Carlos Minc, chegado ao verde, andou queimando mato?

Publicado em 25/04/2012 21:35 e atualizado em 07/08/2013 16:24 1178 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Carlos Minc, lembram-se dele?, é secretário de Meio Ambiente do Rio. É um homem chegado ao verde. Já participou de show de reggae em estado de evidente, como posso dizer?, enleio do espírito e de marchas em favor da descriminação da maconha. Entendo, assim, que ele é contrário à queima de florestas (também sou!), mas defende a queima de da erva. Eu não!

É uma figura singular da política. Minc é antigo companheiro de Dilma Rousseff na VAR-Palmares. Ele tem aquele jeito de “Coroa Alternativo do Rio”, mas já foi do chifre furado. Participou de ações armadas, por exemplo.  Aqueles seus coletes que remetem ao arco-íris fez muita gente supor que aderiu à democracia. Erro! Sua vocação continua a ser a ditadura. Explico por que no próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

 

Carlos Minc se oferece para substituir o Congresso e diz que a presidente Dilma lhe deu um sorriso “cúmplice”

A VEJA Online publica umtexto de Cecília Ritto com informações verdadeiramente estupefacientes. A personagem da notícia é Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente e secretário da área do governo de Sérgio Cabral. A presidente Dilma Rousseff esteve nesta quinta no Rio numa solenidade do programa “Brasil Sem Miséria”. Distribuiu sorrisos e evitou temas espinhosos. Mas Minc falou pelos cotovelos. Segundo disse, a presidente prometeu “não decepcionar”, sugerindo que vai vetar o texto aprovado na Câmara em segunda votação. Excelente! Dilma tem um líder no Senado. Dilma tem um líder na Câmara. Dilma tem um líder no Congresso. Dilma tem uma ministra das Relações Institucionais. Dilma tem uma chefe (devo dizer “chefa”?) da Casa Civil. Dilma tem uma ministra do Meio Ambiente. Mas anuncia a Minc o veto???

O secretário expressou-se nestes termos, prestem atenção:
“Falei para a presidente Dilma que fiz um estudo preliminar de 25 a 30 pontos que poderiam ser vetados e substituídos por uma medida provisória. Coloquei-me à disposição dela e disse que estou em contato com a ministra Izabela (Teixeira, do Meio Ambiente). Falei que estávamos ansiosos e com grande expectativa em relação à atitude dela. Ela sorriu, disse que não ia nos frustrar, que honraria os compromissos dela e que tomaria medidas”.

Viram só? Minc continua a falar como o assaltante de cofre da VAR-Palmares. O Código Florestal foi debatido em audiências Brasil afora. Passou por duas votações na Câmara e por uma votação no Senado. Foi submetido ao crivo de 513 deputados e 81 senadores. Tudo absolutamente inútil. Um único homem, Carlos Minc, vai substituir toda essa gente, tratada como gentalha. Quem ele representa? Que lhe deu a delegação para cuidar sozinho do código?

Minc continua a ser o mesmo homem responsável que chegou a sugerir, certa feita, que os escapamentos de ônibus fossem obstruídos por batatas… Referido-se ao código, afirmou que há uma espécie de anistia:
“Desobrigam o desmatador a recompor as áreas desmatadas. Isso dá ideia de que o crime compensa”.
É mentira! Seguindo o mesmo padrão da Câmara, o agricultor só se livra da multa se fizer compensação ambiental.

O secretário do Meio Ambiente do Rio vem lá de longe, não é?, da VAR-Palmares, do tempo da luta clandestina contra a ditadura e… CONTRA A DEMOCRACIA TAMBÉM. Disse que Dilma é sua “cúmplice” (a palavra é dele). Assim:
“Entendi que ela [Dilma] vai tomar medidas. Com risinho cúmplice, maroto e solidário, me falou: ‘Pode contar, vamos atuar, não vão ficar contraditório os compromissos que assumimos, não vamos decepcionar’”.
Não sei de Dilma espancou a sintaxe com essa impiedade, com esse desamor pela ecologia da língua portuguesa, em que concordância e regência conspiram contra o sentido… É possível. Quando falece o bom senso, o desamor pela “inculta & bela” é só o arremate dos males.

Ainda em estado de delírio, prosseguiu:
“O Brasil passou a ganhar prêmio de pais amigo do planeta. Não podemos pôr esse patrimônio a perder com uma lei que desprotege nossas florestas. Passaram a motosserra no código ambiental e a presidente Dilma não permitirá que isso aconteça dessa forma”.
A lei não desprotege floresta nenhuma! Ao contrário: o país passa a ter o código ambiental mais preservacionista do mundo. SAIBAM: NÃO HÁ EM TODO O PLANETA NADA PARECIDO COM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE! Ou então me mostrem. O Greenpeace e o Imazon tentaram provar que essa afirmação em maiúscula é falsa, e eu provei aqui que eles estão errados.

O senhor Carlos Minc, que pretende usar o veto e a Medida Provisória mais ou menos como o terroristas usavam a pistola — para ganhar no argumento… — se esquece de que vetos presidenciais podem ser derrubados e de que medidas provisórias podem ser rejeitadas.

Lida mal com a lei
Mas eu entendo almas como a deste senhor. Ele lida mal com a institucionalidade; ele lida mal com as leis. Mesmo na condição de ministro do governo Lula — comprometido, pois, com as políticas públicas (ao menos as oficiais) de combate às drogas —, Minc participou de marcha em favor da legalização da maconha. Mais do que isso. Ele deu pinta num show de reggae que fazia, com clareza inquestionável, a apologia do consumo. Subiu ao palco, como se vê abaixo. Volto depois.

Voltei
“O que esse comportamento de Minc tem a ver com a fala desta quinta?” Tudo! Um país tem leis, tem instituições, tem decoro. Quem está investido da função pública tem compromisso com esses fundamentos, que são coletivos. Não pode sair por falando e fazendo o lhe dá na telha. Agora virou a festa da uva. O Supremo, quando lhe vem a vontade, decide usurpar funções que são do Congresso porque, ora vejam, aquele não age. Carlos Minc, com seu reconhecido amor pelas instituições, se oferece para ser revisor do Código Florestal e anuncia o “sorriso cúmplice” da presidente.

É claro que chego a duvidar da percepção de Minc. Ele pode ter entendido errado. Nunca se sabe quando está pronto para subir ao palco e dizer sandices…

Por Reinaldo Azevedo

 

PT e governo são derrotados, e texto-base do novo Código Florestal é aprovado com 274 votos contra 184

O PT e o governo foram derrotados mais uma vez, e a Câmara aprovou, por 274 votos a 184, com duas abstenções, o texto-base do novo Código Florestal, relatado pelo deputado Paulo Piau (PMDB-MG). Jilmar Tatto (PT-SP), líder do PT, tentou até a última hora convencer os parlamentares a ignorar o texto de Piau, endossando a versão do Senado. Não deu.

O relator também fez uma concessão e reintroduziu na proposta o trecho sobre a recuperação da vegetação nativa à margem dos rios — tratei do assunto nesta manhã, vejam lá. Marco Maia, presidente da Câmara, alegou que ele não poderia ter sido suprimido em razão de questão regimental. Era uma falsa questão, já demonstrei isso. Como, em todo caso, cabia a Maia decidir sobre o óbice que ele próprio levantara (!), o resultado era conhecido. Os deputados dizem agora que apresentarão uma lei mudando essa parte do texto.

Aqui e ali, a aprovação está sendo chamada de “vitória dos ruralistas”. Já escrevi o que penso sobre esse sufixo “ista”… Isso não existe! É uma construção ideológica das esquerdas e do onguismo verde. Havendo “ruralistas”, onde estarão os “urbanistas”???

Não! Venceu um mínimo de bom senso. E a recuperação da vegetação nativa às margens dos rios terá, sim, de ser revista para os pequenos proprietários. O governo vai financiá-los ou ressarci-los se suas propriedades se tornarem economicamente inviáveis? Ou, a prevalecer a exigência, pretende aplicar a medida a ferro e fogo, tangendo do campo os pequenos proprietários, para felicidade do Greeenpeace, da Marina Silva e da WWF? O que aquela gente vai fazer? Caçar elefantes na África e tirar fotos ao lado do príncipe da Espanha?

Marina, aliás, está convocando a “reação” pelo Twitter, tentando lançar uma campanha nacional para que Dilma vete o texto. A ex-ministra e ex-senadora deve ter esquecido que existe também a figura da derrubada do veto. Parece não se conformar com a existência de um Congresso. Só reconhece o Executivo como instância decisória. Está dizendo como agirá se um dia chegar à Presidência da República.

Por Reinaldo Azevedo

 

Agora, sim, tudo no lugar: Presidente do PT dá apoio integral ao governador do DF

Agora, sim, as coisas estão em seu devido lugar. Rui Falcão, presidente do PT, expressa apoio integral a Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal. Leiam o que informa Lúcio Vaz, na Folha Online:

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, manifestou nesta quarta-feira apoio do partido do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), após audiência realizada no Palácio do Buriti. “Não há indícios de comprometimento do governo e do governador Agnelo com esse delinquente”, afirmou, referindo-se ao empresário Carlos Augusto Cachoeira. Falcão disse que Agnelo “pegou um governo totalmente sucateado e minado pela corrupção. O governador vem tomando atitudes para colocar a casa em ordem. Por isso tem sido combatido. Não há crise política no governo do DF. Não temos nenhum temor de que essa investigação vá implicar o governador”. Ele negou que a direção nacional do PT teria abandonado Agnelo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 20:00

Joaquim Barbosa e o desprezo pelo “caráter marginal” de quem discorda dele

Pois é…Ricardo Lewandowski fazia a apologia das ditas políticas afirmativas, entre elas a de cotas, quando foi aparteado por Joaquim Barbosa, um ministro com certo gosto pela estridência e que não costuma ser muito tolerante com quem discorda dele.]

Vamos pensar. As cotas estão sendo estabelecidas sob o pretexto de proteger minorias — do ponto de vista sociológico — que teriam sido prejudicadas ou discriminadas ao longo da história. A questão só está no Supremo porque, quando menos, é contraversa, certo?

E como é que Joaquim Barbosa se referiu àqueles que são contrários às cotas? Assim, se é que não entendi errado (mas acho que não):
“Basta ver o caráter marginal daqueles que se opõem ferozmente a essas políticas…”

COMO É, MINISTRO???

Desde logo fique claro que Barbosa não está chamando ninguém de marginal no sentido habitualmente empregado no Brasil: “bandido”. Não! Ele está dizendo que aqueles que se opõem às cotas são pessoas situadas à margem, deixem-me ver, do debate, da política, da vida pública, da razão, do bom senso, do bem, do belo, do justo…

Talvez fosse mais decoroso mesmo, ministro, o senhor chamar de “bandidos” aqueles que discordam de seu ponto de vista. Talvez soasse menos ofensivo.

Daqui a oito meses, Barbosa, vice-presidente do STF, assume a presidência, com a aposentadoria de Ayres Britto. Com essa tolerância que ele demonstra com quem não pensa como ele, talvez seja o caso de as vozes divergentes dispensarem a toga e entrarem no tribunal de armadura.

Noto que já não basta vencer o adversário intelectual no voto. É preciso também desqualificá-lo, excluindo-o do mundo dos vivos.

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 19:28

Projeto que permite ao Congresso mudar decisão do STF avança e é aprovado na CCJ

O tema é dos mais polêmicos. Pode provocar um acalorado debate. Voltarei a ele, com cuidado e vagar, à noite. Por enquanto, leiam o que informa Mirella D’Elia, na VEJA Online.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade, uma proposta de emenda constitucional (PEC) que permite ao Congresso sustar decisões do Poder Judiciário. Atualmente, o Legislativo pode mudar somente decisões do Executivo. A proposta seguirá agora para uma comissão especial.

O objetivo da proposta, de autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), é permitir que o Congresso tenha a possibilidade de alterar decisões do Judiciário se considerar que elas exorbitaram o “poder regulamentar ou os limites de delegação legislativa”.

A PEC tornou-se prioridade da frente parlamentar evangélica desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu permitir o aborto de fetos anencéfalos. O coordenador da bancada, deputado João Campos (PSDB-GO), afirma que o objetivo é enfrentar o “ativismo judiciário”.

“Precisamos colocar um fim nesse ativismo, nesse governo de juízes. Isso já aconteceu na questão das algemas, da união estável de homossexuais, da fidelidade partidária, da definição dos números de vereadores e agora no aborto de anencéfalos”, afirma Campos. Apesar do empenho, os evangélicos reconhecem que a possibilidade de suspender decisões valeria apenas para o futuro.

Por Reinaldo Azevedo

 

Cotas - Sessão encerrada! Lewandowski levou os presentes à exaustão!

Pronto! Encerrada a sessão! Ninguém aguentava mais. As cotas já estão aprovadas. Ayres Britto já havia se manifestado. Lewandowski o fez hoje com o apoio, em apartes, de Celso de Mello e Joaquim Barbosa. Conseguir mais dois votos vai ser, como se diz, “bico”! De forma obviamente imprópria, Britto, que preside o tribunal, elogiou a peroração do colega, a sua “profundidade”. Tudo é feito para dar a impressão de que um eventual voto contrário já nasce com um déficit de legitimidade.  

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 18:53

Lewandowski está votando já hás umas 200 horas, numa causa de resultado previsível; por que não dedicou parte do tempo ao processo do mensalão?

Ricardo Lewandowski está votando já há umas 200 horas… É o samba de uma nota só. Uma pletora de citações para referendar o argumento que já está mais do que claro: a desigualdade perante a lei é o caminho da igualdade. Acaba de citar o pensador alemão Jürgen Habermas como “membro da Escola de Frankfurt”. Huuummm… Não é, não, ainda que essa escola designasse um prédio, em vez de um conjunto de valores e pensamentos. Dizê-lo um herdeiro daqueles pensadores, vá lá, pode ser. Pertencente àquilo que se chamou “Escola de Frankfurt”, aí não!

Eu me preocupo porque noto que Lewandowski empregou tempo demais colhendo citações para dizer sempre a mesma coisa, numa causa cujo resultado é pule de dez. Enquanto isso, o processo do mensalão vai ficando para as calendas.

Pelo visto, ele não vai parar nunca mais! É bem provável que a sessão seja supensa e se retome a votação amanhã ou depois. Perda de tempo e de energia. Além de um desafio à paciência.

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 18:07

Lewandowski acaba de decretar que a Constituição é mero texto “formal”.Ou: Salto triplo carpado hermenêutico

O ministro Ricardo Lewandowski acaba de dar a chave da aprovação da política de cotas — para negros ou quaisquer outras “minorias” que as reivindiquem, quero crer. A igualdade de que fala o Artigo 5º da Constituição, segundo ele, tem sentido meramente “formal”. Haveria uma contradição entre essa “formalidade” e o “sentido material da igualdade”. Para tanto, depreende-se de seu raciocínio, é preciso promover a desigualdade.

Como diria o ministro Ayres Britto, também pró-cotas e ora presidente do tribunal, é o que se chama “salto triplo carpado hermenêutico” e retórico. Também é o princípio do fim de qualquer fundamento constitucional. Se o que está na letra da Constituição, justamente num artigo que é cláusula pétrea, é só uma formalidade em contradição com a vida, então onde está a garantia jurídica? De fato, estão julgando mais do que cotas. Em julgamento, está a Constituição.

Celso de Mello acaba de fazer um aparte à fala de Lewandowski; concorda com os argumentos do colega e os reforça. Os ministros não são idiotas. Sabem que estão recorrendo ao tal “salto triplo carpado hermenêutico”. Por que o fazem? Em alguns casos, é ideologia mesmo; em outros,  medo. Não vão querer comprar brigas com as minorais influentes.

Em todas as democracias do mundo, as cortes supremos funcionam como um filtro: asseguram a legalidade, a despeito das muitas vozes em conflito na sociedade — o que é normal e saudável. O STF brasileiro é hoje refém de grupos de pressão organizados. Como o silêncio, perdoem-me a tautologia, é característica das maiorias silenciosas, as minorias buliçosas vão arrancando seus privilégios.

De hoje em diante, está estabelecido: a Constituição é aquilo que a maioria de turno do STF disser que é a Constituição. E ponto! Soberano não é o povo. Soberana não é a Constituição. Soberano é o STF — eventualmente, a história dirá, sob a gerência de um partido.

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 17:25

Cotas raciais – É evidente que a Constituição vai perder mais uma vez. Ou: Notáveis reacionários disfarçados de progressistas

O STF retomou o julgamento das cotas raciais. O resultado é absolutamente conhecido. Podem apostar o mindinho que o tribunal mandará às favas o Artigo 5º da Constituição. A partir de hoje, oficialmente, os homens não mais serão iguais perante a lei. E será permitido, no Brasil, promover a desigualdade real para chegar a uma igualdade ideal. Entenderam?

Já falaram os “amici curiae”, os “Amigos da Corte”, representantes de entidades e grupos sociais que se consideram representados por ou solidários com teses em debate. A maioria falou em favor das cotas — com ao menos uma nota de cálculo tornada graça involuntária. Já chego lá.

Os “amici curiae” pró-cotas deixaram a Constituição de lado num tribunal constitucional (por que não?) — inclusive o mais fulgurante deles, Márcio Thomaz Bastos. Todos estavam lá pra proclamar que há injustiças no Brasil decorrentes da escravidão, da cor da pele, da discriminação racial não admitida etc. Em suma, estavam lá para declarar o óbvio. E quem poderá discordar do óbvio?

Isso nunca esteve em questão. O STF não vai definir hoje se há ou não preconceito na sociedade; se a discriminação é ou não uma realidade social e cultural; se a nossa história condiciona ou não determinados comportamentos.

O tribunal vai decidir — E VAI DIZER QUE SIM! — se é legítimo patrocinar a desigualdade dos homens perante a lei para alcançar a suposta igualdade; se as desigualdades ali elencadas serão combatidas com políticas de cotas; se brancos (por exemplo) podem ter seus direitos individuais desrespeitados — entre eles, o de competir em pé de igualdade por uma vaga na universidade pública — para que atinjamos a suposta igualdade racial.

Todos os “amici curiae” que falaram trataram as cotas como se fossem uma obviedade ditada pela lógica ou pela natureza. Nem parecia que essa é uma escolha política, feita em razão de um tipo específico de militância. No caso, uma militância que vai violar, mais uma vez, um princípio constitucional para fazer Justiça.

O cálculo, com humor involuntário implícito, ficou por conta de um dos “amici”, Márcio Thomaz Bastos — no momento, advogado de Carlinhos Cachoeira. Ao longo de sua trajetória de advogado criminalista — dos bons! —, sempre defendeu figuras, como direi?, polêmicas, mas sem jamais se descuidar de causas politicamente corretas que indicassem: “Aqui está um progressista”.

Muito bem! Ele falou em nome da “Associação dos Advogados e Advogadas Afrodescendentes”. Uau! Eu nem sabia que isso existia. Tampouco imaginava que o direito possa ter uma leitura “afrodescendente” e uma leitura “eurodescendente”. Ora, quem faz uma associação dessa natureza entende ser preciso reafirmar duas condições: a de advogado e a de advogado com uma cor de pele específica. E é justamente um advogado branco a falar em nome do grupo??? “Sim, somos pela convivência pacífica e pela integração”, poderia responder a associação. Perfeito! Por isso mesmo, deveriam, então, estar afinados com o Artigo 5º da Constituição, não é?

Outras minorias
Aprovadas as cotas para negros, e serão, não há nenhuma razão para que outras “minorias” (sociologicamente falando) não reivindiquem status semelhante. A rigor, qualquer uma delas pode acusar a existência de preconceito, de dificuldades particulares de que a a maioria” estaria livre.

Ora, é claro que os preconceitos têm de ser combatidos. A questão é saber se tal objetivo será logrado suprimindo direitos de terceiros — e é disso que se cuida no caso das cotas. Pior ainda: a verdadeira discriminação, que é a social e que está na origem da baixa qualidade da escola pública oferecida aos pobres, continuará sem resposta.

Todos aqueles “amici curiae” pró-cotas,  encantadores progressistas, são, na verdade, notáveis reacionários, que renunciaram à tese civilizadora da universalização de políticas púbicas de qualidade. Acreditam que grupos organizados têm de disputar espaço na sociedade para conquistar privilégios. Tudo sob o pretexto da igualdade e do combate a injustiças ancestrais.

Por Reinaldo Azevedo

 

O voto de Peluso, a discriminação positiva que já existe, o grande equívoco e a pergunta sem resposta

Neste momento, vota o ministro Cezar Peluso. Dada a linha de argumentação, tudo indica que vá se alinhar com as cotas. Peluso toca num aspecto de que tratei no texto desta manhã: existe já discriminação positiva no Brasil. As mulheres, por exemplo, contam com leis especiais. Sim, é verdade. Mas essa especialidade entra como um suplemento e não se estabelece em prejuízo de ninguém. As cotas raciais solapam direitos de uns em benefício de outros com base na cor da pele. São situações absolutamente distintas e que ferem, de maneira flagrante, sim, o Artigo 5º da Constituição.

Até agora, não há ministro da corte que tenha respondido a uma questão básica:
“Por que um branco pobre há de ser preterido na universidade em favor de um negro, seja ele pobre ou rico?”

Havendo uma boa resposta, inclusive de leitores favoráveis a cotas, publico com destaque. Mas há de ser boa, isto é, preservando o fundamento da igualdade, expresso no Artigo 5º da Constituição, uma cláusula pétrea — que acaba de virar pó.

Por Reinaldo Azevedo

 

26/04/2012 às 17:34

Joaquim Barbosa acaba de votar. Para ele, só é contra cotas quem defende os próprios interesses!!!

Joaquim Barbosa acaba de afirmar que a questão das cotas divide o mundo em duas forças: de um lado, os que pretendem viver na prática a igualdade; de outro, os que veem seus interesses contrariados. Eis um mundo sem matizes: ou preto ou branco — e não estou fazendo trocadilho.

Assim, entende-se que não existem negros contrários a cotas ou pessoas que as defendam por maus motivos. Do mesmo modo, descarte-se a existência de indivíduos que as critiquem ou que a elas se oponham por bons motivos.

O mundo de Barbosa, pois, no que concerne a cotas, se divide em dois: há as pessoas de bons propósitos — e isso implica necessariamente ser favorável às cotas. E há as de maus propósitos, defensoras, como ele disse, do “status quo (sic)”.

Num aparte ontem à fala de Ricardo Lewandowski, demonstrando a irrelevância dos que se opõem às cotas, afirmou o ministro: “Basta ver o caráter marginal daqueles que se opõem ferozmente a essas políticas…”

Joaquim Barbosa não parece ter muita paciência com aqueles de quem diverge. Ou as pessoas estão do lado do Bem — e concordam com Joaquim Barbosa — ou estão do lado do Mal e se dedicam apenas à defesa dos seus interesses mesquinhos.

Não estamos falando de um daqueles tribunais que se simulam muitas vezes em escolas de ensino fundamental e médio. Estamos falando do Supremo Tribunal Federal.

É surrealista! Qualquer ministro branco que eventualmente se opusesse às cotas, então, estaria, segundo Barbosa, defendendo um interesse pessoal. Já Barbosa, negro e pró-cotas, só tem esse pensamento porque é um amigo da humanidade. O Bem de um lado, o Mal de outro.

Conviva sem reação com esses absurdos retóricos e argumentativos quem quiser. Eu não convivo. E não venham com a história de que Barbosa disse ou quis dizer outra coisa. Está tudo gravado. Está lá. Ele disse e quis dizer o que disse.

Por Reinaldo Azevedo

 

26/04/2012 às 17:07

Conforme o previsto, cotas já venceram; branco, pobre, heterossexual e cristão passa a ser o verdadeiro negro do Brasil

Já votaram pela improcedência da ação contra as cotas os ministros Ricardo Lewandowski, Luiz Fux, Rosa Weber e Carmen Lúcia. A opinião pró-cotas de Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Celso de Mello é conhecida. Só aí se contam sete votos. O caso está decidido, conforme o previsto. Pior do que o mérito, que joga no lixo o Artigo 5º da Constituição e faz de brancos pobres sócios do regime escravocrata que vigorou no Brasil — obrigando-os a pagar com a própria pele (!) por aquele processo histórico — são os argumentos. Todos eles atribuem ao tribunal — ou a seus membros —, a competência de fazer justiça com a própria toga.

As cotas para negros nas universidades públicas já estão oficializadas. Agora resta às demais minorias, com base naqueles mesmos argumentos que sustentam que se possam suprimir direitos de uns para conceder privilégios a outros “em nome da igualdade e da dignidade humana”, reivindicar o seu quinhão.

Eu me sinto, vamos dizer, intelectualmente recompensado porque antevi isso há muitos anos, não? É minha a frase segundo a qual o branco, pobre, heterossexual e cristão passaria a ser o verdadeiro negro do Brasil. Ninguém é por ele, e todos são contra ele. É um sem-ONG, um sem-razão, um sem-direito. Está proibido até mesmo de reivindicar. Caso se mobilize, os bem-pensantes, inclusive os da imprensa, apontarão o dedo: “Fascista!”

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 16:43

Delta vai saindo do caminho sem dar um pio. Ou: Jabuti sobe em árvore?

Algo de muito estranho está em curso. Há jabutis demais sobre as árvores para que consideremos tudo normal. Até outro dia, não se ouvia falar da Delta e de Fernando Cavendish. Foi VEJA quem tirou a construtora de seu espantosamente bem-sucedido ostracismo noticioso emreportagem que começou a chegar aos leitores no dia 7 de maio do ano passado. O texto informava então o vertiginoso crescimento da empresa. De empreendimento modesto, chegou, durante o lulo-petismo, à condição de Número Um do PAC. Entre uma coisa e outra, a Delta teve um consultor. Seu nome: José Dirceu.

Em entrevista à revista concedida então, os empresários José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado, que chegaram a ser sócios de Cavendish em outro negócio, não economizaram palavras. Indagados sobre o objetivo da consultoria prestada por aquele que a Procuradoria Geral da República chama “chefe de quadrilha”, foram claros:
“Tráfico de influência. Com certeza, é tráfico de influência. O trabalho era aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes do governo do PT. Isso, é óbvio, com o objetivo de viabilizar a realização de negócios entre a empresa e o governo federal.”

E como Dirceu foi contratado? Justamente por intermédio da empresa de que eram sócios, a Sigma:
“A contratação foi feita por debaixo do pano, através da nossa empresa, sem o nosso conhecimento. Um dia apareceram notas fiscais de prestação de serviços da JD Consultoria. Como na ocasião não sabia do que se tratava, eu me recusei a autorizar o pagamento, o que acabou sendo feito por ordem do Cavendish.”

Prestem, agora, atenção, às considerações feitas por eles sobre duas obras nas quais a Delta estava envolvida:
Sobre a Petrobras, afirmou Quintella:
“A Delta começou a receber convites de estatais para realizar obras sem ter a capacidade técnica para isso. A Petrobras é um exemplo. No Rio de Janeiro, a Delta integra um consórcio que está construindo o complexo petroquímico de Itaboraí, uma obra gigantesca. A empresa não tem histórico na área de óleo e gás, o que é uma exigência Ainda assim, conseguiu integrar o consórcio. Como? Influência política.”

Sobre o Maracanã, afirmou Romênio
“O caso da reforma do Maracanã é outro exemplo. A Delta está no consórcio que venceu a licitação por 705 milhões. A obra mal começou e já teve o preço elevado para mais de l bilhão de reais. Isso é uma vergonha. O TCU questionou a lisura do processo de licitação. E quem veio a público fazer a defesa da obra? O governador Sérgio Cabral. O Cavendish é amigo último do Sérgio Cabral. A promiscuidade é total.”

A construtora — ou, mais propriamente, Cavendish — voltou a ser notícia quando um acidente de helicóptero na Bahia matou sete pessoas, entre eles, a mulher de Cavendish e a namorada e a nora de Cabral. O governador integrava um grupo que iria comemorar o aniversário do empresário num resort. Veio à luz, então, a espantosa proximidade da Delta com o governo do Rio. Muito bem!

O caso Cachoeira começou a vir à luz em reportagem da VEJA,  que começou a chegar aos leitores no dia 3 de março:
- a Delta já está fora das obras do Maracanã;
- a Delta já está fora das obras da Petrobras;
- Fernando Cavendish agora se afasta da empresa;
- a Corregedoria Geral da União abre processo para eventualmente declarar a sua inidoneidade - tinha motivos para fazê-lo desde 2010.

Algo estranho…
Parece-me que a ordem dos eventos indica que uma maneira de “salvar” a Delta é desmontar a Delta o mais rapidamente possível. Não estou fazendo uma afirmação, mas apenas uma consideração: Fernando Cavendish atua como se fosse uma espécie de testa de ferro que obedecesse a um comando. É visível o esforço empreendido para tirar logo a empresa do caminho — e ela sai, sem oferecer nenhuma resistência. Ele próprio deixa claro que não quer ser empecilho. A quem ou quê?

Para o bem geral da nação, se a CPI quisesse mesmo prestar um serviço ao Brasil, teria de apurar a fundo as relações dessa empresa com o estado brasileiro e seu formidável crescimento nos últimos nove anos. Vai fazê-lo?

São tantas as obrigações da Delta com o PAC que não se descarte que um grupo de empresas, sob a supervisão oficial, assuma suas operações para “salvar empregos” e as honras da casa…

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 16:02

O desmonte acelerado da Delta

Algo de muito estranho está em curso. Estou escrevendo um texto a respeito. Daqui a pouco.

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 15:12

Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, é preso em Goiânia

Por Mirella D’Elia, naVEJA Online:
O ex-diretor da construtora Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu, apontado como um dos parceiros do contraventor Carlinhos Cachoeira, foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal em Goiânia. A informação é do Ministério Público Federal do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A prisão ocorreu durante a Operação Saint Michel, um desdobramento da Operação Monte Carlo, que desmontou o esquema de jogos ilegais no país comandado por Cachoeira, preso desde fevereiro. A ação é comandada pelo MPDFT e pela Polícia Civil do Distrito Federal e foi deflagrada na madrugada desta quarta-feira.

Além da capital goiana, estão sendo cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela Justiça em Brasília, São Paulo e Anápolis. Em Goiânia e em Anápolis houve outras três prisões, entre elas a do vereador de Anápolis Wesley Silva (PMDB). Também foram cumpridos quatro mandados de busca em residências e, em Anápolis, na câmara Municipal.

Segundo as investigações, o então diretor da empreiteira Delta para o Centro-Oeste Cláudio Abreu era incumbido de tocar o braço da máfia de Cachoeira que se especializara em fazer contratos com governo. Abreu aparece em diálogos-chave do caso. Consta de uma conversa sua com Cachoeira a referência a um depósito de 1 milhão de reais para Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). Foi com base nesse grampo que a Procuradoria-Geral da República (PGR)  pediu a quebra do sigilo bancário do senador.

É também Cláudio Abreu quem telefona a Cachoeira para dizer que iria “amarrar os bigodes” com os dois mais poderosos secretários do governador petista Agnelo Queiroz, Paulo Tadeu e Rafael Barbosa, em encontro em Brasília. “Marca uma p… com eles amanhã aqui em Goiânia. Aí eu chamo as meninas”, devolve Cachoeira. Em outra gravação, Abreu discute com o araponga Dadá o pagamento de propina em troca da nomeação de um aliado da quadrilha no governo do DF. “Vamos dar R$ 20 mil pra ele e R$ 5 mil por mês, pronto! Nós vamos dar R$ 20 mil pra ele agora e R$ 5 mil por mês, entendeu?”, diz Abreu.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 15:06

Fernando Cavendish deixa comando da Delta

Na VEJA Online:
Fernando Cavendish, presidente da construtora Delta, vai se afastar do comando da empresa juntamente com o diretor executivo Carlos Pacheco. A decisão será anunciada nesta quarta-feira, em Brasília, em carta da Delta à Controladoria Geral da União (CGU), anunciando também o início de uma auditoria feita por uma empresa independente. A direção da construtora, durante a investigação, ficará a cargo do engenheiro Carlos Alberto Verdini, que está na empresa desde 2003. 

A Delta está no centro das investigações que apuram denúncias de uma rede de corrupção encabeçada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. As suspeitas da Polícia Federal são de que a construtora alimentou doações eleitorais repassadas por Cachoeira.

Empurrão do governo
Cavendish conseguiu um feito raro: em dez anos, fez o faturamento de sua empresa saltar de 67 milhões de reais para 3 bilhões de reais. Conforme levantamento da ONG Contas Abertas, apenas em obras contratadas pelo governo federal, a Delta arrecadou nesse período 4 bilhões de reais. Na segunda metade da década, o empresário - que já exibia a peculiar habilidade de manter bons relacionamentos com gestores públicos, sobretudo no Rio - transformou-se no “príncipe do PAC” ao arrebatar a grande maioria dos contratos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento lançado pelo governo em 2007. Ao final de 2011, a Delta era a principal fornecedora do programa, com contratos avaliados em mais de 2 bilhões de reais.

Risco de quebra
A elevada dependência no faturamento da Delta da realização de obras públicas, que estão no centro do escândalo, pode deixar de ser um feito digno de comemoração para se tornar a ruína de seus negócios. Acuada pelas denúncias, a Delta já começou um movimento de abandono de grandes obras, como a sua participação nos consórcios que tocam a reforma do Maracanã, a construção da TransCarioca e do polo petroquímico de Comperj. Com 25 000 empregados diretos e 5 000 indiretos, a empresa tenta agora evitar o efeito dominó que atingirá outros projetos. Se houver uma sequência de novos cancelamentos, a empresa, conforme as palavras do próprio Cavendish em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, corre o risco de quebrar.

Comunicado
Em nota enviada à imprensa, a Delta confirma que Fernando Cavendish e Carlos Pacheco decidiram se afastar da empresa “como demonstração da isenção com que se pretende que sejam conduzidos os procedimentos da auditoria”.  A empresa também confirma que a direção da Delta ficará à cargo de Carlos Verdini.

O comunicado atribui a Cláudio Abreu, ex-diretor Delta no Centro-Oeste, o envolvimento no esquema de corrupção comandado por Carlinhos Cachoeira. “Foi determinada pela administração da companhia a realização de uma ampla auditoria nos assentamentos da empresa para averiguar todas as práticas de responsabilidade da diretoria do Centro-Oeste. O objetivo é verificar, com base nos dados imediatamente disponíveis à empresa, em que extensão essas ações foram executadas, burlando os procedimentos de controle praticados na companhia”, diz o comunicado. 

Cláudio Abreu, afastado da Delta em março, logo após a polícia deflagrar a Operação Monte Carlo, foi preso na manhã desta quarta-feira pela preso pela Polícia Civil do Distrito Federal em Goiânia. A prisão ocorreu durante a Operação Saint Michel, um desdobramento da Operação Monte Carlo, que desmontou o esquema de jogos ilegais no país comandado por Cachoeira, preso desde fevereiro. A ação é comandada pelo MPDFT e pela Polícia Civil do Distrito Federal e foi deflagrada na madrugada desta quarta-feira.

A Delta encerra o comunicado assegurando que continuará a cumprir os contratos “assumidos com seus fornecedores e clientes, com a habitual regularidade”. 

Por Reinaldo Azevedo

 

SUPREMO RETOMA HOJE JULGAMENTO SOBRE COTAS RACIAIS. NÓS, OS ANTIRRACISTAS, TEMOS O DEVER DE COMBATER A RACIALIZAÇÃO DO BRASIL

O Supremo Tribunal Federal deve retomar hoje o julgamento sobre as cotas raciais nas universidades públicas. Eis mais um tema que desperta paixões e que se abre a todo tipo de feitiçaria interpretativa da Constituição. Não há juízo neste mundo, NÃO À LUZ DA CONSTITUIÇÃO AO MENOS, que consiga dar sentido alternativo ao que vai no caput do Artigo 5º da Constituição, uma cláusula pétrea:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (…)”

Causa finita est. Ou deveria ser ao menos. “Todos” quer dizer “todos” — brancos, mestiços, pretos, amarelos, vermelhos…  Se as circunstâncias, em razão de uma gama enorme de fatores, torna desiguais os homens, desiguais eles são na vida social. E a política existe justamente para que se organizem e busquem viver na prática essa igualdade. Não será DESIGUALANDO-OS DIANTE DA LEI E JOGANDO FORA A CONSTITUIÇÃO que se vai produzir igualdade. O resto é o que chamo feitiçaria interpretativa. Em 2008, o ministro Ayres Britto, agora presidente do tribunal, fez uma afirmação de apelo supostamente poético, que seria endossada por qualquer representante de modelos totalitários do século 20, a saber:
“A verdadeira igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”.

Não! Essa é só a verdadeira desigualdade. O jogo de palavras esconde um conceito terrível: alguns homens estão — os considerados, em princípio, “desiguais” — acima ou fora das leis. Repete, assim, na prática, o primado daquela tal Associação Juízes para a Democracia. O que precisa ser melhorado no Brasil é a escola pública. Ainda que fosse verdade — existem a respeito mais mistificações do que dados — que o regime de cotas amplia o número de negros nas universidades, isso não poderia se dar suprimindo direitos de terceiros, tenham que cor tiverem. Há três ações no Supremo. Uma delas destroça o aspecto supostamente virtuoso da frase da Britto. Explico.

O estudante Giovane Pasqualito Fialho, branco, foi reprovado num vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, embora tenha tido nota superior à de alunos que ingressaram pelo regime de cotas. A frase do ministro Britto, que pretende chamar de “desiguais” os negros, sugerindo que a “desigualdade” de tratamento é necessária para torná-los, então, iguais, ignora que uma outra desigualdade perante a lei se produziu: gente como Fialho teve seu direito suprimido. Entender que um negro ou mestiço tem direito especial a uma vaga, mesmo com nota inferior ao candidato em questão, faz de Fialho, que é branco, o responsável por uma desigualdade que não foi produzida nem por ele nem pelo vestibular da UFRGS, certo? Por que Fialho deveria pagar pessoalmente por isso? Porque é branco? Isso é democracia racial, ministro Britto?

Só há uma resposta para isso, a saber: o bem geral que a lei de cotas produziria, infelizmente, faria mesmo algumas injustiças pontuais no meio do caminho. É outro mimo do pensamento totalitário: alguns terão de pagar pela grandeza e pelo triunfo de algumas ideias,  ainda que com seus direitos individuais. Não há como respeitar a Constituição e aceitar as cotas raciais ao mesmo tempo.

Lembram-se do casamento gay
Embora a Constituição seja explícita AO ESPECIFICAR que união civil é aquela celebrada entre homem e mulher — e, salvo engano, homem é homem, e mulher e mulher, pouco importando a destinação que deem àquilo que Britto chamou o “seu regalo” —, o que fez o Supremo (e por unanimidade)? Apelou ao Artigo 5º da Constituição e determinou que o fundamento da igualdade obrigava a reconhecer a união civil também entre homossexuais. E o próprio Britto foi entusiasta dessa tese.

Muito bem! Mesmo contra a letra explícita de um artigo, apela-se ao fundamento geral da igualdade para aceitar a união civil homossexual. Na hora de decidir sobre as cotas, o que é igualdade no artigo 5º deve ser entendido como “tratar desigualdade os desiguais”? Vale para um caso (mesmo contra a literalidade de um artigo), mas não vale para outro? Muito bem: no argumento de Britto, recorre-se ao tratamento desigual diante da lei para tornar, então, nas suas palavras, os negros iguais aos brancos. Ocorre que esse raciocínio tem uma sobra lógica: os brancos preteridos, embora com nota maior, são, então, iguais a quem ou quê? Ainda que todo branco fosse herdeiro dos escravocratas — inclusive os descendentes de imigrantes que vieram de lascar nas lavouras de café ou na nascente indústria brasileira, enfrentando uma vida maldita de privações —, deveriam pagar as, vá lá, faltas de seus ancestrais? Que diabo de conceito jurídico é esse?

Manifesto antirracialista
Em abril de 2008, 113 pessoas enviaram um manifesto aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Sou um dos signatários. O título é este: “Cento e treze cidadãos antirracistas contra as leis raciais”. Abaixo, transcrevo alguns trechos. A íntegra está aqui. Que fique claro: não tenho a menor esperança de que se vá fazer a coisa certa. Essa é uma das questões que integram o rol das ações politicamente corretas. Ter a ousadia de debatê-la já arma espíritos. É a “democracia” segundo o entendimento de alguns… Bem, não será assim aqui, como vocês sabem muito bem. Seguem trechos do manifesto.

(…)
Nós, intelectuais da sociedade civil, sindicalistas, empresários e ativistas dos movimentos negros e outros movimentos sociais, dirigimo-nos respeitosamente aos Juízes da corte mais alta, que recebeu do povo constituinte a prerrogativa de guardiã da Constituição, para oferecer argumentos contrários à admissão de cotas raciais na ordem política e jurídica da República.

Na seara do que Vossas Excelências dominam, apontamos a Constituição Federal, no seu Artigo 19, que estabelece: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. O Artigo 208 dispõe que: “O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”.
(…)
Apresentadas como maneira de reduzir as desigualdades sociais, as cotas raciais não contribuem para isso, ocultam uma realidade trágica e desviam as atenções dos desafios imensos e das urgências, sociais e educacionais, com os quais se defronta a nação. E, contudo, mesmo no universo menor dos jovens que têm a oportunidade de almejar o ensino superior de qualidade, as cotas raciais não promovem a igualdade, mas apenas acentuam desigualdades prévias ou produzem novas desigualdades:

- As cotas raciais exclusivas, como aplicadas, entre outras, na Universidade de Brasília (UnB), proporcionam a um candidato definido como “negro” a oportunidade de ingresso por menor número de pontos que um candidato definido como “branco”, mesmo se o primeiro provém de família de alta renda e cursou colégios particulares de excelência e o segundo provém de família de baixa renda e cursou escolas públicas arruinadas. No fim, o sistema concede um privilégio para candidatos de classe média arbitrariamente classificados como “negros”.

- As cotas raciais embutidas no interior de cotas para candidatos de escolas públicas, como aplicadas, entre outras, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), separam os alunos proveniente de famílias com faixas de renda semelhantes em dois grupos “raciais” polares, gerando uma desigualdade “natural” num meio caracterizado pela igualdade social. O seu resultado previsível é oferecer privilégios para candidatos definidos arbitrariamente como “negros” que cursaram escolas públicas de melhor qualidade, em detrimento de seus colegas definidos como “brancos” e de todos os alunos de escolas públicas de pior qualidade.
(…)
Raças humanas não existem. A genética comprovou que as diferenças icônicas das chamadas “raças” humanas são características físicas superficiais, que dependem de parcela ínfima dos 25 mil genes estimados do genoma humano. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de 10 genes! Nas palavras do geneticista Sérgio Pena: “O fato assim cientificamente comprovado da inexistência das ‘raças’ deve ser absorvido pela sociedade e incorporado às suas convicções e atitudes morais Uma postura coerente e desejável seria a construção de uma sociedade desracializada, na qual a singularidade do indivíduo seja valorizada e celebrada. Temos de assimilar a noção de que a única divisão biologicamente coerente da espécie humana é em bilhões de indivíduos, e não em um punhado de ‘raças’.” (”Receita para uma humanidade desracializada”, Ciência Hoje Online, setembro de 2006).

Não foi a existência de raças que gerou o racismo, mas o racismo que fabricou a crença em raças. O “racismo científico” do século XIX acompanhou a expansão imperial europeia na África e na Ásia, erguendo um pilar “científico” de sustentação da ideologia da “missão civilizatória” dos europeus, que foi expressa celebremente como o “fardo do homem branco”.
(…)
A meta nacional deveria ser proporcionar a todos um ensino básico de qualidade e oportunidades verdadeiras de acesso à universidade. Mas há iniciativas a serem adotadas, imediatamente, em favor de jovens de baixa renda de todas as cores que chegam aos umbrais do ensino superior, como a oferta de cursos preparatórios gratuitos e a eliminação das taxas de inscrição nos exames vestibulares das universidades públicas. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Programa de Cursinhos Pré-Vestibulares Gratuitos, destinado a alunos egressos de escolas públicas, atendeu em 2007 a 3.714 jovens, dos quais 1.050 foram aprovados em concursos vestibulares, sendo 707 em universidades públicas. Medidas como essa, que não distinguem os indivíduos segundo critérios raciais abomináveis, têm endereço social certo e contribuem efetivamente para a amenização das desigualdades.
(…)
A propaganda cerrada em favor das cotas raciais assegura-nos que os estudantes universitários cotistas exibem desempenho similar ao dos demais. Os dados concernentes ao tema são esparsos, contraditórios e pouco confiáveis. Mas isso é essencialmente irrelevante, pois a crítica informada dos sistemas de cotas nunca afirmou que estudantes cotistas seriam incapazes de acompanhar os cursos superiores ou que sua presença provocaria queda na qualidade das universidades. As cotas raciais não são um distúrbio no ensino superior, mas a face mais visível de uma racialização oficial das relações sociais que ameaça a coesão nacional.

A crença na raça é o artigo de fé do racismo. A fabricação de “raças oficiais” e a distribuição seletiva de privilégios segundo rótulos de raça inocula na circulação sanguínea da sociedade o veneno do racismo, com seu cortejo de rancores e ódios. No Brasil, representaria uma revisão radical de nossa identidade nacional e a renúncia à utopia possível da universalização da cidadania efetiva.
*
Eis alguns dos 113 signatários da carta:
Aguinaldo Silva, Alba Zaluar, Antonio Cícero, Bolivar Lamounier, Caetano Veloso, Demétrio Magnoli, Edmar Lisboa Bacha, Eduardo Giannetti, Eduardo Pizarro Carnelós, Eunice Durham, Ferreira Gullar, Gerald Thomas, Gilberto Velho, João Ubaldo Ribeiro, José Augusto Guilhon Albuquerque, José de Souza Martins, Lourdes Sola, Luciana Villas-Boas, Lya Luft, Maria Sylvia Carvalho Franco, Nelson Motta, Reinaldo Azevedo, Roberto Romano da Silva, Ruth Correa Leite Cardoso, Wanderley Guilherme dos Santos e Yvonne Maggie.

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 6:51

Cachoeira, em pessoa, intermediou conversa entre Protógenes e diretor da Delta! E o agora deputado é membro da CPI!!!

Ai, ai… A CPI do Cachoeira conta com ao menos uma grande piada: chama-se Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), o predileto do apresentador de televisão Paulo Henrique Amorim, cuja altitude moral é conhecida.

Pois é… Não é que Carlinhos Cachoeira — o próprio, em pessoa! — intermediou um encontro de Protógenes com Cláudio Abreu, aquele diretor enrolado da Delta? E quem participa das negociações? Ora, o araponga Dadá, o faz-tudo de Cachoeira, que atuou também em algumas das ilegalidades comandadas por Protógenes na Operação Satisgraha.

Emblema: Protógenes e Dadá combinam de ir juntos para Goiânia, numa carro alugado por Dadá. O agora deputado estava indo para a cidade dar uma palestra sobre combate à corrupção, sabem? Num carro pago por Cachoeira! Leiam o que informam Alfredo Junqueira e Fábio Frabrini, no Estadão:

O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo desde fevereiro, intermediou contatos telefônicos entre o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e o então diretor da Delta Construções no Centro-Oeste, Cláudio Abreu.

Gravações feitas pela PF no dia 8 de maio de 2009, durante as investigações sobre as atividades do grupo liderado por Cachoeira, mostram o contraventor avisando ao executivo que ele receberia uma ligação do parlamentar. Protógenes foi confirmado ontem como representante do PCdoB na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que vai investigar as ligações do contraventor entre políticos e empresas.

Cachoeira explica que seu braço direito, o araponga Adalberto Matías Araújo, o Dada, está a caminho da casa do deputado. A missão de Dadá era colocar Protógenes e Abreu em contato pelo telefone. “Fica com o rádio ligado que o menino tá te ligando aí agora, do Protógenes, o Protógenes vai falar com você agora”, diz Cachoeira.

O então diretor da Delta afirma que ainda não recebeu o telefonema, mas vai ficar esperando. Duas horas depois, os dois voltam a se falar. Eles, então confirmam que o deputado vai conversar pelo telefone, por intermédio de Dadá. Depois, Abreu ainda comenta que está com problemas para fechar o preço para vencer uma licitação na cidade de Trindade, em Goiás.

Protógenes, que só viria a ser eleito em outubro de 2010, havia acabado de ser afastado da Polícia Federal, acusado de ter cometido irregularidades quando comandava o inquérito da Operação Satiagraha.

Dez dias depois, em outra ligação telefônica gravado pela PF, Dadá e Protógenes combinam ir juntos a Goiânia. O delegado afastado explicou ao braço direito de Cachoeira que iria dar uma palestra na cidade. Ele pretendia chegar cedo, pois queria “almoçar lá com aqueles amigos”. Os dois combinam de viajar juntos num carro que seria providenciado pelo araponga.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 6:47

“É a CPI Jim Jones. Vai morrer todo mundo abraçado”

Por Maria Lima, no Globo:
O clima de apreensão, principalmente no PT e no Planalto, aumentou muito nesta terça-feira com os rumos que vem tomando a CPI Mista do Cachoeira. Antes manifestadas reservadamente, as preocupações foram explicitadas depois que o líder do PR, senador Blairo Maggi (MT), comunicou, em reunião dos líderes da base com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que o ex-diretor do Dnit Luiz Antônio Pagot está incontrolável, depois de ter se desligado do PR.

Em meio ao susto, alguns parlamentares davam nesta terça-feira novo apelido à investigação: CPI Jim Jones, porque “vai morrer todo mundo abraçado”, numa referência ao suicídio coletivo em 1978, na Guiana, que tinha à frente um líder de uma seita americana. “O Pagot é um fio desencapado. Está descontrolado. Já avisou que quer ser o primeiro a depor na CPI e vai falar de tudo quanto é obra de rodovia e quem ordenou os contratos bichados em cada estado”, disse Blairo a Ideli, segundo relato de um dos participantes.

Na reunião da bancada do PT mais tarde, para a escolha dos nomes, também se temia a imprevisibilidade com os rumos da CPI. Alguns opositores da CPI no PT admitem que os líderes se precipitaram em sua criação, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) se negou a enviar os autos dos inquéritos da Operação Monte Carlo. O senador Wellington Dias (PT-PI) disse que há alguns dias ponderou que a CPI não vai avançar na área de investigação: “Eu ponderei: se já está tudo apurado e em fase de julgamento para que CPI? Vai ser uma CPI meramente política. Mas com o carro a 200 quilômetros por hora não tinha como parar, qualquer um que recuasse pareceria medo de ser investigado”, disse Wellington Dias, nesta terça-feira.

Nos bastidores, não se descarta nem a apresentação de requerimentos para convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. E até ministros do STF poderiam ser convocados. “ Essa CPI é imprevisível. Ninguém sabe onde vai dar, não”, dizia Blairo, no final da tarde. O senador Pedro Taques (PDT-MT), da ala independente, não descarta retomar casos de antigos personagens como o ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil Waldomiro Diniz e o escândalo da Gtech.

Por Reinaldo Azevedo

 

25/04/2012 às 6:45

Delta vai abandonar agora obras da Petrobras

Por Denise Lima, na Folha:
A construtora Delta vai abandonar as obras que está fazendo para a Petrobras no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e na Reduc (Refinaria Duque de Caxias), ambas no Estado do Rio de Janeiro. Só para as obras do Comperj, a Delta tem dois contratos que, somados, chegam a quase R$ 800 milhões. A baixa performance da empreiteira nas obras, com atrasos no cronograma, estaria desagradando a Petrobras há algum tempo. A empreiteira já teria manifestado à petroleira sua intenção de sair das duas obras. A Delta foi contratada para participar da construção do Comperj após vencer licitação em 2010. Nos dois contratos tem como sócias as empresas TKK e Projectus, que poderiam assumir a participação da empresa.

A Petrobras vem conversando com as três empresas para encontrar uma solução para o problema.  Um dos contratos, no valor de R$ 488,8 milhões, se refere a montagem eletromecânica da unidade de recuperação de enxofre. O outro contrato, para a construção de uma unidade de nafta, é de cerca de R$ 300 milhões. As obras do Comperj estão paradas há 15 dias devido a greve de operários que reivindicam melhorias salariais. A previsão é que o complexo, composto por uma refinaria e unidades fabricantes de produtos petroquímicos, com capacidade para processar 165 mil barris diários de petróleo, fique pronto em 2014. A estimativa inicial era a de que ele entrasse em operação neste ano.

Na Reduc, a Delta atua sozinha na duplicação do parque de expedição de diesel, mas o valor do contrato não foi divulgado. A Folha apurou que a Petrobras avalia se aplicará multa pelos atrasos ou se apenas fará a rescisão. Procurada pelaFolha, a Petrobras não confirmou a intenção de afastar a Delta das obras.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Sabe o que é sentir vergonha alheia? Fico pasmo com representantes como este Dep. Jilmar Tatto do PT, da sua paupérrima argumentação apresentada para demover da sua intenção os colegas dispostos a votar a favor do Relatório do Dep. Paulo Paiau. Outro, não muito mais "LETRADO" é o Dep. Paulo Teixeira, também de SP e um tal de Macedo do PT de Sergipe. Façam me o favor, estes caras precisam tomar umas aulas de concordância verbal e até sobre o singular e o plural.

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