média, é fascinada por homens sensíveis e por mulheres enérgicas. Sempre se apreciou em Lula o seu lado meio bonachão, um tanto amoroso, tendente ao confessional — tudo devidamente estudado e calculado pelo marketing petista. Mas ele sempre foi muito convincente no papel. Chora com impressionante facilidade. Há, curiosamente, algo de feminil em sua personalidade rascante. Já na Soberana se apreciam as supostas características que fogem ao estereótipo feminino: autoritária, ríspida, durona. E tudo faz um enorme sentido.  Não por acaso, os homens aderiram a Dilma antes das mulheres… Saudade da autoridade materna: “Lavou as mãos, moleque? Tomou banho? Limpou as orelhas? Chacoalhe bem o pipi depois de fazer xixi pra não sujar a cuequinha…”

A relação da média dos brasileiros e de amplos setores da imprensa com o governo nunca foi tão infantilizada, desde o primeiro mandato de Lula. Até o jornalismo tende a hostilizar os políticos movidos pelo racionalismo e por cálculos frios. Prefere a abordagem amorosa, extremada, seja o afeto do pai generoso (Lula), seja o rigor da mãe cobradora (Dilma). Nesse ambiente, dane-se a eficiência. Convenham, nas famílias, esse não é um critério de aceitação ou rejeição…

Isso tudo explica por que se escreveram quilômetros de texto ironizando o “FHC intelectual”, mas sempre pareceu um crime fazer blague com a ignorância afirmativa e propositiva de Lula.  

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 14:59

O cotidiano surrealismo da Cidade Maravilhosa - Explosão de bueiro no Rio deixa um morto e dois feridos

Por Cecília Ritto, na VEJA Online:
A explosão de um bueiro na zona portuária do Rio de Janeiro deixou uma pessoa morta e duas feridas na manhã desta segunda-feira. As informações são da Secretaria de Defesa Civil do estado. Equipes do Corpo de Bombeiros estão no local. O incidente foi registrado na Avenida Rio de Janeiro, próxima do início da Avenida Brasil, na altura do armazém 30, por volta das 10h. O trabalhador morto foi identificado como Rafael Martins de Souza, 35 anos. Os feridos foram Paulo Bento Pereira, 52 anos, e Carlos Ribeiro, também de 52. Ambos foram encaminhados para o hospital Souza Aguiar, centro do Rio.

Um dos feridos teve o braço imobilizado. Outro apresentava uma fratura exposta. Ainda não há informações sobre os nomes das vítimas. O bueiro - a tampa de uma galeria pluvial - foi arremessado para o alto.  O presidente da Companhia Docas, que administra o porto, Jorge Mello, afirmou que uma das hipóteses considerada para o acidente é a presença de óleo na galeria pluvial. As três vítimas faziam uma operação de solda na região. “Tem muito óleo na galeria, isso pode ter gerado uma fagulha”, disse Mello.

Os feridos e o funcionário que morreu integravam uma equipe da empresa Triunfo, que opera no porto e presta serviço para várias companhias, entre elas a Petrobras. No local do acidente há forte cheiro de óleo diesel. O presidente da Docas reforçou que o acidente não tem relação com as concessionárias Light, de energia, e CEG, de distribuição de gás. As duas empresas, depois de uma série de explosões na cidade, tornaram-se vilãs para esse tipo de episódio, e assinaram termos de ajuste de conduta para reduzir os riscos de explosões desse tipo. As operações no porto, na altura do acidente, foram paralisadas para que sejam investigadas as causas do acidente.

Até então, o caso mais grave decorrente da explosão de um bueiro aconteceu em junho do ano passado, em Copacabana. Um casal de turistas americanos foi gravemente ferido. Sara Nicole Lowry, de 28 anos, teve 80% do corpo queimado e ficou cerca de dois meses hospitalizada. O marido dela, David McLaugheim, teve queimaduras em 35% do corpo. No mesmo bairro, já em 2011, outra explosão fez a tampa do bueiro atingir um táxi. Uma cratera abriu-se na via e causou pânico entre os pedestres e motoristas.

A Companhia Docas divulgou o seguinte comunicado:
“A Companhia Docas do Rio de Janeiro informa que ainda são desconhecidas as causas do acidente na manhã desta segunda-feira no armazém 30, na área de operação da Triunfo Logística, no Porto do Rio. Segundo as primeiras informações, trabalhadores portuários faziam no local um serviço de solda quando um bueiro de águas pluviais existente nas proximidades explodiu. O trabalhador morto foi identificado como: Rafael Martins de Souza, 35 anos. Outros dois feridos, Paulo Bento Pereira, 52 anos e Carlos Ribeiro, também de 52, foram encaminhados pela ambulância do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) ao hospital Souza Aguiar, centro do Rio.” 

Por Reinaldo Azevedo

 

O PT, que dá a oposição como liquidada, estuda agora um futuro confronto com os evangélicos

O fato mais importante da semana passada se deu na sexta-feira, em Porto Alegre. Seu protagonista é Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e olhos, ouvidos e mão — pesada! — de Luiz Inácio Lula da Silva no governo. Carvalho é o homem que guarda os arcanos petistas, os seus segredos, os seus porões. Depois do Babalorixá de Banânia, é quem mais conhece o partido. Transita em todas as esferas, especialmente no mundo sindical — e o sindicalismo nunca foi para pessoas de estômago fraco. O de Carvalho é de avestruz. Não por acaso, ele foi o principal articulador do PT nos eventos pós-morte de Celso Daniel. Foi quem organizou a reação do partido e determinou o papel que cada um deveria desempenhar. Tinha sido braço-direito do prefeito. Segundo irmãos de Celso, confessou-lhes que levava malas de dinheiro do esquema de corrupção de Santo André para o PT — no caso, para José Dirceu. Ambos negam, é evidente. Mas volto.

O evento mais importante foi a palestra de Carvalho a militantes de esquerda no Fórum Social de Porto Alegre. É aquele evento que contou, na sua fase palaciana, com a presença do terrorista e assassino Cesare Battisti, a quem os petistas deram guarida. Para Carvalho, no entanto, “terrorista” é a polícia de São Paulo… Esse foi o trecho politicamente mais delinqüente de sua fala, mas não foi o principal.

Depois de confessar que o governo quer criar uma mídia estatal para a chamada “classe C” — que, segundo Carvalho, não poderia ficar à mercê da mídia conservadora —, ele avançou: é preciso fazer uma disputa ideológica com os líderes evangélicos pelos setores emergentes!

Uau! Não pensem que isso é feito assim, na louca, sem teoria — nem que seja uma teoria aprendida, não exatamente lida. Esse pensamento de Carvalho tem história.

Os petistas, embora não o digam em público, consideram que a oposição está liquidada. Conversei dia desses com um intelectual petista que se mostrava, até ele, escandalizado com a incapacidade da oposição de articular o discurso conservador para se opor ao suposto “progressismo” do PT. Ele também estranhava o que vivo estranhando aqui: será o Brasil a única democracia do mundo com medo dos eleitores que estão mais à direita no espectro político? Pelo visto, sim! Lá na suas tertúlias, os petistas chegam a zombar dessa covardia.

Notem, a propósito, que os únicos momentos em que demonstram realmente alguma aflição e põem as suas hordas na rua é quando temem que a população adira ao discurso da ordem: então mobilizam seus bate-paus para confrontos com a polícia. Assim, podem sair gritando: “Fascistas!” Se e quando a oposição souber falar essa linguagem de modo eficiente e moderno, o PT pode ter problemas. Mas a aposta dos companheiros é que isso não vai acontecer. Tucanos, por exemplo, são reféns de sua “ilustração”.

A outra força
A força que o partido teme é justamente a religiosa. E, no caso, não é a Igreja Católica que os preocupa. Embora tenha cooptado o PRB — o partido da Igreja Universal do Reino de Deus, do auto-intitulado “bispo” Edir Macedo, dono da Record —, o PT sabe tratar-se de uma vistosa, mas pequena parte dos evangélicos. Seguindo os passos da teoria gramsciana, o “partido” tem de se consolidar como um “imperativo categórico”, de modo que toda ação concorra para fortalecê-lo. Mesmo os movimentos de crítica e reação hão de estar subordinados a este ente. Haver organismos, entidades, grupos ou religiões que cultivem valores fora do abrigo do partido é inaceitável.

Os “pensadores” do PT querem começar a criar as condições para limitar ou anular a influência das igrejas evangélicas especialmente nas questões relativas a costumes. O projeto petista se consolida é com a completa laicização da sociedade, sem espaço para a moral privada ou de grupo. Teses como descriminação do aborto, legalização das drogas, união civil de homossexuais, proselitismo sexual nas escolas (nego-me a chamar de “educação” o tal kit gay, por exemplo) tendem a encontrar resistência. E as vozes que lideram essa resistência costumam ser justamente as dos evangélicos. Setores da Igreja Católica também reagem, sim, mas sabemos que a Santa Madre está infestada de esquerdistas de batina (ou melhor: sem batina!).

Ora, conjuguemos as duas propostas de Carvalho, feitas no Fórum Social: ele quer o estado produzindo “informação” para a classe C justamente para disputar almas com os evangélicos. O PT chegou à fase em que acredita que pode também ser “igreja” — e seu “deus”, como se sabe, é o Apedeuta… Os petistas ainda não engoliram o recuo que tiveram de fazer em 2010, no debate sobre o aborto, por causa da pressão dos cristãos.

Os cristãos evangélicos entraram no alvo de médio prazo do PT. Cuidem-se ou serão também engolidos.

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 6:51

O comentário de Nelson Breve, diretor-presidente da EBC, enviado a este blog

Na semana passada, fiz críticas aqui ao trabalho da Agência Brasil, divisão da EBC, a empresa pública, federal, de comunicação. Acusei partidarismo e mau jornalismo na cobertura do caso Pinheirinho. Nelson Breve, diretor-presidente da EBC, enviou um comentário ao blog. Já trabalhamos juntos,como contei aqui,há coisa de uns 20 anos. Tínhamos um relacionamento cordial, amigo. Breve enviou um comentário ao blog. Só publico agora porque quis me certificar de que a mensagem era mesmo de sua autoria. Como ele estava de férias — parece que retorna ao hoje às atividades normais —, a confirmação demorou um tantinho. Segue o comentário. Volto em seguida.

Caro Reinaldo,
estou de férias há quase duas semanas com minha filha e fiquei desconectado até ontem, quando me informaram resumidamente os acontecimentos. Pedi apuração rigorosa. Você me conhece e sabe que não compactuo com o mau jornalismo. Assim que tiver o relato detalhado, lhe passarei todas as informações para que forme melhor juízo. Peço apenas que não julgue precipitadamente, principalmente usando os termos ofensivos que encerram a nota acima. Respeitosamente,
Nelson Breve

Voltei
Acho positivo que Breve tenha tomado a iniciativa de pedir uma apuração dos fatos ocorridos na Agência Brasil, que a levaram a emprestar a sua credibilidade a “não-fatos”, atropelando todos os procedimentos técnicos razoáveis do jornalismo. E é também decente que tenha se preocupado em deixar isso claro. Vamos ver. Nos comentários, recomendo que nos concentremos na necessidade de corrigir o mau procedimento.

Como deixei claro, o Nelson que conheci, com efeito, não compactuaria com o mau jornalismo — e o Reinaldo que ele conheceu, ele sabe, também não. Fica tudo no passado, reitero, porque não nos falamos há uns 20 anos. Nem eu nem ele temos por que nos envergonhar do nosso passado profissional. Breve me conheceu na chefia de uma redação com uns 100 jornalistas, num ABC em que o petismo já era hegemônico. Sabe os critérios profissionais com os quais operava e opero ainda. Ele era candidato a repórter no jornal. Dados seu texto, perfil e formação, achei que o melhor para ele e para o jornal seria a edição. E assim foi. Ambos morávamos em São Paulo e vínhamos para casa, com freqüência, no mesmo carro, já no começo da madrugada. Mantínhamos, no percurso, uma conversa fraterna e animada.

Muito bem! Bati duro, sim — não em Breve, mas na empresa que está sob sua direção, chamando a sua responsabilidade. A Agência Brasil cometeu uma falha gravíssima, de que tratei aqui e aqui. Sei como são as coisas. Assim como eu não podia, na chefia de uma redação com uma centena de pessoas, responder por todos os textos publicados, não creio que Breve possa ser individualmente responsabilizado pela barbeiragem cometida pela Agência Brasil. A menos que, uma vez caracterizada e evidenciada, ela reste sem a devida reparação; nesse caso, então, uma escolha estará sendo feita.

Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 6:50

Nós e a juíza que honra o estado de direito e a democracia

Publiquei ontem aqui a excelente entrevista da juíza Márcia Mathey Loureiro, que deu a sentença de reintegração de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos. Se você ainda não assistiu, ouso dizer que é obrigatória. Há muito não via um juiz no Brasil se expressar com tamanha clareza e com argumentos tão cristalinos em defesa do estado democrático e de direito. E, por isso, eu e muitos leitores a elogiamos bastante.

Sim, queridos, ocorre-me que o nosso entusiasmo tem um quê — ou muitos “quês” — de absurdo e até de melancólico. Vivemos dias em que uma juíza se expressando em defesa da lei e dos fundamentos da Constituição da República Federativa do Brasil nos conduz ao aplauso. Isso significa que algo em nós está a dizer que Márcia Mathey Loureiro pode estar mais para a exceção do que para a regra.

Não creio que já tenhamos chegado a esse ponto. Ainda há muitos juízes em Berlim, sim. Infelizmente, são poucos os que não temem a patrulha e deixam clara a sua subordinação ao aparato legal do país — um país que é, afinal de contas, uma democracia.

Entusiasmamo-nos tanto com a meritíssima porque, não faz tempo, vimos uma tal Associação de Juízes Pela Democracia (como se pudesse haver uma “pela ditadura”…) a sustentar, numa nota, que há, sim, homens que estão acima da lei. Segundo os valentes, estão nessa condição aqueles que lutam pela justiça social. Entende-se, pois, que, estando um “herói” da causa acima dos limites legais,  rigorosamente tudo lhe é permitido.

Ah, social! Quantos crimes se cometem em seu nome!!!

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

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