Dilma, desta vez, está certa - Pessoas contrárias a hidrelétricas na Amazônia vivem “fantasia”, diz presidente

Publicado em 05/04/2012 14:27 e atualizado em 14/08/2013 17:09 961 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Por João Domingos e Rafael Moraes Moura, no Estadão:

A presidente Dilma Rousseff (PT) aproveitou uma reunião com os integrantes do Fórum do Clima, no Palácio do Planalto, para avisar de vez aos grupos ambientalistas que lutam contra a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia que o governo não mudará seu projeto de aumento da oferta de energia e de desenvolvimento da região. Ela chegou a dizer que essas pessoas contrárias à construção das hidrelétricas vivem num estado de “fantasia”. Ao se referir à participação do Brasil na Rio+20, a conferência das Nações Unidas que será realizada em junho, na capital do Rio de Janeiro, a presidente lembrou aos que estavam na reunião que o mundo real não trata de tema “absurdamente etéreo ou fantasioso”. “Ninguém numa conferência dessas também aceita, me desculpem, discutir a fantasia. Ela não tem espaço para a fantasia. Não estou falando da utopia, essa pode ter, estou falando da fantasia”, afirmou Dilma. Dilma disse que o Brasil vai trabalhar pelo desenvolvimento sustentável, para tirar as pessoas da pobreza e para encontrar formas de conciliar o progresso com o respeito ao meio ambiente.

Pouco antes, ao se pronunciar no Fórum do Clima, a representante das ONGs, Sílvia Alcântara, acusara o governo de promover um retrocesso na questão ambiental e de, com o pré-sal, levar o Brasil a ocupar o terceiro lugar entre os países que mais emitem gases de efeito estufa já em 2020. Num pequeno pedaço de papel, Dilma anotou tudo o que a ambientalista falou. Sem se referir diretamente ao que Sílvia havia dito, Dilma defendeu a energia de fontes hidráulicas e desdenhou da energia eólica e solar, ambas defendidas pelos grupos mais radicais como alternativa às hidrelétricas. Disse que, como presidente, tem de explicar como as pessoas vão comer, ter acesso à água e energia. “Eu não posso falar: ‘Olha, é possível só com eólica iluminar o planeta.’ Não é. Só com solar? De maneira nenhuma.”

A presidente disse que foi à Espanha, país citado sempre como referência no aproveitamento da energia eólica, e viu que há oito meses as pás de vento não funcionavam. “Não havia vento”, afirmou. “Eu, quando comecei a mexer com esse negócio de energia, cheguei a contar vento. Isso foi no Rio Grande do Sul”, disse a presidente. Para Dilma, a energia eólica deve servir como uma espécie de reservatório alternativo para a energia de fonte hidráulica, quando houver escassez de chuvas. “Reservatório de água a gente faz. Mas não faz reservatório de vento”, disse a presidente.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

A marcha dos vigaristas – Não basta a derrocada de Demóstenes; esquerdistas agora querem declarar a ilegitimidade da moral

Está em curso, muito especialmente em áreas da crônica política, uma esperada, mas nem por isso menos asquerosa, operação que consiste em atribuir aos valores ideológicos que o senador Demóstenes Torres (GO) professava a causa de sua desgraça. Mais: ex post (isto é, depois de tudo o que se sabe de suas relações com Carlinhos Cachoeira) vê-se o que se chama agora seu “excesso de moralismo” como uma evidência de que algo realmente não estava muito certo na sua atuação. Tem-se, pois, por consequência, que o prudente, a partir de agora, será desconfiar daqueles que apontam desmandos ou arroubos autoritários do governo, como Demóstenes amiúde fazia. Doravante, o mais seguro é confiar mesmo nos sabujos, nos submissos, na turma que vive de joelhos para o Planalto. E, claro, nos ladrões que não fazem “discurso moralista”. Essa seria a sua grande honestidade.

Pessoas e grupos da sociedade que têm os mesmos valores gerais que Demóstenes vocalizava — a “direita”, como chamam os patrulheiros, com grande desdém — estariam de algum modo comprometidas com sua secreta atuação deletéria. No Globo, Ilimar Franco, por exemplo, publicou uma nota verdadeiramente abjeta, cujo evidente propósito é  difamar a chapa que venceu no ano passado a disputa pelo DCE da UnB — a primeira não-esquerdista da história da universidade. Eu a relembro:
A queda do senador Demóstenes Torres (GO), alvejado pelas ligações com Carlinhos Cachoeira, é um golpe no trabalho do DEM entre a Juventude. Ele era uma espécie de ícone da nova direita e vinha percorrendo o Brasil organizando a juventude em torno das ideias conservadoras do DEM. Crítico das cotas, ele tinha relação estreita com professores e a atual diretoria do DCE UnB Honestino Guimarães e participava de um movimento de oposição ao reitor José Geraldo de Souza Junior. No seu Twitter, Demóstenes chegou a escrever: “O que há na UnB é uma espécie de bullying ideológico, e estou aguardando relatos de outras universidades”.

Demóstenes e a Juventude do DEM

Não há uma só informação objetiva no que vai acima. É texto de militância política. Para recorrer à palavra, trata-se apenas de bullying jornalístico contra a direção do DCE e contra um grupo não-nomeado de professores. Ainda que fosse verdade — mas não é —, e o DEM e Demóstenes tivessem mesmo atuado em favor da chapa que venceu a disputa na UnB, estariam eles fazendo algo muito diferente do que fazem o PT e o PCdoB, partido que Ilimar conhece muito bem? Ainda que o senador estivesse atuando num movimento de oposição ao reitor José Geraldo de Souza Junior, seria apenas uma espécie de contraponto ao Magnífico do petismo.

Ocorre que se está diante de uma chance de ouro de esmagar de vez o que os “progressistas” chamam “conservadores”, tentando reduzir os valores que Demóstenes vocalizava — mais identificados com o liberalismo — a suas relações com Carlinhos Cachoeira. Essa seria, então, a verdadeira face da direita. Já a verdadeira face do PCdoB, partido de Ilimar conhece muito bem, não é a roubalheira das ONGs dos esportes por exemplo. Aquilo teria sido apenas um “malfeito”, como diria Dilma; um desvio.

Esquerdistas não precisam responder por Zé Dirceu e pelos mensaleiros.
Esquerdistas não precisam responder pelos aloprados;
Esquerdistas não precisam responder pelo Ministério da Piaba.

Mas os conservadores, os “direitistas”, ah, esses estariam obrigados a explicar o caso Demóstenes. Uma ova!!! Aliás, são eles os primeiros a lastimar a derrocada do senador e a não perdoá-lo. Seus antigos admiradores estão é decepcionados com ele. Já os “amigos do Zé Dirceu” se orgulham enormemente de seus métodos. Demóstenes teve de sair do DEM para não ser expulso. Dirceu vai montar a equipe de campanha de Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Está em curso uma espécie de “caça às bruxas”. Voltem ao texto de Ilimar. O que faz lá a questão das cotas raciais nas universidades, por exemplo? O que a opinião do senador, que é contrário a medida — a exemplo de milhões de pessoas0 — tem a ver com suas relações secretas com Carlinhos Cachoeira? Todas aqueles que pensam o mesmo devem ser perseguidos, reduzidos a uma caricatura? Estariam conspurcados? Demóstenes foi o relator da Lei da Ficha Limpa no Senado, dando-lhe amplo acolhimento. Os que defendem essa lei devem também se sentir tisnados pelas relações do senador com o bicheiro?

O debate político está se tornando algo bastante insalubre no país. Basta que se faça a defesa do óbvio no caso da Lei da Anistia, por exemplo — óbvio sustentando pelo Supremo, pela Advocacia Geral da União, pelo Ministério da Defesa e por uma multidão de juristas —, e os truculentos logo se apressam em acusar o oponente de flertar com a tortura, como se pudesse haver democracia e estado de direito sem o império da lei.

Nada disso me surpreende. Passei “por lá” e sei como funciona a cabeça dessa gente. Eu posso lhes apresentar um pilha de títulos que evidenciam que o apanágio do liberalismo é a tolerância. Mas me apresentem um só teórico de esquerda, dos clássicos, cujo horizonte não fosse a eliminação dos adversários.

Os conservadores devem é se orgulhar de não se sentir moralmente obrigados a justificar intimidade com bicheiros — que, de resto, reitero, está ficando claro, era um culto ecumênico. Vergonha devem sentir os que precisam agasalhar seus mensaleiros. Não serão os aduladores de crimes a decidir, agora, quem é e quem não é decente.

Por Reinaldo Azevedo

 

05/04/2012 às 6:31

Algum problema, “meu amor”? Sob Ideli, Pesca deu R$ 770 mil para ONG criar peixe; projeto nunca vingou

Por Alana Rizzo, no Estadão:
Durante a gestão da ministra Ideli Salvatti, o Ministério da Pesca liberou de uma só vez R$ 769,9 mil - de um contrato de R$ 869,9 mil - para a organização não governamental (ONG) de um funcionário comissionado do governo de Agnelo Queiroz (PT-DF) implantar, no entorno de Brasília, um projeto de criação de peixes que não saiu do papel. Trata-se do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Integral da Natureza - Pró-Natureza, do diretor da Codeplan Salviano Antônio Guimarães Borges. Segundo a justificativa do projeto enviada ao ministério, o Distrito Federal, mesmo sem haver estatísticas oficiais sobre o tema, tem grande consumo e produção de peixes. Só que, 11 meses depois, nenhum viveiro foi instalado. Oficialmente, o projeto da ONG terminou nesta quarta-feira, 4.

No Núcleo Rural Rajadinha, em Planaltina (DF), a 40 quilômetros da sede do ministério, mandiocas crescem no lugar dos tanques de tilápias. “O pessoal veio aqui uma vez no ano passado e ofereceu o projeto. Nós aceitamos e eles não apareceram mais. Achei que tinham desistido, mas tem 15 dias que voltaram e falaram que os tanques vão ficar prontos em julho. Parece que só agora o projeto foi aprovado e eles vão receber o dinheiro”, relata o agricultor Joami de Souza Ramos.

O agricultor diz que nunca criou peixes, tampouco participou de cursos ou qualquer atividade do projeto. Na chácara ao lado, incluída no rol de beneficiários do ministério, também não há sinal de tanques. Outros moradores do núcleo confirmam que nunca participaram de capacitações. O único viveiro no local é o de um sítio que está à venda e foi construído pelo próprio morador, que ainda aguarda os peixes do projeto para começar a criação.

Documentos apresentados pela ONG ao ministério e obtidos pelo Estadomostram que, antes mesmo de receber qualquer recurso, a entidade pagou R$ 75,9 mil para a Rover Consultoria Empresarial Ltda. elaborar um diagnóstico sobre a pesca no entorno. A nota fiscal foi emitida em nome de Gabriel Miranda Pontes Rogério, um chef de cozinha. Sem nenhum tanque pronto ou cursos ofertados, a Pró-Natureza solicitou em 28 de outubro do ano passado, ao ministro Luiz Sérgio (PT-RJ), um aditivo de 16 meses e mais R$ 224,7 mil.

Segundo o ofício, os extras seriam para aprovação de novo cronograma. Pela proposta, entre dezembro e fevereiro de 2012 seriam oferecidos os cursos de capacitação e a obtenção das licença e outorgas para a construção dos viveiros; abril a julho, período de construção e lançamento de edital para aquisição de material; agosto e setembro, primeiro ciclo de criação de peixes; e janeiro e fevereiro de 2013, término do primeiro ciclo dos peixes. Em 22 de março deste ano, a ONG encaminhou novo ofício cobrando o aditivo financeiro,agora do ministro Marcelo Crivella (PRB-RJ). No mesmo dia, o superintendente da Pesca no DF, o militante petista Divino Lúcio da Silva, pediu atenção especial ao projeto. O ministério chegou a alterar o nome do fiscal do contrato, obrigatório nos convênios, para que o controle ficasse sob a responsabilidade de Divino.

Segundo a ONG, o projeto teria sido elaborado por Divino, indicado ao cargo pelo PT-DF, e por outros representantes do Colegiado Territorial das Águas Emendadas (Cotae). O grupo teria procurado a Fetraf, que levou o projeto à entidade. Esta, por fim, o apresentou ao ministério. Em nota, o Ministério da Pesca informou que foram concluídas a realização do diagnóstico, a seleção das famílias, a obtenção das outorgas de água e o curso de tecnologia, além de parte do licenciamento ambiental e a impressão do material didático. Afirma que nada impede que o superintendente seja o fiscal do projeto. “Trata-se de um projeto com alcance social para o público de assentamento e agricultores familiares do Território da Cidadania das Águas Emendadas, composta por 11 municípios dos Estados de MG, GO e DF”, alega o ministério.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

05/04/2012 às 6:29

Contra as evidências, ex-ministro petista diz que “lanchas são sucesso”

Na Folha:
O ex-ministro da Pesca Altemir Gregolin, responsável pela compra de 28 lanchas para a pasta, classifica a iniciativa como “sucesso” -embora parte das embarcações tenha ficado abandonada sob a guarda de órgãos públicos pelo país e outra não tenha nem deixado o fabricante. Uma das lanchas nunca foi usada e “descansa” há 21 meses em uma marina de luxo de Simões Filho (região metropolitana de Salvador). Sem capa protetora, também não recebe manutenção. Para o dono da marina, Antônio Barreto, o barco se tornou um “hóspede indesejado” porque o governo federal nunca pagou nenhuma das mensalidades de R$ 756 para a permanência. Segundo ele, a dívida ultrapassa R$ 15 mil. “O barco só sai quando pagarem o que devem”, disse.

Indagado em 2011 pelo Tribunal de Contas da União, que investiga o caso, o ministério informou que o barco seria destinado à Marinha. O 2º Distrito Naval, em Salvador, disse não ter sido informado de que a receberia. A Pesca não respondeu questões enviadas pela Folha. Situação parecida ocorreu no Pará. Uma lancha enviada ao Estado em 2009 passou 11 meses estacionada numa marina de Belém, com motor avariado após um acidente, até ser entregue à Marinha. O Ministério da Pesca mandou outra lancha para Belém neste ano. As duas agora estão na Capitania dos Portos. No domingo, a Folha mostrou que outras quatro lanchas nem sequer foram buscadas pelo ministério e sofrem ação do tempo sob guarda do fabricante, há um ano, próximo a Florianópolis. Em auditoria, o TCU apontou que 23 das 28 lanchas, compradas por R$ 31 milhões, estavam fora de operação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

05/04/2012 às 6:27

Grupo de Cachoeira operou para dirigir licitação milionária no governo petista do Distrito Federal

Por Fábio Fabrini e Rosa Costa, no Estadão
Grampos da Polícia Federal indicam que um integrante do governo Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal (DF), participou de uma operação para direcionar um contrato milionário, de até R$ 60 milhões por mês, ao grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apontado como o chefe da máfia dos caça-níqueis em Goiás e no DF. Diálogos interceptados na Operação Monte Carlo evidenciam que Milton Martins de Lima Junior, diretor financeiro e administrativo do DFTrans, órgão que gerencia o transporte público do governo do DF, negociou com os contraventores para que a organização obtivesse a concessão para a bilhetagem eletrônica dos ônibus. A PF suspeita de eventual pagamento de propina. O diretor nega. As conversas, gravadas em junho de 2011, mostram Cachoeira orientando um de seus principais aliados, Gleyb Ferreira da Cruz, a negociar o contrato com o governo do DF.

O objetivo era firmar sociedade com a Delta Construções, empresa suspeita de participação no esquema, para explorar o serviço. Dias antes, o governo do DF havia assumido a bilhetagem eletrônica, antes a cargo dos empresários do setor, e buscava um parceiro privado para operá-la. Ao ouvir do parceiro que o negócio pode render, conforme estimativa, o equivalente a R$ 60 milhões/mês, Cachoeira se anima e avisa que acionará outro emissário para negociar com Martins. “Pois é, porra! Tem que fazer contratar direto a Delta… tem que pôr o Cláudio amanhã com o Milton, entendeu?”

Em duas situações, o chefe do esquema pergunta a Gleyb quem é Milton, ouvindo que se trata do diretor que foi nomeado para organizar o DFTrans e detalhes de sua vida pregressa, como a atuação na Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap). “Pois é, agora nós temos que pegar o negócio, então, nós temos que fazer o edital, uai”, anima-se Cachoeira.

Ao ouvir que o governo do DF tinha urgência, ele sugere que o contrato seja feito sem licitação, em caráter emergencial. Em conversa gravada no dia 14 de junho, Gleyb diz ao chefe, por volta das 19h30, que está aguardando Milton para um jantar. “Tem que chamar o cara, porque esse cara tem que tá junto… Fala assim, ó, não, a Delta tem interesse…”, comenta Cachoeira. “A gente puxa o negócio lá e a Delta é que faz o serviço”, responde Gleyb. Por volta das 22h45, após o encontro, Cachoeira ouve de seu emissário o que seria o resultado da negociação: “O Milton, ele topa, num tem problema não, agora tem que ver… a porcentagem que eu falei com ele… que eu falei pra gente fazer gestão cinquenta/cinquenta e a gente usaria a nossa empresa usando a tecnologia da EB no negócio”.

Esquema
No dia seguinte, por volta do meio-dia, Cachoeira pede a Cláudio (que não é identificado) que converse com o diretor da DFTrans e diz que Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, avaliará se entra no negócio, que poderá ser firmado sem licitação. “Nós temos que pegar pra tocar e contratar, porque eles estão apaixonados no sistema dos coreanos. A gente contrata o sistema e faz o negócio do DFTrans. Rapaz, é um negócio de sessenta pau por mês”, explica. O DFTrans ainda não definiu qual será a nova parceira para a bilhetagem. Segundo a empresa, a contratação ainda deve ser feita, possivelmente mês que vem e em caráter emergencial, após a licitação para a escolha das novas concessionárias do transporte público.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

05/04/2012 às 6:25

Esquema de Cachoeira tinha interceptação ilegal de e-mail

Por Fernando Mello, Leandro Colon e Filipe Coutinho, na Folha:
Relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público Federal afirmam que o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, contratou serviços de interceptação ilegal de e-mails. Segundo a investigação, uma empresa de um agente aposentado da Polícia Federal, Joaquim Gomes Thomé Neto, entregava relatórios com e-mails interceptados. Trata-se da Etesp (Escola Técnica de Segurança Privada), com sede no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro. Essa empresa foi um dos alvos de busca e apreensão durante a Operação Monte Carlo, deflagrada pela PF no mês passado e que aponta Cachoeira como líder de um grupo que explorava jogo ilegal e pagava propinas a agentes públicos.

Foi nessa operação que a PF flagrou conversas de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (GO). Conhecido por seu discurso de defesa da ética, Demóstenes deixou o seu partido, o DEM, e está sob o risco de cassação. No mandado de busca e apreensão na sede da Etesp, a Justiça pediu que fossem recolhidos agendas, documentos, computadores e mídias como CDs, DVDs e pen drives, para apurar possíveis crimes, entre eles violação de sigilo e formação de quadrilha. Na documentação, o Ministério Público e a PF ressaltam que ainda não haviam descoberto os nomes de todas as vítimas. Há suspeitas de que políticos e jornalistas estejam entre os que tiveram seus e-mails interceptados ilegalmente pelo grupo.

De acordo com os documentos obtidos pela Folha, o responsável pela contratação dos grampos cibernéticos foi o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá -apontado pelo Ministério Público Federal como o membro do grupo que levantava informações sigilosas para Cachoeira. Ele permanece preso. “As investigações descobriram a contratação de Thomé por Dadá para realização de interceptação ilegal de e-mail”, diz um dos relatórios do inquérito.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

05/04/2012 às 6:23

Governador diz que recebeu empresário a pedido de senador

Por Leandro Colon, na Folha:
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse ontem à Folha que o senador Demóstenes Torres (GO) pediu para ele receber o empresário Carlinhos Cachoeira numa audiência no ano passado na sede do governo. Perillo disse que então reuniu-se com Cachoeira, em 2011, para tratar de incentivos fiscais a indústrias do ramo farmacêutico, onde o empresário também atua. Em gravações telefônicas, o empresário acusado de comandar uma máfia de jogos ilegais, preso pela Operação Monte Carlo, discute nomeações no governo de Perillo. O governador nega que tenha relação pessoal com Cachoeira e que exista influência dele em seu governo.

Folha - Pessoas com cargos estratégicos no seu governo aparecem no inquérito. Não é difícil se dissociar disso?
Marconi Perillo - Não seria fácil se eu tivesse algum tipo de comprometimento. As pessoas que cometeram deslize ou tiveram alguma relação que respingue no governo vão sair por livre espontânea vontade ou por decreto meu.

Qual sua relação com Carlinhos Cachoeira?
Esporádica e quase mínima. Nós estivemos juntos em um aniversário e dois jantares aqui na cidade, onde ele compareceu. E eu o recebi no Palácio uma vez, em meados do ano passado, para tratar de assuntos relativos a indústria de medicamentos. Ele pediu para falar comigo sobre incentivos fiscais.

Por que o senhor aceitou?
Eu recebi porque o senador Demóstenes e duas outras pessoas me fizeram o pedido. Eu o recebi como empresário.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

05/04/2012 às 6:21

EBC paga R$ 1 milhão de aluguel por mês por prédio ocioso

Por Roberto Maltchik, no Globo:
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), criada em 2007 para substituir a Radiobrás, ainda não conseguiu operar transmissões ao vivo e instalar as principais redações no prédio alugado em 2009 por quase R$ 1 milhão mensais. O prédio foi alugado mesmo sem capacidade energética para suportar o funcionamento continuado e simultâneo de um sistema de comunicação, com TV, rádio e agência de notícias. A AR empreendimentos, responsável pelo contrato de aluguel, já recebeu da União R$ 21,43 milhões, entre 2010 e 2012, de acordo com o Portal da Transparência.

Também houve atrasos provocados pela empresa contratada para adaptar o prédio ao funcionamento do sistema público de comunicação. A EBC admite o atraso, e prevê que as novas instalações só devem operar plenamente no final do ano. A estrutura tem 19,3 mil metros quadrados e, em valores atualizados, custa mensalmente aos cofres federais R$ 935,6 mil. Carro-chefe da EBC, a TV Brasil continua operando na antiga sede, que funciona em condições precárias. A redação da Agência Brasil - agência de notícias na internet -, que não demanda a construção de estúdios, não foi transferida.

A nova sede abriga os funcionários e a estrutura da EBC Serviços, responsável pelo canal NBR, transmissora das atividades do governo. As produções do resumo do noticiário, entregue aos órgãos públicos, e dos programas “Café com o Presidente”e “Bom Dia, ministro” já mudaram de endereço. Dirigentes calculam que 572 funcionários da EBC, de 1.100 em todo o Brasil, já trabalhem na sede nova.

Nenhuma transmissão ao vivo da EBC ocorreu a partir dos estúdios novos, montados no subsolo de um antigo prédio comercial de Brasília, o Venâncio 2000. É que o espaço foi alugado sem capacidade para suportar a carga de energia necessária para operar com segurança os estúdios de rádio e TV, ao mesmo tempo. Somente ao consultar a Companhia Energética de Brasília (CEB), a empresa ficou sabendo que precisaria bancar o suporte para construir uma subestação da CEB. Mas o prédio não estava adequado à obra. Coube à EBC fazer uma licitação para remodelar a estrutura física e, só agora, o prédio deve ficar pronto.

Em nota, a direção da EBC argumenta que “alguns estúdios não puderam ser transferidos por causa de atraso em obras de infraestrutura para a segurança energética necessária, especialmente para programas ao vivo”. Explica ainda que houve atraso nas obras de interligação das redações, novas e antigas, por fibras óticas e da sala-cofre, que abrigará os servidores de armazenagem e processamento do Sistema de Gestão dos Acervos e Gravações Digitais da EBC.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilberto Carvalho: Os “bandidos e vândalos” que interessam e os que não interessam

Vocês se lembram de Gilberto Carvalho, não? É aquele senhor que ocupa a função de secretário-geral da Presidência da República e que é o braço operativo de Lula no governo Dilma. É também, na prática, o segundo homem do petismo. Depois de Lula, é ele quem mais conhece os segredos do partido — mais do que José Dirceu, que tem o domínio de uma ala importante do partido, sim. Mas exerce menos influência na legenda do que o outro. Adiante.

Quando a Polícia Militar de São Paulo, cumprindo uma decisão da Justiça — não era uma questão de gosto, mas de obrigação — promoveu a reintegração de posse da região conhecida como Pinheirinho, Carvalho foi um dos petistas que decidiram satanizar o governo de São Paulo. Segundo este valente, o governo federal tinha um outro modo de lidar com as questões sociais. Representantes do governo federal enfiaram o pé na jaca da delinquência política.

Paulo Maldos, amigo de Carvalho, secretário Nacional de Articulação Social, estava no Pinheirinho no dia da desocupação e anunciou ao mundo que tinha sido alvo de uma bala de borracha, mesmo depois de ter se identificado como representante do governo federal. E saiu por aí tirando fotos exibindo artefatos não-disparados da tal bala. Não exibiu o suposto ferimento. Não fez exame de corpo de delito. Nada! Vários grupos de esquerda sustentavam, sob indiscreto incentivo federal, a existência de supostos mortos e desaparecidos no Pinheirinho. Talvez tenha sido a operação de mídia mais canalha montada por essa gente nos últimos tempos.

Muito bem! Os trabalhadores de Jirau botaram fogo nos alojamentos. Milhares de pessoas tiveram de ser removidas da área. As obras estão paradas. Parte dos operários de Belo Monte também parou. E agora? Bem, agora Gilberto Carvalho se mostra menos sensível à questão social. Vejam o que informa Rafael Moraes Moura, no Estadão Online. Volto em seguida:

Carvalho vê ação em Jirau como vandalismo e banditismo

Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, condenou nesta quarta-feira, 4, o incêndio criminoso ocorrido no início desta semana no canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau (RO), que destruiu 36 dos 57 alojamentos dos operários. Para ele, foram atos de vandalismo e banditismo. Onze pessoas foram presas no episódio. “Não consideramos essa ação que houve lá como uma ação sindical ou uma ação de mobilização, mas um vandalismo, banditismo, e como tal será tratado”, afirmou Carvalho. “Isso não é ação de trabalhador, isso não é ação sindical. Tem de ser tratado em outros termos, de questão judiciária e policial”, reforçou. Em março do ano passado, o canteiro de Jirau já havia enfrentado depredação de ônibus e alojamentos.

O governo pretende entender melhor os motivos da ação, disse o ministro. “Queremos identificar de onde surgiram esses movimentos. Na vez anterior, tudo estava misturado e combinado com problemas de condições de trabalho. Desta vez não. Desta vez, os trabalhadores, por imensa maioria, resolveram voltar ao trabalho e aí nós não podemos tolerar esse ato de desordem que ofende os trabalhadores.” Para Carvalho, esse tipo de ação, em que as pessoas agem encapuzadas, não se identificam, não é típico de disputa sindical. “Isso é típico ou de vandalismo ou de algum grupo que tenha outras pretensões que nós desconhecemos. Queremos identificar e questionar essas pessoas por suas intenções.”

O ministro comentou que os problemas nas obras voltaram após ter sido encontrada uma solução para o impasse. “Felizmente, depois de um período tenso houve assembleias finais, tanto em Santo Antônio quanto em Jirau, e os trabalhadores das duas usinas, por grande maioria, decidiram voltar ao trabalho. Diante do desrespeito à decisão da maioria dos trabalhadores, nós resolvemos agir com radicalidade. Reforçamos a Força Nacional e queremos assegurar democraticamente o direito dos trabalhadores que decidiram por maioria voltar ao trabalho”, declarou Carvalho, após participar de reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no Palácio do Planalto.

Voltei
Vamos ver. Eu não apoio vandalismo na USP. Mas os petistas apoiam. Eu não apoio vandalismo no Pinheirinho (havia até uma tropa de choque criada pelo PSTU no local). Mas os petistas apoiam. Eu não apoio vandalismo na Cracolândia. Mas os petitas apoiam. Eu não apoio vandalismo no Jirau; nesse caso, os petistas também não! Eu não apoio vandalismo, pouco importa o alvo do protesto. Já os petistas pensam de modo diferente: “Vandalismo contra os nossos adversários é questão social; vandalismo contra nós é banditismo”. Esse é Gilberto Carvalho!

Outra questão relevante. Eu acho que o Brasil tem, sim, de construir Jirau e Belo Monte. Neste texto, nem vou elencar os motivos e as tolices dos que acreditam que podemos abrir mão das hidrelétricas. Elas têm de ser feitas, sim! Mas  sob quais condições? Esses conflitos não são inéditos. Na vez anterior, jura Carvalho, ainda havia motivos; agora, ele garante, não há mais.

A afirmação não resiste a uma aproximação ainda que superficial da região, como fez há pouco o Jornal Nacional. Resta evidente que falta planejamento a essas grandes obras — e isso, obviamente, é tarefa do governo. As cidades do entorno estão inchadas, atividades econômicas estão sendo prejudicadas pela explosão populacional, falta atendimento de saúde — o posto está lá, mas não os médicos.

É claro que o Brasil precisa de energia elétrica e que todo aquele chororô natureba contra as usinas é só um misto de ignorância de bom coração com má fé ricamente financiada por ONGs. Isso não quer dizer que o governo esteja fazendo a coisa certa e administrando com competência os impactos sociais dessas megaobras. Este é um governo que não sabe planejar.

Boquirroto
Assim como Carvalho foi boquirroto ao condenar o governo de São Paulo no caso de Pinheirinho sem nem mesmo dispor de informações suficientes a respeito, está sendo boquirroto agora. Naquele caso, “vândalo e bandido”, entendia-se, era o governo de São Paulo; desta vez, “vândalos e bandidos” são os trabalhadores. E ele, igualmente, não tem dados, o que confessa. Não tem, mas é judicioso.

Por que a diferença de tratamento? Porque este notável homem de estado estava e está fazendo apenas política partidária. Naquele caso, tratava-se de atingir o PSDB, um partido adversário; agora, trata-se de preservar o PT. Não descarto, não, que haja banditismo no Jirau. Como também não descartava que houvesse, e havia, banditismo no Pinheirinho.

Para encerrar
Imaginem o que as esquerdas financiadas não estariam fazendo agora se conflitos dessa natureza explodissem em obras gerenciadas por governos tucanos, por exemplo. Já teriam feito denúncias à OEA. Desta vez, esse bando de vendidos não quer nem saber.

Por Reinaldo Azevedo

 

Guerra acusa vazamentos seletivos para atingir a oposição; Perillo nega vínculos com Cachoeira

Do Portal G1:

Por Nathalia Passarinho:
O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, afirmou nesta quarta-feira (4) que o partido “confia” no governador de Goiás, Marconi Perillo. Guerra criticou o que chamou de “vazamento seletivo” de conversas entre políticos da oposição e o contraventor Carlos Augusto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela PF em fevereiro sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás.
(…)
Sérgio Guerra disse ainda achar “estranho” que apenas tenha sido revelado o envolvimento de políticos da oposição com Cachoeira. O senador Demóstenes Torres, suspeito de ter usado o mandato para beneficiar Cachoeira, pediu desfiliação do DEM na terça para evitar a expulsão do partido após denúncia de que usou seu mandato para favorecer o bicheiro.

“Está havendo um vazamento seletivo de gravações. Sabemos que existe o envolvimento muito amplo de Cachoeira [com políticos]. Até agora nao saiu nome de governista. Tudo isso é muito suspeito”, afirmou o presidente do PSDB, para quem está havendo um “jogo político” na divulgação das gravações. “Os fatos têm que ser públicos. Deixem o Cachoeira falar.”

O deputado disse ainda que “o PSDB reitera a confiança no governador” de Goiás. “Ele é um homem público testado que já participou de campanhas eleitorais. “Não há o que investigar ainda, mas se houver vamos apurar. O mais prudente é colher mais informações para, a partir daí, tomar as atitudes necessárias.”

Marconi nega:
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (4) que conhecia o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, mas que se encontrou com ele “pouquíssimas vezes”. Em entrevista à TV Anhanguera, Perillo disse confiar na chefe de gabinete, que pediu exoneração após grampos da Polícia Federal apontarem elo com Cachoeira, e disse não haver “qualquer relação do governo com atos ilícitos”.

Segue nota do governo de Goiás:
Em resposta a reportagem publicada na última quarta-feira, 4, o governo de Goiás esclarece que não existe em absoluto, qualquer conexão entre o governador Marconi Perillo (PSDB) e o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso por exploração de jogos ilegais durante a Operação Monte Carlo.

É injusta e dissociada da verdade a tentativa de relacionar o governador às investigações policiais, uma vez que não há fatos ou quaisquer indícios que o associem à contravenção. A respeito deste assunto, Marconi reafirma que condena veementemente e repudia qualquer sugestão de envolvimento entre a administração estadual e o crime. Desde que assumiu o governo, cumpre com rigor a sua missão de combater atos que não estejam rigorosamente dentro da lei.

Cabe também esclarecer que na noite de terça-feira, 3, a Chefe de Gabinete da Governadoria, Eliane Gonçalves Pinheiro, ora citada como suposto elo entre os contraventores e o governo de Goiás, deixou o cargo por opção própria. O pedido de exoneração foi encaminhado em carta, anexa a esta mensagem, e se deu ainda que não haja qualquer decisão judicial definitiva que a incrimine apenas investidas agressivas da imprensa no sentido de condená-la por antecipação, o que o governo também repudia.

Isanulfo Cordeiro
Assessor Chefe do Gabinete de Imprensa do Governador Marconi Perillo”

Por Reinaldo Azevedo

 

04/04/2012 às 19:46

Um país de esquizofrênicos! Ou: O governo brasileiro entre a Lei Seca e o pé na jaca

Leiam o que informa Gabriel Castro na VEJA Online. Volto em seguida:

Com o sinal verde do governo, a Câmara dos Deputados deve votar na próxima quarta-feira um projeto que torna desnecessário o exame do bafômetro para constatar a embriaguez de motoristas. Pela proposta, outras provas - como vídeos ou o depoimento de testemunhas - poderão ser aceitas para caracterizar o crime, quando o condutor não aceitar soprar o bafômetro nem fazer exame de sangue. O acordo foi feito nesta quarta-feira em uma reunião do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. “O bafômetro, que vinha sendo um instrumento necessário de acusação, passa a ser um instrumento de defesa”, justificou Cardoso. Ele afirmou que o exame de alcoolemia agora servirá para que os motoristas provem a própria inocência, se quiserem.

O texto já estava em tramitação na Câmara, mas a apreciação da proposta foi acelerada depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o exame de sangue ou o teste do bafômetro são necessários para que seja comprovada a embriaguez, o que inviabilizaria a aplicação da Lei Seca. “Esse projeto é uma prioridade para o governo e para a Câmara dos Deputados”, disse Marco Maia após o encontro. O projeto que será votado pela Câmara é uma adaptação da proposta do deputado Hugo Napoleão (PSC-RJ): além de ampliar o leque de provas possíveis para caracterizar o crime de dirigir embriagado, a proposta também deve aumentar as penas para os condutores flagrados com ao menos 0,6 miligramas de álcool por litro de sangue.

Quem é flagrado dirigindo sob efeito de uma quantidade menor de álcool pode ser multado e perder a carteira de habilitação, mas não comete crime. Essa distinção permanecerá, apesar de muitos parlamentares defenderem a criminalização de todos motoristas que dirigirem após ter bebido, independentemente da quantidade de álcool. “Nada impede que, no futuro, nos venhamos a repactuar e adotar a tolerância zero”, disse Cardozo.

Voltei
Pois é… Alguém com pouca experiência de Brasil há de se perguntar: “Mas esse governo que quer reforçar a Lei Seca não é o mesmo que pagou o micão de votar uma Lei Geral da Copa omitindo-se sobre a questão da venda de álcool nos estádios, embora essa venda contrarie várias leis estaduais?” Sim, é este mesmo! E se note que houve algo mais do que omissão: o governo federal decidiu, na verdade, jogar a responsabilidade nas costas dos governadores.

Assim, aprendemos que a política pública brasileira em relação ao álcool é a seguinte: numa ponta, coibir o consumo; na outra, incentivar — já que o Lula se comprometeu com a Fifa que o Brasil adotaria procedimentos contrários à sua legislação.

A propósito, aproveito para lembrar um artigo que Andrea Matarazzo, que deixa amanhã a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, escreveu na Folha de sábado passado sobre o assunto.
*
Copa sim, mas não a qualquer custo

Todo grande evento que traga visibilidade ao país é bem vindo. Isso, evidentemente, se aplica à Copa do Mundo de 2014.

No entanto, o Mundial de futebol parece ter entrado no rol dos temas cujo debate é interditado, já que o evento se transformou numa panaceia para todos os males brasileiros.

É necessário que a Copa aconteça, mas não a qualquer custo -especialmente, não ao custo de leis brasileiras que se firmaram pelos bons resultados.

A Lei Geral da Copa cria situações de exceção criadas para permitir que o público visitante goze de serviços vetados aos brasileiros em todos os outros jogos de futebol realizados país afora.

Refiro-me especialmente à permissão para venda de bebidas alcoólicas nos nossos estádios durante o mundial.

Em vários estados da Federação, existem leis locais proibindo a comercialização de álcool dentro e no entorno das praças desportivas. Em São Paulo, a regra vale desde 1996.

Onde quer que tenha sido implantada, essa norma contribuiu de forma decisiva para a redução dos índices de violência dentro dos estádios de futebol.

Tanto é assim que, desde 2007, a Confederação Brasileira de Futebol resolveu instituir a prática em todos os jogos do Campeonato Brasileiro. Em 2010, o próprio Estatuto do Torcedor foi alterado para incluir a proibição ao porte de álcool nos locais de jogos.

Em São Paulo, graças à medida, o número de ocorrências policiais caiu 90% em dez anos. Em Minas, a redução foi de 75%, em um prazo ainda menor.

Os dados são do relatório apresentado pelo Ministério Público à Comissão Especial da Câmara dos Deputados que avaliou a Lei da Copa. Como era de se esperar, o MP requisitou que a proibição à venda de bebidas fosse mantida.

Há quem defenda que a proibição de bebida alcoólica seja suspensa argumentando que o público da Copa da Mundo é outro, formado por turistas estrangeiros e pessoas de maior poder aquisitivo.

É como afirmar que os ricos e os visitantes de outros países são imunes aos efeitos do álcool.

Quem defende essa posição parece esquecer que a violência nos estádios de futebol não é exclusividade brasileira -que o digam todo o histórico da Inglaterra com os hooligans e a morte, no mês passado, de 75 torcedores em um estádio do Egito.

No meio disso tudo, o governo federal se mostra inábil e ausente.

Primeiro, desconsiderou a autonomia dos Estados e assinou um acordo com a Fifa que garantia a venda de bebidas nos jogos, sem nenhum tipo de diálogo.

Agora, optou pela saída mais fácil e resolveu se omitir: deixou esse ponto em aberto no texto da Lei Geral e jogou no colo dos Estados e municípios o ônus de um embate desigual com a Fifa -embate que, na prática, já está definido a favor de tal federação.

Aos nossos Estados, restará pouco espaço para negociação, algo que é lamentável.

Por Reinaldo Azevedo

 

04/04/2012 às 18:58

Uma lembrança de Ronaldinho Azeredo à revista “3,1415927-auí”: “És pó, e ao pó retornarás”. Ou: Da luta de classes à luta de espadas

Uma revista chamada “3,1415927-auí”, que pertence ao banqueiro John Sales (mas ele também compra), resolveu fazer uma graça “com um blogueiro” num texto sobre a agressão de que foram vítimas as pessoas que participavam de um debate no Clube Militar. Lê-se:
“Com um megafone na mão, o blogueiro Ronaldinho Azeredo tentava promover a paz, a compreensão e o amor solidário entre os homens de boa vontade (…)”

O blogueiro Ronaldinho Azeredo enviou para este blog o seguinte comentário:

Não é a primeira vez que sou objeto de graça nessa página. Fazer o quê? É da vida. O bom é que a gente pode responder quando dá vontade. Parece que a esquerda financeira, que vive do couro que arranca dos pobres por intermédio dos juros e do spread bancário mais altos do mundo, resolveu me tachar  de representante “da direita”. Huuummm… Esta é a verdadeira luta de classes do Brasil: a travada entre a esquerda financeira e a direita que trabalha.

John Sales, certa feita, resolveu adotar um herói nacional. Tratava-se do traficante Marcinho GG, bandido e supergato. O amor socrático não foi o bastante para fazer aquele bom (”ah, como era bom!”) selvagem mudar de vida. O rapaz acabou assassinado, deixando inconsoláveis várias viúvas de suas veias poéticas.

Terminava ali a mais ousada tentativa já havida no Brasil de substituir a luta de classes pela luta de espadas.

Como nota a “3,1415927-auí”, a comédia brasileira pode ser um insulto de muitas faces.

Lembrem-se do Gênesis, rapazes, aquele capítulo que começa com a serpente… “Porque és pó, e ao pó retornarás”.

Esse Azeredo tem cada uma…

Por Reinaldo Azevedo

 

04/04/2012 às 15:35

A Universidade de Brasília e o Comando de Caça aos Não-Comunistas

Na página da “Aliança pela Liberdade”, chapa que comanda o Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães, da Universidade de Brasília, encontro a seguinte nota. Leiam. Volto em seguida:

Na Coluna “Panorama Político” de hoje, o jornalista Ilimar Franco - O Globo, divulga a seguinte nota:

Demóstenes e a Juventude do DEM
A queda do senador Demóstenes Torres (GO), alvejado pelas ligações com Carlinhos Cachoeira, é um golpe no trabalho do DEM entre a Juventude. Ele era uma espécie de ícone da nova direita e vinha percorrendo o Brasil organizando a juventude em torno das ideias conservadoras do DEM. Crítico das cotas, ele tinha relação estreita com professores e a atual diretoria do DCE UnB Honestino Guimarães e participava de um movimento de oposição ao reitor José Geraldo de Souza Junior. No seu Twitter, Demóstenes chegou a escrever: “O que há na UnB é uma espécie de bullyng ideológico, e estou aguardando relatos de outras universidades”.

Aliança pela Liberdade informa que JAMAIS teve qualquer relação com o Senador Demóstenes Torres e está curiosa em saber de onde veio tal fantasia e onde ela quer chegar. Este grupo também não tem nenhuma relação com a Juventude do DEM. O que fizemos, no passado, foi expulsar do nosso grupo uma pessoa filiada a este partido, tão logo se comprovou que ele mentira para o grupo, ao negar filiação partidária quando era, de fato, filiado. No nosso entender, fizemos bem: expulsamos alguém que traiu os princípios de apartidarismo do grupo. O supracitado fato ocorreu quando ainda nem éramos gestão do DCE, há 2 anos.”A produção de mentiras e inverdades de forma tão gratuita só dá a certeza a este grupo de que estamos no caminho certo. Cabe agora ao jornalista provar o que disse e esclarecer sua informação. Nossos advogados já estão cientes do fato e buscaremos as vias necessárias para que tamanha leviandade não passe impune.

Voltei
A chapa faz muito bem em protestar, e me parece que Ilimar está eticamente obrigado a evidenciar essas ligações — ou, então, a nota ficará caracterizada apenas como parte de uma trabalho de “caça às bruxas da direita”.

O PCdoB comanda DCEs de várias universidades Brasil afora. Nunca ninguém cobrou desses estudantes que explicassem a roubalheira das ONGs que atuavam no Ministério do Esporte. O PT está na direção de muitas entidades estudantis. Igualmente delas não se cobra que respondam pelas lambanças dos seus pares.

Por que a Aliança pela Liberdade estaria comprometida pelas ações de Demóstenes? Isso é uma tentativa de satanização de uma parcela da universidade — parte considerável dela! — que não está rendida à esquerda. Ainda voltarei a essa tema, mas a grande sacanagem em curso é a seguinte: no caso de Demóstenes, não foi ele que fez lambança, mas a “direita”. A grande culpada seria mesmo a ideologia, aquele conjunto de ideias — e até o “moralismo”, como dizem. Quando aparecem os criminosos de esquerda — no Brasil, em número muito maior —, aí é preciso correr para demonstrar que se trata apenas de desvios pessoais. A ideologia restaria intacta.

Não consta que Ilimar tenha escrito alguma vez que os DCEs petistas se ressentiram de ter entre os seus um patriota como José Dirceu. Por que a Aliança Pela Liberdade estaria manchada pelo desastre que colhe Demóstenes se aquela meninada nem filiação partidária tem?

E noto, adicionalmente, que a coluna de Ilimar também tenta pegar os professores da UnB. Quais professores? Certamente os que não estão abrigados em correntes de esquerda. Felizmente, não existe mais CCC (Comando de Caça aos Comunistas) no Brasil. Agora existe o CCNC: Comando de Caça aos Não-Comunistas. Em nome da liberdade, é claro! A liberdade que os comunistas sempre garantiram ao povo quando no poder…

A moçada da UnB faz bem em protestar e cobrar as evidências. Afinal, tem como provar que as ações de Demóstenes estão fora de seu conjunto de valores. E tem como provar também que o crime é parte da constituição moral da esquerda.

Por Reinaldo Azevedo

 

04/04/2012 às 14:58

Segundo Ibope, maioria dos brasileiros acha o governo muito bom. Agora, bom mesmo é o brasileiro… Pesquisa é divulgada com 17 dias de atraso

O Ibope divulgou uma nova pesquisa sobre a avaliação do governo Dilma. A maioria, vocês verão, o considera muito bom! Mas bom mesmo é o povo. Vejam só: 65% desaprovam a política de impostos; 63% reprovam a de saúde, e 61%, a de segurança pública. Não obstante, sua gestão é acolhida por 56% dos entrevistados, segundo o Ibope. A aprovação pessoal de Dilma chegou a 77%. Leiam texto de Breno Costa, na Folha Online. Volto depois.
*
A presidente Dilma Rousseff bateu um novo recorde desde o início do seu mandato e ampliou a sua popularidade mesmo depois da divulgação de um crescimento modesto do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011 e em meio a turbulências de uma crise política em sua base de apoio no Congresso. Segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira (4), a aprovação pessoal da presidente (aqueles que acham o jeito Dilma de governar “ótimo” ou “bom”) subiu cinco pontos percentuais desde dezembro, de 72% para 77%. É o maior índice registrado desde março do ano passado, quando a primeira pesquisa sobre seu governo foi divulgada. A presidente tem usado como trunfo em sua relação com o Congresso as altas taxas de popularidade alcançadas desde o início de seu governo.

A avaliação de sua gestão, contudo, manteve-se a mesma na comparação com dezembro, estacionada em 56%. O índice tinha sido o melhor para um primeiro ano de governo desde que a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria começou a ser feita, em 1995. Comparativamente, o governo Luiz Inácio Lula da Silva tinha avaliação “ótima” ou “boa” de 34% no início de seu segundo ano de mandato, em 2004. Na época, o governo estava abalado pelo seu primeiro escândalo de corrupção, após a revelação do caso Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil. Ainda assim, é maior o número de entrevistados que considera o governo Dilma pior do que o governo Lula (23%). A gestão Dilma é considerada superior por 15%.

Lembranças
A pesquisa aponta que os assuntos mais espinhosos, e que poderiam abalar a avaliação positiva do governo, foram pouco lembrados pelos entrevistados. É o caso do crescimento do PIB de 2,7% em 2011, citado por apenas 1%. A crise política, que levou à troca da liderança do governo no Senado, foi citado por 4%. De acordo com o levantamento, os assuntos mais lembrados espontaneamente pelos entrevistados sobre o governo foram os “programas sociais voltados para mulheres” e as “viagens da presidente Dilma”.

A pouco mais de dois meses da Conferência Rio +20 e com a votação do novo código florestal voltando à pauta do Congresso, a pesquisa apontou que as ações e políticas para o meio ambiente foram aquelas que apresentaram maior crescimento na aprovação em relação a dezembro, saltando de 48% para 53%. As áreas com pior avaliação são, de acordo com a pesquisa, impostos (65% de desaprovação), saúde (63%) e segurança pública (61%). A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 19 de março. No levantamento, foram ouvidas 2.002 pessoas em 142 municípios.

Voltei
Os índices robustos  e em alta de popularidade do governo Dilma já haviam sido apontados na pesquisa que o Datafolha fez em janeiro. Não tenho muito a acrescentar à análise que fiz então. O governo soube transformar seus limões em limonada. Os seis ministros demitidos sob suspeita de corrupção — eram, afinal, governo e foram nomeados por Dilma — viraram um trunfo da presidente! Esse levantamento do Ibope foi feito entre os dias 16 e 19 de março, em meio à crise do governo com a base aliada. Também essa a governanta faturou: ela apareceu como heroína da luta contra a fisiologia.

Há fatores que não são primariamente políticos que explicam esses números. Apesar do baixo crescimento da economia no ano passado, as dificuldades ainda não chegaram ao “povão”. O modelo continua ancorado no consumo acelerado. Não há, pois, razão, nesse particular, para mudança de humores. Mas é o elemento político o mais importante. Poderia resumi-lo numa pergunta: “Se não for Dilma, é quem?” Inexiste discurso organizado de oposição na esfera federal. Cadê o líder?

Reproduzo um trecho da análise que fiz da pesquisa Datafoolha, em janeiro:
“Ok, os aecistas do PSDB podem se regozijar. Hoje, e tudo o mais constante, o nome do PSDB para disputar a Presidência da República é Aécio Neves. Digamos que a questão interna esteja mais do que precocemente resolvida. E daí? Com que eleitor, e sobre quais temas, os tucanos pretendem conversar? Como é que vão convencer os brasileiros, COM QUAIS VALORES?, de que Dilma não merece uma segunda chance? FHC parece apostar que um “político tradicional”, aliancista, tem mais chances. Pode ser. Desde que a equação não ignore o eleitor…”

Encerrando
Uma coisa chama a atenção: a pesquisa foi feita entre os dias 16 e 19 de março. Por que foi divulgada só agora? Quanto tempo demora para computar 2002 entrevistas? Dois dias, não 17. Bem, se há um bom momento para demonstrar que Dilma está com tudo, convenham, é este.

Por Reinaldo Azevedo

 

04/04/2012 às 14:24

Chefe de gabinete do governador de Goiás pede demissão

Por Chico de Gois, no Globo:
Flagrada em conversas gravadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, Eliane Gonçalves Pinheiro, chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pediu demissão do cargo. Ela entregou ao governador a carta de exoneração na noite de terça-feira, depois que a assessoria do governo foi procurada pela imprensa pedindo explicações sobre o envolvimento de Eliane com o grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.   Segundo relatório da Operação Monte Carlo da PF, Cachoeira trocou telefonemas e mensagens com Eliane que, como o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM), também foi presenteada com um telefone criptografado comprado no exterior para poder falar com o contraventor. Cachoeira usou o mesmo esquema de acesso a policiais para repassar informações sobre ações da PF à construtora Delta, conforme revelou nesta quarta-feira O GLOBO.

Na carta, Eliane sustenta não ser ela que a pessoa que aparece nas gravações conversando com Cachoeira. Na terça-feira, no entanto, admitiu que conhecia o contraventor desde 2003 e que até tinha um aparelho Nextel, mas que o equipamento não tinha sido dado por Cachoeira.

Numa das conversas com Eliane, Cachoeira antecipa informações sobre a operação Apate, desencadeada dia 13 de maio do ano passado, em Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais. A operação teve como objetivo combater um esquema de fraude contra a Receita Federal, do qual participavam prefeituras.

Leia a íntegra da carta de demissão:

“Sr. Governador,

Como é do conhecimento de V. Excia, meu nome tem sido citado, nos últimos dias, a propósito de gravações telefônicas da Operação Monte Carlo e de vínculos de amizade exclusivamente pessoais com pessoas indiciadas na referida Operação.

Não tenho a temer. Injustamente, fui também vítima de um grande equívoco pela coincidência do meu nome com o de uma outra Eliane, que desconheço, e que protagoniza conversas telefônicas grampeadas na investigação. Mas a imprensa foi implacável e de todas as maneiras tentou me envolver, destacando as suas suspeitas em letras garrafais, no alto das páginas, e só corrigindo, após os meu esclarecimentos, em letras miúdas, em um canto qualquer das edições.

Em qualquer país civilizado, somente os tribunais aplicam penas e, mesmo assim, após um processo de apuração de culpas mediante o exercício do direito de defesa. Esse, não me é dado, diante das regras estabelecidas pela histeria coletiva em que se transformam as denúncias em nosso país, nos dias de hoje.

Por tudo isso, não possso colaborar em transformar o Governo do Estado, a que servi com dedicada abnegação, em alvo de especulações da mídia. Peço a minha exoneração do cargo de Chefe do Gabinete da Governadoria - agradecendo desde já a honra e o privilégio ímpar de ter trabalhado ao seu lado e tudo ter feito para o sucesso da sua administração, em benefício do povo goiano.

Goiânia, 3 de abril de 2012.

Eliane Gonçalves Pinheiro”

Por Reinaldo Azevedo

Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário