Coitado do Rio de Janeiro! Tão perto do Cristo, tão longe de Deus!

Publicado em 14/08/2013 10:21 e atualizado em 11/09/2013 15:52
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por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br (+ Rodrigo Constantino)

O estado do Rio pode estar marcando um encontro com o desastre — e com a colaboração entusiasmada de setores da imprensa e de alguns descolados. Vamos ver.

No dia 9 deste mês, escrevi aqui um post intitulado “Invasão da Câmara do Rio é só manifestação de truculência do PSOL, um partido amigo de ditaduras. Ou: A agenda aloprada”. Muito bem! Esse partido — que se tornou um dos bibelôs da imprensa carioca por causa do supostamente impoluto deputado estadual Marcelo Feixo, e, em certa medida, da imprensa nacional por causa da elevação de Jean Wyllys à condição de Schopenhauer da diversidade — comanda a bagunça na Casa. Ao arrepio da lei, do regimento ou de qualquer código civilizado, o partido exige que um seu vereador, Eliomar Coelho, seja o relator da chamada CPI dos ônibus. E o que embasaria tal exigência? “Ele foi o autor do requerimento!” Desde quando autores de requerimentos são alçados automaticamente à condição de relatores? O PSOL não reconhece a legitimidade dos governistas para investigar. Ah, bom… Mas esperem: a comissão só existe porque os governistas decidiram aprová-la — ou teria sido rejeitada. Quer dizer que eram legítimos para apoiá-la, mas não para conduzi-la? Não peça a um esquerdista que opere com a lógica. É impossível. Se lógico fosse, não seria de esquerda. É simples. Sei do que falo…

Há pouco, li na Folha uma  reportagem de que destaco um trecho. Volto em seguida:
“Mesmo escoltados por seguranças e policiais militares, os vereadores Professor Uóston e Chiquinho Brazão, ambos do PMDB, foram hostilizados e agredidos com tapas e ovos arremessados por manifestantes ao deixarem pelos fundos o prédio da Câmara dos Vereadores, no final da manhã desta quinta-feira (15).
Relator da CPI dos Ônibus, o vereador Professor Uóston foi atingido por pelo menos dois ovos nas costas. No mesmo momento, seguranças revidaram com socos e empurrões contra os manifestantes.
Presidente da comissão, Chiquinho Brazão foi cercado por ativistas, que tentaram agredi-lo com tapas. Houve corre-corre e gritaria. Os dois vereadores conseguiram embarcar em táxis na rua do Passeio, próximo à Câmara. Os manifestantes gritavam palavras de ordem: “ladrões”, “essa Casa é nossa”. A PM tentou localizar os agressores, mas eles fugiram. A Folha tentou contato com os assessores dos vereadores, mas ninguém foi encontrado.
(…)

Voltei
Ok. A Folha queria ouvir os agredidos. Não entendi bem por quê, mas vá lá. E os agressores? Por que não ouvir os comandantes do PSOL na cidade, que organiza a bagunça? “Ah, mas nós não gostamos dos vereadores do PMDB…” Ok. Tentem despedir a democracia primeiro, ora bolas! Antes que prossiga, um esclarecimento.

Lá no primeiro parágrafo, refiro-me a Marcelo Freixo, o queridinho dos socialistas da Vieira Souto, como “supostamente impoluto”. Por que “supostamente”? Sei de alguma falcatrua que tenha cometido? Vamos ver. Falcatruas existem de várias ordens. Há os larápios da grana, que roubam dinheiro público. E há, com a devida vênia, a trapaça ideológica, de que o PSOL é a mais clara e escancarada expressão. Esse partido nanico, que conta com a adesão de pouquíssimos brasileiros, tem, não obstante, uma atuação deletéria nos chamados “movimentos sociais”, em alguns sindicatos (comanda o dos Metroviários de São Paulo, por exemplo) e especialmente nas universidades, onde age com impressionante truculência. É a tática de sempre dos esquerdistas: grudar-se como craca nos aparelhos de representação e impor a sua vontade na base do berro. Entre os fundadores do PSOL, está um terrorista e assassino. As pessoas fazem suas escolhas, inclusive eu. Não considero “impoluta” gente que se liga a esse tipo de prática. Ponto. Não são apenas os ladrões contumazes que fazem mal à política e aos países. Adiante.

Para onde vai o Rio? E agora começo a me aproximar do meu título provocativo. Pois é… Tudo o mais constante — e é visível que Sérgio Cabral mergulhou na abulia apatetada —, as forças governistas não andam muito bem das pernas. As eleições não estão assim tão perto, mas também não estão longe. A imagem de Cabral se esfarelou. Caiu dos píncaros da glória — e olhem que ele conseguiu resistir até à dança do lenço — para um buraco que parece não ter fundo. O que não andava bem, mas estava devidamente maquiado por um marketing agressivo e por uma imprensa servil, explodiu com todas as suas contradições. Refiro-me, em particular, à política de Segurança Pública. A bagunça sobre a qual pontificava o santo José Mariano Beltrame era bem maior do que se supunha.

Muito bem! Ainda assim, é evidente que o “Fora Cabral” e esse simulacro de insurreição no Rio obedece a comando — ou comandos. Não é possível que existam na cidade tantas pessoas desocupadas, dedicadas exclusivamente a pedir a deposição do governador. Alguém tem de pagar as contas, não é? Quem paga? “Ah, teoria da conspiração!!!” Não. Objetividade apenas. Se eu, a cada mês, tenho de arcar com a conta de luz, água, telefone, escola, supermercado, transporte, até de algum lazer, acho que o mesmo ocorre com os “manifestantes”, a menos que vivam de luz… A única pessoa, que eu saiba, que faz essa fotossíntese econômico-existencial é Marina Silva, né?…

O pau está comendo na cidade, em manifestações que há muito ultrapassaram a linha do aceitável, e, até agora, não se ouviu uma só palavra de reprovação do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ou do próprio Marcelo Freixo. Ora, claro que não! A turma do PSOL, como é visível, compõe a linha de frente do “pega-pra-capar”. Os petistas, no Rio, são mais discretos do que em São Paulo (até porque integram o governo), mas, obviamente, não estão infelizes com o que se vê no estado. A legenda, por ela mesma, não adere ao “Fora Cabral”, mas as suas franjas nos ditos “movimentos sociais” estão assanhadíssimas.

Lindbergh em apuros
Pois é… Para aqueles que se acostumaram a ver o PT como um partido da ordem, vai aqui uma lembrança: Lindbergh Farias está em apuros. Corre contra ele um processo no Supremo Tribunal Federal. Ele é acusado de fraudar o Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu, quando era prefeito. Não sei no que vai dar. Pode ser inocentado até as eleições. Pode ser condenado antes, e aí se torna inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Se condenado no curso de um eventual mandato como governador, esse mandato será cassado.

E, claro, há a alternativa que tanto encanta os socialistas do asfalto, mas com vista pro mar: Freixo ou algum de seus amigos do PSOL, que tem cabos eleitorais muito populares no Rio, como Caetano Veloso, Chico Buarque e Wagner Moura — pessoas que dedicam boa parte do seu tempo à reflexão política…

“Reinaldo passou quase sete anos esculhambando Sérgio Cabral e agora começou a defendê-lo…” Eu não retiro uma linha do que escrevi sobre o governador do Rio e ainda poderia acrescentar outras milhares. O ponto, definitivamente, não é esse. O que estou demonstrando aqui — e já o fiz em outros posts — é que a demolição de sua imagem se dá de uma forma que pode ser nefasta para o futuro do estado do Rio de Janeiro. As alternativas que se desenham naquele horizonte de cartão-postal não são muito alvissareiras, daí ter parafraseado Porfírio Díaz, que exclamou sobre seu país: “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.

De resto, escrevo aqui uma obviedade. Não é a “população” do Rio que simula aquele estado de insurreição. A dita “população” está trabalhando. O jornalismo tem a obrigação de investigar quem são esses militantes e a que orientação obedecem. Não necessariamente para denunciá-los, mas para, ao menos, saber qual é a sua agenda — a sua verdadeira agenda.

Por Reinaldo Azevedo

 

A OAB no Rio envergonha e enxovalha o estado de direito; virou babá de mascarados que espalham o terror na cidade

As polícias civil e militar do Rio de Janeiro se desentenderam ontem em meio ao caos. Um delegado ameaçou dar voz de prisão a policiais militares. Volto ao assunto depois. O meu ponto agora é outro. Escrevo este post para lastimar a nefasta, escandalosa e estupefaciente atuação da OAB no Rio. O que os doutores de lá entendem por estado de direito? O que entendem por democracia? O que entendem por império da lei? O que se passa, afinal de contas, naquele estado, particularmente na cidade?

Vejam esta foto, de autoria de Fernando Frazão (ABR). Volto depois.

Voltei
São os mascarados de sempre, vestidos de negro, que, invariavelmente, partem para a pancadaria. Não foi diferente ontem. Eles costumam compor a linha de frente dos protestos contra o governador do Rio, com o lema “Fora Cabral” — e já passou da hora de o tal “jornalismo investigativo” tentar saber quais são as mãos que balançam esse berço. Motivos para protestar contra Cabral existem. Motivo para simular um cenário de pré-insurreição, não! Isso só pode ser uma mistura de delinquência política com crime comum.

Pois bem. Representante da OAB agora deram para acompanhar as manifestações e, tão logo se fazem as detenções — de pessoas que estão cometendo atos contra a lei, é bom que se diga —, lá estão os doutores para cobrar a libertação imediata dos detidos.

Pergunto à OAB do Rio:
- quem, numa democracia, cobre o rosto num protesto?;
- quem, numa democracia, entende que a violência encurta o caminho das conquistas?;
- quem, numa democracia, considera virtuoso partir para o quebra-quebra?

“Todo mundo tem o dirito de cobrir o rosto.” Claro que sim! Mas de partir para a porrada, não! Eu quero saber qual é o manual de direito que hoje orienta os companheiros da Ordem na cidade. Eu quero saber se eles defendem que esse comportamento se repita também nos tribunais. Eu quero saber se, quando chegar a hora de eleger a nova diretoria da entidade, eles aceitarão que advogados mascarados, vestidos de negro, eventualmente se imponham pela força, na base da pancadaria, da pichação e do quebra-quebra.

Advogados são operadores do direito. Se falam em nome da OAB, expressam-se, então, como uma das vozes autorizadas para a defesa do estado de direito. A Ordem é uma entidade de natureza privada, sim, mas que tem uma dimensão pública — afinal, ser aprovado no seu exame, por exemplo, é precondição para que o bacharel possa ser, enfim, advogado. A OAB não é um mero clube de jacobinos, que pode atuar segundo os impulsos, conceitos e preconceitos de seus dirigentes de turno.

Uma coisa é combater a violência da polícia e prisões arbitrárias, e todos estamos de acordo com isso. Outra, distinta, é tentar impedir os policiais de fazer o seu trabalho, protegendo brucutus que se escondem no anonimato.

A pergunta que tem de ser feita, a esta altura, é uma só: a que interesses atende, no momento, a OAB? A menos que o estado de direito vista máscara; a menos que o estado de direito promova o quebra-quebra; a menos que o estado de direito não reconheça o direito de ir e vir; a menos que o estado de direito reconheça a deposição, sem processo legal, de um governante democraticamente eleito, uma coisa se pode garantir: não é a esse estado de direito que serve a OAB.

Encerro dizendo que não adianta vir com nhenhenhém, com chororô, a reclamar que o blogueiro é reacionário e coisa e tal. Estou cantando e andando. Eu fiz perguntas. Eu quero saber quais são os artigos da Constituição que garantem a mascarados o direito de sair quebrando tudo por aí, de invadir e depredar prédios públicos e privados e de, ao fim, com o concurso da OAB, restar impunes.

Por Reinaldo Azevedo

 

Agora são os black blocs que usam gás de pimenta contra a polícia. Mas os coleguinhas continuam apaixonados por aqueles que querem espancá-los

Vejam esta foto, de autoria de Daniel Teixeira, publicada na primeira página do Estadão de hoje. Volto em seguida.

 

No texto desta madrugada, afirmo que a cobertura dos jornais seria favorável aos manifestantes. Acertei, claro! No Rio e em São Paulo. Nas duas cidades, manifestantes mascarados decidiram partir para a porrada. São tratados com simpatia pelos jornalistas. Até o dia, suponho, em que essa gente decida invadir redações, TVs, rádios etc. Aí talvez a coisa mude. Mas não é assim tão certo. Bater em jornalistas, nas ruas, eles já batem. Os profissionais são obrigados a esconder a sua identidade; cinegrafistas de emissoras foram banidos das manifestações — têm de trabalhar com celular. Nem assim o ânimo dos “companheiros” da imprensa muda. Vai ver muitos coleguinhas gostariam de estar mascarados, vestidos de negro, botando pra quebrar. Até nas guerras, em que as duas partes entram para matar ou morrer, jornalistas costumam ter salvaguardas. Usam coletes e costumam ser protegidos pelos lados em conflito. Os nossos revolucionários são mais severos. Se descobrirem um “agente da mídia burguesa infiltrado” no movimento, eles lincham. Se virem o carro de alguma emissora de TV, eles incendeiam.

E se sentem à vontade para fazer isso porque sabem que estão sendo tratados como heróis pelo jornalismo online. E têm ainda a garantia da impunidade. No dia seguinte, algum “inteliquitual” alternativo tentará explicar, em páginas impressas, o justo direito à rebelião, como se o Brasil fosse uma ditadura.

Agora a foto
Previ que haveria fotos em que a Polícia Militar seria caracterizada como algoz. Elas existem, é evidente. Mas a coisa sempre pode ser pior. O que vocês veem lá no alto é um manifestante, em São Paulo, todo vestido de negro, mascarado, usando spray de pimenta contra os policiais. A democracia demorou alguns séculos até estabelecer que forças restritas, sob controle, têm o monopólio do uso legítimo da força. Mas eles não têm compromisso com essa tal democracia, não.

“Fúria revolucionária”
A Folha de hoje traz um texto com um registro muito eloquente. Leiam trecho (em vermelho):

(…)
Com brincos e alargadores de orelha, lenço preto cobrindo e o rosto e um camiseta da banda punk britânica “The exploited”, foi quebrando coisas pelo caminho. Arrancou uma lata de lixo suspensa e jogou contra um ônibus.
“É a fúria revolucionária!”, gritava. “Tenho três filhos em casa, de 10, 12 e 14, deixei a janta na mesa e vim pra cá quebrar tudo”, disse ele, que disse ser um anarcopunk da zona leste.
“Já quebrei uma porrada de coisa hoje, porque esse sistema é uma m… Democracia não existe, shoppings são uma mentira, bancos são uma mentira”, disse.
“Tá vindo a viatura, vaza!”
O grupo de “black blocs” e anarcopunks continuou correndo pelo viaduto Dona Paulina. Na avenida Liberdade, quebraram os vidros e picharam uma agência bancária do Itaú e a loja de cosméticos Ikesaki.

Encerro
Duas perguntas:
1) que sistema de governo satisfaria as vontades e os anseios deste rapaz?
2) que sistema de governo poderá contê-lo?

Por Reinaldo Azevedo

 

Lobão acerta os orelhudos vermelhos

Por Reinaldo Azevedo

 

Lewandowski e Barbosa quase saem no tapa por causa de um bispo… Imaginem quando chegar a hora do recurso de Dirceu, o “papa”… Ou: De um lado, chicana, sim; do outro, destempero

Vocês viram, ou leram respeito, o bate-boca entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Vou começar por censurar quem estava com a razão técnica, embora isso tenha perdido relevo para o seu temperamento irascível. Eu, que escrevo sobre essas coisas, até posso afirmar que Lewandowski estava fazendo chicana — isto é, atuando com o intuito deliberado de retardar o julgamento. Mas Barbosa? Não lhe cabe dirigir esse tipo de acusação a um colega, por mais que discorde dele. O julgamento está sendo transmitido ao vivo, os jornais, sites e blogs estão aí, tudo está aos olhos de todo. Mas Barbosa é quem é. Mesmo quando no exercício da chefia do Poder — e isso recomenda especial contenção —, põe o homem acima da cargo. A atuação de Lewandowski, com a devida vênia, é mesmo exasperante, para ser delicado. Mas não cabe ao presidente do tribunal acusar um membro da corte de fazer chicana. Ainda que Lewandowski estivesse a fazer… chicana!

Qual é o busílis?

Os ministros discutiam um embargo de declaração do ex-deputado do PL Bispo Rodrigues. Ele foi condenado por corrupção passiva (3 anos) e lavagem de dinheiro (3 anos e seis meses). O Congresso endureceu a pena para corrupção em novembro de 2003, quando foi aprovada a Lei 10.763. A pena mínima passou de 1 para 2 anos, e a máxima, de 8 para 12. Muito bem: é direito do réu ser processado pela lei que vigia quando o crime foi cometido.

O que alega Rodrigues? Que os acordos financeiros entre o PL e o PT foram celebrados no fim de 2002, na vigência, portanto, da lei mais branda. Ocorre que os pagamentos foram efetivamente feitos quando já vigorava o novo texto. Antes que avance, uma nota: se Rodrigues não foi condenado à pena máxima, mas só a três anos, por que a reclamação? Porque a dosimetria é pensada tendo como bae a pena mínima, a partir da qual se aplicam os agravantes e atenuantes. Sigamos.

Esse assunto já tinha sido debatido pela corte e, por unanimidade, escolheu-se, conforme súmula do próprio STF, aplicar a lei mais dura. REITERO: POR UNANIMIDADE, COM O VOTO DE LEWANDOWSKI! Ora, ainda que o acordo tivesse sido celebrado antes, se o dinheiro não tivesse sido repassado, nem mesmo teria havido o crime. Mas foi. E na vigência da nova lei. Assim, razão para Barbosa se exasperar, convenham, havia. Mas não poderia ter reagido como reagiu. Ele estrilou ao perceber que Lewandowski estava prestes a acolher o embargo — seria provavelmente voto vencido. Celso de Mello tentou contemporizar. Transcrevo o rebu:

Celso de Mello – Os argumentos são ponderáveis. Talvez pudéssemos encerrar essa sessão e retomar na quarta-feira. Poderíamos retomar a partir deste ponto específico para que o tribunal possa dar uma resposta que seja compatível com o entendimento de todos. A mim me parece que isso não retardaria o julgamento, ao contrário, permitiria um momento de reflexão por parte de todos nós. Essa é uma questão delicada.

Barbosa – Eu não acho nada ponderável. Acho que ministro Lewandowski está rediscutindo totalmente o ponto. Esta ponderação…

Lewandowski – É irrazoável? Eu não estou entendendo…

Barbosa – Vossa Excelência está querendo simplesmente reabrir uma discussão…

Lewandowski – Não, estou querendo fazer Justiça!

Barbosa – Vossa Excelência compôs um voto e agora mudou de ideia.

Lewandowski – Para que servem os embargos?

Barbosa – Não servem para isso, ministro. Para arrependimento. Não servem!

Lewandowski – Então, é melhor não julgarmos mais nada. Se não podemos rever eventuais equívocos praticados, eu sinceramente…

Barbosa – Peça vista em mesa!

Celso de Mello – Eu ponderaria ao eminente presidente, talvez conviesse encerrar trabalhos e vamos retomá-los na quarta-feira começando especificamente por esse ponto. Isso não vai retardar…

Barbosa – Já retardou. Poderíamos ter terminado esse tópico às 15 para cinco horas…

Lewandowski – Mas, presidente, estamos com pressa do quê? Nós queremos fazer Justiça.

Barbosa – Pra fazer nosso trabalho! E não chicana, ministro!

Lewandowski – Vossa Excelência está dizendo que eu estou fazendo chicana? Eu peço que Vossa Excelência se retrate imediatamente.

Barbosa – Eu não vou me retratar, ministro. Ora!

Lewandowski – Vossa Excelência tem obrigação! Como presidente da Casa, está acusando um ministro, que é um par de Vossa Excelência, de fazer chicana. Eu não admito isso!

Barbosa – Vossa Excelência votou num sentido, numa votação unânime…

Lewandowski – Eu estou trazendo um argumento apoiado em fatos, em doutrina. Eu não estou brincando. Vossa Excelência está dizendo que eu estou brincando? Eu não admito isso!

Barbosa – Faça a leitura que Vossa Excelência quiser.

Lewandowski – Vossa Excelência preside uma Casa de tradição multicentenária…

Barbosa – Que Vossa Excelência não respeita!

Lewandowski – Eu?

Barbosa – Quem não respeita é Vossa Excelência.

Lewandowski – Eu estou trazendo votos fundamentados…

Barbosa – Está encerrada a sessão!

Lewandowski, o reincidente
Não dá! Uma corte suprema não pode se dar a esses desfrutes. Isso é ruim para o tribunal e para o país.

Lewandowski, cumpre notar, é reincidente nesse tipo de prática. Lembram-se do primeiro dia do julgamento? Por duas vezes, no curso do processo, COM O SEU VOTO, o tribunal se recusou a desmembrar o processo, Negou-se, amparado na lei, a enviar para a primeira instância os réus que não tinham foro especial. E o que fez o ministro no primeiro dia do julgamento?

Votou a favor de um recurso preliminar de Márcio Thomaz Bastos para… desmembrar o processo! Vale dizer: também ali, a exemplo do que fez nesta quinta, Lewandowski votava contra Lewandowski. Seu voto, então, que deveria ser um improviso, já que, em tese, ninguém sabia que Bastos entraria com esse pedido, tinha… 70 páginas! Foram mais de duas horas votando sobre uma questão preliminar, acatando-a, que ele próprio já havia por duas vezes recusado.

Como presidente do TSE, o ministro fez uma das considerações mais duras que já li contra a Lei da Ficha Limpa. Tempos depois, ele se tornou o mais entusiasmado defensor dessa mesma lei.

O bate-boca de ontem, que quase chega a sopapos nos bastidores se deu por causa de um bispo… Imaginem quando chegar a vez de Dirceu, o “papa”…

Por Reinaldo Azevedo

 

O mensalão é diferente de corrupção

Tudo começou lá atrás, ainda em 2005, no auge do escândalo do mensalão, quando o então presidente Lula concedeu entrevista ao Jornal Nacional para admitir os erros do partido. E quais eram estes? Uma quadrilha montada para comprar votos e destruir a democracia? Nem pensar. Era basicamente ter feito aquilo que sempre foi feito no Brasil: caixa dois.

Desde então a tese de “malfeitos” que são tradição no Brasil tem sido disseminada pelos petistas e seus acólitos. O PT saiu de “partido da ética” para “tão ruim quanto os demais”. O defesa dos petistas foi alegar que não eram diferentes dos demais. Já seria patético, devido a toda história arrogante de monopolizar a ética. Mas é falso!

O mensalão não foi “apenas” corrupção. Não tem nada a ver com uma obra superfaturada, com um político que aceita propina de um cartel para fechar um acordo prejudicial aos “contribuintes”. Em suma, o mensalão não foi um caso simples de desvio de recursos; foi um esquema golpista de uma quadrilha que desejava destruir os pilares democráticos do país.

Isso foi reconhecido por boa parte do próprio STF durante o julgamento. Mas eis que, agora, o novo ministro Luís Roberto Barroso resgata a tese de “corrupção tradicional” do país, culpando o sistema e clamando por reformas políticas. O mesmo discurso feito por Lula lá atrás.

Para piorar, o ministro endossou outra falácia repetida ad nauseam pelos petistas: a de que os infindáveis escândalos de corrupção que vêm à tona sem parar se devem a mais investigação, apenas isso. Ou seja, lemos todos os dias sobre casos incessantes de corrupção porque a investigação funciona melhor sob o governo do PT. Uma piada de muito mau gosto.

Só que alguns jornalistas, sempre preparados para defender o PT, saíram logo em defesa de Barroso, aplaudindo sua fala. Foi o caso de Eliane Cantanhêde, na Folha:

Começou bem a segunda fase do julgamento do mensalão, num momento em que o caso Siemens ainda está só esquentando.

“Não existe corrupção do PT, do PSDB ou do PMDB. Existe corrupção”, declarou em sua estreia no julgamento o novo ministro Luís Roberto Barroso, infenso à polarização infernal entre petistas e tucanos.

Opinou e ensinou mais: o mensalão não foi o maior escândalo da história, apenas o mais investigado, e será em vão punir os atuais réus sem fazer uma reforma política, porque tudo vai continuar na mesma.

É impossível discordar do ministro, e o PT não tem o direito de comemorar nem o PSDB de lamentar.

O fato de o mensalão não ser o maior escândalo da história, como opina Barroso, não significa que não tenha existido, que seja irrelevante e que não tenha sido lesivo para quem realmente interessa: a sociedade brasileira. Se os outros fazem, isso não dá direito ao PT de fazer também.

Impossível discordar do ministro? Eu discordo! E tantos outros. O mensalão foi diferente sim! Não dá para compara-lo a “trensalão” ou algo do tipo. É comparar alho com bugalho.

Kennedy Alencar, na rádio CBN, também aplaudiu a estreia de Barroso. Disse ainda que precisamos lembrar que o julgamento do mensalão foi “rápido para os padrões brasileiros”, e por isso ele defende os embargos infringentes, uma garantia para todos nós, cidadãos brasileiros.

Como se pode ver, o trabalho de relativizar o que foi o mensalão voltou com tudo, e há uma tropa de choque disposta a espalhar o mito de que toda corrupção é igual, que o mensalão foi apenas mais um caso entre tantos, e que foi apenas mais investigado que os demais.

Não! Ao menos aqui continuaremos colocando os pingos nos is e chamando quadrilha de quadrilha, golpe de golpe.

(por Rodrigo Constantino)

 

Cobertura de baderna em SP e no Rio evidencia que a imprensa está cedendo às pressões de milícias, como a Mídia Ninja e o subjornalismo petralha, financiado por estatais e governos do PT. Nesse mundo, a ordem democrática se submete à violência e ao terror. O jornalismo terá de escolher: ou defende os valores que garantem a própria democracia ou também vandaliza

Vamos lá, meus caros, um texto longo, como há algum tempo não se lê aqui. Mas sempre chega essa hora. Vocês encaram? Acho que sim.

*

Na sua fase “Mídia Ninja” — o que há de chefes de redação com inveja de Pablo Capilé, senão dos transes da ventura, ao menos dos dons do pensamento, é uma enormidade! —, é provável que os jornais tragam nesta quinta fotos da Polícia Militar, no Rio e em São Paulo, a reprimir aqueles patriotas que só querem um mundo melhor. É bem verdade que eles invadem, quebram, depredam, jogam pedras e bombas contra a Polícia… Mas sabem como é. A “mídia”, que Capilé chama “tradicional”, é reverente ao espírito “Ninja” e faz uma cobertura escancaradamente enviesada, segundo a ótica dos manifestantes. É claro que há exceções, mas poucas. Lembra aqueles filmes B americanos em que os pais saem para descansar um fim de semana e largam a casa aos cuidados do filho adolescente. Só que, nesse “Brazilian Pie”, a droga é a ideologia, o álcool é a contestação, o sexo é a invasão de prédios públicos. Naquela impressionante — em razão da passividade dos interlocutores — entrevista concedida ao Roda Viva, o tal Capilé acusou a “imprensa tradicional” de ser parcial (ele quer uma ainda mais entusiasmada com as ruas) e admitiu que os ninjas também são, o que comporia, então, para usar a sua expressão, um painel de “multiparcialidades”. É claro que ele esta errado nisso — como em tudo. Há certamente delinquentes na imprensa. A que se preza, já observei aqui, é, sim parcial: pertence àquela parte da sociedade que entende que as leis, num estado democrático e de direito, têm de ser respeitadas; que maiorias ou minorias não podem solapar os direitos fundamentais de pessoas, instituições e empresas; que os Poderes Constituídos não podem ser tomados de assalto por grupos de pressão, ainda que estes fossem dotados de uma inquestionável superioridade moral. A razão para que assim seja é simples: a alternativa é a utopia anárquica.

Os arquivos estão aí. Escrevi, creio, perto de uma centena de textos apontando que a demonização das Polícias Militares e das forças da ordem — e é evidente que jamais endossei brutalidade policial — nos empurrariam para uma situação sem saída. Infelizmente, não foram as “mídias ninjas” da vida ou a multiplicidade de vídeos postados na Internet que encorajaram os violentos. Foi, isto sim, a adesão irresponsável da chamada grande imprensa ao que se passou a considerar um “direito”. E é evidente que seria dispensável dizer que ninguém tem assegurado o direito de impor aos outros a sua vontade, ao arrepio das garantias legais. Hoje é um bom dia para evocar a realidade egípcia, diga-se. A nossa imprensa, em regra, passou a cobrir as manifestações de protesto como se estivéssemos diante de uma reação da sociedade civil a uma ditadura ou a uma tirania. MAS ESPEREM! HÁ NISSO UM EQUÍVOCO ESTÚPIDO OU UMA MÁ-FÉ ESCANDALOSA! Vivemos numa democracia política plena, com amplo direito de organização e de manifestação. O Brasil não é o Egito. O Brasil não é nem mesmo a Turquia, uma ditadura que manda opositores para a cadeia, mas fazendo a mimica de país democrático. Se os políticos são lamentáveis, se os serviços são sofríveis, se a roubalheira é insuportável, a única forma — A ÚNICA! — de sairmos bem disso é exigindo mais respeito às leis (ou o efetivo respeito), não o contrário. Caso se passem a tolerar a agressão sistemática às leis e a violência como método ou de convencimento e de imposição de uma vontade, o resultado será um só…

Não se trata de combater por principio qualquer espírito mudancista. Não se trata de conjurar os argumentos reacionários de sempre quando diante do novo, advertindo para o caos (para lembrar uma crítica de Albert Hirschman aos conservadores). Não se trata de fazer uma defesa da ordem, de qualquer uma, como valor em si. Refiro-me aqui a uma ordem em particular: a democrática. Sem ela, não há mudança que se consolide porque, por óbvio, seria tragada pela vaga mudancista seguinte, num suposto processo de depuração e excomunhão dos males da anterior. Não é o temor dos reacionários que fala, é a histórica: isso conduziria ao regime do Terror. O regime democrático é a única garantia que os homens conseguiram inventar para que os diferentes convivam sem buscar a eliminação do outro. Quando ele é rompido, temos as ditaduras. Quando é eliminado como expressão dos fracos, temos o fascismo, de esquerda ou de direita.

Medo das ruas
Infelizmente, a imprensa, hoje, com as exceções de praxe, tem mais medo das ruas do que os políticos. Estes estão muito menos assustados do que parecem porque sabem que a estrutura do Estado é complexa demais para dispensar a sua colaboração. O jornalismo, sim, parece ameaçado pelo pânico do suposto risco da irrelevância, como se cedesse àquela tolice de Capilé sobre as “multiparcialidades”. Na tal entrevista ao Roda Viva, o outro ninja presente. Bruno Torturra, afirmou que não censurava a violência dos black blocs porque, disse ele, não lhe cabia esse papel. De fato, nem poderia. Os chamados “ninjas” atuam como parceiros e documentadores das agressões promovidas por aqueles. Mas e a imprensa dita “tradicional”? A ela não compete, com clareza absoluta, fazer a escolha entre a ordem democrática e a quebradeira, entre a manifestação pacífica e a violência, entre a agressão e o respeito aos direitos fundamentais? É dessa parcialidade que a imprensa brasileira está com medo? Teme a sentença condenatória dos microguerrilheiros das redes sociais?

Li muita coisa que foi publicada nos sites e portais nesta quarta-feira sobre os protestos em São Paulo — que micaram — e no Rio, que foram mais robustos. Nas duas cidades, houve confrontos violentos com as respectivas Polícias Militares. Na capital fluminense, como tem sido regra, os conflitos foram mais graves, mais violentos. Atentem para a linguagem em que são vazadas as reportagens e os registros. Já não se ouve mais — e essa perda faz o país regredir, não avançar — a voz da imprensa como um dos esteios daquele estado democrático e de direito. Ao contrário: os textos, escritos ou falados, reproduzem a voz da militância, o que acaba conduzindo a situações até engraçadas. Dei destaque para um registro da Folha sobre o protesto em São Paulo:“Manifestantes fazem barricada de fogo na rua e insultam policiais, que não se inibem e vão para cima para dispersar os protestantes”. Então os policiais “não se inibem”???

No Rio, mais uma vez, organizou-se um dos protestos violentos contra Sérgio Cabral. Numa reportagem de O Globo, colho este trecho: “Por volta das 22h50, houve um novo confronto. Manifestantes se abrigaram dentro da 9ª DP para fugir de ataques de gás lacrimogêneo e de disparos de balas de borracha. Mesmo com pedidos dos manifestantes para que parassem, a polícia continuou atirando e foi atrás de um grupo que saiu correndo pela Rua do Catete, em fuga da 9ªDP.” Como se vê, é a Polícia que… ataca! Basta uma leitura objetiva dos fatos do dia, ancorada na cronologia, e se vai constatar que a Polícia Militar reagiu às agressões, o que também aconteceu em São Paulo.

Essa demonização das PMs, em qualquer praça, não torna melhor a instituição. Ao contrário. Mande para a rua homens treinados para o confronto, que já entram em cena sabendo que farão o papel dos vilões — embora tenham a incumbência de garantir a proteção ao patrimônio público e privado —, ponha do outro lado uma horda de provocadores (manifestante que tem uma causa política legítima não cobre o rosto nem promove quebra-quebra), à qual se concede uma espécie de licença moral para ignorar qualquer fundamento legal, e teremos, então, manifestações e reações a cada vez mais violentas.

Rio em transe
A situação começa a ficar particularmente grave no Rio. Vocês sabem muito bem o que penso sobre o governo de Sérgio Cabral, em particular sobre sua política de Segurança Pública marqueteira. Jornalistas os mais qualificados, gente de inteligência realmente rara, pareciam, até havia três meses, abduzidos por José Mariano Beltrame, o secretário da área. Vênia máxima, o fato é que a imprensa carioca foi excessivamente tolerante com aquele que já cheguei a chamar de “Fanfarrão Minésio”. Num dado momento, até eu cheguei a me perguntar se a minha teimosia é que me impedia de enxergar as qualidades que se queriam excepcionais do governador.

Alto lá, no entanto! A crítica é um dos mais nobres exercícios do regime democrático. O vandalismo, o quebra-quebra, a invasão de prédios públicos, a imposição pelo grito, a manifestação violenta, tudo isso é a sua mais escancarada negação. Eu não gosto de Sérgio Cabral, mas o grito de guerra “Fora Cabral” é a mais pura, clara e evidente expressão da truculência, da estupidez e, sim!, do ódio à democracia. “Fora Cabral” por quê? Quais foram os crimes que o governador cometeu? Em que tribunal ele foi julgado? Com que autoridade esses brucutus tentam se impor? Ainda que 100%¨dos fluminenses achassem hoje a sua gestão “ruim ou péssima”, ele não pode ser retirado de lá a não ser por força da lei.

Sim, eu ganho um monte de desafetos quando escrevo o que vai agora, mas não estou nessa profissão para granjear simpatias (nem antipatias, diga-se, mas não temo pagar esse preço): quando a outrora chamada “grande imprensa” passa a fazer uma cobertura das manifestações pelos olhos dos que gritam “Fora Cabral” e trata os policiais como se fossem militares egípcios atirando contra a massa, então está investindo na barbárie e dando curso ao que chamo “ódio à democracia”.

Quem são essas pessoas?
Na manifestação fracassada de São Paulo, nesta quarta, os atores eram muito claros: PT CUT, Sindicato dos Metroviários, PSOL, PSTU, Movimento Passe Livre. Ainda que jornais, rádios e sites — além de todo o subjornalismo financiado por estatais ou por administrações petistas — tenham feito uma verdadeira convocação para o protesto, foram as ruas mil pessoas (segundo a PM) ou três mil (segundo o Datafolha). E os valentes não tiveram dúvida: resolveram compensar a falta de povo com a violência. Sabem que é muito fácil vilanizar a Polícia. E no Rio?

Ora, neste momento, a Câmara dos Vereadores está “ocupada” — “invadida” é a palavra certa — por manifestantes. Na escalada da insanidade, não faltou nem mesmo o cárcere privado. Leiam este trecho de reportagem do Globo Online:

“O presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe (PMDB), e outros vereadores permaneceram trancados por cerca de uma hora e meia, nesta quarta-feira, dentro do Palácio Pedro Ernesto, que estava cercado por manifestantes. Jorge Felippe conseguiu deixar o local por volta das 19h45m. Para isso, precisou de ajuda do Batalhão de Choque, que afastou os manifestantes de um dos acessos ao legislativo. Por precaução, ele sequer saiu a pé na rua. O carro que levaria o presidente entrou num pátio para que ele e a vereadora Laura Carneiro (PTB) embarcassem.

Mais cedo, houve tumulto, e alguns atiraram pedras e ovos em vereadores e funcionários que deixavam a casa. A vereadora Laura Carneiro (PTB) contou que eles tentaram no início da noite sair, sem sucesso, por um acesso alternativo pela Rua Evaristo da Veiga para evitar o tumulto.”

Quem promove esse tipo de cerco? No caso da Câmara, é o PSOL de Marcelo Freixo, o socialista preferido do Leblon, de Ipanema e de Copacabana. E, desta feita, o que é um pouco chocante, com o apoio da Justiça. A juíza Margaret de Olivaes Valle dos Santos negou liminar de reintegração de posse e justificou a sua decisão com um texto que agride os fundamentos da democracia representativa:

“Membros das Casas legislativas são cidadãos brasileiros que foram eleitos, salvo prova em contrário, através de voto livre e consciente de seus concidadãos que, em princípio, podem e devem nelas ingressar encaminhando suas reivindicações e propostas, uma vez que um dos pilares do Estado de Direito é o dever à prestação de contas. Assim, em princípio, não há qualquer impedimento para o ingresso e permanência do cidadão nas Casas Legislativas para assistir as reuniões plenárias de seu interesse, sendo legítimas suas manifestações, sejam elas favoráveis ou não ao poder constituído, desde que estas preservem o diálogo, respeitem às regras mínimas de urbanidade e respeito à dignidade humana das pessoas envolvidas e ao patrimônio público”.

Alto lá! Ninguém estava tentando impedir o ingresso de cidadãos à Câmara. O que se quer é que os manifestantes não impeçam os vereadores de exercer as suas atividades, como se verifica. Ocorre à juíza que aqueles “cidadãos invasores” não podem privatizar a democracia e que os vereadores não representam esse ou aquele leitores, mas o conjunto do eleitorado? Impedi-los de trabalhar implica cassar a prerrogativa de um dos Poderes municipais. É lícito que 100 pessoas decidam, de certo modo, privatizar, tomar para si, o Poder Legislativo, ainda que suas intenções sejam as melhores? Um país que adote esses marcos se torna ingovernável. A OAB-RJ, que se comporta como babá de manifestantes, terá de dizer, em algum momento, que estado de direito tem em mente. Se, na relação com o poder público, as pessoas podem desrespeitar a lei para fazer justiça, por que a relação entre as pessoas haveria de ser diferente?

Caminhando para o encerramento
Em algum momento, alguém terá de falar em nome da ordem democrática. Ou, então, se dê de barato que só é ouvido e tem poder quem se organiza em milícias e se impõe na base da força bruta. Encerro com o jornalismo, que abre este texto: ninjas e penas de aluguel financiadas por estatais são as forças milicianas da opinião pública. A imprensa é uma das instituições do estado democrático e de direito. Se as suas referências deixam de ser os marcos legais desse estado, então aí estaremos no mundo do tal Capilé, o das “multiparcialidades”. Nesse mundo, quem pode mais chora menos. Esse mundo representa a morte da democracia. Afinal, nesse ambiente, o lobo que alega que o cordeiro que bebe rio abaixo está a sujar a sua água seria apenas a expressão de uma das parcialidades possíveis…. O compromisso do jornalismo, nesse caso, não é nem com o lobo nem com o cordeiro. É com as leis da física!

Por Reinaldo Azevedo

 

Nesta quarta, haverá petistas, Passe Livre, black blocs e Mídia Ninja nas ruas de SP. Lula deu o comando: Alexandre Padilha precisava entrar no jogo

Luiz Inácio Apedeuta da Silva esteve num encontro do PT do Interior (de São Paulo), que ocorreu na sexta e no sábado passados, em Bauru. Foi o lançamento não oficial da candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo do Estado de São Paulo. Regozijando-se com as denúncias sobre a formação de cartel, exultante mesmo, feliz a mais não poder, Lula — este monumento à ética da política pátria — comemorou com Padilha: “Você entrou no jogo!”. Ora, isso remete ao começo de tudo, não é mesmo? Vamos lembrar um tantinho.

As primeiras manifestações violentas, cujo pretexto era o reajuste da passagem de ônibus, se deram em São Paulo, reunindo meia dúzia de gatos-pingados. Os protestos sempre foram caracterizados por uma incrível truculência e por provocações deliberadas dirigidas contra os policiais militares, em particular contra a tropa de choque. Agora sabemos de tudo. Os black blocs já estavam lá. A tal Mídia Ninja, do grupo petista Fora do Eixo, já estava lá. A baderna, o quebra-quebra, a busca de confronto com a PM, todos esses atos eram deliberados. O resto é história, que já contei aqui muitas vezes. O que interessa é deixar isto registrado: o intuito era mesmo provocar a bagunça em São Paulo, de olho já nas eleições.

O tiro acabou saindo pela culatra — e, sobre isso também escrevi dezenas de textos. A desordem não se instalou por aqui, e o governador Geraldo Alckmin acabou com a imagem menos arranhada do que a da própria presidente Dilma Rousseff. Urgia fazer alguma coisa. E, tchan, tchan, tchan!!! Eis que surgem os vazamentos da investigação dita “sigilosa” que se dá no Cade sobre a formação der cartel, com base num acordo de leniência firmado pela Siemens com o órgão federal e com o Ministério Público.

Como deixam claros os documentos, as suspeitas não recaem apenas sobre São Paulo, não. Mas, por alguma razão, os ditos “executivos” parecem ter se esmerado em fornecer e-mails que comprometem só o estado. Pois é! A Siemens, não obstante, é a maior fornecedora da área de energia para o governo federal. Mas esse não é eixo deste texto (há outros posts a respeito).

Lula sempre oportuno
Lula, como sempre, diz coisas oportunas. Era preciso pôr Alexandre Padilha no jogo, certo? Lá no governo federal, ninguém se conforma com o fato de que um aliado importante, como Sérgio Cabral, teve a reputação calcinada pelos protestos. Em São Paulo, não se deu o mesmo. Então os companheiros decidiram que era chegada a hora de promover o baguncismo por aqui também.

Assim, o Passe Livre — um dos aliados barulhentos do PT nas eleições de 2010 e 2012 — decidiu marcar uma manifestação de protesto para esta quarta-feira. O PT, claro, aderiu. Trata-se, de fato, de uma parceria. E, podem esperar, em casos assim, aparecem os black blocs e seus porta-vozes oficiosos: a Mídia Ninja, aquela gente que pertence ao tal “Fora do Eixo”, de Pablo Capilé. Mais uma vez, a tática será a mesma: tentar promover o caos na cidade com o objetivo de atingir a reputação do governo do estado.

Afinal, como disse Lula, Alexandre Padilha precisava “entrar no jogo”.

Texto publicado originalmente às 18h19 desta terça 

Por Reinaldo Azevedo

 

Padilha, o candidato

Em campanha

Os ministros petistas presentes, ontem, no Congresso, ao lançamento da candidatura de Rui Falcão – Aloizio Mercadante, Marta Suplicy e Gilberto Carvalho – sentaram-se à mesa do auditório. Menos Alexandre Padilha, que já não consegue esconder a condição de candidato em campanha.

Enquanto seus colegas acompanhavam os discursos aboletados em seus lugares, Padilha permaneceu em pé por pelo menos meia hora, cumprimentando e posando para fotos com quem se aproximasse.

Por Lauro Jardim

 

Lula mandou, e a turma do “171” cumpre a tarefa remunerada

Mandam-me aqui uma delinquência escrita por um troço conhecido na imprensa por “171”, que vive às expensas da Caixa Econômica Federal — vale dizer: dinheiro público — e de outras estatais. Alguns de seus comandantes já foram antipetistas delirantes. Hoje, são petistas igualmente delirantes. Os motivos por que hoje são governistas fanáticos devem explicar também o fanatismo de antes. É o tipo de subjornalismo que passa pelo caixa e pela Caixa.

Obedecendo às ordens de Lula, já estão em plena campanha eleitoral. É uma gente sem dúvida espertalhona. Não é que eles sejam contra qualquer tucano, não. Isso vale para São Paulo, objetivo estratégico do PT. Tucanos de outras praças que aceitem financiá-los são chamados de grandes gestores. Esse tipo de jornalismo foi criado na Sicília e chegou a ser muito influente em Chicago na década de 20 do século passado.

Ah, sim. Eles também são obcecados por mim. Faz sentido. Tentam ganhar trânsito, atraindo pra lá meus leitores. A tarefa do momento é requentar matérias e criar falsas evidências para incriminar Andrea Matarazzo, indiciado pela Polícia Federal num processo de fazer inveja às narrativas kafkianas.

O nome disso é campanha eleitoral, de que o post seguinte será um exemplo eloquente. De resto, esses valentes não inovam nem no tipo de jornalismo que praticam. A Venezuela de Chávez chegou primeiro.

Por Reinaldo Azevedo

 

“Homem do povo” que lidera protesto contra Alckmin recebe R$ 11.380 por mês da Assembleia Legislativa de SP e trabalha para a liderança do PT

O PT tenta promover hoje a bagunça em São Paulo. Um dos principais, vamos dizer assim, agitadores do protesto é um sujeito chamado Raimundo Vieira Bonfim. Quem é? Deixemos que ele próprio se identifique, como faz em seu perfil no Twitter.

Isso mesmo! É advogado e coordenador-geral de uma tal “Central de Movimentos Populares”. Até aí, bem, né? Ele poderia ser apenas um abnegado, interessado no bem coletivo. A gente sabe como existem verdadeiros mártires da causa popular, certo?

Ocorre que Bonfim é um quadro do PT. Chegou à Assembleia Legislativa em 1995 como funcionário do então deputado estadual Paulo Teixeira, hoje deputado federal. Bonfim é funcionário da liderança do PT na Assembleia e tem um salário em nada popular: R$ 11.380,00, pagos religiosamente pelo povo.

É a expressão mais acabada do que costumo chamar de “democracia sob cabresto” ou de “democracia tutelada”. Por quê? Movimentos que poderiam ser, vá lá, a expressão genuína e legítima ou de minorias ou de populações vulneráveis nada mais são do que uma franja de um partido político. Ou esse partido se apodera de uma organização popular, aparelhando-a, ou se oferece para o serviço da “cafetinagem” ideológica.

A independência de Bonfim fica evidente, por exemplo, na foto em que faz uma “caminhada” ao lado do então candidato à Prefeitura Fernando Haddad ou em que posa diante da estrela do seu partido. A página do PT na Assembleia faz a convocação para o protesto e avisa que o tal Bonfim estará na Casa (que lhe paga o salário), com a sua tropa, para protestar contra o governo Alckmin etc. e tal.

Coroamento
Os vazamentos sobre as investigações ainda preliminares do Cade, que apura a eventual formação de cartel — e não só em São Paulo —, buscavam, num primeiro momento, chegar ao ato de hoje. No sábado, em reunião do PT, Lula garantiu a Alexandre Padilha, que será o candidato do partido ao governo de São Paulo, que agora ele “entrou no jogo”.

É isto: o chefão dos “movimentos populares” é regiamente pago pela Assembleia Legislativa para servir aos interesses eleitorais do PT e fingir que fala em nome do povo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Obra do metrô de Fortaleza saiu pelo triplo do preço. E era dinheiro do governo federal

Por Dimmi Amora, na Folha:

A linha sul do Metrô de Fortaleza (CE) –obra com recursos federais que triplicou de preço e teve superfaturamento apontado– teve a participação de empresas investigadas por formação de cartel em São Paulo e Distrito Federal. Siemens, Alstom, Bombardier e Balfour Beatty formaram consórcio com construtoras para implementar o projeto no Ceará que começou em 1997 e só foi concluído em julho deste ano, com a entrega das últimas estações.

O contrato com as empresas foi assinado em 1998 com custo estimado em cerca de R$ 500 milhões (valores atualizados). Ao ser entregue, o projeto já havia consumido mais de R$ 1,5 bilhão de recursos públicos. A concorrência, que teve dois consórcios na disputa, e a obra ficaram sob responsabilidade do Metrofor, estatal cearense. Mas 80% dos recursos são federais.
(…)
Em 2006, o TCU apontou que a construção estava superfaturada em pelo menos R$ 120 milhões em valores de hoje. De acordo com o órgão, o superfaturamento decorria de preços elevados de alguns itens da obra. Para o tribunal, o contrato foi desfigurado ao longo do processo, com acréscimos de 138% sobre o valor original. Esse percentual é excede o limite da lei (25%).

Mesmo quase dobrando o valor do contrato, o dinheiro não foi suficiente para finalizar a obra. Em 2010, foi necessário fazer uma licitação para a construção de trechos adicionais estimados em mais R$ 100 milhões. O contrato novo também precisou de aditivos porque teve o mesmo problema do licitado em 1998: estava com estudos defasados. O TCU também apontou que a Alstom, que forneceria dez trens para o projeto, não entregou o material.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Roberto Gurgel pede ao Supremo abertura de inquérito para investigar Gabriel Chalita

Por Severino Motta, na Folha:
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de abertura de inquérito para investigar o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP). O inquérito pretende apurar denúncia feita pelo analista de sistemas Roberto Leandro Grobman, 41, que trabalhou durante anos com o grupo educacional COC e diz ter sido indicado para se aproximar de Chalita para prospectar negócios para o grupo.

Como a Folha revelou no início do ano, Grobman disse ao Ministério Público que o COC pagou despesas com a locação de aviões e helicópteros, viagens, presentes e uma reforma feita num apartamento de Chalita em Higienópolis, na zona central de São Paulo. O grupo também comprou milhares de livros escritos por Chalita e computadores para a emissora de televisão da Canção Nova, grupo católico ao qual o deputado é ligado.

O advogado de Chalita, Arnaldo Malheiros Filho, refutou todas as acusações e disse que enviou à Justiça documentos que afastam as suspeitas, entre eles toda a movimentação bancária do deputado, a declaração de imposto de renda e um laudo pericial contábil. Devido à entrega destes documentos, o caso passou a tramitar no STF sob segredo de Justiça.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

O Egito é um sonho do Ocidente tornado um pesadelo da vida real

Uma nova leva de mortos no Egito. O governo admite, por enquanto, 95 mortos; a Irmandade Muçulmana fala em pelos menos 250. O país é um sonho do Ocidente tornado um pesadelo para os… próprios egípcios; é a Primavera da ilusão ocidental tornada o inverno da realidade muçulmana. Três golpes se sucederam no país: a) o militar que derrubou Hosni Mubarak e que contou com a adesão da Irmandade Muçulmana e de partidos laicos; b) o civil-religioso, pela via constitucional, dado pela Irmandade Muçulmana; c) o segundo golpe militar, contra os religiosos, apoiado pelas organizações laicas.

Estamos de volta ao começo. Existe para o Egito uma alternativa entre a ditadura religiosa, ainda que abrandada, e a ditadura militar, ainda que igualmente abrandada? Ou por outra: existe alguma chance de democracia no país, como se chegou a sonhar mundo afora? Caso se realizem eleições tanto quanto possível livres (já explico a razão da minha dúvida), os partidos religiosos, com a Irmandade Muçulmana à frente, voltarão a ter entre 60% e 70% dos votos. E, vamos lá, até onde a democracia é o governo da maioria — e esse é um de seus pilares —, é preciso que se entregue o poder aos religiosos.

Ocorre que esses partidos religiosos descobriram que os instrumentos fornecidos pela democracia são os mais eficazes de que podem dispor para liquidar com a democracia. Ora, outro pilar desse regime, tão importante quanto o governo da maioria, é o respeito às minorias; se o primeiro é destruído, o que se tem é ditadura; se o segundo é destruído, o que se tem também é… ditadura. Então se chega à quadratura do círculo, e devemos concluir que egípcios — ou, mais amplamente, os árabes — são geneticamente incompatíveis com a democracia?

É claro que não! A incompatibilidade está no mundo das ideias, no mundo dos valores. A âncora de ajuste, aí, é uma só: chama-se “Irmandade Muçulmana”. Não existe democracia sem valores democráticos, e a Irmandade, dada a sua natureza e o seu objetivo, que é ter um país — leiam os princípios da turma: na verdade, eles anseiam o mundo — governado segundo as leis islâmicas.

A exemplo de quase todas as religiões, também o Islã, nos seus valores gerais, acena para um mundo fraterno, governado pelo bem. O problema é que, à diferença do catolicismo por exemplo, essa religião está submetida a um permanente, se me dão a licença, “aggiornamento para trás”. Explico: essas interpretações buscam sempre resgatar os fundamentos da crença, escoimando os apelos da vida mundana. Ocorre que o regime democrático é, na sua organização e nos seus propósitos, essencialmente mundano. Nas democracias, as religiões podem e devem se manifestar, podem e devem ser ouvidas, mas não são o poder. O papa só é autoridade também civil no Vaticano, um estado sem povo.

Debati com o amigo a situação do Egito e de outros países árabes. À diferença de mim, ele acata o conceito sobre o qual especulam alguns intelectuais do Ocidente: a “democracia iliberal”, a única que seria possível quando partidos islâmicos se tornam governo. Não reconheço o conceito. Um regime que não permite a livre expressão e circulação de ideias, que reprime minorias étnicas ou religiosas, que invade a individualidade para impor valores de uma crença, esse regime democracia não é. Alterados o substantivo e a substância, o adjetivo — “liberal” ou “iliberal” — é irrelevante.

A última esperança de uma democracia conduzida por um partido islâmico morreu na Turquia. Na semana retrasada, Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro, aplicou a versão supostamente democrática dos “Processos de Moscou”. No caso, os “Processos de Istambul” mandaram para a cadeia mais de 250 pessoas que estariam envolvidas numa suposta tentativa de golpe militar. Talvez um ou outro estivessem ligados a alguma conspiração. O fato é que Erdogan aproveitou para mandar para a cadeia todos os seus inimigos, incluindo jornalistas, escritores e acadêmicos que cometeram o crime de… criticar o regime. Ao reprimir com incrível violência os protestos da praça Taksim, ele alegou justamente… conspiração!

“Então como é que se resolve?” Bem, meus caros, eu não sei como é que se resolve. Se pudesse, eu recomendaria à Irmandade Muçulmana que, vencendo eleições, não procurasse impor um governo de viés religioso, que respeitasse a pluralidade de crenças, que mandasse para a cadeia as hordas que passaram a atacar os cristãos depois da “Primavera”, que não buscasse cassar direitos das mulheres, que não subordinasse a Justiça à autoridade religiosa… Mas acho que eles não iriam me ouvir.

Encerro
Num dado momento, falei em “eleições tanto quanto possível livres” no país. Por que a ressalva? No pleito que levou a Irmandade ao poder, os eleitores eram praticamente conduzidos pelo braço por representantes daquela que é a maior força organizada do país. Os civis e os militares que dividem o poder querem reformar a Constituição e marcar eleições gerais. Um caminho possível talvez seja estabelecer “cláusulas pétreas” — fundamentos que não podem ser desrespeitados — com o poder de destituir automaticamente o governante de turno que tentar desrespeitá-las. Tal garantia, evidentemente, só pode ser dada pelas Forças Armadas. Mas pensem um pouquinho: em que democracia ocidental não é assim? Levo o argumento ao extremo: se um presidente brasileiro atentar contra a integridade do território nacional (quiser dividir o país ou, sei lá, vender para um resort Fernando de Noronha) e se contar, para isso, com o apoio do Congresso e da maioria do povo brasileiro, ainda assim, ele não o fará se os militares não quiserem.

Por Reinaldo Azevedo

 

Um milagre do PT – O metrô que liga Belo Horizonte a Porto Alegre

Então… Um mesmo consórcio, formado pela Alstom e pela CAF, venceu a licitação para a fornecimento de trens para o metrô de Belo Horizonte, comandado pela estatal federal CBTU, e para o metrô de Porto Alegre, comandado por outra estatal federal, a Trensurb. No da capital gaúcha, a Alstom ficou com 90% do contrato, e a CAF, com 10%. No da capital mineira, foi o contrário. Em ambos os casos, o consórcio formado pelas duas empresas não teve concorrentes: foi o único a se apresentar.

Outra curiosidade: apenas 13 dias separam o comunicado da comunicação de licitação de Belo Horizonte do anúncio da assinatura de contrato em Porto Alegre, conforme se pode ver abaixo.

Imagem lá do alto

E a imagem lá do alto? É a presidente Dilma assinando pessoalmente a ordem de serviço para a compra dos trens de Porto Alegre, a tal licitação de um consórcio só.

O Cade, como se supõe, não vê nada de estranho.

Por Reinaldo Azevedo

 

SP precisa aprender com o governo do PT como se faz – Estatais federais comemoram contratos de R$ 244 milhões e R$ 172 milhões celebrados com um só consórcio (Alstom-CAF), que não teve concorrentes

Há coisas que realmente não têm preço, não é? Ou têm! E custam caro!  Na coletiva, o governador Geraldo Alckmin (ver post) anunciou que, em maio, a CPTM, empresa de trens urbanos do Estado de são Paulo, cancelou uma licitação porque compareceu apenas um consórcio para fornecer trens. Já a estatal federal Trensurb, que responde pelo metrô de Porto Alegre, como informei, não teve esse problema. Fez uma licitação para 15 trens de quatro carros cada um, orçada em R$ 243,75 milhões. Quantos consórcios apareceram? APENAS UM, o FrotaPOA, formado por quem? Pela Alstom e pela CAF.

E vejam que coisa bonita! A estatal federal — cuja chefe, então, em último caso, é mesmo a presidente Dilma Rousseff — ainda se orgulha do feito. Tanto é assim que, em sua página na Internet, exalta o feito, como revela a imagem abaixo.

Também a Alstom, em seu site, comemora o feito.

Muito bem! Esse mesmo consórcio “venceu” a licitação em Belo Horizonte, um contrato de “mais de R$ 171,9 milhões”, como informa a também estatal federal CBTU. E foi o único mais uma vez. Mas, agora, quem lidera com os cerca de 90% é a CAF, cabendo à Alstom os outros 10%. A CBTU também glorifica a si mesma.

 

Encerro
Nããão! É claro que não estou aqui a acusar irregularidades. Não sei de nada. O que sei é que, em São Paulo, ao se apresentar um único consórcio para a compra de trens, a licitação foi cancelada. As duas estatais federais, a Trensurb e a CBTU, não veem mal nenhum nisso. Celebram contratos, respectivamente, de R$ 243, 75 milhões e R$ 171,9 milhões com o mesmo consórcio, que não teve de concorrer com ninguém. Como existe uma espécie de fraternidade universal entre essas empresas, no primeiro, uma fica com 90%, e a outra, com 10%; no segundo, invertem-se as porcentagens.

Mas por favor, gente! Façam como o Cade de José Eduardo Cardozo, o garboso da Justiça: não suspeitem jamais de que isso possa ser cartel. Como se vê, o governo de São Paulo precisa aprender com o governo federal, do PT, como é que se estimulam a concorrência e o preço mais baixo…

Por Reinaldo Azevedo

 

Alckmin faz a coisa certa, processa a Siemens, pede ressarcimento de eventuais prejuízos e diz que empresa não está colaborando com o governo para punir culpados. Empresa do Estado cancelou licitação a que compareceu um só consórcio; as do governo federal não!

Em entrevista coletiva, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fez a coisa certa e anunciou que vai processar a Siemens e cobrar na Justiça o ressarcimento de eventuais prejuízos causados ao estado caso se comprove que houve formação de cartel. É isso aí. É a coisa certa. Como escrevi no post anterior, não é possível que uma sombra de suspeição tome conta de sucessivos governos do estado, que uma empresa se esconda num tal “acordo de leniência” que a livrará de processos judiciais e que fique tudo por isso mesmo. Alckmin tomou essa decisão depois que o governo teve acesso aos documentos.

O governador não se limitou a esse anúncio, não. Forneceu uma informação muito importante — que, parece-me, deve interessar ao jornalismo investigativo, não ao “vazativo”. Em maio, a CPTM, a empresa de trens de São Paulo, cancelou uma licitação porque apareceu um só consórcio. Já o governo federal não teve esse cuidado. Comprou trens para Porto Alegre e para Belo Horizonte. Na capital gaúcha, a estatal federal que fez a negociação se chama Trensurb. Apareceu só um consórcio, formado pela Alstom e pela CAF: a primeira empresa ficou com apenas 3% do contrato, e a outra, com 97%. Em Belo Horizonte, apresentou-se também um só consórcio: o mesmo! Nesse caso, no entanto, as porcentagens de inverteram: a Alstom é que ficou com 97%, restando os 3% para a CAF. Entenderam?

Na entrevista, o governador afirmou que a Siemens não está colaborando com a investigação e lembrou o óbvio: a empresa é a principal fornecedora do setor de energia, e seu maior cliente no Brasil é o governo federal. O governador também lamentou a demora em obter os documentos, afirmando que isso impediu o estado de tomar mais cedo as devidas providências. Vai ver o Cade estava muito ocupado vazando dados selecionados. É isso aí! Como o governador não deve, não tem o que temer. Se houve cartel, que os responsáveis, em qualquer esfera, sejam punidos.

Proposta
Acho que é preciso avançar. Que se vote na Assembleia Legislativa — creio ser esse o caminho — uma lei que proíba empresas condenadas por formação de cartel — ou que confessem o crime, como fez a Siemens — de celebrar qualquer contrato com o estado por um determinado período. Doze anos, o tempo de três governos, parece-me bom. A punição tem se estender a todas as subsidiárias, com as devidas ressalvas para que não integrem, nem como minoritárias, consórcios. Mais: eventuais vencedores ficam proibidos de contratar a empresa punida.

Há mais estados citados na documentação a que o governo de São Paulo teve acesso. Ainda volto ao tema.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ora não me digam! Então existem suspeitas de cartel também em obras federais? E eu que já me preparava para ver petistas tocando trombetas, como anjos do Apocalipse tucano…

No dia 8 de agosto, publiquei aqui um post com um título imenso, que já era uma espécie de lead: “A Siemens é uma das maiores fornecedoras do governo federal; quer dizer que, com petistas, não existe safadeza? Por quê? Eles seriam éticos demais? Ou: É preciso distinguir a punição de culpados da conspirata política”. Encarregava-me, então, de lembrar e de perguntar o óbvio: então a suspeita de cartel se resume a São Paulo? Ora…

A manchete da seção de “política” do Estadão Online é esta: “Esquema de cartel pode ter se espalhado pelo país”. Reportagem de Bruno Ribeiro, Fausto Macedo e Marcelo Godoy informa o que segue. Leiam com muita atenção (em azul):

O Ministério Público Federal (MPF) vê indícios de que o suposto esquema de cartel nas obras do Metrô de São Paulo tenha atuado também em licitações federais envolvendo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A afirmação foi feita nesta segunda-feira, 12, pela procuradora da República em São Paulo Karen Louise Jeanette Kahn, responsável pela investigação do caso na área federal.
Algumas da principais empresas investigadas no caso mantêm e mantiveram contratos com a estatal federal, vinculada ao Ministério das Cidades, desde 1998 até agora. “Há vários contratos (federais) também. Há possíveis outros cartéis em âmbito federal. Aqui estamos falando, via de regra, em cartéis estaduais com efeito na esfera federal, crime de evasão. Envolve recursos da União”, disse Karen.
(…)
Ao lado de Carlos Emmanuel Joppert Ragazzo, superintendente-geral do Cade, Karen é uma das signatárias do acordo de leniência feito por seis ex-executivos da Siemens para delatar o cartel. Eles entregaram provas da atuação do grupo para fraudar licitações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e dos Metrôs de São Paulo e de Brasília.
Nas 1.073 páginas do inquérito do Cade há citações a obras e licitações em outras capitais – Goiânia, Rio, Recife, Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador – e também no Chile, em Santiago.
Em trocas de e-mails, os executivos da empresa expõem análises de mercado ou seus planos para fornecer equipamentos em futuros contratos. Mas, ao contrário das seis licitações em São Paulo e no DF, não revelam provas contundentes da atuação do cartel ou indícios de pagamento de propina.
Em seguida, questionada especificamente sobre a CBTU, ela disse: “A CBTU tem alguns possíveis envolvimentos. Isso depende da análise das provas. A gente tem a suspeita”
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Voltei
Na sexta-feira, publiquei na íntegra uma nota que a Siemens enviou ao blog e a toda a imprensa. Destaco um trecho. Retomo depois.
(…)
Em 2007 estabelecemos um sistema de Compliance (Integridade e obediência às leis) para detectar, remediar e prevenir práticas ilícitas que porventura tenham sido executadas, estimuladas ou toleradas por colaboradores e chefias da Siemens em qualquer lugar do mundo. Trata-se de um compromisso inegociável, que assumimos mundialmente, de eliminar tais condutas e que nos coloca na vanguarda da mudança que todos querem para a sociedade.
(…)

Retomo
Como deixa claro a nota, no mundo inteiro, a empresa tenta, vamos dizer assim, limpar seu passivo judicial. Se há coisa ainda obscura — e isto compõe parte de uma história muito mal contada —, são os termos desse acordo de leniência. Ora, reparem como a equação é perfeita para promover uma caça às bruxas, especialmente quando órgãos do estado brasileiro atuam em favor não de um país, mas de um partido. A empresa assina um acordo cujos termos não se conhecem. Esse acordo torna viável uma investigação do Cade. De repente, começam a vazar trechos selecionados do papelório que, quanta coincidência!,. atingem o principal partido que se opõe ao governo.

Como deixa claro a nota da empresa, o sistema de “compliance” é de alcance mundial — o que faz supor, quando menos, o risco de práticas heterodoxas mundo afora. Com que então, no Brasil, essa heterodoxia teria se limitado ao estado de São Paulo? Posso imaginar os executivos da Siemens a conversar ali com seus botões: “Ah, não, com esse pessoal do PT, é bom a gente andar nos trilhos! Seria muito arriscado tentar alguma prática não consagrada pelas leis com essa legião de varões de Plutarco”…

Cadê o acordo?
É preciso, agora, que se torne público esse acordo. É preciso que se conheçam seus termos. Há alguma coisa nele que, de algum modo, direcionou as denúncias para o governo de São Paulo? Uma política de “compliance” não pode se subordinar aos interesses dos poderosos de turno. Ou se tem uma nova corrupção, aí de outra natureza: política.

Por Reinaldo Azevedo

 

Escória financiada por estatais para defender o PT quer misturar alhos com bugalhos para colher bugalho e vender como alho

Nas democracias, vamos dizer, normais, quando um partido político, especialmente o que está no poder, quer dizer alguma coisa, defender um ponto de vista, polemizar enfim, escolhe um de seus representantes para o debate, emite uma nota oficial, vai à praça pública fazer proselitismo etc. E, como é sabido, basta se manifestar, e a imprensa se encarregará de noticiar o que pensa e quer. No Brasil, é diferente; por aqui, já convivemos com o sotaque bolivariano: o subjornalismo a soldo, financiado por estatais como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, fala em nome do partido — no caso, do PT. Numa democracia convencional, esse tipo de comportamento seria considerado criminoso porque, afinal, a CEF e o BB não pertencem ao PT, mas ao povo brasileiro. Assim, é incrível que financiem páginas, algumas de espantosa delinquência, dedicadas principalmente a atacar partidos e representantes da oposição e veículos e jornalistas da suposta “mídia burguesa”. Até parece que os picaretas financiados são, sei lá, dignos representantes da classe operária. Há entre eles os que já foram de um antipetismo feroz; agora, são ferozes com os que consideram antipetistas. Entre um momento e outro, existem o balcão e o caixa. Adiante. Os que caem nesse tipo de conversa se autodefinem, não é? 

Leitores me enviem uma dessas delinquências, a sustentar que eu defendi a aplicação da Teoria do Domínio do Fato para condenar José Dirceu, mas me mostraria contrário a essa tese quando aplicada contra o vereador Andrea Matarazzo (PSDB-SP), indiciado pela Polícia Federal, acusado de envolvimento em suposto pagamento de vantagens indevidas pela Alstom. Já escrevitrês textos a respeito. Expliquei quais são os absurdos essenciais no caso de Matarazzo:
a: há um e-mail de executivo da Alstom sugerindo pagamento de vantagens à Secretaria de Energia de São Paulo. O e-mail é de 1997. Matarazzo só se tornou secretário — e por sete meses — no ano seguinte.
b: o caso que serviu para a PF indiciá-lo é um contrato de R$ 72 milhões para o fornecimento de equipamentos para a EPTE, uma das empresas de energia. Por determinação legal — e não mais do que isso —, o secretário acumula o cargo de presidente do conselho dessas empresas. Junto com um batalhão de pessoas, diga-se. Mas não assina contratos ou interfere em decisões dessa natureza.

Assim, Matarazzo foi indiciado por quê? Só porque era secretário? Isso não é Teoria do Domínio do Fato coisa nenhuma! Ou é Teoria do Domínio da Perseguição Política ou é Teoria da Falta de Domínio do Fato. Em direito, na verdade, tal prática se chama “responsabilização objetiva” — repudiada em toda terra civilizada. A ser assim, Dilma Rousseff é pessoalmente responsável por toda as safadezas que se descobrem em seu governo. Por quê? Porque é a chefe, ora!

NÃO É O CASO DE DIRCEU!
“Ah, mas com José Dirceu foi a mesma coisa!” Não foi, não! Só repete esse mantra quem, afinal de contas, está sendo pago com o capilé estatal para repeti-lo. Quem disse que a Teoria do Domínio do Fato dispensa provas? Elas são necessárias, ainda que sejam as chamadas provas indiretas. De fato, Dirceu não assinou recibo, como deixou claro o processo do mensalão. Mas não custa lembrar: há não uma, mas muitas delas contra o chefão do PT. Parlamentares disseram em juízo que os acordos com Delúbio Soares tinham de ser referendados pelo então ministro; ficaram evidentes suas relações com os bancos BMG e Rural, como atestam depoimentos da banqueira Kátia Rabello; foi ele um dos articuladores da reunião, em Lisboa, entre Marcos Valério, um representante do PTB e dirigentes da Portugal Telecom; mensaleiros atestam ter se reunido na Casa Civil.

O Artigo 239 do Código de Processo Penal trata das provas indiciárias:“Considera-se indício a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias”.

Transcrevo trecho do voto do então ministro Ayres Britto, ao condenar Dirceu:
“(…) os fatos referidos pelo Procurador-Geral da República (…) se encontram provados em suas linhas gerais. Eles aconteceram por modo entrelaçado com a maior parte dos réus, conforme atestam depoimentos, inquirições, cheques, laudos, vistorias, inspeções, e-mails, mandados de busca e apreensão, entre outros meios de prova. Prova direta, válida e robustamente produzida em Juízo, sob as garantias do contraditório e da ampla defesa. Prova indireta ou indiciária ou circunstancial, colhida em inquéritos policiais e processos administrativos, porém conectadas com as primeiras em sua materialidade e lógica elementar(…)”

Pergunta-se
Contra Matarazzo há o quê, além do fato de que ele foi secretário de Energia? Interferiu no tal contrato? Fez alguma articulação em seu favor? Reuniu-se com a turma da lambança? O próprio inquérito deixa claro que não.

Finalmente
Finalmente, noto que as penas a soldo acabam se traindo. Quando cobram de mim que empregue para analisar o caso Matarazzo os mesmos critérios que emprego para analisar o caso Dirceu, estão partindo do pressuposto de que são situações idênticas. Bem, como evidencio acima, não são! Mas digamos que fossem…  Observo que eles acham que seu chefe espiritual é inocente, certo? Logo, estão partindo do pressuposto de que Matarazzo também o é. Assim, ao sustentar a igualdade das situações, cobram de mim que, em nome da isonomia, peça a punição de alguém que eles próprios admitem, então, não ser culpado.

Ocorre que eu estou dizendo que não existem motivos para indiciar Matarazzo e que há uma penca deles para condenar Dirceu. No caso do petista, com efeito, aplica-se a Teoria do Domínio do Fato porque restou provado que ele tinha o… domínio do fato! No caso do vereador tucano, o que se tem é a sustentação de que ele é culpado só porque, em algum momento, foi secretário de Energia.

Desde que explodiu o mensalão, o PT e seus serviçais se dedicam à tarefa de provar que, se eles não prestam, então ninguém presta. O jornalismo que se deixa patrulhar por essa escória pode se intimidar e cair nessa. Eu não caio, não! 

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

2 comentários

  • Deocleciano Pentello Goiânia - GO

    Saudações Dalzir,

    quanto ao excesso de preocupação, o fanatismo e ao PT ser meu partido, são deduções que faz baseadas no pouco que escrevi e ainda, as afirma com veemência. Vejo a mídia atual atuando desta mesma forma, precipitada se arrisca a não corresponder com a verdade. Acho válido e importante ter posição política, no entanto expressá-la de forma a influenciar quem pensa diferente é um desafio. O Reinaldo Azevedo não sabe fazer isso. Quanto a mídia Ninja, se são bons ou maus, pra mim pouco importa, a colocação que fazem sobre a multi-parcialidade da mídia é algo interessante que vale uma boa reflexão. Voltando ao meu comentário anterior, o Notícias Agrícolas compartilha da opinião do colunista, pois não há o contra-ponto. No entanto acesso e gosto do informativo por outras razões.

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  • Deocleciano Pentello Goiânia - GO

    Qual o propósito do Reinaldo Azevedo no Notícias Agrícolas? Na linha do Mídia Ninja, vejo que há tendência deste informativo agrícola mostrar parcialidade política, no caso atacar o PT e defender o PSDB.

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