Gilberto Carvalho confirma que Maluf ganhou secretaria para apoiar Haddad e diz que acordo “não é nenhuma catástrofe”

Publicado em 19/06/2012 00:11 e atualizado em 21/08/2013 12:27 1365 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Para avançar na “Rio+20” – CNA propõe Áreas de Preservação Permanente para todos os países e criação de fundo de combate à terra degradada

A “Rio+20″ pode se perder nas escatologias dos eco-fim-de-mundistas — Marina Silva afirmou dia desses que somos os exterminadores do futuro (menos ela e seus amigos, claro!!!) — ou pode tomar o rumo das medidas práticas, que contribuam para a salubridade do meio ambiente, mas sem esquecer que, afinal de contas, o objetivo é o homem. Sim, caras e caros! O dado mais estupefaciente de certo preservacionismo é imaginar um planeta sem gente, como se a Terra devesse ser preservada para si mesma.

Não, dona Marina! Não somos os “exterminadores do futuro” porque somos inventores do futuro! “Ah, então vamos botar pra quebra no planeta!” Bobagem! Vamos, como tem sido regra na espécie, atuar com inteligência. Usar racionalmente os recursos do planeta é do interesse de todos. Mas não dá para ignorar os diferentes papéis dos países no tabuleiro e as diferentes responsabilidades que cabem a cada um.

A Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA) tem presença ativa na “Rio+20″ e elaborou um documento a ser entregue ao governo brasileiro e aos chefes de estado presentes à conferência. Abaixo, segue uma síntese enviada à imprensa pela senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da entidade. É um primor de racionalidade e bom senso.

Entre outras propostas, está a adoção, em escala mundial, das APPs — Áreas de Proteção Permanentes. Tanto no Código Florestal em vigor como naquele que sairá depois de votada a MP do governo federal, o Brasil protege “nascentes, margens de rios e áreas de recarga de aquíferos subterrâneos”. Mas, ora vejam!, somos dos poucos países do mundo que têm isso estabelecido em lei. Eis um conceito que precisa se universalizar. A proposta conta com o apoio da Embrapa e da ANA (Agência Nacional de Águas). Leiam o texto. A CNA também pede a criação de um fundo para cuidar da terra degradada. Leiam o texto.

PROPOSTAS DA CNA PARA OS CHEFES DE ESTADO E PARA A CONFERÊNCIA “RIO + 20″

Dentro do princípio de que meio ambiente é ciência e compromisso - e não ideologia -, a Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA) traz a esta Conferência as propostas a seguir relacionadas, no intuito de contribuir para a riqueza e objetividade do presente debate.

O setor rural — que tem na natureza sua fonte de sustento e conhecimento - vem respondendo com rapidez e eficiência às demandas contemporâneas por desenvolvimento sustentável.

Por isso, a partir do Documento de Posição do Setor Agropecuário, hoje divulgado, sente-se no dever de encaminhar ao exame dos Chefes de Estado, que conferem dimensão histórica a esta “Rio + 20″, a presente contribuição.

1. Amazônia
Só a tecnologia pode garantir o desmatamento zero na Amazônia. Grande parte do que até aqui ocorreu na região decorre da precariedade de meios que ainda predomina. Com baixa rentabilidade do sistema produtivo, que impede a aquisição de tecnologia, esse quadro tende a se perpetuar, mantendo tensão constante entre produção e floresta. A situação afeta, sobretudo, os pequenos e médios produtores rurais.

2. Serviços ambientais
O passivo ambiental é fruto do descaso e despreparo das gerações que nos precederam e nos legaram os desafios presentes. Não é justo que esta geração arque sozinha com uma conta histórica, impagável de uma só vez. Portanto, os governos precisam encontrar mecanismos de atenuar os custos presentes, diluindo-os no tempo.

Os países ricos foram beneficiários do desenvolvimento sem as regras e amarras que hoje pesam sobre os países de desenvolvimento tardio. É justo que contribuam pelos benefícios ambientais que recebem gratuitamente desses países.

3. Redução de Emissões
A CNA está lançando uma ferramenta eletrônica para dar suporte ao processo de remuneração do produtor rural pela redução de emissões de carbono e gases de efeito estufa. Trata-se da organização do Mercado Agropecuário de Redução de Emissões (MARE), contribuição valiosa para a defesa do meio ambiente. Propicia justa remuneração aos que o preservam e um mecanismo de compensação para aqueles que não podem, no curto prazo, reduzir suas emissões.

4. APP Global
A CNA, Embrapa e a Agência Nacional de Águas (ANA) lançaram proposta de universalizar o princípio da Área de Proteção Permanente (APP) nas nascentes, margens de rios e áreas de recarga de aquíferos subterrâneos, como forma de proteger a integridade dos cursos d’água. No Brasil, APP é lei. Sendo um conceito universal, benéfico aos rios de todo o planeta, deve ser estudado e aplicado conforme as peculiaridades de cada país.

5. Fundos para terra degradada
Nenhum produtor é inimigo de sua própria terra. Degradação é fruto da pobreza. É a tecnologia que gera a prosperidade. Daí a necessidade de integrar ecologia à economia, sem transformar a defesa ambiental num tribunal. A prioridade não pode ser punir, mas instruir e viabilizar a recomposição, por meio de pesquisa, financiamento e incentivos ao uso de tecnologia.

6. Extensão Rural
Os insumos tecnológicos agropecuários precisam ser democraticamente disseminados. Essa é a grande revolução agrícola que a humanidade carece: a distribuição do conhecimento, fonte maior da prosperidade e justiça social.

7. Assimetrias
É preciso reduzir as assimetrias de regulamentação ambiental entre as nações, sem ferir o princípio da soberania. Para isso, fazem-se necessárias conferências internacionais como esta, com efetivo apoio dos governos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilberto Carvalho confirma que Maluf ganhou secretaria para apoiar Haddad e diz que acordo “não é nenhuma catástrofe”

Gilberto Carvalho é secretário-geral da Presidência da República. No governo, deveria cuidar dos assuntos do… governo, ainda que isso pareça, assim, excesso de ortodoxia deste “blogueiro”. Leiam o que informa Nathalia Passarinho, no Portal G1. Mais tarde, voltarei a esse assunto. Ah, sim: ele confessa que Paulo Maluf ganhou de presente uma secretaria no Ministério das Cidades para apoiar Fernando Haddad. Prestem atenção ao uso que ele faz da palavra “hegemonia”. Aí está o segredo.
*
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou nesta terça-feira (19), no Rio de Janeiro, que a aliança do PT com o PP na disputa pela Prefeitura de São Paulo “não é uma catástrofe”. Por causa do acordo com o PP, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) decidiu que não será mais candidata a vice na chapa encabeçada pelo petista Fernando Haddad.

“Nós aceitamos o apoio do PP no governo federal. Então, é natural que haja uma aproximação com o PP paulista. Eu não vejo sinceramente que essa aproximação do Paulo Maluf, pelo que ele significou em termos de oposição à gente, seja uma catástrofe ou um problema para nós. O que importa agora é o programa que estamos fazendo e a proposta que temos para governar São Paulo”, disse Carvalho, após participar de uma entrevista coletiva sobre a conferência Rio+20, sobre desenvolvimento sustentável.

O acordo para selar a aliança entre PT e PP ocorreu em um encontro na casa do deputado Paulo Maluf (PT-SP), com a presença de Haddad e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Gilberto Carvalho admitiu que a indicação recente de um aliado de Maluf para um cargo de chefia no Ministério das Cidades fez parte das negociações pelo apoio do PP. “Houve uma troca no Ministério das Cidades, como tem havido em qualquer negociação. Faz parte das negociações”, disse.

Na semana passada, o engenheiro Osvaldo Garcia, ligado a Maluf, foi nomeado para a Secretaria de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, que é comandada por Aguinaldo Ribeiro, filiado ao PP. Gilberto Carvalho afirmou que o programa de governo do PT para a Prefeitura de SP não sofrerá qualquer alteração após a aliança com o PP.

“O importante é quem está na hegemonia do processo. Nós não estamos abrindo mão da hegemonia do processo. Não estamos abrindo mão de uma vírgula do nosso programa de governo. Não houve nenhuma imposição por parte do PP para vir nos apoiar. Se houvesse alguma coisa programática, aí sim seria uma incoerência”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 21:03

Justiça abre processo contra os petistas “aloprados” de 2006

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A Justiça aceitou denúncia do Ministério Público Federal em Mato Grosso contra nove dos envolvidos na elaboração do dossiê contra o então candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, em 2006. Os petistas Gedimar Pereira Passos, Valdebran Padilha, Expedito Veloso, Hamilton Lacerda, Jorge Lorenzetti e Osvaldo Bargas, protagonistas do chamado escândalo dos “aloprados”, responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro e operação fraudulenta de câmbio.

Segundo a denúncia do Ministério Público, eles  ”se associaram subjetiva e objetivamente, de forma estável e permanente, para a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro, que tinha por fim a desestabilização da campanha eleitoral de 2006 do governo de estado de São Paulo”. Fernando Manoel Ribas Soares, Sirley da Silva Cahves e Levy Luiz da Silva Filho, outros envolvidos no caso, responderão por operação fraudulenta de câmbio.

Gedimar Passos, asessor da campanha de Lula, negociava a aquisição do dossiê com Valdebran Padilha, empresário filiado ao PT. A Polícia Federal prendeu a dupla em flagrante com 1,7 milhão de reais que seriam usados na compra do material forjado. A operação ocorreu em setembro de 2006.

Há um ano, Expedito Veloso revelou a VEJA que o atual ministro da Educação, Aloísio Mercadante, e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia foram os mandantes do crime. O epíteto “aloprados” é obra do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que tentou desvincular o episódio de sua campanha à reeleição.

Relembre a farsa dos aloprados na Rede de Escândalos

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 20:59

Campos e Falcão evidenciam que esforço para manter Erundina era conversa mole, conforme se antecipou aqui

Pois é… Acreditem em mim. Quando afirmei que não queriam mais Luíza Erundina como vice e atuavam para que caísse fora, fui acusado de estar inventando coisas etc e tal. Então tá. Vamos ver o que disse o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB:

“Se [Erundina] permanecesse, seria uma crise todo dia. Ela seria sempre questionada sobre a presença de Maluf. Seria um ponto permanente de instabilidade em função de que ela não quer rever nada do que disse”.

Agora leiam o que diz Rui Falcão, presidente do PT:
“Na medida em que Fernando Haddad for ligado ao Lula e à presidente Dilma, ele vai crescer. A Erundina continua apoiando o Haddad, ela vai participar da campanha, só não mais como vice.”

É isso aí. Conforme que queria demonstrar.

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 20:39

Erundina e Maluf juntos eram dois atrasos opostos e combinados. Ela saiu porque iria mesmo atrapalhar o “petista petistil”

Conforme este “blogueiro” reles e paranoico (hoje eu me acabo no Sonho de Valsa; não deixarei unzinho para o Mané de Stanford…) havia antecipado aqui, os petistas não fizeram muito esforço para ter Luíza Erundina de volta. A área, vamos dizer, “marquetológica” do PT chegou à conclusão de que ela seria um peso na campanha. Ou, nas considerações de um chefão do partido, eles já tem o nordestino que interessa — Lula — e não precisam de outra. Especialmente da deputada do PSB.

Vamos ver. Ela estreou na condição de vice afirmando que eleição é expressão da luta de classes, com ataques à “mídia conservadora” (e elogios à aloprada Cristina Kirchner) e reafirmando os valores da aurora socialista. Enquanto isso, os petistas costuravam o acordo com Paulo Maluf, que nunca deixou de ser quem é. Aliás, atenção! O PT também continua a ser o que sempre foi. A suposição de que aí está um puro que caiu é falsa como nota de R$ 3. O petismo ensaiou um movimento para Erundina ficar, mas era, antecipei aqui, puro jogo de cena.

Aquele notável apanhado de bobagens ditas por Erundina tinha mesmo potencial para criar dificuldades para a candidatura de Fernando Haddad. Eu até me vi tentado a fazer aqui uma piadinha, já que sempre digo tudo o que penso. Era mais ou menos esta: “Fica, Erundina! Não vai, não!” Eu antevia um bom futuro para São Paulo estes dois atrasos opostos e combinados: Erundina e Paulo Maluf. A derrota me parecia quase garantida…

Não estou dizendo que os dois se igualam em moralidade, não! De maneira nenhuma! Esse critério é, sem sombra de dúvida, importante. Aliás, deveria ser considerado pelo eleitor um quesito de exclusão, não é? Se o sujeito não presta, está fora. Mas não basta ser bem-intencionado e pessoalmente honesto para fazer um bom trabalho. A história está cheia de idiotas bem-intencionados, incapazes de roubar um alfinete, mas que fizeram bobagens. O socialismo de Erundina, lamento, é ideia do século retrasado. Os vícios de Maluf, bem, estes surgiram quase junto com o próprio Deus, não é?, só que pelo avesso…

O que estou querendo dizer, meus caros, é que Lula fez uma escolha — “entre Maluf e Erundina, fico com Maluf” —, e isso diz um tanto do seu caráter e do caráter do seu partido. Mas também estou querendo dizer que, tecnicamente, Erundina era uma figura difícil de encaixar na construção da candidatura de Fernando Haddad.

Para ter chances, o “petista petistil’ (tirei essa do fundo do baú) tem de se mostrar o candidato da inclusão, que transita acima das classes, que governa sem discriminar ninguém, simpático às demandas daquilo que os petistas chamam lá entre eles “classe média conservadora de São Paulo”. Erundina deixou claro que não se encaixaria nessa construção.

Ela foi indicada pelo PSB, e o PT atuou para tirá-la do jogo. Os salamaleques a Maluf fizeram parte de uma decisão estudada, tomada racionalmente. Ele, vocês verão, dará o seu minuto e meio ao partido e vai ficar meio na moita. Não esperem que saia dando entrevistas por aí. João Santana e Lula sentiram em Erundina a vontade de participar ativamente da campanha. E isso, definitivamente, não era bom… para eles!

Lamento, sim, a saída de Erundina, mas bem à minha maneira, como veem.

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 20:01

O PT AGORA DECIDIU RECORRER À JUSTIÇA CONTRA O POVO!!!

Que título, não? Coisa de “paranoico”? Então vamos ver. O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo tem um site que, basicamente, reúne artigos seus em jornais — há textos lá de 1994!!! Trata de temas nacionais, culturais, macroeconômicos etc. Não passa nem perto de sua pré-candidatura e foi criado, se não me engano, em 2010.

Pois bem! O PT decidiu recorrer à Justiça contra Serra acusando-o de campanha eleitoral antecipada. Sim, é aquele partido a que pertencem um certo Lula e um tal Fernando Haddad, a dupla que foi ao Programa de Ratinho cuidar de assuntos culinários…

 O partido não acusa propriamente os textos de fazer campanha eleitoral antecipada porque nem haveria como. Segundo o PT, os comentaristas é que estariam incorrendo na transgressão. Ah, bom…

Isso é fruto do tal MAV — Militância em Ambientes Virtuais —, a rede criada pelo PT para patrulhar a Internet. Imaginem se os adversários do partido fossem sair por aí caçando — e tentando cassar — comentários favoráveis ao petismo.

Eu jamais espero que o PT fique corado de vergonha. Todos sabem que dinheiro do governo federal e das estatais financia uma rede de sites e blogs que têm o objetivo explícito, descarado até, de atacar membros da oposição — Serra muito especialmente.

Então vamos ver: o tucano mantém, por sua própria conta e sem patrocínio oficial, um site que reúne artigos seus escritos ao longo de alguns anos. Porque recebe, na área de comentários, elogios de leitores, os petistas querem cassar a página. O governo e as estatais patrocinam blogs, sites e revistas que atacam Serra, entre outros oposicionistas, naquele que seria o espaço noticioso mesmo e abrem suas respectivas áreas de comentários à baixaria, e isso, segundo os preclaros, é só liberdade de imprensa…

A síntese é a seguinte: para o partido, o elogio gratuito dirigido a Serra é crime, mas o ataque ao tucano com patrocínio oficial é virtude.

O PT está chegando lá! Decidiu, agora, censurar o povo!

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 19:55

O que escreve o não menos respeitado economista Mansueto Almeida sobre a polêmica “Bolsa Família e queda da violência”

Já recomendei aqui o Blog do Mansueto Almeida. Ele escreve com clareza e é tecnicamente capaz. É outro que está na categoria do “gosto mesmo quando discordo”. Ele escreve o seguinte post em sua página:

O debate recente da blogosfera sobre o Bolsa Família e violência

Decididamente, o mundo hoje é diferente.  Na minha época de criança nos anos  70, quando se encontrava uma cobra em casa, como aconteceu várias vezes no quintal da casa dos meus pais, simplesmente pegava-se uma vassoura e se matava a cobra, independentemente da mesma ser ou não venenosa.

Hoje, como mostrado no Bom dia Brasil sobre um caso aqui em Brasília, chama-se a polícia ambiental e moradores saem de casa e se refugiam em um hotel. Mundo diferente esse no qual o aparecimento de uma cobra de tamanho médio causa celeuma e o partido de esquerda no poder, que por anos criticou alianças espúrias, agora faz alianças “pragmáticas”.

Nesse mundo esquisito, vejo na blogosfera um debate sobre um trabalho do professor de economia João Manoel Pinho de Mello da PUC-RJ, um economista com um histórico de títulos e publicação invejável, e Reinaldo Azevedo, a quem admiro pelo raciocínio lógico, artigos bens escritos e papel relevante que tem em informar e estimular um bom debate.

Quem escreve sabe que cometer excessos, algumas vezes, é comum. E  quando se escreve em blog isso é ainda mais comum. Dito isso, tenho que confessar que os argumentos do Reinaldo Azevedo me parecem relevantes, o bolsa-família é um bom programa e pode ter tido efeito na redução da violência. Se teve, ótimo, mas é difícil alguém defender o bolsa-família como programa de combate à violência (e acho que os autores do trabalho não fazem isso).

Faço aqui, talvez de maneira irresponsável, três rápidas observações. Primeiro,ter título de doutor e publicar em periódicos respeitáveis o tornam um excelente acadêmico, mas isso não significa que você é mais (ou menos) inteligente que um não economista. Economistas brilhantes erram e não sabem resolver os problemas do mundo porque a teoria não explica o “como fazer”. Por exemplo, como criar boas instituições? Qual a sequência de um programa de reformas para melhorar os fundamentos que afetam o crescimento de longo-prazo?

Segundo, utilizar o argumento que “você não vai compreender porque não conhece econometria…” é tolice. Como também é tolice achar que estudos econométricos só podem ser contestados com outros estudos econométricos. Econometria depende de um série de hipóteses, qualidade dos dados, etc. Mesmo em estudos com grupos de controle,  apesar do meu fraco conhecimento em econometria, exige-se que fatores não observados não mudem a ponto de afetar para mais ou para menos a direção da variável que se quer estimar. Sim, é verdade que existem técnicas de dados em painel que tentam resolver esse problema. Mas a evidência econométrica é mais uma evidência e não, necessariamente, a evidência que vai solucionar, definitivamente, algum debate.

Terceiro, às vezes é muito difícil isolar o efeito de variáveis independentes sobre a variável dependente que se quer explicar. Sabe-se, por exemplo, que reformas microeconômicas que fortaleçam o direito de propriedade, aumentem a abertura da economia, estimulem à inovação, melhorem a qualidade do capital humano, etc. aumentam a produtividade e o crescimento da economia.

Mas é muito difícil medir o efeito isolado de uma determinada reforma no crescimento da economia, porque o efeito positivo de reformas microeconômicas pode não ser aditivo -  a relação entre as várias reformas (variáveis independentes) e crescimento pode ser difícil de estimar porque “as reformas” podem interagir de maneira extremamente complexa e não linear, tornando difícil isolar os efeitos individuais de cada reforma.

Há limites para econometria (apesar de ser um instrumental poderosíssimo) e nem tudo pode ser respondido pela econometria. Por exemplo, apesar de sabermos que boas instituições são relevantes para o crescimento de longo-prazo, economistas não têm a mínima idéia de como boas instituições são criadas. Quem fala isso é talvez um dos economistas mais respeitados da atualidade, Daron Acemoglu, neste campo :

“In the academic world, the understanding on the importance of institutions has been reached as a result of a large body of theoretical and empirical work. In the policy world, it has been reached more painfully, as a result of a long stream of reforms around the world that failed mainly because they did not pay attention to institutions and governance issues. We now know better. And yet, what we know is only the tip of the iceberg. As academics, we can hope that we will be able to learn more in the years to come. Policymakers do not have this luxury, and must give policy advice on the basis of what we currently know.” (Governance, Growth, and Development Decision-making, The World Bank, 2008).

Apesar disso, já escutei de um amigo famoso e professor de uma conceituada instituição no Brasil (no eixo Rio-São Paulo) que o melhor mesmo seria ter uma ditadura e fazer as reformas de cima para baixo. Sim, esse meu amigo (que não é da PUC) tem todas as boas credenciais de formação e publicação de um economista top. Mas tem uma fé excessiva no poder dos economistas consertar o Brasil (e o mundo).

Já falei bastante. Não vou entrar nessa controvérsia porque, no meu caso, não conheço em detalhes a metodologia que o professor João Manoel Pinho de Mello utiliza e nem mesmo os estudos sobre violência. Por outro lado, as provocações do Reinaldo Azevedo foram boas e, no meu caso, vou continuar admirando os dois: o professor João Manoel Pinho de Mello e o Reinaldo Azevedo. E nesse debate, os dois lados se excederam, o professor e o jornalista.

Por fim, um amigo meu que é professor, estatístico com doutorado nos EUA e um excelente econometrista com vários artigos publicados no Brasil e lá fora escreveu em uma troca de e-mail que tivemos hoje o seguinte:

“Acho que tudo isso mostra o quanto o uso de econometria deve ser usado com cuidado. Evidências econométricas são apenas mais uma peça de evidência (fraca, em muitos casos) sobre alguma pergunta mais geral. Acho que o ensinamento que tiramos desse episódio é que, por mais sofisticada a metodologia, os resultados devem sempre ter as devidas ressalvas. Além disso, focar na pergunta e suas consequência e não na técnica deve ser outro ponto de preocupação.”

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 18:24

Conforme antecipou VEJA Online, Luiza Erundina oficializa saída da chapa de Haddad

Na VEJA Online:
A deputada federal Luiza Erundina, do PSB, confirmou sua desistência de concorrer como candidata a vice na chapa do candidato do PT, Fernando Haddad. A decisão foi comunicada ao presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), em reunião em Brasília. Na útlima segunda, Erundina havia antecipado ao site de VEJA que não aceitaria fazer campanha ao lado do deputado federal Paulo Maluf, presidente estadual do PP, que havia anunciado aliança com o PT. Erundina e Maluf são inimigos históricos. A informação foi confirmada pelo presidente estadual da legenda em São Paulo, deputado federal Márcio França. “Ela disse que não tinha condições de continuar na disputa com essa aliança”, afirmou o deputado.

Com a desistência de Erundina, o PSB não pretende indicar um substituto. Com isso, a vaga de vice na chapa de Haddad ficou vaga, o que aumenta as chances de o PCdoB entrar na aliança. Assim que soube que Erundina não abriria mão de seus princípios para fazer campanha ao lado de Maluf, Fernando Haddad ligou para os comunistas para avisar da mudança de cenário. O interlocutor escolhido foi o ex-ministro dos Esportes,  Orlando Silva. O PCdoB pretendia lançar candidatura própria, com o vereador Netinho de Paula, mas deve desistir para se aliar ao PT.

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 18:21

Blog de renomado economista reconhece que minhas objeções são procedentes, aponta erros no estudo do “PhD de Stanford”, mas me ataca mesmo assim!

Vamos lá. Um pouco mais sobre a polêmica “Reinaldo Azevedo X PhD de Stanford”. Mais gente resolve escrever a respeito. Eu não me incomodo, não. No ambiente modorrento que caracteriza, na média, o debate na imprensa brasileira, é bem possível que eu preste um serviço. Se a gente não toma cuidado, o debate intelectual no Brasil mata a gente é de tédio.

Apontei, certa feita, com base em informações prestadas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, um erro cometido pelo economista Alexandre Schwartsman numa análise que fez. Ele era ainda economista-chefe (acho que é esse o nome) do Santander no Brasil. Schwartsman reconheceu que havia errado, e eu o aplaudi aqui por isso, como revelam os arquivos. Não fui agressivo nem tentei desqualificá-lo. Ao contrário. Depois disso, trocamos alguns e-mails muito cordiais, embora existam divergências, o que é saudável.

Muito bem! Schwartsman tem um blog chamado “A Mão Visível”. Há lá dois posts sobre o meu entrevero com o economista João Manuel Pinho de Mello. Leiam (os destaques são meus). Volto em seguida:

PRIMEIRO POST
A controvérsia Reinaldo vs JMPM

Como quase todos vocês devem ter ouvido falar, um post de Reinaldo Azevedo criticando um estudo de economistas da PUC-Rio sobre o efeito do Bolsa Família sobre a criminalidade na cidade de São Paulo tem dado o que falar na blogosfera.

Se você não leu ainda, tem tempo a perder, e estômago sadio, aqui está o primeiro post de Reinaldo Azevedo em que ele encontra petistas embaixo de sua cama, na gaveta do faqueiro e dentro da maquina de lavar roupas; aqui a réplica de João Manuel Pinho de Mello, que provou que realmente trabalha duro em sua pesquisa e atividades docentes, pois ficou blatantemente óbvio que ele nunca bateu boca na internet (ou bar ou seminário…); e a resposta de Reinaldo, anunciando que está trabalhando em sua tréplica.

Resumindo, o Reinaldo Azevedo ficou indignado que o estudo dos professores da PUC-Rio atribui parte da redução da criminalidade em São Paulo à expansão do Bolsa Família para adolescentes de 16 e 17 anos, ocorrida em 2008. Sua indignação, em minha opinião, reflete um pouco de sua paranóia anti-petista, afinal o resultado do artigo atribui apenas uns 20% da redução da criminalidade aos efeitos do Bolsa Família, sobrando uma parcela leonina para outras variáveis como as políticas públicas do governo paulista.

Assim, Reinaldo pergunta:
“Por que, então, a campanha do desarmamento não produziu os mesmos efeitos no resto do Brasil? Por que, então, houve, na média, aumento da violência no Norte e Nordeste, embora sejam as regiões mais beneficiadas pelo Bolsa Família?”

JMPM responde:
“Consideremos o Nordeste, o contraexemplo preferido. É possível, na realidade provável, que o crime tivesse aumentado ainda mais no Nordeste na ausência do Bolsa Família, mas não temos como saber. Em linguagem científica isso se chama contrafactual. (…) Mutatis mutandis, o aumento da criminalidade no Nordeste ao mesmo tempo em que o Bolsa Família lá se expandiu não demonstra que o Bolsa Família não ajudou a diminuir o crime.”

Aqui eu vou divergir do bom Pedro, que nos comentários desse blog argumentou que Reinaldo deveria ser reprovado com zero em qualquer curso de introdução às ciências sociais. O ponto que o Reinaldo levantou é relevante e deve ser considerado. Se o efeito do Bolsa Família na criminalidade é causal e generalizável (eu não estou convencido que seja um ou outro, e explico logo porque), então este programa teria contribuído para reduzir a criminalidade no Nordeste significativamente. Como sabemos que a criminalidade no Nordeste não caiu, então a divergência na criminalidade entre o Nordeste e São Paulo teria sido ainda maior do que observada - e isso reduz a plausibilidade das estimativas, pois aumenta ainda mais o puzzle do aumento da criminalidade no Nordeste. Na melhor das hipóteses, o fato que a criminalidade aumentou no resto do país sugere que o resultado não seja generalizável.

Quanto ao artigo, eu não estou convencido ainda. Vários resultados já publicados mostram que o BF tem efeitos bem modestos sobre variáveis como a oferta de trabalho. Também é pouco plausível que um benefício tão pequeno tenha efeito economicamente significativo, ainda mais em São Paulo. Os autores têm dados de 2006 a 2009. Por que não fazer um teste de placebo, estimando o efeito da expansão do BF ocorrida em 2008 na criminalidade em 2007? Eu sugeriria que os autores estimassem uma forma reduzida com dados de 2006-07 e testassem se a interação entre o número de estudantes entre 16 e 17 anos e a dummy para 2007 é significativa. Se o teste de placebo encontrar algum efeito da expansão do BF na criminalidade em 2007, é porque a estratégia empírica está mal especificada. Mas se a especificação passar pelo teste de placebo, dou meu braço a torcer (ainda que mantendo minhas dúvidas sobre a generalidade do resultado, vide comportamento da criminalidade no resto do Brasil).

SEGUNDO POST
Mais sobre o BF e a criminalidade

Outro problema que deve ser levantado sobre o artigo da galera da PUC e Banco Mundial sobre o papel da expansão do BF na redução da criminalidade em SP é a interpretação equivocada que os autores fazem do resultado das regressões (”our results suggest that the reduction in inequality determined by the program was accompanied by reduced crime rates, reinforcing the connection between inequality and crime stressed before in the literature.”, ou na carta de JPMP para RA: “Encontramos que o crime caiu mais fortemente no entorno das escolas com mais alunos de 16 e 17 anos. Por isso a inferência de que o Bolsa Família causou queda na criminalidade em SP.”).

O coeficiente negativo para o número de jovens recebendo BF nas escolas identifica quanto a criminalidade se reduziu no entorno da escola relativamente ao resto da cidade de São Paulo.

Por exemplo, digamos que o Bolsa Família aumentasse a freqüência escolar dos jovens de 16-17 anos (algo que os autores não tentaram demonstrar, mas que pode ser medido usando dados como o PNAD). Se jovens criminosos cometerem crimes predominantemente longe de suas escolas - uma hipótese plausível, pois assim reduziriam a chance de serem reconhecidos - então é perfeitamente plausível que o BF tenha apenas o efeito de deslocar o local da criminalidade para longe das escolas freqüentadas pelos jovens criminosos.

Repito: não há absolutamente nada na equação estimada no artigo da galera da PUC que implica que o BF tenha reduzido o total de crimes em SP. Qualquer afirmação neste sentido, como aquelas supra-citadas no primeiro parágrafo, é errada.

Voltei
Não é impressionante? Os posts publicados no blog de Alexandre Schwartsman endossam a minha crítica. Alguma dúvida? Mas, para me dar razão, é preciso antes me desqualificar. O economista, que tem a seu estudo criticado, é aquele que “trabalha duro”. Eu, que levantei, quando menos, objeções pertinentes, sou do tipo que encontra “petistas embaixo de sua cama, na gaveta do faqueiro e dentro da máquina de lavar roupas”.

Segundo entendi, o mundo se divide, então, entre as pessoas que, sendo naturalmente boas, podem errar porque estão, obviamente, de boa-fé (afinal, “trabalham duro”) e aquelas que, sendo naturalmente más, estão proibidas de acertar porque mesmo seu acerto deriva da má-fé (no caso, o Reinaldo Azevedo).

O que há de realmente formidável em toda essa história é que, em nenhum momento, tachei João Manoel e seus colegas de “petistas”, “esquerdistas” ou algo assim. O “PhD de Stanford” inventou essa falsa questão — estratégia meio manjada em debates — para, entre outras coisas, provocar críticas como as que vão no blog de Schwartsman.

Que coisa, não? Logo alguém vai sugerir que os críticos do petismo devem ser submetidos a tratamento psiquiátrico.

Encerro
Eu fiquei bastante satisfeito com os dois posts publicados. Afinal, alguém cuja inteligência respeito, mesmo quando divirjo, endossa as minhas restrições ao estudo. Há comentaristas lá no blog de Schwartsman me atacando. Não é o caso de devolver na mesma moeda. A gente gosta e desgosta das pessoas por uma infinidade de razões — eis uma coisa que não pode ser submetida a estudos quantitativos, malfeitos ou bem feitos. Não escrevo para ser amado. Também não escrevo para ser odiado. Escrevo o que acho que tem de ser escrito. Só isso.

Gostar de mim é irrelevante. Admitir que estou certo nas restrições que fiz é que é relevante. Por isso lhe sou grato. Quanto ao resto, Alexandre, prometo NÃO ME COMPORTAR! Os petistas não estão nem debaixo da minha cama nem na minha gaveta de faqueiro. Estão é atazanando as instituições — quando não estão fraudando a matemática, como você sabe muito bem.

O próprio Schwartsman não é uma pessoa exatamente amada por certa metafísica influente e já foi alvo de ataques boçais na rede suja, acusado justamente de “antipetista”, “mercadista”, “direitista” e afins. Acho que dar curso a esse tipo de acusação contra mim rebaixa um tantinho a sua página. Mas já me basta cuidar do meu blog, né? Cada um faça da sua página o que achar melhor. Envio-lhe um  sereno abraço.

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 16:15

CNJ ouvirá juiz que pediu afastamento do caso Cachoeira; indicado para substituí-lo deve se declarar impedido

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, informou nesta terça-feira que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai ouvir o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, que pediu afastamento da Operação Monte Carlo depois de receber ameaças. De acordo com a magistrada, também serão colhidos os depoimentos do corregedor-geral do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Carlos Olavo, que recebeu o ofício com o pedido de afastamento, além do juiz Leão Aparecido Alves, indicado para suceder Moreira Lima à frente das investigações.

“A primeira preocupação é manter a segurança da magistratura. O juiz tem de se sentir seguro para bem decidir”, disse Calmon.

“A ameaça é de gravidade incomum, de gravidade qualificada”, afirmou o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal. “Não se pode ameaçar do ponto de vista da integridade física nem moral nem psicológica nenhum julgador, muito menos o julgador e a família”.

Moreira Lima encaminhou ofício ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região no último dia 13 alegando não ter mais condições de permanecer no caso que investiga um esquema de contravenção coordenado por Carlinhos Cachoeira e utilizado para cooptar autoridades públicas e representantes de governo. O magistrado pediu para ser retirado do caso depois que sua família recebeu “ameaças veladas” de policiais.

“Minha família, em sua própria residência, foi procurada por policiais que gostariam de conversar a respeito do processo atinente à Operação Monte Carlo, em nítida ameaça velada”, explicou Moreira Lima no ofício enviado ao TRF 1ª Região.

“Ele desistiu de dar seguimento à sua atitude de investigação porque estava se sentindo pressionado”, contou a ministra Eliana Calmon. “Não podemos ter juízes covardes, mas não podemos ter juízes ameaçados. Não podemos aceitar que ameaças veladas, ameaças físicas ou morais possam impedir que a nossa magistratura bem desempenhe suas funções”.

No início das investigações da Operação Monte Carlo, Moreira Leite já havia procurado o CNJ para relatar que a apuração à época dava conta de um grande esquema de corrupção e contravenção em Goiás. “Ele estava preocupadíssimo porque eram investigações que evoluíram e estavam chegando a graves consequências, com envolvimento de muita gente, de políticos”, explicou a corregedora-nacional de Justiça.

Impedimento
Os grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, captaram uma conversa feita do aparelho telefônico do juiz federal Leão Aparecido Alves para integrantes da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira. O próprio magistrado, indicado para assumir as investigações da Monte Carlo, confirmou o episódio a outros juízes, mas disse que o telefone estava cedido para sua mulher.

“Houve na interceptação um telefonema de um aparelho telefônico dele para alguém ligado à quadrilha de Cachoeira”, relatou a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon. “Se há algum envolvimento, se a interceptação indica que uma pessoa tão íntima, como a esposa, tem ligação com alguém, é óbvio que não é possível a continuação dele à frente das investigações”.

Alves será ouvido por Eliana Calmon, mas a tendência é que ele não seja mantido à frente das investigações que envolvem o esquema de Cachoeira. Alves admite se declarar impedido de atuar no caso por ser amigo da família de José Olímpio Queiroga Neto, um dos principais auxiliares do bicheiro no esquema criminoso.

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 15:58

A melhor coisa deste blog são seus leitores!

Caramba!

Eu não sabia que o texto sobre o mega-hiper-super-PhD de Stanford faria tanto sucesso. Tá vendo, Mané? O que são os “journals” da vida, companheiro? Nada como o estrelato! Galdalf, leitor deste blog — que já me livrou de alguns “diabólicos azares”, como diria o poeta — conhece um tantinho as ciências matemáticas, como vocês verão. Leiam o que ele escreve. Volto em seguida.
*
Reinaldo, se eu tivesse tempo, gostaria de analisar o tal artigo do Mané para ver sua metodologia.

É um assunto que me interessa muito e ao qual dediquei bastante esforço em meu mestrado e doutorado. Estudei Matemática e História na graduação, e Administração (”ciência social aplicada”) no mestrado e doutorado. Tudo na USP.

Desde cedo me espantei com os furos metodológicos inacreditáveis em dezenas de artigos que por ali circulavam. Talvez pela minha formação matemática, os “números científicos” nunca foram capazes de me impressionar, a não ser pelos delirantes pressupostos presentes na maioria das pesquisas. Em outras palavras, habilidade com números eu sempre tive, de modo que, não sendo novidade, nunca tiveram para mim esse peso todo. Detalhe: hoje, entre outras coisas, dou aulas de estatística em cursos de pós-graduação.

Decepcionado com os métodos quantitaivos, fui à FFLCH estudar Weber (com o Pierucci, que faz dobradinha com o Cohn - os dois maiores especialistas em Weber no Brasil; Pierucci supervisionou e escreveu a introdução e notas da nova edição brasileira da “Ética Protestante” e são prova de que ainda há vida inteligente na FFLCH). Weber foi a base da minha abordagem metodológica no doutorado.

Todo esse preâmbulo é para dizer o seguinte: as escolas de que o Mané tanto se gaba, especialmente Chicago, são notórias pelo seu radicalismo metodológico. Só estuda e publica lá quem faz profissão de fé positivista. Positivismo científico em ciências sociais, como você sabe, é a crença de que o único conhecimento científico válido é o que pode gerar inferência estatística a partir de dados quantitativos.

Acontece que, como o próprio Mané admite, são raríssimos os objetos de estudo sociológico que permitem este tratamento, que funciona bem na física, onde experimentos e variáveis podem ser controlados. São inúmeras as críticas feitas a essa abordagem, que raramente é usada na Europa, por exemplo. Infelizmente, o positivismo em ciência social é a “metafísica influente” ou, se preferir usar um jargão mais metodológico, o “paradigma dominante” (Kuhn) nos EUA e aqui também (nesse ponto os esquerdistas têm razão, ô povinho colonizado…)

A sedução do positivismo é óbvia: dá ares de “ciência dura” à ciência social que, francamente, do ponto de vista científico, é muito pouco mais do que achismo (o próprio Mané o admite quando fala do possível consenso em ciência social; é impressionante ele dizer isso depois tanto “scientificity claim”; o moço, coitado, se contradiz demais…)

Ele evidentemente usou alguma técnica de estatística multivariada, provavelmente a mais básica de todas, a regressão linear múltipla. É o que se infere de sentenças como “X % de tal fenômeno podem ser explicado pela variável tal”. Muita gente séria na academia, além desse escriba aqui, nutre profundo ceticismo quanto à aplicabilidade dessas técnicas à ciência social, uma vez que esses estudos exigem a escolha a priori das variáveis a serem utilizadas. Mas Journals como os citados pelo Mané ignoram o mérito (ou a lógica) da pesquisa e checam apenas se o método estatístico foi feito matematicamente direitinho. Daí que não me espante que essas prestigiadas publicações aceitem trabalhos que chegam a conclusões muitas vezes surrealistas. Esses estudos raramente iluminam: ou geram conclusões óbvias ou surrealistas. De vez em nunca revelam algo intrigante que, após mais estudos, se mostra real.

Enfim, tudo isso só pra dizer o seguinte: o Mané pode ser apenas um idiota útil, sem a pretensão de ajudar os petistas. Conheço bem o ambiente. O cara tem que publicar, senão perde o emprego. Então “estuda” qualquer coisa que tenha um banco de dados quantitativo ao qual possa aplicar suas formuletas. Ele próprio admitiu que usou SP por ser o único estado que tem dados consistentes. Como todo cientista, conhece (ou deveria conhecer) as imensas limitações dos métodos quantitativos. Mas a vaidade falou mais alto. Como resistir a aparecer nos jornais com o resultado de sua pesquisa? Ele se defende dizendo que não é petista, e eu acredito. Petistas, tipo Marilena, usam “metodologias críticas” (= marxismo chulé). Ele é só um professorzinho positivista que tem que publicar pra manter o emprego, e que, por estar no lugar certo na hora certa (?), não resistiu à tentação de aparecer. Um idiota útil, enfim.

Voltei
Sabem qual é a melhor coisa deste blog? Seus leitores! Até eu me surpreendo com vocês. Achei que o assunto fosse aborrecer, que quase ninguém se disporia a ler aquele troço imenso. O comentário de Galdalf é apenas um dos muitos que colocam o debate em termos qualificados. Por intermédio dele, reconheço o trabalho — sim, o trabalho! — de todos vocês. O esquerdismo chulé vigente em boa parte das ciências sociais brasileiras tem servido de biombo para muita embromação “do outro lado”. E esse “outro lado”, que acaba servindo ao lado de sempre — o poder —, pretende pôr números onde Marilena Chaui põe só ideologia, mas o propósito é o mesmo.

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 13:31

PT volta a sonhar com a chapa dos “moços bonitos”…

Duas variáveis faziam ontem brilhar os olhos de muitos petistas: o fraco desempenho de Gabriel Chalita (6%), do PMDB, no Datafolha, depois de ampla exposição na TV, e a possibilidade de Luiza Erundina (PSB) desistir. Abrir-se-ia, assim, a vaga de vice. O sonho de Lula de ter os peemedebistas na aliança voltou a ser acalentado. Seria a chapa, como diria Gabriela, dos “moços bonitos”…

Por Reinaldo Azevedo

 

19/06/2012 às 13:01

“Quem precisa da nordestina Erundina? Já temos Lula”

Um dos capas-pretas do petismo não deu a mínima pra reação de Luíza Erundina ao acordo que o PT celebrou com Paulo Maluf. E o fez em termos não muito cordiais. Ele está entre os que torcem para que ela desista. Advertido de que isso poderia criar contratempos junto ao eleitorado nordestino da cidade, saiu-se com esta: “Quem precisa de Erundina? Já temos o maior de todos os nordestinos: Lula. Não precisa de mais”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Maluf fechou com Lula porque Babalorixá de Banânia garantiu que, se Haddad vencer, terá um pedaço da Prefeitura, de porteira fechada

Mandam-me aqui uma suposta “análise” de uma dessas penas de aluguel acusando a “hipocrisia” dos que criticam a união do PT com Paulo Maluf. Segundo o preclaro, se Maluf não estivesse com Fernando Haddad, estaria com Serra. Logo, o que parece ser crítica seria, no fundo, inveja e despeito.

Vejam a que ponto chegou o petismo: já acusa o adversário de sentir inveja de sua aliança com Maluf. Uau!

Vamos botar alguns pontos nos tais “is”.

1 - Eu jamais criticaria a união de Lula com Maluf segundo o aspecto moral. Reitero que considero Lula a profissionalização do malufismo;
2 -  no que concerne à moralidade propriamente dita, eu até me arriscaria a dizer que é Maluf quem sai perdendo;
3 - Maluf, se vocês notarem, é apenas o último dos ex-adversários do petismo com os quais Lula se juntou: começou com Sarney, passou por Collor e agora chegou ao antigo Belzebu das esquerdas;
4 - não custa lembrar, só a título de precisão, que Maluf apoiou Marta contra Serra no segundo turno, em 2004, na disputa pela Prefeitura; foi um apoio meio envergonhado. Agora é explícito.

Agora ao ponto: se Maluf não estivesse apoiando Fernando Haddad, estaria apoiando Serra, como diz aquele? Sim, estaria. Então daria tudo na mesma? A resposta: “Não!”. A razão é simples e tem a ver com o modo de governar.

Lula entrega aos aliados os ministérios de porteira fechada. Tem uma concepção feudal de governo. Cada duque cuide de sua área e faça a lambança que bem entender desde que jure fidelidade ao chefe — e o chefe é ele. Com Serra, a coisa é diferente. Governa com aliados, como todo mundo. Mas é ele quem nomeia e quem demite.

O Apedeuta garantiu a Maluf que, caso Haddad vença, terá um pedaço da Prefeitura só pra ele. Tentou arrancar isso de Serra. Ouviu um sonoro “não”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Goodfellas

Boa foto de Rodrigo Coca (Foto arena/Folhapress). Reparem na expressão eufórica de Paulo Maluf, um dos quatro brasileiros na lista de corruptos elaborada pelo Banco Mundial. É como se estivesse, finalmente, entrando no mundo justos. Lula, ao contrário, faz aquela ar grave do estadista, como a dizer: “Faço o necessário, mas não o que é do meu gosto”. Entre os dois, um embevecido Gugu-Haddad, com seu arzinho socialista-infantil.

Boa foto de Rodrigo Coca (Foto arena/Folhapress). Reparem na expressão eufórica de Paulo Maluf, um dos quatro brasileiros na lista de corruptos elaborada pelo Banco Mundial. É como se estivesse, finalmente, entrando no mundo justos. Lula, ao contrário, faz aquela ar grave do estadista, como a dizer: “Faço o necessário, mas não o que é do meu gosto”. Entre os dois, um embevecido Gugu-Haddad, com seu arzinho socialista-infantil.

Por Reinaldo Azevedo

 

Nunca antes na história “destepaiz”: Servidores do Itamaraty entram em greve

Por Lisandra Paraguassu, no Estadão Online:
Pela primeira vez na sua história, o Itamaraty enfrenta, a partir de hoje, uma greve dos seus servidores. Oficiais de Chancelaria, Assistentes de Chancelaria e, de acordo com o sindicato da categoria, até mesmo alguns diplomatas decidiram pela paralisação nesta segunda, em uma assembleia em Brasília que contou com a participação, via redes sociais, de funcionários de fora do País. Pelo menos 60 postos no exterior, incluindo o atendimento consular em Paris, Roma, Londres, Nova York, Los Angeles e Washington serão afetados. Às vésperas das férias de julho, o problema pode repercutir diretamente nos milhares de brasileiros que devem viajar para o exterior nos próximos dias e nos estrangeiros que desejem vir ao Brasil.

Uma das poucas atividades que não serão prejudicadas pela greve é a organização da Conferência Rio +20. A decisão da assembleia, tomada nesta segunda, ressalta que o os funcionários que estão na organização do encontro de mais de 150 chefes de Estado, que termina no final dessa semana, será preservado. Nele estão mais de 200 diplomatas, oficiais e assistentes. Dos cerca de 500 que ficaram em Brasília, 300 participaram da assembleia.

Os oficiais e os assistentes de chancelaria são, normalmente, os responsáveis pelas funções administrativas das embaixadas, consulados e também na sede do ministério, em Brasília. Um trabalho que inclui também o atendimento direto ao público, o atendimento telefônico das unidades consulares e até mesmo a emissão de novos passaportes - que, apesar de ser autorizada pelos diplomatas, passa pelas mãos dos oficiais. O Itamaraty admite que durante o período da greve, o trabalho poderá ficar mais lento e terá que ser assumido pelos diplomatas.

De acordo com o SindItamaraty, que representa todas as categorias de servidores do chamado Serviço Exterior Brasileiro, o que os funcionários querem é a equiparação com os salários mais altos das carreiras de Estado. No caso dos diplomatas, os vencimentos subiriam pouco: dos atuais R$ 12.960, em início de carreira, para os R$ 13,6 mil de um auditor fiscal. O salário final passaria de R$ 18.470 para R$ 19.689, os vencimentos de um delegado da Polícia Federal.

Os maiores aumentos seriam para os Oficiais e Assistentes. Os primeiros, que hoje recebem inicialmente R$ 6,3 mil, passariam para a segunda categoria de vencimentos de nível superior do governo federal, R$ 12.960. Os assistentes passariam à primeira categoria dos cargos de ensino médio, saindo de um salário R$ 3,1 mil para R$ 5,8 mil - em valores de hoje, já que a maior parte das categorias classificadas nessas faixas também hoje pede reajustes, que os servidores do Itamaraty também pretendem receber.

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2012 às 20:44

Maluf, o dinheiro bloqueado nas Ilhas Jersey e o que a Prefeitura de São Paulo tenta recuperar

Pois é… Caso o petista Fernando Haddad seja eleito, terá de dar um jeito, suspeito, na ação que a Prefeitura de São Paulo move para repatriar parte do dinheiro da cidade que Paulo Maluf é acusado de ter desviado. Leiam trecho de uma reportagem de Mario Cesar Carvalho na Folha, publicada em 12 de fevereiro do ano passado.

Duas empresas internacionais, cujo controle é atribuído ao deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e a seus familiares, terão de pagar 300 mil libras (R$ 800 mil) de custas judiciais à corte das Ilhas Jersey por terem perdido uma apelação relacionada ao bloqueio de US$ 113 milhões (R$ 188 milhões). O valor está bloqueado desde 2009. Maluf é acusado de ter desviado recursos públicos durante a construção do túnel Ayrton Senna e da avenida Roberto Marinho, em São Paulo, em sua gestão à frente da prefeitura paulistana (1993-1996).

Ele teria recebido US$ 344 milhões do valor desviado, segundo o Ministério Público. Maluf nega o desvio, o controle sobre as empresas e a existência de contas em seu nome fora do país. É a segunda vez que os advogados de Maluf têm de fazer pagamentos à Corte Real de Jersey, que fica no Canal da Mancha, ao lado do Reino Unido. Em 2009, por conta de outra contestação que perdeu sobre a quebra de sigilo de contas, ele teve de pagar 400 mil libras (R$ 1,068 milhão em valores de hoje).

O dinheiro cobrado pela Justiça de Jersey virá para a Prefeitura de São Paulo, que tenta recuperar os recursos supostamente desviados. Do US$ 113 milhões bloqueados pela Justiça de Jersey, US$ 22 milhões são reclamados pela Prefeitura de São Paulo. O restante deve ficar com a União, que é beneficiada, em tese, nos casos de crime de lavagem de dinheiro. Os advogados das empresas Durant International e Kildare Finance queriam que a Justiça das Ilhas Jersey remetesse o processo sobre o bloqueio para o Brasil.

Apesar de Maluf negar que tenha relação com as duas empresas, seus advogados alegavam que a suposta fraude, os acusados e as testemunhas do suposto desvio são do Brasil — o que justificaria a remessa do processo. Num dos trechos da decisão, os juízes de apelação, perguntam: “Pode a admissão de envolvimento da família de Maluf alterar essa situação?” Eles mesmos respondem logo em seguida que os advogados de Maluf relataram na apelação que ele tem “interesse direto e indireto” no caso.

A Corte Real diz que alegações de que o processo sobre o bloqueio deveria ser transferido para o Brasil não tem fundamento porque o dinheiro está depositado em banco em Jersey, o que faz da ilha o fórum natural do caso. Dos US$ 113 milhões congelados, cerca de US$ 100 milhões são em ações da Eucatex. Maluf e o Deutsche Bank são acusados de terem feito uma operação financeira na qual usaram os recursos desviados da prefeitura para capitalizar a Eucatex.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2012 às 20:22

Que deselegante!!! Collor é vaiado nos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável

Por Denise Menchen, na Folha:
O ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) foi vaiado na tarde desta segunda-feira (18) durante os Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, evento que integra a programação oficial da Rio+20. Sentado na primeira fila do debate sobre água, que começou às 15h30, o senador teve a presença anunciada pela moderadora do evento, a jornalista da Al Jazeera Lucia Newman, que se disse honrada com a participação dele. A reação inicial do público — composto em grande parte por estrangeiros — foi uma salva de palmas. Mas, quando os aplausos cessaram, teve início uma vaia ao ex-presidente. Como Collor está numa área reservada para convidados. A reportagem não conseguiu falar com ele.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2012 às 20:10

Herança maldita de Haddad - Governo cancela reunião com professores de federais

Professores em greve e alunos da Universidade Federal de Sao Paulo (Unifesp) fazem passeata na Av. Paulista no dia 28 de maio contra o

Professores em greve e alunos da Unifesp fazem passeata na Av. Paulista no dia 28 de maio contra o "jeitinho brasileiro" de fazer universidade (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

Na VEJA Online:
O governo federal cancelou, nesta segunda-feira, a reunião agendada para terça-feira entre representantes do Ministério do Planejamento, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e outros representantes dos professores de universidades federais. O encontro havia sido marcado na semana passada e poderia pôr fim à greve dos docentes de instituições federais de ensino superior, que já completou um mês.

Uma nova data deve ser divulgada pelo governo. De acordo com o Andes, os representantes do governo federal alegaram que ainda não tiveram tempo para elaborar uma nova proposta que atenda às demandas dos professores. A previsão é que a reunião seja realizada na próxima semana.

Na última terça-feira, o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Sérgio Mendonça, pediu uma trégua de vinte dias aos docentes para que fosse apresentado um plano efetivo de reestruturação da carreira. A proposta foi recusada pelos sindicalistas. Mendonça propôs, então, a reunião agora cancelada.

A greve dos professores foi deflagrada no dia 17 de maio, com adesão de 29 instituições. De acordo com o último balanço do sindicato, o número já chega a 55. Eles reivindicam um plano de reestruturação da carreira docente, que teria sido prometido pelo governo federal para março deste ano. Isso inclui o estabelecimento de 13 níveis de remuneração (atualmente são 17), variação salarial de 5% entre eles e piso para a carreira de 2.329,35 reais referente a 20 horas semanais de trabalho (atualmente, o valor é de 1.597,92 reais).

Os professores alegam ainda que as universidades federais têm vivido um processo de “precarização”, consequência da política de “expansão desordenada” iniciada pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) - criado pelo governo federal em 2007. Nesta segunda-feira, 32 das 38 institutos federais de educação superior anunciaram uma paralisação por tempo indeterminado.

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2012 às 20:03

Conselho de Ética votará cassação de Demóstenes dia 25

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado agendou para o próximo dia 25, segunda-feira, a apresentação e votação no colegiado do parecer do senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo de cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO). A análise do processo de perda de mandato do político goiano estava agendada para as 14h30 desta segunda-feira, mas foi adiada depois de uma decisão liminar do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Limitado pela sentença judicial, Humberto Costa apresentou apenas uma descrição sobre como foi conduzida a investigação. Embora seja provável que Costa defenda a cassação do mandato do senador, ele não adiantou seu voto.

O relator lembrou que, no início de maio, defendeu que o processo contra Demóstenes fosse levado adiante por haver “indícios de prática de atos contrários à ética e ao decoro parlamentar”, o que abriria espaço para a cassação do político goiano. Ele destacou que as testemunhas de defesa do senador, entre as quais o contraventor Carlinhos Cachoeira, não compareceram ao colegiado e elencou os documentos recolhidos ao longo da investigação.

O processo a que Demóstenes responde no Conselho de Ética é resultado de uma representação formulada pelo PSOL. O partido alega que o senador recebeu vantagens indevidas de Cachoeira e mentiu ao negar em Plenário, no dia 6 de março, ter relações pessoais com o bicheiro. Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal - e atestadas como legais pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região nesta segunda-feira - revelam, por exemplo, que o político goiano pediu dinheiro ao contraventor para arcar com despesas de um táxi aéreo e que atuava para defender os interesses do bicheiro.

No início da sessão plenária que votaria o processo de cassação de Demóstenes Torres, o presidente do Conselho de Ética, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), criticou a decisão de Dias Toffoli. O ministro determinou que, antes de o destino do político goiano ser levado à deliberação, seria necessário cumprir o prazo de três dias úteis contados a partir da divulgação pública da primeira parte do parecer do relator.

“Pela resolução do Conselho de Ética, a leitura, a defesa oral e a apreciação do parecer ocorre em uma reunião”, afirmou Valadares. “O Poder Judiciário está nos impondo uma regra diferente. É uma regra nova que está sendo reescrita por um ministro do STF”.

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2012 às 19:55

Bolsa Família e queda da violência — Calma aí, Mané de Stanford! Tenho as minhas prioridades! Não seja tão ansioso, rapaz!

Um “estudo” feito por pesquisadores da PUC-RJ decidiu medir o efeito do Bolsa Família na redução da violência em São Paulo. Os autores chegaram até a definir um número, sabem? Escrevi a respeito. Publiquei comentários de pessoas me criticando também. Xingamento e desqualificação, não! Vão xingar a véia. Não na minha página! Não patrocino ataques a mim mesmo porque outros o fazem, hehe…

Um dos comentários recheados de ofensas é de João Manoel Pinho de Mello, que se identifica assim logo nas três primeiras linhas: “professor associado do Departamento de Economia da PUC-Rio e PhD em economia pela Stanford University (2005)”. Parece que ele é o coordenador do trabalho. João Manoel não deve saber que já andei me estranhando com Noam Chomsky e que discordei de uma versão oficial que o Vaticano fez, do latim para o português, de uma encíclica papal. O Vaticano acabou se corrigindo. Não espero o mesmo de Pinho de Mello. Eu não me assusto com títulos, não! O professor poder ser um gênio, mas sua tese é um chute. Não é me chamando de “blogueiro” em tom de desdém que vai conseguir ter razão.

Escreveu um troço imenso tentando me desqualificar e pergunta algo assim: “Não vai ter a coragem de publicar?”. Claro que vou! Mas o dia traz notícias mais quentes e relevantes e preciso antes me dedicar a elas. Depois cuido de você. Seu texto será publicado na íntegra, num “Vermelho-e-azul”. Já antegozo o prazer da escritura. Fique frio aí, Mané de Stanford: deixarei claro aos milhares de leitores o que você pensa a meu respeito. Como não entro na sua página para ofendê-lo, posso até permitir que você me ofenda na minha, mas com resposta.

Se vocês lerem o post que escrevi a respeito, verão que não associo o estudo a ideologia ou algo parecido. Pouco me importa se os pesquisadores são de direita, de esquerda ou de centro. Quero saber se estão certos. Apenas levantei algumas questões incômodas que o chute do professor, recheado de aparente cientificidade, não pode responder. Mas cuidarei dele, e de sua ofensa quilométrica, na madrugada. Ele sustenta que o Bolsa Família concorreu para a queda da violência em São Paulo. Eu perguntei por que a violência explodiu no Nordeste, região que recebeu o maior número de bolsas. A sua resposta pode ser assim sintetizada: “Quem pode garantir que a violência lá não seria ainda maior sem o programa?”. E acha que, assim, me dá uma lição de moral científica. Tenha paciência!

Então seja corajoso e vá pesquisar o impacto do Bolsa Família na Bahia, rapaz, onde o índice de homicídios triplicou nos últimos 10 anos e demontre que, sem o benefício, o salto poderia ter sido ainda maior. Quero ver! Pra cima de mim??? Não há feitiçaria econométrica que possa fraudar a lógica elementar de maneira tão escandalosa. Mas eu cuido disso mais tarde.

Deixe de ser ansioso, Mané de Stanford!

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2012 às 18:53

“Pragmáticos” do PT estão torcendo para Erundina realmente cair fora. A marquetagem acha que ela vai dar trabalho; Lula foi alertado para risco de curto-circuito. Entre Erundina e Maluf, escolheu Maluf

Acabo de saber de um troço asqueroso. Há petistas vibrando com a hipótese de Erundina realmente cair fora da aliança. Antes que trate disso, uma pequena nota à margem.

Não, queridos, eu não concordo com a tese de que o PT, em processo de degradação, acabou no colo de Maluf em São Paulo, como se o partido tivesse tido algum dia alguma moralidade muito superior a essa. Eu estou entre aqueles que consideram que Maluf, em muitos aspectos, é até menos nefasto do que o PT. No encontro dos dois, quem tem mais reputação a perder, por incrível que possa parecer, ainda é o ex-governador. Já expliquei por quê. O seu método de fazer “aquelas coisas” vai morrer com ele. Já o método petista se transformou numa doença que tomou o sistema. Maluf, por si, é um mal de curta duração. O outro ficará entranhado na política por décadas e é uma condenação ao atraso. Adiante.

A ala que se quer “pragmática” no PT esta torcendo para Luiza Erundina não voltar atrás e realmente recusar a vaga de vice no partido. Acham que ela mais tira do que dá votos. Houve grande insatisfação com suas entrevistas no fim de semana. Acham que ela conferiu um corte ideológico à chapa, mais identificado com a esquerda, que atrapalha a construção da imagem de Haddad.

Sim, senhores! Os feiticeiros petistas da “marquetologia” consideram o nome de Erundina um erro. Avaliam que ela traz consigo a memória de um PT excludente, avesso à classe média. Assim, o comando do petismo sabia que havia o risco de ela estrilar com os salamaleques todos feitos a Paulo Maluf. Na verdade, contavam com isso. O petismo já havia feito chegar a Erundina a sua insatisfação com aquele discurso no dia em que aceitou ser vice. Ela não gostou da abordagem, mas ainda tentou conciliar.

Sim, senhores! Esses grandes pensadores do “socialismo” estavam e estão inconformados com a presença da “socialista” Erundina na chapa. Lula foi alertado para o risco de curto-circuito e fez uma escolha: Maluf!

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2012 às 18:23

No dia da estreia da novela “Gabriela”, Maluf não quis ser Glorinha, a rapariga de Lula, e exigiu tratamento dispensado a senhoras de respeito

Estreia hoje o remake da novela “Gabriela”. Como todos os moleques da minha idade, também era fascinado por Sônia Braga na novela original. Mas outra personagem mexia mais com a minha imaginação solitária: Glorinha, então vivida por Ana Maria Magalhães. Era a rapariga do coronel Coriolano. Ele mantinha a sua mulher oficial confinada numa fazenda de cacau e comprou uma casa para a moça da cidade. Glorinha fazia uma exigência ao “painho”: que a deixasse ficar na janela, onde exibia sua… exuberância irracional. Não podia sair de casa nem ir à missa, porque aí já seria desafio excessivo ao decoro.

O Brasil tem uma certa tradição de fazer da puta caminho da ascese espiritual.  Glorinha acaba atraindo a atenção do intelectual virgem da cidade, o “professor” — na novela original, se não me engano, é Marco Nanini. Não vou revelar o desfecho para quem não viu ou não lembra.

Pois bem! O comando do PT até queria Maluf como a Glorinha do coroné Lula. Pode ficar na janela, pode se mostrar, mas nada de querer ir à igreja ou desfilar nos ambientes de gente decente. Rapariga é repariga! Ocorre que a Glorinha do PP não aceitou a proposta: “Se for assim, então não dou mais meu tempo; eu quero é casar, de papel passado, aos olhos de todos, com imprensa documentando tudo”. MALUF EXIGIU QUE LULA FOSSE À SUA CASA E POSASSE PARA FOTOGRAFIAS. A própria assessoria do Babalorixá de Banânia conforma  informação.

O PT teve de aceitar. Afinal, o governo federal já havia cumprido a sua parte e cedido uma secretaria do Ministério das Cidades para Maluf. Perto de fazer 82 anos, o ex-governador biônico também está interessado em lavar a sua biografia. E a lavanderia petista serve também para isso.

Por Reinaldo Azevedo

 

Erundina se dá conta de que é a “nordestina pobre” no casamento de elite entre Haddad e Maluf

Luiza Erundina vai mesmo recusar a vaga de vice na chapa de Fernando Haddad? Se não foi tomada pela Síndrome Mercadante, o homem que inverteu o sentido da palavra “irrevogável”, sim! Mas que diabos aconteceu? Ela já tinha dado algumas entrevistas depois que estava claro que o PT celebraria um acordo com o deputado do PP. Chegou até a fazer uma distinção entre princípios ideológicos e questões políticas, um troço meio confuso, mas cujo sentido era mais ou menos este: “A aliança eleitoral não compromete necessariamente o projeto”. O que mudou?

Erundina tinha deixado claro na entrevista ao Estadão que aceitava o apoio envergonhado de Maluf, mas não dividiria com ele o palanque — nem o eletrônico. Também havia entendido que o ex-governador biônico e ex-prefeito seria quase uma peça decorativa na aliança e na campanha. O preço de Maluf, no entanto, era mais alto (já trato do assunto em outro post). Não aceitou ser tratado como rapariga do coroné Lula. Quis celebrar o evento aos olhos da sociedade!

A ex-prefeita percebeu que peça meramente decorativa no jogo é ela. A “nordestina de origem humilde” é o tributo que a aliança viciosa “das elites” (como eles dizem) estava prestando à virtude.

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2012 às 17:36

“Não aceito aliança com Maluf”, afirma Erundina a VEJA

Por Thais Arbex, na VEJA Online. Comento no próximo post.
A deputada federal Luiza Erundina afirmou em entrevista exclusiva ao site de VEJA que vai rever a decisão de compor chapa com o petista Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo. Erundina se pronunciou poucas horas depois de o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) oficializar apoio à candidatura de Haddad. Na sexta-feira, o PSB anunciou Erundina como candidata a vice na chapa do PT e, na ocasião, a ex-prefeita já havia deixado clara sua indisposição com o possível apoio do PP.

“Se for por nomes, meu partido tem outros a indicar. Eu pessoalmente não vou aceitar. Vou rever minha posição”, afirmou. “Não preciso ser vice para fazer política.” Ex-prefeita de São Paulo, Erundina disse que a aliança com o seu adversário histórico foi feita “à sua revelia”. Ontem à noite, ela teve uma longa conversa com Haddad e segundo a deputada, o pré-candidato garantiu que aliança com o PP não estava fechada. “Ele praticamente desconversou”. Ela disse ter mostrado a Haddad sua preocupação com a coligação com Maluf.

A decisão de Erundina está diretamente ligada ao ingresso de Maluf na campanha petista. ”É demais para mim. É muito além do razoável”, disse. ”É constrangedor ver Lula e Haddad na casa de Maluf celebrando essa aliança.”   A deputada questiona se vale a pena se “aliar a forças nefastas da política brasileira” em troca de “um minuto a mais” no tempo de televisão. “No momento que instalamos a Comissão da Verdade para desvendar crimes das ditadura, o PT se alia a um dos tentáculos da ditatura militar.”

Por Reinaldo Azevedo

 

O petismo é a profissionalização do malufismo. Ou: PT transformou em teoria aquilo que Maluf fazia quase por instinto e compulsão

Percebi bastante cedo — e sei porque estive por lá quando, quase menino, ainda pensava como menino, para citar Paulo, o de Tarso, não o Maluf — que o petismo nada mais era do que a profissionalização do malufismo. Já escrevi alguns textos a respeito.

O já quase lendário — uma má lenda! — ex-governador de São Paulo e ex-prefeito da capital é, por assim dizer, um romântico quase solitário nas artes em que o PT se profissionalizou. Maluf sempre teve a sua turminha e nunca tentou transformar em categoria política aquilo em que é mais hábil, se é que vocês me entendem…

Se Maluf é do tipo que ainda nega os malfeitos que trazem a sua marca, os petistas são aqueles que os admitem, mas com uma ressalva: fazem o que fazem para o bem dos brasileiros e da humanidade, entenderam?

Nesse sentido, o petismo consegue ser mais nefasto do que o malufismo. Maluf sabe que a corrupção é moralmente condenável e, por isso, sempre negou que seja corrupto. Os petistas transformaram a corrupção numa mera questão de ponto de vista. Notem que, na política, Maluf não deixará herdeiros. O petismo, por sua vez, contaminou todo o sistema. A história não está sendo irônica, não, ao juntar essas duas forças. Ao contrário: há coerência absoluta.

Vocês já assistiram ao magistral “Era Uma Vez no Oeste”, de Sergio Leone? Se não, corram hoje mesmo à locadora ou baixem o filme aí no micro. Trata daquele período em que bandoleiros personalizados são literalmente substituídos pela máquina. Na transição de uma fase para a outra, os pistoleiros antigos ainda prestam alguns serviços aos novos.

É bem verdade que, no filme de Leone, o que se vê é a marcha bruta do que acaba resultando em progresso. No Brasil, estamos assistindo é à união de dois reacionarismos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Jornalismo financiado pelo PT tenta tirar foco do acordo entre Lula e Maluf, segundo lei da oferta e da procura. Ou: Serra disse a Alckmin que não valia a pena se esforçar por Maluf

Os petistas financiados, disfarçados de jornalistas, estão doidinhos para tentar emplacar na imprensa uma, como dizer?, pauta alternativa. Querem que o noticiário mude de foco. Tentam criar uma intriga entre os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Segundo essa versão assalariada, o candidato à do PSDB Prefeitura estaria bravo com o governador, culpando-o por não ter fechado o acordo com Maluf.

Agora os fatos: nem Alckmin nem Serra aceitaram entrar no leilão que Maluf tentou promover. Do governador, ele queria mais espaço no estado; de Serra, o compromisso de nomear desde já alguns aliados. De um, ouviu um “não”; do outro, também. O PT, como se viu, fez um pagamento antecipado — a nomeação de Oswaldo Garcia para a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades — e ainda garantiu que a área de habitação da Prefeitura fica com os malufistas caso Haddad se eleja.

É assim que Maluf negocia. Política tem preço. Lula decidiu pagar. De fato, Maluf havia prometido apoio à candidatura de Serra, mas estava inconformado com o fato de que não estava sendo devidamente recompensado. E resolveu reabrir o leilão. Como os tucanos não se sensibilizaram, avançou na negociação com o PT.

Alckmin estava nos EUA. A mensagem que recebeu de Serra foi bem distinta daquela que está sendo veiculada pelos petralhas: não vale a pena se esforçar para tentar “reconquistar” Maluf. Ao contrário: o esforço poderia ser contraproducente qualquer que fosse o resultado. Traria junto o desgaste do leilão que ele promoveu.

O encontro de Lula e Maluf, assim, consagra o entendimento que ambos têm da política: um queria vender, e outro queria comprar. É, assim, uma espécie de versão argentária do franciscanismo: é pagando que se recebe.

Por Reinaldo Azevedo

 

Petistas estão decepcionados com decisão da Justiça, que manteve validade das escutas da Monte Carlo

Há muita gente decepcionada na CPI do Cachoeira, especialmente na base governista, no PT em particular. Era a turma que apostava tudo na possibilidade de a Justiça declarar ilegais as escutas da Operação Monte Carlo. Se isso tivesse acontecido, o conteúdo das gravações não poderia ser usado pela própria comissão. Seria um excelente pretexto para deixar tudo como está, transferindo a responsabilidade para a Justiça. Não deu.

Agora, as coisas voltam a seu ponto de tensão original. A convocação de Fernando Cavendish volta a ter tema da comissão. Até agora, os governistas não conseguiram um modo seguro de fazer com que só a oposição se dane com seu eventual depoimento. Até porque o grosso dos negócios da Delta foi celebrado mesmo com o governo federal e com dois estados da base aliada: Rio e Pernambuco.

Por Reinaldo Azevedo

 

Justiça mantém validade da operação Monte Carlo

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
O Tribunal Regional Federal (TRF) confirmou nesta segunda-feira a legalidade das provas da operação Monte Carlo, que prendeu o contraventor Carlinhos Cachoeira. A 3ª Turma do TRF impôs uma derrota ao desembargador Tourinho Neto, que havia votado pela nulidade das provas. Os outros dois magistrados que participaram do julgamento argumentaram que as interceptações telefônicas da investigação se iniciaram após uma apuração preliminar - e não apenas com base em denúncias anônimas, como argumentava o relator.

O julgamento durou menos de 30 minutos. A defesa de Cachoeira alegava que os grampos telefônicos foram feitos logo no início da investigação, após denúncia anônima, sem que o Ministério Público Federal tivesse aplicado outros métodos de apuração. Mas a interpretação não prevaleceu. ”Não vislumbro, até aqui, nulidade nas interceptações, o que não significa que mais adiante não se possa declarar possível ilegalidade dessas escutas”, afirmou o desembargador Cândido Ribeiro.

O magistrado lembrou o fato de que havia policiais civis, militares e federais envolvidos na quadrilha de Cachoeira, o que tornava necessária a gravação de conversas telefônicas para garantir a qualidade das investigações: “O início dessa investigação por meio de interceptações telefônicas justifica-se, ao meu ver, devido à excepcionalidade da investigação”, afirmou o magistrado.

O juiz Marcos Augusto de Souza acompanhou o voto do colega, o que garantiu o placar de 2 a 1 a favor da manutenção de todas as provas obtidas durante a operação Monte Carlo. “Houve, minimamente, uma apuração por meio de diligências que poderiam constituir uma investigação preliminar, antes que fosse decretada a necessidade de uma interceptação telefônica”, afirmou Souza.

Se o voto do desembargador Tourinho Neto fosse acompanhado pelos colegas, Carlinhos Cachoeira seria libertado e a maior parte das provas da investigação seriam descartadas - o que também teria impacto sobre os trabalhos da CPI do Cachoeira. Além de ter votado pela nulidade das provas, o desembargador Tourinho Neto também concedeu um habeas corpus ao contraventor na última sexta.Carlinhos Cachoeira só não foi solto porque a Justiça do Distrito Federal manteve um pedido de prisão contra ele.

Após o julgamento, a advogada Dora Cavalcanti, que representa Cachoeira, anunciou que vai recorrer da decisão. O mais provável é que o recurso seja apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Por Reinaldo Azevedo


Forças Armadas do Brasil: treinados, armados e mal pagos. Um comandante de porta-aviões, por exemplo, ganha menos que um gráfico do Senado Federal

Por Carolina Freitas e Gabriel Castro, na VEJA Online:
Neste domingo, familiares de militares marcharam a partir das 15 horas pela orla da Praia de Copacabana no Rio de Janeiro em um protesto por aumento salarial. A manifestação, batizada de “panelaço”, aproveitou a presença de autoridades do governo e representantes internacionais no Forte de Copacabana para a Conferência Rio+20 para dar visibilidade à causa. Dados levantados pelo site de VEJA mostram a discrepância salarial entre os militares - que somam um efetivo de 339 364 homens - e os demais servidores públicos federais. Um operador de máquina do Senado Federal, responsável por colocar em funcionamento as máquinas do serviço gráfico da Casa, por exemplo, recebe salário de 14 421,75 reais. A vaga, preenchida por concurso, exige apenas Ensino Fundamental completo. Enquanto isso, um capitão-de-mar-e-guerra, o quarto posto mais alto dentro da hierarquia da Marinha e responsável, por exemplo, por comandar um porta-aviões, recebe remuneração de 13 109,45 reais.

Os militares da ativa são proibidos de se manifestar. Por isso, escalaram suas mulheres para ir às ruas. Ivone Luzardo preside a União Nacional das Esposas de Militares (Unemfa) e é uma das articuladoras do protesto deste domingo. Ela causou alvoroço em março ao subir a rampa do Palácio do Planalto, em Brasília, de uso restrito da presidente. Tudo para chamar a atenção para as reivindicações salariais da categoria. Em maio, conseguiu entregar nas mãos da presidente um ofício com um pedido de audiência. Não obteve resposta. “O governo precisa separar a história da realidade”, afirma Ivone. “Os militares assumiram o poder nos anos 1960 porque ninguém queria um país comunista. Os que hoje estão no governo eram contra os militares na época. Criou-se um revanchismo.”

Outro líder do movimento é o militar reformado Marcelo Machado. Ele presidente a Associação Nacional dos Militares do Brasil, fundada há um ano e com sede no Rio de Janeiro e em Brasília. “A insatisfação é geral. Enquanto os comandantes das Forças Armadas têm salário de ministro, nós ficamos a pão e água”, diz Machado. “Os colegas não podem se manifestar, mas, por ser reformado, tenho sorte de ninguém poder me punir.” O movimento vem ganhando força a ponto de as duas associações terem marcado para 30 de agosto o 1º Congresso Nacional da Família Militar.

Sob a condição de anonimato, pelo temor de represálias, militares da ativa e da reserva aceitaram conversar com a reportagem do site de VEJA. Eles narram uma rotina de dificuldades financeiras, endividamento e condições precárias para as famílias de militares que são transferidos de cidade. “Há militares com 25 anos de serviço em capitais que residem em quartéis, em alojamentos paupérrimos, com a família a 200 quilômetros de distância, onde podem pagar pelo aluguel”, relata um subtenente com 27 anos de Exército.

Um capitão do Exército da reserva aceitou mostrar seu contracheque (veja detalhes na ilustração abaixo). Ele tem 60% de seu soldo, de 5 340 reais, comprometido com empréstimos e financiamento imobiliário. Ao soldo somam-se gratificações pelo tempo de serviço e por especialização na profissão que dobram o valor da remuneração. Mesmo assim, ele chega ao final do mês com salário líquido de pouco mais de 3 000 reais depois de 37 anos de dedicação às Forças Armadas. “A vida militar é um sacerdócio, não um emprego. Tenho sangue verde-oliva”, diz o orgulhoso senhor de 57 anos. “Porém, acho injusto um capitão contar o dinheiro para poder trocar de carro enquanto um funcionário de nível médio do Senado anda de automóvel importado.”

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Entre as reivindicações das associações de familiares está o pagamento imediato de um porcentual de 28,86%, concedido por lei aos servidores públicos em 1993, durante o governo Itamar Franco, mas nunca entregue aos militares. Em 2003, o Supremo Tribunal Federal editou uma súmula garantindo o pagamento às tropas. Em 2009, a Advocacia-Geral da União reconheceu a decisão. De acordo com o Ministério da Defesa, no entanto, o estudo para pagamento do reajuste está sob análise do Ministério do Planejamento. “A implementação de novos valores dependerá de análise do governo federal, observada a conjuntura econômico-financeira do país”, informou a Defesa. O ministério informou ainda que tem dialogado com o Planejamento “visando a melhoria da remuneração dos militares das Forças Armadas”. Não há, no entanto, previsão de quando pode haver uma resolução sobre o assunto.

Em 2011, a folha de pagamento das três Forças somou 46,56 bilhões de reais, sendo 17,54 bilhões de reais destinado ao pessoal ativo e 29,02 bilhões de reais para inativos e pensionistas.

Fuga da carreira militar
A pouca atratividade financeira da carreira tem feito minguar os quadros das Forças Armadas. Levantamento feito com base em dados do Diário Oficial da União mostra que, de janeiro de 2006 até maio de 2012, 1 215 militares deixaram a carreira. O Exército foi a força que mais perdeu pessoal, 551 homens, seguido pela Marinha, 405, e Aeronáutica, 229. Os detalhes estão no gráfico abaixo. O estudo foi organizado pela assessoria do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), porta-voz das tropas no Congresso. “Tem muitos oficiais saindo para ganhar mais em outras áreas. E o gasto que o governo tem para formar um militar é altíssimo”, afirma Bolsonaro. “O governo usa o pretexto da indisciplina para nos subjugar.”

As associações de familiares procuraram um por um os parlamentares para pedir a eles apoio para pressionar o governo Dilma Rousseff a conceder aumento. Os apelos tiveram pouca reverberação no Congresso. Além de Bolsonaro, apenas o senador Roberto Requião (PMDB-PR) deu sinais de apoio à causa. Em audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Casa com o ministro da Defesa, Celso Amorim, Requião falou sobre a necessidade de valorizar a carreira militar e sugeriu o agendamento de um encontro na comissão, com a presença do ministro, para tratar do assunto. Até agora, nada está marcado, no entanto.

Promessas
Apesar de todos os entraves agora colocados pelo governo, um plano de reajustes para a categoria estava previsto na Estratégia de Defesa Nacional, lançada em 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e, ainda, em uma carta da então candidata à Presidência Dilma Rousseff, de 2010. Diz o documento assinado por Dilma e entregue à época aos representantes das Forças Armadas: “Os índices de reajuste salarial conquistados nos últimos dois mandatos presidenciais são uma garantia de que continuaremos efetuando as merecidas reposições.” As tropas, unidas, continuam à espera.

Por Reinaldo Azevedo

 

da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

 

Sarney merecia ser padrinho do casamento celebrado na visita de Lula à casa de Maluf

Em setembro de 1987, num discurso em Aracaju, o deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e dono do PT, juntou no mesmo balaio da gatunagem o então presidente José Sarney e os ex-governadores paulistas Adhemar de Barros e Paulo Maluf. Trecho:

“E a Nova República é pior do que a velha, porque antigamente na Velha República era o militar que vinha na televisão e falava, e hoje o militar não precisa mais falar porque o Sarney fala pelos militares ou os militares falam pelo Sarney. Nós sabemos que antigamente ─ os mais jovens não conhecem ─, mas antigamente se dizia que o Ademar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão; pois bem: Ademar de Barros e Maluf poderiam ser ladrão, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da nova República, perto dos assaltos que se faz”.

Nesta segunda-feira, Lula levou Fernando Haddad à mansão de Maluf para a pajelança que celebrou a troca de alianças entre o PT e o PP controlado pelo homem que considerava um ícone da ladroagem. “Não há contradição”, gaguejou Haddad. “A cidade de São Paulo deve ficar acima de possíveis divergências ideológicas entre as duas siglas”.

Feliz com os salamaleques dos visitantes, o anfitrião fez de conta que também achou muito natural a barganha que juntou o “homem novo” (segundo o Lula de 2012) e o velho inimigo que o Lula de 1987 chamava de ladrão. “Não adianta olhar pelo retrovisor”, ensinou Maluf. “Temos que olhar para o para-brisa”. Previsivelmente, Lula não quis fazer declarações. Ordem médica, alegou. Conversa fiada. Ele não tem o que dizer. Falaram por ele os sorrisos e o aperto de mãos que trocou com o dono da casa que visitou pela primeira vez.

De 1987 para cá, Maluf incorporou ao prontuário façanhas tão extraordinárias que acabou entrando no ranking dos mais procurados pela Interpol. Como o encontro revogou oficialmente a discurseira do passado, o ex-presidente perdeu uma boa chance de redimir-se por inteiro dos pecados de Aracaju. José Sarney merecia ser padrinho do casamento obsceno. Ao lado de Maluf, hoje é ele quem parece trombadinha.

(por Augusto Nunes)

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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