Aqui, eu lhes ofereço fatos, fotos e filme de uma reintegração de posse ocorrida no Acre, em julho, estado governado pelo PT.

Publicado em 03/02/2012 13:11 e atualizado em 05/08/2013 14:37 1313 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Aqui, eu lhes ofereço fatos, fotos e filme de uma reintegração de posse ocorrida no Acre, em julho, estado governado pelo PT. Este é o método do partido de Dilma e de Gilberto Carvalho

Nunca antes da história destepaiz, nem nos tempos do Apedeuta, viu-se o uso tão descarado e organizado da máquina pública para atacar adversários do governo federal. Dilma Rousseff permite que seus ministros atuem como ordem unida contra a gestão de um partido adversário — refiro-me ao PSDB de São Paulo — e que a estrutura subordinada à Presidência da República seja posta a serviço do proselitismo político. Sem falar da rede suja na Internet, financiada diretamente pelo governo federal e por estatais. Ver um banco oficial patrocinando ataques sistemáticos a um membro do Supremo Tribunal Federal nos remete à ditadura bolivariana, não a um regime democrático. Tratam a máquina do Estado e o bem público como coisa particular.

Faço questão de destacar outra vez: ainda que não ancorada em fatos, mas apenas na gritaria militante, a “indignação” da presidente Dilma Rousseff e de ministros como Gilberto Carvalho, Maria do Rosário e José Eduardo Cardozo com os eventos do Pinheirinho, em São José dos Campos, poderia ser autêntica. Mesmo havendo uma ordem judicial determinando a reintegração de posse, de cumprimento obrigatório, esses amantes da democracia poderiam ter ficado sinceramente tocados e comovidos.  Mas ouso acusar aqui essa indignação de hipócrita; ouso afirmar aqui que tanto zelo com os direitos humanos trai o cúmulo do desprezo ao homem porque zelo seletivo, destinado mais a atingir adversários do que a proteger os pequenos.

O mesmo se diga de amplos setores da imprensa, que hoje se deixam pautar e patrulhar por pistoleiros a soldo na Internet e pela blitz organizada pelo PT nas redes sociais. Os mesmos que fazem um escarcéu danado por causa do Pinheirinho — onde, felizmente, não houve feridos com gravidade —, calam-se diante de um estudante e de uma cozinheira, do Piauí e da Bahia, respectivamente, que ficaram cegos de um olho em confronto com a polícia. Por que o silêncio? Porque são estados governados pelos “companheiros” — o primeiro pela coligação PSB-PT, e outro, pelos petistas.

Brasiléia, Acre
Muito bem! Vejam este filme. Volto em seguida.

No dia 14 de julho do ano passado, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Acre, obedecendo a uma determinação judicial — a exemplo do que teve de fazer a PM de São Paulo —, foi chamada a executar a reintegração de posse de um terreno privado na periferia da cidade de Brasíleia, no interior do Acre, administrada pela prefeita Leila Galvão, do PT. As 350 famílias de sem-terra e sem-teto brasileiros que estavam no terreno invadido já tinham sido expulsas de uma área que ocupavam na Bolívia, do companheiro Evo Morales. O índio de araque — que nos tomou uma refinaria da Petrobras e que recebe dinheiro do BNDES para fazer uma estrada, por onde transitará a folha de coca que será cheirada no Brasil quando virar cocaína — não quer saber de brasileiros por lá. Pois é…

As famílias invadiram a área particular e tiveram de sair. Houve resistência, e o pau comeu. Notem que o vídeo acima não é um daqueles feitos por inimigos da polícia ou do governo do Estado, como os que circulam na Internet sobre o Pinheirinho. Mesmo assim, dá para perceber que o bicho vai pegar. Assiste-se ali ao princípio do confronto e às primeiras bombas.

Muito bem. Informam a imprensa local que não está rendida ao governo do PT — bem pouca — e a deputada federal Antônia Lucia (PSC-AC) que o índio José Adelson Jaminawa levou um tiro de bala de borracha e ficou cego de um olho — parece que as polícias sob o controle dos companheiros têm predileção por essa modalidade de “contenção de distúrbio”. Júlia Graziela Vasquez, 21 anos, desalojada pela polícia, sofreu um aborto logo depois da operação. Diz que um policial lhe desferiu um chute na barriga. Abimael Filho, outro invasor, levou um tiro, também de bala de borracha, no rosto. Ler a parte da imprensa acreana que é amiga do governador Tião Viana (PT) é uma experiência e tanto. Os invasores de terra são tratados como bandidos e como provocadores.

Os desalojados reclamaram de toda sorte de maus-tratos. Os que são pais acusam o Ministério Público Estadual de tê-los ameaçado com o Estatuto da Criança e do Adolescente porque teriam exposto suas crianças ao perigo. Antônia Lúcia cobrou explicações do Ministério da Justiça, da Secretaria de Relações Institucionais e até do presidente da Funai. Em sua denúncia, aponta o “descalabro e a injustiça cometida pela Policia Militar do Estado do Acre e os funcionários públicos estaduais que participaram da ação de reintegração de posse no município de Brasiléia”.

- Vocês já tinham ouvido falar da desocupação de Brasiléia?
- Vocês já tinham ouvido falar do índio que ficou cego em razão de uma bala de borracha?
- Vocês já imaginaram o que seria do noticiário se algo assim tivesse se dado no Pinheirinho?

As coisas pararam por aí?
Não! No dia 18 de julho, uma comissão dos desalojados foi falar com a prefeita Leila Galvão (PT). Houve um novo desentendimento, e um dos líderes da invasão, Marcos Filho, foi atingido por uma pistola de choque, o taser, no pescoço (ver fotos). Há recomendação expressa dos fabricantes para que a arma não seja usada nessa parte do corpo. Ele desmaiou e precisou de atendimento médico.

Então…

Não estou demonizando a polícia do Acre, não. Assim como não demonizei a da Bahia ou do Piauí. Cada um desses relatos precisa ser devidamente apurado.Tudo indica que os invasores de Brasiléia não receberam mesmo a polícia com flores — a idéia também não era essa em Pinheirinho, mas a PM teve o bom senso de infiltrar homens no local para desarmar a tal tropa de choque mambembe que o PSTU tinha organizado.  A julgar pelos resultados, a operação no Acre não foi tão bem-sucedida como a de São Paulo.

Um pouco de vergonha na cara
Não escrevo essas coisas para defender que todos os partidos e todos os governos têm a sua cota de direito à violência. Tampouco censuro em princípio a polícia do Acre — como não censurei as do Piauí e da Bahia. Resistência a ações policiais nunca são coisas muito bonitas de se ver, no Brasil ou no mundo.

Cobro dos petistas, em suma, é um pouco de vergonha na cara. Só um pouco. Não é pedir demais.

Marcos Filho recebe atendimento depois de ser atingindo no pescoço por pistola elétrica. Esta foto e a seguinte estão publicadas no

acre-taser-um

As duas fotos acima estão publicada no “Blog do Leudo”. Trata-se de Marcos Filho, um dos líderes da invasão, atingido por pistola elétrica na Prefeitura. O fabricante recomenda explicitamente que não seja usada no pescoço. Gilberto Carvalho ficou indignado porque um assessor seu, Paulo Maldos, teria sido atingido por uma bala de borracha no Pinheirinho. O homem não fez BO nem exame de corpo de delito porque não quis. Os invasores de Brasiléia acusam a polícia de não ter querido registrar suas queixas. Verdade ou mentira? Uma coisa é certa: para esses invasores, Carvalho não deu a menor bola. Nem Dilma. Nem Cardozo. Nem Maria do Rosário. Gente que perturba governo petista é, naturalmente, reacionária!

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 6:39

O STF, o CNJ e a democracia. Ou: Escolhas certas por maus motivos e escolhas erradas por bons motivos

O STF,  por maioria apertada, 6 a 5, tomou ontem a decisão correta e manteve a competência da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça para, quando necessário, investigar a conduta de juízes, estejam as corregedorias locais fazendo a sua própria apuração ou não. Infelizmente, as associações de magistrados acabaram politizando de um modo incômodo essa questão, aproveitando-se um tanto da estridência inicial da Eliane Calmon, a corregedora do CNJ, que fez algumas declarações inoportunas para alguém na sua posição. Eu sempre entendi que a lei faculta ao CNJ o papel de investigar, sim, qualquer tribunal. Há algumas coisas importantes a dizer.

Em primeiro lugar, noto que a lógica elementar prejudica de modo irremediável a tese de que tais ações do CNJ ferem a independência dos juízes ou dos tribunais. Eu provo: o CNJ já tinha esse poder antes do julgamento desta quinta. Algum juiz, por acaso, no Brasil, podia dizer que não era livre e que estava tomando decisões sob o tacão do CNJ. Vênia máxima, a tese é um tantinho ridícula, não? De resto, não há caminho possível para o CNJ interferir no voto do juiz. A avaliação que se faz é de procedimentos.

Na semana passada e retrasada, circulou forte o boato de que haveria uma conspiração — inclusive de mensaleiros — para desmoralizar a Justiça, especialmente o STF. Como a manutenção de uma competência que o CNJ já tem poderia contribuir para macular a honra do Supremo, eis, confesso, uma tese inexplicável. Não se conseguiu estabelecer o caminho que vai da causa ao efeito.

Boas e más causas
O mundo das idéias é fascinante, não? Os momentos mais interessantes são aqueles em que pessoas podem fazer escolhas certas por maus motivos e escolhas erradas por bons motivos. Por que digo isso? Um dos meus amigos é radicalmente contrário à tese que prevaleceu ontem no STF. Fechava inteiramente com o voto de Marco Aurélio Mello e acredita que a independência do Judiciário está maculada com o CNJ mantendo as prerrogativas que tem hoje. Ele é um democrata, detesta a canalha petralha, pensa dessa gente asquerosa o mesmo que pensamos. E avalia ser temerário haver um órgão que, segundo ele, não deixa de estar acima do Judiciário. É o que chamo FAZER A ESCOLHA ERRADA POR BONS MOTIVOS. Se o CNJ fosse entrar em mérito de sentença para ver se o “juiz decidiu direito”, eu também me oporia.

Mas também se pode fazer a ESCOLHA CERTA POR MAUS MOTIVOS. No Jornal da Globo, ontem, Arnaldo Jabor atribuiu à mobilização da opinião pública o resultado da votação; afirmou que juízes não podem atender apenas à letra da lei; eles teriam de pensar também, segundo entendi, em aspectos outros etc e tal. Bem, vejam lá na Internet. Pois é… Eu e Jabor torcemos pelo mesmo resultado, mas seus motivos estão errados.

“Opinião pública” coisa nenhuma! JUIZ TEM DE DECIDIR SEGUNDO A LEI. Aliás, a existência de um CNJ com as atribuições que já tem hoje PODE SER A GARANTIA DE QUE NÃO SE COMETAM ERROS OU ARBITRARIEDADES PROCESSUAIS INCLUSIVE PARA FAZER A VONTADE DA OPINIÃO PÚBLICA num dado momento. Até porque ela varia bastante, não é? Sem essa! Jabor acabou dando a entender que se tomou uma decisão de acordo com o alarido das ruas. Fosse isso e se eu julgasse que o texto legal que criou o CNJ estava sendo contrariado, eu teria defendido a tese contrária — estou me lixando para o alarido das ruas. Se ele contraria os fundamentos da democracia e as regras do estado de direito, dane-se a opinião pública!

EU SEI, POR EXEMPLO, QUE A ESMAGADORA MAIORIA DOS BRASILEIROS, INCLUSIVE DOS LEITORES DESTE BLOG, É FAVORÁVEL À LEI DO FICHA LIMPA, POR EXEMPLO. E EU SUSTENTO SER ELA INCONSTITUCIONAL. Ou se muda o fundamento jurídico — e ele pode ser mudado — que define culpa e inocência, ou a tal lei viola… a lei! Não! Não é a opinião pública que decide. Fosse assim, não precisaríamos de juízes, só de plebiscitos e referendos feitos via Internet.

O que o Supremo decidiu ontem, se me permitem uma síntese que parece exótica, mas que é exata, é que também o Judiciário está submetido ao… Judiciário, a exemplo dos outros dois Poderes da República. Ademais, nem se cuida de falar em controle externo, não é? O presidente do CNJ é também o presidente do Supremo Tribunal Federal. Os tribunais regionais continuam com seus poderes intocados, mas se consolida, também na Justiça, a tese da federação:  são independentes, mas não são repúblicas soberanas.

Finalmente, lembro que os juízes não podem se zangar quando a sociedade se interessa em saber quanto gastam os tribunais e quais são os ganhos dos magistrados. Ela tem o direito de saber porque paga a conta. Afinal, queremos juízes porque são eles os árbitros do regime democrático.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 6:33

Wagner é incompetente, sim, mas policial que saca a arma contra a população já mudou de lado: é bandido!

O governador Jaques Wagner (PT) é incompetente e teve um comportamento irresponsável ao deixar a Bahia para visitar Cuba quando o movimento dos policiais já estava em curso. Mas atenção! O que se relata abaixo é terrorismo. Ou bem a polícia da Bahia descobre quem são esses policiais para expulsá-los da corporação, ou a bagunça se instala. Policial que saca a arma contra a população já mudou de lado: está com os bandidos.

Encapuzados, PMs em greve atacam ônibus e espalham medo na Bahia

Por Graciliano Rocha, na Folha:
Encapuzados e armados, PMs em greve na Bahia atacaram ontem ônibus municipais, isolaram o acesso à sede do governo estadual e espalharam medo pelas ruas de Salvador a ponto de comerciantes fecharem as suas portas com medo de assaltos.

O governador Jaques Wagner (PT) pediu reforço da Força Nacional de Segurança e do Exército. Ao todo, 1.250 homens serão enviados. A greve foi decretada anteontem por uma associação de policiais militares que o governo não reconhece, mas ganhou a adesão de soldados, sargentos e suboficiais. Ontem, a paralisação foi considerada ilegal pela Justiça. O juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, Ruy Almeida Brito, concedeu liminar ao Estado determinando que os policiais voltem imediatamente ao trabalho. A multa diária para Associação de Policiais e Bombeiros da Bahia é de R$ 80 mil.

Apesar da decisão judicial, o movimento ganhou corpo e reduziu sensivelmente o policiamento nas ruas de Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, as principais cidades do interior. O centro nervoso do comando de greve é a Assembleia Legislativa, onde pelo menos 300 policiais encontram-se reunidos. Por volta das 18h de ontem, a Folha presenciou o fechamento do acesso ao Centro Administrativo da Bahia, conjunto de edifícios que abriga as cúpulas do Executivo, o Legislativo e o Judiciário estaduais.

AMEAÇA
Grevistas encapuzados e exibindo pistolas na cintura e nas mãos abordaram ônibus e obrigaram motoristas e passageiros a descer. Depois, os policiais atravessaram os veículos nas avenidas de acesso ao Centro Administrativo e furaram os pneus a facadas. Alguns PMs que a Folha flagrou bloqueando vias aparentavam nervosismo com a possibilidade da chegada da tropa de choque -o que não havia ocorrido até as 22h de ontem. Pelo menos dois deles empunhavam pistolas ao abordar motoristas no local.

O motorista Josenildo Martins, 42, contou que os encapuzados atiraram nos pneus do ônibus que dirigia. Ele exibia um cartucho de munição de pistola. “Para mim, isso não é atitude de autoridade. Causaram prejuízo”, disse. O governo estadual diz que 80% dos policiais militares continuam trabalhando normalmente. O presidente da associação grevista, Marco Prisco, diz que a adesão é geral. Prisco foi expulso da PM após ter liderado uma grande greve em 2001. “O governador Jaques Wagner está se mostrando intransigente às demandas da tropa”, afirmou o líder do movimento.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 6:31

PSDB e DEM se unem no Nordeste e abrem espaço para aliança em SP

Na Folha:
Os presidentes nacionais do PSDB e do DEM anunciaram ontem alianças em quatro grandes capitais do Nordeste: Aracaju, Fortaleza, Natal e Salvador. O acerto na capital baiana, onde o DEM pretende lançar um de seus principais nomes, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto à prefeitura, era a principal reivindicação do partido para destravar acertos em outros locais, inclusive São Paulo. Em nota, o deputado Sérgio Guerra, presidente do PSDB, e o senador Agripino Maia, presidente do DEM, afirmaram que a decisão pela aliança não se deu em torno de nomes. Líderes das duas legendas admitem, no entanto, que os tucanos deverão ceder a cabeça de chapa para ACM Neto em Salvador, de modo a facilitar as demais negociações.

Para a sucessão da capital paulista, o DEM tem feito acenos para o PSDB e o PMDB, que promete lançar o deputado Gabriel Chalita. Os dois partidos vislumbram o tempo de TV do DEM, que tem a quarta maior fatia da propaganda eleitoral. Em conversas com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), Agripino Maia disse que aguardaria o resultado das prévias tucanas para bater o martelo quanto à posição de seu partido na eleição paulistana.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 6:29

Ação de Mantega na Casa da Moeda preocupa Planalto

Na Folha:
As recentes acusações na Casa da Moeda jogaram o ministro Guido Mantega (Fazenda) no centro de um escândalo político que preocupa o Palácio do Planalto. Uma ala do PMDB cobrou explicações sobre por que o ministro manteve Luiz Felipe Denucci na chefia da estatal após alertas sobre o envolvimento do servidor em suposto esquema de corrupção. É justamente isso o que perturba o Palácio do Planalto: setores do PMDB insatisfeitos com a perda de espaço prometem usar o episódio para dar o troco.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, revelou ontem que o partido só indicou Denucci para a Casa da Moeda atendendo a um pedido do ministro. “Mantega chamou Jovair [Arantes, líder do PTB na Câmara], e pediu um aval. Denucci não é do PTB, é do Mantega. Fizemos um favor ao Mantega e nos demos mal.”

Denucci tem a mesma versão. “Se o ministro Mantega pediu o aval do PTB para minha indicação, não é de minha alçada. Fui chamado por minha experiência com crise. Apoio partidário não tive.” As pessoas próximas ao ministro têm dito o contrário: que foram apresentadas a Denucci pelo líder do PTB. Sem uma manifestação oficial de Mantega desde sábado, quando Denucci foi demitido, a Fazenda soltou ontem uma nota para dizer que “o ministério decidiu instaurar comissão de sindicância investigativa para apurar as informações mencionadas”.

Denucci foi demitido às pressas por um funcionário do terceiro escalão após tomar conhecimento de que a Folha preparava reportagem sobre irregularidades na Casa da Moeda. Ele montou “offshores” em paraísos fiscais que teriam recebido U$ 25 milhões, segundo relatório de uma empresa especializada em transferências internacionais. O documento da WIT relata que os depósitos eram oriundos de comissões pagas por fornecedores da estatal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 22:11

…E Sérgio Cabral comprou 4 páginas em revista estrangeira; material traz entrevista em que Cabral elogia… Cabral!

Da Agência Estado:
O governo fluminense comprou quatro páginas coloridas de matéria paga na edição de janeiro/fevereiro de 2012 da Foreign Affairs, a mais prestigiada publicação sobre política internacional do mundo, para, segundo afirma, divulgar o Rio de Janeiro no exterior.

Em uma época de crise das economias centrais, onde faltam recursos e a estagnação econômica persiste, o Executivo fluminense foi a Nova York em busca de investimentos para o Estado. Custeou, a preço que não revela, um seminário promovido com a grife da revista no Council on Foreign Relations (o Rio de Janeiro Investiment Conference, em 30 de novembro), e a divulgação da “reportagem” sobre o Rio. O texto incluiu uma entrevista com o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), ilustrada com duas fotos dele, na qual o político elogia fortemente a sua própria administração.

Procurado pelo Estado de S. Paulo, o governo do Rio recusou-se a revelar quanto gastou com a revista. O Palácio Guanabara, sede da administração estadual, informou já ter promovido eventos com publicação de material no exterior em outras ocasiões - uma delas, no diário americano The Washington Post.

O objetivo da publicação na Foreign Affairs, segundo o Executivo, é a divulgação internacional do Estado, dentro de uma estratégia de marketing e publicidade mais ampla. A assessoria de Comunicação Social alegou não saber quanto custou a publicação nem poder levantar esse dado, porque o negócio foi fechado por meio de agência e por não poder revelar o preço da tabela de anúncios de publicações, por uma “questão publicitária de mercado”.

Na entrevista que ocupa, em parte, três páginas da Foreign Affairs, Cabral apresenta os principais outdoors da sua administração, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Fala do saneamento financeiro do Estado e da obtenção, pelo Rio, do grau de investimento, concedido pela agência de classificação de risco Standard & Poor’’s. “Outro ponto importante é educação. Depois de décadas de negligência, nosso compromisso é melhorar o desempenho das escolas públicas do Rio de Janeiro no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)”, diz o governador na entrevista. “Nosso objetivo é que até 2013 o Rio esteja entre os cinco melhores Estados (em educação).” Em 2011, o Rio de Janeiro ficou em penúltimo no Ideb entre 27 unidades da Federação, à frente apenas do Piauí.

A “reportagem” da Foreign Affairs também traz um texto falando da fase de crescimento vivida pelo Brasil e uma breve descrição da Rio de Janeiro Investment Conference, organizada em uma parceria da revista com a empresa Thinklink.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 21:40

Maioria do Supremo faz a coisa certa e mantém poderes de investigação do CNJ

Por maioria apertada, o Supremo decidu manter as prerrogativas do CNJ. Na madrugada, falo mais a respeito. Aconteceu o melhor para a sociedade brasileira. Leiam o que vai na Folha Online:
*
A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira manter os poderes de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Por 6 votos a 5, a decisão mantém a autonomia do órgão em abrir investigações contra magistrados.

A decisão contraria liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello no fim do ano passado, atendendo pedido feito pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que tentava fazer valer a tese de que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) só poderia investigar magistrados após processo nas corregedorias dos tribunais estaduais.

Iniciado ontem, o julgamento sobre a atuação do CNJ provocou intenso debate no plenário. “Até as pedras sabem que as corregedorias [locais] não funcionam quando se trata de investigar seus próprios pares”, afirmou o ministro Gilmar Mendes, que votou a favor da atuação do CNJ.

“As decisões do conselho passaram a expor situações escabrosas no seio do poder judiciário nacional”, concordou Joaquim Barbosa, também afirmando que, por esse motivo, houve “uma reação corporativa contra o órgão, que vem produzindo resultados importantíssimos no sentido de correção das mazelas”.

A discussão girou em torno de duas teses distintas. A primeira, que prevaleceu, afirmava que o CNJ deve ter amplo poder de investigar e, inclusive, de decidir quando os processos devem correr nos tribunais de origem.

“Uma coisa é declinar da competência, outra é ser privado de sua competência”, argumentou Ayres Britto. Além dele, de Mendes e Joaquim, também votaram assim os colegas Rosa Weber,Cármen Lúcia e José Antonio Dias Toffoli. Já a segunda tese, encabeçada por Marco Aurélio Mello (relator do caso e autor da liminar que suspendeu, no final de dezembro, os poderes originários de investigação da instituição), afirmava que investigações contra magistrados devem ser, prioritariamente, ocorrer nas corregedorias dos Estados. Com ele, votaram Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e o presidente da Corte, Cezar Peluso. O julgamento, porém, continuava por volta das 21h20 para a análise de outros itens da ação da AMB.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 19:21

Enquanto Jaques Wagner adulava ditadores sanguinários em Cuba, a PM baiana entrava em greve; Força Nacional de Segurança é chamada

O governador da Bahia, Jaques Wagner, petista graúdo,  foi reeleito. Assim quis o povo, o que não implica que seu governo seja bom. Isso acontece às vezes? Acontece, sim! A democracia é o melhor dos piores regimes. O povo pode errar. E como conserta? Não cometendo o governante um crime que chegue a causar seu impedimento, só com outra eleição. A Bahia, coitada!, vive um verdadeiro caos na Segurança Pública. Pra vocês terem uma idéia, Wagner chegou ao poder, em 2007, com 23,5 homicídios por 100 mil habitantes no estado; no ano passado, chegaram a 37,7, um crescimento de 60,4%!

Como diria o poeta seiscentista baiano Gregório de Matos, “Triste Bahia! (…) A ti trocou-te a máquina mercante,/ Que em tua larga barra tem entrado (…)”

A Polícia Militar baiana já estava em estado de greve, com parcela dos homens já parada, mas Jaques Wagner não resistiu ao chamado: ele se mandou pra Cuba junto com a Soberana — que, diga-se, fez antes uma escala justamente na Bahia. Foi ali que ela anunciou que governos passados não se interessaram em dar casas aos pobres; só Lula e ela própria teriam pensado nisso. Os 3 milhões de casas que os dois prometeram, no atual ritmo de construção, serão entregues daqui a 22 anos… Mas volto.

Com uma segurança pública já em petição de miséria, Wagner não viu problema em fazer turismo ideológico em Cuba. Agora, foi preciso chamar a Força Nacional de Segurança. Leiam o que informa o G1. Volto para encerrar.
*
O secretário de segurança pública da Bahia, Maurício Barbosa, anunciou em coletiva à imprensa, no início da noite desta quinta-feira (2), que o governo do estado solicitou apoio da Força Nacional de Segurança, por conta da paralisação parcial da Polícia Militar. De acordo com o secretário, 150 policiais chegam à capital baiana ainda nesta noite. Outros 500 devem chegar no prazo de 48 horas. O comandante geral da PM, coronel Alfredo Braga de Castro, também participa da coletiva.

Ainda segundo Maurício Barbosa, dois terços do efetivo da PM está trabalhando em toda a Bahia. A PM anunciou também nesta quinta o reforço no policiamento das cidades de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador, e de Ilhéus, no sul da Bahia. Outras unidades da PM foram deslocadas para os dois municípios por conta dos arrastões ocorridos no local e do clima de pânico da população.

Arrastões
Em Salvador, diversos bairros tiveram suas lojas fechadas antes do horário normal nesta quinta-feira (2). A Avenida Sete de Setembro, localizada no centro da capital, onde há o maior número de lojas e centros comerciais da capital, os comerciantes também fecharam as lojas mais cedo. Comerciantes fecharam a porta por medo de possíveis arrastões. O G1 entrou em contato com algumas delegacias que cobrem áreas como o Subúrbio e o Centro da cidade, mas a polícia nega que tenha registrado “arrastões”. A paralisação de parte dos policiais militares da Bahia foi considerada irregular, de acordo com uma liminar expedida na manhã desta quinta-feira pelo juiz Ruy Eduardo Brito, da 6ª Vara da Fazenda Pública.

O juiz determina a imediata retomada das atividades pelos policiais vinculados à Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), que decretaram greve. A multa estipulada para os policiais parados que não assumirem seus postos de trabalho é de R$ 80 mil. O presidente da Aspra, Marco Prisco, disse por telefone que não foi informado sobre a liminar e que vai tomar providências legais para evitar a aplicação da multa. Desde a madrugada de quarta-feira (1), sindicalistas filiados à Aspra ocupam a sede da Assembleia Legislativa, situada no CAB, em estado de greve. Na ocasião, Marco Prisco informou que os manifestantes só sairão do local após serem atendidos por algum representante do governo do estado.

Interior do estado
O Comando da Polícia Militar da Bahia informou que devido ao clima de tensão realizados em Feira de Santana, em virtude da paralisação da PM na cidade, reforçou a segurança no município, que fica a cerca de 100 km de Salvador, e em Ilhéus, no sul do estado. Relatos de moradores de Feira de Santana informam que a cidade está sem transporte coletivo e que várias lojas do comércio foram fechadas, como forma de prevenção a saques.

Shoppings
De acordo com informações da Assessoria de Imprensa do Shopping Piedade, localizado no centro de Salvador, apesar dos boatos, não houve arrastão no local. O shopping funciona normalmente até às 21h. Já o Shopping Barra, localizado em bairro nobre de Salvador, os comerciantes foram orientados a fecharem as portas no início da noite desta quinta-feira (2). A assessoria do shopping informou que o funcionamento volta ao normal na manhã desta sexta-feira (3).

Encerro
Eu não apóio greve de gente armada. Nem em governo do PT. Mas também não apóio governantes irresponsáveis, que deixam seus respectivos estados à beira do caos para aprender lições de humanismo com os homicidas compulsivos Fidel e Raúl Castro.

Para arrematar: caso situação semelhante estivesse acontecendo em São Paulo, parlamentares do PT já estariam grudados aos policiais, fazendo proselitismo e investindo no quanto pior melhor, com ampla cobertura dos “companheiros” da grande imprensa. Fizeram isso em São Paulo durante a gestão Serra, quando houve uma greve de um setor minoritário da Polícia Civil.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 18:57

Chega-me às mãos mais um caso de agressão a direitos humanos que foi ignorado por Dilma, Carvalho, Cardozo e Maria do Rosário

Quem não liga para um estudante que ficou cego de um olho no Piauí em confronto com a PM? Em ordem alfabética:
- Dilma Rousseff;
- Gilberto Carvalho;
- José Eduardo Cardozo;
- Maria do Rosário.
Além, é certo, de amplos setores da grande imprensa, especialmente as TVs,  e da totalidade das esquerdas.

Quem não liga para uma cozinheira que ficou cega de um olho em ação da Polícia na Bahia? Em ordem alfabética:
- Dilma Rousseff;
- Gilberto Carvalho;
- José Eduardo Cardozo;
- Maria do Rosário.
Além, é certo, de  amplos setores da grande imprensa, especialmente as TVs, e da totalidade das esquerdas.

Mais um caso
Acaba de me chegar às mãos mais um caso escandaloso de omissão dessas mesmas pessoas e grupos, em mais um episódio ocorrido numa gestão do PT.

Que se tenha claro: o asqueroso não é essa gente protestar contra esse ou aquele aspecto da desocupação do Pinheirinho — que não foi violenta coisa nenhuma! O asqueroso é essa gente não olhar o que acontece em seu próprio quintal.

Escreverei a respeito na madrugada.

Dilma usa, internamente, a questão dos direitos humanos para jogar pedras em adversários políticos.

 COM A CUMPLICIDADE DA QUASE TOTALIDADE DA IMPRENSA.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 17:53

Agnelo elogia delegado que disse que ele deixaria o poder num camburão: “Bom trabalho técnico”

Então… Onofre Moraes, chefe da Polícia Civil do Distrito Federal, deixou o cargo. Ele assumiu o posto em novembro. Em junho, conforme mostra vídeo publicado no YouTube, ainda apenas delegado, ele afirmou que o petista Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, deixaria o poder “num camburão”!!! Há um post que explica o caso em detalhes.

Chamo a atenção mais um vez: em junho, um delegado vê motivos para o governador terminar sua carreira num camburão; em novembro, ele é nomeado para o cargo mais importante da polícia do Distrito Federal.

O Distrito Federal se transformou na “Agnolândia”, uma terra de fantasmagorias, onde tudo é possível. Tendo vindo o vídeo a público, o governador, um homem magnânimo, pediu que Ugo Braga, seu porta-voz, reconhecesse “o bom trabalho técnico” do delegado. Agnelo teria aceitado o pedido de demissão para garantir “a normalidade administrativa”.

Ah, bom…

Note-se: Agnelo não teria nem como processar o delegado porque a afirmação foi feita numa conversa informal, gravada de forma clandestina. O ponto é outro: num caso assim, precisa elogiar aquele que previu pra ele o destino dos bandidos? O governador, a gente nota, nunca quer confusão com seus detratores. Todos eles foram seus aliados um dia.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 17:36

Lewandowski deixa sessão, mas adianta voto: contra a investigação feita pelo CNJ

O ministro Ricardo Lewandowski teve de se ausentar da sessão do STF que vai definir a competência do Conselho Nacional de Justiça. Adiantou o seu voto: ele acha que a corregedoria do órgão não pode abrir uma investigação se um determinado caso está sendo apurado pela corregedoria local. Para ele, a atuação da corregedoria do CNJ é excepcional e tem de ser precedida de explicação. Sua opinião coincide com a de Marco Aurélio Mello, relator.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 17:31

Ponto positivo - STF define que todos os julgamentos do CNJ devem ser públicos

Por Felipe Seligman, na Folha Online:
Ao retomar nesta quinta-feira o julgamento sobre os limites de atuação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o Supremo Tribunal Federal manteve o entendimento de que todos os julgamentos de magistrados devem acontecer em sessão pública. Os ministros entenderam que é constitucional a parte da resolução do CNJ que estabelece a publicidade de todas as sessões que julgam processos disciplinares. A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), autora da ação contra o conselho, argumentava que, nos processos que pedem a punição de “advertência” e “censura” de juízes, as sessões deveriam ser secretas. Isso porque a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nancional) define que essas duas sanções tem caráter sigiloso.

Apenas os ministro Luiz Fux e o presidente do tribunal, Cezar Peluso, entendiam que tais julgamentos não deveriam ser abertos. Os demais afirmaram que a Constituição Federal define a publicidade de todas as decisões do Judiciário. “A cultura do biombo foi excomungada pela Constituição”, afirmou Carlos Ayres Britto. “Esse tipo de processo era das catacumbas. Isso é próprio de ditadura, não é próprio de democracia”, completou Cármen Lúcia. A frase da ministra incomodou Fux, que respondeu: “No meu caso, não tem nenhuma ideia antidemocrática, nem das catacumbas”. O ponto mais polêmico, sobre os poderes de investigação do CNJ, ainda não começou a ser debatido.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 16:59

Dilma desandou

Fique o registro neste blog. O Estadão publicou nesta quinta um excelente editorial sobre Dilma Rousseff e seu governo. Leiam.
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São improcedentes as críticas à presidente Dilma Rousseff por sua recusa em abordar as violações dos direitos humanos sob a ditadura que vigora em Cuba há meio século. Mas ela merece ser criticada - duramente - pelo palavrório com que tentou justificar em Havana o seu silêncio em face da política repressiva do regime dos irmãos Castro.

Dilma foi a Cuba, na sua primeira visita de Estado à ilha, para promover os interesses econômicos brasileiros. Por intermédio do BNDES, o País banca 70% do mais ambicioso empreendimento privado ali em curso - a transformação do Porto de Mariel em um dos maiores da América Latina, ao custo aproximado de US$ 1 bilhão. A obra é tocada pela construtora brasileira Odebrecht. O Brasil, apenas o quarto parceiro comercial de Cuba, só tem a ganhar com a ampliação da sua presença econômica na ilha, a exemplo do que fizeram, sobretudo no setor de turismo, a Espanha e o Canadá. Ganhará tanto mais - e esse deve ser o raciocínio estratégico de Brasília - se e quando se normalizarem as relações entre Havana e Washington. Trata-se de estar desde logo ali onde a concorrência virá com tudo.

Nesse quadro, não se deveria esperar que a presidente usasse a mesma mão com que assinou, metaforicamente, os cheques do novo espaço que o empresariado brasileiro ambiciona ocupar em Cuba para investir de dedo em riste contra os seus anfitriões. Nos últimos dois anos, o ditador Raúl Castro iniciou um programa de abertura econômica que, embora tropeçando na pachanga local, pretende ser uma versão caribenha do modelo chinês: economia de mercado com mordaça política. A propósito, desde que a China se abriu, a nenhum chefe de governo brasileiro ocorreu condenar as suas políticas liberticidas - e a nenhum comentarista ocorreu condená-lo por isso.

É também descabida a evocação da visita ao Brasil, sob a ditadura militar, do então presidente americano Jimmy Carter - que não só fez chegar ao homólogo Ernesto Geisel seu protesto pelo que se passava nos porões do regime, como ainda recebeu um dos maiores defensores dos direitos humanos no País, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns. É verdade que militantes como Dilma Rousseff, que sentiram literalmente na carne o que era se opor aos generais, devem ter se regozijado com a iniciativa de Carter. Logo, ela deveria imitá-lo em Havana. Lembre-se, no entanto, que o que trouxe Carter ao Brasil foi o contencioso desencadeado pelo acordo nuclear do País com a Alemanha, tido em Washington como o atalho aberto pelos militares para chegar à bomba atômica. Sem falar nas pressões das entidades americanas de direitos humanos pela condenação ao Brasil - o que inexiste aqui em relação a Cuba.

Critique-se Dilma não pelo que calou, mas pelo que falou. Exprimir-se, como se sabe, é uma peleja para a presidente - talvez por isso seja tão avara com as palavras em público. (Há quem diga que quem não fala bem não pensa bem, mas esse, quem sabe, é outro assunto.) Perguntada pelos jornalistas que a acompanhavam sobre direitos humanos em Cuba, Dilma desandou. Poderia ter respondido protocolarmente que, dada a sua condição de chefe de Estado visitante, não poderia se manifestar sobre questões internas do país anfitrião, como seria inadmissível que um hóspede oficial do governo brasileiro fizesse algo do gênero em relação ao País - e ponto final. Em vez disso, saiu-se com um bestialógico sobre o “telhado de vidro” sob o qual estaria o mundo inteiro, democracias e ditaduras, nessa matéria.

Ainda na linha da “primeira pedra”, disparou incongruentemente um torpedo contra os Estados Unidos, pela “base aqui que se chama Guantánamo”. À parte a trôpega retórica, ao se referir à instalação americana em Cuba, onde 171 acusados de terrorismo mofam sem direito a julgamento, a incontinência verbal levou Dilma a virar contra si a “arma de combate político-ideológico” que, segundo ela - neste caso com razão - não deve predominar no debate sobre direitos humanos seja onde for. Resta ver, na hipótese de lhe perguntarem sobre Guantánamo na visita que um dia fizer aos Estados Unidos, em retribuição à do presidente Obama, se ela falará dos presos políticos cubanos.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 16:37

Negromonte cai após cinco meses de agonia

Na VEJA Online, por Gabriel Castro:
O Palácio do Planalto confirmou, na tarde desta quarta-feira, a demissão do ministro das Cidades, Mário Negromonte. A Presidência também confirmou que o substituto será Aguinaldo Ribeiro, o líder da bancada do partido na Câmara. Negromonte não foi uma exceção em um governo com seis ministros demitidos por falhas éticas. Mas ao menos pode dizer que durou mais tempo do que seus colegas malcomportados. Lá se vão mais de cinco meses desde que VEJA revelou como o ministrotentou comprar apoio político oferecendo uma mesada de 30 000 reais a deputados de seu partido, o PP. 

O anúncio oficial da demissão foi feito por volta de 16h15, em uma nota distribuída à imprensa. O texto, de cinco linhas, diz que “A presidente da República agradece os serviços por ele prestados ao país À frente da pasta e lhe deseja boa sorte em seus novos projetos”. Negromonte chegou ao Palácio do Planalto por volta das 15h30, teve um encontro rápido com a presidente Dilma Rousseff e que entregou sua carta de demissão. Mais cedo, ele esteve com Francisco Dornelles, presidente nacional do PP. Os dois conversaram sobre a passagem de Negromonte pelo cargo e trataram da sucessão. 

Corrupção
Negromonte voltou à berlinda por diversas vezes: viu sua pasta envolvida na adulteração de um projeto bilionário, foi flagrado usando verbas do ministério para promoção pessoal (e eleitoral) na Bahia, e participou de uma reunião com lobistas de uma empresa que, posteriormente, assumiria contratos na pasta.Chegou a ser ouvido no Congresso, mas conseguiu se safar graças à colaboração dos governistas e à falta de ousadia da oposição.

Negromonte não gozava de nenhum prestígio especial com a presidente Dilma Rousseff. Dentro do próprio partido, aliás, ele enfrentava forte oposição - mais em decorrência de uma briga por espaço do que por uma possível preocupação do PP com a ética na política. Mas se manteve no cargo graças à inépcia do Executivo, à proximidade de uma reforma ministerial e ao pragmatismo de sua legenda: os integrantes do partido logo notaram que, se chancelassem a demissão de Negromonte, não teriam garantias de que indicariam o substituto dele no ministério.

Manteve-se o cenário insólito: um dos maiores orçamentos da Esplanada, com 22 bilhões de reais reservados para 2012, foi comandado nos últimos meses por alguém sem condições éticas e políticas para exercer a função. Com seis meses de atraso, o conjunto da obra e a conveniência do momento causaram a demissão de Mário Negromonte - a primeira de um ministro em 2012. Antes dele, dois subordinados próximos já haviam sido exonerados: Cássio Peixoto, chefe de gabinete, e João Ubaldo Dantas, chefe da Assessoria Parlamentar.

Demitido, Negromonte volta a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Vai exercer o sexto mandato. No ministério, deve ser substituído por um colega de partido. A troca de comando no ministério eleva a lista de partidos que tiveram ministros demitidos por causa de corrupção: agora são cinco (PP, PT, PMDB, PDT, PCdoB e PR). Só o PSB escapou. E por enquanto. Fernando Bezerra tem feito de tudo para provar que atende às exigências para entrar no clube de ex-ministros de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 16:15

Supremo retoma julgamento sobre poderes do CNJ. Que tenha juízo!!!

Na VEJA Online, volto em seguida:
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) retomaram às 14h50 desta quinta-feira o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que questiona os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão encarregado de investigar e punir magistrados. Os ministros analisam ponto a ponto da resolução 135 do CNJ, que define as atribuições do conselho e trata de punições a magistrados. O desmembramento torna a votação mais longa. Na quarta-feira, a corte se posicionou sobre três itens. Em dois temas, a argumentação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que propôs a ação, foi rejeitada. Em outro, a argumentação dos magistrados foi aceita. Nesta quinta-feira, a corte deve analisar os itens mais complexos - inclusive o principal: se o CNJ tem o poder de arrogar para si casos envolvendo magistrados independentemente da posição das corregedorias ou se, em lugar disso, só pode atuar quando a situação não for resolvida por uma investigação da corte em questão.   Dos onze integrantes da corte, cinco devem se posicionar pela redução dos poderes do CNJ: Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, o presidente, Cezar Peluso, Celso de Mello e Luiz Fux. Outros cinco tendem a defender a manutenção do papel atual do colegiado: José Antonio Dias Toffoli, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes. Luiz Fux, mais alinhado com o primeiro grupo, pode fazer um voto intermediário, estabelecendo prazos para que as corregedorias dos tribunais analisem um processo disciplinar antes que o caso passe à alçada do CNJ.   O maior mistério recai sobre o voto da novata Rosa Weber, que participa de sua primeira votação no Supremo. O que já foi votado
Na quarta-feira, por 9 votos a 2, os ministros mantiveram um item que atribuiu ao colegiado a figura de um tribunal, para os efeitos da resolução. Por unanimidade, os integrantes do Supremo também rejeitaram um questionamento sobre a possibilidade de o CNJ aplicar a aposentadoria compulsória sem o direito de recebimento de vencimentos proporcionais. Eles consideraram desnecessária a menção explícita a esse direito e rejeitaram o questionamento dos magistrados.   Por outro lado, a corte acolheu um item questionado na ADI. Por 9 votos a 2, os integrantes do STF consideraram que o Conselho Nacional de Justiça só pode aplicar punições que estejam previstas na Lei Orgânica da Magistratura, de 1979. Dessa forma, o conselho não poderá mais aplicar a lei 4.898/1965, que trata genericamente dos casos de abuso de autoridade cometidos por servidores públicos.

Comento
Já escrevi um longo texto ontem a respeito. Acho que os eventuais males da transparência têm de ser corrigidos com mais transparência. Sou favorável a que o CNJ possa ter a iniciativa de apurar denúncias de irregularidades nos tribunais. Isso não fere a lei que criou o Conselho nem interfere na independência dos juízes. Convém não confundir essa independência com soberania.

De resto, reitero: no episódio do Pinheirinho, assistimos a uma investida do Poder Executivo e de outras esferas do Judiciário na Justiça de São Paulo. Notem que um caso como aquele nada teve a ver com CNJ ou com sua corregedoria. Estes não têm poder para discutir mérito de sentença, competência do juiz ou algo parecido. Mas foi o que o Palácio e franjas da Justiça Federal tentaram fazer. Isso, sim, é grave!

Se a independência do Judiciário corre algum risco, ele não vem do CNJ.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 15:43

Famílias são despejadas de prédio no Centro de SP e pensam em ocupar terreno que Kassab quer doar a Instituto Lula. Bem, entre invasor pobre e invasor milionário, a escolha é moral, certo?

Vocês lerão abaixo, numa reportagem do Estadão, que a Prefeitura de São Paulo promoveu a desocupação de um prédio invadido no Centro da cidade, com a devida autorização da Justiça. Os invasores, agora, ameaçam ocupar o terreno que o prefeito Gilberto kassab (PSD) quer doar ao Instituo Lula. Leiam a reportagem. Volto em seguida.
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As cerca de 230 famílias que estão sendo despejadas de um edifício no centro de São Paulo, durante cumprimento de reintegração de posse nesta quinta-feira, 2, estão montando barracas na região, segundo o presidente do movimento Frente de Luta por Moradia, Osmar Borges. “As famílias saíram do prédio e agora entram individualmente com oficial de justiça para fazer o arrolamento dos bens para dar início a retirada”, explica Osmar.

Segundo ele, um outro grupo de moradores começa a montar barracas próximo ao prédio, na Avenida São João, em frente à Galeria Olido. “As famílias vão ficar acampadas ali até a prefeitura apresentar uma solução aos moradores”, afirma Osmar. “Representantes da prefeitura só vieram aqui e fizeram o cadastro”, explica.

A reintegração que estava marcada para o último dia 13 de janeiro foi prorrogada em 20 dias, porque, segundo o movimento, a representante da Secretaria Municipal de Habitação informou que a Prefeitura não faria o atendimento imediato às famílias que seriam desalojadas com o cumprimento da liminar de reintegração de posse.
Lula. De acordo com Osmar, os moradores sem-teto podem invadir a área na Rua dos Protestantes, no coração da cracolândia, que pode ser doada ao Instituto Lula. O movimento Frente de Luta por Moradia, segundo o presidente, já enviou um comunicado ao prefeito Gilberto Kassab protestando contra a oferta de doação do terreno para o Instituto, anunciado nesta quarta-feira, 1.

“O movimento pede para que o prefeito faça a doação para os moradores e não para o Lula. É injusto anunciar essa doação. Tantas famílias estão lutando para ter um teto e na véspera da reintegração de posse ele anuncia que vai doar para o Lula. Este anúncio foi para fazer marketing político”, finaliza. Segundo Osmar, se a doação for realmente oficializada, os sem-teto devem ocupar o terreno.

Kassab enviou na tarde de ontem um projeto de lei à Câmara Municipal prevendo a cessão da área da Prefeitura ao Instituto Lula. O local fica na Rua dos Protestantes e está dentro do perímetro da concessão urbanística da Nova Luz, que prevê a revitalização de 45 quarteirões no centro de São Paulo. A área é composta por dois terrenos separados por uma pequena rua, com área total de 4.432 m². Segundo o texto da proposta, a área seria cedida por 99 anos para a entidade fundada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o término do seu segundo mandato.

Voltei
Não tentem arrancar de mim apoio a invasões. Não apóio! Esse negócio de cada um tomar na marra o que acha que lhe faz falta — ou realmente faz, pouco importa — conduz à barbárie, não à civilização. A minha experiência, inclusive a pessoal, é outra, com outro vetor moral: lutar para conquistar o que lhe é necessário. Mas não vou desviar agora o foco.

Sou contra a invasão de áreas públicas ou particulares por sem-teto ou por Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que venha com a chancela de uma doação — especialmente se, na invasão, vai se construir o “Memorial da Democracia”. Petista construindo “Memorial da Democracia”??? O prédio vai abrigar a sede da Associação dos Humoristas Cínicos? Petista fazendo memória da democracia? Falta agora Asmodeus começar a defender as Santas Escrituras!

Sou contra invasões. A vida, no entanto, vai nos impondo escolhas morais. No caso do terreno em questão, entre ser invadido por Lula, o milionário, e por pobres que não têm onde morar, é claro que eu prefiro que seja ocupado pelos pobres. Ao menos não há risco de se erguer lá uma monumento à mentira.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 15:21

Atual diretor da Polícia Civil do DF disse em junho, quando era apenas delegado, que o petista Agnelo deixaria sede do governo num camburão. O camburão para Agnelo ainda não chegou, mas o delegado foi promovido

Na revista desta semana, reportagem de VEJA demonstrou como o PT atuou, de forma meticulosa, para destruir José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal. Não que não merecesse o destino que teve, depois de tudo o que se soube. A questão é outra: quem pune os ladrões do PT? Quem os investiga? Sempre soa eloqüente uma citação de Padre Antônio Vieira, no Sermão do Bom Ladrão. Vai de cabeça (se não for rigorosamente com estas palavras, vocês acham o preciso no Google: “De um chamado Seronato, disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar: ‘Seronato está sempre ocupado em suas coisas: em castigar furtos e em os fazer’. Não era zelo de justiça senão inveja: [Sidônio] queria acabar com todos os ladrões do mundo para roubar ele só”.

Reproduzo abaixo uma reportagem do site do Correio Braziliense. O texto trata de um vídeo, GRAVADO EM JUNHO, em que o delegado Onofre Moraes conta a interlocutores ter dito a alguém — não fica claro a quem — que o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, ainda deixaria a sede do governo “num camburão”. Disse isso em junho, certo? EM NOVEMBRO, FOI PROMOVIDO A CHEFE DA POLÍCIA CIVIL DO GOVERNO AGNELO.

Leiam o texto do Correio. Ao fim, há o vídeo, longuíssimo, mas inequívoco. A gravação foi feita e divulgada por Edson Sombra, que atua como “jornalista”. Ele teve papel importante na queda de Arruda.
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Um vídeo divulgado na noite desta quarta-feira (1º) compromete o diretor-geral da Polícia Civil, Onofre de Moraes. O jornalista Edson Sombra publicou em seu blog imagens gravadas, com data de 16 de junho de 2011, nas quais o delegado faz críticas à situação enfrentada na época pelo governador do DF, Agnelo Queiroz (PT). O petista era alvo de denúncias relacionadas a financiamento de campanha e à gestão dele no Ministério do Esporte. Onofre também critica a então diretora da corporação, Mailine Alvarenga, além de outros políticos.

As cenas foram gravadas por uma câmera oculta na sala da residência do jornalista, na Asa Norte. Também participam da conversa o delegado Mauro Cezar Lima, atual diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), um empresário e uma quinta pessoa. O grupo busca a publicação de reportagem com denúncias contra o governo. No decorrer da conversa, Onofre demonstra buscar suceder Mailine na chefia da Polícia Civil. Para tanto, ele afirma ter conversado com um interlocutor do governo, que ele chama de Cláudio.

Em certo momento, Onofre diz: “Eu liguei para o (incompreensível) hoje e falei: ‘Quando o seu governador estiver saindo de camburão da Polícia Federal’. Aí ele falou: ‘Isso aí eu acho difícil’. Mas eu falei que o Arruda achava impossível e saiu. ‘Quando o seu governador tiver saindo do camburão da Polícia Federal e eu estiver aposentado e vendo, eu só vou falar: pede a diretora para tirar ele (sic)’. Foi o recado que eu mandei. Direto. ‘Não, o que é isso?’ [teria questionado o interlocutor]. ‘Cláudio, eu estou muito velho pra ficar com esse negócio de amanhã, ou depois’”.

O atual diretor-geral também avalia a situação de Agnelo, por conta das denúncias. “Maurinho (Mauro Cézar), você tem de entender o seguinte. Vai um bandido preso lá na DP e diz: ‘Aquele delegado é um corrupto porque me tomou isso e me tomou aquilo’. O juiz, primeiro, não vai acreditar. Aí vem o segundo bandido, o terceiro. Aí o juiz vai dizer: ‘Ele é bandido mesmo’. É o que vai acontecer com o Agnelo. Vem o primeiro processo, Polícia Federal, Ministério Público, pá, um processo, pá, outro, pá, outro. Sabe o fim dele qual é? Renúncia”, afirma Onofre na gravação.

E o diretor-geral prossegue: “Você é um delegado de plantão, mas faz os seus esquemas. Você é pintinho e ninguém vai querer te destruir. Pra quê?. Vira delegado-adjunto, vai fazendo seus negocinhos, ainda é pintinho. Delegado-chefe, já dá uma olhada. Vira diretor. Aí, nego fuça tudo. O problema do Agnelo foi esse. Enquanto ele era um deputado federal e ficava só no periférico, tudo bem. Foi para o Ministério do Esporte, já… Até como ministro ele nem se expôs tanto. Veio esse negócio, e se o Durval morresse, era pior para ele”. O delegado Mauro Cezar completa: “Quando o cara ganha poder fica cego”.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/02/2012 às 14:45

Premiê assume responsabilidade política pelos confrontos

Na VEJA Online, com Agência Efe:
O primeiro-ministro egípcio, Kamal Ganzouri, assumiu nesta quinta-feira a responsabilidade política pelos confrontos de quarta-feira à noite em um jogo de futebol em Port Said, onde morreram ao menos 79 pessoas. Ele disse ainda que está disposto a prestar contas se for solicitado. ”Vou cumprir qualquer instrução de pedido de explicação sobre o ocorrido, porque sei que sou responsável politicamente”, declarou Ganzouri em discurso no Parlamento, que nesta quinta fez uma reunião de urgência para analisar os incidentes.

Ganzouri admitiu que desde que chegou ao poder, no fim de novembro, “os egípcios não o querem”, apesar de acrescentar que isso não o levou em nenhum momento a abandonar suas responsabilidades.O primeiro-ministro informou à Câmara Baixa do Parlamento que destituiu o chefe dos serviços de Inteligência e de Segurança da cidade de Port Said, onde ocorreram os fatos, e o presidente da Federação de Futebol Egípcia, além de ter aceitado a renúncia do governador de Port Said. Durante a sessão desta quinta, o presidente do Parlamento, o islâmico Saad Katatni, afirmou que a tragédia ocorreu por causa da “deficiência” e “negligência” dos agentes de segurança e alguns deputados pediram a renúncia do ministro do Interior, Mohammed Ibrahim.

Tragédia
Pelo menos 79 pessoas morreram na quarta-feira à noite pelos distúrbios ocorridos após o jogo de futebol em Port Said, onde os torcedores do clube local Al Masry e os do Al-Ahly, do Cairo, iniciaram uma briga. A Junta Militar, que governa o país desde fevereiro do ano passado, declarou nesta quinta-feira três dias de luto nacional e fez uma reunião extraordinária para estudar o caso.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

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