‘Salvem Dilma!’, por Ricardo Noblat

Publicado em 29/07/2013 15:29 e atualizado em 11/09/2013 13:21
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Publicado no jornal O Globo, desta segunda-feira

‘Salvem Dilma!’, por Ricardo Noblat

Dilma disse à Folha de S. Paulo: “Lula não vai voltar porque não saiu”. Foi em resposta à pergunta sobre se ele voltaria a ser candidato à presidência da República em 2014 quando, a principio, Dilma tentará se reeleger. O que Dilma quis dizer com essa história de “não voltar porque não saiu?” Objetivamente, nada. Apenas fugiu de uma resposta direta, frontal à pergunta. Razoável. Se nem ela sabe o que vai acontecer.

Uma coisa é termos uma presidência compartilhada como temos hoje. Dilma não se sente segura para governar sozinha. Pede conselho a Lula sempre que a infelicidade bate à sua porta. Se não pede, ele oferece por telefone. Ou por meio de ministros e assessores que devem o emprego a ele e não a Dilma. Bem, outra coisa é proceder como Lula quando Dilma substituiu José Dirceu na chefia da Casa Civil.

Para enganar os tolos, Lula passou os dois últimos anos do seu segundo mandato repetindo que Dilma governava tanto quanto ele. E que era melhor gestora do que ele. Ora, Dilma fazia o que Lula mandava. Muitas das sugestões que deu foram acatadas por Lula. Outras, não. Esperto, Lula entregou a gerência do governo a Dilma para governar à vontade. Não se governa sem fazer política. Muito menos se governa centralizando tudo.

Lula teve melhor equipe do que Dilma tem. Embora soubesse lidar com políticos, cercou-se de gente que também sabia.Os bons ventos sopraram a economia enquanto governou. Por hábil e carismático, levou no gogó a maioria dos brasileiros sempre que se viu em aperto. Depois de consultar amigos, concordou que não valeria a pena batalhar pelo terceiro mandato consecutivo. Deu um tempo. Chamou Dilma. Espera reciprocidade.

Há condições para que a reciprocidade se consuma. Mas Dilma está obrigada antes a reagir. Sua popularidade não poderá continuar caindo. Falta mais de um ano para a próxima eleição. Se Dilma chegar feito um trapo em março não parecerá natural que anunciem para deleite certo do distinto público: “Senhoras e senhores, o candidato do PT e de nove entre 10 partidos à presidência da República será… Luiz Inácio Lula da Silva”.

Que brincadeira é essa? A melhor gestora do governo Lula teria fracassado ao se tornar gestora do seu próprio governo? Ou simplesmente Lula mentiu ao imputar-lhe a falsa condição de melhor gestora? Lula pensa que é assim? Que o povo é bobo e jogará a culpa na Rede Globo? Que o país engolirá a desculpa de que o mau desempenho de Dilma surpreendeu até ele mesmo? Mas que uma vez de volta ele haverá de correr atrás do tempo perdido?

O eventual retorno de Lula passará pela reabilitação de Dilma. A permanência do PT no poder passará pela reabilitação de Dilma. Se candidata outra vez, ela talvez não se reeleja. Mas se for alijada da disputa presidencial para evitar uma derrota é quase seguro que o PT acabará alijado do Palácio do Planalto. Sem arrogância alguma, aceitam-se apostas. Cartas à redação. Ou: e-mails. Como preferirem.

(por Ricardo Noblat)

 

 Economia

Amigos para sempre

Lula: recursos para blogueiros

Em busca de ajuda para a EBX

Lula continua procurando amigos para tentar salvar Eike Batista.

Por Lauro Jardim

 

Brasil

Muito o que conversar

Dirceu: sempre ativo

As conversas entre Lula e José Dirceu têm sido frequentes. A relação dos dois está afinada.

Por Lauro Jardim

 

 Economia

Carne de primeira

Setor que ainda traz resultados positivos

Exceção no mar de más notícias da economia, é o setor de carnes.  Projeta-se fechar 2013 com exportações de 6,1 bilhões de dólares, 400 milhões de dólares acima do registrado no ano passado.  A chance de o Brasil retomar o posto de maior exportador mundial é grande.

Por Lauro Jardim

 

Direto ao Ponto

Se demorou nove anos para inventar uma versão sobre o bombom de cupuaçu, Lula vai querer falar do caso Rose só em 2022

ATUALIZADO ÀS 13:30

As plateias amestradas de Lula aplaudem as bazófias de um presunçoso patológico com a mesma aplicação exibida quando endossam com lágrimas de esguicho as pieguices recitadas pelo coitadinho de araque. O bom entendimento entre o canastrão e a claque foi reiterado no Festival da Mulher Afro, Latino-Americana e Caribenha, realizado em Brasília na semana passada.

Deslumbrado com a narrativa das façanhas do maior dos governantes desde Tomé de Souza, o auditório teve de arquivar temporariamente o entusiasmo para comover-se com a entrada em cena do nordestino perseguido por preconceituosos cruéis. Desta vez, Lula resolveu emocionar o público com a ressurreição de um episódio ocorrido há nove anos em Tucuruí. Nessa versão malandra, aconteceu o seguinte:

“A maldade comigo era tanta que eu ganhei uma bala, mas eu estava sentado na cadeira e não tinha onde guardar. Desembrulhei a bichinha e coloquei o papel com muito cuidado no pé da cadeira (…). Tamanha foi minha surpresa que a capa do jornal era só o papel de bala”.

Conversa fiada, informam as fotos e berra o noticiário dos jornais sobre aquela tarde de 2004 em que o palanque ambulante estacionou no interior do Pará para inaugurar três turbinas da hidrelétrica de Tucuruí. No centro da mesa das autoridades, o que Lula desembrulhou e engoliu gulosamente, como atesta a imagem à esquerda, não foi uma bala. Foi um bombom de cupuaçu que acabara de ganhar de presente.

Teria pedido mais um se não descobrisse que estava com um problema na mão esquerda: a bolinha de papel a que fora reduzida a embalagem. Poderia tê-la guardado num bolso, para depois jogá-la no lixo. Poderia repassá-la ao ajudante-de-ordens. Em vez disso, sem notar que nada encobria o que o se passava debaixo da mesa, fez a opção pela esperteza.

Péssima ideia, constatou ao topar com a sequência de fotos, publicadas pela Folha  no dia seguinte, que registrou todas as etapas da operação. Primeiro, caprichando na cara de paisagem, Lula passou a bolinha de papel da mão direita para a esquerda. Em seguida, estendeu o braço sobre o encosto da cadeira ocupada pelo governador tucano Simão Jatene.

“Coloquei o papel com muito cuidado no pé da cadeira”, fantasiou na discurseira em Brasília. O registro fotográfico grita que não. O que ele fez, fingindo-se absorvido por reflexões sobre os superiores interesses da pátria, foi deixar o papel cair no chão — e atrás do governador. Milhões de brasileiros jogam lixo na rua. Mas não se sabe de outro presidente da República que, sem testemunhas perto, é capaz de jogar uma casca de banana na frente de um asilo.

Lula passou nove anos sem comentar o episódio. Resolveu exumá-lo agora apenas para tentar enterrar publicamente a verdade. Faz quase 300 dias que não abre a boca sobre o escândalo que estrelou ao lado de Rosemary Noronha. Se mantiver o padrão, só tratará do caso  em 2022. Como é certo que vai contar mentiras, deveria ao menos aprender  a assassinar fatos e fotos com mais criatividade.

(por Augusto Nunes)

 

Direto ao Ponto

A galeria da blasfêmia: pinturas escondidas na Fundação Sarney retratam integrantes da Famiglia fantasiados de religiosos

Clique na imagem para ampliar (Crédito: Reynaldo Turollo Jr.)

Para abrigar alguns badulaques e quinquilharias que lembram a passagem do patriarca pela Presidência da República, a Famiglia que há 50 anos suga, sangra e sufoca o Maranhão decidiu criar a Fundação José Sarney. Para que a entidade se instalasse num endereço à altura do poderio do clã, o mais ilustre maranhense expropriou o Convento das Mercês. Foi assim que uma relíquia da arquitetura colonial virou sede do bando chefiado pelo pai-da-pátria a quem os comparsas se referem pela alcunha famosa: Madre Superiora.

A descoberta do acervo de maracutaias que reduziram um convento a cabaré secou a cachoeira de donativos suspeitíssimos e verbas federais irregulares que sustentavam a Fundação (e engordavam as contas bancárias dosnovos proprietários, começando pelo senador do PMDB promovido por Lula a Homem Incomum). Em vez de correr atrás do prejuízo, o pai da governadora ordenou que a conta fosse repassada aos moradores da capitania hereditária. E Roseana Sarney incorporou ao patrimônio público a instituição privada em apuros.

Não é pouca coisa. Mas não é tudo, avisou neste domingo a espantosa reportagem da Folha de S. Paulo sobre como andam as coisas no antigo convento. Numa sala fechada à visitação pública, o jornalista Reynaldo Turollo Jr. encontrou cerca de 30 quadros que mostram integrantes da Famiglia Sarney, agregados e políticos aliados com trajes e adereços religiosos. Parece mentira? Veja a galeria publicada pela Folha. E leia as informações que acompanham cada pintura.

José Sarney, por exemplo, contempla a eternidade fantasiado de cônego. Sua mulher, Marli, capricha na pose de freira. Edison Lobão, alojado por Madre Superiora no Ministério de Minas e Energia, não sabe direito se é frade ou monge. Roseana, Zequinha e Fernando também aparecem paramentados para a missa negra. Todos têm o olhar confiante de quem garantiu a aprovação no Dia do Juízo Final com a compra de indulgências plenárias no mercado paralelo.

O Brasil sabe há muito tempo o que essa turma faz para transformar o Maranhão num inferno sobre a terra. Acaba de saber que os pecadores sem remorso resolveram debochar do Reino dos Céus. Não temem a Justiça divina porque nunca temeram a Justiça dos homens.

(por Augusto Nunes)

 

Feira Livre

Mauro Pereira e o Foro de São Paulo: começou o encontro dos liberticidas que se fantasiam de adoradores da democracia

Começou mais uma edição do Foro de São Paulo. Novamente, pessoas sem muito o que fazer, ou sem vontade de trabalhar, estão reunidas na capital paulista para a pauta de sempre: amaldiçoar o capitalismo, chamar “us estadunidense” pra porrada e exercitar as mais exóticas manifestações de democracia. Se sobrar espaço, pode até rolar alguma referência ao atraso que devasta a América Latina.

 

Talvez estimulado pelo evento, vieram-me à lembrança os dias 3 e 4 de dezembro de 2011, datas contempladas por episódios envolvendo universos diferentes, mas intimamente ligados pelas causas e efeitos que os revestiam. Um pelo viés insólito. Outro pela dramaticidade implícita.

No dia 3, um sábado, recepcionada por Hugo Chaves, sob o patrocínio da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos ─ a CELAC, mais nova sigla criada para aterrorizar o centro-sul do continente americano ─, reuniu-se em Caracas a fina flor da “democracia” imposta à América Latina e ao Caribe. Desfilaram sob os holofotes da imprensa capitalista (a ser censurada) democratas da estirpe dos Castro, dos Morales, dos Correa, dos Ortega, dos Kirschner.

Uma das estrelas do evento foi Dilma Rousseff ,que propiciou o momento mais tenso da reunião ao levantar dúvidas sobre uma questão prioritária: qual calva era a mais atraente, a de Lula ou a de Chaves? Para não ferir suscetibilidades nem causar constrangimentos,  a decisão ficou para um outro encontro.

Aquele ajuntamento de tiranetes decadentes, todos sonhando com seu país particular, uma imprensa companheira, a população submetida ao circo e a oposição à bala, vetou por unanimidade o ingresso dos Estados Unidos e do Canadá na entidade. Decididos a garantir que a injustiça não prospere no continente, negaram-se a macular a CELAC com a presença de representantes dos regimes autoritários que assolam as duas nações do norte.

Em nome dos brasileiros, Dilma assinou o documento que oficializou aquela empulhação cujo texto ridiculariza nossa inteligência e desdenha da fome que castiga latinos-americanos e caribenhos.  Representante de uma das “democracias” mais sólidas e evoluídas do planeta, o presidente cubano Raul Castro foi um dos primeiros a chancelar a farsa.

No dia 4, um domingo, o Brasil tomou conhecimento de um drama que se desenrolava em algum lugar do Maranhão, protagonizado pelo apresentador de televisão Gugu Liberato e por uma família de oito pessoas que sobrevivia em condições sub-humanas. O grupo de brasileiros foi representado por Maria, a mãe,  precocemente envelhecida pela miséria, e pela filha Raimunda, uma adolescente de olhos tristes que não ousava encarar o interlocutor famoso.

Morando com os sete filhos num casebre de pau-a-pique, aquela brasileira valente sobrevivia com o auxílio-doença de uma das meninas. Já não aguentava quebrar coco para prover o sustento da família. Sem acesso a redes de esgoto e com a fossa séptica saturada, todos usavam a mata no fundo do quintal como banheiro e tinham no poço imundo ao lado da palhoça a única possibilidade de saciar a sede, ainda que com a água contaminada.

Teimam em resistir a essa realidade devastadora centenas de milhares de Marias e Raimundas, que sobrevivem à espera de um dia em que apareça para resgatá-las algum gugu liberato. Sobrou somente a dignidade que lhes permite enfrentar o martírio cotidiano, que as autoridades não veem e a propaganda oficial ignora.

Os caudilhos do Foro de São Paulo, que começa oficialmente neste 2 de agosto, deveriam mirar-se no exemplo dessas marias e raimundas, pouco importa se brasileiras, bolivianas ou argentinas. Todas são produtos de um subcontinente macabro, traído por subditadores e subpresidentes.

Continuo a não chorar por ti, América Latina. E chorarei menos ainda depois de mais uma reunião, agora em São Paulo, ao longo da qual os hipócritas recitarão versos em louvor da democracia que desprezam. Não serás digna de uma única lágrima minha enquanto deres guarida a caudilhos e tiranos.

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Fonte: Blog Augusto Nunes (veja.com.br)

1 comentário

  • Marcos Antonio Borges Estação - RS

    ME IMPRESSIONA MUITO ALGUÉM QUE SE DIZ COLUNISTA, TEM ESPAÇO NA MÍDIA, FICAR NO CAMPO DO PESSOAL AFINAL DE CONTAS ESCREVES PRA QUEM LER. DIGA-SE PESSOAS INTELIGENTES ESCREVEM SOBRE IDÉIAS, PESSOAS COMUNS ESCREVEM SOBRE COISAS E PESSOAS MESQUINHAS ESCREVEM SOBRE PESSOAS. ESSA É SUA MELHOR MANEIRA DE FALAR SOBRE A POLITICA ECONOMICA DE UM PAÍS ESQUEÇA POIS ESSA ARGUMENTAÇÃO NÃO CONVENCE NEM O PIOR ANALFABETO POLITICO, E SIM SÓ DEIXA ACENTUADA A SUA FORMA IMPARCIAL DE DISCUTIR OS RUMOS DO PAÍS.

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