Ciro Siqueira comenta: "Lá vem o Governo: Dilma tenta assumir o controle da reforma do Código Florestal"

Publicado em 25/03/2012 16:20 e atualizado em 10/09/2013 15:36 1046 exibições
...e mais: "Perceba a falta de Tatto do governo na questão do Código Florestal", por Ciro Siqueira, do blog www.codigoambiental.com

Lá vem o Governo: Dilma tenta assumir o controle da reforma do Código Florestal

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A presidente Dilma Rousseff decidiu assumir pessoalmente as negociações da reforma do Código Florestal. Antes nas mãos da Ministra brucutu das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, as tratativas empacaram.

Na última sexta feira, Dilma se reuniu por duas horas com seis de seus ministros mais ligados ao tema. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a orientação da presidente é evitar a votação do Código Florestal até que o governo consiga construir uma maioria de votos que permita aprovar o texto conforme veio do Senado.

Mas a reunião desta sexta deixou claro que, diante da reação à intervenção, Dilma não recuou. Ao contrário, entrou pessoalmente no jogo para evitar, mais do que uma derrota, um grande retrocesso na política ambiental do governo às vésperas da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o Brasil sediará em junho.

O primeiro passo para tentar evitar a aprovação de um Código Florestal que não destrua parte da agricultura nacional em nome da mais floresta é conter a rebelião na base política. O governo entende que se comprar adequadamente sua base fisiológica de sustentação a força política em defesa da agricultura nacional diminui.

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, que participou da reunião, vestiu uma camisa de homem e levou por escrito à Dilma uma justificativa à proposta defendida pelo relator do Código Florestal, Paulo Piau. Ribeiro tentou mostrar à presidente que o texto do senado implicará em destruição da terras em agrícolas em APPs, algo que sua colega do Ministério do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, chama de recuperação ambiental e do qual não abre mão. Os deputados não endossarão o que os ambientalistas do governo querem. Dilma terá que fazê-lo por sua conta e risco.

Apelo

No dia anterior, quinta feira, Dilma se reuniu com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Kassab, que é um dos fundadores e líder do PSD, terceira maior bancada da Câmara, viajou até Brasília a pedido de Dilma para essa reunião. A presidente apelou à Kassab pelo apoio do PSD na aprovação do texto do Senado para a reforma do Código Florestal. Kassab negou.

O prefeito disse à presidente que não tem controle sobre esse tema na bancada. Entre os 47 deputados do partido há muitos liados ao setor rural, como Homero Pereira, Reinhold Stephanes e o próprio presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Moreira Mendes, todos fincados no front da agropecuária na guerra contra o fundamentalismo ambiental pela preservação das áreas agrícolas em APPs e RLs.

Duas leitura equivocadas

A presidente Dilma Rousseff fez duas leituras bisonhas da situação política em torno da reforma do Código Florestal. O Painel da Falha de São Paulo de hoje publicou que Dilma anda se queixando do silêncio das ONGs ambientalistas e dos pop stars do fundamentalismo ambiental em apoio à posição do governo de não ceder às exigências dos ruralistas no Código Florestal.

Os verdes não apoiarão Dilma. Ecoxiita não apoia infiel e qualquer um que não seja um ecoxiita é um cão infiel. Semana passada as ONGs ameaçaram entregar o prêmio Motoserra de Ouro à presidente Dilma durante a Conferência Rio+20 com o objetivo de constranger a presidente do Brasil diante dos representantes do outros países. Alguns jornalões dizem que Dilma mudou de posição sobre o Código Florestal com medo do constrangimento público. Não se iluda, presidente, ele ainda tentarão constrangê-la seja qual for sua atitude em relação ao Código Florestal. É disso que eles vivem, é assim que arranjam fundos, fazendo palhaçadas fotogênicas mundo a fora. Tentar se aproximar dos talibãs da clorofila foi o primeiro erro de Dilma Ruimsseff. Fundamentalista não aceita esse tipo de movimento.

Outro grande erro de Dilma foi achar que os partidos políticos estão usando o Código Florestal para chantagear o governo em favores, o famoso toma-lá-dá-cá, tão querido pelos jornalistas por simplificar confortavelmente as análises. Não há fisiologismo no apoio ao Código Florestal. Muito antes pelo contrário. O apoio à reforma do Código Florestal é um apoio com raízes nas convicções de cada um dos deputados que querem alterar a lei e eles estão em quase todos os partidos, seja do governo, seja da oposição. A sociedade brasileira está tão habituada aos pitis fisiológicos dos partidos políticos que nem cogitam mais a possibilidade de um voto por convicção.

Qualquer um que conhecem minimamente o campo, ou que precisa visitá-lo vez por outra em busca de voto, percebe a forma como os produtores rurais vêm sendo violentados pelos talibãs da clorofila. Escondidos na pele de cordeiro da salvação das florestas os cães canalhas do ambientalismo convencional vêm criando entraves legais, multando, embargando, desalojando, arrestando, humilhando, exigido tacs impossíveis, criando todo sorte de problemas ambientais àqueles tidos como destruidores da natureza, os caras maus. Mas muitos deles não passam de brasileiros comuns, trabalhadores e produtores rurais. É essa injustiça que grassa no Brasil real, não urbano, que está na raiz do sentimento reformador e que impele o Congresso Nacional brasileiro.

Aquilo que cegou os jornalões para o que havia por trás da guerra de Canudos no passado, é o mesmo que os cega agora para o que há por trás da guerra pelo Código Florestal. Foi preciso alguém com o talento de Euclides da Cunha para jogar na cara do Brasil oficial o se passava de facto no Brasil real. Não existem mais Euclides da Cunha. Nossos jornalistas se acostumaram à mediocridade das martas salomons e à desfaçatez dos claudios angelos e não mostrarão mais à sociedade o Brasil real. Tampouco as ONGs os farão. Essa incapacidade de ler a centelha do movimento reformador do Código Florestal faz nossa presidente errar ao achar que pode conter a reforma do Código Florestal com emendas de plenário ou manobras protelatórias.

A estratégia do governo

Entretanto, o que nos interessa, caro leitor, é que Dilma leu errado a situação. E quando se lê errado um problema só se consegue imaginar soluções erradas para ele. Foi por ler errado o problema que Dilma tentou votar a Lei da Copa na semana passada e viu todos os partidos, incluindo 19 deputados do PT, fazerem obstrução; foi por ler errado o problema que Dilma apelou a Kassab e tomou um não na orelha. Dilma e suas ministras brucutus, Ideli e Izabella, ainda não realizaram a situação.

A estratégia (errada) das três desorientadas será retardar a votação do Código Florestal até o dia 11 de abril. No dia 11 a Presidente fará publicar no diário oficial a 5ª prorrogação do decreto que criminaliza a agricultura brasileira. Com a prorrogação do decreto a brucutu-mor e suas brucutuzetes acreditam que a tenacidade dos deputados pela reforma do Código Florestal broxará e eles conseguiram postergar a votação do Código Florestal para 2013 abrindo caminho para a lei da copa e o restante da pauta do governo.

Eu acho que eles darão com as burras n'água. E você, o que acha? Deixe seu comentário.

O que vem por aí

A próxima semana deve ser morta. O governo não arriscará colocar nada em votação enquanto não achar um jeito de apaziguar a maioria de deputados que querem votar o Código Florestal. A semana seguinte é semana santa e haverá recesso branco na Câmara. A semana que sucede a semana santa é a semana do dia 11. Ou seja, não há tempo hábil para a votação da reforma do Código Floresta antes do dia 11 de abril. A presidente vai adiar o decreto, provavelmente para julho de 2013.

Resta saber que os deputados terão força para sustentar a obstrução ao governo mesmo após o 5ª adiamento do decreto insólito que torna crime produzir alimentos no Brasil.

 

Perceba a falta de Tatto do governo na questão do Código Florestal

Vejam no vídeo abaixo o discurso do Deputado Jilmar Tatto, na condição de líder do governo na Câmara. Na última quarta feira, quando o governo tentava empurrar a votação da lei da geral da copa, Tatto subiu à tribuna para exigir que a base alidada seguisse as ordens do governo como se vassalos fossem. 

O deputado do PT atacou os produtores rural que querem a reforma do Código Florestal chamando todos de "predadores". Foi vaiado pelo plenário. Reparem no vídeo que, imediatamente depois da verborragia de Tatto, o PR, partido da base aliada, mudou sua posição e passou a fazer obstrução ao governo. Foi o esse discurso desastrado do líder do governo que desaliou a base aliada.

O núcleo do governo, aquelas pessoas mais próximas à presidenta Dilma, têm uma leitura completamente errada da situação. Eles ainda não entenderam que o CONGRESSO NACIONAL QUER REFORMAR O CÓDIGO FLORESTAL. Não são os demônios ruralistas que o PT está acostumado a enxovalhar, é a base, é a maioria.

Jilmar Tatto subiu à tribuna achando que a maioria estava do lado dele e se esmerou em esculhambar o que achava que era minoria. Errou. A minoria era ele. Foi vaiado.

Mais tarde, ao jornal Folha de São Paulo, um jilmar tatto constrangido disse "O clima ontem estava péssimo em função de toda a situação, agora vamos diminuir o tom do discurso se isso ajudar a aprovar a Lei Geral da Copa [...]. Estou mudando meu discurso, vamos ver se assim a gente se entende".

Mas a mais contundente de todas as provas de que o governo não está entendendo o problema em torno da reforma do Código Florestal foi dada pelo próprio Jilmar Tatto na mesma entrevista à Folha. Eis a leitura do grande gênio da política, Jilmar Tatto, sobre o episódio: "É colocar a faca no pescoço do governo. Veja, a oposição pode falar isso, agora, a base falar: 'nós queremos a data'. Isso não pode. Olha a situação do governo! A base falando publicamente, pedindo para marcar a data. Que história é essa? O governo quer discutir mérito"

Entenderam? Ele acha que o Governo possui a base. Que o Congresso não tem o direito de ter opinião própria.

No fundo, o Brasil está acostumado ao fisiologismo. Onde os deputados não têm opinião e assumem a opinião do governo que os fornece cargos, dinheiro e vantagens. Estamos em uma situação inusitada onde a maioria dos deputados, de todos os partidos, de todo o espectro político, estão votando por convicção e não fisiologismo. É inusitado. É exótico. A sociedade e os analistas dos jornalões nunca viram tal bicho a ponto não reconhecê-lo.

É essa estranheza que está confundindo Ideli, Chinaglia, Jilmar sem Tatto e a própria presidente. Alguém precisa contar para eles que o povo brasileiro, exercendo plenamente a democracia através do Congresso Nacional, quer a reforma do Código Florestal. Alguém precisa dizer a eles que isso é belo. Estamos diante de algo fascinante que gente autoritária como Tatto e Ideli simplesmente não conseguem compreender.

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Em tempo, não me canso de ver e mostra esse vídeo:


É o discurso do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, base aliada ao governo, partido do vice presidente da república. Alves já mostra o tema do Código Florestal como uma forma de mostrar um comportamento não fisiológico do Congresso. Alves diz claramente que a sociedade fala tão mal do congresso por se comportar de forma fisiológica e a reforma do Código Florestal do Código Florestal era um tema do Brasil real que oferecia ao Congresso uma chance de dar uma mostra à sociedade de um comportamento legislativo de facto.

Minutos antes desse discurso de Alves, o deputado Aldo Rebelo ressaltou o momento singular pelo qual a Câmara passava. Reduzido a vassalos do governo pelo trâmite das Medidas Provisórias, naquele dia os deputados aprovaram um texto oriundo do Legislativo, naquele dia o legislativo legislou.

A reforma do Código Florestal está fornecendo também isso à sociedade brasileiro: um legislativo que legisla.

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Fonte:
www.codigoflorestal.com

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