O grande acerto e o grande erro do principal partido de oposição

Publicado em 08/02/2012 13:17 e atualizado em 22/08/2013 12:13 786 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

O tema é complexo e não se esgota em um texto. São necessários milhares; a rigor não trato de outra coisa desde 2006. Todos vimos lideranças do PSDB ontem a apontar o óbvio: o discurso e a militância petista contra as privatizações é uma farsa. E é uma farsa  que combina várias frentes, alcançando o submundo do subjornalismo a soldo, que iniciou uma campanha na Internet para tentar provar que o que se fez nos aeroportos não é privatização, mas “concessão”. Lixo! Vamos ao que interessa.

Eu mesmo apontei aqui que os petistas chegaram aonde o PSDB já havia chegado, mas com 15 anos de atraso. O país experimenta sérias deficiências na infraestrutura porque os petistas tinham de fazer a sua mímica antiprivatista, contra o neoliberalismo, aquela bobajada toda… O senador Aécio Neves (PSDB-MG), ungido por FHC como “candidato óbvio” dos tucanos em 2014 desde que mostre serviço (sintetizo o espírito da coisa…), recorreu a uma imagem que o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros já empregava em 2003 — há 9 anos, portanto — e afirmou que Dilma usa um software pirata do PSDB ao optar agora pelas privatizações. Está tentando, em suma, mostrar o tal serviço que FHC cobrou. É razoável que os tucanos apontem essas incoerências do PT? É, sim! Mas está falando exatamente com quem?

Sim, é verdade, as bandeiras tucanas foram todas roubadas, surrupiadas mesmo!, pelos petistas. Lula, um político muito popular, conseguiu fazer “o mais do mesmo” parecer uma revolução. Boa parte das conquistas de seu governo, sabe-se, derivam dos ajustes — alguns impopulares, como a reestruturação dos bancos privados e estaduais — feitos por seu antecessor, que, não obstante, foi demonizado. Isso para não falar na enorme, na gigantesca tarefa que foi implementar o Plano Real, a raiz profunda da estabilidade experimentada por Lula e agora por Dilma — ainda que, acho eu, sejam muitas as dificuldades que o Brasil está contratando para o futuro. Mas não adianta fazer previsão pessimista em meio à bonança, ou quase isso. Adiantasse, não teria havido 1929 e a atual crise na Europa e nos EUA.

Eu estou entre aqueles que acham, sim, que o PSDB precisa tratar muito melhor a sua história e atuar com mais firmeza e clareza junto aos tais formadores de opinião para retirar o seu próprio passado dos escombros, soterrado pelas muitas mentiras que Lula contou sobre si mesmo e sobre seus adversários. Mas isso é muito pouco — a rigor, é quase nada. Quantos serão sensíveis a esse tipo de apelo? Com que público, afinal de contas, os tucanos estão falando e quais setores da sociedade contam mobilizar com isso? Eu ousaria dizer, infelizmente, que a pregação corre o risco de cair no vazio. Não há hoje, e não estou dizendo que isso seja necessariamente bom, grandes divergências sobre as escolhas “macro”. A privatização, nesse sentido, é um bom exemplo. O fato é que essas questões não chegam exatamente a dividir opiniões. E então chego aonde quero.

As oposições precisam mudar o, vamos dizer, canal de interlocução com a população. Em artigo recente no Estadão, FHC falou de um partido que tem de estar presente “nas universidades, nas organizações populares, nas associações de classe”. Huuummm… Não  sei, não… Será mesmo? Não estará o brilhante FHC sendo traído por suas antigas raízes na esquerda? Não estaria ignorando que ele próprio foi um presidente que fez um bem imenso ao povo brasileiro não porque vocalizasse a pauta desses fóruns dominados por “progressistas”, mas porque soube interpretar uma vontade que ia nas ruas: o fim da inflação? Não que as esquerdas gostassem da inflação. É que sua agenda era de outra natureza. A grande aliança que o tucano conseguiu fazer, vital para a modernização do país, foi mesmo com o PFL. Passou longe das “universidades” ou das “organizações populares”. Ainda bem! Dominadas que estavam e ainda estão pelo petismo, eram estupidamente nacionalistas, socializantes e estatizantes — na exata contramão daquilo que precisava ser feito.

Mas aquele trem passou. Esses setores a que FHC se refere, antes apenas franjas do PT, são hoje braços cooptados e remunerados pelo partido. Lamento! Mas são, vamos dizer, indisputáveis. Vá perguntar nos EUA ou na França se os conservadores tentam disputar influência com os democratas ou com os socialistas nos sindicatos, por exemplo. Sabem que sua praia é outra. E chegamos ao busílis. O PSDB terá a coragem de ser um partido conservador? Refiro-me a uma esfera sempre ausente da política brasileira porque considerada inferior pelos “progressistas” e pelos “donos da opinião”: a dos valores. Não há país democrático no mundo sem um partido conservador forte. O Brasil parece pretender oferecer mais essa jabuticaba.

O que estou querendo dizer é que aquele esforço dos tucanos de demonstrar que Dilma, ao privatizar aeroportos, segue a agenda do PSDB está, em si correto porque é verdade. Mas é de uma brutal ineficiência política. Ok, ok, na próxima campanha eleitoral, talvez não voltem os petistas à ladainha antiprivatista das três últimas campanhas…. Mas isso é muito pouco. O meu ponto: se o PSDB tentar disputar a influência em terrenos já seqüestrados pelo petismo, vai, obviamente, quebrar a cara. Ao contrário: o partido tem de aprender é a falar com o “eleitor Todo Mundo”, aquele que não pertence a aparelhos. Mas, para tanto, terá de dar uma bela sacudida em si mesmo. Ou tende a desaparecer.

Faltam exemplos neste texto, eu sei. E chegou a hora de elencá-los. Onde estava e, de certo modo, onde está o PSDB COMO PARTIDO — não como expressão isolada de um líder ou outro — nessa crise do Pinheirinho? Aécio Neves é agora “o candidato óbvio”, certo? Como reagiu a uma das maiores orquestrações de que se tem notícia do governo federal contra um governo estadual de um aliado seu? Houve uma verdadeira conjuração palaciana contra Geraldo Alckmin e contra São Paulo, de braços dados com mentirosos profissionais, canalhas a soldo pagos com dinheiro público para caluniar, injuriar, difamar… E o que fez Sérgio Guerra nesse tempo? E o CONJUNTO - não um ou outro - dos deputados e senadores? Houve, sim, manifestações esparsas e esporádicas, mas, lamento!, NÃO SE VIU UM PARTIDO.

Por quê? Ora, porque é fato que havia muitos tucanos tentando se afastar do problema, temendo a máquina oficial de propaganda. Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, emitiu uma dura nota a respeito — Guerra estava fora do país. Mas ela não parecia traduzir a indignação da legenda como um todo. Muitos talvez quisessem que isso é “coisa lá de São Paulo”. Sim, senhores! Estamos tratando agora da esfera de valores, esta na qual os tucanos não entram de jeito nenhum! Têm um pavor patológico de parecer “reacionários”. Às vezes, fico com a impressão que muitos deles lutam desesperadamente para ser considerados boas pessoas pelos… petistas!

Vamos avançar um tantinho mais, para deixar alguns tucanos ainda mais escandalizados. Um partido que estivesse, como se diz, “nos cascos” não deixaria passar em branco as declarações da nova ministra da Secretaria das Mulheres, a tal Eleonora Menicucci, que andou a dizer barbaridades ontem sobre o aborto. Qualquer partido decente, ainda que achasse a cureta um verdadeiro poema, repudiaria os termos e, sobretudo, destacaria que a escolha vai na contramão do discurso da candidata Dilma Rousseff. Mas é evidente que o PSDB não o fará porque já li aqui e ali que alguns deles consideram o debate de 2010 um equívoco — como se ele tivesse sido feito pelo partido. Errado! Foi feito por parcelas da sociedade.

Daqui a pouco, a tal lei que criminaliza a homofobia voltará à pauta. Vamos ver em que termos. A chance de que se tente impor, sob o pretexto de garantir a igualdade, uma forma de censura, especialmente religiosa, é imensa. O PSDB terá a coragem de defender a liberdade de crença ou tentará disputar influência com o PT no movimento gay — o que sempre será inútil? Até a greve dos policiais da Bahia fala um tanto do PSDB. Apoiar o movimento seria, obviamente, impensável, e não serei eu, que me oponho à greve de qualquer servidor público, a recomendá-lo. Apontar, no entanto, a irresponsabilidade do viajante Jaques Wagner é um imperativo político e moral.

Sim, tucanos, um dia uma parcela dos historiadores — não todos porque os tarados ideológicos não o farão — vai reconhecer os méritos da gestão de FHC e os truques todos a que recorreu Lula para esconder a obra do antecessor. É importante que vocês digam a verdade, na esperança de que vire um registro. Mas a política mesmo está em outro lugar, está com os valores. Se o PSDB não seguir o exemplo dos grandes partidos de oposição do mundo democrático, que têm a coragem de debatê-los, pode, então, pendurar a chuteira.

Só que há um porém: na média, o povo brasileiro é bem mais conservador do que a esmagadora maioria dos tucanos. Ou eles decifram esse povo ou serão devorados de novo.

Por Reinaldo Azevedo

 

O aborto, os amantes de tartaruga e a lutade classes

Ora, ora, ora…

É claro que eu sabia que a imprensa, na média, faria uma cobertura benevolente — e moralmente invertida — das entrevistas concedidas pela nova ministra das Mulheres,  a senhora Eleonora Menicussi, aquela que está pronta para ser capa da “Edição Vermelha” de “Caras”, já que gosta de tratar de suas intimidades, porém edulcorando-as com brocados ideológicos. É a Val Marchiori da revolução socialista e da revolução de costumes. “Helô-ou”

A abordagem, na média, distorceu o sentido de suas entrevistas. Logo de cara, nos dois primeiros dias, dedicou-se a um frenético proselitismo em favor da legalização do aborto — é próxima de entidades ligadas a esta nobre causa!!! —, mas, claro!, ela o fez “a nível” (como eles diriam) de pessoa “que não foge da briga”, não “a nível” de ministra; nesse caso, diz, seguirá a política do governo. Uau! Que ousadia, hein?!

Eu gostei dessa coisa destemida, corajosa, de “não fugir da briga”. Briga com quem? Com o feto, que não tem como se defender? O que ele pode fazer? Atacar? Sair correndo? Pedir o direito ao contraditório? Mas eu entendo essas almas militantes: o que se pretendia com essa frase, que mereceu destaque na “imprensa companheira”, era fazer soar a corda do passado heróico, de quando Eleonora era membro do POC (Partido Operário Comunista) e praticava assaltos para financiar a luta pelo socialismo. Essa verdade cristalina, insofismável, ganhou uma versão mentirosa nos tempos modernos: seria luta por democracia.

Vá lá. Eleonora corria riscos aos menos. E acabou se dando mal. Consta que foi torturada. E torturadores estão, para mim, no pior dos círculos do inferno, junto com os exterminadores em massa de fetos. Todos, afinal, atacam quem não tem chance de defesa. E aqui faço uma ressalva importante. É claro que mulheres Brasil e mundo afora são colhidas por circunstâncias terríveis, que não são, muitas vezes de sua escolha. Sou sensível a essas particularidades e não quero mandar para o banco dos réus gente que já sofreu o bastante. O meu grande desprezo — e estes são imperdoáveis — é dedicado aos formuladores e propagadores da teoria da morte.

Sua tática consiste, já apontei aqui, em coisificar o feto para que possam defender a solução final sem remorso. A ironia que fiz com o ovo da tartaruga deixou os abortistas irritados por uma única razão: eu também transformei o “ovo” humano numa “coisa” — no caso, uma coisa que eles prezam. Ao fazê-lo, eu os capturei numa armadilha que não tem saída. A que parecia plausível foi aquela empregada pelo ex-leitor (espero!) deste blog no post anterior: “Ah, as tartarugas estão em extinção; por isso, destruir seu ovo deve ser proibido…” Logo, tem-se que o ovo é tartaruga em outro estágio. E o feto — ou, mesmo, se quiserem, o embrião (eu também não fujo da briga) — é o quê? Defender que a eliminação do embrião ou do feto humanos não seja crime tem como corolário que não seja crime destruir ovos de tartaruga, ora essa! Os abortistas ficaram irritados porque a esmagadora maioria deles é defensora incondicional da preservação das tartarugas… Terão percebido a ironia?

Outro argumento vigarista
Outro argumento vigarista dos aborteiros apela — ou eles não seriam eles — à luta de classes. Foi o que fez a nova ministra ao sustentar que mulheres mortas em decorrência do aborto provocado constituiriam um grave problema de saúde pública. Foi então que disparou um raciocínio que vai entrar para a história (inclusive da sintaxe): “O aborto, como sanitarista, tenho que dizer, ele é uma questão de saúde pública, não é uma questão ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas.”

Bem, eu não tenho modo mais delicado de dizer isto: É MENTIRA! Todos os números, RIGOROSAMENTE TODOS, empregados pelos defensores do aborto são falsos. Como eu sei? Inexiste uma base de dados para sustentar a mortandade em massa de mulheres em decorrência de abortos malfeitos. Os hospitais não estão nem mesmo burocraticamente equipados para distinguir procedimentos pós-aborto provocado de procedimentos pós-aborto espontâneo. Isso é uma fantasia.

A consideração da ministra remete a um  fetiche ideológico: a proibição do aborto puniria apenas as mulheres pobres, já que as ricas podem recorrer ao expediente. Sei. É o feto usado como instrumento da luta de classes. Digamos que assim fosse ou que assim seja, qual é a tese: a incidência de um fator derivado da desigualdade social muda a natureza do problema? Não seria, então, o caso de estreitar a fiscalização para punir as clínicas abortivas dos “ricos” em vez de generalizar a prática também entre os pobres? O estado que falha em garantir educação e saúde decentes será pressuroso em fornecer aos pobres a indústria da morte? É um juízo de matriz delinqüente. O que há? Desistimos de vez das políticas de educação?

Questão religiosa
E convém, finalmente, parar com a patrulha religiosa. Eu não me oponho ao aborto “só porque” sou católico. O correto é dizer “também porque sou católico”. Se fosse ateu ou agnóstico, creio que pensaria a mesma coisa — conheço alguns que também se opõem com veemência.

Não me peçam para tratar a vida humana como “coisa”, sujeita à engenharia social de iluminados e bem-intencionados. Eu sei bem aonde isso vai dar porque sei aonde isso já deu. A minha tese é outra e ficará para um outro post: é a militância anti-religiosa burra que transformou o aborto numa tese “progressista”. Mas eu tenho uma novidade para muitos: a interdição ao aborto numa certa comunidade há coisa de dois mil anos protegeu as mulheres, especialmente as pobres. E a liberação do aborto hoje num pedaço do planeta, vocês verão, se transformou numa política de perseguição às mulheres.

Nada disso!
Eu sou progressista. Defendo incondicionalmente a vida humana.
Reacionária é dona Eleonora Menicussi, aquela que “não foge da briga”… com o feto!

Por Reinaldo Azevedo

 

PARTIDO DE DUAS CARAS - PT forma grupo de deputados para dar apoio a Wagner; fosse em SP, partido também faria comissão, mas para apoiar grevistas

Sim, meus textos sobre a Bahia começarão sempre assim. Eu sou contra greve de PMs. Quem era a favor era Jaques Wagner. Quem ainda é a favor são os petistas, desde que não seja em governo deles. Anteontem, indagado a respeito, Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, terceiro homem na hierarquia da República, não hesitou: considera a greve de homens armados um direito. A hipocrisia está demonstrada. Quantos dão bola pra ela? Não sei e não estou nem aí. Lido com fatos. Sempre.

Se o assunto é hipocrisia, ninguém consegue competir com os companheiros. Leiam o que informa Catia Seabra na Folha Online. Volto em seguida.

Reunidos na liderança do governo na Câmara, os deputados de partidos que compõem a base do governador Jaques Wagner (PT) na Bahia divulgaram uma nota contra a greve de policiais no Estado. Segundo o coordenador da bancada, Nelson Pellegrino (PT), as gratificações reivindicadas pelo movimento terão um impacto de R$ 170 milhões anuais, até 2014. “Conclamamos a PM ao retorno ao trabalho”, disse o deputado.Uma comissão de 13 deputados embarca agora num voo da FAB para entregar a nota ao governador.

A greve de policiais militares já dura uma semana na Bahia. Ontem (7), a Polícia Federal prendeu o sargento Elias Alves, um dos líderes da greve. Esse é o segundo dos 12 mandados de prisão expedidos contra comandantes da paralisação no Estado que foi cumprido. A Assembléia Legislativa da Bahia foi invadida pelos grevistas e está cercada por homens do Exército desde a madrugada de segunda-feira. Diversos focos de tumulto já ocorreram no local, e homens do Exército usaram balas de borracha e bombas de efeito moral.

Voltei
Quem lidera o manifesto e a comissão? Nelson Pellegrino? Foi um dos ativos apoiadores da greve de PMs em 2001, no governo Cesar Borges.

Que gente notável!

Na greve de um setor minoritário da Polícia Civil em São Paulo, em 2008, o PT também  fez uma comissão de deputados, SÓ QUE A FAVOR DA GREVE. A CUT, braço sindical do PT, emitiu uma nota de solidariedade a homens que iam armados a assembléias e estimulou uma marcha rumo à sede do governo. Apostava-se no caos.

Eis o PT: quando policiais fazem greve contra governos de adversários, eles apóiam os grevistas; quando é contra governos do partido, eles chamam os mesmos grevistas de “bandidos”.

Ah, sim: o povo baiano está, evidentemente, com medo e com raiva. Pellegrino, que disputará a Prefeitura de Salvador pelo PT, aproveita para antecipar sua campanha eleitoral.

Há práticas que estão mais para o banditismo do que para a política.

Por Reinaldo Azevedo

 

Leiam isto: O rapaz tenta me explicar por que se devem matar fetos e preservar ovos de tartaruga

Um tal Fernando Gamarano envia um comentário nos cascos. Como ataca um político da oposição em termos inaceitáveis, dando curso a uma calúnia, sei bem a origem do bruto. Esse trecho, eu omiti porque ele não vai contar com a minha ajuda para espalhar canalhices.

Fiz uma ironia, e os cascudos não perceberam a ironia (não me digam!), afirmando que os fetos humanos deveriam ser considerados “ovos de tartaruga”, já que eliminá-los ou comê-los é crime. E só é porque, afinal, no ovo, está uma nova tartaruga. Aí o valentão me escreve:

Você é um ignorante.
A tartaruga-marinha é uma espécie em risco de extinção.
O homem não é.
Por isso os ovos de tartaruga são protegidos por lei.

Quanto ao aborto, legalizá-lo somente acabaria com a hipocrisia em que vivemos.
Quem tem grana faz aborto na hora que quer. Quem não tem grana, faz de qualquer jeito e morre por infecção.
Como você e seus congêneres não gostam de pobre, continue defendendo o seu ponto de vista.

Comento
É o pensamento de um esquerdopata típico. Como o homem não está em extinção, então se pode dispor dos fetos à vontade, entenderam? Como o Gamarano não gosta de “hipocrisia”, então ele reivindica que se mate dentro da lei. E ainda empresta à sua teoria homicida um viés social.

É, valentão… Então vamos ao povo. Vamos ver o que ele pensa a respeito. Vamos ver com quem estão os pobres nessa questão. Tratarei em outro post sobre a “questão social”. Não para responder a você — a primeira linha do seu comentário já o desqualifica para o mundo dos humanos (tente o das tartarugas), mas porque a própria ministra resolveu tanger mais essa corda da indignidade.

Vá procurar a sua turma. Suma do meu blog! Eu tenho milhares de leitores! Há quem precise de um ao menos…. Seu lugar não é aqui.

Por Reinaldo Azevedo

Vocês já leram. Agora peço que ouçam a voz de Jaques Wagner a defender a greve de PMs em 1992 e a incentivar o comando a se rebelar contra o então governador. Ou: Um homem protegido de si mesmo e o ziriguidum

Eu tenho, vamos dizer assim, moral para criticar greves de policiais. Sou contra! Sempre fui. Quem não tem é o governador Jaques Wagner (PT). Quem não tem é o ex-presidente Lula. Quem não tem é o PT. Publiquei ontem aqui o fac-símile do discurso que o então deputado Wagner fez em 1992 em apoio aos PMs que tinham entrado em greve no ano anterior, durante o governo de Antônio Carlos Magalhães, do PFL. Hoje, trago a voz do homem pronunciando aquelas palavras. Republico a imagem e, logo abaixo, a banda sonora — nada como ouvir aquele tom soturno em apoio à indisciplina e ao caos. Volto em seguida.

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Voltei
Mais de 100 pessoas mortas em oito dias só na grande Salvador. Não obstante, do comandante-geral da PM ao governador, passando — o que é espantoso! — pelo próprio jornalismo, todos asseguram que “o Carnaval está garantido”. Nada contra a alegria e tudo a favor. Mas é preciso ser minimamente decoroso. Não fosse por outra razão, os familiares dos mortos nestes oitos dias de desordem merecem um pouco mais de respeito.

Mas isso ainda é pouco. Na Globo — não sei se também nas outras emissoras —, o governo da Bahia está veiculando uma propaganda ligada ao Carnaval que associa o estado à alegria, à folia, à cordialidade, à paz, a tudo aquilo que, nestes dias, está ausente. Ao contrário: qualquer pessoa razoável há de supor um permanente malaise baiano, que só não se manifesta com mais freqüência porque reprimido pela polícia. Sem ela, a carnificina. O índice de homicídios no Estado é escandaloso. Algo de muito errado se passa por lá além da greve.

A Bahia, com todos aqueles militares cercando a Assembléia Legislativa, pode até remeter a um clima de guerra, mas a cobertura das TVs é bastante pacífica. Parece que choque com a polícia só rende boas imagens em São Paulo. Wagner, o incompetente viajante, está sendo tratado como um responsável conciliador — firme, mas muito humano…

Nada daquela cobertura nervosa, até com helicópteros, que se viu na reintegração de posse da USP ou mesmo, pasmem!, na Marcha da Maconha, em que os defensores da ordem, em São Paulo, eram tratados como pessoas suspeitas… Se o padrão de comparação for o Pinheirinho, aí, então, não tem pra ninguém! Os nossos candidatos a Sergei Eisenstein pareciam estar diante da versão terrestre do Encouraçado Potemkin…  Do lado de fora da Assembléia, há mães, mulheres, filhos e irmãs dos policiais amotinados, aquela gente que Wagner prezava tanto em 1992… Não falam! Ninguém põe o microfone nas suas bocas. Já os comerciantes reclamam abertamente da irresponsabilidade “de baderneiros”.

As TVs, em suma, gostam de Jaques Wagner. O homem dá entrevistas, e ninguém lhe pergunta por que apoiou greve de PMs em 1991 e em 2001, junto com toda a bancada federal do PT — na segunda jornada, isso inclui Nelson Pellegrino, que será candidato do partido à Prefeitura de Salvador.

Encerro
É claro que a forma assumida pelo protesto dos policiais da Bahia é inaceitável. Mas também é inaceitável que Wagner não seja confrontado consigo mesmo em eventos distantes e recentes.

E, em nome do decoro, façam todos o favor de não falar em Carnaval antes que se resolva o imbróglio. Com um pouquinho mais de decência, o governador mandaria tirar do ar a propaganda enganosa. Primeiro restabeleça a ordem em seu estado para vender depois o ziriguidum.

Por Reinaldo Azevedo

 

Já que os civis fizeram cerda na Bahia, chamem o general! E o general foi lá e deu o seu recado. Afinal, guerra é com os políticos, não é?

Pois é… Um dia depois de Dilma Rousseff ter nomeado uma nova ministra que parece insistir em reviver, com memória seletiva, um passado que passou, assistimos a um evento realmente extraordinário: um general do Exército com nome de poeta nativista, Gonçalves Dias, protagonizou um momento, vá lá, poético em meio ao caos em que se transformou a Bahia do viajante Jaques Wagner. A reportagem do JN está aqui. O trecho que interessa a este post começa aos 3min27s.

Transcrevo parte da reportagem (os vídeos da Globo estão sem código de incorporação — ou eu não o achei):

O general Gonçalves Dias, que comanda a tropa que cerca o local, conversou com os grevistas.
“Peço aos senhores que se as pautas que estão sendo discutidas pelos políticos e não forem atendidas, vamos voltar a uma negociação e não poderá haver confronto entre os militares. Eu estarei aqui bem no meio dos senhores sem colete. Não vou colocar porque não vai haver combate, não vai haver invasão, não vai ter nada”, anunciou.

Ao fim da conversa, o general, que faz aniversário nesta terça, foi surpreendido pelos manifestantes. Ganhou um bolo e se emocionou com a confraternização.

Encerro
Pois é… Foi preciso chamar o general. No dia 31, enquanto a greve era decretada numa assembléia que estava marcada havia uma semana, Jaques Wagner estava aqui, ó…

Jaques Wagner acompanhou Dilma Rousseff a Cuba quando a segurança pública da Bahia entrava em transe, com uma greve já decretada. Enquanto abraçava um notório assassino em Cuba, Raúl Castro, os assassinos do povo baiano se preparavam para agir. Cuba era o sonho dourado da turma para

Jaques Wagner acompanhou Dilma Rousseff a Cuba quando a segurança pública da Bahia entrava em transe, com uma greve já decretada. Enquanto abraçava um notório assassino em Cuba, Raúl Castro, os assassinos do povo baiano se preparavam para agir. De volta ao Brasil, foi preciso chamar o general...

Por Reinaldo Azevedo

 

08/02/2012 às 6:35

Governo vê riscos de crise da PM se alastrar para 6 Estados

 Na Folha:
O governo federal vê risco elevado da greve da PM baiana se alastrar para mais seis Estados. O Rio é considerado o mais crítico de todos eles, inclusive pelo temor de haver cenas violentas às vésperas do Carnaval, daqui a dez dias. Além do Rio, onde a polícia decide amanhã se para ou não, o serviço de inteligência do Palácio do Planalto classifica como “Estados explosivos” Pará, Paraná, Alagoas, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O acompanhamento começou após os conflitos se agravarem em Salvador, onde a greve dos PMs foi decretada na terça da semana passada. O governo federal monitora ainda o Distrito Federal, que ontem registrou protesto de apoio aos PMs da Bahia. “Se não tiver aumento, não terá segurança no Carnaval. Se está ruim em Brasília, imagina em outros Estados?”, disse o sargento Edvaldo Farias, da Associação dos Oficiais Administrativos da PM. O piso brasiliense, de R$ 4.000, é o maior do país. Na Bahia, por exemplo, ele é de R$ 2.173,87.

A presidente Dilma Rousseff foi comunicada na sexta de que o levante baiano fazia parte de uma articulação nacional para pressionar o governo a apoiar, no Congresso, a aprovação da PEC 300. A proposta de emenda constitucional estabelece um piso salarial para bombeiros e PMs. O problema é que, por limitações de verba, nem Estados nem a União estão dispostos a bancar a medida. Ontem, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro decidiu adiar para amanhã, mesmo dia em que os policiais do Estado decidirão ou não pela greve, a votação da proposta do governo estadual de reajuste para as polícias. Há representantes de policiais fluminenses em Salvador. A ideia é verificar as ações do governo federal, além de conversar com líderes do movimento e com os policiais que não aderiram a ele.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 23:07

Maia descarta convocar Mantega para falar de Casa da Moeda

Por Nathalia Passarinho, no Portal G1:
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, descartou nesta terça-feira (7) convocar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a prestar explicações no plenário da Casa sobre denúncias envolvendo a Casa da Moeda. O ex-presidente da estatal, Luiz Felipe Denucci, foi demitido no final de janeiro após denúncias de irregularidades, como recebimento de propina.

Nesta manhã, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) protocolou requerimento para que o ministro preste esclarecimentos no plenário. No entanto, para Marco Maia, o plenário da Câmara é lugar para discussão de “temas nacionais”. “O plenário é o espaço nobre para fazer grandes debates de grandes temas nacionais. A Casa da Moeda não é um grande tema. É um tema específico que deverá ser remetido às comissões para avaliação”, afirmou Maia.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que “não há motivo” para Mantega se explicar no Congresso. Mais cedo nesta terça, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a orientação à base do governo é evitar a aprovação de convite ou convocações ao ministro da Fazenda. O PSDB protocolou, na segunda-feira (6), requerimento de convite para que o ministro preste explicações na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 22:39

DIAS IMORAIS - Sem acordo, com mais de 100 mortos, PMs grevistas cantam que “o carnaval acabou”; Jaques Wagner canta que não acabou

Mais tarde, escreverei a respeito. Vai aqui um pequeno flagrante da vida púbica brasileira. Fiquem agora com o que informa Tiago Décimo, no Estadão Online:

Após receberem a notícia de que haviam falhado as negociações para que a greve parcial da PM na Bahia fosse encerrada, os grevistas amotinados na Assembleia Legislativa da Bahia e os que estão do lado de fora do prédio começaram a cantar que “o carnaval acabou”, numa alusão à manutenção da paralisação até a próxima semana.

A movimentação dos grevistas fez com que as tropas do Exército voltassem à formação do cordão de isolamento da Assembleia e que chegassem mais militares à área, mas não houve confronto.

De acordo com o comandante-geral da PM do Estado, coronel Alfredo Castro, não há possibilidade de a greve atrapalhar a festa popular, tida como a maior do mundo. “Teremos um carnaval tranquilo, como tem sido a festa nos últimos anos, com a Polícia Militar atuando nas ruas”, afirma. “Não há razão para acreditar em outra possibilidade.”

Segundo o governador Jaques Wagner, não houve nenhuma modificação no planejamento da festa. “Vamos iniciar o transporte dos policiais do interior para a capital, ação que dá início à Operação Carnaval, no dia 14″, afirma. “Entre logística e pagamento de adicionais pela atuação na festa, o Estado vai investir R$ 30 milhões.”

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 22:25

Fitch põe ratings de Triunfo e Invepar em observação negativa

Na VEJA Online:
A agência de classificação de risco Fitch colocou nesta terça-feira os ratings da Triunfo Participações e da Invepar, ambas integrantes de consórcios vencedores no leilão de aeroportos desta segunda-feira, em observação negativa. A decisão significa que as notas para o endividamento das companhias podem ser rebaixadas posteriormente pela empresa.

Triunfo
A nota nacional de longo prazo da Triunfo e de sua terceira emissão de debêntures (título de dívida privado), no valor de 180 milhões de reais, é “A+(bra)”. O consórcio no qual a Triunfo tem participação de 45% venceu a disputa pela concessão do aeroporto de Viracopos (SP) com oferta de 3,8 bilhões de reais, contra um valor mínimo definido pelo governo para outorga de 1,5 bilhão de reais.

Os investimentos previstos em Viracopos são de 8,7 bilhões de reais em 30 anos de concessão. Parte desse valor caberá à Triunfo, que viu suas ações sofrerem uma queda acentuada nos dois últimos pregões na Bovespa, diante do temor de investidores com o retorno a ser conseguido com o terminal.

“A Fitch solucionará a observação negativa (do rating da Triunfo) tão logo tenha acesso às estratégias e às condições de financiamento vinculadas a esta aquisição e obtenha mais informações sobre a geração de caixa operacional esperada e o fluxo de investimentos programados”, informou a agência de classificação em nota.

Invepar
A Invepar, por sua vez, integra, com 90% de participação, o consórcio vencedor do leilão pelo aeroporto de Guarulhos, com lance de 16,2 bilhões de reais - quase cinco vezes o piso pedido pelo governo. A Fitch também informou que espera por mais informações sobre as estratégias da companhia para o empreendimento. A nota da empresa em moeda local é “A(bra)”, ao passo que o rating em moeda estrangeira e local é “BB-”.

A agência disse considerar provável um aumento de capital da Invepar com injeção de recursos pelos acionistas - entre eles os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef, além do Grupo OAS. “As demonstrações financeiras da Invepar já apresentam um volume elevado de endividamento, e as atuais medidas de crédito da companhia são modestas para o seu rating”, avaliou a Fitch.

Para a agência de risco, eventuais emissões de dívida em valores relevantes pela Invepar para suportar o direito de explorar Guarulhos “poderão gerar forte pressão sobre o rating, levando ao rebaixamento em diversos graus”.

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 22:00

Vejam como Lula e Dilma estão na origem da radicalização dos movimentos das PMs Brasil afora. Não é uma opinião, é um fato. COM VÍDEO E TUDO

Vocês já ouviram falar da Proposta de Emenda Constitucional nº 300, a PEC 300? Ela iguala o salário das Polícias Militares de todos os Estados ao que se paga no Distrito Federal, que tem a PM mais bem-paga do país. É uma espécie de fomentadora continuada de revoltas das polícias Brasil afora. Como isso começou? Ora, com uma formidável parceria entre Luiz Inácio Lula Apedeuta da Silva e José Roberto Arruda, então governador do Distrito Federal, que já estava nas teias do petismo, bem perto de ser destruído. Não que não merecesse, como se sabe. A população do DF é que merecia saber quem era o petista Agnelo Queiroz… Mas esse é outro assunto. Vamos lá. Ah, sim: depois Dilma deu os braços ao desastre. Vamos ao que é história.

No dia 8 de maio de 2008, o Apedeuta assinou a Medida Provisória 426, que concedia reajuste de 14,2% aos 28 mil policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, extensivo aos que já estavam na reserva. O aumento era retroativo a fevereiro, e o atrasado, pago numa vez só. O piso dos coronéis da PM do DF passou para R$ 15.224, e o dos soldados, R$ 4.117. Hoje, deve ser maior. Pesquisem aí. Por que por MP? Porque os gastos com segurança, saúde e educação do Distrito Federal são bancados por um Fundo Constitucional. Vale dizer: saem dos cofres da União! Fez-se uma grande festa em Brasília. Adivinhem quem foi a estrela. Então é chegada a hora de ver o filme, com Lula no melhor da sua forma.

Na prática, como se nota, Lula é o pai da matéria. E vejam como ele gosta de fazer proselitismo em porta de quartel. Ele próprio previu, sindicalista que foi, o óbvio: a reivindicação se estenderia país afora.  Tudo no maior ufanismo.

O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) não teve dúvida: apresentou a PEC 300, nacionalizando, então, o piso. Voltem ali ao discurso de Lula. Em 2008, ele ainda não tinha tanta certeza de que Dilma seria eleita. Parecia ter certa desconfiança. E já se via, fora da Presidência, associado aos sindicatos, pressionando o governo federal a fazer o que ele próprio não teria conseguido. E, vocês viram, o Brasil nunca foi tão bom, tão bacana, tão justo, com tanta auto-estima…

Era evidente que os estados quebrariam caso os salários se igualassem. Faria de Sá deu um jeitinho e pôs no texto um penduricalho interessante: ficou estabelecido que a União arcaria com aquilo que os estados não puderem pagar. Mais precisamente: seria criado um fundo de compensação, e o governo federal repassaria aos estados o que excedesse o valor atualmente gasto com salários. O governo Dilma agora enrola os policiais. Foi sempre assim? Ah, não foi, não!

Dilma usou a PEC 300 contra Serra na campanha de 2010
Há um deputado estadual em São Paulo chamado Major Olimpio, do PDT. Ele chegou a ser cotado para vice de Aloizio Mercadante (PT) na disputa pelo governo de São Paulo em 2010. Foi um ativo colaborador da campanha da Dilma. Policiais do Brasil inteiro receberam correspondência afirmando que o tucano José Serra era contra a PEC 300 — logo, entendia-se que Dilma era favorável! Michel Temer (PMDB), hoje vice-presidente, comprometeu-se com os policiais. Nota: Serra nem havia tocado no assunto.

Agora o governo federal tenta se virar com o espeto. E quem arca com o custo político das mobilizações das Polícias Militares? Ora, os governos dos Estados, inclusive os da base aliada. Na prática, especialmente depois daquele discurso tão eloqüente, Lula é o pai da PEC 300, certo? Os policiais devem cobrar o apoio do companheiro, que ajudou a eleger a companheira. A proposta é pagar aos policiais do Brasil inteiro o que se paga no DF e mandar a conta para o governo  federal.  Lula avaliou que a 300, assim como a 51, também era uma boa idéia!

Encerro
Este texto, com alterações ditadas pela conjuntura, foi escrito aqui no dia 11 de novembro de 2010, como vocês poderão constatar se quiserem. Não preciso que as pessoas morram nas ruas como moscas para perceber o desenho de um desastre, meticulosamente planejado. Como o próprio Apedeuta deixa claro no vídeo, aquela solenidade poderia ter sido feita no gabinete. Mas ele preferiu as multidões, insuflando policiais do país inteiro.

Quem pode ser contra a que policiais ganhem salários maiores? Mas é preciso ver o que cabe no Orçamento dos Estados. Como não cabia, o deputado que fez a proposta decidiu mandar a conta para a União.

Vá lá, Dilma, pague tudo! Afinal, o  governo federal nem mesmo está obrigado a cumprir o rigor de uma Lei de Responsabilidade Fiscal. É claro que as contas públicas sofrerão um rombo. Conseqüência de uma lei perversa que os petistas costumam seguir à risca: a Lei da Irresponsabilidade Eleitoral!

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 21:06

Não tem jeito! Eles são incuráveis! Aqui, uma diferença moral importante entre um petista e um tucano

Vejam as conseqüências da greve dos policiais militares na Bahia. Mais de 100 mortos na grande Salvador desde o começo do movimento.

Pois bem! No Jornal Nacional, eis que vejo o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que faz oposição ao PT — justamente o partido do governador da Bahia, que sofre óbvio desgaste com a paralisação — a afirmar o óbvio: gente armada não pode fazer greve. Aliás, as Polícias Militares são, segundo a Constituição, grupamentos subsidiários das Forças Armadas. Nem aquelas nem estas podem parar.

O Jornal Nacional decidiu ouvir Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, terceiro homem da hierarquia da República. E ele não teve dúvida: defendeu o chamado direito de greve também para os PMs — fazendo a ressalva da garantia de serviços essenciais… Quais, valente? Caso se garantam, sei lá, 30% dos policiais nas ruas, o “essencial” estaria assegurado?

Eis aí. Nunes Ferreira poderia fazer como fazem os petistas quando se referem a problemas ocorridos em estados governados por adversários: atacar o Executivo. Não o fez. E está correto, até porque cuidava de uma outra questão. Mesmo opinando sobre 100 cadáveres, o petista Maia não quis nem saber. Defendeu um “direito” que cassa os direitos de milhões. Eis o PT!

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 20:38

Projeto “TAMAR” em vez do projeto “MATAR”

Do leitor Marc, sobre a ironia que fiz com a equiparação de fetos humanos a ovos de tartaruga:

“É o velho binômio: Projeto TAMAR vs Projeto MATAR”

Eu diria, meu caro Marc, que não é “versus”. Vamos pedir que o projeto “TAMAR” tome o lugar do projeto “MATAR” e proteja também os fetos humanos

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 19:51

Quem armou o gatilho das PMs em todo o Brasil?

Ainda vou explicar aqui: quem armou o gatilho das revoltas das PMs Brasil afora foi uma parceria entre José Roberto Arruda — sim, aquele governador defenestrado do Distrito Federal — e Luiz Inácio Lula da Silva. Sim, o Apedeuta. Àquela altura, já demonstrou reportagem da VEJA, os petistas já preparavam a destruição de Arruda, mas Lulinha o tratava com salamaleques. Daqui a pouco.

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 19:33

QUE FETOS HUMANOS SEJAM CONSIDERADOS OVOS DE TARTARUGA! QUE SEJAM PROTEGIDOS PELO IBAMA!

Tartarugas são animais protegidos, como sabemos. Eu aposto que há mais ONGs empenhadas em salvá-las do que entidades dedicadas ao combate ao aborto. Mas não são apenas as tartarugas nascidas que estão sob tutela. Não! Não só é proibido comer a carne do bicho como também é proibido se alimentar de seus ovos, hábitos de várias comunidades no Brasil que foram postos na ilegalidade.

Se alguém argumentar que um ovo de tartaruga ainda não é uma tartaruga, será tomado por idiota ou cínico. Porque é certo, salvo algum evento da natureza, que, lá vem um quase-poema concreto, no ovo está o novo que renova o velho.

Por alguma estranha razão que ainda não foi suficientemente explicada — e não há um só abortista que tenha conseguido fazê-lo — há quem considere que o “ovo” humano não contém o humano.

Dona Eleonora comparou um aborto a uma infecção, ao vírus da AIDS, ao crack. A imoralidade dessa gente me obriga a animalizar o humano para protegê-lo de certos humanos. Que o feto da nossa espécie ganhe o status de um ovo de tartaruga!

Que o Ibama cuide dos fetos do Homem, já que os humanistas de Dilma o consideram um vírus a ser combatido por políticas públicas!

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 19:07

Algumas questões essenciais sobre o aborto. Vamos fazer este debate

Não, não me intimidam, não! Debato a questão do aborto quantas vezes for necessário debater. Dona Eleonora, a nova ministra, defende a sua legalização? Que o faça! Não estou cobrando que ela seja censurada. Censura houve no Brasil contra os que se opõem à prática — censura aplaudida por amplos setores da imprensa. O que aponto no meu texto, nesse particular, é a trapaça do governo Dilma: elegeu-se com um discurso e nomeia uma ministra que defende o contrário do que foi prometido. É claro que as correntes favoráveis à legalização ganharão um impulso novo. No que concerne à política, Dilma e o PT mentiram para o eleitorado, especialmente para os evangélicos, que receberam uma “carta” da presidente.

Quanto à questão social relacionada ao aborto, já escrevi mais de uma vez as formidáveis mentiras que se contam sobre o número de procedimentos feitos no Brasil, legais ou clandestinos. Basta recorrer ao arquivo. Os militantes da causa, para variar, superestimam as ocorrências para tentar ter razão no berro.

Agora vamos o mérito. Há pessoas que são contrárias à legalização. Há. Sou uma delas e, nesse caso, ainda pertenço à maioria. E há as que são favoráveis. Por mais que eu ache a tese asquerosa, teria mais respeito por alguém que dissesse algo assim: “Sou a favor e pronto; sei que aquele negócio que está lá na barriga da mulher é vida — já que mineral não é. E é uma forma de vida humana, ou dela derivada ao menos, já que também não é um vegetal. Mesmo assim, acho que a mulher tem o direito de arrancar fora e pronto! E deveria poder fazê-lo a qualquer momento. Afinal, aprendi com alguns doutos debatedores que uma pessoa é uma pessoa só depois que sai do ventre”.

Acho isso um lixo moral? Sim! Acho que isso abre as portas do horror? Sim! Mas é, ao menos, uma opinião mais honesta do que outros que pensam rigorosamente isso, mas, covardes que são, escondem-se atrás do discurso supostamente humanista de “proteção à vida da mulher”; do discurso feminista (”a mulher tem direito a seu corpo”) e, agora, além do limite do asqueroso: sanitário. Repudio, sim, a tese em si, mas repudio também a covardia. Tenham a coragem de assumir com clareza uma posição.

Por isso, eu lhes proponho que leiam com atenção o que segue em azul. Volto depois para encerrar.
*
Não fosse a exposição da carnificina, também a retórica (o que procuro evitar), publicaria aqui todas as mensagens que chegam me esculhambando porque, como é público e notório, oponho-me ao aborto. Barack Obama, seguindo a cartilha majoritária do Partido Democrata, acaba de suspender as restrições de financiamento público a entidades que promovem tal prática. Antes dele, Bill Clinton (…) fez o mesmo. Os republicanos Ronald Reagan, Bush pai e Bush filho impuseram restrições. Vá lá… A questão, nos EUA, obedece à lógica pendular.
(…)
Acompanhem com atenção os que estão dispostos a algum diálogo - sim, porque há os que não estão, e, nesse caso, textos são inúteis. Compreendo algumas posições muito duras de quem se opõe ao aborto na certeza de que se pratica um assassinato. Afinal, diante da morte, qual é o relativismo possível? Mesmo assim, tenho coibido algumas manifestações cuja agressividade não ilumina - antes turva as convicções.

Mas, confesso, a defesa agressiva do aborto e a falta de disposição para o diálogo de seus partidários me são um tanto assustadores. Muito bem:
a) eles não consideram o feto ainda uma vida - em algum estado da natureza, aquela coisa deve estar (eles não querem saber qual);
b) acreditam que é uma questão que diz respeito ao direito das mulheres;
c) deploram as convicções religiosas de seus adversários etc.

Certo, certo. Tudo ainda muito compreensível. O que não entendo - e não entendo mesmo - é o núcleo moral desta a escolha, a saber: o que faz alguém se tornar militante pró-aborto? Qual é, vamos dizer, o seu TODO FILOSÓFICO de que tal defesa tão ativa É PARTE? Escandalizava-me, à época da questão Terri Schiavo (lembram-se?), que pessoas saíssem às ruas pedindo o desligamento dos aparelhos - embora os pais da moça se dispusessem a cuidar do seu “vegetal” (como ela era chamada). Mas a lei disse que eles não tinham direito a seu “pé de alface”, a seu “aspargo”, a “gerânio”…

Tenho, sim, abrigado a divergência no meu blog sobre essa e outras questões, nos limites, já disse, do que considero aceitável. Mas não é possível que os defensores tão entusiasmados do aborto não se lembrem ao menos de ser decorosos, reconhecendo que, em cada história que leva à interrupção da gravidez, há uma rotina de sofrimentos. Até onde o tratamento tão ligeiro dispensado ao feto não traduz também ligeireza no trato com os já nascidos?

E também me parece que chegou a hora de os defensores do aborto saírem daquele lugar confortável em que se colocaram, de onde, parece-se, com obtusidade moral e filosófica, sentenciam: “As restrições ao aborto são todas de natureza religiosa, e a sociedade é laica”. Acho que não, acho que não…

UM - O fato de que a maioria das denominações cristãs considere que a vida tem início na concepção não desobriga os não-religiosos de tentar responder quando começa a vida. E tal resposta se faz necessária para se saber quando se está ou não se está (do ponto de vista deles) lidando com a morte. Ou se vai chegar ao horror a que se chegou nos EUA? O agora presidente Obama, antes senador, votou a favor de verbas para grupos que promovem o chamado “aborto com nascimento parcial”, realizado no último trimestre de gravidez, às vezes aos oito meses. Façam uma pesquisa. Nem Cícero conseguiria usar a retórica para distinguir aquilo de homicídio, agravado pela torpeza e crueldade. Mesmo os defensores do aborto têm de dizer a partir de que momento ele não seria mais permitido. E, ao estabelecer tal tempo, dizer por que não. Ao definir o momento do “não”, será preciso especificar as razões por que antes se diz “sim”; será preciso definir por que os óbices de um aborto aos seis ou sete meses de gestação inexistem aos dois;

DOIS - É curioso que os defensores do aborto que atacam a perspectiva que seria puramente religiosa dos seus adversários acreditem que só mesmo a religião poderia se interessar em proteger o feto. Pergunto-me, um tanto espantado, se o humanismo laico não pode alcançar a concepção, protegendo-a.SERÁ QUE UM ATEU OU AGNÓSTICO ESTÁ IMPEDIDO DE SER CONTRÁRIO AO ABORTO PORQUE ISSO CORRESPONDERIA A SER CONTRÁRIO À RAZÃO? Ora, ora… Nós, os cristãos, somos um conforto para essa gente, não? “Ah, isso é coisa daqueles carolas, daqueles papa-hóstias, que querem impor o seu modelo e a sua visão de mundo para toda a sociedade, que é LAI-CA” (alguns fazem escansão de sílabas na esperança de que eu acabe concordando com eles…). Não! Com todo o respeito, deixem de preguiça moral e ética. Creio que o “amor pelo homem”, ainda que sem Deus, esteja obrigado a se pronunciar sobre a proteção à concepção.

TRÊS - Mesmo no caso do chamado aborto de anencéfalos, há uma questão de princípio que não pode ser mitigada. Os preguiçosos pensarão: “Huuummm… Vai morrer logo mesmo, não têm chance, então é melhor abortar”. Os mais cuidadosos hão de pensar:
“Isso nos coloca diante de algumas questões:
- quando uma vida é viável ou não?
- temos o direito de determinar a duração dessa viabilidade?
- estabeleceremos que só se fará a interrupção no caso de anencefaria?
- a medicina avança; e crianças com vida prevista de apenas um ano? Devem nascer ou não?;
- e fetos que, nascidos, sobreviverão, mas se tornarão crianças com terríveis deformidades, que implicarão sofrimento para os pais e até para si mesmas? Devemos poupar toda essa gente do sofrimento, fazendo o que o Deus deles não costuma fazer?”

SERÁ MESMO QUE OS CRISTÃOS SÃO ESSES SERES MOSTRUOSOS, QUE QUEREM IMPOR A FERRO E FOGO O SEU PONTO DE VISTA? SERÁ MESMO QUE OS DEFENSORES RADICAIS DO ABORTO ESTÃO FLERTANDO APENAS COM UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA, HUMANA, TOLERANTE E PLENA DE DIREITOS?

Encerro
Escrevi o texto que vai em azul no dia 26 de janeiro de 2009. E eu o assino de novo hoje. Proponham esses dilemas morais para os defensores da legalização. Se tiverem boas respostas, quem sabe a gente aprenda um pouco.

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 17:08

Atenção, governo de SP! Os “companheiros” petistas têm de falar primeiro na Comissão do Senado! Questão de cronologia e gravidade! Eles é que têm de explicar três olhos furados!

Atenção, governo de São Paulo!

Cuidado com o que pode ser uma armadilha! Os petralhas querem convidar “todas as partes” envolvidas na desocupação do Pinheirinho para falar na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) fez a coisa certa e conseguiu convidar também protagonistas de eventos no Acre, no Piauí e na Bahia, que resultaram em três pessoas feridas gravemente — ficaram cegas de um olho em confronto com a PM — e fez aprovar ainda o convite para que se explique a reintegração de posse de uma área no Distrito Federal.

Ah, se sou eu…

Vamos ver. Eu duvido — e é a moral “deles” que me faz duvidar — que, caso ocorra a sessão sobre o Pinheirinho, as demais a ela se sigam. Trata-se apenas de um convite, de comparecimento não-obrigatório. Ora, o que recomenda o bom senso? Que se façam, então, os depoimentos ao menos da ordem em que se deram os fatos.

1 - Primeiro o Acre - Quem tem de falar primeiro são os representantes do governo do Acre. Têm de falar sobre a reintegração de posse de uma área na cidade de Brasiléia, ocorrida no dia 14 de julho de 2010. Dona Maria do Rosário, secretária nacional de Direitos Humanos, tem de explicar por que a sua pasta, que era ocupada por um companheiro seu à época, nunca se interessou pelo assunto. Uma bala de borracha deixou um índio cego de um olho. Dias depois, um dos líderes da invasão, em protesto na Prefeitura, foi atingido por uma pistola elétrica no pescoço. Caiu desmaiado. Onde estão os moradores da área invadida? Já receberam casas populares? Têm direito ao aluguel social? A corregedoria da polícia apura os abusos? Fizeram-se os boletins de ocorrência?

2 - Depois é a vez do Piauí - Ouvidas todas as pessoas sobre os eventos no Acre, é preciso seguir a ordem cronológica e ouvir as envolvidas nos episódios que resultaram na agressão ao estudante Hudson Silva, que também ficou cego de um olho, em Teresina, no Piauí. Ele protestava contra a elevação do preço da passagem de ônibus. O Acre é governado pelo PT; o Piauí, pela parceria PSB-PT. Assim como as esquerdas não se interessaram por um caso, também não se interessaram por outro. A apuração do que se deu no estado no dia 18 de janeiro tem precedência sobre o Pinheirinho porque a) aconteceu antes; b) teve efeitos mais graves, claro!   

3 - Aí é preciso apurar o caso da Bahia - Ouvidos todos os lados ligados aos episódios do Acre e do Piauí, aí tem de ser a vez da Bahia — e isso não tem nada a ver com o terror ora vivido por lá. No dia 22 de janeiro, o mesmo da operação de reintegração de posse do Pinheirinho, em São Paulo, a PM da Bahia reprimiu um distúrbio acontecido durante num show do Olodum. A cozinheira Almerinda Santos das Neves também ficou cega de um olho. O padrão dos “companheiros” foi o mesmo. Nada de se interessar pelo seu caso. Até parece que, quando a polícia, sob a coordenação dos “progressistas”, fura o olho de alguém, o faz para promover, sei lá, justiça social…

4 - E que venha o Pinheirinho - E aí podem ser ouvidas, então, as pessoas envolvidas na desocupação de Pinheirinho, ocorrida no mesmo dia em que a baiana Almerinda perdia um olho. Por que, então, aquele caso vem primeiro? Ora, porque as conseqüências são mais graves.

5 - Finalmente, Distrito Federal - Ouvidas as personagens daqueles acontecimentos todos, chamem-se, então, representantes do governo distrital de Brasília, do governo federal e dos sem-teto para que falem sobre adesocupação da Fazenda Sálvia, no Distrito Federal, executada pelas polícias dos petistas Agnelo Queiroz e Dilma Rousseff. Autoridades do DF explicam, cheios de orgulho, a sua tática: combater a invasão tão logo ela ocorra, com a polícia, para que a Justiça não atrapalhe…

Encerro
Listo os eventos em ordem cronológica para expor, mais uma vez e sempre, a hipocrisia dessa gente. Preto, índio e pobre do Acre, do Piauí e da Bahia não são gente digna de nota, de afeto, de proteção, de solidariedade social??? Por que os petistas nunca se interessaram por eles e querem fazer de Pinheirinho o que não foi, a saber: UM MASSACRE?

Nada disso! Siga-se a ordem! Primeiro os sem-olho da repressão petista! E mesmo assim é preciso prudência: o governo tem maioria em todas essas comissões. Lamento! Ninguém quer apurar coisa nenhuma! E posso provar. Como?

O petista e negro Paulo Paim (PT-RS), autor do Estatuto da Igualdade Racial, é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado. Não se mexeu para apurar as circunstâncias em que um índio e dois negros, todos pobres, perderam um olho. Por que não? Teria sido essa a sua reação se tais eventos trágicos tivessem acontecido num governo do PSDB ou do DEM? Não só se apontaria a “violência contra os pobres” como se falaria, sem hesitação, em racismo.

Alguém duvida?

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 16:07

Nova ministra volta a defender legalização do aborto e compara a prática a “crack, drogas, dengue, HIV e doenças infecto-contagiosas”

Uma das características principais, se não for a principal, dos defensores da legalização do aborto é a DESUMANIZAÇÃO DO FETO, a transformação da VIDA que está no ventre da mulher em COISA, para que ele possa ser então, sugado, curetado. É um modo de pensamento que tem história.

Dilma Rousseff, antes de dar aquele truque nos eleitores e ter se tornado católica e contrária à legalização do aborto, era a favor. Deu inúmeras entrevistas. No dia 14 de maio de 2010, em Brasília (ah, a memória, esta minha amiga!!!), ao fim da chamada “Missa dos Excluídos”, que costuma juntar católicos de esquerda (!?), a então candidata do PT deu esta declaração maravilhosa sobre o aborto:
“Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si”.

Entenderam? Embora, numa distração, Dilma considerasse que o feto é uma “vida dentro” da mulher, ela defendia o aborto. Ao procurar uma imagem para explicitar o seu pensamento, encontrou: “Ninguém quer arrancar um dente”! Assim, feto e dente se equivalem. As palavras fazem sentido.

Os cristãos, inicialmente os evangélicos e depois os católicos, não gostaram das opiniões da candidata. A questão pegou fogo na campanha eleitoral, e a petista virou, então, religiosa. Eleição ganha, Dilma pode retomar o velho projeto. Por isso nomeou para a Secretaria das Mulheres Eleonora Menicucci, ex-colega de armas — integrou o grupo terrorista POC (Partido Operário Comunista). Consta que Dilma não pegou no berro propriamente; Eleonora pegou.

Ontem, esta senhora já discorreu sobre o aborto. E voltou a fazê-lo nesta terça. Sua declaração é de embrulhar o estômago daqueles que não se deixam embrulhar pela trapaça intelectual. Leiam:
“O aborto, como sanitarista, tenho que dizer, ele é uma questão de saúde pública, não é uma questão ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas.”

Como é que é? “Como sanitarista”, então, ela decreta que “não é uma questão ideológica”, mas “de saúde pública”? E sua autoridade para decretá-lo decorre do fato de ser “sanitarista”? Então se deve concluir que:
- o aborto é uma mera questão sanitária:
- todos os sanitaristas são necessariamente a favor do aborto como medida de pura higienização.

Os nazistas não afirmariam nada mais, como direi?, preciso a respeito. Se há alguma dúvida sobre o que ela pensa a respeito do feto, a dúvida se desfaz ao seguir os passos da chefe e tentar tornar mais claro o conceito. A outra comparou o “feto arrancado” ao “dente arrancado”. Dona Eleonora resolveu ficar na sua área e mandou brasa: o aborto não é uma questão ideológica, assim como não o são “o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas.”

O aborto não é mais como um dente arrancado.
O aborto é como o crack e as drogas.
O aborto não é mais como um dente arrancado.
O aborto é como o mosquito da dengue.
O aborto não é mais como um dente arrancado.
O aborto é como o vírus HIV.
O aborto não é mais como um dente arrancado.
O aborto é como as doenças infecto-contagiosas.

No dia em que Dilma enganou os evangélicos
Em outubro de 2010, na reta da eleição, a então candidata Dilma Rousseff enviou uma Carta Aberta aos evangélicos. Escrevi a respeito e comentei. No item 2, lia-se: “2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto”. No item 3, estava escrito: “3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.”

Era só uma tática. Saibam que existe um projeto enviado ao Congresso pelo governo petista que descrimina, sim, o aborto. Agora é questão se “ganhar a sociedade” com o proselitismo. Dilma escolheu para a pasta uma militante da causa.

O silêncio dos bocós
Eleonora, já deu pra perceber, é chegada à mitologização da própria trajetória. Voltou a falar sobre o seu passado na luta armada, e isso costuma bastar para que os presentes façam um silêncio reverencial, ainda que ela compare um feto a um mosquito ou a uma infecção:
“Quem passou pelo que nós passamos na luta contra a ditadura cresce, amadurece, e não esquece nunca. São marcas que nos tornam mais fortes e mais sensíveis ao debate, sensíveis à espera, sem sentar-se numa cadeira e ficar esperando a banda passar. É espera com ação”, disse Menicucci.”

“Luta contra a ditadura” uma ova! Luta a favor de uma ditadura contra a outra ditadura! A diferença é que, se Eleonora e sua turma tivessem vencido, o terror teria durado muito mais tempo e matado uma quantidade de pessoas infinitamente maior, como provam todos os regimes comunistas. E Eleonora queria comunismo. Foi torturada? Lamento! Lamento, repudio e acho que os torturadores merecem a lata do lixo, assim como todos os assassinos comunistas.

Não dá! Esta senhora foi muito além do razoável. Andou revelando por aí, sem que lhe tenha sido perguntado, que tem uma filha lésbica, que ela própria se relacionou com homens e mulheres etc.  Parece padecer de egolatria; gosta de fazer praça de seu estilo de vida; acha que suas práticas pessoais compõem uma categoria de pensamento. É a Val Marchiori da esquerda. Está pronta para a capa de “Caras - Versão Vermelha”. Se eu fosse avançar na alegoria, teria de escrever que a banheira e a taça de champanhe de uma celebridade comunista estariam necessariamente cheias de sangue. “Ah, esse Reinaldo! Olhem que agressividade!” Sei. Suave é comparar o feto a uma infecção.

Eu estou pouco me lixando para a vida privada de Dona Eleonora e de sua família. Não tenho nada com isso. Eu não assisto ao ‘Mulheres Ricas” e também não me interesso por “Mulheres Loucas”. O que eu sei é o seguinte: é próprio das tiranias desumanizar o homem para que possam eliminá-lo em nome de uma causa. Assim procederam todos os fascismos, especialmente a sua versão nazista. Assim procedeu o comunismo. A diferença é que os fascistas costumam se esconder porque, intimamente, sabem-se partidários do horror, da truculência e da morte. Os comunistas recalcitrantes, ao contrário, sentem orgulho em revelar a sua condição. O fascista, um asqueroso, transforma a morte num instrumento de luta pelo poder; o comunista, outro asqueroso, transforma a morte num instrumento de progresso social.

Não, Dona Eleonora!
O feto não é um mosquito!
A vida é mais do que uma infecção!
Se e quando não for, então um partido vai definir quem é progressista o bastante para viver e quem não é colaborativo o bastante para morrer.

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 14:42

Errei! Jaques Wagner não é conterrâneo do Weimar e da Cremilda!

Eita! Há um monte de baiano bravo comigo. É justo!

No post desta manhã sobre a coerência deste notável Jaques Wagner, afirmei que ele é conterrâneo de Gil e Caetano…

É não!!!

Wagner nasceu no Rio e se mudou para a Bahia em 1973, aos 22 anos. Prestes a completar 61 (16 de março), está em terras baianas faz tempo. Mas atenção!
- Não é conterrâneo de Gil e Caetano.
- Não é conterrâneo de Castro Alves.
- Não é conterrâneo de Gregório de Matos.
- Sobretudo, não é conterrâneo do Weimar e da Cremilda!

Por Reinaldo Azevedo

 

07/02/2012 às 13:01

Comissão do Senado vai ouvir relatos de violações de direitos humanos em estados governados pelos “companheiros”

A Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pelo petista Paulo Paim (RS), estava pronta para realizar uma audiência pública para ouvir as partes envolvidas na desocupação do Pinheirinho. Vocês sabem: os petralhas não querem largar esse osso. Quanto mais fatos faltam para comprovar suas teses, mais eles se assanham.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) concordou, claro, mas, honrando seu mandato, conseguiu aprovar quatro outros requerimentos. Foi aprovado o convite para que a Maria do Rosário, secretária Nacional de Direitos Humanos, explique a expulsão das famílias que ocupavam a Fazenda Sálvia, no Distrito Federal. Escrevi a respeito:
Polícia do PT de Agnelo e Dilma expulsa 70 famílias de área da União, derruba 450 barracos dos miseráveis e prende 29 excluídos

Maria do Rosário também será convidada a falar sobre a violenta reintegração de posse de uma área em Brasiléia, no Acre, ocorrida no governo do “companheiro” Tião Viana. Um índio ficou cego de um olho, atingido por uma bala de borracha. Para ler mais, clique no título abaixo.
Aqui, eu lhes ofereço fatos, fotos e filme de uma reintegração de posse ocorrida no Acre, em julho, estado governado pelo PT. Este é o método do partido de Dilma e de Gilberto Carvalho

Finalmente, o Senado Federal se interessou pela história do estudante Hudson da Silva, que também perdeu em olho em confronto com a Polícia Militar do Piauí, numa manifestação contra a elevação da passagem de ônibus. Ele será convidado a falar à comissão. Seguem link  e foto de Hudson:
Aula prática de mau e de bom jornalismos - “PM do PSB e do PT deixa estudante negro do Piauí cego de um olho; Gilberto Carvalho e Maria do Rosário fingem que nada aconteceu”

estudante-cego1

A Comissão de Direitos Humanos vai ouvir ainda a cozinheira Almerinda Santos das Neves, da Bahia, que igualmente perdeu um olho num conflito com a Polícia Militar. O texto segue no link abaixo, com a foto.
Do capítulo “aulas de bom e de mau jornalismos” - Polícia Militar do PT deixa mais uma pessoa cega de um olho, agora uma cozinheira da Bahia

cozinheira-cega1

Felizmente, no Pinheirinho, não há cegos para contar história.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

1 comentário

  • Antônio de Pádua Carvalho Jataí - GO

    Reinaldo, quando li " O grande acerto e o grande erro do principal partido de oposição" não pude deixar de lembrar-me do livro do George Orwell, Animal Farm. A metamorfose, o cinismo, a hipocrisia e a conveniência petistas são reveladores.

    Antônio de Pádua Carvalho

    Jataí-GO

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