Às vésperas da votação do Código Florestal, por que não ouvir quem vive da terra?

Publicado em 28/03/2012 17:20 e atualizado em 26/07/2013 16:38 1515 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Boa parte ecologismo radical deve achar que comida nasce nas gôndolas do Pão de Açúcar e do Carrefour. Não nasce, não! Tem de ser plantada. Já conversei com amigos da natureza que não saberiam distinguir um pé de alface de capim. Abaixo, segue um depoimento de Almerita Francisca da Silva. É uma agricultora de Igarapé Preto, no Amazonas. Seu depoimento foi colhido em Boca do Acre (AM). Por favor, vejam até o fim.

Eis aí. Volto a uma questão muitas vezes tratada aqui. Aquilo a que chamam “agronegócio” — as grandes empresas, especialmente papeleiras e o setor sucroalcooleiro — já têm a sua situação regularizada segundo o Código Florestal em vigência ou o que está para ser votado. Quem está em situação considerada ilegal e precisa ter sua vida regularizada é o pequeno, é o agricultor pobre.

Essa gente não mobiliza os “amigos da natureza” e os caridosos ecologistas. O jornalismo também lhes vira as costas porque prefere pensar que estamos numa luta do bem (os preservacionistas) contra o mal (os desmatadores). Ignora-se o Brasil real. Dona Almerita é do Acre, conterrânea de Marina Silva. Mas essa porta-voz da “nova política” não lhe dá bola.

Acho que o que vai acima explica, em boa parte, o fato de a então candidatado PV à Presidência (ela já deixou o partido) ter ficado em terceiro lugar no seu próprio estado na eleição presidencial de 2010. Obteve 23,58% dos votos, contra 52,18% de José Serra e 23,74% de Dilma Rousseff.

Dona Almerita quer plantar. Mas o onguismo verde e a Fundação Ford a querem pendurada no Bolsa Família!

Por Reinaldo Azevedo

 

29/03/2012 às 14:56

Brasil crescerá menos do que o esperado pelo governo, segundo o Banco Central

Na VEJA Online:
O país vai crescer este ano menos que o esperado pela equipe econômica. Isso é o que mostra o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central (BC). A autoridade monetária manteve a projeção de crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 - a mesma estimativa divulgada no relatório de dezembro.

A projeção mostra que será mais difícil para equipe econômica alcançar a meta de crescimento de pelo menos 4% desejada pela presidente Dilma Rousseff. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem prometido um crescimento ainda maior, de 4,5%. Para atingi-lo, planeja lançar na semana que vem novas medidas econômicas. Para o BC, porém, o crescimento de 3,5% é compatível com o equilíbrio interno e externo e consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta de 2012, de 4,5%.

Inflação
O BC já projeta a inflação para abaixo do centro da meta no fim deste ano. Pelos dados do Relatório Trimestral de Inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pelo cenário de referência fechará 2012 em 4,4%. O documento mostra um recuo de 0,3 ponto porcentual na projeção do IPCA para este ano, já que a estimativa anterior era de 4,7%. A meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 4,5%.

Pelo cenário de referência, a projeção para inflação acumulada em 12 meses se posiciona acima do valor central de 4,5% ao longo do primeiro semestre de 2012, deslocando-se em direção à trajetória da meta nos dois trimestres seguintes. A inflação acumulada em 12 meses parte de 5,5% no primeiro trimestre de 2012, reduz-se para 5,0% no segundo e para 4,4% no terceiro, encerrando o ano neste patamar, conforme o BC.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Marta manda Haddad gastar sola de sapato. E eu mando os analistas políticos gastarem um pouco de vergonha e senso de ridículo. Ou: Marta dá um pito na imprensa petista!

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) mandou Fernando Haddad, pré-candidato petista à Prefeitura de São Paulo, ”gastar sola de sapato, conhecer os problemas da cidade e ganhar a militância”. Perdeu a paciência com a pressão que vem sofrendo para que entre na campanha. Haddad deve ficar um tantinho envergonhado. Mais do que ele, quem deveria estar corada é boa parte da imprensa paulistana. Por quê? Então vamos ver.

Minhas caras, meus caros,

No texto abaixo, tratarei, aparentemente, das pré-candidaturas de Haddaad e do tucano José Serra. Na essência, o meu tema é outro. O que me interessa é demonstrar como a imprensa pode cair vítima — na hipótese virtuosa (!) — ou ser esbirro, na hipótese viciosa, dos interesses de um partido político. No primeiro caso, misturam-se doses de ingenuidade e de fiel militância. No segundo, estamos falando da infiltração de funcionários “do partido” nas redações — ainda que na forma de “especialistas”, que emprestam a seu trabalho de lobby o ar de ciência.

No primeiro caso, refiro-me àquele esquerdismo preguiçoso a que aderiu boa parte dos jornalistas ainda na faculdade. Quase nunca foi o excesso de leitura que os levou a fazer aquela escolha, mas a falta. Um profissional de imprensa que tem a coragem de repetir, por exemplo, que 200 mil mulheres morrem por ano no Brasil vítimas de aborto não consultou o IBGE para saber o total de mortes por ano no país, não buscou os dados do Ministério da Saúde e não sabe o mínimo de aritmética e lógica. Mas certamente tem um bom coração… A ignorância judiciosa e caridosa, muito típica de certo onguismo, produz o obscurantismo do bem e é um dos males destes dias.  No segundo caso, refiro-me mesmo a vigaristas, muitos deles disfarçados de professores.

Então vamos ao caso em particular. Os dois maiores partidos de São Paulo já escolheram seus pré-candidatos à Prefeitura. O do PSDB é José Serra, e o do PT, Fernando Haddad. Os petistas saíram na frente. A senadora Marta Suplicy era a franca favorita no partido. Ainda que houvesse outros postulantes e que se falasse em prévias, é bem possível que nem acontecessem tal a vantagem que ela tinha. Mas havia um Luiz Inácio Lula da Silva no meio do caminho. Como a rejeição a Marta girava em torno de 30%, talvez um pouco mais — e eu entendo que esse é o percentual de eleitores que não vota no PT nem debaixo de chicote — e como certas alas do partido temem o que consideram seu lado “antipático e esquentado”, o coronel Lula bateu o martelo: queria Haddad! Mais: ela vinha de duas derrotas na disputa pelo cargo: para Serra (2004) e para Gilberto Kassab (2008). Nota: Lula perdeu a eleição para o governo de São Paulo em 1982 e para a Presidência em 1989, 1994 e 1998.

Quando o PT passou a ser uma fonte anti-Marta
Prévias? Não! O Apedeuta se encarregou de enterrá-las e decidiu que o nome sairia do “entendimento”. Marta passou por um processo de esmagamento dentro e fora do partido. Aos poucos, seus fiéis aliados — ou que ela imaginava fiéis — foram sendo cooptados. Ela pode, até por vaidade, negar o fato, mas sabe que foi miseravelmente traída. Pior do que isso: os petistas ligados a Lula e à pré-candidatura de Haddad passaram a alimentar colunas de fofocas, que iam dando conta de que sua postulação estava indo para o brejo. O próprio Haddad resolveu lhe bater a carteira política: plantou por aí que foi ele um dos responsáveis pela criação dos CEUs, uma das bandeiras da ex-prefeita.

Lula deixava claro, enfim, que não aceitava ser desafiado e que pouco lhe importava o que queria a militância petista — isso num partido que, para todos os efeitos (e é, de fato, mentira!) se orgulha de dar voz às bases, à militância. Se Marta insistisse em levar adiante a sua pretensão, sob pena de criar uma crise, seria esmagada de forma ainda mais vexaminosa. Numa eventual prévia, corria o risco de sair sem nada. Lula lhe tomou os vereadores, os deputados estaduais, os líderes regionais do partido, tudo… Quando desistiu, Marta só tinha uma boa fatia do eleitorado, mas as lideranças partidárias tinham desertado.

Como isso foi tratado na imprensa?
Como esse processo foi tratado na imprensa? Por incrível que pareça, falou-se em “renovação”. Especialistas em vigarice intelectual foram convocados para reafirmar a genialidade de Lula, que decidiu virar a mesa em São Paulo, buscando uma cara nova, mais alinhada com a classe média paulistana, boa parte dela ainda refratária ao PT. Haddad seria inteligente, articulado, bom moço, até — pasmem! — bom ministro! Lula estaria enxergando, como sempre, com mais aguda vista do que qualquer ser humano da Terra a natureza da disputa. E olhem que Serra ainda não estava na parada — só Marta, a bem da verdade, afirmava que seria ele o candidato.

O mal do aparelhamento e do lobby
Vejam o mal que o aparelhamento das redações e a influência do lobby disfarçado de ciência social fazem ao jornalismo! O que foi um processo notavelmente autoritário, cesarista, a evidenciar que o PT tem não exatamente um líder, mas um dono, foi lido como RENOVAÇÃO! Este escriba indagava à época, como sabem: “Mas o que há de novo em dar murro na mesa e mostrar quem manda?” Ninguém sabia dizer.

Ontem, no Twitter, diante da gigantesca pressão para que vá a campo em favor de Haddad, Marta se irritou e disparou: “Não se turbina uma candidatura com desespero, pressões e constrangimento”. Não ficou nisso: “A tese de que qualquer candidato do PT tem assgurados 30% do eleitorado não é totalmente verdadeira”. Eu até acho que é. Ocorre que Haddad não é qualquer candidato… Ainda não tinha dito tudo. Ao Estadão, acrescentou a ex-prefeita:“Haddad tem de gastar sola de sapato. Além disso, as alianças farão diferença. O restante é conhecer os problemas da cidade e conquistar a militância. Ninguém pode substituir nem fazer isso pelo candidato”. Ou dito de outra maneira:
- Haddad é incapaz de se mover sozinho;
- Haddad não consegue costurar alianças;
- Haddad não conhece os problemas da cidade;
- Haddad não conquistou a militância.

Mas, segundo aqueles “políticólogos”, ele significa uma brutal “renovação”. Nem esses analistas nem a imprensa haviam se dado conta de que, de fato, havia uma crise. Ela poder ser contornada? Sim. Acho, inclusive, que Marta acabará entrando na campanha, depois de devidamente paparicada. Estou chamando a atenção para o fato de que as falas da senadora expõem o autoritarismo de Lula. Trata o PT como o seu quintal e os petistas como seus servos. Não se esqueçam de que o “renovador” Lula mandou intervir no diretório do PT do Maranhão para assegurar o apoio do partido à moderníssima… Roseana Sarney!

Agora o PSDB
Quando Serra decidiu entrar na corrida pela Prefeitura, deu-se, então, um fato fabuloso. Os mesmos — os mesmíssimos! — analistas que apontaram a “renovação” do PT acusaram o PSDB (e isso rendeu matérias em penca) de não se renovar. Atenção! Um dos mais importantes líderes da história do partido mostrava-se disposto a disputar prévias, submetendo-se ao crivo da militância. Ah, não! Isso pareceu aos setores da imprensa aos quais me refiro e àquela, como direi?, “carteira de analistas” insuportavelmente velho! Se o governador Geraldo Alckmin tivesse imitado o comportamento de Lula, é bem provável que Serra tivesse se sagrado candidato sem prévias. Mas não há espaço para isso no PSDB.

Muito bem! O resultado das prévias — Serra obteve 52,1% dos votos — evidencia que se assistiu a uma disputa de fato, não a uma mera pantomima. Se alguma novidade, nos procedimentos, houve nesta eleição até agora, covenham, ela atende pelo nome de “prévias do PSDB”. As outras pré-candidaturas não poderiam seguir molde mais tradicional. Mas quê…  Conhecidos os resultados da disputa tucana, começou o desdém: “Só 52,1%? Deveria ser muito mais! Os serristas esperavam mais!” O fato é que a militância preguiçosamente esquerdista e os analistas “livres como um táxi” — para citar o grande Millôr Fernandes — têm reservada para Serra apenas a agenda negativa. Vocês sabem que falo a verdade: fosse ele a propor o fim da cobrança da inspeção veicular, como fez Haddad, seria acusado de privilegiar os donos de carros — o que seria verdade, diga-se. Fosse ele a propor o fim da inspeção propriamente dita, como fez Gabriel Chalita (a medida seria ilegal!), a turma do meio ambiente iria chiar — e por bons motivos. Mas quê… A dupla vira notícia, em tom de exultação, até quando anuncia o pacto no segundo turno caso um dos dois chegue lá.

Caminhando para o encerramento
Eu lhes disse que as pré-candidaturas de Serra e Haddad seriam o tema apenas aparente deste texto. E são mesmo! Este é um artigo sobre imprensa e jornalismo. Vai se mostrando a cada dia mais difícil encontrar uma análise ou mesmo o (suposto) registro de um fato que não tenham uma deformação já na sua origem, que não estejam contaminados pela lógica partidária — no caso, petista.

A forma como o autoritarismo de Lula e do PT foi chamado de renovação e a efetiva renovação de procedimento do PSDB foi tachada de repetição evidencia um juízo perturbado pela ideologia e pelo partidarismo - na melhor das hipóteses; na pior, trata-se apenas do trabalho bem-sucedido de vigaristas disfarçados de cientistas políticos isentos.

Marta, uma petista graúda, disse aos “companheiros” das redações: “Pô, trabalhem um pouco melhor e sejam mais fiéis aos fatos!”

É um bom conselho.

Por Reinaldo Azevedo

 

29/03/2012 às 7:19

Em conversa gravada pela PF, Cachoeira cita repasses a Demóstenes

No Globo:
Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso por exploração de jogos ilegais em Goiás, pode ter repassado mais de R$ 3 milhões ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Gravações da Polícia Federal revelam que Cachoeira, o contador Giovani Pereira Silva e o sócio Cláudio Abreu conversaram ano passado sobre várias cifras e, em meio à contabilidade, fizeram referências a supostos repasses ao senador. Trechos dos diálogos foram divulgados pelo “Jornal Nacional” nesta quarta-feira.

 

As conversas foram interceptadas ano passado, no começo da Operação Monte Carlo. Cachoeira, Abreu e Silva estão fazendo contas de movimentação financeira da organização. Num determinado momento, Abreu pergunta a Cachoeira quanto ele reteve. “Um milhão do Demóstenes”, responde Cachoeira. Na sequência da conversa, Cachoeira menciona outras cifras e relaciona os números ao senador. Seriam R$ 1,5 milhão, mais R$ 600 mil e mais R$ 1 milhão. Essa última cifra teria sido o valor a ser retido, segundo noticiou o “JN”.

Representação no Conselho de Ética
A soma daria, nos cálculos de Cachoeira, R$ 3,1 milhões. Abreu corrige o sócio e diz que parte do dinheiro já vinha sendo retida desde a eleição do Demóstenes por recomendação do próprio Cachoeira. A conversa dura cinco minutos, e os três mencionam o nome “Demóstenes” seis vezes. Nos trechos divulgados pela TV não estão claras as circunstâncias e nem os objetivos da suposta movimentação financeira.

Está nas mãos do líder do PMDB , Renan Calheiros (AL), e do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recompor o Conselho de Ética do Senado, acéfalo desde setembro do ano passado, para que tramite a representação contra Demóstenes, apresentada ontem pelo PSOL. O documento pede abertura de processo disciplinar para investigar quebra de decoro parlamentar, com punições que vão até a perda do mandato, pelas suspeitas relações do senador com Carlinhos Cachoeira.

O vice-presidente do Conselho de Ética, Jayme Campos (DEM-MT), disse que é preciso que o PMDB indique o substituto do ex-presidente João Alberto (PMDB-MA). A partir daí, ele convocará, em cinco dias, uma nova eleição para que o novo comando do colegiado analise a admissibilidade da representação.

O maranhense João Alberto comandou o conselho de abril a setembro do ano passado. Antes dele, o conselho ficara desativado dois anos. Mas o líder Renan Calheiros foi categórico: “Isso não é problema do PMDB, não! Não é o líder que cuida disso, não! Eu sei lá quem!” Com o impasse, caberá a Sarney decidir que destino dar ao conselho e à representação contra Demóstenes, assinada pelo presidente do PSOL, deputado Ivan Valente (SP). Ele protocolou o pedido acompanhado pelo senador Randolfe Rodrigues (AP) e pelo deputado Chico Alencar (RJ). Na representação, o PSOL pede que sejam chamados para depor Carlinhos Cachoeira e os demais envolvidos no inquérito apresentado pelo MP.

Por Reinaldo Azevedo

 

29/03/2012 às 7:15

Ministério da Piaba compra lanchas que não usa. Conta: R$ 31,1 milhões. E há mais…

Por Marta Salomon, no Estadão:
Sem competência para fiscalizar a pesca irregular, o Ministério da Pesca comprou 28 lanchas-patrulha por mais de R$ 1 milhão cada, das quais ao menos 23 nunca entraram em operação ou estão avariadas, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). Parte da fatura de R$ 31,1 milhões foi paga na gestão de Ideli Salvatti, responsável hoje pela coordenação política do governo Dilma Rousseff.

Dados do Tesouro mostram que parcela de R$ 5,2 milhões da compra foi paga em abril e maio de 2011, sob ordem da então ministra da Pesca, no programa de “apoio e implantação de infraestrutura aquícola e pesqueira”. Ontem à noite, a assessoria de Ideli Salvatti informou que a auditoria do TCU investigou não o pagamento, mas a compra das lanchas, negócio autorizado na administração de Altemir Gregolin, que deixou a pasta em dezembro de 2010. No último dia no cargo, em 31 de dezembro, ele determinou a construção de mais 5 lanchas, quando apenas 4 das 23 encomendadas haviam entrado na água. Quem recebeu o dinheiro foi a empresa Intech Boating Comércio de Embarcações Ltda., sediada em Santa Catarina e inaugurada pouco antes da primeira compra de cinco lanchas autorizada por Gregolin.

Desde a criação da Secretaria até a saída de Ideli Salvatti, o posto criado no governo Lula coube ao PT de Santa Catarina. “O negócio foi lançado para a Intech Boating ganhar”, afirma o relatório do ministro Aroldo Cedraz, aprovado na sessão de ontem do Tribunal. O edital reproduzia os requisitos técnicos do modelo de estreia da empresa no mercado. “As medidas e padrões de desempenho atendem perfeitamente aos requisitos excessivamente detalhados nos editais dos pregões”, diz o relatório. E mais: o aviso de licitação foi publicado em jornal que circula só no Distrito Federal, onde não há estaleiros. A licitação exigia que as lanchas deveriam ser entregues em São Luís (MA) e Belém (PA).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

29/03/2012 às 7:11

TCU vê sobrepreço de R$ 29 milhões em obra do São Francisco

Por Roberto Maltchick, no Globo:
O Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou indícios de sobrepreço de R$ 29 milhões em contrato do lote 5, no Ceará, da transposição do São Francisco, e determinou ao Ministério da Integração Nacional que revise o preço de itens do edital para impedir prejuízo aos cofres públicos. Os auditores do tribunal ainda criticaram a demora para a execução das obras, o que ocasiona aumento do custo total do mega-empreendimento, agora orçado em R$ 8,2 bilhões, de acordo com o TCU.

Não houve liberação de recursos. Os técnicos do tribunal encontraram falhas no edital, como um valor superestimado de R$ 5,1 milhões, por exemplo, em “filtros e transições finas horizontais de areia natural”, que representa 1,22% do orçamento total do empreendimento. Ao todo, foram identificados preços acima daqueles praticados no mercado em 18 itens unitários da obra. Diante das imporpriedades verificadas no edital, o Ministério da Integração Nacional foi obrigado a adiar a concorrência aberta para o trecho, que estava marcada para a última terça-feira.

O TCU ainda criticou a demora da obra, que além de ocasionar prejuízos materiais, infla o custo da obra, inicialmente orçada em R$ 5,2 bilhões. Segundo o TCU, existem falhas graves nos projetos básicos da Transposição do São Francisco:

“As deficiências apontadas no projeto básico das obras têm acarretado dificuldades no cumprimento do cronograma das obras, com o consequente atraso na data estimada para a conclusão do empreendimento, além de recorrentes demandas, por parte das empresas contratadas, de realinhamento de preços unitários e de celebração de termos aditivos para adequar os quantitativos de serviços à realidade da obra, revelada pela conclusão paulatina dos projetos executivos”.

O Lote 5 prevê a construção de 7 reservatórios, em Jati (CE). O trecho tem 426 km de extensão. A previsão é que, em 2015, vai beneficiar cerca de R$ 7,1 milhões de pessoas em Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff pediu agilidade a consórcios e empreiteiras que prestam serviços ao governo nas obras de transposição do Rio São Francisco.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 20:50

O porre da covardia governista - Câmara aprova Lei Geral da Copa, deixando para estados a liberação do álcool nos estádios

Por Gabriel Castro, na VEJA Online. Volto depois.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o texto do relator Vicente Cândido (PT-SP) para o projeto da Lei Geral da Copa, que cria normas para a realização do torneio mundial em 2014 e da Copa das Confederações do ano anterior. A votação se deu de forma simbólica. Restam agora, entretanto, os pontos mais controversos do texto, que serão analisados de forma separada.

A versão aprovada pelos deputados se omite em relação à venda de álcool durante o torneio esportivo, o que repassa a responsabilidade de negociar com a Fifa aos estados que hoje proíbem esse tipo de comércio. Esse ponto, entretanto, ainda pode ser alterado por emendas apresentadas ao texto. Outros trechos questionados dizem respeito aos critérios de concessão da meia-entrada.

A última mudança incluída no texto pelo relator foi a destinação de pelo menos 1% dos ingressos da Copa do Mundo para portadores de deficiência. Pela proposta aprovada, idosos - e apenas eles - terão direito a meia-entrada. Jovens e favorecidos por programas de transferência de renda serão beneficiados com uma cota limitada a 300.000 ingressos ao preço “popular” de 25 dólares, cerca de 45 reais.

Depois de aprovado pela Câmara o texto seguirá para o Senado Federal. A Lei Geral da Copa foi tema de uma negociação desgastante envolvendo a Fifa, o governo e partidos aliados no Congresso. Na semana passada, o governo tentou forçar a votação da proposta, mesmo sem acordo. Com a recusa de boa parte das legendas aliadas, a sessão acabou derrubada. Nesta quarta-feira, o líder do governo garantiu que o episódio não tem ligação com uma possível rebelião na base governista: “A tentativa teria sido bem sucedida. Não foi porque a questão do Código Florestal ainda contaminava as preocupações de uma maioria que se consolidou naquele momento”, afirmou.

Para que a Lei Geral da Copa fosse votada nesta quarta-feira, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), concordou com a votação do Código Florestal já no mês de abril.

Voltei. Já disse o que penso a respeito. Está aqui. O título do artigo é longo, quase uma dissertação: “BEBIDA NOS ESTÁDIOS: A fala absurda do presidente da OAB-RJ. Ou: Senhores congressistas, escolham a vergonha menor e mudem de vez o Estatuto do Torcedor! A alternativa é virar lobista de cervejaria…”

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 20:16

STF libera acesso a inquérito para Demóstenes Torres

Por Luciana Marques, na VEJA Online:
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski liberou nesta quarta-feira à defesa do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) o acesso à investigação sobre o relacionamento do parlamentar com Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia que controlava máquinas caça-níqueis em Goiás. A informação foi divulgada pelo advogado do senador, Antônio Carlos Kakay. “Acabo de despachar com Lewandowski que, seguindo a tradição do Supremo, disse que ainda hoje vai deferir que nós tenhamos acesso à integralidade do inquérito”, disse o advogado.

A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu na terça ao Supremo abertura de inquérito. O advogado do senador reclamou da demora em conseguir acesso aos documentos. “O procurador-geral da República manteve de forma inexplicável, por mais de vinte dias, a impossibilidade desse acesso”, disse. Ele deve pedir a anulação do processo ao STF sob a alegação de que as gravações que revelam a ligação entre Demóstenes e Cachoeira são ilegais.

Jurisprudência - Segundo Kakay, as interceptações telefônicas deveriam ter sido autorizadas pelo STF, e não por um juiz de primeira instância, já que o senador tem foro privilegiado. “Se existe alguma coisa que foi trazida ao Supremo nove meses depois, essa prova é nula”, disse.  ”A Constituição e a jurisprudência não admitem a prova ilícita.”

Para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, as gravações são legais. “O senador não era o alvo da investigação”, disse. Segundo ele, as únicas provas que constam no inquérito remetido à PGR são as interceptações telefônicas. “Por enquanto o que nós temos são as interceptações telefônicas que, por força de lei, são sigilosas”, disse. Gurgel aguarda decisão do STF sobre o pedido de investigação do caso. Se aceito, o procurador deverá atuar em parceria com a Polícia Federal.

O ministro do STF Marco Aurélio explicou que existem duas situações diferentes. A primeira é quando o juiz de primeira instância determina a quebra do sigilo telefônico de quem tem foro privilegiado - o que é irregular. A segunda é o juiz descobrir por acaso o relacionamento do parlamentar com o investigado. Essa última situação se enquadraria no caso de Demóstenes Torres, segundo ele. “Uma coisa é um juiz de primeira instância não poder quebrar o sigilo de um senador. Algo diverso é ele quebrar o sigilo de uma pessoa comum, se algo envolve um detentor da prerrogativa de foro”, disse o ministro.

Silêncio
A orientação da defesa a Demóstenes é para que ele não se manifeste até ter conhecimento de todo o material. O senador tem fugido da imprensa há semanas, isolando-se em seu gabinete.

Leiam ainda
- O senador Demóstenes Torres, os “Dirceu’s boys” da Internet e a turma do JEG

- O caso Demóstenes Torres, o Jornalismo da Esgotosfera Governista e o que tem de ser dito. Ou: Quando a PF usará com petistas o método que usa com oposicionistas?

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 18:48

Marta reage a pressão para entrar na campanha de Haddad: “Não se turbina uma candidatura com constrangimento”

Na Folha Online:
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) reclamou nesta quarta-feira (28) das cobranças para que se integre logo à campanha do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Em mensagem no microblog Twitter, ela afirmou que “não se turbina uma candidatura com desespero, pressões e constrangimento”. O recado foi dirigido a aliados que reclamam de sua ausência na pré-campanha. Marta foi preterida na disputa pela chapa petista e até aqui não participou de nenhuma atividade pública com Haddad.

A ex-prefeita também afirmou que “a tese de que qualquer candidato do PT tem assegurado 30% do eleitorado não é totalmente verdadeira”. Este foi um dos argumentos de aliados do ex-presidente Lula para bancar a escolha de Haddad, que ainda não conseguiu ultrapassar os 3% de intenções de voto, segundo o Datafolha. Marta escreveu ainda que “o desafio principal do momento é o de convencimento e costura do mais amplo leque de forças que seja capaz de derrotar o PSDB em São Paulo”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 17:46

Anúncio da “cura” do câncer de Lula e vídeo fazem parte da “Operação Salva Gugu-Haddad”

A volta de Lula estava prevista para meados de abril, ali caminhando para o fim. O anúncio do “desaparecimento” do tumor feito pelos médicos ou da “cura”, feito pelo próprio Apedeuta, faz parte de uma operação política de emergência, que batizo aqui de “Operação Salva Gugu-Haddad”. Os petistas avaliavam que sua candidatura estava se esfarelando.

O partido detectou em certas áreas uma espécie de movimento “Volta-Marta”. Ocorre que tal volta é considerada impossível porque seria contrariar a vontade do predestinado, admitindo que Kim Jong-Lula pode cometer erros. Impossível!  Para Gugu-Haddad, seria também uma humilhação. Pelos cantos, os petistas se dizem surpresos com a ruindade do “pré-candidato” escolhido pelo Estimado Líder. “O povo não entende o que ele fala”, resume um deles. “É muito lento”, avalia um outro.

Mas só a ruindade de Haddad não explica tudo. O clima de rebelião na base também conta. E São Paulo será sempre um bom lugar para dar o troco. Mais ainda: partidos que estão no arco de sustentação do governo federal também integram alianças no Estado e na capital. As seções paulista e paulistana dessas legendas não estão dispostas a abrir mão do certo pelo que consideram mais do que duvidoso.

E Haddad estava se mostrando um projeto impossível. Por enquanto, ele não tem nem eleitores nem aliados. Sua única garantia era Lula, temporariamente fora de combate. As articulações, conversas e promessa de aliança, não obstante, estão em curso. E era preciso tentar frear tudo isso, meter o pé do breque, dar um solavanco.

E foi o que se fez nesta quarta. O que poderia ter sido — E DEVERIA TER SIDO, SEGUNDO O DECORO DA MEDICINA E DA POLÍTICA — uma nota técnica virou numa grande operação política: a “Operação Salva Gugu-Haddad”, com o vídeo mais do que eloquente, em que Lula avisa: “Estou voltando”.

Se está, então que se congele tudo. Convém, é o recado implícito, não fechar alianças desde já, não apalavrar nada, não fazer compromissos. Quando Lula voltar é que o jogo vai começar para valer. Só Lula pode fazer o milagre, outro milagre, de tornar Fernando Haddad um candidato viável.

Não é só isso. A operação foi deflagrada um dia depois de vir a público a foto em que Lula aparece ao lado de Fernando Henrique. Nas alas mais heavy metal do PT, isso foi considerado um erro. O Lula como figura acima das divergências perde muito de seu poder de fogo. Ele tem de continuar a ser o líder do “nós” (eles) contra “eles” (nós). O jogo petista continua o de sempre: aniquilação do outro, e não convivência com a divergência, segundo as regras da democracia.

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 17:18

A verdadeira doença incurável de Lula

Se foi Deus, se foi Marisa Letícia ou se foram os médicos que “curaram” o câncer de Lula, como ele próprio disse, isso eu não sei. Não acho que a Divina Providência deva ser tratada assim, com essa ligeireza. Até porque o desaparecimento do tumor não significa cura — trata-se de uma informação objetivamente errada. E isso não é uma torcida, não!

Conheço bem a qualidade da alma dos que torcem em favor do tumor alheio. É o que os petralhas vivem fazendo comigo. Eles têm a alma asquerosa, eu não!

Torço pela cura! Sempre!

Mas há doenças que são incuráveis, para as quais não há remédio.

Repito Guilherme Macalossi, leitor deste blog, no Twitter:
“O uso político que Lula faz de seu câncer mostra que quimioterapia não cura cara de pau.”

Na mosca!

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 16:55

O vídeo gravado por Lula não deixa a menor dúvida: câncer virou política! Ou: “Força, presidente, que o senhor vai vencer!”

Lula gravou um vídeo sobre o que chama a sua “cura”. Agradece, nesta ordem, a Deus, a Maria Letícia e depois aos médicos. Anuncia a volta à militância política e expressa sua fé no Brasil. Num dado momento, afirma:
“Queria agradecer a solidariedade das lideranças políticas do Brasil inteiro, sobretudo da minha querida companheira Dilma Rousseff, presidente da República, que, com a sua experiência de ter vencido um câncer também, foi um alento a cada vez que conversava comigo e a cada vez que me dizia: ‘Força, presidente, que o senhor vai vencer‘”

E, claro!, houve o agradecimento ao povo brasileiro etc. e tal.

No encerramento, deixa claro que Deus foi especialmente generoso com ele. É possível que também o Altíssimo tenha lhe soprado aos ouvidos:
“Força, presidente, que o senhor vai vencer!”

Entre Deus e Lula, alguém duvida quem e “o” Senhor?

Segue o vídeo. Volto para encerrar.

Peço que vocês se contenham nos comentários. O fato de os petistas fazerem essa exploração baixa da doença de Lula não deve liberar ninguém para ir além do humanamente aceitável ou, que seja, do decoroso.

COMPORTAMENTO DE PETISTA NÃO É RÉGUA COM QUE SE DEVE MEDIR NOSSO PRÓPRIO COMPORTAMENTO.

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 16:10

Nunca antes da história destepaiz um tumor de Lula havia desaparecido!

O tumor de Lula sumiu!
O tumor de Lula sumiu!
O tumor de Lula sumiu!

Felizmente, sumiu! Que não volte mais! Que desapareça num ralo qualquer da biologia, tangido pela medicina, embora, é bem verdade, já se perceba aqui e ali a tentativa de anúncio de algo inédito, verdadeiramente maravilhoso.

Nunca antes na história destepaiz um câncer de Lula sumiu. É a primeira vez que um câncer de Lula desaparece!

Os leitores deste blog sabem — a despeito do que escrevam o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) e um bolsão particular da turma, os que servem à causa exclusiva de José Dirceu — que jamais permiti que se fizesse qualquer exploração da doença de Lula nesta página. AQUI NÃO ACEITO CÂNCER NEM COMO METÁFORA!

Desde o primeiro dia, anunciei — e o mesmo valeu para Dilma — que doença não é categoria política; não distingue ninguém nem para o bem nem para o mal.

Ocorre que o PT explorou, nos dois casos, de forma miserável, a doença. Transformou Dilma na supermulher que venceu o tumor para nos salvar. Está a caminho de fazer o mesmo com Lula. Como se a cura fosse uma questão de vontade, de escolha ou, ainda pior, de predestinação; como se o próprio Deus indicasse aqueles que têm o direito de sobreviver, de sorte que os que morrem ou são culpados pela própria morte ou não foram aquinhoados com o olhar divino. Às vezes, o que lhes falta é apenas o Sírio-Libanês…

Trata-se de uma abordagem muito mais perversa do que parece.

A forma espetaculosa, incontida, desmedida, propagandística, marqueteira, com que Lula atravessou os meses da doença, com sua fotógrafo documentando sua viagem ao inferno das maravilhas, expõe o dado mais primitivo da política brasileira, ainda refém de um sinhozinho. Escolham qualquer uma das modernas democracias do mundo — incluindo o Chile, aqui do lado —, e vocês constatarão que nada disso seria possível. Na atrasada Argentina contemporânea, aí já seria provável, sim! Cristina Kirchner, aliás, HAVIA DECIDIDO ter um câncer, mas desistiu. Parece que a tramoia política não deu certo. A Venezuela, como se nota, experimenta as consequências do câncer real de Chávez.

Essa espetacularização da doença é evidência de um grande, de um profundo, de um enorme atraso. As instituições brasileiras, no papel ao menos, são relativamente modernas (falta muita coisa, sim), mas a cultura política foi submetida a um formidável retrocesso pelo lulo-petismo. Vejam aí: da sucessão presidencial a uma eleição municipal, a política se queda refém de um… tumor!

Como? É isto mesmo. Sabem por que o PMDB andou e anda tão assanhado? Porque Lula não é mais a garantia! Seu câncer pode ter sumido, mas ele não é mais potencial candidato à sucessão de Dilma; ele não é mais “a” salvação caso tudo desande; ele não virá mais para “nos salvar” — ou melhor, para “salvá-los”. Assim, a bola está com a governanta, e o PMDB não aposta na sua destreza e busca fazer o próprio jogo. O mesmo, em certa medida, se aplica ao PSB de Eduardo Campos.  O tumor de Lula sumiu — tecnicamente, como sabem os médicos, não se pode dizer que esteja curado, a exemplo de Dilma, note-se —, mas a possibilidade de Lula voltar a se candidatar também sumiu. Daí essa bagunça, que se extremou com o período de resguardo do ex-presidente.

Ainda antes da eleição, antevejo uma exposição de fotografias de Ricardo Stuckert, documentando o milagre. Nunca antes da história destepaiz se tinha visto o calvário de exultação e de exaltação!

O tumor de Lula sumiu!
Eu realmente espero que não volte mais! É a única torcida humanamente decente.
Esse é o meu desejo também na certeza de que o processo político brasileiro precisa aprender a superar as diatribes de um Lula saudável — até porque consegue ser mais constrangedor diante das diatribes de um Lula doente.

O tumor de Lula sumiu!
Já era hora de a política deixar de ser refém de sua doença.
A questão é saber se começa a ser agora refém de sua “cura”.

Por Reinaldo Azevedo

 

A atualização do verbete “Petralha” no Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa, aquele que já traz a palavra “mensalão”

Como vocês sabem, o “Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa”(Editora Nova Geração), do professor e lexicógrafo Luiz Antônio Sacconi, passou a registrar a palavra “petralha”.

Pois bem. Na mais recente edição do dicionário, houve uma atualização do conteúdo. O verbete ficou assim:

sacconi-petralha

Como viram, o professor teve a gentileza de dar a autoria do vocábulo. A obra é excelente. Um dicionário não pode registrar todos os neologismos e gírias que surgem por aí. Mas o dicionarista competente tem de ter a sensibilidade de identificar as palavras que vão ficar, que serão incorporadas à língua.

Alguém tem, por exemplo, alguma dúvida de que o “mensalão” veio para ficar? Será uma referência para os historiadores no futuro — e, infelizmente, a prática nefasta continuará entranhada na vida pública por muito tempo. No vocábulo“mensal”, Sacconi registrou a derivação “mensalão”, assim definido: “mesada paga a parlamentares, por membros do governo, em troca de votos a favor do governo”. Exato!

Sacconi é autor de mais de 70 livros na área de língua e gramática, incluindo o best seller “Não Erre Mais”.

sacconi

Um dicionário atento à história e que, também por isso, cuida muito bem da língua.

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 5:41

DCE DA USP – Esquerdista admite que fraude. Ou: A chapa “Reação” e os reacionários vermelhos. Ou: “A esquerda não perde a eleição nem a pau”. Ou: Reagir é preciso!

Estudantes da USP decidem se qurem que os encapuzados continuem a dar as cartas no movimento estudantil; acima, Reitoria invadida e depredada (Foto: Werther Santana/Agência Estado)

Estudantes da USP decidem se qurem que os encapuzados continuem a dar as cartas no movimento estudantil; acima, Reitoria invadida e depredada (Foto: Werther Santana/Agência Estado)

 

Abaixo, tratarei da confissão de uma fraude e do risco de uma nova. Antes, algumas considerações.

Publiquei ontem um post sobre a eleição para escolher a nova diretoria do DCE da USP. Das cinco chapas que disputam, só uma não é de esquerda: a Reação. Chegou a hora de a maioria silenciosa da universidade decidir se o Século 21 chegará ou não à representação estudantil, ainda presa aos primórdios do século 20. Já há condições técnicas, hoje em dia, de envolver nas decisões da instituição seus mais de 80 mil estudantes. Os partidos de extrema esquerda que aparelham a universidade, no entanto, preferem manter seus esqueminhas de poder. Decisões são tomadas em conciliábulos, compostos exclusivamente de esquerdistas, cuja truculência afasta do movimento estudantil a esmagadora maioria dos alunos.

A “Reação” vai ganhar? Não sei! Eu não escrevo isso ou aquilo para ganhar ou perder. Até porque não disputo nada.

Acho que a USP tem tudo a ganhar se romper com velhas práticas, que fazem da representação estudantil coisa de iniciados. Nem o Congresso Brasileiro está tão distante do povo como o DCE está da massa de estudantes. Não por acaso, o comparecimento às urnas é sempre baixíssimo. Como cada estudante tem hoje um “Número USP”, por exemplo, a votação poderia ser feita até por celular. Mas quê…

ENTRE OUVIR O QUE A TOTALIDADE DOS ALUNOS TEM A DIZER E MANTER O PODER NAS MÃOS DE UMA MINORIA EXTREMA, adivinhem o que escolhem os esquerdistas.

Recado aos calouros
Os calouros em especial têm de saber que já houve uma fraude descarada na USP. Em 2009, uma chapa mais ou menos com o perfil da Reação — que também estava voltada para os problemas reais dos estudantes — quase venceu a disputa. Manobras e fraudes de última hora lhe arrancaram a vitória, o que hoje é admitido até por um esquerdista.

No dia 15 de março, informava o jornalista Cedê Silva no Estadão Online (segue em vermelho; volto depois).
Integrante do Território Livre, o estudante de Filosofia Murillo Magalhães, de 24 anos, disse hoje que a 27 de Outubro perdeu cerca de um terço dos membros. A carta do grupo tem 25 assinaturas, e restariam umas 50 pessoas na chapa.Murillo é da opinião de que a chapa Reconquista, que se candidatou em 2009 com membros e ideias semelhantes aos da Reação, foi a real vencedora das eleições e vítima de uma fraude (na contagem de votos a Reconquista perdeu por uma diferença pequena). “A vitória da direita seria muito ruim porque eles não reconhecem a legitimidade das assembleias de estudantes”, afirmou Murillo. “O mais importante é a esquerda deixar de lado as diferenças e construir a unidade nestas eleições contra a chapa do [reitor] Rodas”.

Esclarecendo
Esclarecimento aos não-iniciados. O tal Murilo pertence a um dos grupos mais radicais da USP chamando “Movimento Negação da Negação”. Eles estavam junto com os ultraesquerdistas PCO e LER-QI na chapa 27 de Outubro. Mas abandonaram a turma e decidiram apoiar a chapa “Não Vou Me Adaptar”, do PSOL e do PSTU, que comandam atualmente o DCE. Pois é… Ele próprio admite que houve fraude. E explica o motivo: “A vitória da direita seria muito ruim”. Entendi! Digamos que direita fosse mesmo: estaria ela proibida de vencer eleições?

Há coisas preocupantes em curso. Do leitor Luiz, recebo a seguinte mensagem sobre o primeiro dia de votação, nesta terça:
Neste primeiro dia de votação, o procedimento adotado ao menos na FFLCH, foi uma vergonha. Os alunos estão sendo constrangidos a votar na frente dos representantes das legendas radicais (não vi ninguém da “Reação” por lá). O mesário entrega a cédula e levanta a urna; enquanto isso, os representantes ao redor ficam com os olhos fixos na mão do aluno. Como a opção “Reação” é a última da cédula, mesmo que se proteja o papel com a mão, eles percebem quem votou na legenda pelo simples fato de que a pessoa fez o seu risco ali na parte de baixo da cédula. O resultado é que várias pessoas, sentindo-se pressionadas, votam nas chapas radicais por puro medo. É evidente que deveria ter sido instalado um biombo para assegurar privacidade dos votantes. Trata-se de uma agressão inaceitável.
*
O leitor Adriano aponta:
Faltaram cédulas para as eleições do DCE-USP nas urnas da FEA e na Poli.
*
Voltei
Todo cuidado é pouco! Há uma verdadeira blitz no processo eleitoral da tal chapa “Não Vou Me Adaptar”… ao mundo contemporâneo, provavelmente! Acima, vocês leem a confissão de uma fraude. E outras podem acontecer.

Quando se deu o golpe nas eleições, no ano passado, dada a então provável vitória da Reação, veio a público um e-mail do estudante Gabriel Landi Fazzio, ligado à UNE e membro da “Fórum de Esquerda”, que perdeu a eleição no XI de Agosto, da Faculdade de Direito. Comentando a possibilidade de adiar as eleições, ele escreveu:
“A esquerda não perde essas eleições nem a pau”.

“A pau”, na porrada, eles não perdem. É preciso derrotá-los no voto! A maioria silenciosa da USP vai decidir se quer uma representação estudantil do século 21 ou uma outra, que ainda recorre a paus e pedras.

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 5:37

Um regime de direitos humanos, segundo Maria do Rosário - Dissidentes cubanos buscam ativista que protestou em missa de Bento 16 e que está sumido

Por Guilherme Russo, no Estadão:
Enquanto o papa Bento XVI chegava a Havana, ontem, no segundo dia de sua visita a Cuba, dissidentes do país exigiam ser informados pelo governo quem era e onde estava um homem que, no dia anterior, foi agredido e detido por seguranças após ter gritado contra o regime socialista pouco antes da primeira missa rezada pelo pontífice em sua visita à ilha.

 

Os telefones fixos e móveis de grande parte dos opositores cubanos continuaram cortados ontem, quando, segundo os dissidentes, a onda de detenções ocorrida na parte oriental do país estendeu-se à capital.

Uma TV colombiana transmitiu imagens do homem - moreno, de meia-idade - sendo arrastado diante do altar em que Bento XVI rezaria, em Santiago de Cuba, após gritar suas críticas ao regime da ilha. O repórter afirmou que o manifestante tinha rompido dois cordões de isolamento. Pouco depois, em meio à confusão que se formou, um homem com uma camiseta com o símbolo da Cruz Vermelha deu-lhe um tapa na cara e o golpeou com uma bandeira na cabeça. O manifestante foi protegido e, depois do incidente, não foi mais visto.

“A Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional não conseguiu identificar pelo nome o jovem que pronunciou slogans em favor da liberdade e contra o comunismo pouco antes de se iniciar a missa celebrada pelo papa Bento XVI”, afirmou em um comunicado a entidade, presidida pelo dissidente Elizardo Sánchez, cujos telefones estavam mudos ontem. “Até o momento, o paradeiro desta pessoa é desconhecido.”

O papa chegou a Havana por volta das 12 horas locais (10 horas em Brasília). Foi recebido pelo cardeal Jaime Ortega, autoridade máxima da Igreja Católica no país, e se encontrou com o presidente cubano, Raúl Castro, ainda ontem. Apesar de não constar do programa oficial da visita, um encontro entre o pontífice e o líder comunista Fidel Castro é esperado. Hoje, Bento XVI deverá celebrar uma missa na Praça da Revolução.

Ainda em Santiago de Cuba, após visitar o Santuário Nacional da Virgem da Caridade do Cobre na manhã de ontem, o papa afirmou que a ilha socialista está “avançando por caminhos de renovação e esperança, para o bem maior de todos os cubanos”.

“Também supliquei à Virgem Santíssima pelas necessidades dos que sofrem, dos que estão privados de liberdade, separados de seus seres queridos ou passam por graves momentos de dificuldade”, disse. “Animo todos os filhos dessa querida terra (…) a trabalhar pela justiça, a ser servidores da caridade e perseverantes em meio às provações.”

Para a cientista política dissidente Miriam Leiva “as palavras do papa não são palavras que os cubanos estão acostumados a ouvir”. “Todas as cores e todas as raças cubanas querem a reconciliação e vão às missas (de Bento XVI) demonstrar isso. Antes, se expressar religiosamente também era proibido por aqui. Os cubanos precisam exercer essa nova liberdade”, disse, condenando a retirada do manifestante durante o serviço religioso da segunda-feira e recomendando que o governo “não use a repressão neste momento”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 5:35

A exemplo democracia para Maria do Rosário - Vice-presidente de Cuba rejeita reformas políticas

No Estadão:
Em meio à visita do papa Bento XVI, o vice-presidente cubano, Marino Murillo, garantiu ontem que “não haverá uma reforma política” no país. “Em Cuba, discutimos uma atualização do modelo econômico que faça nosso socialismo sustentável e tenha a ver com o bem-estar de nosso povo”, afirmou Murillo, que comanda a reforma econômica de Raúl Castro. “Em Cuba, não ocorrerá reforma política.”

 

Para o economista dissidente Oscar Espinosa Chepe, porém, “essas mudanças são inevitáveis e já estão ocorrendo na sociedade cubana”. “É impossível desvencilhar a economia da política. Ninguém vai conseguir evitar a mudança política. Não há mais maneira de parar esse movimento, que foi iniciado pelo próprio governo (no fim de 2010, com a aplicação de medidas de abertura econômica na ilha).”

Na opinião de Espinosa, a visita do papa “está trazendo um segundo alento às reformas”. Apesar da declaração de Murillo, o Partido Comunista ratificou, em janeiro, a intenção de limitar a 10 anos os mandatos dos líderes cubanos - incluindo os de alto escalão - apesar de não estabelecer um prazo para essa mudança.

“Uma vez definida e estipulada a política (de limitação à permanência nos cargos) pelas instâncias pertinentes, poderemos iniciar a aplicação paulatina sem esperar pela reforma constitucional”, disse, na ocasião, o presidente cubano.

Questionado sobre as declarações de Bento XVI, que sugeriu aos cubanos a adoção de novos modelos após dizer que a ideologia marxista já não responde à realidade, Murillo foi evasivo. “Tudo o que preserve a unidade de nossa nação, o socialismo cubano e o nosso desenvolvimento, é bem-vindo”, disse.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 5:33

Câmara fecha acordo e tenta votar Lei da Copa hoje

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira a Lei Geral da Copa. Presidente da Casa e comantante interino da Presidência da República, Marco Maia (PT-RS) coordendou um acordo envolvendo os líderes do PSDB e do DEM, que são contra trechos da proposta defendida pelo governo. Bruno Araújo (PSDB-PE) e ACM Neto (DEM-BA) almoçaram com Maia nesta terça. O acerto foi anunciado apenas à noite. Mais cedo, os líderes governistas davam como certo que a Lei da Copa só seria apreciada depois da Páscoa, daqui a duas semanas.

O acordo costurado por Marco Maia é pela colocação da proposta em pauta, mas não influi no mérito. A oposição, que questiona a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, apresentará um destaque para que este tema seja apreciado de forma separada. Como parte do acerto, o Código Florestal deve ser apreciado pela Câmara em abril. A votação da proposta era uma exigência da bancada ruralista, que ajudou a atrasar a votação da Lei Geral da Copa.o governo pagou para ver e impôs a votação da proposta que cria normas para a realização do torneio esportivo em 2014,apesar da falta de acordo entre os líderes aliados. Não funcionou: a maioria das legendas entrou em obstrução e derrubou a sessão.Partidos como PR, PMDB, PDT e PTB estavam insatisfeitos com a falta de diálogo do governo e a demissão de quadros do partido na Esplanada. A insatisfação somou votos à diminuta oposição e fez o governo recuar. Além da má-vontade dos aliados, o governo também encontrou resistência porque se recusou a marcar a data de votação do Código Florestal.

Resistência - Na semana passada,

Com o acordo anunciado nesta terça, a votação desta quarta se dará na ausência do presidente da Câmara, Marco Maia. Rose de Freitas (PMDB-ES), a primeira vice, comandará a sessão. Normalmente, a Casa não aprecia propostas importantes sob o comando de Rose. As ausências de Dilma Rousseff, que está na Índia, e de Michel Temer, na Coreia do Sul, também podem incentivar o sentimento de rebeldia: apesar do acordo entre os líderes, o grau de desobediência dos deputados não reduziu significativamente na última semana.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

28/03/2012 às 5:31

Virgem Santíssima! Um Senado entre Edison Lobão e Renan Calheiros?

Por Maria Lima, Gerson Camarotti, Luiza DAmé e Catarina Alencastro, no Globo:
A cúpula do PMDB decidiu que não vai brigar com a presidente Dilma Rousseff, que decidiu influir na sucessão das presidências do Senado e da Câmara, no próximo ano. Apesar do desconforto causado pela notícia publicada nesta terça-feira pelo GLOBO de que Dilma deseja fazer do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o próximo presidente do Senado, em 2013, os peemedebistas querem mostrar que o senador Renan Calheiros (AL) é um aliado “fundamental e indispensável”. Dessa forma, pretendem esvaziar a possível candidatura de Lobão e fortalecer Renan, para que ele decida o candidato.

Nesta terça-feira, por meio de nota, o Planalto negou essa interferência, mas Dilma já conversou com Lobão sobre sua intenção de que ele substitua o senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência. Em resposta, Renan, líder do PMDB na Casa, foi curto e direto: disse que a ele, como líder, cabe a condução do processo de sucessão de Sarney, na hora certa. “Precisamos resguardar o direito, conquistado pelo PMDB, de eleger o presidente do Senado. Na hora certa, vamos conduzir a bancada. Esse papel é do líder. Esse é o meu papel.”

Os peemedebistas dizem que Lobão foi “boi de piranha” nesse episódio e que a coisa não vai acabar bem para ele, se continuar dando corda a Dilma. “O Renan vai trabalhar como um leão. Vai fazer um monte de favor. Dilma vai precisar. E vai chegar muito forte em dezembro para disputar a presidência do Senado”, resumiu um dos interlocutores de Renan.

Para mostrar que não será algo fácil de resolver, o senador Vital do Rego (PMDB-PB) avisou que pretende disputar o cargo. A avaliação na cúpula do PMDB é que Dilma está ignorando a real situação do partido ao dizer que não existe crise. Um experiente senador lembra o cotidiano do poder em Brasília para alertar: “Em oito anos, Lula saía do Planalto, ia dormir no Alvorada e, quando passava pelo Jaburu (residência oficial do vice-presidente), via as luzes apagadas. Agora Dilma, ao passar pelo Jaburu, vê as luzes sempre acesas. Michel não resolve tudo, mas aceita qualquer tipo de encomenda, apaga incêndios, discute a crise do dia.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

27/03/2012 às 22:10

O antissionismo é só uma das formas de ser do antissemitismo. Ou: a fraude intelectual que associa o antissemitismo à causa palestina

Escrevi dois posts sobre a defesa aberta que o PSTU, um partido legal, que recebe recursos do fundo partidário, faz da destruição de Israel. A lorota é que se trata de uma luta contra o “sionismo”, não contra os judeus. A turma do PSTU defende o fim de um país de sete milhões de pessoas, mas não diz o que fazer com a população. Fica por conta da livre imaginação… Fato: a luta contra o sionismo tornou-se uma das formas de ser do antissemitismo. Ponto. Leiam trechos da entrevista concedida pelo professor Robert Wistrich a Marcelo Ninio na Folha desta terça:

Distorção do termo genocídio justifica esse tipo de matança

O atentado em Toulouse, na França, em que três crianças judias e um rabino foram mortos por um muçulmano francês, mostrou que o antissemitismo está vivo na Europa, alimentado por islamitas radicais sob a cumplicidade de parte da mídia e dos políticos.  Esta é a avaliação do professor Robert Wistrich, chefe do Centro Internacional de Estudos do Antissemitismo, da Universidade de Jerusalém, e um dos maiores estudiosos do mundo no assunto. Em entrevista à Folha, ele disse que, desde o Holocausto, o antissemitismo sofreu uma metamorfose na Europa, e hoje a principal força por trás dele é o islã fundamentalista, ao qual pertencia o terrorista de Toulouse.

Folha - O atentado em Toulouse foi descrito por alguns como um ato de fanatismo isolado, por outros como parte da ascensão do antissemitismo na Europa. O que o sr. acha?
Robert Wistrich -
Esse ato assassino se insere totalmente na lógica da jihad (guerra santa islâmica) contemporânea. Em 1998, Osama bin Laden fez uma declaração, ignorada na época, em que dizia que o inimigo absoluto do islã é o que ele chamava de aliança entre judeus e cruzados -como se referia ao Ocidente cristão. Na época ninguém ligou. O mundo só começou a prestar atenção depois do 11 de Setembro.
Esse tipo de ação não é novo. Talvez o único elemento novo seja a forma como foi cometido, a sangue frio e direcionado contra crianças. Isso é o que causa mais choque.
Foi um ato antissemita, mas também contra a França como símbolo do Ocidente. Seu pretexto foi o envolvimento francês no Afeganistão e uma vingança pelas mortes de palestinos em Gaza, o que é uma ultrajante peça de propaganda. Mas é o tipo de propaganda que vem sendo engolida há tempos pela mídia ocidental.
Até a ministra do Exterior da União Europeia, Catherine Ashton, disse quase a mesma coisa, ao comparar a ação em Toulouse com Gaza e com um acidente de trânsito na Suíça em que crianças morreram.

O sr. quer dizer que a mídia e os governos europeus de alguma forma encorajam esse tipo de ação?
Há anos observo na mídia europeia, e certamente na francesa, uma tendência de apresentar a autodefesa de Israel contra o terrorismo como um genocídio contra o povo palestino. É uma distorção grotesca da palavra genocídio. Se é repetida continuamente, cria-se uma justificação para esse tipo de matança, pois é exatamente assim que o criminoso justifica seus atos.

A Al Qaeda emitiu um comunicado afirmando que o criminoso pertencia à rede. Há risco de novos atentados?
É claro que pode acontecer de novo. Há muitas semelhanças entre esse ataque e outros atentados, como em Londres e Madri, em que os terroristas eram muçulmanos nascidos na Europa. Em todos os casos, foram doutrinados no Paquistão e no Afeganistão.
Pode acontecer em qualquer país dentro ou fora da Europa, nos EUA ou na América Latina. Um dos efeitos de a Al Qaeda ter sido desalojada de sua base no Afeganistão é que há células do grupo em vários países e elas se tornaram mais autônomas. São motivadas pela ideologia e não precisam de ninguém para lhes dizer o que fazer.

A palavra antissemitismo significa ódio aos povos semitas, que também incluem os árabes. O conceito precisa ser redefinido?
De todos os tipos de ódio, e há muitos, o antissemitismo é o mais antigo. Remonta a 2.000 anos, a idade da diáspora judaica. O certo seria usar o termo ódio antijudeu, ou judeofobia. Semitismo é um termo racista que foi criado no fim do século 19 por antissemitas que não se referiam aos árabes. Quando falavam de semitas, se referiam aos judeus, mas queriam que seu ódio soasse mais respeitável ou científico.
O que é particularmente perigoso no antissemitismo dos últimos cem anos são as teorias conspiratórias. Que os judeus têm um plano para controlar o mundo, que controlam a mídia, os bancos, os governos, a política externa dos EUA, por exemplo.

Islamofobia e judeofobia têm paralelos?
Islamofobia, como diz o termo, é o medo do islã, como religião principalmente. Não nego que haja medo e ódio ao islã, e ele está crescendo. Ações como a de Toulouse certamente vão intensificar esse sentimento.
Isso não justifica o ódio aos muçulmanos, porque a maioria obedece à lei e certamente não se identifica com essas ações. O problema é que há grupos muçulmanos fanáticos que propagam essas doutrinas fundamentalistas que descrevem todos os não muçulmanos como hereges e inimigos do islã.
O antissemitismo tem origens bem diferentes, porque é baseado no judeu imaginário, na imagem do judeu herdada de séculos de história, e que segue viva. É uma expressão muito mais potente de ódio.
Hoje há entre 35 milhões e 40 milhões de muçulmanos na Europa e apenas um milhão de judeus. E ainda assim, o antissemitismo, em muitos países, é mais forte que a islamofobia. Na França, nos últimos cinco ou seis anos, o número absoluto de ataques antissemitas foi muito maior que os ataques racistas em geral e contra os muçulmanos. E lá há dez vezes mais muçulmanos que judeus.

Há paralelos entre o antissemitismo na Europa de antes do Holocausto e hoje?
Hoje é bem mais sutil. O antissemitismo clássico, que existia em quase toda a Europa antes do Holocausto, foi para o subterrâneo. O antissemitismo tradicional passou por uma metamorfose, em que foi absorvido sob o rótulo de hostilidade a Israel.
A maior razão para isso é que não há lei em nenhum país contra ataques a Israel, mesmo de forma difamatória. Se alguém ataca judeus em público em muitos países pode até ser preso. Se for um político, pode ser o fim de sua carreira. Mas você pode demonizar o sionismo ou Israel o quanto quiser e não há punição nem condenação. Você pode até ser aplaudido.

Qual a principal força por trás do antissemitismo hoje?
Os islamitas, onde quer que estejam, seja a Irmandade Muçulmana do Egito ou em outras partes do Oriente Médio, sejam os jihadistas estilo Al Qaeda, seja o islã wahabista da Arábia Saudita -que com seus petrodólares construiu mesquitas e centros comunitários pelo mundo-, sejam os pregadores do ódio locais, supostamente baseados no Corão -mas eles também falsificam o Corão. Esses são os tipos mais ativos, violentos e assassinos.
Mas há outras forças. Existe a cumplicidade de esquerdistas, que dizem ser apenas contra Israel, mas, com frequência, apoiam grupos como Hamas e Hizbollah. Há também a extrema direita, com uma forma mais tradicional de antissemitismo. Muitos deles são também islamofóbicos.
Há ainda um quarto tipo, que é insidioso e raramente identificado apropriadamente: o neoliberal, um tipo de antissemita “iluminado”, que não apenas é veementemente contra Israel por suas políticas, mas que ataca a própria base do país, questionando o Estado judaico.
(…)
As ações do governo israelense citadas pelos terroristas, como a ocupação dos territórios palestinos, contribuem para aumentar o antissemitismo? 
Eu categoricamente rejeito, com base em anos de pesquisa, a proposição de que há uma conexão real entre ocupação e antissemitismo. Há só uma ligação: essa foi a principal fonte da campanha de desinformação e intoxicação promovida pelos palestinos e árabes na opinião pública internacional.
Assim, a ocupação, indiretamente, alimenta o antissemitismo. Mas não é a razão, porque o antissemitismo palestino existia antes de 1967.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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