O “Veta, Dilma” da Camila pode custar R$ 130 bilhões por ano. “Pensa, Dilma!”

Publicado em 13/05/2012 16:46 e atualizado em 26/06/2013 17:38 1447 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da CNA, publica hoje um artigo na Folha que é de leitura obrigatória. E mais deveriam se sentir obrigados a lê-lo os que aderiram ao tal “Veta, Dilma” (sim, queridos, até Camila Pitanga poderia fazê-lo) e os ecologistas. Ocorre que essa turma rejeita o debate. Não quer ganhar consciências. Está em busca de inocentes de bom coração. Se Dilma fizer o que pedem, haverá uma diminuição da área plantada no país de 33 milhões de hectares. Não serão prejudicados apenas pequenos e médios produtores. Será pior para o país. Seguem trechos do artigo.

(…)

Será que é racional abrir mão de 33 milhões de hectares da área de produção de alimentos, que representam quase 14% da área plantada, para aumentar em somente 3,8 pontos percentuais a área de vegetação nativa do país? Essa troca não me parece justa com os brasileiros, pois corremos um alto risco de aumento no preço dos alimentos sem um ganho equivalente na preservação ambiental. Reduzir 33 milhões de hectares nas áreas de produção agropecuária significa anular, todos os anos, cerca de R$ 130 bilhões do PIB (Produto Interno Bruto) do setor. Para que se tenha uma noção do que representam 33 milhões de hectares, toda a produção de grãos do país ocupa 49 milhões de hectares.

O Código Florestal não foi construído para agradar a produtores ou ambientalistas, mas, sim, para fazer bem ao Brasil. Agora, está nas mãos da nossa presidente, a quem cabe decidir, imune a pressões, o que é melhor para sermos um país rico, um país sem miséria, que é a grande meta da sua gestão. A utopia ambientalista, no entanto, não respeita a democracia política, muito menos a economia de mercado. Há líderes do movimento verde que pregam abertamente um Estado centralizado, com poderes para determinar a destinação dos recursos, da produção e até mesmo do consumo. Nesse tipo de sociedade autoritária, não há lugar para a liberdade e para as escolhas individuais. Salvam a natureza e reduzem a vida humana à mera questão da sobrevivência física.

Mas slogans fáceis e espetáculos midiáticos não podem ofuscar a eficiência da agropecuária verde-amarela. O Ministério da Agricultura acaba de divulgar os dados do primeiro quadrimestre de 2012. Exportamos US$ 26 bilhões, gerando superavit de US$ 20,8 bilhões. Nunca é demais lembrar que o agro exporta somente 30% de tudo o que produz. E, para isso, usa apenas 27,7% do território, preservando 61% com vegetação nativa. Qual país do mundo pode ostentar uma relação tão generosa entre produção e preservação?

Os ambientalistas, em sua impressionante miopia, ainda cobram que a agropecuária deva elevar a produtividade. Nos últimos 30 anos, com apenas 36% a mais de área, a produção de grãos cresceu 238%! Eles não consideram que os índices brasileiros já são elevados e que aumentos são incrementais.
(…)
É inaceitável que o Brasil abra mão da sua capacidade produtiva, deixando de contribuir plenamente para a redução da pobreza, já tendo a maior área de preservação do mundo.

Por Reinaldo Azevedo

 

12/05/2012 às 6:41

Emprego na indústria continua em queda

Por Lucas Vettorazzo, na Folha:
O total de empregos na indústria continua diminuindo, acompanhando o baixo desempenho da produção brasileira. A redução atingiu em março nove dos 14 Estados verificados pelo IBGE. São Paulo foi o que mais sofreu, com redução de 3,2% nesse mês. Já o Paraná foi o estado com maior alta de emprego na indústria, de 3,2% em março. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o volume de pessoal ocupado assalariado recuou no mês 0,4% em relação a fevereiro.

O resultado segue as duas quedas registradas no ano, em janeiro (-0,3%) e fevereiro (-0,1%). Frente a março de 2011, o indicador apurou retração de 1,2%, o pior índice mensal desde dezembro de 2009, quando o recuo atingiu 2,4%.O índice acumula queda de 0,8% no ano. Já nos últimos 12 meses a partir de março, houve avanço de 0,2%, mas continua desacelerando desde fevereiro de 2011, quando subiu 3,9%.

SETORES
Onze dos 18 setores pesquisados pelo IBGE apresentaram queda na ocupação em março frente ao observado um ano antes. Aqueles que mais sofrem com a competição externa continuam sendo os mais afetados. Fumo (-13,9%), madeira (-8,9%), vestuário (-6,8%), calçados e couro (-6,5%), produtos de metal (-6,2%) e têxtil (-5,7%) tiveram as piores quedas. Além desses, borracha e plástico (-3,8%), papel e gráfica (-3,7%) e metalurgia básica (-2,8%) acompanharam o desempenho ruim.

“A indústria têxtil e de vestuário vem sofrendo há algum tempo com a competição com os produtos chineses e com o câmbio desfavorável”, afirmou o economista da Coordenação de Indústria do IBGE, Fernando Abritta.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

11/05/2012 às 22:35

Parlamentares apontam tentativa de desvirtuar CPI e intimidar PGR e imprensa

Da Agência Senado:
(…)
O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, afirmou hoje que está em curso uma “tentativa de desvirtuamento” da CPI do Cachoeira. Em nota, o tucano afirma que o objetivo é prejudicar o julgamento do mensalão, com vazamentos seletivos, blindagem de autoridades envolvidas com Cachoeira, e tentativa de calar a imprensa. Ele também aponta a negociação da empreiteira Delta, que teria ligações com o contraventor por meio de seu diretor no Centro-Oeste.

Guerra qualifica a operação de venda da empreiteira como tendo “transparência duvidosa e com o apoio do governo federal”. “Trata não apenas de favorecimento à referida blindagem, mas é também de interesse de seus acionistas, que deveriam estar expostos à devida investigação. Em dura crítica aos petistas, Guerra afirma que está “clara” a estratégia de atentar contra a liberdade de imprensa, para proteger os envolvidos no mensalão.

“Na CPMI, os propósitos dos petistas são rigorosamente de tumultuar o julgamento — que, aliás, o povo faz fez e que a imprensa, certamente, o fará também — deste deplorável episódio do mensalão, que é a marca de práticas condenáveis e são a síntese da ação desestruturante e antidemocrática do PT”, afirmou Guerra, em nota divulgada nesta sexta-feira.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), saiu em defesa do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e disse que a legislação proíbe sua convocação.

“Querer convocá-lo é uma tentativa de desgastá-lo. É da lei, ele não pode comparecer. Isso é afrontar a legislação. Seria demiti-lo da função de denunciar os criminosos que estão sendo acusados agora”, disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), que se encontrou recentemente com Gurgel.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) defendeu também, no Senado, que Gurgel não pode ser chamado a depor. Para ele, o pedido é uma “manobra para desviar as atenções do foco principal da CPI e em relação ao julgamento do Mensalão, que se aproxima”. De acordo com Aloysio Nunes, se, em 2009, o processo fosse aberto, Cachoeira e seu grupo poderiam ter conhecimento de que os aparelhos Nextel por eles utilizados eram vulneráveis ao monitoramento da policia, e imediatamente teriam buscado outro meio de comunicação. Com isso, não haveria o desdobramento da operação que hoje trouxe a público o esquema montado em torno do jogo ilegal.

Por Reinaldo Azevedo

 

11/05/2012 às 21:43

Ministro do STF decide na segunda se depoimento de Cachoeira à CPI será ou não adiado

Por Felipe Seligman, na Folha Online. Volto em seguida.
A defesa do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, entrou com um pedido no STF para adiar o depoimento na CPI que investiga seu suposto esquema de corrupção, marcado para a próxima terça-feira(15). Ele argumenta que o presidente da CPI, deputado Vital do Rego (PMDB-PB), não permitiu que ele tenha acesso ao material colhido pela comissão e que não poderia prestar esclarecimentos sem saber sobre o que ele é investigado.

“É imperativo que Carlos Augusto e seus advogados conheçam previamente todas as provas que poderão servir de substrato aos questionamentos que decerto lhe serão dirigidos pelos parlamentares”, diz o habeas corpus impetrado pelo advogado de Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos. Ele também pediu que o STF determine que Vital do Rego permita “em prazo razoável antes de sua oitiva, compulsar e copiar todo o material das Operações Vegas e Monte Carlo que se encontra na CPI”. O pedido foi encaminhado ao ministro Celso de Mello. Seu gabinete informou que o caso já está sendo analisado, mas que a decisão não deverá sair até a próxima segunda-feira (14).

Voltei
Em tempos de vale-tudo, também o noticioso, é preciso ter muito cuidado. Vamos ver: todo mundo tem o direito de saber do que está sendo acusado. Ou como se defender? Isso vale para qualquer um, até para Carlinhos Cachoeira. Assim, é grande a chance de que Celso de Mello, por motivos estritamente técnicos, diga “sim” ao pleito de Márcio Thomaz Bastos.

E se disser “não”? Certamente Bastos voltará à Justiça para que seu cliente tenha o direito de ficar calado na CPI. E aí será pule de dez: vai conseguir porque ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo.

Caso Celso de Mello, na segunda, concorde com o adiamento, não entrem na conversa de que isso é conspiração em favor da impunidade ou sei lá o quê. Cachoeira, seus sequazes, os mensaleiros, os pilantras etc., toda essa gente tem de ser punida em nome do triunfo da lei. E tem de ser punida segundo a lei.

Por Reinaldo Azevedo

 

11/05/2012 às 21:18

A conversa frouxa da cientista política sobre a Comissão da Verdade no JN

Vi há pouco uma cientista política — desculpem, não vi o nome da moça — a afirmar no Jornal Nacional que a Comissão da Verdade vai pôr o Brasil um passo à frente na revisão do regime militar, no sentido do que se vem fazendo na América Latina.

Entendi, pelo juízo da moça, que a nossa democracia estaria, então, mais atrasada. Está? A Argentina está “revendo” o seu passado há muitos anos. E as ações só têm servido de pretexto para o kirchnerismo destruir a democracia à sua maneira. Na conta daquela senhora, certamente não estão paraísos democráticos como Cuba, por exemplo.

Mas ela foi adiante: disse que a Comissão da Verdade não pode, “EM PRINCÍPIO”, responsabilizar criminalmente este ou aquele.

“Em princípio”??? Não pode é na letra da lei mesmo! Escrevi nesta manhã o que há de errado POR PRINCÍPIO nessa comissão.

Por Reinaldo Azevedo

 

11/05/2012 às 21:00

Haddad nem mesmo se esforça para demonstrar que existe

Não tenho bola de cristal e não sei, portanto, se o petista Fernando Haddad será ou não eleito prefeito de São Paulo. Ninguém tem o direito de duvidar se sua eleição seria do meu gosto. Como não recorro aos métodos do JEG ou da BESTA, jamais apelo à mentira. Lido apenas com as verdades que dizem respeito a Haddad — e a qualquer outro — e digo o que penso a respeito.

Anteontem, veio a público uma nova pesquisa eleitoral, desta vez do Ibope. O petista aparece com 3% dos votos — e 12% de rejeição. Os petistas estão enfrentando algumas dificuldades para fazer alianças. Haddad faz de tudo para ser notícia. Uma de suas práticas consiste em ser judicioso sobre programas da Prefeitura que estão em curso. Tem valido de tudo para conseguir título em jornal. Vejam o que se lê agora no Estadão Online. Volto em seguida.

Por Daiene Cardoso:
O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, informou nesta sexta-feira, 11, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará disponível para entrar em sua campanha a partir da próxima terça-feira, 15. Nesta semana, Lula encontrou-se com Haddad e com o marqueteiro João Santana para pedir que eles produzam um cronograma de atividades conjuntas. “Ele nos deu autorização para que nós elaborássemos uma programação conjunta”, contou Haddad, durante visita à região da Casa Verde, na zona norte da Capital.

Segundo Haddad, Lula recebeu o aval da equipe médica responsável por seu tratamento de combate a um câncer na laringe para que ampliasse sua agenda de atividades. Além das atividades de campanha, Haddad afirmou que Lula quer a sua presença também em eventos de sua agenda pessoal. “O presidente terá algumas atividades e ele já pediu a minha presença”, frisou.

O pré-candidato petista confirmou que paralelamente às negociações do PT municipal com partidos aliados do governo Dilma Rousseff, Lula se dedicará nos próximos dias a fechar negociações com os diretórios nacionais dessas legendas, dentre elas PSB, PCdoB e PR. “O presidente vai manter conversações com os partidos e nós vamos falar com os presidentes municipais desses partidos”, afirmou.
(…)
Voltei
Sabem o que mais me impressiona nesse rapaz — além da comprovada incompetência demonstrada no Ministério da Educação? Ele não tem a menor independência e faz questão de demonstrar isso. Seu grande ativo, ele é o primeiro a evidenciá-lo, é ter sido “eleito” por Lula. Vejam ali o que informa o Estadão. Qual é a notícia? Qual é o lead? Este: “Haddad informa que Lula entra na sua campanha na terça-feira”.

Não é impressionante?

Isso quer dizer o que quer dizer: não tem apoio ainda no PT, não tem apoio do eleitorado, não tem apoio de outros partidos. Tudo depende de Lula usar seu prestígio e influência para mobilizar todos esses grupos. Parece brincadeira. Se Lula não existisse, então, nem pudesse entrar na sua campanha, não haveria candidatura. É um político que tem existência apenas derivada.

Convenham: é um troço patético! É isso o que alguns analistas isentos (mas petistas de alma ou de serviço) chamam de “novidade” no processo eleitoral de São Paulo, entenderam? A novidade consiste em haver um candidato ignorado pelo grande eleitorado e até pelo eleitorado do próprio PT. A novidade é haver um nome eleito por um homem só: o coronel Lula.

E Haddad não disfarça essa condição. Ainda que quisesse, que alternativa teria?

Por Reinaldo Azevedo

 

11/05/2012 às 19:53

Planalto nega em nota oficial interferência na venda da Delta

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nota oficial negando a interferência do governo na compra da Delta pelo grupo JBS, de que o BNDES é acionista.

Em relação às negociações sobre a mudança do controle da Delta Construção, o governo federal reitera que não interfere em operações privadas.

São falsas, portanto, as ilações de que a referida operação teve aval deste governo.

O governo alerta que está em curso na Controladoria Geral da União processo de decretação de inidoneidade da Delta Construção. Caso a CGU conclua pela condenação, a empresa estará impedida de ser contratada pela administração pública, nos termos da Lei 8.666 de 1993, com consequências econômicas presentes e futuras.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.”

Voltei
Ok. Tem focinho de cachorro, corpo de cachorro, patas de cachorro, rabo de cachorro, late como cachorro, mas não é cachorro. A minha questão permanece: o BNDES será, ainda que indiretamente, sócio de uma empresa que pode ser considerada inidônea pelo próprio governo?

Por Reinaldo Azevedo

 

11/05/2012 às 19:40

A última da esgotosfera sobre Mario Sabino

Os blogueiros do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) e da BESTA (Blogosfera Estatal) começaram a espalhar que o jornalista Mario Sabino foi contratado pela equipe de pré-campanha do tucano José Serra, que vai disputar a Prefeitura de São Paulo. Bem, é mentira, como quase tudo o que se publica por lá. Fábio Portela, que vai coordenar a área de comunicação da campanha de Serra, confirma: trata-se de um boato sem fundamento. Conversei com Sabino: “Esses caras poderiam fazer nem que fosse meio jornalismo. Se não querem ouvir os dois lados, que ouvissem ao menos um: eu ou os auxiliares do pré-candidato tucano. Mas pra quê? Ouvir as pessoas é parte do trabalho de jornalistas que querem informação. Como eles produzem só maledicência e fofoca, não precisam ouvir ninguém. Produzem o lixo sem a ajuda de ninguém”.

Assim, trata-se de uma informação falsa. Mas, do outro lado do rio, é verdade que Maria Inês Nassif, a irmã do irmão, foi contratada pelo Instituto Lula. Os dois estão de parabéns! É um caso de merecimento recíproco.

Por Reinaldo Azevedo

 

11/05/2012 às 18:53

Holding da JBS desautoriza um dos sócios da empresa e nega atuação do governo na compra da Delta

Pegou mal, evidentemente, a entrevista à Folha concedida por José Batista Junior, um dos acionistas da JBS, que decidiu comprar a construtora Delta. Na contramão do que vinha afirmando o governo, ele sustenta que o Planalto acompanha tudo de perto. De modo inequívoco, chamou a outra versão de “conversa de bêbados”. A holding da JBS, a J&F, resolveu divulgar uma nota desautorizando José Batista.  Leiam o que informa a Folha Online  (aqui e aqui):
*
A J&F Participações, holding da JBS, negou nesta sexta-feira (11) que o acordo para assumir a gestão da construtora Delta tenha sofrido interferência do governo federal no negócio. Em nota divulgada à imprensa, a empresa afirma que “a participação do BNDESPar na JBS não o torna acionista direta ou indiretamente de nenhuma empresa da holding, nem dá o direito de qualquer interferência política na J&F”. A holding J&F, controladora de empresas como o frigorífico JBS e a Vigor, confirmou nesta semana o acordo para assumir a gestão da Delta Construções.

A nota ainda diz que o acionista José Batista Junior não ocupa um cargo executivo no grupo há sete anos nem participa das decisões estratégicas da holding. E que, portanto, não foi envolvido na negociação com a Delta. “Suas declarações refletem única e exclusivamente uma opinião pessoal, que está em completo desacordo com os fatos ocorridos”, informa a nota. Em entrevista à Folha, no entanto, Junior afirmou que o governo foi consultado e deu aval à decisão de sua família de comprar a construtora Delta para impedir a paralisia de suas obras. “O governo quer que salve a companhia e dê continuidade às obras. Não quer que quebre a empresa”, disse o empresário, o primogênito da família Batista.
(…)
BNDES
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou nesta sexta-feira que o banco vai “zelar” para que compra da Delta pelo grupo J&F não traga “nenhum risco” para a instituição, sócia da JBS, principal empresa do grupo. Em resposta ao pedido de abertura de investigação do Ministério Público Federal – que inclui a solicitação de suspensão de novos aportes do BNDES à companhia –, Coutinho disse que a operação de aquisição da Delta “é apartada” da JBS, companhia com a qual o banco tem relacionamento.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Este homem sabe tudo sobre o maior escândalo da história política do país e diz: “Chamar o mensalão de farsa é chamar o procurador-geral e os ministros do Supremo de farsantes”

Antônio Fernando de Souza:

Antônio Fernando de Souza: "Negar a existência do mensalão é querer apagar a história do país" (Foto: Joédson Alves/Folhapress)

Antônio Fernando de Souza, ex-procurador-geral da República, foi quem denunciou ao Supremo Tribunal Federal a quadrilha do mensalão, chefiada por José Dirceu, o deputado cassado por corrupção. É o maior escândalo da história republicana. Na verdade, é o maior escândalo da história brasileira. Nesse caso, com absoluta precisão, pode-se dizer que “nunca antes nestepaiz” um partido político havia tentado comprar um dos Poderes da República (o Legislativo), tornando-o irrelevante, ou substituir o Executivo por um governo paralelo. Os petistas, obviamente, não inventaram a corrupção. Eles só a levaram a dimensões inéditas. Achando que era pouco, tentaram transformá-la num ato de resistência.

Não contente com todo o mal que causou ao país, José Dirceu, aquele que é apontado na denúncia da Procuradoria Geral da República como o “chefe da quadrilha”, tenta agora arrastar as instituições para a lama. Em vez de deixar que a CPI que investiga as ações de Cachoeira siga o seu curso, punindo corruptos e corruptores, esforça-se para usá-la como palco de suas manobras defensivas. Atua nos bastidores, usando como arma a pena de aluguel do subjornalismo a soldo, para manchar a reputação da Procuradoria, do Supremo e da imprensa — não por acaso, três instâncias fundamentais do estado democrático e de direito.

Souza concedeu a Hugo Marques, na edição desta semana da VEJA, uma entrevista que precisa ser lida e espalhada na rede. Falou com serenidade e precisão:
1 - chamar o mensalão de farsa corresponde a chamar de farsantes o procurador-geral e os ministros do Supremo;
2 - negar a existência do mensalão é negar os fatos; é querer apagar a história;
3 - existem provas periciais demonstrando que dinheiro público foi usado na lambança;
4 - réus confessaram os crimes;
5- os réus do mensalão praticaram lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, peculato, evasão de divisas, formação de quadrilha e falsidade ideológica;
6 - a sociedade brasileira espera um julgamento justo e correto.

Leiam a entrevista e contribuam para que ela chegue ao maior número possível de brasileiros. E vamos torcer para que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo, conclua o quanto antes a revisão do processo para que possa haver o julgamento.
*
Em 2006, o então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, transformou em réus quarenta petistas e aliados. Eles operavam o que foi caracterizado na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal de “sofisticada organização criminosa”, encabeçada pelo ex-ministro José Dirceu. Agora, com a proximidade do julgamento, o ex-chefe do Ministério Público afirma que a tentativa de negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.

O senhor sofreu pressão para não apresentar a denúncia do mensalão?
Não. Minha postura reservada sempre inibiu qualquer atitude desse tipo. Nunca assumi nenhum compromisso com as autoridades que me procuraram. Fiz meu trabalho da forma mais precisa e célere possível. Tinha 100% de convicção formada. Conseguimos fazer a relação entre os fatos e montamos o quebra-cabeça do esquema, tudo em cima de documentos, de provas consistentes.

O PT tem se dedicado a difundir a versão de que o mensalão não passa de uma farsa… Chamar esse episódio de farsa é acusar o procurador-geral e os ministros do Supremo de farsantes. Dizer que aqueles fatos não existiram é brigar com a realidade, é querer apagar a história. Esse discurso não produzirá nenhum efeito no STF. Os ministros vão julgar o processo com base nos autos. E há inúmeras provas de tudo o que foi afirmado na denúncia. Depoimentos, extratos bancários, pessoas que foram retirar dinheiro e deixaram sua assinatura.

O senhor se sente incomodado com isso?
Na democracia, todas as pessoas estão sujeitas à fiscalização, ao controle, à responsabilização, e há órgãos dispostos a isso. Não serão os partidos políticos nem seus dirigentes que vão dizer o que é crime e o que não é crime. Quando eles querem transmitir um ar de que não aconteceu nada, estão indo para o reino da fantasia. Negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.

Como o senhor vê as afirmações do atual procurador-geral, Roberto Gurgel, de que está sofrendo ataques de mensaleiros com medo do julgamento?
Se ele fez essa acusação, preciso admitir que tem elementos para justificá-la. A CPI está se preocupando com um assunto que não tem relevância para o seu trabalho. O procurador-geral avaliou que a Operação Vegas não produziu evidências suficientes para pedir indiciamentos, mas não arquivou o inquérito - inclusive a pedido da Polícia Federal - para não prejudicar o andamento das investigações da Operação Monte Carlo. E a estratégia se mostrou bem-sucedida.

Está comprovado que o PT utilizou dinheiro público no mensalão?
Quem vai fazer esse juízo é o Supremo. Da perspectiva de quem fez a denúncia e acompanhou o processo até 2009, digo que existe prova pericial mostrando que dinheiro público foi utilizado. Repito: há prova pericial disso. E o Supremo, quando recebeu a denúncia, considerou que esses fatos têm consistência.

O ex-ministro José Dirceu afirma que o senhor o apontou como chefe de uma organização criminosa para se vingar do fato de ele nunca tê-lo recebido na Casa Civil.
Nunca tive nenhum interesse em falar com ele. A minha escolha como procurador-geral foi feita pelo presidente da República. Uma denúncia é formalizada somente se há elementos probatórios sobre uma conduta criminosa. Sentimentos pessoais não entram em jogo. Tudo o que se fala em relação à conduta dessa pessoa tem se revelado verdadeiro na prática. Reduzir uma denúncia dessa gravidade a uma rusga do procurador-geral é quase risível.

Como o senhor vê essa tentativa de usar a CPI para desviar o foco do julgamento do mensalão?
É normal que quem está denunciado fique tenso às vésperas do julgamento. O julgamento no Supremo Tribunal Federal é uma decisão definitiva. Vivemos num país democrático, num estado de direito. O Supremo jamais faria um justiçamento, vai fazer um julgamento. Tem prova, tem condenação; não tem prova, não tem condenação.

O que o senhor achou da iniciativa de alguns parlamentares de tentar usar uma CPI para investigar a imprensa?
A imprensa não faz processo penal, a imprensa dá a notícia, dá a informação. Parece mais um meio de desviar a atenção do inquérito fundamental.

Os acusados tentam reduzir o caso a um crime eleitoral. É uma boa estratégia?
A referência que fazem é que a movimentação de dinheiro tinha origem em caixa dois de campanha. Do ponto de vista ético e jurídico, isso não altera nada. Quando há apropriação do dinheiro público, não é a sua finalidade que vai descaracterizar o crime. No processo do mensalão, temos imputação de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, ativa, peculato, evasão de divisas, quadrilha, falsidade ideológica. Crimes assumidamente confessados. Eles não podem deixar de admitir.

O governo passado indicou a maioria dos ministros que, agora, vão julgar muitos de seus aliados. Isso pode influir de alguma maneira no resultado?
Uma pessoa, quando aceita ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, sabe das responsabilidades que tem e vai cumpri-las. Toda a sociedade espera um julgamento justo e correto. Que esse processo sirva para o amadurecimento da democracia.

Texto publicado originalmente às 5h56

Por Reinaldo Azevedo

 

13/05/2012 às 8:11

PETRALHA FRAUDA O PASSADO, O PRESENTE E PROMETE FRAUDAR O FUTURO. OU: RELINCHOS!

Petralha é bicho burro, intelectualmente preguiçoso, moralmente vagabundo e não tem ambição de pensar segundo seus próprios critérios: segue a orientação do chefe e pronto! Publiquei ontem aqui um post intitulado Os 20 motivos de Collor para odiar a VEJA. Ou: O PT de antes e o PT de agora. Ali estão nada menos de 20 capas de revista dedicadas ao agora caçador de jornalistas. Ele certamente não gostou de nenhuma delas — mas os méritos eram todos seus, evidentemente.

Os vadios da Internet vieram em coro, certamente obedecendo a algum comando: “E aquela capa da VEJA sobre o caçador de marajás? Por que você esconde?”.

Eu escondo? Eu mostro! Olhem ela aqui:

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O que há de errado com ela? É de 23 de março de 1988. As eleições presidenciais só seriam realizadas em novembro de 1989, um ano e oito meses depois. À época, o então governador de Alagoas estava em luta contra os altos salários pagos a muitos funcionários do Estado, os tais “marajás”. Esse era um epíteto pelo qual era conhecido — não foi uma invenção de VEJA. De resto, a luta era, em si, correta.

Ocorre que essas múmias, que vão beber na fonte do JEG e da BESTA, são destituídas de pensamento lógico. Eu fiz o elenco das VINTE CAPAS DE QUE COLLOR NÃO GOSTOU. É possível que ele tenha gostado de uma ou duas, não é mesmo? A propósito: em março de 1988, VEJA deveria tê-lo atacado porque estava combatendo altos salários ilegais? Pelo amor de Deus! Tentem argumentar tirando as duas patas dianteiras do chão. Cessem ao menos o relincho para ver se ouvem a voz de algum pensamento. Mas não terminei, não! E o que me dizem desta capa?

 

capas-1988-1989-brizola

É de junho de 1989. Leonel Brizola deve ter gostado. Sei não… Talvez houvesse algum brizolista infiltrado na VEJA, hehe. Eu não teria lhe conferido esse olhar visionário, como quem enxergasse o futuro. Afinal, Brizola só sabia olhar para trás — tinha, como nenhum outro, a lanterna na popa. Quem o atacava muito era um certo Lula… Mas VEJA foi generosa com ele, como foi nesta outra capa aqui, ó, de 6 de setembro de 1989.

 

capas-1988-1989-lula

A cara de Lula, a bandeira vermelha e o punho, tudo isso é obra do PT e do próprio candidato. De resto, há muito petista que sente saudade dessa estética até hoje, não é mesmo? Sei não… Deveria haver petistas infiltrados em VEJA… Eram tempos  em que os petistas não reclamavam da imprensa — muito pelo contrário.  Collor venceu, e a capa foi esta:

 capas-1988-1989-vitoria-de-collor

Evidentemente, a única imagem possível era a do seu triunfo. Mas o título já alertava para as dificuldades: 49,94% contra 44,23% — um país, vá lá, quase dividido. O viés já era crítico. Vieram, depois, as vinte capas.

Pô, petralhas! Os blogs da canalha a soldo estão lá, às moscas! São financiados com o nosso dinheiro. Vão lá, vão, prestigiar as estatais que pagam os sabujos. Deixem a minha página para os bípedes de coluna ereta. Deixem a minha página para quem gosta de opinião, sim, mas opiniões que tenham como princípio a verdade dos fatos. Vocês gostam é de mentira! Isso não posso lhes oferecer.

Para fazer jornalismo independente, é preciso pagar as próprias contas e ser dono das próprias calças. Sem isso, não dá para ser dono nem da própria opinião.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/05/2012 às 6:59

É ISTO O QUE OS TARADOS EM CENSURA QUEREM NO BRASIL! ESTE É O PARAÍSO DE RUI FALCÃO E DA SÚCIA QUE O APLAUDE

“Antigamente, os generais das ditaduras militares não se preocupavam com a opinião pública e simplesmente assassinavam os jornalistas. As agressões à liberdade de expressão hoje são baseadas em outra estratégia. São feitas em nome de causas como a da justiça social, dos pobres, do socialismo, dos trabalhadores. Infelizmente, muitos caem nessa história, usada apenas como uma lona para encobrir perseguições. Ao contrário das ditaduras militares de direita, os governos autoritários de esquerda sempre justificaram a repressão à liberdade de expressão com historinhas, mitos e teses sociológicas. A brutalidade só não é maior porque a situação não permite. É impossível que um crime seja mantido em segredo absoluto atualmente.”

O leitor pode achar que as palavras acima compõem trecho de um dos muitos textos que publiquei sobre liberdade de imprensa. Mas não! O autor da afirmação é o jornalista equatoriano Emilio Palacio, que teve de deixar o seu país. O protoditador Rafael Correa o queria na cadeia — assim como Fernando Collor e alguns petistas queriam um jornalista de VEJA na CPI (por enquanto, claro…). A Justiça do país, rendida ao tiranete, aplicou-lhe uma multa, pasmem!, de US$ 40 milhões! Por quê? Palacio desmontou uma farsa armada pelo tiranete, que acusou uma falsa tentativa de golpe para conseguir poderes extraconstitucionais.

Na Venezuela, na Argentina, no Equador, na Bolívia — e, em muitos aspectos, também no Brasil —, a justificativa é sempre a mesma: “a direita e os conservadores conspiram contra os governos populares; logo, é preciso fazer alguma coisa…” Por aqui, as iniciativas oficiais do governo Lula em favor da censura foram prontamente rechaçadas. Dilma não deu sinais até agora de que pretenda seguir os passos do antecessor nesse particular.

Entre nós, o ataque à imprensa livre é promovido por uma rede criminosa —  como relata VEJA neta semana, frauda até a Internet — que pratica o mais asqueroso jornalismo chapa-branca. Se, sob Dilma, não se pode dizer que o governo tenha agido contra a liberdade de imprensa, é fato que o financiamento oficial a essa rede suja continua.

Como é que um governo democrático consegue justificar, segundo, então, os fundamentos da democracia, que dinheiro público e de estatais financie páginas cujo objetivo explícito é atacar a oposição, membros do Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a imprensa livre? Qual é o argumento? Qual é o princípio?

Leiam a entrevista de Palacios.
*
Emilio Palacio, ex-editor de opinião do jornal El Universo, do Equador, foi condenado em 2011, junto com três executivos do veículo, em um processo judicial movido por Rafael Correa, presidente do país. Palacio recebeu uma pena de três anos de prisão e uma multa de 40 milhões de dólares. Ele foi punido por desmascarar a tosca tentativa de Correa de transformar uma greve de policiais em uma fracassada tentativa de golpe contra seu governo. Palacio pediu asilo político aos Estados Unidos. De Miami, ele falou ao editor assistente Duda Teixeira.

Por que Correa o processou?
Além de criticar a atuação do presidente na greve da polícia, há dois anos, divulguei um vídeo que contesta a versão dele sobre o episódio. Quando os promotores públicos — que, no Equador, servem aos interesses de Correa — me pediram que revelasse o autor do vídeo, fiz o que qualquer jornalista faria: preservei a fonte, e hoje estou pagando por isso.

O que há de errado na postura de Correa?
Sou um jornalista e sei que muita gente me insulta por não gostar das minhas opiniões. Da mesma maneira, um presidente deve compreender que muitos não concordarão com suas políticas e farão críticas a seu governo. Mas a maneira como Correa reagiu ao meu caso foi desproporcional. Ao se sentir ofendido, ele me processou criminalmente. Queria me ver atrás das grades. Tentou destruir minha família e me levar à falência, ao conseguir que a Justiça me impusesse uma multa de 40 milhões de dólares. Tudo o que tenho são uma casa financiada e minhas economias como jornalista. Isso é pura perseguição política. O presidente quer me eliminar e me fazer de exemplo para que outros jornalistas não investiguem sua gestão.

Há censura no Equador?
Correa tem conseguido que os diretores de jornais evitem publicar textos que possam ser considerados negativos. Também fez com que os repórteres passassem a temer um destino igual ao meu e deixassem de propor matérias investigativas. O objetivo de Correa é usar o poder estatal para espalhar o terror na imprensa.

Em fevereiro, Correa anunciou que o perdoa. O senhor já pode voltar ao Equador?
Não posso. Há outros processos contra mim que não foram anulados.

Outros governos da América Latina, como o da Argentina e o da Venezuela, criaram leis para censurar a imprensa. O que elas têm em comum?
Antigamente, os generais das ditaduras militares não se preocupavam com a opinião pública e simplesmente assassinavam os jornalistas. As agressões à liberdade de expressão hoje são baseadas em outra estratégia. São feitas em nome de causas como a da justiça social, dos pobres, do socialismo, dos trabalhadores. Infelizmente, muitos caem nessa história, usada apenas como uma lona para encobrir perseguições. Ao contrário das ditaduras militares de direita, os governos autoritários de esquerda sempre justificaram a repressão à liberdade de expressão com historinhas, mitos e teses sociológicas. A brutalidade só não é maior porque a situação não permite. É impossível que um crime seja mantido em segredo absoluto atualmente.

O senhor é de direita?
Sempre fui de esquerda. Critiquei vários governos anteriores ao de Rafael Correa. Eram todos de direita e me odiavam.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/05/2012 às 6:27

Quem controla a mídia é o cidadão livre!

Leiam o que segue. Volto depois.
*
Os detratores da imprensa livre gostam de vender a tese de que a liberdade de expressão é um direito de elite, um escudo usado pelas empresas de comunicação para defender seus interesses. Trata-se de uma distorção deliberada de um conceito consagrado em sociedades democráticas. A liberdade de expressão — a manifestação da opinião e do pensamento — é antes de tudo um direito dos cidadãos. Dela deriva a liberdade de informação, que é o direito de tomar conhecimento dos fatos e das notícias do mundo. Os jornalistas apenas prestam um serviço, tornando disponíveis relatos dos acontecimentos, análises e dados úteis para os cidadãos. Estes, por sua vez, são livres para escolher onde buscar as informações de seu interesse, da mesma forma que optam pelo marceneiro que constrói os melhores móveis, pelo médico mais qualificado para tratar de uma doença ou pelo banco com as menores taxas de juros. Os inimigos da imprensa livre também gostam de disfarçar seus objetivos totalitários com o argumento de que é preciso criar mecanismos de “controle social da mídia” para garantir a “qualidade” da informação. É uma justificativa que subestima a capacidade de escolha dos cidadãos.

As liberdades de expressão e de informação são direitos fundamentais assegurados pela Constituição brasileira, e não foram conquistadas facilmente. Fazem parte da vida nacional de forma inequívoca há menos de três décadas apenas. Como bem lembrou Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, no discurso de abertura do Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, realizado pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS) nos dias 3 e 4 passados, a liberdade de expressão não é um bem permanente, e por isso deve ser defendida dia após dia. No evento, juristas e jornalistas alertaram sobre a tendência crescente de usar a Justiça para censurar a divulgação de informações de interesse público. Acerca disso, o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), disse no seminário que o conflito entre o livre exercício do jornalismo e o direito à privacidade é inevitável, mas que a Constituição prioriza o primeiro. O ministro criou na semana passada, no âmbito do Conselho Nacional de Justiça, um fórum para acompanhar as decisões dos tribunais referentes a temas que tocam na questão da liberdade de imprensa. Tanto Alckmin como Ayres Britto foram categóricos em rechaçar a possibilidade de o estado impor-se sobre a atuação dos jornalistas.

Alertas e esclarecimentos como esses são necessários para afastar o Brasil da tentação autoritária que nos últimos anos tomou conta dos governos de outros países latino-americanos. Na Argentina, na Venezuela, no Equador e na Bolívia, a pressão do estado sobre o livre exercício do jornalismo já não se restringe a reações esporádicas de governantes que não toleram críticas, e tornou-se uma busca por mecanismos de amordaçamento de opiniões contrárias ou incômodas.
(…)
*
O trecho acima é parte da reportagem “Um alerta permanente”, que está na VEJA desta semana. Cumpre ficar atento a essas palavras, especialmente quando uma súcia, em busca da impunidade para seus crimes, tenta criminalizar o livre exercício do jornalismo. O governador Geraldo Alckmin acerta em cheio quando lembra que esse não é um bem permanente, do qual se pode descuidar.

O caso da Argentina é emblemático. Finda a ditadura, o país passou a viver a plena liberdade de imprensa, exercida mesmo nos piores momentos da crise econômica, que chegou a depor um presidente. Eis que o casal Kirchner se encarregou de usar a sua vitória nas urnas para violar esse que é um dos fundamentos de uma sociedade aberta. No Brasil, há verdadeiras gangues organizadas pressionando o governo para que adote medidas que imponham formas oblíquas de censura e de controle da informação, o que viola dois artigos da Constituição: o 5º e o 220.

Há dias, Rui Falcão, presidente do PT, anunciou que o governo, depois de enquadrar os bancos, partiria para cima da mídia. Posou de porta-voz. A presidente Dilma Rousseff mandou um recado: ministro que repetir as palavras de Falcão será demitido. Que seja para valer! Precisa agora é cortar o dinheiro oficial das tais gangues organizadas que pregam abertamente o desrespeito à Constituição — afinal, isso também agride a democracia e a Constituição.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/05/2012 às 4:52

Os farsantes ainda tentam espernear, mas a verdade é que o desmonte começou

O JEG  (Jornalismo da Esgotosfera Governista) e a BESTA (Blogosfera Estatal)  são mais malandros do que idiotas. A VEJA desta semana publicou uma reportagem sobre a manipulação da Internet, organizada por pessoas que se reúnem sob o guarda-chuva do petismo. E as alimárias fingiram não entender o que lá vai escrito. VEJA está denunciando que esses “vadios” não passam de algumas poucas dezenas, mas recorrem a picaretagens — como perfis-robôs, por exemplo — para passar a impressão de que uma minoria é maioria. É o subjornalismo 171! É o subjornalismo na cifra, curtido na sífilis da moralidade — ou, se quiserem, da imoralidade. É a vagabundagem a soldo tentando esconder de alguns eventuais leitores inocentes — pode ser que existam uns dois ao menos — o que vai na reportagem da revista: o Twitter está sendo fraudado! Na verdade, há uma fraude em curso nas redes sociais. A exemplo do que se faz na China, no Irã e na Argentina, um grupo financiado com dinheiro público está tentando gerenciar os debates na Internet. São os insetos do falcão.

Representantes do JEG e da BESTA fizeram de conta que não entenderam e estão dizendo, mandam-me aqui alguns links, que a VEJA está fazendo mea- culpa. Mea-culpa??? Dizer o quê? Se confundem ironia com grama, resta-lhes comer e expelir o produto final da digestão — não sem antes aquecer o planeta com o gás metano da impostura…

Os mixurucas, que só sabem levar a vida de rastros, tentam esconder o próprio desespero atribuindo a adversários preocupações que não têm. Eles, sim, estão com medo. A sua âncora é Lula! A sua garantia é Lula! O seu caixa é Lula! Quem criou esse modelo, que compreende o financiamento do lixão da Internet com verba pública, foi o Apedeuta. Nem no PT, acreditem, a decisão de financiar ex-jornalistas tornados pistoleiros é uma unanimidade. A presidente Dilma Roussseff, por exemplo, sabe que não precisa deles! Ao contrário até: ao botar na rua os larápios denunciados pela imprensa livre — VEJA inclusive —, constatou de onde lhe saíram os bons conselhos. Essa súcia pendurada no petismo, nas estatais e até nas autarquias incentivava a “companheira” a não demitir ninguém…

O lixão da Internet já percebeu que perdeu a batalha e que está com os dias contados. O desmonte da farsa começou. E não vai parar.

Por Reinaldo Azevedo

 

HÁ 2 LIGAÇÕES ENTRE POLICARPO E CACHOEIRA, NÃO 200! LEIAM O QUE DIZEM DOIS DELEGADOS DA PF. E O PAPEL PATÉTICO DO EX-CAÇADOR DE MARAJÁS E ATUAL CAÇADOR DE JORNALISTAS

A quadrilha do mensalão estava mentindo.
A quadrilha da Internet estava mentindo.
A verdade vem à tona de forma clara, cristalina, inequívoca.
Lembram-se da Operação Monte Carlo e das supostas 200 ligações trocadas entre Carlinhos Cachoeira e Policarpo Júnior, um dos redatores-chefes da VEJA e chefe da Sucursal de Brasília? NÃO ERAM, NÃO SÃO E NUNCA FORAM 200! ERAM, SÃO E SEMPRE FORAM DUAS!!!

Collor, num de seus momentos de serenidade no Senado: em vez de apontar o dedo para os corruptos, ele resolveu atacar a imprensa livre. Faz sentido...

Collor, num de seus momentos de serenidade no Senado: em vez de apontar o dedo para os corruptos, ele resolveu atacar a imprensa livre. Faz sentido...

A canalha resolveu multiplicar o número por 100 para ver se conseguia dar ares de crime ao trabalho normal de um jornalista. Os que se dedicaram a espalhar a mentira nunca quiseram, como vocês sabem, apurar as ligações do grupo de Cachoeira com os políticos e com o Estado brasileiro. Queriam, isto sim, desmoralizar os fundamentos de uma democracia, a saber:
– a oposição (ela só existe em países democráticos);
– a Procuradoria-Geral da República (ela só é independente em países democráticos);
– a Justiça (ela só é isenta em países democráticos);
– a imprensa (ela só é livre em países democráticos).

Mas atenção! Ainda que houvesse mesmo 200 conversas ou que, sei lá, surjam outras 198 do éter, o que o número, por si só, provaria? Nada! Policarpo estaria, como estava, em busca de informações que colaboraram para a demissão de pessoas que não zelavam pelo interesse público. E quem as demitiu, repito, foi Dilma Rousseff. Não consta que esteja pensando em recontratá-las.

OS MENSALEIROS E SEUS BRAÇOS DE ALUGUEL TENTARAM SEQUESTRAR AS INVESTIGAÇÕES DO CASO CACHOEIRA E A PRÓPRIA CPI PARA, DESMORALIZANDO TODAS AS INSTÂNCIAS DO ESTADO DE DIREITO, PROTEGER BANDIDOS, QUADRILHEIROS, VIGARISTAS E SOCIOPATAS.

Os delegados
Bastaram, no entanto, duas sessões da CPI para que ficasse claro quem é quem e quem quer o quê. Policarpo é citado, dados todos os grampos da Operação Monte Carlo, 46 vezes nos grampos. Os homens de Cachoeira e o próprio se referem, em suas conversas, a mais de 80 pessoas — inclusive a presidente Dilma Rousseff. Em algumas dessas citações, por exemplo, o contraventor e o senador Demóstenes estão é combinando uma forma de abafar a repercussão de uma reportagem publicada pela VEJA em maio do ano passado e que apontava o suspeito crescimento da… DELTA! Eis a VEJA que alguns vigaristas queriam criminalizar. E foi a VEJA, diga-se, o primeiro veículo impresso a tornar públicas as relações de Demóstenes com Cachoeira — na edição que começou a chegar aos leitores no dia 3 de março!

No depoimento prestado à CPI no dia 8, indagado pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), hoje a voz mais extremista contra a imprensa na CPI, o delegado Raul Souza foi claro, inequívoco, para decepção daquele que começou caçando marajás e, vivendo o seu ocaso, tenta caçar jornalistas e cassar a imprensa livre: as conversas de Policarpo com Cachoeira, afirmou, eram diálogos normais entre um repórter e uma fonte, sem qualquer evidência de troca de favores.

Mas Collor, os mais maduros se lembram, é uma alma obsessiva. Quando presidente, a gente olhava pra ele, com os olhos sempre estalados, e desconfiava da existência de algum espírito obsessor (Deus nos livre!). Deu no que deu. Tendo sido fragorosamente malsucedido na operação que lhe encomendou a ala sectária do PT — José Dirceu, Rui Falcão e outras lorpas da democracia —, ele voltou à carga no depoimento de outro delegado, Matheus Rodrigues. Enquanto alguns parlamentares tentavam apurar os vínculos entre Cachoeira e políticos, o atual Caçador de Jornalistas seguia firme no seu intento de tentar criminalizar a imprensa. E mergulhou, definitivamente, no patético.

O diálogo com Matheus
Este blog ouviu um relato sobre a espantosa conversa do senador com o delegado Rodrigues. Fiquem frios. Logo surge uma gravação clandestina na praça. Consta que o homem foi ficando irritado à medida que via as suas ilações e suspeitas indo por água abaixo.

Collor iniciou a sua intervenção lembrando que a CPI havia sido instalada para investigar as ações criminosas de Cachoeira e de agentes públicos e privados que com este teriam colaborado. E partiu pra cima de Policarpo e da VEJA. Perguntou se o jornalista era coautor de um algum crime. Detestou a resposta:
“Não, excelência! Eu já falei e vou insistir”.

A excelência não se conformou. Tentou obrigar o delegado a acusar Policarpo de algum crime. Como não realizasse o seu intento, este gigante do pensamento jurídico, este monstro sagrado da lógica — que é sócio de jornal e de emissora de televisão!!! —  queria saber se Cachoeira havia passado a Policarpo alguma informação que tivesse obtido com escutas ilegais. Outra negativa e a fala inequívoca: havia entre Policarpo e Cachoeira  ”uma relação de informante, de passar uma informação como fonte”.

Roxo de raiva
Collor, vocês se lembram, era dado a refletir com as pernas. Quando ficava com vontade pensar, saía correndo. Certo dia, abusando de sua cultura filosófica, declarou que tinha “aquilo roxo”. Como o segundo delegado ouvido também não disse o que ele queria ouvir, roxo de raiva, decidiu partir para a peroração solitária. Acusou VEJA de obter “ganhos pecuniários” com as reportagens que publicou. Bem se vê que este senhor nunca administrou as empresas da família. Só pega mesmo a grana na condição de acionista. A ilação é estúpida de várias maneiras:

1) assuntos políticos (especialmente notícias ruins, envolvendo corruptos) não são os que mais vendem revistas, como sabem todas as pessoas que são do ramo;
2) se uma revista quisesse apenas vender mais, daria só boas notícias. Ocorre que o jornalismo que se preza tem compromissos com a moralidade pública e a com ética. Se isso implicar publicar as más notícias, elas serão publicadas;
3) se a tese estúpida do senador fizesse algum sentido, jornais e revistas teriam de distribuir gratuitamente as edições que são obrigadas a relatar tragédias — só assim não seriam acusados de lucrar com a desgraça alheia;
4) veículos que se prezam, que têm vergonha na cara, que não são financiados com dinheiro público, têm a maior parte — ESMAGADORA!!! — de sua receita oriunda de anunciantes privados. Não raro, o preço de capa de uma revista é inferior a seu custo como produto;
5) a maior parcela da receita derivada da venda de jornais e revistas vem das assinaturas, não da venda em banca. Logo, se há ou não notícia de escândalo, isso é irrelevante. O leitor, como todas as pessoas moralmente saudáveis do mundo, prefere a boa notícia.

Se errou na moral, se errou na ética, se errou no alvo — se errou, obrigo-me a dizer, na vida, já que é o único presidente impichado (só não houve o impeachment formal porque renunciou) da história do Brasil —, errou também ao fazer digressões tolas sobre o setor de revistas.

Vinte anos depois da capa histórica de VEJA, em que Pedro Collor chutou o mastro do circo do irmão, o agora senador tenta se vingar da revista. Quebraram todos a cara — ele e a ala extremista do PT da qual aceitou o triste papel de laranja.

Reportagens de VEJA, algumas feitas por Policarpo Júnior, ajudaram a pôr para fora da Esplanada dos Ministérios pessoas que estavam lá descumprindo o juramento que fizeram ao povo. Como ajudaram, há 20 anos, a depor um outro bufão, que também tomava a sua comédia pessoal como parte da história universal.

Collor não vai conseguir o “impeachment” jornalístico da VEJA porque a revista é limpa! Ponto.

Espalhem a verdade. Porque VEJA revela na edição desta semana quem está por trás da indústria da mentira na Internet e como ela opera (ver abaixo).

Texto publicado originalmente às 3h12

Por Reinaldo Azevedo

 

12/05/2012 às 6:51

Como fraudar a Internet e sequestrar a legitimidade dos debates. Ou: Usuários do Twitter estão sendo vergonhosamente manipulados

falcao-e-os-insetos

Agora falemos um pouco de internauta pra internauta. Estamos entre aqueles que prezam o debate na rede e consideram que uma das conquistas da Internet é possibilitar que indivíduos tenham uma voz. Achamos que isso é um valor, certo? Pois é… Ocorre que petistas resolveram recorrer a estratagemas essencialmente antiéticos para fraudar a legitimidade desse debate. Ou por outra: milhões de indivíduos Brasil afora, especialmente os usuários do Twitter, estão sendo enganados, manipulados, submetidos a uma patrulha política e ideológica. Leiam reportagem na VEJA desta semana e saibam no detalhe como se opera a fraude. Abaixo, seguem bons trechos da reportagem. Não deixe de ler a íntegra na edição impressa, que traz um quadro com todos os caminhos da malandragem.
*
A internet aceita tudo. Chantagistas contrariados fazem circular fotos de atrizes nuas (vide o caso Carolina Dieckmann), revelam características físicas definidoras (”minimocartaalturareal1m59cm”), apelidam sites com artigos do Código Penal (”171″, estelionato) e referenciam-se em doenças venéreas – por exemplo, na sífilis (grave doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum) – para formar sufixos de nomes.

É lamentável sob todos os aspectos que uma inovação tecnológica produzida pelo engenho, pela liberdade criativa e pela arte, combinação virtuosa só possível sob o sistema democrático capitalista, baseado na inovação, na economia de mercado e na livre-iniciativa, tenha nichos dominados por vadios, verdadeiros limbos digitais onde vale tudo – da ofensa pura e simples a tentativas de fraudar a boa-fé dos usuários.
(…)
A rede mundial é descentralizada, não possui um comando único nem um mecanismo de regulação. Falta-lhe uma cabeça como, talvez, a do atual presidente do PT, Rui Falcão, alguém com estatura moral, motivações nobres, enfim, mão forte para fazer baixar, em nível planetário, um pouco de ordem e respeito sobre esse reino virtual tão vulnerável.
(…)
Assim como a engenharia genética pode modificar aquilo que surgiu espontaneamente na natureza, a computação pode alterar o destino de uma ideia lançada na rede. Nesse caso, o produto é invariavelmente um monstro, porque esse processo não apenas viola regras explícitas de uso das comunidades virtuais, mas também corrompe os princípios da livre troca de informações e opiniões na internet. É virtualmente impossível saber quem programou um robô malicioso – e isso envenena ainda mais as águas e mina as bases da comunicação de boa-fé na rede. Mas é possível flagrar o seu uso.

A situação se torna preocupante quando os robôs que fraudam um serviço como o Twitter são postos a serviço da propaganda ideológica. E piora ainda mais, ganhando os contornos da manipulação política, quando eles trabalham para divulgar teses caras ao partido que ocupa o poder. Isso, infelizmente, começa a acontecer no Brasil. Nas últimas semanas, o vazamento de informações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, e a subsequente instauração de uma CPI para investigar o contraventor Carlinhos Cachoeira puseram sangue nos olhos de certa militância petista.
(…)
A artilharia de esquerda se voltou contra outro alvo de longa data: a imprensa independente, e VEJA em particular. Uma das estratégias adotadas foi a organização dos chamados tuitaços. (…) Em pelo menos quatro desses episódios ocorridos em abril, ou militantes e simpatizantes petistas marcaram data e horário de cada evento ou registraram em inglês o significado das hashtags utilizadas ou mandaram as mensagens iniciais dos tuitaços. (…)

Mas a análise aprofundada desses episódios – e em especial daquele identificado pelo marcador #vejabandida – mostra que dois artifícios fraudulentos foram usados para fingir que houve adesão enorme ao movimento. Um robô, que opera sob o perfil “@Lucy_in_sky_”, foi programado para identificar mensagens de outros usuários que contivessem os termos-chave dos tuitaços, replicando-as em seguida. Além disso, entraram em ação “perfis-peões”, ou seja, perfis anônimos, com pouquíssimos seguidores e muitas vezes criados de véspera, que replicam sem parar mensagens de um único tema (ou melhor, replicam-nas até atingir o limiar de retuítes que os tornaria visíveis aos mecanismos de vigilância de fraudes do Twitter. Essas manobras para ampliar artificialmente a visibilidade de uma manifestação na internet já ganharam nome no marketing e na ciência política: astroturfing, palavra derivada de Astro-Turf, marca americana de grama sintética que tenta se vender como natural. O objetivo é sempre o mesmo: passar a impressão de que existe uma multidão a animar uma causa, quando na verdade é bem menor o número de pessoas na ativa.

Uma amostragem de 5.200 tuítes recolhidos durante um dos tuitaços recentes revelou que 50% das mensagens partiram de apenas 100 perfis – entre eles robôs e peões, que ajudam a fazer número, mas não têm convicções. Da China vem o exemplo mais alarmante desse tipo de fraude. O Partido Comunista Chinês arregimenta pessoas encarregadas de manipular a opinião pública, inundando a internet com comentários favoráveis ao governo. Elas formam o chamado 50 Cent Party (Partido dos 50 Centavos), cujo nome remete aos 50 centavos de iuane – ou 15 centavos de real – que cada ativista supostamente recebe por post publicado.

Dos mesmos teclados alugados saem ataques à democracia de Taiwan, território reclamado por Pequim.
(…)
O presidente do PT tem um perfil ativo no Twitter, e com frequência ajuda a animar tuitaços. Pouco depois da ascensão de Falcão ao comando do partido, em 2011, o PT lançou o Núcleo de Militância em Ambientes Virtuais – as chamadas MAVs. Um dos auxiliares parlamentares de Falcão na Assembleia Legislativa de São Paulo, um funcionário público de 47 anos formado em geografia, recebeu no começo do ano a missão de selecionar um estrategista de mídias digitais para “refinar e profissionalizar” as ações do PT na internet – o que significa trazê-las para o âmbito de controle da direção do partido. A utilização massiva da internet, das redes sociais e de blogueiros amestrados faz parte das táticas de engodo e manipulação da verdade no Brasil. Internautas, fiquem de olho neles.

Íntegra na edição impressa
Texto publicado originalmente às 5h51

Por Reinaldo Azevedo

 

12/05/2012 às 6:49

O tiro de radicais petistas contra as instituições saiu pela culatra

Leia trechos da reportagem de oito páginas na VEJA desta semana, de autoria de Daniel Pereira e Otávio Cabral:

Há vinte anos Pedro Collor deu uma entrevista a VEJA. As revelações originaram um processo que, seis meses mais tarde, obrigaram seu irmão, Fernando Collor, a deixar a presidência da República. Há sete anos, VEJA flagrou o diretor dos Correios embolsando uma propina. O episódio foi o ponto de partida para a descoberta do escândalo do mensalão, que atingiu em cheio o governo passado e o PT. Agora, Collor e os mensaleiros se unem contra a imprensa num mesmo front, a CPI do Cachoeira. Criada com o nobre e necessário propósito de investigar os tentáculos de uma organização criminosa comandada pelo contraventor Carlos Cachoeira, ela seria usada, de acordo com o roteiro traçado pelo ex-presidente Lula e o deputado cassado José Dirceu, para servir de cortina de fumaça para o julgamento do mensalão. O plano era lançar no descrédito as instituições que contribuíram para revelar, investigar e levar à Justiça os responsáveis pelo maior esquema de corrupção da história do país. Tamanha era a confiança no sucesso da empreitada que o presidente do partido, Rui Falcão, falou publicamente dela e de sua meta principal: atacar os responsáveis pela “farsa do mensalão”. Tudo ia bem – até que os fatos se incumbiram de jogar o projeto petista por terra.

Na semana passada, dois delegados da Polícia Federal prestaram depoimentos à CPI do Cachoeira. Eles foram responsáveis pelas operações Vega e Monte Carlo, que investigaram a quadrilha do contraventor. A ideia dos radicais petistas e seus aliados era a de utilizar as falas dos policiais para comprometer o procurador-geral da República, Roberto Gurgel (que defenderá a condenação dos mensaleiros na abertura do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal), o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo (transformado em inimigo figadal de Lula desde que declarou que o ex-presidente tinha conhecimento da existência do esquema) e a imprensa, que revelou o escândalo. Neste último setor, como deixou claro a performance do ex-presidente Collor, encarnado na triste figura de office boy  do partido que ajudou a tirá-lo do poder, o alvo imediato era o jornalista Policarpo Júnior, diretor da sucursal de VEJA em Brasília e um dos redatores-chefes da revista.

O primeiro depoimento foi do delegado Raul Alexandre Marques, que dirigiu a Operação Vegas. Marques disse aos parlamentares que entregou ao procurador Roberto Gurgel, em setembro de 2009, indícios de envolvimento de três parlamentares – incluindo o senador Demóstenes Torres – com a quadrilha de Cachoeira. Gurgel, conforme o delegado, não teria determinado a abertura do inquérito nem dado prosseguimento à apuração.

Foi a deixa para que petistas dissessem que ele tentou impedir o desmantelamento de uma organização criminosa e, por isso, deveria ser convocado para depor na CPI. O procurador-geral da República reagiu. Na seara técnica, disse que não abriu inquérito a fim de permitir a realização da operação Monte Carlo, que desbaratou o esquema de Cachoeira no início deste ano. No campo político, foi ainda mais incisivo. “O que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão”. afirmou. Ao fustigar o procurador na CPI do Cachoeira e vender a tese de que ele não mereceria crédito por ter uma atuação política, mensaleiros e aliados levaram procuradores e ministros do STF a saírem em sua defesa. Petistas, que chegaram a comemorar o resultado da primeira etapa do plano, agora já não pensam mais em convocar Gurgel. Em uma conversa recente, o ex-ministro José Dirceu contou ao seu interlocutor o motivo da desistência. “O efeito foi o contrário do imaginado. A única consequência da CPI foi acelerar o processo do mensalão”, afirmou.

Lula, o idealizador do plano, também já faz leitura semelhante. Para ele, a CPI do Cachoeira “tem de ficar do tamanho que está” – ou seja, limitar-se a investigar Cachoeira e seus tentáculos no Congresso e em governos estaduais. Da mesma forma, a ofensiva para desqualificar o trabalho da imprensa já não seria uma prioridade. “Não podemos fazer dessa CPI um debate político ou um acerto de contas entre desafetos”, afirmou Vaccarezza, espécie de porta-voz do grupo dos radicais. A declaração é uma guinada de 180 graus no discurso – guinada essa decidida apenas depois que os fatos, com sua persistente impertinência, se sobrepuseram aos interesses do partido.

(…)
Leia íntegra na edição impressa da revista

Texto publicado originalmente às 6h12

Por Reinaldo Azevedo

 

12/05/2012 às 6:47

Vinte motivos de Collor para odiar a VEJA. Ou: O PT de antes e o PT de agora

É compreensível que o senador Fernando Collor odeie tanto a VEJA. As capas da revista que espelham a sua trajetória no poder falam por si, muito especialmente aquela em que Pedro, o irmão, conta tudo. Por que não lembrá-las? Todas as edições estão disponíveis aos leitores, mesmo aos não assinantes, na íntegra. Collor não detesta a revista porque ela tenha contado mentiras a seu respeito, mas porque os fatos irrefutáveis relatados em sucessivas edições resultaram na sua queda. O povo de Alagoas o elegeu senador. Tem uma mandato legítimo como o de qualquer outro. Mas não tem legitimidade para tentar intimidar a imprensa. Tampouco se apaga a sua história.

Este senhor precisa entender que a imprensa livre não existe por vontade dos políticos. Os políticos é que existem por vontade da democracia, de que a imprensa livre é um dos pilares.

Vejam. Volto para arrematar.

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Nos anos de 1991 e 1992, o PT era um partido de oposição e achava que a VEJA prestava relevantes serviços ao país. E prestava mesmo! Ontem como hoje. Se algum parlamentar da base collorida sonhasse em enviar a imprensa para o banco dos réus, o partido certamente reagiria. Por amor à democracia? Não! Esse, tínhamos nós. Os petistas tinham apenas um projeto de poder.

Quando chegaram lá, elegeram a imprensa livre como sua principal adversária – justamente aquela que era paparicada na véspera. Afinal, algo havia mudado: no poder, o PT, como acontece com todo mundo que vence a eleição, deixou o papel de pedra para ser vidraça; deixou de investigar para ser investigado. E não se conformou.

Uma banda do partido não teve dúvida. Juntou-se com o seu adversário de antes – e as capas acima valem por uma folha corrida – para tentar perseguir o jornalismo independente. Tentem saber, hora dessas, por curiosidade, o que fazia o lixão que hoje ataca a revista. Para fazer o que se vê acima – e o que se viu nos governos que se sucederam –, é preciso ter coragem. Quem vive de rastros, implorando dinheiro oficial para existir, nao consegue ser dono nem da própria opinião, tanto menos de um jornalismo crítico e independente.

A imprensa que tem vergonha na cara não mudou. Essa é a história.

Texto publicado originalmente às 4h52

Por Reinaldo Azevedo

 

12/05/2012 às 6:45

Relator da CPI descarta convocação de procurador

Por Catia Seabra e Lúcio Vaz, na Folha:
O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse ontem considerar desnecessária a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para prestar esclarecimentos sobre sua atuação nas investigações sobre o empresário Carlinhos Cachoeira. O procurador tem sido pressionado para explicar por que decidiu não investigar o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) em 2009, quando a Polícia Federal colheu os primeiros indícios de sua ligação com Cachoeira.

Principal responsável pela condução das investigações na CPI, Cunha vai sugerir que Gurgel apresente suas justificativas por escrito. “A convocação é desnecessária”, afirmou. “O mais importante é a resposta, o conteúdo, as questões substantivas.” Nos últimos dias, integrantes da comissão, em sua maioria petistas, questionaram o procurador-geral por não ter investigado Demóstenes em 2009 e defenderam sua convocação pela CPI.

Gurgel acusou os críticos de agirem para intimidá-lo, numa tentativa de proteger os réus do processo do mensalão, em que ele é responsável pela acusação. O caso pode ser julgado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal. O confronto gerou mal-estar entre a CPI e o Ministério Público, levando dois ministros do STF a saírem em defesa de Gurgel na quinta-feira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

1 comentário

  • Augusto Mumbach Goiânia - GO

    Acho que já está sendo dada importância demais a essa Camila Pitanga. Importância que ela não tem!! O Veta Dilma tá na moda e a grande maioria dos quadrúpedes que aderiram não faz nem ideia do que isso significa. Eles tem que ler o artigo da Kátia Abreu? Ler???!!!! Hummm... difícil, muito difícil. Primeiro que noveleiro que se preza não sabe ler. Quando sabe ler, não quer ler. Quando quer ler, não entende o que está escrito. O mesmo vale para Camilas, Cristianes, Vitors e outros abobalhados da mídia. Nem sabem do que estão falando, mas estão recebendo uma bela grana pra falar! Guardem essa grana pra comprar comida! Quando aos demais analfabetos funcionais, vão acabar passando fome sem saber o que aconteceu e ainda gritando Veta Dilma.

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