Presidente do PT não quer saber de “temas morais” em campanha. É? Então eu quero! E viva o ziriguidum!

Publicado em 17/02/2012 11:41 e atualizado em 01/08/2013 17:25 1337 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Caras e caros,

Uma semana mais curta, mas muito cheia, não? Gostem eles ou não, o fato é que tiveram de dançar conforme a nossa música e foram obrigados a vir a público para se explicar. Notaram? A ministra Eleonora Menicucci se viu compelida a emitir uma nota desmentindo o que ela mesmo dissera em entrevista. Uma Universidade Federal, a de Santa Catarina, fez um papelão e censurou a página com as palavras de Eleonora, num movimento inútil. A estupefaciente entrevista já havia ganhando o mundo. Gilberto Carvalho, sempre ele!, teve de se justificar com os evangélicos. Fernando Haddad tenta confundir com homofobia as críticas sensatas e fundamentadas ao absurdo kit gay preparado pelo seu ministério. No Estadão desta sexta, Rui Falcão, presidente do PT, disse não acreditar que a eleição em São Paulo vá debater o que chamou de “questões morais”.

Em suma: o PT tem medo de debater “questões morais”, o que, convenham, faz todo sentido…

O governo Dilma é ruim. À diferença dos modernos cantores de qualquer ritmo, ele “não tira o pé do chãããooo”. Está com a âncora enterrada no fundo do mar. Não deslancha. O país cresceu 2,79% no ano passado e se estima que não vá além dos 3% neste 2012. Os investimentos públicos encolheram. Programas-vitrine, como o “Minha Casa Minha Vida”, estão parados. As creches só existem na fantasia da petezada. À medida que se vai conhecendo o “modelo” de privatização petista nos aeroportos, qualquer pessoa sensata conclui que se contratou foi uma crise.  Atenção! O PT perdeu a guerra ideológica contra as privatizações porque teve de se ajoelhar. A questão, e o futuro dirá, é que o partido privatiza mal, com danos ao erário e aos usuários dos serviços. Teremos muito tempo para falar desse assunto neste ano e nos vindouros. De todo modo, esses são temas ainda um tanto distantes da vida das pessoas. Leva um tempo para que atinjam a reputação da presidente, que ainda navega na popularidade das sete demissões que fez, segundo a agenda “da mídia”, como diz aquela canalha a soldo. Vale dizer: a tal “mídia” conseguiu dar a Dilma ao menos uma pauta, já que ela não tinha nenhuma.

Temas ligados à administração, ao mau uso do dinheiro público, à corrupção, essas coisas não mobilizam hoje muita gente. O PT tem clareza disso. Seu sonho, aliás, é atrair as oposições para um debate, vamos dizer, “administrativista”. Poderá, assim, acenar com suas utopias e redenções. Se os adversários ficarem nesse terreno, os petistas erguerão as mãos para os céus. O PT acha que esses coisas “não pegam”. E, convenham, a experiência têm dito que, nesse particular, o partido está certo!

Perceberam? Guido Mantega está na berlinda por causa do ex-presidente da Casa da Moeda. Nada de muitas explicações ou de agitação. O PT sabe que a esmagadora maioria dos eleitores ignora o assunto. Se a coisa esquentar mesmo, Dilma se livra do ministro e ganha mais um ou dois pontinhos na pesquisa (”essa decide”!!!). Já os tais “temas morais”… Ah, para esses, os petistas têm, sim, uma agenda muito determinada, mas não sabe como lidar com a reação do homem comum.

Ficamos, então, diante de uma situação curiosa. Quem freqüentemente convoca a sociedade para debater matérias atinentes aos costumes são os petistas e seus assemelhados, certo? Não foi Eleonora quem resolveu reavivar essa brasa? Não foi Haddad quem preparou o kit gay? Não é a senadora Marta Suplicy a liderar a negociação para que se aprove a tal lei contra a homofobia? Sim, eles querem tomar essas iniciativas, mas repudiam qualquer reação contrária a seus propósitos. Pretendem fazer esse debate apenas na classe média e com os militantes de ONGs, sem o “povão”. Afinal, um bom petista é obrigado a considerar que o povo não sabe direito o que é bom para si; quem sabe é o partido.

Ora, se Rui Falcão não quer saber dos temas que chama “morais”, vai ver seus adversários devam se interessar por eles, não é mesmo? Como vimos, nesta semana que passou, foi a moral que obrigou o petismo a se explicar.
*
Ziriguidum
Queridos,
Viajo daqui a pouco. Levo a minha conexão 3G porque, vocês sabem, “sou brasileiro e não desisto nunca”. E porque sou brasileiro, a conexão é uma porcaria, e o serviço é de quinta! Volto na quarta-feira. Conseguindo me conectar com o mundo, passo aqui para dar umas palavrinhas.

Espero que vocês vivam dias felizes ao lado da família e daqueles a quem amam.

Ah, sim: eles não cansam. Nem eu!

Até a volta!

Por Reinaldo Azevedo

 

Tio Rei em ritmo de Carnaval: Siri na Lata e outros descansos

siri-na-lata-foto

Pois é… Dizem os adversários que sou ruim da cabeça, né? Mas é provável que até os amigos arrisquem um “doente do pé”. Isso quer dizer que não sou, assim, um folião arretado. E, pra ser franco, esse “Carnaval” pra turista me irrita um tantinho. E faço como boa parte das pessoas:. procuro fugir dos sempre muito aborrecidos sambas-do-crioulo-doido, histórias que, na avenida, têm pé, têm cabeça e têm corpo — só não têm sentido… Não explicassem os comentaristas da Globo os arcanos contidos naquele festival de lantejoulas, ninguém entenderia absolutamente nada! Uma simples palavra do samba-enredo pode render uma ala na escola…

Mau folião, hesitei um tantinho quando o jornalista e publicitário Ricardo Carvalho, que comanda o bloco Siri na Lata, de Pernambuco, me convidou para o baile anual, em Recife, que aconteceu na sexta passada. Vocês viram que sumi por quase três dias, né? O homenageado deste ano era o dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues — pernambucano, sim, senhor! — que faria 100 anos neste 2012. Uma das convidadas de honra da festa foi a atriz Sônia Braga, estrela de um dos maiores sucessos do cinema nacional, A Dama do Lotação, filme inspirado na obra de Nelson.

Pois é… Fui, vi e gostei.

Ainda que dançando o frevo, assim, àquela moda paulista, né, balançando o corpo fora do ritmo, um tanto timidamente — o que, imagino, pode levar um ou outro observadores a concluir: “Lá vai mais um incompatível com a alegria” —, eu me diverti bastante. Estava rodeado de pessoas amigas, de São Paulo e de Pernambuco.

Sem querer me atrever a fazer sociologia ligeira, uma coisa me surpreendeu positivamente no baile do Siri na Lata, ocorrido no Clube Português — surpresa certamente derivada de minha ignorância específica. Salvo uma marchinha ou outra e até alguns rocks do Legião Urbana — cantados com energia por uma multidão estimada em mais de 6 mil pessoas —, o que se toca em Pernambuco é frevo e ponto! Sim, queridos, isto ao menos eu sabia: a prevalência do frevo na cultura local. Chamo a atenção para o fato de que músicas jamais executadas em rádios de alcance nacional ou que nunca foram parar em redes de TV são cantadas a plenos pulmões pelos pernambucanos. Frevos antigos ou novos, eles sabem tudo. Parece existir no Estado uma espécie de cultura de resistência também à pasteurização do Carnaval. Hoje em dia, convenham, pouco importa onde se esteja, lá vêm as três notas de sempre (só o ritmo varia um pouquinho) com o apelo: “Tira o pé do chãããooo!” Axé, sertanejo universitário ou samba-pagode, tudo é sempre o mesmo tatibitate… “Tira o pé do chãããõoo.”

O que vi no baile do Siri na Lata foi outra coisa. Descobri, por exemplo, que a melodia pode resistir mesmo em músicas de Carnaval. E os pernambucanos são muito ciosos do seu frevo, das particularidades de sua cultura. E isso é bom de ver. Assim, agradeço publicamente o convite que me foi feito por Ricardo Carvalho, um leitor e comentador freqüente deste blog, dos melhores, e a todos os pernambucanos, que nos trataram — a mim, dona Reinalda e mais um casal de amigos jornalistas, também de São Paulo — com cordialidade e afeto.

Um sábado feliz
Na própria sexta, almoçamos com os jornalistas Jamildo Melo (Blog de Jamildo), do Jornal do Commercio, Valdecarlos Alves (Folha de Pernambuco) e Felipe Andrade (assessor de imprensa do Siri na Lata), além de Paulo Brás, produtor da festa. sempre escoltados por Ricardo, que nos arrastou para um almoço na sua casa, no sábado, sob a supervisão competente, alegre e hospitaleira de Bete e Carol,  sua mulher e filha, respectivamente. Entre os convivas, o ex-governador do estado e senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), dos poucos com tutano para fazer oposição, e o ex-deputado Raul Jungmann (PPS) — que eu gostaria de ver na Prefeitura de Recife.

À noite, passeamos pelas ruas de Olinda, seguimos a “troça” pelas vielas coloniais e jantamos num restaurante primoroso, chamado Oficina de Sabores — um peixe na moranga inesquecível. No domingo, um encontro inesperado com o ex-deputado e ex-ministro Fernando Lyra, um papo divertidíssimo. Lyra deixou para a história uma definição impecável de José Sarney: “vanguarda do atraso”. Fica aqui o meu abraço aos queridos amigos de Pernambuco, que nos propiciaram um agradabilíssimo fim de semana. O que mais se pode querer além da mulher amada, dos amigos e da boa mesa? Um pouco de poesia? É justo! Não faltou.

Neste Carnaval
Queridos, o Carnaval está chegando. Sim, vou viajar, a produção tende a cair — inclusive a produção de fatos, né? —, mas não estarei de todo desligado do blog. Passem por aqui de vez em quando. Tudo vai depender de a conexão 3G não pregar aquelas peças que vocês conhecem muito bem, né? Se a mediação de comentários demorar um pouquinho, vocês entenderão: estarei ensaiando alguns passos de dança…

Mas esse ainda não é post de despedida. Sigamos.

Por Reinaldo Azevedo 

 

Kassab diz ao PT que Serra deve disputar eleição com seu apoio

Por Bernardo Mello Franco e Vera Magalhães, na Folha:
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), comunicou ontem à direção do PT que José Serra (PSDB) deve ser candidato e terá seu apoio na eleição municipal. O aviso frustra a articulação costurada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o prefeito se aliar ao petista Fernando Haddad e indicar o vice de sua chapa. Kassab informou aos petistas que Serra se curvou às pressões do tucanato e está fazendo as últimas consultas antes de formalizar a sua entrada na disputa.

O prefeito disse ter “dever de lealdade” com o ex-governador, a quem sucedeu na prefeitura no início de 2006. Ele sustentou que o eleitorado o veria como um “traidor” se ele rompesse a aliança. Diante do novo cenário, o PT decidiu aumentar a pressão para evitar o lançamento de outros candidatos no campo de centro-esquerda. O principal alvo será Netinho de Paula (PC do B), seguido de Paulinho da Força (PDT). Os petistas não devem investir contra as pré-candidaturas de Gabriel Chalita (PMDB) e Celso Russomanno (PRB) por entender que eles tiram mais votos de Serra que de Haddad. Deles, pedirão a promessa de apoio num segundo turno contra o tucano. O presidente estadual do PT, Edinho Silva, disse que a sigla não pode “se mover de acordo com o adversário”, mas que uma candidatura do ex-governador “muda completamente o quadro”.

“A entrada de Serra reunifica o campo mais conservador da política paulistana, o que vai exigir do PT uma outra estratégia”, afirmou. Kassab disse ao PT que a aliança com o tucano na capital paulista não impedirá o PSD de apoiar candidatos petistas em outros municípios da região metropolitana e do interior do Estado. É o caso de Luiz Marinho, que disputará a reeleição em São Bernardo do Campo, e de João Paulo Cunha, pré-candidato a prefeito de Osasco. A interlocutores seus, o prefeito manifestou confiança na força política de Serra e disse que, se for mesmo candidato, ele será “o próximo prefeito de São Paulo”.

De acordo com Kassab, estaria errada a avaliação de que o alto índice de rejeição do tucano, demonstrado nas últimas pesquisas, impedirá sua vitória num novo confronto com o PT. Ainda segundo o relato do prefeito, Serra não queria disputar a prefeitura por entender que isso compromete seu projeto presidencial em 2014, mas foi convencido para não ser culpado caso o PSDB ficasse fora do segundo turno. Isso, para os tucanos, ainda poderia comprometer a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a “sobrevivência” da oposição ao governo Dilma Rousseff (PT).
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Por Reinaldo Azevedo

 

Governo teme alta do PIB de só 3% em 2012

Por Natuza Nery e Priscilla Oliveira, na Folha:
O governo começa a receber indicadores de que a economia brasileira pode ter um resultado menor do que esperado este ano. O temor é de que o crescimento estacione, mais uma vez, em patamar próximo aos 3%. Segundo a Folha apurou, não se trata ainda de uma avaliação oficial, apenas de um alerta. Daí a ordem de soltar o investimento público para tentar garantir uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) superior a 4%. Esses mesmos dados preliminares já mostravam internamente que o crescimento da economia em 2011 ficou abaixo da projeção de 3%.

Ontem o Banco Central divulgou prévia do PIB para 2011, que apontou expansão de 2,72% -a alta é de 2,79% quando são desconsideradas as influências sazonais. O número final só será divulgado em março pelo IBGE. No último ano do governo Lula, a economia do país cresceu mais de 7%. A atividade econômica corria tão acelerada que a presidente Dilma Rousseff teve de desarmar a alta inflacionária e conter o ritmo do crescimento.

Apesar de alguns números, inclusive os apurados pelo BC, apontarem certa dose de cautela, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu ontem declarações otimistas. “Temos um orçamento de investimentos muito forte para 2012 e isso vai ajudar a dinamizar a economia.” Além disso, o Executivo conta com a elevação do salário mínimo e com a redução da taxa básica de juros para estimular a economia. A equipe econômica promete uma redução nas despesas públicas neste ano equivalente a R$ 55 bilhões em relação ao que havia sido programado pelo Congresso na lei orçamentária.
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Por Reinaldo Azevedo

 

Inchaço da Infraero desafia concessionária

Por Gustavo Patu e Dimmi Amora, na Folha:
As empresas privadas que assumirão a administração de aeroportos brasileiros terão de lidar com um quadro de pessoal que foi multiplicado nos últimos anos pelo governo petista. Dados e documentos oficiais apontam excessos de funcionários e baixa produtividade da mão de obra no setor. Um estudo vê ainda sinais de “inchaço” na burocracia da estatal Infraero, responsável pela infraestrutura aeroportuária do país. O número de empregados da empresa teve expansão de no mínimo 63% desde o início do governo Lula, passando de 8.100 para 13,3 mil ao final de 2010.

Os balanços de 2011, ainda não divulgados, deverão mostrar um contingente de 13,9 mil contratados, distribuídos entre os 67 aeroportos e as funções administrativas, sem contar os terceirizados. Trata-se de um crescimento só superado, entre os setores sob exploração das estatais federais, pela Petrobras e suas subsidiárias. Como comparação, o aumento do funcionalismo civil dos ministérios, motivo de críticas à gestão do PT, ficou em 17% no mesmo período.

EFICIÊNCIA
A ampliação do quadro da Infraero tem, ao menos, uma explicação mais palpável: a igualmente vigorosa elevação do número de passageiros, resultado de crescimento econômico e ascensão social. Essa política, no entanto, manteve os aeroportos do país em baixos patamares de eficiência e produtividade, segundo indicadores adotados internacionalmente. Considerado o contingente próprio da estatal, havia um funcionário da Infraero para cada 12,7 mil passageiros no ano retrasado.

De acordo com a ATRS (Sociedade para Pesquisa em Transporte Aéreo, na sigla em inglês), os aeroportos da América do Norte atendem a mais de 40 mil passageiros por empregado anualmente.
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Por Reinaldo Azevedo

 

Os fascistóides avançam no Equador

O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, defendeu nesta quinta-feira a controversa condenação de três executivos e um jornalista do “El Universo”, maior jornal do país, como legítima e sem caráter político. O ministro criticou ainda o Panamá por ter concedido asilo a Carlos Pérez, diretor do diário e um dos quatro condenados. “Então todos os delinquentes neste país que sejam sentenciados que vão pedir asilo ao Panamá”, disse Patiño em rápidas declarações a jornalistas.

Simpatizantes de Correa queimam exemplares do jornal

Simpatizantes de Correa queimam exemplares do jornal "El Universo" (AFP)

No Globo Online, com agências:

A sentença da Corte Nacional de Justiça do Equador condenou por injúria o diretor, o vice-diretor e o gerente de Novas Mídias, os irmãos Carlos, César e Nicolas Pérez, respectivamente, e o colunista Emilio Palacio a três anos de prisão e a uma multa de US$ 40 milhões. O controverso caso começou há cerca de um ano, quando o presidente Rafael Correa entrou na Justiça por causa da publicação de um artigo no “El Universo” que criticava suas ações durante a revolta policial de 30 de setembro de 2010. Em sua coluna, Palacio, que busca exílio político nos EUA, chamou Correa de ditador e o acusou de ter ordenado que um hospital cheio de civis fosse atacado.

A sentença gerou condenações de várias organizações de impresa internacional. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), o Repórteres Sem Fronteiras e o Comitê de Proteção para Jornalistas (CPJ) disseram estar preocupados com a liberdade de expressão no país e na América do Sul. O advogado de Defesa do “El Universo” disse que vai recorrer à Corte Interamericana e lamentou o que chamou de “submissão” do Judiciário equatoriano. “Um editor está em busca de asilo político, três executivos podem ir para prisão, e um dos principais jornais do país pode ir à falência só porque o presidente Correa não gostou de um artigo de opinião”, protestou Carlos Lauría, coordenador do programa do Comitê de Proteção para Jornalistas (CPJ) para as Américas.

Para Ricardo Trotti, da SIP, a sentença foi uma “represália à liberdade de imprensa”. A Justiça equatoriana negou na madrugada desta quinta-feira um pedido de revisão do processo no julgamento por difamação movido pelo presidente Rafael Correa contra o “El Universo”. Após 15 horas de audiência, o tribunal ratificou a sentença de prisão, além da multa que poderá levar o jornal à falência.

“A Corte Nacional de Justiça acaba de ratificar um verdadeiro estímulo à censura que poderia afetar amanhã outros meios de comunicação (…) É um desastre”, escreveu o Repórteres Sem Fronteiras num comunicado.

Já Correa, que participou da audiência e havia mobilizado pelo Twitter seus simpatizantes para uma vigília diante da corte, comemorou o veredicto junto com seus ministros e funcionários de governo. “O país está mudando. Agora vão entender que a liberdade de expressão já é de todos”, disse o presidente equatoriano, após a leitura da sentença.

Depois que a Justiça divulgou sua decisão, nesta quinta-feira, Correa disse que as afirmações de Palacio afetaram sua honra e que a sentença serviu para mostrar que “o ‘El Universo’ mentiu e que os cidadãos podem reagir diante dos abusos da imprensa”. Ele ainda sinalizou que tem o poder de reverter a condenação. “Vou consultar gente de confiança e anunciaremos ao país as decisões correspondentes”, disse Correa a jornalistas estrangeiros.

O advogado do jornal, Joffre Campaña, criticou a Justiça equatoriana, alegando que a sentença é mais um exemplo da “submissão” ao presidente Correa, e disse que vai apelar para Corte Interamericana de Direitos Humanos, pois não acredita na decisão do Tribunal Constitucional do Equador. “Retrocedemos às piores épocas de uma concentração de poder absoluta, de ausência total de independência judicial, e isso para o desenvolvimento de uma sociedade democrática é nefasto”, disse Campaña.

Poucos antes de ser anunciado o veredicto, César e Nicolás Pérez afirmaram à Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em Miami, que temem por sua segurança física. Segundo jornais equatorianos Carlos Pérez, o único acusado que ainda permanecia no Equador, teria deixado o país durante a madrugada. Mais tarde, o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, anunciou que deu asilo político a Carlos.

Confusão do lado de fora do tribunal
Desde a manhã de quarta-feira, centenas simpatizantes de Correa se reuniam do lado de fora do tribunal, em Quito. Vestidos com camiseta de apoio ao presidente e com bandeiras em mãos, a multidão gritou frases contra “imprensa corrupta” e chegou a insultar e até agredir os defensores do “El Universo” e jornalistas que cobriam o julgamento. A situação só foi se acalmar por volta do meio-dia. Alguns partidários de Correa chegaram a queimar exemplares do jornal. “Aplaudam, aplaudam, não deixem de aplaudir. A imprensa corrupta tem que morrer”, gritavam os aliados do presidente.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Câmara decide que PSD ficará sem comando de comissões

Por Maria Clara Cabral, na Folha Online:
O PSD sofreu uma derrota nesta quinta-feira (16) com a decisão do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), de que o partido não terá direito a presidir nenhuma comissão temática da Casa. Pelo entendimento, o partido do prefeito Gilberto Kassab também não ficará com nenhuma vice-presidência e seus deputados integrarão as vagas que sobrarem nas comissões. Com 47 deputados, o PSD poderia ter direito a escolher a presidência de duas comissões temáticas e indicar os integrantes das comissões antes de quase todos os partidos.

No entendimento do presidente da Câmara, no entanto, as composições internas devem seguir o tamanho das bancadas eleitas e “devem permanecer inalteradas por toda a Legislatura”. Como o PSD foi formado no ano passado, depois das eleições, ele não terá o mesmo direito dos demais partidos. “Neste momento, para a manutenção do equilíbrio e da governabilidade da Câmara, entendemos que esse é o melhor caminho”, justificou Maia. O líder do PSD, deputado Guilherme Campos (SP), já anunciou que o partido vai à Justiça recorrer da decisão. E o resultado do questionamento pode influenciar outros temas cruciais para a existência do partido, como o tempo de televisão e o fundo partidário. A expectativa é que a opinião da Justiça saia antes de as comissões começarem a funcionar, o que deve acontecer na primeira semana de março.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Ficha Limpa: deve dar mesmo 7 a 4 pró-absurdo

Conforme publiquei ontem aqui, esse absurdo de apelo popular chamado Ficha Limpa deve ser mesmo aprovado por sete a quatro caso o ministro Cezar Peluso não tenha mudado de opinião, como mudou Marco Aurélio Mello, que era contra.

A propósito: outro rigoroso adversário inicial da lei era Ricardo Lewandowski. Há intervenções suas fazendo picadinho da lei. E há intervenções suas que a transformam num verdadeiro Moisés, de Michelangelo.

A voz rouca das ruas parece que se infiltra no Supremo. O problema é quando a voz louca começar a fazer o mesmo.

A propósito: o entusiasmo da imprensa com essa lei evidencia também um momento de rebaixamento intelectual do setor. Aplaudir um tribunal constitucional que aprova a aplicação de uma pena antes de a sentença ter transitado em julgado corresponde a botar uma corda no pescoço de todos os brasileiros, não apenas dos eventuais vagabundos que a lei busca punir.

A história vai nos dizer se, na pegada dessa relativização da Constituição, virão outras. Eu aposto que sim! Porque essa também não é a primeira, certo?

Por Reinaldo Azevedo

 

Anti-semitismo - e inflação galopante - em pleno Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo — sim dos jornalistas! — promove até o dia 29 (começou anteontem) um “curso” intitulado “A questão palestina e o conflito no Oriente Médio”. À primeira vista, parece tudo certo, não? Quem não gostaria de saber mais a respeito? O texto no site informa a quem se destina o tal “curso”, a saber: “Para jornalistas e estudantes de Jornalismo não sindicalizados e demais interessados”. É um curso pago, com “desconto” para grupos. A tabela é esta:
Para jornalistas sindicalizados e estudantes de Jornalismo pré-sindicalizados:
R$ 230,00 à vista ou 2 de R$ 115,00 ou 3 de R$ 100,00 (R$ 300,00)
Para jornalistas e estudantes de Jornalismo não sindicalizados e demais interessados:
R$ 300,00 à vista ou 2 de R$ 150,00 ou 3 de R$ 120,00 (R$ 360,00)

Uau! Como vocês verão, o arrazoado sobre o curso é tão requintado quanto a matemática financeira do sindicato. Notaram que a diferença entre o preço à vista e o a prazo para os sindicalizados embute uma majoração de 30,4% e, para os não-sindicalizados, de 20%. Isso em três meses!!! Ainda bem que o Sindicato dos Jornalistas não tem peso na cesta de preços que mede a inflação, não é mesmo? Isso à parte, vamos ao texto do sindicato que, sob o pretexto de combater o sionismo, mergulha no anti-semitismo mesmo! Ironia macabra: o curso será ministrado no espaço “Vladimir Herzog” — um judeu!

Reproduzo abaixo, em vermelho, o texto de apresentação do curso. Comento em azul.

O domínio do discurso sionista sobre a questão palestina durou muito tempo. Só a partir do final da década de 1970, com a abertura dos arquivos dos sionistas para conhecimento público, e com as pesquisas dos chamados “novos historiadores” israelenses, esse discurso começou a ser contestado e passou-se a dar veracidade às narrativas palestinas sobre a Nakba (o processo que levou à criação do Estado de Israel e as consequências desse processo para o povo palestino).
É espantoso que um órgão de classe, que representa, em tese ao menos, todos os jornalistas, se dedique a tal indignidade discursiva. Definir a palavra “nakba” como “processo que levou à criação do estado de Israel” é uma vigarice intelectual, uma farsa. A palavra quer dizer “tragédia” ou “desastre” e tem uma marca militante: define o que os palestinos chamam “êxodo” da população árabe quando se criou o estado de Israel. Boa parte das terras, não custa lembrar, foi comprada pelos judeus. Ainda que se possam debater as características e extensão da migração, não é essa a questão subjacente ao texto, não.
Só falam em “nakba” os que advogam a volta de todos aqueles que são chamados “refugiados” palestinos. Boa parte dos migrantes originais já morreu. Os hoje chamados refugiados, muitos divididos em campos espalhados por países árabes, são filhos, netos e bisnetos daquele grupo original. Foi a militância política palestina, que não aceitava a existência do estado de Israel, que concorreu para que não ganhassem a cidadania nos países onde nasceram. Estima-se o grupo original de migrantes em 700 mil pessoas. Hoje, essa população que a militância quer instalar em Israel somaria pouco mais de 4 milhões. É evidente que, se todos migrassem para Israel, o estado judeu seria extinto. E é preciso notar: a esmagadora maioria dos estimados 700 mil palestinos que deixaram a região o fez tangida pela guerra promovida pelos países árabes. É questão de fato, não de gosto. A Jordânia conferiu cidadania a uma boa parcela dos refugiados e a seus descendentes. Muitos, no entanto, continuam a viver em campos, em situação muito precária — a mesma realidade de outras nações árabes que não lhes conferem nem cidadania. Muito bem: o lugar em que os palestinos vivem com mais dignidade e com todos os direitos democráticos garantidos é mesmo… Israel! Sigamos com o texto do sindicato.

Nessa mesma época, especialistas responsáveis por pesquisas arqueológicas em sítios palestinos começaram a contestar a versão bíblica e propuseram uma nova teoria para explicar os textos sagrados - tarefa que o filósofo Benedito de Espinosa, usando conhecimentos de filologia e um estudo de muitos anos da Torá, já empreendera no século XVII.
É de arrepiar! O “Benedito de Espinosa” deve ser o Baruch Spinoza, hehe. Essa pegada supostamente “científica” busca deslegitimar Israel como a terra original dos judeus e, pois, pretende retomar a questão desde a origem, a saber: não se está questionando se os dois povos devem viver em seus respectivos estados. Nada disso! Essa abordagem sempre acaba concluindo que os israelenses têm de sair das “terras palestinas”. Não por acaso, recorre-se ao tal “Benedito”, justamente um judeu punido por… judeus.

Esses dois acontecimentos, na história e na arqueologia, seriam acrescentados aos casos levantados por pesquisadores palestinos em seu próprio país, com seu próprio povo, e mudariam a compreensão dos estudiosos sobre as raízes do problema que, iniciado em fins do século XVIII, até hoje abala a região da Ásia ocidental, ou Oriente Médio, conhecida como Palestina e Israel. Ao grande público, porém, esse conhecimento praticamente não chegou. As pressões sobre pesquisadores, autores, editoras, mídia, governos impediram a livre circulação desse novo saber. Por isso, não é de espantar que muitos jornalistas ainda não o conheçam. Trata-se de um assunto que, antes restrito a alguns círculos acadêmicos e políticos, somente agora começa a ser mais amplamente divulgado no Brasil.
Reparem neste trecho: “As pressões sobre pesquisadores, autores, editoras, mídia, governos impediram a livre circulação desse novo saber. Por isso, não é de espantar que muitos jornalistas ainda não o conheçam.” Estamos de volta à velha tese da conspiração judaica contra a verdade. É o retorno dos “Protocolos dos Sábios de Sião”. Os sionistas, esses malvados, seriam grandes manipuladores, sempre dispostos a contar a versão dos judeus. Ainda bem que vem agora a tal Baby para nos salvar.

No entanto, faltam referências aos que pretendem conhecer em detalhes a história de Palestina e Israel. A bibliografia, em árabe e em hebraico, dificulta ao leitor ocidental o acesso aos livros. Mas há muitos títulos em inglês, embora permaneçam desconhecidos do público por falta de divulgação. Há sítios confiáveis na internet, com fatos documentados, com rigor acadêmico, que podem ser consultados sem receio. Há organizações de direitos humanos que mantêm na web os resultados de suas pesquisas, também documentadas. Há juristas e advogados que deslindam os meandros jurídicos da questão, colocando artigos à disposição do público.
Notem que a “verdade verdadeira” está escondida em alguns meandros e livros quase secretos. Ela só precisa ser divulgada ao grande público. É o que o curso pretende fazer.

O objetivo do curso é abordar alguns dos principais pontos da questão palestina e contextualizá-los histórica e politicamente, para que o interessado possa conhecer um pouco da história de palestinos e judeus e iniciar sua própria pesquisa. Nesse sentido, será oferecida uma bibliografia básica, bem como alguns textos importantes para a compreensão do problema vivido por dois povos, o israelense e o palestino.
Como é? O interessado vai conhecer “um pouco da história dos palestinos e judeus”??? Bem, a boa-vontade com “os judeus” já está demonstrada, certo? O curso será ministrado por uma senhora chamada “Baby Siqueira Abrão”. Vamos ver quem é ela segundo o próprio sindicato.

Jornalista, pós-graduanda em filosofia política e relações internacionais com projeto sobre a questão palestina e suas consequências, Baby Siqueira Abrão também é autora de livros sobre filosofia, mitologia grega e divulgação científica. Mora em Ramala, Palestina, onde é correspondente do jornal Brasil de Fato e colaboradora dos sites Carta Maior e Opera Mundi. Veio ao Brasil para uma série de palestras, com o líder popular palestino Abdallah Abu Rahmah, sobre a questão palestina, com apoio da Embaixada Palestina no Brasil (embaixador Ibrahim Alzeben). Participou do Fórum Social Mundial (em 2012, Fórum Social Temático), em Porto Alegre, como representante do Comitê Popular de Resistência Não-Violenta contra o Muro e as Colônias de Bil’in (www.bilin-village.org; ver também www.popularstruggle.org) e do Palestinian Center for Peace and Democracy (PCPD, http://www.pcpd.org).
Bem, acho que isso tudo evidencia a independência intelectual de dona Baby. Sua companhia também não deixa a menor dúvida. O sindicato e o espaço Vladimir Herzog estão sendo usados para fazer proselitismo em favor da causa palestina e contra a exitência do Estado de Israel. O encadeamento do texto deixa clara a demonização do estado israelense. Pergunto: o sindicato abriria as suas portas para ministrar um “curso” sobre a outra versão? Acho que não.

O sindicato poderia promover um debate sobre a questão israelo-palestina? Poderia, sim. Não é o caso, como se nota. A entidade está é abraçando uma causa. Pela linguagem, é visível que se está questionando a própria legitimidade da existência de Israel, com o indisfarçável cheiro da acusação da “conspiração judaica”.

Encontrei um vídeo de dona Baby no Youtube. A sua abordagem sobre a questão tem momentos verdadeiramente indescritíveis, estupefacientes. Confesso que não tive paciência para ver tudo. Algumas pegadas, alguns momentos, já indicaram o tamanho da gigante intelectual.

Ela decide abordar o esforço empreendido pelas lideranças judaicas em favor da criação de Israel. A partir dos 5min13s, num momento raro de sofisticação intelectual e rigor histórico, diz Baby:
“Como a Europa, na verdade, não agüentava mais a questão judaica, que era muito complicada, inclusive em relação a trabalho e em relação a pessoas que se dispunham a fazer greves e tudo mais, eles [governos europeus} queriam é se livrar desse problema [os judeus]. Então eles [governos europeus] apoiaram, sim, eles apoiaram a idéia de que os judeus fossem pra muito longe da Europa (…)”

Aos 8min14s - “E eu conheço muita gente, principalmente os anarquistas israelenses, contra o muro, que já disseram que, havendo dois estados, eles vão mudar pra Palestina porque eles não têm nada para fazer num estado judeu”.

Acho que já está de bom tamanho, né? Como a gente pode perceber, nem judeus agüentam judeus, né, como já sabia o Benedito…

É o fim da picada!

Por Reinaldo Azevedo

 

Ficha Limpa: além de NÃO moralizar a política, como querem alguns, joga no lixo fundamentos da ordem democrática

Serei, com muito gosto, “contramajoritário”. Vocês sabem que isso, pra mim, não chega a ser uma novidade. Vamos lá.

Ninguém pode ser considerado culpado enquanto couber recurso à Justiça. Atenção! É legítimo discutir se há ou não recursos demais; é legítimo debater se o Judiciário é ou não muito lento; é legítimo indagar se não há dispositivos legais em excesso que acabam protegendo os criminosos… Essas questões estão presentes em todas as democracias do mundo. Mas NÃO É LEGÍTIMO, sob o pretexto de ser justo e fazer a vontade da maioria, violar um princípio fundamental do ordenamento jurídico de uma sociedade democrática e de direito: a presunção da inocência. E é isso o que faz a tal Lei da Ficha Limpa.

É até possível, sim, que, uma vez aprovada, essa lei acabe impedindo a eleição de alguns larápios, embora, devo notar, boa parte dos que estão por aí e que infelicitam o Brasil não tenha nenhuma condenação em segunda instância, por um colegiado de juízes. Os bandidos mais sofisticados não costumam deixar rastros.

Atenção! O que me preocupa nessa votação — e antevejo, como escrevi ontem, que o placar será contrário à minha tese — é a violação do princípio. Mais uma vez, o STF tende a caminhar contra a letra explícita da lei para impor uma interpretação que estaria conforme às chamadas “aspirações da maioria”. Ora, desde quando maioria é critério de verdade? Um tribunal constitucional, se for preciso, tem de proteger a maioria de si mesma. Ouçam a voz das ruas! Não será difícil colher nas esquinas da vida opiniões contrárias até mesmo a tribunais de júri para acusados de homicídio. Falasse apenas a vontade do vulgo, adotar-se-iam linchamentos em vez de julgamentos.

Truque retórico de quinta categoria
Querem os ministros favoráveis à Lei da Ficha Limpa que a presunção de inocência vale apenas para o direito criminal. Bem, se for assim, então, no direito eleitoral, abrem-se as portas para quaisquer violações de direitos fundamentais em nome da “vontade da sociedade”. Dizem ainda esses ministros que a inelegibilidade de alguém condenado em segunda instância, por um colegiado, não é a aplicação antecipada de uma pena. Como não é? É, sim! Não é difícil evidenciá-lo. Querem ver?

Se o indivíduo tornado inelegível por um colegiado de juízes, em segunda instância, for inocentado depois, no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça, sabem o que acontece? ELE RECUPERA SEUS DIREITOS POLÍTICOS!!! Ora, e aquela inelegibilidade, então, tornada transitória, que o impediu de se candidatar? Foi ou não foi a aplicação de uma pena a inocente?

Muitos leitores e muitas vozes organizadas da sociedade pensam em alguns bandidos que estão na política e inferem: “Ah, depois do Ficha Limpa, isso não vai mais acontecer”. Uma boa pauta para os repórteres com tempo: TENTEM SABER QUAIS PARLAMENTARES ESTARIAM FORA DA VIDA PÚBLICA SE A LEI VALESSE NO PAÍS DESDE SEMPRE. Todos vão se surpreender. Pensem depois nos últimos malfeitores pegos com a mão na grana do povo… Tinham ficha limpa!!! O STF estará violando um princípio do estado de direito sem que se ganhe nada de muito relevante. Mas reitero: ainda que metade do Congresso estivesse inelegível, não é uma boa prática jurídica violar direitos fundamentais para se fazer Justiça.

Pensem um pouco: por que se elegeu justamente a segunda instância, o voto do colegiado, como a barreira? Pura arbitrariedade! Escolheu-se essa instância como se poderia ter escolhido outra qualquer. Se, amanhã, a “vontade da sociedade” indicar que basta a alguém ser processado para ser considerado inelegível, assim será.

Órgão de classe
Não bastasse essa questão de fundamento e de princípio, a Lei da Ficha Limpa torna inelegível também alguém que tenha sido punido por órgão de classe. Bem, meus caros, aí já estamos no terreno do escracho, do deboche. Pra começo de conversa, é evidente que se igualam, então, o colegiado do tal órgão de classe e o colegiado de juízes, certo? Um e outro podem tirar alguém da vida pública.

Ora, sabemos que os tais “órgãos de classe” são marcados, muitas vezes, por disputas políticas, pessoais, ideológicas. Bastará, então, que uma maioria desse colegiado profissional se junte para punir um eventual adversário interno tornado incômodo, e esse indivíduo estará inelegível!

Argumento ruim
Noto que mesmo os ministros favoráveis à Lei da Ficha Limpa não têm argumentos que justifiquem a sua tese. E, na falta deles, decidem recorrer à galera. Ouviram-se coisas preocupantes ontem e hoje no tribunal. Prestem atenção a uma fala do ministro Luiz Fux, por exemplo:
“O tribunal não pode ser contramajoritário para ir contra a opinião da população. Evidentemente, que ela [a população] não nos pauta, mas temos que ouvi-la porque todo o poder emana do povo e em seu nome é exercido”.

Porque as palavras fazem sentido, a fala do ministro não faz. Se a população não pauta, então, o tribunal, é evidente que ele pode, sim ser contramajotirário, ora essa! O povo é soberano na democracia, senhor ministro, mas a sua soberania não lhe permite, por exemplo, rasgar a Constituição.

Rosa Weber, a nova ministra, foi quem mais passeou por veredas assombrosas e assombradas. Afirmou, por exemplo:
- “Minha tranqüilidade é que a maioria sempre é sábia. Acompanho o voto do ministro Joaquim Barbosa.”
Na Itália e na Alemanha dos anos 30 do século passado, também se tinha por pacífico que a maioria era sábia.
- “O foco da inelegibilidade não é o indivíduo, mas a sociedade e a consolidação do estado de direito.”
É uma barbaridade! E se o “indivíduo” recuperar seus direitos políticos quando julgado no STJ ou no STF? Isso quereria dizer, ministra, que a “sociedade” estaria sendo, então, afrontada?
- “A Lei da Ficha Limpa foi gestada no ventre moralizante da sociedade brasileira.”
E daí? Se, amanhã, alguém propuser que se corte uma das mãos dos bandidos, a proposta terá saído do “ventre moralizante” da sociedade e, igualmente, pode expressar uma vontade da maioria.

Encerro
Sei que muita gente apóia essa lei porque entende que, assim, alguns vigaristas ficarão longe da vida pública. Pode acontecer num caso ou outro, mas o seu efeito prático beira a irrelevância quando se considera o valor que se está perdendo. Aprovada a Lei do Ficha Limpa, um princípio estará indo para o brejo. A partir daí, tudo passa a ser, então, possível.

Os que agora aplaudem a aprovação do Ficha Limpa no Supremo estão é colocando o próprio pescoço na guilhotina, feito aqueles que aplaudiram Robespierre quando começaram a rolar as primeiras cabeças.

Por Reinaldo Azevedo

 

A fala anêmica do secretário-geral da CNBB. Ou: Padre que não cuida das coisas de Deus se descuida das coisas dos homens

Há muito tempo eu acho que os padres devem se ocupar menos das coisas dos homens e mais das coisas de Deus. Fosse assim, como digo, dom Leonardo Steiner, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), teria sabido, nem que fosse por obrigação burocrática, fingir a indignação que parece não ter conseguido sentir com as declarações de Eleonara Menicucci, nova ministra das mulheres. Dom Leonardo decidiu, como se diz, pôr panos quentes na polêmica. Recorrerei a uma imagem forte para encarecer o meu desagrado. Sempre que, na defesa de Deus, alguém decide transigir, quem sai ganhando é o diabo, não é, bispo? No caso, dadas as palavras de dom Leonardo, o rabudo avançou um pouco. Há muito tempo a CNBB, excetuando-se alguns de seus membros, é uma espécie de sindicato de esquerda dentro da Igreja Católica no Brasil. À medida que a CNBB foi se tornando um sindicato laico, a Igreja foi perdendo importância no país.

Leiam o que disse o bispo:
“[O posicionamento de Menicucci] incomodou muita gente, não só a CNBB. Mas faço distinção: ela fez um pronunciamento pessoal. Depois disse que não era a posição do governo. Gostaríamos de reafirmar que a questão do aborto não pode ser entendida como questão ideológica. Nós colocamos com o sentido de vida humana.”

O que é que é, bispo: Que nhenhenhém é esse aí?

Teologia assim já encontrei melhor até em Gilberto Carvalho, eminência! É uma fala ridícula! Quem disse que se trata de matéria ideológica? É claro que não é! Como católico, fico muito envergonhado quando vejo uma autoridade religiosa com preguiça teológica, preferindo, ele sim, exercitar ideologia, num movimento óbvio de defesa do governo. Ora, não por acaso, dom Leonardo repete o sentido das palavras perturbadas de Eleonora: “O aborto, como sanitarista, tenho que dizer, ele é uma questão de saúde pública, não é uma questão ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infectocontagiosas”.

Uma pergunta a dom Leonardo: quem, afinal de contas, nesse debate NÃO “coloca” o aborto “com o sentido da vida humana”? Só há uma resposta: os que defendem a prática, certo? Ou será, eminência, que aqueles que são contrários à descriminação é que terão agora de demonstrar que o fazem porque preocupados com a vida humana??? De novo, uma imagem forte, meu senhor, só uma imagem: um dos truques do chifrudo é fazer com que os defensores da retidão da doutrina passem por furiosos para que, então, os furiosos possam assumir o lugar dos mansos de espírito.

Ah, sim!
Dom Leonardo falou sobre a tal Lei da Ficha Limpa, cujo destino será selado hoje no STF, com a provável aprovação do texto, uma óbvia aberração jurídica, muito apreciada também pela imprensa. Segundo ele, seria um “presente para a sociedade”. Pois é… Não seria, não! Já trato do assunto. A CNBB deveria se ocupar menos dos aspectos da vida civil e mundana e se ocupar com mais energia dos fundamentos do catolicismo.

Vale dizer: deve se preocupar menos com ideologia e mais com religão.

Por Reinaldo Azevedo

 

Polícia Federal prende ex-comandante de UPP, acusado de ligação com tráfico

Por Leslie Leitão, na VEJA Online:
Policiais Federais prenderam, na manhã desta quinta-feira, 11 acusados de ligação com o tráfico de drogas na região do Morro de São Carlos, na região central da cidade. Entre os presos estão dois policiais militares, um deles ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela.

O capitão Luiz Piedade, oficial que chefiava a UPP, estava afastado da unidade. A Secretaria de Segurança tomou a decisão de tirá-lo do comando quando tomou conhecimento da investigação da PF,que resultou na operação Boca Aberta.  A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Superintendência da PF no RIo.

Entre os acusados que tiveram mandados de prisão cumpridos pelos policiais federais nesta manhã estão também dois traficantes presos: Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, e Sando Amorim, o Lindinho. Os dois ficaram famosos quando, em 10 de novembro, foram capturados ao tentar escapar do cerco à favela da Rocinha, na zona sul. Coelho e Lindinho eram escoltados por policiais civis, também presos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Ministra “abortista” é destaque em site internacional

Na VEJA Online:
As controvérsias sobre as posições da nova ministra de Políticas Para as Mulheres, Eleonora Menicucci, já não se resumem ao Brasil. Criticada por ter interrompido a gestação de dois filhos e por ter feito um curso de aborto na Colômbia, ela atraiu a rejeição de grupos cristãos dentro e fora do país. O Life Site News, um dos principais portais do movimento intitulado “pró-vida” nos Estados Unidos, dedica a sua manchete desta quarta-feira à nova integrante da equipe de Dilma Rousseff.  A reportagem também cita o jornalista Reinaldo Azevedo, blogueiro do site de VEJA. O portal exibe ainda uma matéria a respeito da posição do governo brasileiro em um debate sobre a legalização do aborto na Organização das Nações Unidas, neste mês. Nesta quarta, o jornal espanhol ABC também dá destaque à figura de Eleonora Menicucci.

aborto

Por Reinaldo Azevedo

 

STF suspende julgamento, e Ficha Limpa fica para amanhã; resultado pode ser de 7 a 4 a favor do texto. Um dia ruim para a legalidade, acreditem!

Vamos lá. Eu sei, meus caros, que escreverei, e não será a primeira vez, contra, quem sabe?, a opinião da maioria dos leitores deste blog. Fazer o quê? Não sou populista. Não sou como certos ministros do Supremo que andam adaptando pelos cantos aquela música de Milton Nascimento: “Todo ministro do Supremo tem de ir aonde o povo está”. Ao ponto: é provável que a maioria de vocês seja favorável à tal lei da Ficha Limpa. Eu a considero flagrantemente inconstitucional, e, lamento dizer, as justificativas que tentam lhe dar fundamentação moral têm, o que confirmei nesta tarde, um cheiro bem desagradável. Caso seja perseguido até as origens, vamos bater lá no fascismo — que era, não custa lembrar, um regime de maiorias, não de minorias.

Comecemos pelo lead. O julgamento foi interrompido e será retomado amanhã. Pelo cheiro da brilhantina, esta lei, que considero uma aberração, será aprovada. Já votaram quatro ministros a favor do texto: Luiz Fux, Joaquim Barbosa, Rosa Weber e Cármen Lúcia. Dias Tóffoli, que havia pedido vista, posicionou-se contra a maior parte dos dispositivos da lei. São votos certos a favor Ricardo Lewandowski (que era radicalmente contra!!!) e Ayres Britto. Consta que Marco Aurélio Mello mudou de idéia e agora também se alinha com a Ficha Limpa. A ser assim, a fatura estará liquidada. Gilmar Mendes, com certeza, se opõe à maioria dos dispositivos do texto. Cézar Peluso deve seguir no mesmo caminho. Estima-se que Celso de Mello se junte à minoria. A ser assim, a chamada lei da Ficha Limpa será aprovada por sete votos a quatro.

Mais tarde, voltarei a este assunto. Ouvi nesta quarta-feira argumentos na corte suprema do país, no nosso tribunal constitucional, que são um tanto assustadores e nos conduzem, se levados a sério, à mais absoluta insegurança jurídica.NUNCA ESTE TRIBUNAL CONSTITUCIONAL ESTEVE TÃO SUJEITO À PRESSÃO DE GRUPOS ORGANIZADOS COMO AGORA. Vocês verão: entendi, dada a fala de alguns dos nossos doutos ministros, que, se a maioria decidir jogar a Constituição no lixo, então ela estará bem jogada.

Tempos sombrios!

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma recebe Kassab no Palácio do Planalto, encontro que não estava na agenda

Por Priscilla Mendes, no Portal G1:
A presidente Dilma Rousseff recebeu no final da tarde desta quarta (15), no Palácio do Planalto, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. A reunião, que durou cerca de 40 minutos, não constava das agendas oficiais de Dilma e de Kassab. Por volta das 18h, o Planalto atualizou a agenda do dia da presidente, incluindo o encontro com o prefeito, que se iniciou às 17h30.

Kassab negocia a participação do PSD na chapa do ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Ao deixar o encontro, o prefeito foi perguntado se havia discutido com a presidente a formação de uma aliança entre PT e PSD para a eleição municipal de São Paulo. “Evidente que não. Seria até uma desconsideração com a presidente. Estou aqui como prefeito e não como líder partidário”, declarou.

Segundo Kassab, o principal assunto tratado na audiência foi a dívida da cidade de São Paulo com o governo federal, que atualmente soma R$ 40 bilhões e compromete 13% das receitas do município. “A questão da dívida tem sido debatida e estudada entre a Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo e o Ministério da Fazenda. A presidenta nos afirmou que está muito motivada em encontrar uma solução para a questão, um encaminhamento que possa ser adequado para os interesses da cidade e do país e afirmou que em breve vai nos apresentar uma linha de ação”, afirmou Kassab.

Na última sexta-feira, o prefeito esteve em Brasília, como convidado no evento que comemorou os 32 anos do PT. A presidente Dilma e 17 ministros compareceram. Lideranças petistas defenderam uma aliança com o PSD em São Paulo. O público presente à festa vaiou Kassab.

Serra
Quanto a uma possível entrada do tucano José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo, Kassab disse preferir aguardar. “Qualquer que seja nossa decisão, que sejamos respeitados. [...] O processo sucessório em São Paulo está se iniciando. Então, todos sabem a relação que existe entre o PSD e o PT e da nossa condição como prefeito. O que nós queremos em São Paulo é abraçar o melhor projeto para a cidade e não para o partido”, afirmou.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

DESCONSTRUINDO UMA MENTIRA – Haddad tenta fazer de conta que o MEC não conhecia o conteúdo do “kit gay”. É falso! E eu provo! Ou: A heterofobia da turma de Haddad

O virtual candidato do PT à Prefeitura e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, escora-se em duas muletas para tentar explicar os absurdos contidos no kit gay: a) tenta associar os críticos à homofobia, como se só homofóbicos pudessem combater aquelas bobagens; b) afirma que o material não havia ainda sido aprovado pelo MEC, que ele mesmo não sabia de nada.

Bem, meus caros, eu desmenti de forma cabal e insofismável as desculpas de Haddad no dia 19 de maio de 2011. Vale a pena relembrar o texto. Sim, o MEC sabia de tudo. Os filmes foram debatidos em conferências. A única dúvida da turma era até onde uma língua poderia entrar na outra boca num beijo lésbico. Isso à parte, eles consideravam que tudo estava certo. Afinal, as tais conferências eram realizadas apenas por militantes homossexuais.

FAZ OU NÃO FAZ SENTIDO? Mais de 90% dos jovens estudantes são, com certeza, heterossexuais, mas o material voltado para a sua educação sexual passa a ser uma tarefa da militância gay… Tenham paciência!

Releiam aquele texto. Acho que vale a pena. Vejam quais são as entidades que Haddad chamou para cuidar dos filminhos. Prestem atenção à fala do representante do MEC.

*
O ministro Fernando Haddad, da Educação, encontrou-se ontem com deputados católicos e evangélicos para conversar sobre o kit gay — também chamado “anti-homofobia” — que o governo federal pretende distribuir nas escolas. Uma comissão de parlamentares será formada para examinar o material. É a primeira vez que brasileiros não-gays estão sendo chamados a debater o assunto. Até havia pouco, a questão estava entregue apenas a ONGs estrangeiras e à militância gay, como se o público-alvo do programa não fosse o conjunto dos estudantes. Seja para discutir floresta, seja para discutir sexo, o Brasil parece um laboratório de teses de organizações estrangeiras, que se comportam como legítimas representantes do povo, embora não tenham sido eleitas por ninguém. Curiosamente, em seus países de origem, não conseguem aprovar algumas das propostas que tentam ver implementadas aqui - na floresta ou no sexo…

Haddad, um dos pré-candidatos do PT à Prefeitura de São Paulo, parece ter descoberto que precisa de voto caso seja o escolhido do partido para disputar o cargo, conforme gostaria Lula. Só com a simpatia dos meios de comunicação e dos homossexuais militantes, talvez não logre o seu intento. Aos congressistas, assegurou que filmes e cartilhas que circulam por aí ainda não são de responsabilidade do Ministério. Teria vazado das organizações contratadas para produzir o material. Conversa mole, e ele sabe disso muito bem. Pode ainda não ser o produto final, mas tudo foi elaborado sob o comando do governo federal.

Quem coordenou os trabalhos foi a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), órgão ligado ao MEC, mas quem se encarregou da produção propriamente foram a Global Alliance for LGBT Education (Gale), uma fundação holandesa; a Pathfinder do Brasil, associada à Pathfinder Iternational, dos EUA; a Reprolatina, entidade brasileira que trabalha em parceria com a Universidade de Michigan, e duas outras ONGs ligadas à miitância homossexual: a Ecos - Comunicação em Sexualidade e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

Perceberam? A sexualidade das crianças brasileiras seria assunto importante demais para ficar sob o cuidado dos nativos - a menos que sejam gays. Isso lhes parece razoável? Infelizmente, Haddad está contando o oposto da verdade. O material vazou, sim, mas o MEC acompanhou tudo no detalhe. E é fácil provar.

No dia 31 de março [de 2011], publiquei aqui  o vídeo que segue abaixo.Reproduz parte da sessão da Comissão de Legislação Participativa da Câmara, ocorrida no dia 23 de novembro de 2010. Apresentou-se ali o tal material didático sobre homossexualidade. O destaque da sessão é a intervenção de André Lázaro, então secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC. Ao discutir um dos filmes que o ministério pretende exibir nas escolas, ele deixa claro que houve uma certa hesitação da equipe: “Até onde entrava a língua” num beijo lésbico.Essa era a única dúvida. As palavras são dele, como vocês podem ver, não minhas. Lázaro não está mais no Ministério da Educação. Agora ele é secretário executivo de Direitos Humanos da Presidência da República. Na sessão, também foi apresentado o filme em que um adolescente chamado José Ricardo diz ser, na verdade, “Bianca”. O vídeo é bem ruim, mas é bastante ilustrativo. ISSO PROVA A VERDADE DAS PALAVRAS DE HADDAD.

Por Reinaldo Azevedo

 

Haddad tenta se livrar da própria obra e volta a associar a oposição ao kit gay à homofobia. Uma ova! Continua a ofender as pessoas de bom senso

Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e virtual candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, já está doidinho para se livrar da própria obra. Como um bom petista, resolve, então, contar a história pelo avesso e, ora vejam!, atacar adversários, invertendo o ônus de suas próprias escolhas.

Em sua gestão, o MEC preparou filminhos para ser exibidos nas escolas de suposto combate à homofobia. Eles não foram preparados por educadores que conhecem a sala de aula. A tarefa ficou a cargo de ONGs e militantes, como de costume. Em um deles, a bissexualidade era apresentada como uma vantagem na comparação com a heterossexualidade. Se você quiser relembrar, segue abaixo. Volto depois.

Escrevi sobre essa coleção de absurdos no dia 25 de maior de 2011. Leiam este trecho que transcrevo do filmete:
“Foi copiando a lição de probabilidade, que Leonardo teve um estalo: por que precisaria decidir ficar só com garotas ou só com garotos se ele se interessava pelos dois? E ele não era de ficar com qualquer um. Mas, quando ele gostava, não importava se era garoto ou garota. E, gostando dos dois, a probabilidade de encontrar alguém por quem sentisse atração era quase 50% maior. Tinha duas vezes mais chance de encontrar alguém (…)!

A mensagem geral é a seguinte: qualquer um que assiste ao filme, qualquer dos estudantes, pode, a exemplo de Leonardo, ser gay e não saber — ou, no caso, bissexual. Implicitamente, incita-se a experimentação. Se não tentar, como sabê-lo, não é mesmo? A tese é, obviamente furada, basta vocês procurarem qualquer pessoa que estude o assunto a sério. Agora a matemática.

 Não! Se Leonardo, antes, colhia os seus namoros em apenas 50% do público namorável — as meninas — e poderia, descoberta a sua bissexualidade, fazer a coleta também nos outros 50%, então a probabilidade de encontrar alguém por quem sentisse atração “era 100% maior”, não 50%. Erro de matemática. Bando de ignorantes! O professor que ensinou probabilidade para o Leonardo deveria ser um craque em homoafetividade, mas um estúpido na sua disciplina. Há outro erro, este de matemática e de língua. Se eu tenho uma laranja e você tem duas laranjas, você não tem “duas vezes mais laranja do que eu”, mas apenas uma. Quando a chance de alguém dobra, ela aumentou uma vez, não duas.

Os filmes preparados pelo MEC de Haddad são moral e matematicamente indigentes. Um outro vídeo, como sabem, defende o “direito” que um aluno “transgênero” teria de usar  o banheiro feminino e de não ser chamado pelos professores pelo seu verdadeiro nome. Um terceiro trata do lebianismo, também numa linguagem que beira a apologia.

Ora, quem deu a Haddad o direito de se imiscuir, assim, na organização das famílias? Com que preparo especial e com que competência específica professores exibiriam esses filmes nas milhares de escolas brasileiras? O governo chegou a hesitar em algum momento, a ter dúvida? Só em um: até onde a língua de uma garota deveria entrar na boca de outra num beijo lésbico. Trato do assunto em outro post.

O tema voltou a ser debatido. Leio na Folha Online o que segue. Volto em seguida:
Na mira de líderes evangélicos por causa do chamado kit anti-homofobia, o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira (15) que o uso político do tema estimula a violência contra homossexuais. O ex-ministro afirmou que exploração eleitoral do tema “indiretamente acaba incitando” casos de agressão e se disse preocupado com incitação de “forças obscurantistas” no país. “O que me preocupa é que muitas vezes o indivíduo pode entender que é um fato a ser explorado [na campanha] sem considerar que isso indiretamente acaba incitando a violência”, disse Haddad. “Muitas vezes, ao não abordar corretamente a questão dos direitos humanos, você acaba sem querer promovendo uma violência que é crescente no país contra pessoas que têm outra orientação sexual.”

O petista disse ter “certeza” de que os líderes evangélicos que o criticam não pretendem promover a violência, mas afirmou que o uso político do tema “libera em alguns indivíduos forças obscurantistas” contra os gays. Haddad disse não temer ataques por causa do tema. Em entrevista publicada na Folha nesta quarta-feira, Marcos Pereira, presidente do PRB e bispo da Igreja Universal, afirmou que o assunto fará o petista “sofrer” na campanha. “A verdade vai prevalecer sobre a mentira. A verdade prevalecendo, não há o que temer”, afirmou o petista. “Estou absolutamente seguro quanto às decisões que tomei.”
(…)
Voltei
Como é que é? Quer dizer que, se gays sofrerem alguma forma de violência, a responsabilidade poderia recair também sobre as costas daqueles que acham os vídeos preparados por Haddad e sua equipe inadequados? Esse material, e coisa ainda pior, só não foi distribuído em larga escala nas escolas porque a sociedade reagiu. São Paulo, cidade que Haddad pretende administrar, tem milhares de alunos em escolas municipais. É com esse cuidado que ele pretende tratar do assunto?

É uma vigarice intelectual e moral associar os críticos às barbaridades contidas naqueles vídeos à homofobia. O que a sociedade não aceita é que o estado se meta dessa forma na organização das famílias. Mais: há uma diferença nada ligeira entre combater o preconceito à homossexualidade e a linguagem que beira a apologia.

No próximo post, relembro o nível de delinqüência intelectual a que chegou o MEC, o que desmente a farsa de que Haddad não sabia de nada.

Por Reinaldo Azevedo

 

Este blog, a gestão Kassab, o PT, as pessoas e os princípios

Dados o noticiário sobre a eventual cessão de um terreno em São Paulo para Instituto Lula e a aproximação entre o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e os petistas, leitores, alguns por bons motivos, outros por espírito de porco (os petralhas), têm enviado comentários mais ou menos assim: “E pensar que você apoiou o Kassab diversas vezes, hein!?…”

Então vamos ver.

O que escrevi sobre a administração Kassab está em arquivo. Acho que mais de uma vez ele foi vítima e alvo de uma orquestração vagabunda. Continuo a achar a sua gestão melhor do que o noticiário a respeito dela, bastante pautado pelo petismo até outro dia. Neste momento, por razões óbvias, “eles” deram um tempo. Dou um exemplo: a tal ONG Nossa São Paulo é dirigida por petistas. Basta essa gente soltar um pio, muitas vezes com números perturbados, como já mostrei aqui, e lá vem uma penca de reportagens de jornal.

Atenção! Eu não tenho compromisso com pessoas, mas com posturas. Se e quando acho que Kassab acerta, eu escrevo: “Acertou!” Se e quando acho que Kassab erra, eu escrevo: “Errou!” E isso vale para qualquer um.  Ainda que alguns tentem meter todos no mesmo saco, não me confundo com esses vagabundos que escrevem o que o cliente manda. Eu não tenho clientes. De resto, vejam que coisa!, sou assim mesmo, né? Quando a petezada toda, inclusive a da imprensa, fazia de Kassab saco de pancada, eu o defendi muitas vezes. Agora que estão todos embevecidos com a possível doação do tal terreno, eu estou na contramão. Faz sentido: eu e PT pertencemos a universos mentais distintos, ora essa!

Mas que se registre: se considerasse a doação do terreno uma coisa legítima, daria meu apoio. Mas não acho. E não porque seja um presente para o PT. Não creio que partidos políticos ou líderes políticos devam merecer esses mimos do poder público.  Eu escrevo o que penso e o que me dá na telha escrever — só que a minha “telha” é pautada por princípios, não por fidelidade a este ou àquele. Quando o BC decidiu baixar os juros, por exemplo, este “contumaz oposicionista” apoiou.

Já disse que tenho uma máxima bem simples nessas coisas: quando gosto, digo “sim”. Quando não gosto, digo “não”. A campanha obscurantista de verdes e artistas descolados contra Belo Monte era uma excelente oportunidade para pegar carona no “joga pedra no governo”. Modéstia às favas, os meus posts a respeito estiveram entre os mais duros e claros da imprensa — e contra aqueles obscurantistas, não contra o governo, ainda que eu tenha críticas severas ao modo como ele atuou nesse caso.

Eu não me alinho automaticamente com ninguém. Se o que vejo coincide com os meus valores, as minhas convicções, os meus princípios, apóio; se não, então não! É por isso que esse blog reúne milhares de leitores, muitos da esquerda inclusive. Eu não preciso explicar absolutamente nada em relação a meus posicionamentos sobre atos de Kassab. Se alguém deve explicações, convenham, é ele — e também os petistas, que faziam um picadinho injusto de seu governo até anteontem.

Encerrando
De resto, é evidente que, caso Kassab se junte ao PT, os petistas não vão atacar a sua gestão em São Paulo. Talvez não a elogiem também. Preferirão fazer promessas e, claro!, atacar os tucanos. Caso José Serra seja mesmo o candidato do PSDB, é provável que Kassab o apóie. Nesse caso, os petistas avançarão com fúria contra a gestão do atual prefeito, com ou sem terreno doado para Lula.

Peçam explicações a Kassab. Peçam explicações aos petistas. Eu continuo a gostar e a desgostar de tudo aquilo de que gostava e de que desgostava antes. Escreveria de novo todos os textos que escrevi porque é o mesmo Reinaldo Azevedo, com os mesmos valores, que escreveu os artigos de antes e os de agora. Como vocês sabem, eu não puxo o saco nem dos leitores. O caso do Ficha Limpa é exemplar. A maioria de vocês é a favor e sabe que considero o texto inconstitucional.

Defendi, sim, muitas vezes, a gestão de Kassab porque a considero, em muitos aspectos, defensável. E critico a intenção de doar o terreno ao Instituto Lula porque isso é indefensável.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilberto Carvalho se encontra com evangélicos, acusa a imprensa de distorcer suas palavras (claro!), ajoelha, mas não reza! Ou: Evangélicos decidem se vão se deixar engabelar ou não

Leiam o que informa Gabriel Castro na VEJA Online. Comento em seguida.

Cobrado por suas declarações recentes sobre as igrejas protestantes, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, pediu desculpas à bancada evangélica nesta quarta-feira, em reunião na Câmara dos Deputados. Como era de se esperar, ele acusou a imprensa de distorcer suas palavras. Os parlamentares, entretanto, queriam mais: por iniciativa do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), propuseram que o ministro assinasse um documento confirmando por escrito o desmentido. O petista não aceitou. Depois do encontro, os dois lados garantiram que a paz foi selada: “Ele se retratou de forma sincera e honesta”, disse o deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica.

O ministro afirmou que suas desculpas não significam uma retratação sobre o que ele declarou no Fórum Social Mundial, quando pregou o confronto com os evangélicos. “O pedido de desculpas que eu fiz não foi pelas minhas palavras, mas sim pelos sentimentos que elas provocaram”, afirmou. “Como ele disse que não falou, eu entreguei um DVD com a fala dele, para ele ver em casa”, disse o senador Magno Malta (PR-ES), ironizando o recuo do ministro.

Gilberto Carvalho também admitiu que a nota emitida pelo governo para justificar suas declarações foi insuficiente e se comprometeu a divulgar um novo comunicado nesta quarta-feira. Sobre o documento não-assinado, ele se esquivou: “O diálogo foi muito maduro. A gente sai daqui com a questão encaminhada”.

A reação dos parlamentares evangélicos se dá por causa das declarações feitas por Gilberto Carvalho durante o Fórum Social Mundial, em janeiro. Na ocasião, ele afirmou que era preciso que o governo se preparasse para um confronto ideológico com os evangélicos - o que incluiria a formação de uma rede de comunicação para aplacar a força de igrejas que usam a televisão para propagar sua mensagem. As críticas mais exaltadas ao ministro vieram do senador Magno Malta (PR-ES), que chegou a chamar Gilberto Carvalho de “safado”, em discurso feito em plenário. Assim como Malta, a maior parte dos deputados e senadores evangélicos fazem parte da base de apoio do governo.

Aborto
Gilberto Carvalho também foi cobrado sobre a posição do governo a respeito do aborto. A nova ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, tem um longo histórico de defesa da legalização da prática, e chegou a fazer um curso de aborto por sucção na Colômbia. Gilberto Carvalho disse que o Planalto não apoia mudanças na legislação neste aspecto: “A presidente pediu que eu reafirmasse para a bancada que a posição do governo sobre o aborto é a posição que ela assumiu já na campanha eleitoral”, garantiu o ministro. A reunião se deu a portas fechadas e durou cerca de duas horas e meia. Gilberto Carvalho chegou sem falar com a imprensa.

Voltei
É a reação esperada. E sabem o que isso significa? Absolutamente nada! OS PETISTAS FATALMENTE ENTRARÃO EM CONFRONTO COM AS IGREJAS PORQUE ESSA É SUA NATUREZA. Explico aqui os motivos. Ora, vejam o caso da nova ministra das Mulheres, a senhora Eleonora Menicucci (e seus absurdos). Dilma deixou claro que a escolheu pelo “conjunto da obra”, e isso significa um “sim” à sua militância ensandecida em favor do aborto, por exemplo.

Quanto ao confronto com os evangélicos, os interessados devem ler o texto a que remete o link acima. A natureza do PT é se estabelecer como único ente de intermediação entre os indivíduos e a sociedade. É claro que nenhuma guerra aberta será declarada. É BOM NÃO ESQUECER QUE, EM SUA FALA, CARVALHO DEFENDEU A CRIAÇÃO DE UMA ESTRUTURA DE COMUNICAÇÃO ESTATAL PARA REALIZAR O TAL CHOQUE DE VALORES.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

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