A recomposição de vegetação às margens de rios em pequenas propriedades pode inviabilizar a sobrevivência de milhares de pessoas

Publicado em 03/06/2012 22:08 e atualizado em 28/02/2020 08:35 1354 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A discussão de um novo Código Florestal para o Brasil será retomada na terça-feira no Congresso, com a escolha do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) para assumir a relatoria na comissão especial mista destinada a analisar a viabilidade constitucional, jurídica e admissional da matéria. Até a meia-noite de domingo, quase 200 emendas já haviam sido apresentadas à medida provisória (MP) enviada ao Parlamento pela presidenta Dilma Rousseff a fim de recompor os vetos ao texto aprovado pelos congressistas. O futuro relator se mostra otimista e considera que já na comissão especial será possível construir um texto de consenso entre Senado e Câmara, apesar das divergências entre ambientalistas, ruralistas e governo.

Ele destacou que o alto número de emendas já apresentadas não representa problemas. “Acredito muito na capacidade criativa dos parlamentares. Quem sabe por meio de uma dessas emendas a gente encontre motivo de superação das divergências”, disse o parlamentar.

Para ele, os pontos “mais traumáticos” foram resolvidos quando o projeto de lei do Código Florestal tramitou no Senado e pela MP. Luiz Henrique ressaltou que a presidente Dilma Rousseff preservou, na medida provisória, a maior parte do texto aprovado pelos senadores o que, necessariamente não significa qualquer facilidade. Ao contrário, a matéria foi praticamente toda alterada pelos deputados quando retornou à Câmara para que fosse revista.

A flexibilização do código em vigor aos pequenos produtores e agricultores, inclusive familiares, pode ser uma dessas vantagens na negociação parlamentar. Dilma Rousseff, lembrou o senador, definiu que essas pessoas terão que recompor apenas 5 metros da área ripária (matas ciliares), quando as propriedades tiverem até 1 módulo fiscal. Já nos imóveis de 1 a 2 módulos essa recomposição será de 8 metros e de 15 metros para os que tenham de 2 a 4 módulos.
(…)

Voltei
As coisas não são como parecem. Postos os números em percentagens, problemas de milhares de pessoas podem desaparecer nas estatísticas. A recomposição de vegetação às margens de rios em pequenas propriedades pode inviabilizar o negócio. Reportagem de Felipe Bächtold, na Folha de hoje, traz exemplos concretos. Relembro trecho:

As normas do novo Código Florestal já levam incerteza e preocupação à afastada comunidade rural da Ilha da Paciência, no interior gaúcho. Formado por pequenas propriedades de até 50 hectares, o local precisará ter margens de rios recompostas com vegetação, conforme estabelece a nova lei. Os produtores afirmam que as terras foram desmatadas no início do século 20, época de seus bisavós, e que vão ter que pagar uma conta alheia. Acessível apenas por balsas, a comunidade, na cidade de Triunfo (75 km de Porto Alegre), é uma ilha fluvial com dezenas de pequenas lavouras de arroz e milho e pastos de criação de animais.
Um dos proprietários é Sílvio de Azevedo, 47, que possui cerca de 12,5 hectares. Algumas de suas áreas nas imediações do rio praticamente não têm vegetação. “Se fizerem as margens que estão querendo, daqui a pouco o país vai ter que importar comida. Essas contas eles não chegaram a fazer”, diz o agricultor, ecoando argumento da bancada ruralista no Congresso. Apesar de ter obtido financiamento do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), Azevedo diz que suas lavouras quase não dão lucro. “Se tirar 30 ou 40 metros [nas margens], vão tirar 30% das terras que planto.”
A opinião é recorrente entre os vizinhos. Para Azevedo, que diz não “entender muita coisa” do debate técnico sobre o Código, os governos estão “se lixando” para quem vive no campo. Pela modificação do Código assinada pela presidente Dilma Rousseff na semana passada, pequenos proprietários devem recompor uma faixa de cinco a 20 metros ao longo dos leitos dos rios.
(…)

Retomo
Qualquer código florestal que obrigue a recompor mata em áreas destinadas à produção agropecuária há já uma centena de anos é coisa de aloprados. Fosse o Brasil um país escalpelado, vá lá. Mas este é um país que conserva mais de 60% de sua vegetação original preservadas. Quem no mundo exibe tal marca? Mais: este é um país que decidiu que não vai mais ampliar a sua área plantada. Quem do mundo fez ou faria algo remotamente parecido? Só aqueles que já não têm para onde expandir…

Por Reinaldo Azevedo

 

Petistas tentam negar a criação dos “Protocolos dos Sábios dos PT”, mas são miseravelmente desmentidos pelos fatos! Mais uma trapalhada estrelada por Lula, o Guia “Jenial” do partido do Jilmar Tatto. Ou: matando a cobra e mostrando o pau… e a cobra!

Flagrados numa conspirata óbvia, petistas tentam negar as digitais num documento que evidencia a intenção deliberada de criminalizar o Judiciário, a Procuradoria-Geral da República e a imprensa. Mas vocês estão aí para espalhar a verdade dos fatos. Nada além da verdade!

Na edição da VEJA desta semana, reportagem de Daniel Pereira demonstra que a cúpula do PT preparou um documento com aqueles que eram seus alvos do partido na CPI do Cachoeira: além de políticos da oposição (é de rigor!), estão na lista a imprensa, o Judiciário — na pessoa do ministro Gilmar Mendes, do STF — e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Desde o primeiro momento, pois, os petistas estavam pouco se lixando se iam ou não caçar alguns corruptos que atuavam na administração federal e nos estados. O objetivo nunca foi esse! Até porque, convenha-se, eles já demonstraram que não têm nenhuma dificuldade de princípio em conviver com pessoas de, como posso chamar?, “moral não-contabilizada”. Ao contrário até!

Tudo aquilo que aos outros pode ser condenável ou indecente assume a condição de novo farol dos costumes quando praticado por um “companheiro”. Escolham os crimes contra o erário e a administração pública, de A a Z, e será possível encontrar companheiros praticando-os alegremente. Como são quem são, enquanto afrontam artigos em penca do Código Penal, saem acusando seus adversários de corruptos. Não é que estes não possam eventualmente ser gente de má índole — às vezes, são mesmo. O diabo é que, como diria uma das personagens citadas por Padre Vieira no “Sermão do Bom Ladrão”, certos petistas parecem querer acabar com todos os ladrões do mundo para roubar sozinhos…

É um escárnio! Uma banda — ou um bando — do petismo, sob a inspiração de Lula, quis usar a CPI do Cachoeira — isso está documentado e ficará, podem apostar, tudo ainda mais claro! — para dar um rapa nas instituições e, assim, proteger mensaleiros. Isso chegou a ser uma interpretação deste escriba tão logo o movimento se desenhou, lá no comecinho. Mas, depois, tornou-se uma confissão de Rui Falcão, presidente do PT, em vídeo já tornado célebre. O que não se tinha claro e provado até a edição de VEJA desta semana é que a farsa tinha sido meticulosamente preparada. Bem, minhas caras, meus caros, a gente tem de reconhecer mérito a quem tem méritos, certo? O PT É PROSSIONAL NAQUELAS ARTES EM QUE COLLOR E PC FARIAS ERAM MEROS AMADORES!

Ontem, a canalha da rede financiada com dinheiro público tentava desesperadamente negar a evidência dos fatos. Reportagem do mesmo Daniel Pereira, em parceria com Gabriel Castro, encarregou-se de recolocar as coisas no seu devido lugar. Vocês sabem: ladrões de dinheiro público roubam também a reputação alheia e até os pingos dos “is”. Mas a gente vai e põe de volta. Desta feita, quem resolver exercer seu “lado Jobim” foi Jilmar Tatto (SP), o líder do PT na Câmara. Pois é… Aí é preciso matar a cobra e mostrar o pau… e a cobra! Informam os repórteres o que segue.

Num esboço de reação à reportagem, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), resolveu negar os fatos: “VEJA fala de um documento do PT, mas não está assinado, é apócrifo”, disse ele à Folha de S.Paulo. Tatto mentiu. E quem prova isso? Jilmar Tatto.

Ouvido por VEJA antes da publicação da matéria, ele confirmou que o material havia sido produzido para o uso dos parlamentares petistas na Comissão Parlamentar de Inquérito. “Todos os servidores da liderança do PT na Câmara e dos gabinetes dos 84 deputados estão à disposição do partido na CPI”, disse.

O registro eletrônico do documento mostra, de forma incontornável, os responsáveis pela elaboração do manual: Luiz Fernando Liñares e Rebeca Albuquerque. Os registros oficiais confirmam que ele trabalha na liderança do PT no Senado e ela é a chefe de gabinete de Odair Cunha, o deputado petista que é relator da CPI do Cachoeira. Tatto sabia de onde veio o documento que oficializou a estratégia malsucedida do partido na CPI. Mas preferiu mentir. Ficam, então, reestabelecidos os fatos.

No destaque, janela do sistema operacional mostra os nomes dos autores do arquivo que instrumentaliza a CPI do Cachoeira

No destaque, janela do sistema operacional mostra os nomes dos autores do arquivo que instrumentaliza a CPI do Cachoeira

Procurada nesta segunda-feira, a assessoria de Jilmar Tatto reafirmou as declarações dadas por ele à Folha de S.Paulo. Mas adotou uma interpretação diferente, segundo a qual o petista apenas desmentiu, ao jornal, ter ordenado pessoalmente a produção do documento. O líder do PT está em viagem à China, incomunicável.

Manual
O guia de ação produzido pela liderança petista, ao qual VEJA teve acesso, não deixa dúvida sobre as reais intenções do grupo mais umbilicalmente ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os alvos são os oposicionistas, a imprensa, o Ministério Público e membros do Judiciário que, de alguma forma, contribuíram ou ainda podem contribuir para que o mensalão seja julgado e passe, portanto, a existir oficialmente como um dos grandes eventos de corrupção da história brasileira.

O documento foca em especial Gilmar Mendes, que Lula tentou constranger, sem sucesso, em sua cruzada para adiar o julgamento do mensalão, conforme mostrou reportagem de VEJA da semana passada. São dedicados a Mendes quatro tópicos: ‘O processo da Celg no STF’, ‘Satiagraha, Fundos de Pensão, Protógenes’, ‘Filha de Gilmar Mendes’ e ‘Viagem a Berlim’. São todas questões já levantadas pelos mensaleiros e seus defensores e que, uma vez esclarecidas, se mostraram fruto apenas do  desejo de desqualificar um integrante do STF que os petistas consideram um possível voto contra os réus do mensalão.

Reproduções de páginas do Senado confirmam: Luiz Fernando Liñares é funcionário da liderança do PT no Senado e Rebeca Albuquerque, do gabinete do deputado petista Odir Cunha, relator da CPI

Reproduções de páginas do Senado confirmam: Luiz Fernando Liñares é funcionário da liderança do PT no Senado e Rebeca Albuquerque, do gabinete do deputado petista Odir Cunha, relator da CPI

Encerro
Algumas pardalocas esvoaçantes saíram por aí a declarar: “Esse documento não existe! Esse documento não existe”. Pois é… Existe! Ô revista incômoda esta, não? Que mania de estar obsessivamente a serviço do país e dos leitores! Na semana passada, as lambanças de Lula, tentando intimidar o Supremo; nesta, a evidência de que estava tudo nos “protocolos”. Aonde o Brasil vai parar assim?

Ainda acabará virando uma… República!!!

Por Reinaldo Azevedo

 

05/06/2012 às 3:57

Delta entra com pedido de recuperação judicial em tribunal do Rio

Na VEJA Online:
A construtora Delta entrou nesta segunda-feira com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para evitar falência. Na proposta de recuperação do processo, a ser aprovada por uma assembleia de credores , está a renegociação do valor das dívidas e também dos prazos para pagamento. Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, uma assembleia de credores terá de aprovar o pedido de recuperação judicial da empresa.

A Delta é suspeita de ter como sócio oculto o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais. A empresa serviria para lavar dinheiro obtido por Cachoeira com a exploração de jogos ilícitos, de acordo com investigações da Polícia Federal. A Delta, a empresa que mais tem contratos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), corre o risco de ser declarada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU), o que a deixaria impedida de assinar contratos com a administração pública.

Venda
Na semana passada, a holding J&F, que controla o frigorífico JBS, que estava em negociação para a compra da empresa, desistiu da operação. A holding alegou que “o prolongamento da crise de confiança sobre a Delta tem deteriorado o cenário econômico-financeiro da construtora, gerando um fluxo financeiro negativo e alterando substancialmente as condições inicialmente verificadas”.

Por Reinaldo Azevedo

 

05/06/2012 às 3:45

STF confirma quebra nacional de sigilos bancário, fiscal e telefônico da Delta

Por Mariângela Galluci, no Estadão Online:
Em sua primeira decisão individual sobre um tema polêmico, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou na noite desta segunda-feira, 4, um pedido da Delta Construções para que fosse suspensa a quebra nacional dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da empresa. A quebra dos sigilos havia sido decretada pela CPI do Cachoeira.

O despacho de Rosa Weber, negando uma liminar à Delta, é um péssima notícia para a empresa, que nesta segunda protocolou um pedido de recuperação judicial. A íntegra da decisão da ministra, que tomou posse no Supremo em dezembro do ano passado, não foi divulgada até o fechamento desta edição. Mas no sistema de acompanhamento processual do STF foi incluída a informação de que a liminar foi indeferida. Na ação protocolada na semana passada no STF, a Delta argumentou que a decisão da CPI do Cachoeira não foi devidamente fundamentada. Segundo a defesa, a CPI investiga fatos relacionados à atuação da Delta na região Centro Oeste. Por esse motivo, de acordo com os advogados, a quebra de sigilo não deveria atingir toda a empresa, que atua em mais de 20 Estados. A defesa também alegou que a quebra de sigilos envolveu um período muito longo, de janeiro de 2002 a março deste ano.

Por Reinaldo Azevedo

 

Lula e as mulheres que ele esmagou no PT

Lula, na condição de assessor de imprensa de Fernando Haddad, garantiu nesta segunda que a ex-prefeita e senadora Marta Suplicy vai participar da campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura porque ela não é de falhar. Aproveitou para anunciar também o engajamento da deputada Luíza Erundina (PSB-SP), ex-petista que já foi prefeita da cidade, obrigada a deixar o partido quando aceitou ser ministra da Administração do governo Itamar Franco. É que ele achava que Itamar não era gente séria o bastante, entenderam? Já Sarney e Collor…

Curioso: Lula, o chefe, que faz e desfaz candidatos no dedaço, anuncia o apoio de duas mulheres que ele ajudou a esmagar dentro do partido.

Por Reinaldo Azevedo

 

04/06/2012 às 16:12

PT terá presidência e relatoria da CPI por uma semana

Por uma semana, a CPI do Cachoeira terá presidente (deputado Paulo Teixeira-SP) e relator (deputado Odair Cunha-MG) do PT. É que o senador Vital do Rego (PMDB-PB) teve de se submeter a um cateterismo na sexta e ficará cinco dias de licença. Na vice-presidência, Teixeira jamais escondeu o intento de transformar a comissão num instrumento para atingir os supostos “inimigos” do seu partido. Vamos ver como se comportará na interinidade.

Por Reinaldo Azevedo

 

04/06/2012 às 14:58

Convocados por Dilma, ministros discutem “PIBinho”

Antes de receber para um almoço oficial o rei da Espanha, Juan Carlos I, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se nesta segunda-feira de manhã com ministros para discutir o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) anunciou um tímido avanço de 0,2% no PIB no primeiro trimestre, abaixo do esperado pelo mercado.

Com isso, acendeu o sinal vermelho do governo: Dilma quer saber o que é esperado para a atividade econômica nos próximos meses. A reunião, que levou uma hora e meia, não fazia parte da agenda do Planalto. A assessoria de comunicação do Palácio confirmou a realização da reunião, mas não deu detalhes sobre o que foi discutido.

Estavam presentes os ministros Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Miriam Belchior (Planejamento), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) reduziram sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, de 2,99% para 2,72%, segundo relatório Focus divulgado no dia. No relatório da semana passada, analistas falaram pela primeira vez em PIB abaixo de 3% no ano.

Solidariedade
Horas depois, a presidente Dilma Rousseff defendeu uma “ação solidária” entre as nações, mas disse que não podem recair sobre os países emergentes o peso da indisciplina fiscal e do descontrole das contas públicas dos governos da Europa. “A retomada do crescimento no nível global não pode depender apenas de medidas adotadas pelos países emergentes”, disse a presidente, que recebeu em Brasília o rei Juan Carlos I, da Espanha.

Às vésperas da Cúpula do G-20, que reunirá nos dias 18 e 19 as principais economias do planeta, Dilma observou que “em momento de crise é fundamental insistir em uma ação coordenada e solidária entre todos os grandes atores da economia mundial, em especial uma ação coordenada e solidária entre os próprios países da Europa”.

Defensor da moeda única na zona do euro, o rei Juan Carlos I afirmou que “a Espanha trabalha com parceiros europeus para estabilizar os mercados, diminuir a dívida pública e fortalecer o projeto do euro”. “O mundo passa por uma crise econômica e financeira que afeta e golpeia com força a União Europeia”, resumiu.

Brasileiros na Espanha
Diante do rei, a presidente Dilma disse ainda que o país tem discutido “soluções reais” para a situação dos brasileiros barrados em aeroportos da Espanha. “Atribuo importância ao fato de que estejamos avançando no encaminhamento de soluções reais para os nossos problemas, por exemplo, para os problemas enfrentados por viajantes brasileiros na Espanha”, informou ela.

Por Reinaldo Azevedo

 

04/06/2012 às 14:29

PR deixa Haddad de lado e vai apoiar Serra em SP

O PR decidiu apoiar em São Paulo a candidatura do tucano José Serra à Prefeitura de São Paulo. Trata-se de uma dificuldade adicional para o petista Fernando Haddad, que vai vendo minadas as possibilidades de coligação. Gabriel Chalita, do PMDB, também estava de olho no partido. A aliança deve acrescentar algo em torno de 1min30s ao tempo do tucano na TV.  Serra já conta com o apoio do PSD e do DEM e com a provável adesão do PP. Os petistas tentam ainda fechar com o PSB e com o PC do B.

Lula, que agora atua também como porta-voz da candidatura de Haddad, saiu-se com esta: “É um pouco estranho porque o PR está no governo federal e, agora, me parece que entrou no governo estadual”. O que há de “estranho” nisso? Vários partidos que apoiam Dilma também apoiam Alckmin em São Paulo. Um caso notório é o PSB. A legenda integra o governo do estado, tem secretaria e tudo, mas deve acabar apoiando Haddad. É bem verdade que será na base da imposição. O partido, em São Paulo, quer Serra, mas Eduardo Campos, governador de Pernambuco e mandachuva do partido, deve impor a aliança com o PT.

Por Reinaldo Azevedo

 

04/06/2012 às 13:55

Gilberto Dimenstein, a Mãe Lucinda das ONGs, resolve massacrar Marta em lugar do PT para forçá-la a entrar na campanha de Haddad

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Volta e meia Gilberto Dimenstein gosta de se apresentar como um colunista isento, só preocupado com o bem do próximo, daí ser uma espécie, assim, de Mãe Lucinda de certo tipo de ONGs. Mas pode, eventualmente, agir em parceria com Nilo, o malvadão do lixão, papel que parece ter sido desempenhado a vida inteira por José de Abreu, dada a verossimilhança com que empresta dimensão moral à personagem. A Mãe Lucinda do colunismo produziu um dos mais impressionantes, vá lá, artigos de sua carreira, que reproduzo abaixo, em vermelho. Leiam. Volto em seguida.

Marta é a nova estrela do PSDB?

A pergunta do título é uma das principais questões eleitorais na cidade de São Paulo, especialmente depois que ela recusou comparecer à convenção que formalizou a candidatura de Fernando Haddad. Temos aqui algumas possibilidades.

Marta continua Marta, comandada muitas vezes mais pelas emoções do que pela razão. Ela tinha tudo para se reeleger (afinal, contava a seu favor com boa popularidade e ações positivas em sua administração), mas perdeu, em boa parte, pela sua baixa inteligência emocional. Estaria ela agindo apenas pelo ressentimento de ter sido preterida?

Ela previu que a escolha de Haddad seria o melhor caminho para a derrota. Será que ela não quer desmontar sua previsão?

Outra possibilidade é um cálculo político. Essa é uma eleição dura, Marta tem força na periferia. Sem seu apoio, Haddad, que, por enquanto, é 100% “lula-dependente”, teria ainda mais dificuldades. Será que ela está barganhando um cargo federal, talvez um Ministério, ou a candidatura ao governo de São Paulo?

Seja lá o que for, até esse momento ela conseguiu virar uma estrela do PSDB.

Voltei
Os “Nilos” do lixão estão excitados já desde o título. Ao associar Marta ao Belzebu do petismo, ainda que de forma interrogativa, ele busca forçar a senadora a entrar na campanha de Fernando Haddad. Afinal, petistas já se juntaram e se juntam ao que pode haver de pior na política brasileira (escolham!), mas tucano??? Ah, isso nunca. Vejam o caso de ex-presidentes. Lula acha FHC uma figura desprezível; o Babalorixá só disputaria a Presidência, disse, se fosse para impedir que um tucano voltasse a governar o país. Já Sarney e Collor são aliados de valor…

Dimenstein, a Mãe Lucinda do onguismo,  é um notório apologista de Marta, como sabem leitores e ouvintes. Admite, vejam ali, que ela “tinha tudo para se reeleger” (a palavra nem cabe porque só se fala em “reeleição” em caso de mandatos consecutivos). Ocorre que não é candidata. E por que não é? No melhor estilo stalinista, Dimentein conta assim a história: porque é “comandada muitas vezes mais pela emoção do que pela razão” e porque “tem baixa inteligência emocional”.

Notem que, em nenhum momento, ele lembra que a senadora foi atropelada por Lula. Omite que lhe puxaram o tapete, que Lula entrou pessoalmente na disputa em São Paulo para lhe tirar os apoios que tinha, deixando-a a falar sozinha. A tão proclamada “democracia interna” do partido foi para o diabo. Em Recife, o processo é ainda mais bruto: o prefeito João da Costa venceu as prévias, mas Lula quer que o candidato seja Humberto Costa. Foi o que o Babalorixá vendeu ao governador Eduardo Campos (PSB), que exige essa mercadoria para apoiar Haddad em São Paulo.

Nada disso está no psicologismo barato da Mãe Lucinda da CBN. No último parágrafo, lembra que Haddad ainda é “100% lula-dependente” e que precisa de Marta. Precisa? E a trata como velharia ultrapassada num programa popularesco?

“E você? Virou defensor da Marta”?
“Como assim, Reinaldo? O Dimenstein, um martófilo convicto, agora a critica, e você se tornou defensor da ex-prefeita?” Não! Faz três ou quatro dias, eu a critiquei duramente aqui por causa de uma bobagem que ela disse sobre o caso Gilmar Mendes-Lula. Até fiz uma brincadeira, convidando-a a debater Maquiavel. Não mudei meu ponto de vista a respeito da senadora. Ela não passou a ser uma política do meu gosto porque faltou à festa de Haddad — até porque acho que ela acabará não resistindo às pressões do partido e das Mães Lucindas de certa área da imprensa.

Mas a obrigação de um analista, ainda que seja do tipo que opina, é destrinchar os fatos em vez de omiti-los. Dimenstein não diz em nenhum momento por que Marta teve a reação que teve. Trata-a apenas como aquela que teve um chilique, um ataque de frescura, uma reação destemperada. E psicologiza a reação: teria agido com a emoção, sem inteligência emocional. Só faltou chamá-la de “mulherzinha” e de “dondoca”.

Vocês viram quanto tempo demorou para que Marta passasse a virar saco de pancada da turma “deles”? O recado é simples: “Quer voltar a ser uma de nós? Então faça a coisa certa!”

Por Reinaldo Azevedo

 

A CPI do Cachoeira tem de ser, na verdade, a CPI da Delta. Ou: A cachoeira virou tsunami. Ou: VEJA tem acesso a relatório do Coaf e identifica um laranjal

Caros leitores, tenho insistido aqui desde o começo que o rolo envolvendo Carlinhos Cachoeira e a Delta tem duas frentes: a) uma é a ação do contraventor e seu envolvimento com a jogatina. O caso tem de ser investigado, e os responsáveis, devidamente punidos; b) outra, muito mais importante e ampla, diz respeito à Delta — esta sim, tudo indica, uma rede que se espalha Brasil afora. O bicheiro era apenas um dos operadores do esquema. Os sábios do PT tentaram limitar a investigação ao Centro-Oeste porque se deram conta do tamanho do imbróglio e porque perceberam, como estampa a capa da VEJA desta semana, que uma investigação ampla exporá o “laranjal” da empreiteira e será um tiro no pé do próprio PT. Leiam trechos da reportagem de Rodrigo Rangel e Hugo Marques na VEJA desta semana. A íntegra está na edição impressa da revista.

*
O policial civil aposentado Alcino de Souza é dono de uma empresa que só existe no papel. Por emprestar o nome à firma, ele mesmo conta que recebia 1.500 reais mensais. O valor é quase nada perto do que passa, ou passava até pouco tempo atrás, pelas contas bancárias da GM Comércio de Pneus e Pecas Ltda., que tem como sede um pequeno escritório de contabilidade em Goiânia. Em um período de apenas sete meses, entre novembro de 2009 e maio de 2010, a GM do policial Alcino recebeu depósitos superiores a 6 milhões de reais. O dinheiro foi remetido à empresa do policial pela empreiteira Delta, que está no epicentro do escândalo que deu origem à CPI do Cachoeira, sob suspeita de funcionar como uma central de pagamento de propina a políticos e funcionários públicos. A loja de pneus é aquilo que o dicionário da corrupção chama de empresa-fantasma. Alcino é o laranja, aquele que empresta o nome para esconder a verdadeira identidade do dono. Ambos são exemplos acabados do que a CPI do Cachoeira pode estar prestes a seguir: a trilha do dinheiro que abasteceu campanhas políticas e pagou propinas a servidores públicos. Um cofre que esconde segredos de mais de 100 milhões de reais.

VEJA teve acesso a um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do governo federal encarregado de monitorar transações suspeitas de lavagem de dinheiro, em que a Delta aparece relacionada a movimentações atípicas entre 2006 e o ano passado. São operações que, pelas regras do sistema oficial de combate a ilícitos financeiros, fogem ao padrão - como foi o caso da GM Pneus. De uma hora para outra, a empreiteira passou a registrar grandes movimentações em sua conta, o que chamou a atenção dos fiscais, que registraram isso no relatório.
(…)
Do total de operações suspeitas listadas no relatório envolvendo a Delta, há pelo menos 115 milhões de reais relacionados a empresas-fantasma, normalmente usadas para fornecer notas fiscais que são emitidas apenas para simular a prestação de serviços que nunca existiram. Um modelo, aliás, que é marca da atuação da Delta e que se encaixa à perfeição no padrão de atuação da empreiteira explicitado por seu dono, Fernando Cavendish, numa conversa gravada com dois ex-sócios. No diálogo, Cavendish escancarava a receita para conseguir bons contratos junto ao poder público: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…’. Pode ter certeza disso!”. Não era bravata. Esses mesmos ex-sócios revelaram a VEJA, na ocasião, que Cavendish utilizava notas fiscais frias para justificar a saída de dinheiro que, na realidade, ia parar no bolso de políticos e funcionários que ajudavam a abrir portas e conseguir contratos milionários no serviço público. Foi por esse expediente, aliás, que Cavendish contratou os serviços da “consultoria” do mensaleiro José Dirceu em troca de maior presença da Delta entre os fornecedores da Petrobras.
(…)
Do total de 115 milhões de reais em transações suspeitas apontadas no relatório. 47,8 milhões foram remetidos pela Delta nacional para as empresas Legend Engenheiros Associados (23,2 milhões), Rock Star Marketing (3,9 milhões) e S.M. Terraplenagem (20.7 milhões), as três com endereço em São Paulo. E repete-se o enredo. Nos registros oficiais, a Legend tem como proprietário o técnico em refrigeração Jucilei Lima dos Santos, pai de três filhos, morador de um sobrado modesto no Carandiru, bairro da Zona Norte de São Paulo. Localizado por VEJA na semana passada, Jucilei disse desconhecer a existência da Legend. “Não sei nem que empresa é essa. Nunca nem ouvi falar”, afirmou.
(…)
As informações de que o Coaf dispõe podem servir como bússola para guiar a investigação que a CPI terá de fazer a partir da quebra de sigilo da Delta. Para além dos laranjas, as “operações atípicas” indicam que os saques de dinheiro feitos pela matriz da empreiteira sempre aumentavam nos períodos eleitorais. Em 2006. o Coaf registrou 59 saques sucessivos da Delta ao longo dos trinta dias que antecederam as eleições, somando 5 milhões de reais. O responsável pelos saques foi o gerente financeiro da empresa, Alexandre Wilson Pinto. Mais um dado revelador que deve chamar a atenção da CPI: algumas das empresas de fachada usadas pela Delta aparecem recebendo volumosas quantias de outras grandes empreiteiras detentoras de contratos com o poder público, como a EIT e a Triunfo, prestadoras de serviços para o Ministério dos Transportes, e a UTC, cliente da Petrobras. Em se tratando de CPI, o que era cachoeira virou tsunami. Que certeiro tiro no pé se deu o lulismo!

Por Reinaldo Azevedo

 

Dados o atraso de Lewandowski e o ritmo escolhido para julgamento, Peluso deve deixar tribunal antes de conclusão de julgamento, como quer Lula. E aí?

A demora do ministro Ricardo Lewandowski na entrega da revisão do processo do mensalão — ele dispensou ajuda oferecida pelo presidente do STF, Ayres Britto, e ainda se abespinhou — vai produzir ao menos um efeito certo. Se ele concluir mesmo o seu trabalho na segunda semana de junho e dado o ritmo de trabalho acordado pela maioria dos ministros, o caso se arrastará setembro afora, e Cezar Peluso certamente terá de deixar o tribunal antes da conclusão. Ele pode antecipar o seu voto? Pode, sim! Mas não sei se vai fazê-lo. Se não o fizer, serão dez votos em vez de 11. Como Lula quer Peluso fora, a demora terá rendido ao menos um fruto positivo. Mais: número par no tribunal pode levar a uma situação embaraçosa: um empate em cinco a cinco, hipótese em que o presidente vota duas vezes. A praxe, nesses casos, é que esse voto qualificado seja sempre em benefício do réu.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 17:07

NA VEJA 2 – O dia em que Obama falou demais sobre a Suprema Corte… No Brasil, alguns tolos considerariam coisa normal; por lá…

Leiam reportagem de André Petry, na VEJA desta semana. Ela trata de um caso envolvendo Barack Obama e a Suprema Corte dos EUA, mas evidencia o que eu chamaria “déficit de cultura democrática no Brasil”. Segue trecho.
*
Imagine se o presidente Barack Obama tivesse feito uma reunião furtiva num escritório de advocacia para tentar adiar o julgamento da lei mais relevante que aprovou em seu primeiro mandato - a reforma do sistema de saúde. Obama fez muito menos do que isso, e já foi um salseiro. No início de abril, logo depois que a Suprema Corte encerrou três dias de audiência pública sobre a lei da saúde. Obama resolveu dar seu palpite sobre o assunto. Numa entrevista coletiva no Jardim das Rosas, na Casa Branca, manifestou sua convicção de que a lei permaneceria de pé após passar pelo crivo dos juízes: “Estou confiante em que a Suprema Corte não tornará uma decisão extraordinária e sem precedentes de derrubar uma lei aprovada por ampla maioria de um Congresso democraticamente eleito”. O mundo desabou. Houve até ordem judicial para que o ministro da Justiça explicasse - “em carta de pelo menos três páginas” - o que Obama quis dizer. O ministro respondeu em duas páginas e meia, mas só faltou pedir desculpas em nome do presidente.

Obama falou duas coisas e cometeu três erros. Não haverá nada de extraordinário caso a Suprema Corte venha a derrubar uma lei por considerá-la inconstitucional. A corte vem podando leis há 200 anos. Além disso, a reforma da saúde não foi aprovada por ampla maioria, mas por uma minoria raquítica: 219 a 212. O terceiro erro de Obama foi a imprudência de achar que a oposição não tomaria seu pronunciamento como uma forma de pressionar os juízes. “Ele está tentando intimidar a corte”, disse Bill Wilson, conhecido ativista de causas conservadoras em Washington. “Pode-se esperar isso de um ditador assassino como Hugo Chávez ou Robert Mugabe, mas não do presidente dos Estados Unidos.” O líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, cumprindo sua função de fiscal, acusou: “A tentativa do presidente de intimidar a Suprema Cone vai além da má política. É uma demonstração de profundo desrespeito pelas nossas instituições”. O porta-voz de Obama negou a intenção de intimidar e tentou não voltar ao assunto.
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Leia a íntegra da reportagem na edição impressa

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 16:33

NA VEJA 3 - Silas Malafaia: “O Brasil não é homofóbico; homofobia é uma doença”

Leia trecho da entrevista que o pastor Silas Malafaia concede a Pedro Dias Leite, nas “Páginas Amarelas” da VEJA desta semana. A íntegra está na edição impressa da revista.
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Com trinta anos de programas de televisão e vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), entidade que congrega cerca de 8 500 pastores de quase todas as denominações evangélicas, o pastor Silas Mala-faia, 53 anos, é um dos mais respeitados televangelistas brasileiros. Sua pregação condena o aborto, o uso de drogas e o que enxerga como aumento dos privilégios dos homossexuais. Malafaia ensina que Deus ajuda as pessoas a progredir, mas desde que elas façam sua parte: “Quem ganha 1.000 reais não pode querer gastar 1.100. Não adianta depois esperar que Deus tire o nome do sujeito do cadastro de maus pagadores”.
(…)
A que o senhor atribui o crescimento do número de evangélicos no Brasil?
O Evangelho não é algo litúrgico, para ser dissecado em um culto de duas horas. A grandeza do Evangelho está no fato de ser algo que pode ser praticado. A Bíblia é o melhor manual de comportamento humano do mundo. As igrejas evangélicas têm pregado uma mensagem de grande utilidade para a vida das pessoas também depois do culto. Esse é o grande segredo. De que adianta eu fazer o meu fiel ficar duas horas dentro de um templo se, quando aquilo acaba, nada muda nas relações dele com a família, com o trabalho e na vida social? Nós pregamos uma mensagem que condiciona a prática da pessoa no seu dia a dia. Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”. Ele fala da vida terrena nessa passagem.
(…)

A ênfase dos pastores em arrecadar dinheiro dos fiéis não é muito suspeita?
Existe um preconceito miserável em relação aos evangélicos, que costumam ser descritos como bandos de idiotas, tapados, semianalfabetos, manipulados por espertalhões dedicados a arrancar tudo o que querem deles. Engana-se quem os enxerga assim. Manipulação e exploração existem em todo lugar. Tem muito bandido por aí. Mas esses malandros não conseguem segurar o povo. A distância que me separa de um Edir Macedo, por exemplo, vai do Brasil à China, mas é um erro achar que todo mundo que dá dinheiro à igreja dele, a Universal, é imbecil ou idiota. Claro que não é. A pessoa doa porque se sente abençoada, porque se libertou da bebida, vício que consumia todas as economias dela e que a deixava sem condições até de pagar a conta de luz. Ninguém é obrigado a ofertar. Mas, se quer ser membro, se quer pertencer ao grupo, tem de ajudar. Estou construindo uma igreja linda, com ar-condicionado central, ao custo de 4 milhões de reais. Ela será paga com ofertas dos fiéis, pois, obviamente, não vai descer um anjo do céu e dizer “Malafaia, está aqui um cheque de Jeová, preencha e deposite”. Quem critica os pastores deveria mesmo é agradecer às igrejas evangélicas. Desafio qualquer um a me apresentar uma entidade que recupere mais pessoas do que as igrejas evangélicas.
(…)

Tem muita gente pragmática que já chega à igreja acreditando que vai aprender como subir na vida?
Tem, mas, se o objetivo fosse apenas subir na vida, não teria rico na igreja. Na minha tem gente pobre, mas também tem desembargadores, membros do Ministério Público, doutores, empresários. Mas dinheiro não é tudo. Se fosse, rico não daria tiro na cabeça, não tomaria remédio de tarja preta. Mesmo que muita gente pense que não deu certo na vida porque Deus não quis, a lógica de buscar amparo em uma igreja não é essa. A pessoa que transfere suas incompetências para Deus está equivocada. Quando um fiel me procura e pede “pastor, ore por mim porque o diabo está roubando as minhas finanças”, eu mando parar com conversa fiada. Se uma pessoa sempre gasta mais do que ganha, a culpa é dela mesma. Não pensem que Deus vai ficar cuidando das pessoas como se elas fossem bebês.
(…)

A sua atuação contra o projeto que criminaliza a homofobia em debate no Congresso foi contundente. Mas influir em leis é papel de um religioso?
Se não fosse assim, a casa tinha caído. Essa lei é a lei do privilégio. O Brasil não é homofóbico. Eu separo muito bem os homossexuais dos ativistas gays. Esses últimos querem que o Brasil seja homofóbico para mamar verba de governo, de estatais, é o joguinho deles. Homofobia é uma doença. Ódio aos homossexuais, querer matá-los ou agredi-los é uma doença. Agora, opinião não é homofobia.  (…). A lei que estão propondo é uma lei da mordaça. Se não aprendermos a respeitar a liberdade de expressão, será melhor mandar fechar a conta para balanço.
(…)

Qual a sua posição sobre o projeto que propõe a descriminação do uso de drogas e que deve chegar ao Congresso ainda neste mês?
Espero que o Senado e a Câmara joguem no lixo essa porcaria. Perderam o juízo. Não existe lógica em liberar o consumo de drogas e penalizar o traficante. Então eu estou desconfiado de que vai vir um marciano vender drogas aqui, um intergaláctico. Olhe a hipocrisia!
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Os Protocolos dos Sábios do PT: Reportagem tem acesso à lista de alvos do partido na CPI; entre eles, Gilmar Mendes, procurador-geral e imprensa

Vocês certamente já ouviram falar dos Protocolos dos Sábios de Sião, um texto redigido em 1897, muito provavelmente pela polícia secreta do czar Nicolau II, da Rússia, como se tivesse saído da pena de pensadores judeus. Explicita um suposta conspiração sionista para governar o mundo. Tornou-se um clássico da sujeira antissemita. Pois bem. A reportagem de VEJA teve acesso aos “Protocolos dos Sábios do PT” para impor a sua vontade ao país. Mas há duas diferenças: os protocolos originais eram falsos; os do PT são verdadeiros. Os judeus nunca tiveram a intenção de dominar o mundo, já os petistas têm a declarada intenção de dominar para sempre o país — como revelou Lula no Programa do Ratinho.

Muito bem. Abaixo vocês lerão trecho da reportagem de Daniel Pereira na VEJA desta semana. O PT elaborou os protocolos para seus representantes na CPI com aqueles que deveriam ser os seus alvos. Seriam Carlinhos Cachoeira, a Delta e a roubalheira? Nada disso!!! Os alvos, está tudo escrito, eram Gilmar Mendes, Roberto Gurgel (Procurador Geral da República), a imprensa e a oposição. Segue trecho da reportagem:
(…)
Nesta edição, VEJA revela a existência de um documento preparado pelos petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira. Lendo o material, é possível imaginar a atmosfera pesada que pontuou a conversa entre o ministro [Gilmar Mendes] e o ex-presidente, ocorrida no dia 26 de abril, no escritório de Nelson Jobim. ex-presidente do STF e amigo de ambos. O nome de Gilmar faz parte de uma lista de alvos preferenciais do PT que precisariam ser atingidos pela CPI do Cachoeira. Outro marcado na lista para sofrer ameaças e humilhações é Roberto Gurgel, procurador-geral da República, a quem caberá defender a punição dos mensaleiros na abertura do julgamento no STF. O guia de ação na CPI, produzido pela liderança petista e ao qual VEJA teve acesso. não deixa dúvida sobre as reais intenções do grupo mais umbilicalmente ligado a Lula. Os alvos preferenciais são os oposicionistas, a imprensa e membros do Judiciário que, de alguma forma, contribuíram ou ainda podem contribuir para que o mensalão seja julgado e passe, portanto, a existir oficialmente como um dos grandes eventos de corrupção da história brasileira - e, sem dúvida, o maior da República.

O documento foca em especial Gilmar Mendes. São dedicados a ele quatro tópicos: “O processo da Celg no STF”, “Satiagraha. Fundos de Pensão. Protógenes”, “Filha de Gilmar Mendes” e “Viagem a Berlim”. São referências a episódios em que Gilmar Mendes tem culpa no cartório? Não. São todas questões já levantadas contra o ministro pelos mensaleiros e seus defensores e que, uma vez esclarecidas, se mostraram fruto apenas do desejo de desqualificar um integrante do STF que os petistas consideram um possível voto contra seus companheiros réus. Se Lula foi mesmo induzido ao erro por relatórios dessa natureza, é uma questão ainda em aberto. Mas que ele se entregou de corpo e alma ao erro não há a menor dúvida. Na conversa com Gilmar, depois de dizer que controlava a CPI e insinuar que poderia proteger o ministro de uma eventual investigação, o ex-presidente citou um dos tópicos do documento: “E a viagem a Berlim?”, perguntou. No documento do PT, está escrito que “há notícias de que Cachoeira esteve na Europa” na mesma data que Gilmar. “Estamos lidando com gângsteres, com bandidos que ficam plantando essas informações”, reagiu o ministro do STF, que foi obrigado a explicar que viaja sempre para Berlim, onde mora sua filha.

Lula bem que tentou. Dispensou as liturgias esperadas de um ex-presidente, brandiu obscenamente versões como se fossem fatos, atropelou a lei, mandou às favas os bons costumes, a educação e a civilidade. Tudo para tentar o impossível: apagar da memória recente da nação que, sob seu governo, se deu o maior escândalo de corrupção da história da República. Foi patético. E inútil. Revelada sua abordagem a Gilmar Mendes no escritório de Nelson Jobim, a resposta de Lula veio por meio de uma nota curta e vacilante, em que se dizia “indignado”. Foi um tiro no próprio pé. A necessidade de julgar o mensalão tornou-se ainda mais premente. Disse Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo: “O que a sociedade quer é compreensível: o julgamento do processo, sem predisposição, seja para condenar, seja para absolver. O processo está maduro, chegou a hora de julgá-lo.”
(…)
Leia a íntegra na edição impressa da revista

Por Reinaldo Azevedo 

 

O PT DÁ UM TIRO NO PÉ

A capa da VEJA desta semana. 

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Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:55

Baixo investimento sepulta meta do governo para o PIB

Por Gustavo Patu e Pedro Soares, na Folha:
Com queda dos investimentos das empresas e do governo, o desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre ficou abaixo das expectativas mais pessimistas -e os dados não prenunciam uma aceleração tão cedo. Segundo divulgou o IBGE, a produção nacional, reunindo indústria, agricultura e serviços, praticamente não cresceu no período e se mantém perto da estagnação desde a metade do ano passado, a despeito da queda dos juros e da sucessão de pacotes oficiais de estímulo.

Tudo somado, o Produto Interno Bruto -ou seja, toda a renda gerada no país- medido de janeiro a março foi apenas 0,2% superior ao dos três meses anteriores. As previsões mais comuns no mercado e em Brasília variavam de 0,3% a 0,6%. O resultado não só é incompatível com a meta do governo Dilma Rousseff de um crescimento de 4,5% neste ano, já sepultada, como põe em risco até o prêmio de consolação de uma taxa acima dos modestos 2,7% de 2011.

Não há um cenário de alarme, porque o desemprego se mantém baixo, preserva o consumo das famílias e atenua o desgaste político. Mas a estagnação ameaça as promessas de um caminho mais curto rumo ao desenvolvimento: desde o início do mandato da presidente, foram cinco trimestres consecutivos de expansão abaixo de 1%, o que não acontecia desde o final dos anos 90.

PIOR FORA DA EUROPA
Entre as maiores economias que já divulgaram os resultados do trimestre, o desempenho brasileiro é o pior fora da Europa. Detalhados, os números evidenciam o impacto da crise global sobre um dos calcanhares de aquiles da economia nacional: a escassez de investimentos para ampliar a capacidade produtiva.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:51

Ritmo de expansão do Brasil perde até para nações em crise

Por Ronaldo D’Ercole, no Globo:
Quando se toma o ritmo de expansão das economias no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o Brasil figura apenas na 22ª posição entre os 33 países que já divulgaram os seus dados. E se distancia de seus pares do Brics (grupo das cinco maiores economias emergentes, Rússia, Índia, China e África do Sul), aproximando-se das economias mais afetadas pela turbulência europeia, como os Estados Unidos (2,1%) e Alemanha (1,7%). A China, que cresceu 8,1% de janeiro a março, aparece no topo do ranking, com a Índia em quarto (5,3%) e a Rússia em quinto (4,9%). Com expansão de 2,1%, a África do Sul é a 14 no ranking, oito postos à frente do Brasil.

No fim da lista, que tem a Grécia como lanterna (em 33 lugar, com retração de 6,2% no PIB trimestral), estão ainda Portugal (32 colocação e queda de 2,2%), a Itália (31 lugar e PIB negativo de 1,3%) e a Holanda (30 colocação, cujo PIB encolheu 1,1%).”O Brasil é um país com características semelhantes às dos grandes emergentes mas que cresce no ritmo dos europeus”, compara Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, que compilou os dados para o ranking dos PIBs do primeiro trimestre. “Isso é reflexo dos problemas estruturais (Previdência, estrutura tributária, inexistência de planejamento de longo prazo) que persistem no país, cuja solução é adiada governo após governo”.

Mesmo com a economia quase estagnada no primeiro trimestre, o Brasil conseguiu se manter à frente do Reino Unido como a sexta maior economia do mundo. Mas a diferença conseguida no fim do ano passado, quando deslocou os britânicos para a sexta posição, agora é bem pequena: enquanto o PIB brasileiro acumulado nos quatro trimestres encerrados em março somava US$ 2,483 trilhões, o do Reino Unido era de US$ 2,417 trilhões. O cálculo é do banco WestLb e leva em conta o dólar médio do primeiro trimestre. Com a alta da moeda americana ante o real nos últimos dois meses, ressalva o banco, o país muito provavelmente voltaria para a sétima posição. “Não houve alteração no ranking comparando-se com o resultado fechado de 2011, apesar da diferença em relação ao Reino Unido ter diminuído. Mas o efeito do câmbio depreciado deve ser maior neste segundo trimestre”, diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do WestLb.

Estados Unidos se mantêm como maior economia
No agregado dos quatro trimestres até março, os Estados Unidos se mantêm com folga no posto de maior economia do mundo, com PIB de US$ 15,4 trilhões, seguidos da China (US$ 7,56 trilhões), e do Japão (US$ 5,95 trilhões). Apesar do agravamento da crise na Europa, a Alemanha se mantém como a quarta economia, com geração de riquezas de US$ 3,5 trilhões. O PIB de US$ 2,76 trilhões garante a permanência da França em quinto.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:49

Dados negativos adiam retomada global

Por Lucuana Coelho e Fabiano Maisonnave, na Folha:
Uma confluência de dados negativos anunciados ontem nos EUA, na Europa e na China assustou os mercados financeiros e levou analistas a questionarem suas perspectivas para a economia global, após vislumbrarem uma melhora nos últimos meses. O desemprego nos EUA cresceu em maio pela primeira vez em um ano, voltando a 8,2% e dando outro sinal de que a recuperação na maior economia do mundo é mais tímida e menos confiável do que dados anteriores -ontem revistos para pior- sugeriam. Na Europa, o mercado de trabalho da zona do euro está em sua pior forma desde que surgiu a moeda única, enquanto na China, o motor da retomada global, a produção industrial exibiu o pior resultado deste ano. As Bolsas mundo afora reagiram mal ao noticiário.

“Os problemas no mercado de trabalho levaram tempo fermentando e não serão resolvidos da noite para o dia”, disse o chefe do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Alan Krueger, em comunicado que depois seria ecoado pelo presidente Barack Obama. “Nossa economia ainda enfrenta contratempos graves, como a crise na Europa e o preço da gasolina”, acrescentou, dizendo que o país ainda tenta “sair do buraco”. Krueger saiu em defesa de Obama, cuja reeleição neste ano depende da performance da economia.

O Departamento do Trabalho americano informou que 69 mil vagas foram criadas no mês passado, número amplamente classificado por economistas como “decepcionante” -e insuficiente para a expansão de 0,2% na força de trabalho ocorrida no mês. Assim, o desemprego foi de 8,1% a 8,2%. O setor de construção, maior obstáculo à retomada, continuou a demitir.

O cenário se agrava porque os dados anteriores foram revisados para baixo. Em abril, haviam sido criados 77 mil postos, e não 115 mil como antes dito, e em março, 143 mil em vez dos 154 mil estimados. A fragilidade americana se soma a outras nuvens negras no horizonte global, que há dois meses parecia se abrir. A zona do euro anunciou o maior índice de desemprego desde sua origem: 11% em abril -estável sobre o de março, mas 1,1 ponto acima do de abril de 2011. Na União Europeia, o índice foi a 10,3%. O caso mais grave é o da Espanha, onde uma em cada quatro pessoas está desempregada. A Grécia, pivô da crise, não atualiza dados desde fevereiro, quando registrou 21,7%.

CHINA
Pequim, por sua vez, registrou o pior resultado para a produção industrial em cinco meses, alimentando mais dúvidas sobre a capacidade de a segunda economia mundial fazer um “pouso suave”. No mês passado, o índice de compra de produtos manufaturados ficou em 50,4, queda de 2,9 pontos percentuais em relação a abril, informou a Federação Chinesa de Logística e Compra.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:47

Marconi Perillo diz que PT sempre o quis sozinho na CPI

Por Carolina Freitas, noVEJA Online:
O governador de Goiás, Marconi Perillo, afirmou nesta sexta-feira ver com tranquilidade sua convocação para depor na CPI do Cachoeira. A fala dele no Congresso Nacional está marcada para 12 de junho. O tucano prometeu levar à comissão provas de que não tem qualquer envolvimento com o grupo criminoso do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Desde que vieram à tona escutas da Polícia Federal (PF) que mostram o governador e integrantes da administração estadual em conversas com o contraventor, Perillo vem se oferecendo para ser ouvido e investigado pela Justiça e pela CPI. Na terça-feira, ele foi a Brasília entregar aos parlamentares uma carta em que pede para prestar depoimento.   “Eu já esperava ser convocado”, afirmou nesta sexta no Palácio das Esmeraldas, em Goiânia. “Afinal, houve sempre uma articulação muito forte por parte do PT para que eu fosse ouvido sozinho. O PT só não esperava que outras pessoas também pudessem ser ouvidas.” A CPI aprovou requerimento para ouvir também o governo do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, no dia 13. A proposta de convocar o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no entanto, foi rejeitada pelos parlamentares. Cabral aparece em fotos e vídeos confraternizando com o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, epicentro do escândalo Cachoeira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:45

Uma das empresas de Cachoeira tinha contrato com o governo de Goiás

Por Fábio Fabrini, no Estadão:
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, mostra que uma das empresas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, recebia dinheiro do governo de Goiás entre o primeiro e o segundo mandatos do governador Marconi Perillo (PSDB), que administrou o Estado de 1999 a 2002, reelegendo-se para o período de 2003 a 2006.

Suspeita de existir como empresa de fachada para evasão de divisas e lavagem de dinheiro, a BET Capital obteve R$ 1,3 milhão em depósitos da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop) entre 2002 e 2005. A CPI do Cachoeira pretende apurar se os recursos têm como origem serviços efetivamente prestados ao governo goiano.

Dono de participação societária da BET por meio da Teclogic Tecnologia Eletrônica, Cachoeira era o representante legal da empresa. As escutas da Operação Monte Carlo, desencadeada pela Polícia Federal já no terceiro mandato de Perillo (a partir de janeiro de 2011), mostram que o contraventor tinha influência na Agetop. Num dos grampos, ele informa ter feito empréstimo de R$ 600 mil ao presidente do órgão, Jayme Rincon, que nega ter recebido dinheiro.

A BET incorporou em 2003 a Capital Construtora e Limpeza Ltda., cujos sócios eram Lenine Araújo de Souza e Sebastião de Almeida Ramos Júnior, irmão de Cachoeira. Os dois são acusados de participação no esquema do contraventor.

De acordo com a Agetop, a Capital Construtora tocou duas obras para o órgão. A primeira, de 1999 a 2003, para a pavimentação da rodovia GO-338, ao custo de R$ 2,2 milhões. A segunda, entre 2001 e 2003, para a construção de uma ponte na GO-347, por R$ 1 milhão. A agência sustenta que os contratos foram firmados após concorrência e que os serviços foram prestados e pagos em sua integralidade.

O relatório do Coaf diz que a BET realizou movimentações financeiras incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica e a capacidade financeira. Além disso, foram identificadas operações em paraíso fiscal usado por empresas que querem lavar dinheiro. Entre 2002 e 2005, a empresa recebeu R$ 5,3 milhões em transações do exterior. Sua sócia majoritária, a BET CO., tem sede na Coreia do Norte.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 21:55

Um presente do leitor Marcelo Pinheiro

O leitor Marcelo Pinheiro fez um simpático cronômetro para comemorar os seis anos de blog. Vejam aqui.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 21:14

Delta recorre ao STF para tentar impedir quebra de sigilo nacional na CPI

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
Suspeita de utilizar empresas laranjas para alimentar o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a empreiteira Delta recorreu nesta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O fim da confidencialidade dos dados foi aprovado nesta semana pela CPI que investiga, no Congresso Nacional, as relações de cooptação e corrupção entre o bicheiro e agentes públicos e privados.

Conforme depoimento do delegado da Polícia Federal (PF) Matheus Mela Rodrigues à comissão de inquérito, a construtora Delta teria se beneficiado em contratos a partir de ligações de seus dirigentes com Cachoeira e transferido 39 milhões de reais para três empresas - JR, Brava e Alberto&Pantoja - utilizadas pelo contraventor para lavagem de dinheiro e evasão de divisas a paraísos fiscais no Caribe.

No mandado de segurança encaminhado à Suprema Corte, os advogados da empreiteira argumentam que a CPI não fundamentou a decisão de violar os sigilos da empresa. “A citação de reportagens jornalísticas sobre o suposto crescimento financeiro da empresa Delta, por si só, não é fundamento para se devassar as ligações telefônicas efetivadas pelos 30 mil funcionários”, diz a defesa.

“As consequências da imotivada ordem de quebra de sigilo serão prejudiciais para a empresa, que terá violada sua privacidade”, completa a empresa. Para os advogados, como o elo entre Cachoeira e a construtora se limitaria ao ex-diretor da companhia, Cláudio Abreu, que atuava na filial do Centro-Oeste, não haveria razão para a quebra de sigilo dos dados nacionais da empreiteira.

“Os requerimentos de quebra de sigilo informam que o objeto da apuração são as relações de Carlos Cachoeira com o ex-diretor da região Centro-Oeste, não existindo nenhum indício de ilicitudes praticadas em âmbito nacional. A instauração da própria CPI é restrita ao propósito de averiguação dos atos de Carlos Cachoeira e pessoas de seu relacionamento”, completa a empresa na ação encaminhada ao STF. A devassa dos dados, conforme os requerimentos aprovados na CPI, abrange informações de 2002 até os dias de hoje.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 21:08

MAIS COMISSÃO DA VERDADE - LULA NA CADEIA

Lula, está posto, se considera acima das leis, a exemplo do que se viu ontem no SBT — e a própria direção da emissora, por óbvio, pensa o mesmo. Estão todos mal-acostumados, não é mesmo? Silvio Santos saiu da quebra do Panamericano, com um rombo no mercado de R$ 4,3 bilhões, sem ter de gastar nem uma daquelas notas de R$ 50 que costuma distribuir a suas “colegas de trabalho” nas gincanas dominicais. Lula, mais de uma vez, mandou a lei às favas para fazer negócios que eram do interesse de seus aliados. O caso da compra do Brasil Telecom pela Oi foi a evidência mais escandalosa. O BNDES entrou para garantir no negócio quando a lei ainda proibia a operação. Não aconteceu nada!

Quero aqui corrigir uma expressão que empreguei em texto anterior — vou corrigir o original —, em que afirmei que Lula, por conta do assédio a Gilmar Mendes, tem de ser processado por “obstrução da Justiça”. A essência da coisa está correta e o artigo do Código Penal também: o 344. Alertaram-me um amigo advogado e muitos leitores que o nome não é “obstrução da Justiça”, não, mas “coação no curso do processo”. O condenado — pela Justiça, não por mim — pode pegar de um a quatro anos de cadeia. Aliás, na denúncia feita ao Ministério Público, esse foi um dos crimes apontados pelas oposições.

Alguns vagabundos estão dizendo que defendi a prisão sumária de Lula. Não conseguindo contestar o que escrevo, resolvem me atribuir o que não escrevi — sob as ordens de quem manda: José Dirceu. Prisão fora da lei é coisa do tempo em que Mino Carta defendia a ditadura. Acho que Lula tem de estar sujeito às consequências previstas para qualquer um que transgrida o Artigo 344 do Código Penal, a saber:
Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Bala paulistinha e tratamento VIP
Só para lembrar. Lula foi preso nos estertores da ditadura, em 1980. Ficou 30 dias no Dops. Felizmente, a polícia não encostou a mão nele, nos seus companheiros ou no “Menino do MEP”. Abaixo, segue uma entrevista que concedeu a Augusto Nunes em 1997. Ele dá detalhes dos dias que passou na prisão. Revela que foi tratado de “forma excepcional”; que “havia um tratamento humano”, que o então delegado Romeu Tuma, contra a lei, o tirava da cadeia de madrugada para visitar a mãe doente; que o policial arrumou para ele um dentista de madrugada e que o pobre profissional estava muito nervoso, com receio de alguma imperícia que pudesse lhe render alguma acusação por parte da imprensa…

Que bom que foi assim! Por conta desses 30 dias — e a criação do PT já estava adiantada —, Lula recebe hoje uma pensão mensal de quase R$ 7 mil. Na entrevista, o folgazão também conta como furava uma greve de fome marcada pelos companheiros: tinha escondido um pacote de balas Paulistinha.

Isso é apenas a verdade, contada pelo próprio Lula. Ele é, sob qualquer critério que se queira, um milionário — especialmente num país em que um rendimento de R$ 301 mensais já confere a alguém a condição de “classe média”. Um pouco de decoro e bom senso o obrigaria a doar esses R$ 7 mil a crianças pobres. Mas quê!!! O homem tem o que eu chamaria de concupiscência do heroísmo.

Caso Lula seja processado e condenado por “coação no curso do processo”, segundo a lei, que seja preso, a exemplo do que aconteceria a qualquer brasileiro. E sem privilégios. Segue entrevista feita pelo meu caríssimo amigo Augusto Nunes.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 20:19

PSDB e PPS vão à Justiça eleitoral contra PT, Haddad, Lula, Ratinho e o SBT

O PSDB e o PPS anunciaram que vão entrar com representação na Justiça Eleitoral contra Lula, Fernando Haddad, Ratinho, SBT e a pré-camapanha do candidato petista à Prefeitura por campanha eleitoral antecipada, uso indevido de um meio de comunicação e abuso de poder.

Ontem, como sabem, Lula e Haddad foram entrevistados pelo apresentador, em campanha eleitoral aberta, sem subterfúgios ou ambiguidades. Aliás, Lula não se furtou nem mesmo a tratar de 2014. Anunciou que, caso Dilma não queira concorrer à reeleição em 2014, será, sim, candidato para “impedir que um tucano volte a governar o Brasil”.

Não se me lembro de flagrante igual de desrespeito à Justiça Eleitoral. Se aquilo pode, então tudo pode.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 19:32

É difícil renunciar subitamente a um grande amor!

Pô, gente, virou festa da uva, agora?

Àqueles que adoram me detestar em suas páginas com fanática dedicação, um recado: é preciso ter alguma altura até para tomar um tapões metafóricos na orelha! Dispensem-se de me enviar, como se fossem meus admiradores, as ofensas que vocês mesmos escrevem! Que coisa mais aborrecida! Que truque mais barato!

Volta e meia, chega o comentário: “Olhe o que fulano falou de você…” E me enviam o link. No mais das vezes, ignoro. Às vezes, por curiosidade, tento saber do que se trata. E caio lá na página de um Zé Mané qualquer, que coleciona, post após post, “zero comentários”. A mãe do cara não comenta. A mulher não comenta. Os filhos não comentam. Os amigos não comentam. Por que eu iria comentar?

Até para tomar uma carraspana é preciso crescer um pouco no mundo da delinquência virtual. Não dá para responder a páginas de trombadinhas do JEG! Quanto aos trombadões, ah, já conheço todas as ofensas. Que coisa obsessiva! Parecem estar numa corrida para ver quem consegue ser mais abjeto!

Entendo. Como disse o grande Catulo, “difficile est longum subito deponere amorem“. É difícil renunciar subitamente a um grande amor. Calma, assanhadas! Há Reinaldo de sobra para todas odiarem!

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 18:36

Economia brasileira avança 0,2% no trimestre

Por Anna Carolina Rodrigues, na VEJA Online:
A economia brasileira avançou 0,2% no primeiro trimestre de 2012, em relação ao quarto trimestre do ano passado, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Produto Interno Bruto (PIB) do país alcançou a marca de 1,033 trilhão de reais no período. O resultado veio abaixo do esperado pelo mercado - entre 0,3% e 0,7%.

No primeiro trimestre de 2011, a economia brasileira havia crescido 1,3% na mesma base de comparação. Contra o primeiro trimestre de 2011, o PIB brasileiro cresceu 0,8% na medição divulgada nesta sexta. Nos últimos quatro trimestres, o PIB brasileiro acumulou crescimento de 1,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Diante do desempenho frustrante da economia brasileira em um período em que o governo lança todos os seus esforços para estimular o consumo, a expectativa dos analistas é de que mais medidas sejam anunciadas para acordar a adormecida pujança do PIB nacional. Entre elas estão a redução do compulsório dos bancos e novos cortes de juros nos próximos meses. Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu pelo corte de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, levando-a ao patamar mais baixo da história: 8,5% ao ano.

Agropecuária espanta alta
Na relação deste primeiro trimestre com o último do ano passado, a indústria mostrou franca recuperação e cresceu 1,7%, enquanto o setor de serviços desacelerou para 0,6%. Contudo, foi o setor agropecuário que exerceu o maior peso sobre o resultado ruim dos três primeiros meses do ano: caiu 7,3%. Entre as causas da queda está a crise internacional, que ocasionou a redução da demanda mundial por grãos, além da queda generalizada no preço das commodities agrícolas.  

O consumo da administração pública subiu 1,5% e o das famílias, 1,0% no período. A formação bruta de capital fixo, que reflete os investimentos no setor produtivo e infraestrutura, caiu 1,8%.  No que se refere ao setor externo, as importações de bens e serviços cresceram em ritmo superior ao das exportações: 1,1% contra 0,2%. Em valores correntes, o consumo das famílias contribuiu com a maior parcela do PIB, ao somar 658,9 bilhões de reais, seguido pelos setores de serviços (602,0 bilhões de reais) e industrial (229,5 bilhões de reais). 

Opinião
Segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, apesar da recuperação do trimestre, a indústria ainda sofre os efeitos da crise internacional e não se beneficiou, até agora, da desvalorização do real. O dado da produção industrial divulgado nesta quinta-feira mostrou queda de 0,2% em abril frente a março. Trata-se da segunda queda consecutiva e a terceira variação negativa mensal no ano. 

Para Tatiana Pinheiro, economista do Santander, o setor de serviços deve crescer de maneira estável e manter-se acima da média da economia, enquanto os setores industrial e agropecuário deverão permanecer mais sensíveis ao cenário externo.  ”Olhando pelo lado da demanda, em termos de renda, o crescimento, ainda que baixo, ocorre devido ao bom desempenho do consumo das famílias. Ele é prejudicado, sobretudo, pelo ambiente internacional incerto, que espanta investimentos”, afirma. Para ela, o cenário ainda é positivo porque é reflexo do aumento do salário mínimo e de um mercado de trabalho aquecido. “Olhando friamente os números, é uma evolução positiva”, afirma.

Analistas avaliam que, a partir do segundo semestre, a economia brasileira volte a se movimentar, considerando que a redução dos juros tem defasagem de 6 a 9 meses para impactar o mercado. A surpresa - e preocupação - virá se no segundo semestre os dados continuarem fracos. “A melhora deve vir especialmente nesse período como impacto das medidas de estímulo que o governo têm adotado. Mas isso não vai ser suficiente para que o PIB cresça acima de 3% este ano”, avalia Flávio Serrano, economista sênio do BES Investimento

Por Reinaldo Azevedo

 

Aos meus leitores, que me ensinaram a ser uma pessoa melhor!

A pedido dos leitores, manterei este texto no alto da página neste domingo

*
O pão nosso da alegria

Neste mês, o blog que mantenho na VEJA Online completa seis anos. A página é acessada entre 100 000 e 150 000 vezes por dia — com um pico de 234.640. Nesse tempo, já foram ao ar quase 35 000 posts e 1,8 milhão de comentários. Acusam-me algumas pessoas  de obsessivo, e os números não as deixam mentir. Tornei-me dependente do diálogo cotidiano que mantenho com milhares de leitores Brasil afora — e um bom tanto espalhado aí por esse mundão. Se não posso, a exemplo de Mário de Andrade, compor um “Lundu do Escritor Difícil”, sei que não sou muito fácil, especialmente porque gosto de escrever textos longos, de intercalar frases, de coordenar orações subordinadas que se distanciam perigosamente da principal, de explorar recursos já emperrados da sintaxe, de brincar com o meu apreço pela ordem.

Diziam-me nos primórdios: “Assim você não vai longe; internautas não têm tempo e paciência para esse estilo”. Sou grato pela confiança até dos que odeiam a minha página com comovente dedicação. Não raro, o amor pode se distrair e cair presa, ainda que por um lapso, de outros encantos. Mas o ódio é fiel porque dedicado escravo do ressentimento. O amor é altivo e, liberto, esquiva-se às vezes para ser reconquistado. O ódio se oferece todos os dias ao desprezo para se nutrir do bem que não pode alcançar. Aos que amam, tenho de lhes fazer todos os dias a corte com textos novos e primícias, como o enamorado cativo. Os que odeiam me pedem bem menos: basta que eu exista para que tenham razão de ser.

Os que amam não buscam apenas a minha luta cotidiana com as palavras, que o poeta Carlos Drummond de Andrade já chamou de “a luta mais vã”. Também se alimentam da minha paixão, que é a deles, pela divergência, pelo debate, pelo contraditório. E o amor pode ser flamejante e se fazer fogo que arde pra se ver, sim! E recorre a paradoxos para expor todos os relevos de seu contentamento descontente. Escrevo páginas para os que têm sede de justiça e para os que apreciam a lógica com método. Conquistei — digo-o com um orgulho maior do que possa abrigar — leitores que me pegam pelo braço, que são os meus Virgílios nos círculos do inferno e os anjos que me livram de diabólicos ardis, como a alma de Fausto, resgatada pelos céus na hora final. Os meus leitores me ensinaram a ser uma pessoa melhor.

É possível que outro veículo pudesse abrigar o blog ou este texto, mas é a VEJA que faz uma coisa e outra. Nestes seis anos, ainda que a vanguarda do retrocesso tentasse avançar e vencer, clamando, como a Rainha de Copas, “cortem-lhe a cabeça, cortem-lhe a cabeça”, constatei que, nesta revista, a liberdade de pensamento não é mera dama de companhia da história: presente, mas servil; educada, mas obediente; altiva, mas com autonomia não mais do que derivada. Os fundamentos do estado democrático e de direito é que têm a tutela de nossos pensamentos, de nossas utopias, de nossas prefigurações.

Nada excita mais a fúria dos vampiros morais do stalinismo e do fascismo que a liberdade que se exerce sem pedir licença a aiatolás da ideologia. Uns estão convictos de que sua leitura de mundo foi alçada à condição de uma teologia que não pode ser confrontada. Outros entendem que ganharam nas urnas o direito de solapar os fundamentos daquilo mesmo que lhes deu expressão: as garantias democráticas. Satanizam, então, a divergência e a convicção alheia como expressões do sectarismo, do preconceito e do ódio. Atribuem a seus adversários aquilo que eles próprios prodigalizam. Quantas vezes já não fui acusado de “intolerante” não porque excitasse a fúria de eventuais algozes de meus adversários de pensamento, mas porque, ao discordar de uma falsidade influente vendida como verdade, desafinei o coro dos contentes.

Escrevi em 2006 um artigo para o Globo em que citava uma epígrafe que está na edição inglesa (Penguin Books)  do livro “The Captive Mind”, do poeta polonês Czeslaw Milosz, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1980. Relembro-a aqui. É um ditado ou, talvez, um aforismo espichado, atribuído a um velho judeu da Galícia: “Quando alguém está 55% certo, isso é muito bom e não há discussão. Se alguém está 60% certo, isso é maravilhoso, é uma grande sorte, ele que agradeça a Deus. Mas o que dizer sobre estar 75% certo? Os prudentes já acham isso suspeito. Bem, e sobre estar 100% certo? Quem quer que diga estar 100% é um fanático, um facínora, o pior tipo de velhaco”.

Os que se arvoram em donos do pensamento tentam nos fazer duvidar de nossas convicções não porque tenham os melhores argumentos ou porque dotados de uma razão científica superior, que desmoraliza nossos preconceitos ou nossas impressões, mas porque dominam o que chamo “aparelhos sindicais do pensamento”. Ainda que os fatos e a verdade da ciência possam estar do nosso lado, tentam se impor porque supostamente mais humanistas do que nós, mais justos do que nós, mais sonhadores do que nós, mais bondosos do que nós, mais “amigos do povo” do que nós.

Há quase três meses, as harpias do oficialismo mais subserviente, da imoralidade mais chã, da prepotência mais rastaquera têm exibido as suas garras financiadas para tentar intimidar o jornalismo independente, que não deve vassalagem aos donos do poder, que está comprometido com os fatos, que busca a verdade, anseio de milhões de pessoas, ainda que uns poucos não queiram. São prestadores de serviço que se disfarçam de jornalistas; amantes do dinheiro vivo que se alimentam de ideias mortas; reputações que encontram no limo a justa recompensa moral por sua vileza intelectual, pelo baixo propósito de seus anseios, pela estupidez falastrona de suas predições. Trata-se, em suma, de uma variante do poder arbitrário formada por gente paga pelo erário para assediar moralmente o jornalismo e os jornalistas que estão comprometidos com os fatos e com o conjunto de valores que definem o estado democrático e de direito.

É claro que meu blog não poderia escapar ao radar desses seres trevosos. Na periferia do pensamento, não raro ignorados pela relevância, esmagados pela própria pequenez, gritam, sem que possam apontar um só texto que justifique a sua inútil histeria: “Vejam como ele odeia em vez de debater! Cortem-lhe a cabeça!”. Fazem-no sem contestar uma só das teses ou das evidências que apresento, exibindo uma assombrosa ignorância e excitando, eles sim, uma súcia de outros ignorantes e truculentos, que tentam transformar a vulgaridade, o baixo calão, a ignomínia e a ofensa em categorias de pensamento. São os zumbis de um passado que tenta não passar. Mas sabem que já morreram.

Em outubro de 2008, a Editora Record convidou-me para lançar um livro com uma coletânea de artigos do blog, que resultou em “O País dos Petralhas”, que vendeu mais de 50 000 exemplares. Em 2010, foi a vez de “Máximas de Um País Mínimo”, um livrinho de frases, que chegou à marca dos 20 000. Acabo de assinar um contrato para fazer “O País dos Petralhas II”. Ainda não sei se o subtítulo será “A Luta Continua” ou “O Inimigo agora é o Mesmo”, parafraseando, pelo avesso, o  “Tropa de Elite II”. Nos mais de 400 (!) artigos do Volume I — e assim será no II —, o debate de ideias, o exercício da divergência, o prazer da discordância.

Quero dizer à vanguarda do atraso que ela nem avança nem vence. É de Rosa Luxemburgo, uma socialista intelectualmente honesta dentro do seu equívoco — e isso quer dizer “ingênua” —, uma das frases que tomo como divisa: “Liberdade é, apenas e exclusivamente, a liberdade dos que pensam de modo diferente”. Rosa Luxemburgo esfregou a frase nas fuças de Lênin e Trotsky ao perceber que o primeiro ato dos facinorosos travestidos de libertários seria golpear a Assembleia Constituinte.

Não, não, caras e caros! Não tomei borrachada nas ruas em defesa da democracia nem me expus tão cedo a riscos consideráveis para que agora intolerantes viessem a cobrar caro por aquilo que a Constituição (que eles se negaram a homologar) me dá de graça: o direito à divergência e à verdade. A verdade que quero não é patrocinada pelo estado nem definida por comissário com atestado de pureza ideológica.

Quero a verdade precária do suceder dos dias.
Quero a verdade eterna reforçada pelas verdades novas.
Quero a verdade que nasce do exercício da liberdade.
A liberdade é o “Pai Nosso” do civilismo, o pão nosso da alegria!

Por Reinaldo Azevedo

 

03/06/2012 às 10:09

Humilhada por Lula no Programa do Ratinho, tratada como velharia “sem entusiasmo”, Marta falta à festa de lançamento da candidatura de Haddad e irrita PT

Leiam o que informam Bernardo Mello Franco e Mariana Carneiro, na Folha. Volto em seguida:
Preterida na escolha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy faltou ontem à festa de lançamento da campanha de Fernando Haddad e causou forte constrangimento à cúpula do partido. A atitude da ex-prefeita, que não deu explicação para sua ausência, irritou o ex-presidente Lula e o pré-candidato, que preparou discurso com elogios à gestão dela no município (2001-2004). “Fiquei chateado, né? Todos nós gostaríamos que ela estivesse aqui”, disse Haddad. Questionado se Marta deu alguma justificativa, ele foi lacônico: “Não”. O presidente municipal do PT, vereador Antonio Donato, afirmou não ter sido avisado dos motivos da senadora: “Pergunta para ela”.

Marta confirmou presença, mas faltou sem avisar a ninguém e deixou o celular desligado, assim como seus assessores. A ausência inesperada levou petistas a cometer gafes em sequência. Num dos primeiros discursos, o senador Eduardo Suplicy, ex-marido da senadora, anunciou que ela chegaria “a qualquer momento”. O deputado Paulo Teixeira chegou a escrever no Twitter que ela estava no ato, mas logo se corrigiu: “Ops, errei! A Marta não está aqui! Rs”.

Apesar do desconforto, os petistas se esforçaram para não melindrar a ex-prefeita. Ela foi elogiada em quatro discursos, inclusive nos de Lula e do pré-candidato. Impaciente com o que ainda parecia um atraso de Marta, Suplicy enviou um torpedo: “Você está sendo fortemente aguardada. Abs, Eduardo”. Ela não respondeu. Na saída, o senador ligou para a ex-prefeita diante de jornalistas, mas teve que deixar recado na caixa postal. “Olá, Marta. É Eduardo. Quando puder, me ligue. Agora já acabou a convenção.”
(…)

Voltei
Marta Suplicy está longe de integrar o grupo de políticos do meu gosto. Muito longe! E acho que ela acabará não resistindo à pressão. Mas covenham: tudo tem limites, não? No “Programa do Ratinho”, a senadora e ex-prefeita foi humilhada, tratada como velharia, o que é obviamente  injusto. Atenção! “Injusto”, deixo claro, segundo os critérios e a história do próprio PT. Lula foi notavelmente grosseiro com a “companheira”.

No programa, simulando cochichar ao pé do ouvido de Lula, falando baixinho, como quem fosse arrancar do outro um segredo e a revelação de uma grande esperteza, Ratinho pergunta: “Por que é que o Haddad foi escolhido para ser o candidato a prefeito?” Aiatolula, então, assumindo ares de coronel Ramiro Bastos (a novela “Gabriela” está voltando aí…), não se constrange, não se intimida, não doura a pílula. Deixando claro que a decisão foi sua, unipessoal, ato de caudilho, que bate o porrete na mesa (como fazia Ratinho no princípio da carreira) ,  avançou com a sua sociologia manca:
LULA - Olhe, por uma razão muito simples: convivi com Haddad durante o tempo que eu fui presidente da República; convivi com a Marta durante 30 anos… A Marta já foi prefeita, uma belíssima prefeita em São Paulo, mas eu achava que era o momento de a gente apresentar uma coisa nova para a cidade de São Paulo. Porque um prefeito de São Paulo, qualquer que seja ele, ele começa a nascer é já é um pouco velho. Eu falei outro dia isso… Porque veja: o Fernando Haddad, com essa cara boa, bonita aí…
RATINHO - É, ele é bonitão, um galã…
LULA - ganha as eleições, no dia 1º, dá um temporal aqui em São Paulo, já tá o prefeitozinho com a água até o pescoço. Então eu acho, acho que São Paulo precisa ter alguém que tenha o entusiasmo que ele teve cuidando da educação no Brasil (…)

E Lula seguiu, elencando algumas mentiras sobre os feitos de Haddad, sem destacar uma única ação de Marta na cidade. Com cara de aluninho elogiado pela professora, que a presenteia com uma maçã ao fim da aula (lembram-se desse clichê?), o escolhido de Lula ouvia tudo, embevecido com os elogios e os seus supostos feitos, até ser chamado a integrar a mesa. Ao tomar a palavra, nenhuma menção a Marta, nada! Afinal, ele era a “cara nova”, a “cara bonita”, o “galã”, aquele “cheio de entusiasmo”…

Por enquanto ao menos, Marta parece dizer que há um limite para a humilhação. Como disse, talvez ceda à pressão do partido, dado o clima de guerra que Lula quer criar em São Paulo. Mas ainda não chegou essa hora. Observo que a fala de Lula revela o que é uma estratégia de marketing. Quem estava falando ali era João Santana. Haddad é um candidato saído do laboratório de propaganda, pouco importando a vida partidária, a vontade dos filiados, o que seja…

Só em São Paulo??? Vejam o caso de Recife. Lula decidiu que, na capital de Pernambuco, o prefeito João da Costa não vai disputar a reeleição. E ponto final! Além das divergências locais (e são grandes, nascidas de uma disputa de alas do PT na escolha da empresa que faz a coleta de lixo), uma das exigências do governador Eduardo Campos para o PSB apoiar Haddad na capital paulista é que Costa seja defenestrado. Em São Paulo, o ApeDELTA decidiu que não haveria prévias. Em Recife, elas aconteceram, o prefeito venceu, mas a Executiva Nacional do PT, por ordem do coroné, anulou o processo.

É isso o que alguns bananas, disfarçados de cientistas políticos isentos, chamam de “modernidade” no PT.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 18:20

“Mentiras serão cobradas na Justiça”

O joio sempre esteve misturado ao trigo. Mas nunca como agora. O subjornalismo financiado por franjas do estado brasileiro, a serviço de um partido político, nunca foi tão agressivo. A delinquência, fingindo-se de imprensa, faz o trabalho sujo sem pestanejar. A assessoria da pré-campanha de José Serra (PSDB), que vai disputar a Prefeitura de São Paulo, emitiu há pouco a seguinte nota:

A campanha de José Serra em 2010, bem como todas as anteriores, não teve caixa 2. Quem faz caixa 2, e já confessou que fez, é o PT, que aliás, tem vários de seus líderes processados no Supremo Tribunal Federal no caso da quadrilha do Mensalão. Sobre as falsas e mentirosas alegações veiculadas neste fim de semana por uma aloprada revista, cabe apenas reiterar: o denunciante é desqualificado, e a revista tem histórico de delinquência eleitoral. A mentira é tão manifesta que nem o suposto denunciante nem a publicação assumem diretamente a calúnia. Atribuem-na a um personagem anônimo na tentativa de fugir à responsabilidade pela ofensa cometida. Não escaparão. Terão de responder pela calúnia na Justiça.

Por Reinaldo Azevedo

 

Da colunaDireto ao Ponto, por Augusto Nunes:

O governo que anexou os pobres à classe média acaba de inventar o mendigo rico

Com a entrada em cena de Wellington Moreira Franco, o interminável espetáculo do cinismo descambou para o terreno da galhofa. Único integrante do primeiro escalão que jamais conseguiu uma conversa a dois com Dilma Rousseff, o (segundo o cartão de visitas) Ministro-Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República resolveu chamar a atenção da chefe com uma vigarice estatística de deixar ruborizado até dono de instituto de pesquisa. Graças ao ministro do Nada, foram extintos os pobres que restavam no Brasil Maravilha.

Neste 29 de maio, Moreira Franco revelou que, a partir de agora, pertencem à classe média todos os brasileiros cujos rendimentos individuais alcancem de R$ 250 a R$ 850. São 48% ─ quase metade ─ da população. Como explicar a proeza assombrosa? O ministro se dispôs a decifrar o enigma em dilmês castiço: “A classe média foi delimitada ainda de acordo com o grau de vulnerabilidade, ou seja, a probabilidade de retorno à condição de pobreza, definido como o percentual de pessoas que vivem em locais cuja renda per capita caiu abaixo da linha de pobreza em algum momento em cinco anos”, complicou Moreira Franco.

Em 2007, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada pareceu ter alcançado o limite da audácia malandra ao descobrir como se faz para mudar de categoria sócio-econômica sem sair do lugar. De um dia para outro, as famílias cuja renda mensal superava a marca dos R$1.063 souberam que haviam sido transferidas para a classe média. Como registra o post reproduzido na seção Vale Reprise, o governo Lula inventou o pobre que sobe na vida sem deixar a pobreza.

Ainda mais ousado que os alquimistas do IPEA, Moreira Franco também prometeu criar um “instrumento de pesquisa” chamado Vozes da Classe Média.  “Queremos saber quais são as aspirações e os desejos desse novo universo”, explicou o milagreiro de araque. A pesquisa é dispensável: 100% dos entrevistados dirão que tudo o que querem é viver como vive gente da classe média de verdade.

Estudos recentes atestam que os mendigos que esmolam nas esquinas de São Paulo ganham, em oito horas de expediente, entre R$35 e R$40 . Em 25 dias, embolsam de R$875 a R$1.000. Os pedintes das ruas, portanto, não têm nada a pedir ao governo Dilma Rousseff. Ganham mais que a classe média do Brasil Maravilha. São mendigos ricos.

 

02/06/2012 às 11:53 \ Direto ao Ponto

O mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório confirmou que a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono

Neste sábado, os leitores de VEJA foram confrontados com informações que renovam o prazo de validade da lição de Tancredo Neves: a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono. Provas documentais obtidas pela revista atestam que os arquitetos da CPI do Cachoeira, concebida para embaralhar o julgamento do mensalão, montaram uma lista de alvos prioritários que incluiu, entre outros, o ministro Gilmar Mendes, o procurador-geral Roberto Gurgel e jornalistas independentes. Ruins de mira, os artilheiros trapalhões acabaram acertando o próprio pé ou a testa de bandidos de estimação.

Depois da quebra do sigilo bancário e fiscal da Construtora Delta, o que deveria ser uma devassa restrita ao estado de Goiás escapou do controle dos parteiros malandros. A cachoeira de patifarias vai se mostrando suficientemente caudalosa para alcançar pecadores em qualquer ponto do país ─ e provocar estragos de bom tamanho no coração do poder. No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, o Brasil foi confrontado com mais evidências veementes de que o empreiteiro Fernando Cavendish utilizou empresas fantasmas, “laranjas” e notas frias para justificar a saída de dinheiro destinado a figurões incumbidos de ampliar a coleção de contratos multimilionários com o PAC, empresas estatais, ministérios e governos estaduais.

Cavendish valeu-se desses truques criminosos para alugar, por exemplo, os serviços de “consultoria” do mensaleiro José Dirceu, escalado para aumentar a fatia reservada à Delta entre os fornecedores da Petrobras e multiplicar os canteiros de obras públicas explorados pelo melhor amigo de Sérgio Cabral. Dirceu, uma usina de ideias de jerico, foi um dos mais vibrantes defensores da instauração da CPI. Não vai dormir por alguns dias. Talvez o console a certeza de que é só mais um na multidão de companheiros afetados pela epidemia de insônia.

 

01/06/2012 às 20:53 \ Direto ao Ponto

Soninha Francine: ‘Imagine FHC dizendo no programa do Faustão que não podemos permitir que um petista dirija este país’

Soninha Francine, pré-candidata do PPS à prefeitura de São Paulo, enviou um comentário sobre o comício ilegal de 4o minutos transmitido pelo SBT que merece ser transcrito neste espaço. Confira:

Imagine o que o PT faria em outros tempos se o apresentador de um programa popular e o detentor de uma concessão pública (TV…) montassem esse altar para que um ex-presidente abençoasse e cobrisse de glórias o seu candidato. E também fizesse troça com o partido de oposição… Imagine Fernando Henrique no programa do Faustão dizendo: “Não podemos deixar que um petista dirija este país”. Os petistas iriam à ONU, à OEA, à Corte de Haia. Centrais sindicais convocariam manifestações de protesto na Avenida Paulista. Contra a cumplicidade das elites, contra a mídia servil, contra o poder imperial dos meios de comunicação… E AINDA tem gente inteligente, bem informada, honestamente preocupada com o Brasil, que DEFENDE a conduta do PT até hoje. Céus, que devoção cega! Que desgosto.

Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, desde ontem a Justiça eleitoral está diante de três opções. Primeira: depois de obrigar o Programa do Ratinho a transmitir comícios de 40 minutos estrelados pelos outros pré-candidatos, revogar todas as normas que regem eleições no Brasil. Segunda: comunicar oficialmente à nação que todos são iguais perante a lei, mas Lula e seus protegidos são mais iguais que os outros. Terceira: enquadrar exemplarmente os estupradores da lei eleitoral para deixar claro que, ao contrário do que parece, Lula ainda não foi condenado à perpétua impunidade.

 

01/06/2012 às 17:11 \ Direto ao Ponto

O timaço de comentaristas se mobiliza para completar a fantasia de JUIZ DOS JUÍZES

Ilustração: Luiz Roberto

O assédio aos ministros do Supremo Tribunal Federal confirmou que Lula pretende assumir a chefia do Poder Judiciário. Se ainda não tiver chegado lá no Carnaval de 2013, o destaque da Escola de Samba Gaviões da Fiel poderia abrandar a ansiedade desfilando no sambódromo paulista com a fantasia bolada pelo nosso Luiz Roberto: JUIZ DOS JUÍZES. A peruca de magistrado inglês precisa ser complementada por vestimentas, adereços e badulaques que o credenciem a brilhar nos quesitos luxo e criatividade.  Por exemplo: uma bengala de espancar José Dirceu. Que venham as sugestões do timaço de comentaristas.

(por Augusto Nunes)

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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