‘Quatro palpites sobre um bate-boca’, um artigo de Roberto Damatta + ‘A voz rouca das ruas’

Publicado em 21/08/2013 16:58 e atualizado em 18/09/2013 11:16
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no blog de Augusto Nunes, em veja.com.br

‘Quatro palpites sobre um bate-boca’, um artigo de Roberto Damatta

Publicado no Globo desta quarta-feira

Quando menino, minha avô Emerentina me solicitou um palpite para o jogo do bicho, uma atividade que ela praticava com a mesma religiosidade com que fazia as suas orações matinais. Pensei num filme de Tarzan e chutei: elefante! O elefante deu na cabeça e dela recebi um dinheiro que virou bombons de chocolate.

São 25 bichos, conforme determinou o cânone do Barão de Drummond, o inventor disso que Gilberto Freyre dizia ser um “brasileirismo”. Algo genuinamente brasileiro, ao lado da feijoada, das almas do outro mundo, do samba, da corrupção oficial, do suposto orgasmo das prostitutas e do “rouba mas faz”. Quanta inocência existe entre nós. É de enternecer.

Palpite 1 (avestruz)

O ministro Joaquim Barbosa tem sido tratado como um Drácula brasileiro por dizer o que pensa e sente. Mas, no Brasil, eis o meu primeiro palpite, somos todos treinados a não dizer o que pensamos. Seja porque seríamos presos por corrupção ou tomados como desmanchadores de prazer; seja porque faz parte de nossa persistente camada aristocrática não confrontar o outro com a tal “franqueza rude” a ser reprimida por sinalizar não o desrespeito, mas um igualitarismo a ser evitado justamente porque nivela e subverte hierarquias.

Somos a sociedade da casa e da rua. Em casa somos reacionários e sinceros; na rua viramos revolucionários e ninjas ─ a cara encoberta. Somos imperais em casa, quando se trata das nossas filhas, e fervorosos feministas em público, com as “meninas” dos outros. Observo que, quando há hierarquia, não há debate nem discórdias; já o bate-boca é igualitário e nivelador. Por isso ele é execrado entre nós, alérgicos a todas as igualdades. Discutir é igualar, de modo que as reações de Joaquim Barbosa assustam e surpreendem. Afinal, ele é um ministro. Como pode se permitir tamanha sinceridade? O superior não deveria discutir, mas ignorar e suprimir.

Palpite 2 (águia)
Um presidente da instância legal mais importante do país que esconde por educação seus valores seria um poltrão? E isso, leitor, é justamente o que esse Joaquim Barbosa, negro e livre, não é e não quer ou pode ser. Na nossa sociedade, você está fora do eixo (ou da curva) até o eixo entrar nos eixos. Ai você vira celebridade e começa a ser fino como um aristocrata. Na oposição seu senso crítico é gigantesco, mas no dia em que você vira governo surgem as etiquetas reacionárias. Eu queria ir, você diz, mas a minha assessoria impediu. Não ficaria bem…

Afinal ator e papel não podem operar como um conjunto? Ou devem agir se autoenganando para serem permanentemente elogiados como “espertos” ou “malandros”? Esse apanágio do nosso sistema político que glorifica a hipocrisia e condena a opinião pessoal sincera que, em circunstâncias gravíssimas como a que estamos vivendo no momento, exige o confronto e consequentemente a desagradável rispidez da discórdia?

Palpite 3 (burro)
Como ter democracia sem conflito? Se passamos a mão na cabeça dos mais gritantes conflitos de interesse nesta nossa sociedade de vizinhos de bairro e de parentelas adocicadas pelos compadrios, porque temos de nos sentir aporrinhados porque um juiz confrontou de modo direto um colega cujo objetivo óbvio era o de protelar o arremate de um processo que, no meu entender, vai definir o caráter de nossa democracia liberal e representativa?

Palpite 4 (borboleta)
Pergunto ao leitor: existe sinceridade sem emoção? Existe honestidade sem estremecimento? Existe algum regime ético no qual se troca convicção por boas maneiras? Afinal de contas o que seria uma pessoa com “bons modos”? Seria um cagão sem espinha dorsal? Como, pergunto, mudar um país com essa maldita tradição de dizer que somos assim, mas no fundo somos assado sem dissensões? Afinal o que preferimos: o golpe que silenciosamente suprime o bate-boca ou o bate-boca que é a única arma democrática contra o golpe?

Um amigo me diz que o ministro Barbosa estava certo no conteúdo, mas errado na forma; e que o ministro Levandowski estava errado no conteúdo e certo na forma. Mas, palpito eu, como separar forma de conteúdo quando se trata do futuro da democracia ou de um grande amor? Seria possível uma noite de núpcias com um noivo certo no conteúdo, mas sem traduzir esse conteúdo formalmente?

O sinal dos tempos no Supremo tem sido, precisamente, o estilo sincero e desabrido ─ honesto pela raiz ─ do estruturalismo de Joaquim Barbosa. Nele, forma e conteúdo estão juntos como estiveram em todos aqueles que tentam ser uma só pessoa na casa e na rua, na intimidade e no púlpito, entre os amigos e os colegas de tribunal.

Para se ter uma democracia é preciso juntar forma e conteúdo. Não se pode condenar a discórdia e o direito à diferença como somente um gesto de má educação ou de egoísmo autoritário. É preciso abrir um lugar para o bate-boca no sistema moral brasileiro caso se queira terminar com a sujeição e a autocondescendência que nos caracteriza como uma sociedade metade aristocrática, metade igualitária. Prova isso o agravante de que, quando essas metades entram em choque, tendemos a ficar do lado aristocrático ou do bom comportamento. Do formal e do legalmente correto, sem nos perguntarmos se o confronto não seria a maior prova de igualdade e de respeito pelo outro.

Será que acertei novamente no elefante, ou deu burro e avestruz?

(por ROBERTO DAMATTA)

 

‘A voz rouca das ruas’, por Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

Centenas e centenas de milhares de pessoas das mais diversas tendências se manifestaram contra tudo isso que está aí. E obtiveram os seguintes resultados:

1 ─ O Governo Federal, pressionado, teve de liberar muito mais dinheiro público para as emendas parlamentares. Nos sete meses anteriores, as propostas de interesse direto de Suas Excelências mereceram R$ 1,4 bilhão do Tesouro. Nos primeiros nove dias de agosto, as liberações alcançaram R$ 1,2 bilhão.

2 ─ O prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, desandou a pintar faixas no chão e a chamá-las de “faixas exclusivas de ônibus”. Paralisou a cidade.

3 ─ O presidente do Senado, Renan Calheiros, colocou em votação alguns projetos que criam dificuldades à Presidência da República ─ por exemplo, derrubada da multa de 10% sobre o FGTS em demissões sem justa causa e orçamento impositivo, obrigando o Governo a executar o que o Congresso determinou. Mas, depois de conversar com Dilma, disse que a pauta pode ser alterada. E de que depende a mudança? Renan foi absolutamente claro: “de negociação”.

4 ─ O Governo tucano paulista, enfrentando o escândalo do Metrô e dos trens denunciado pela Siemens, reagiu exatamente do mesmo jeito que os petistas acusados em outros casos: disse que há escândalos também fora de São Paulo. E, enquanto não denunciarem todos, os casos paulistas não devem ser investigados?

A voz do povo é um pilar da democracia. Mas é preciso evitar que o ruído das ruas encubra o crescimento silencioso da incompetência e da corrupção.

Os novos amigos
Dilma, para não perder posição nas pesquisas, virou amiga de infância do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, e é toda amável com Renan Calheiros. O blogueiro Josias de Souza ouviu “de uma cascavel do PP” a seguinte análise sobre as novas amizades federais: “O apreço da Dilma pelo Renan ficou claro no dia em que ela tentou fazer do Edison Lobão presidente do Senado. Quanto ao Eduardo Cunha, ela não queria vê-lo nem pintado de ouro. Os dois pediam mais diálogo. E ela insinuava que precisavam era de interrogatório. De repente, viraram os três mosqueteiros. Dizem que é altruísmo. Tudo pelo Brasil. Isso costuma dar em CPI.”

Velhos tempos… 
Como dizia Fausto Silva, este colunista é do tempo em que Polícia impedia a invasão de prédios públicos. Polícia invadir a Câmara dos Deputados, mesmo para apresentar reivindicações justas, é novidade.

Gente fardada e armada invadir o Congresso para constranger parlamentares eleitos era só na época da ditadura.

…velhos dias
Este colunista é do tempo, também, em que sessão do Supremo era aguardada por quem queria apreciar a inteligência dos ministros, aprender com sua sabedoria e assistir à ação da Justiça. É estranho esperar reunião do Supremo, como a de hoje, para ver se alguém bate em alguém.

Surpreenda-se: STF não era UFC.

De Holanda a Brasília
Não faz muitos anos, Chico Buarque de Holanda dizia que o Brasil falava fino com as potências e grosso com os vizinhos. No Governo Lula, o Brasil falava grosso com as potências e fino com vizinhos como Evo Morales, que fez o que quis sem encontrar reação. No Governo Dilma, como comprova a detenção em Londres do namorado brasileiro do jornalista Glenn Greenwald, do Guardian, que escreveu sobre a espionagem global americana, o Brasil fala fino com todos.

Surpresa antiga
A capacidade de memória dos computadores dobra a cada dois anos. A memória humana parece reduzir-se. Hoje, o mundo se surpreende porque os Estados Unidos fazem espionagem eletrônica em escala global. Na década de 1970, há mais de 40 anos, nos EUA, o senador democrata Frank Church comandou uma comissão que investigou a violação de direitos humanos pelas agências americanas de informação. Já naquela época se soube que a NSA, National Security Agency, a mais discreta das entidades de espionagem, monitorava comunicações em escala global, decifrava códigos de Governos estrangeiros, tinha verbas muito superiores às da CIA. 

Um romance do início da década de 1990, O Punho de Deus, de Frederick Forsyth, já tinha como fio condutor a interceptação pela NSA de uma conversa telefônica no Iraque de Saddam Hussein. E mostrava, há mais de vinte anos, a colaboração entre os serviços secretos americano e britânico.

A dança dos números
O governador paulista Geraldo Alckmin, PSDB, está feliz: a pesquisa Sensus lhe dá 37% de aprovação, enquanto o prefeito paulistano Fernando Haddad, PT, tem 17%. No Rio, o prefeito Eduardo Paes, PMDB, foi atingido pela baixa popularidade de seu companheiro de partido, o governador Sérgio Cabral: tem 19% de aprovação (Cabral, 15%). No Paraná, o tucano Beto Richa festeja aprovação de 67%. Mas talvez Richa festeje mais pelos adversários que não tem (a principal é Gleisi Hoffmann, do PT, se resolver arriscar o cargo de ministra) do que pelos números. Um ano antes das eleições de 2010, Serra tinha 36%, contra 17% de Dilma, 14% de Ciro, 12% de Heloísa Helena, 3% de Marina. 

Deu no que deu.

(Publicado nacoluna de Carlos Brickmann)

 

A voz das ruas?

Delirando no Plenário

Paulo Maluf não se conforma com a turma que ocupa espaços públicos em nome de causas e reivindicações de classe.

Embora jamais tenha tido cerimônia com a coisa pública, Maluf define assim a ação do pessoal que invadiu ontem o plenário da Câmara:

- Isso não passa de esculhambação. Quebra-quebra e invasão não ajudam em nada a democracia.

Como a democracia tem dessas coisas, Maluf pode dizer o que bem entende. E diz:

- Ninguém encarna melhor espírito das ruas, de correção na política, do que eu. Disputei mais de vinte eleições e nunca saí da luta.

Por Lauro Jardim

 

Roberto Freire diz a tucanos que conversas com Serra estão ‘bem avançadas’

Boas notícias para o PPS

Tucanos ligados a Aécio Neves têm procurado Roberto Freire para saber como andam as conversas da cúpula do PPS com José Serra.

Ontem, durante a sessão do Congresso, na Câmara, Freire informou a um deles:

- Estão bem avançadas.

Por Lauro Jardim

 

IRB: enfim, a privatização

O dia de ontem foi histórico para o setor de seguros no Brasil. Uma reunião do conselho do IRB chancelou o último ato da privatização da empresa, dona de 40% do mercado de resseguros no país.

Agora, o IRB pertence ao Bradesco,  Banco do Brasil, Itaú, e o Fundo de Investimento  da Caixa.

O início do processo aconteceu há treze anos. Andou, parou, andou, parou. Foi retomado em 2007, e agora concluído.

Por Lauro Jardim

 

‘Pescando em águas turvas’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta quarta-feira

O Ministério da Pesca, como se sabe, é dirigido por um ministro que publicamente admitiu não saber colocar minhoca no anzol. Logo, não deveria causar surpresa a informação de que, a despeito de reiteradas denúncias, esse mesmo Ministério continua a permitir a distribuição de benefícios a “pescadores” que só encontram peixes quando vão ao supermercado.

 

De acordo com a organização não governamental Contas Abertas, que fiscaliza o uso do dinheiro público, o governo federal deverá gastar neste ano cerca de R$ 1,9 bilhão com o seguro-defeso, mais conhecido como “Bolsa Pescador”. Em 2011, foi R$ 1,3 bilhão.

Trata-se de um programa iniciado em 1991 para ajudar pescadores que atuam de forma individual ou em regime de economia familiar, pagando-lhes a compensação de um salário mínimo no período em que são proibidos de exercer sua atividade em razão do “defeso”, isto é, a época da reprodução das espécies, que dura cerca de quatro meses. Semelhante ao seguro-desemprego, é uma iniciativa de grande importância social e ambiental.

No entanto, em 2003, já sob a Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, foi aprovada uma lei que afrouxou as exigências para a inscrição de pescadores no programa. Com ela, basta ao solicitante comprovar que a pesca é sua única fonte de renda. O objetivo era estender o benefício a mais trabalhadores, mas o resultado, previsível, é que o “Bolsa Pescador” se tornou um foco crescente de fraudes – segundo o Contas Abertas, poucas iniciativas do governo federal são tão propícias à gatunagem quanto esta.

A título de desburocratizar o acesso ao pagamento, a lei reduziu de três para apenas um ano a exigência do período mínimo de registro profissional do pescador. Com isso, conforme informou o jornal Valor (19/8), se instaurou a farra, pois, além dos pescadores, puderam obter o benefício os cônjuges desses trabalhadores. Outra brecha está na concessão de aposentadorias. Há casos de falsas inscrições em colônias de pescadores para a contagem do tempo de serviço de trabalhadores de outros ramos de atividade.

Graças a essas facilidades, cresceu exponencialmente o número de beneficiados. Em 2002, eram 91,7 mil. Neste ano, eles devem superar a marca de 700 mil. O peso para os cofres públicos é significativo – dos R$ 10 bilhões tirados do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para pagar o seguro-desemprego entre janeiro e abril deste ano, nada menos que R$ 1,2 bilhão foi para o seguro-defeso.

Essa formidável expansão do programa foi acompanhada de um equivalente acúmulo de desvios. A Controladoria-Geral da União (CGU) diz que foram pagos R$ 100 milhões em benefícios irregulares somente nos últimos dois anos. Um exemplo do descontrole é o município de Salvaterra, no Pará, em que 13 mil de seus 20 mil habitantes estão cadastrados no seguro-defeso. Também segundo a CGU, entre 2009 e 2011 houve ao menos 2.750 casos de beneficiados que tinham outros vínculos empregatícios – inclusive no funcionalismo público. Até a filha do prefeito de uma cidade maranhense obteve a assistência, amealhando quase R$ 6 mil em pouco mais de dois anos. “Pescadores” que moram em Brasília também foram contemplados.

O Ministério da Pesca tenta mostrar que está atento ao problema. Em janeiro, decidiu reduzir, de três para dois anos, o prazo para renovar o registro como pescador profissional e, além disso, passou a exigir comprovante da venda do pescado. Recentemente, informou que suspendeu 81 mil carteiras de pescadores que não atualizaram seus dados. É um começo, mas não resolve o problema.

O “Bolsa Pescador” tem sido usado com objetivos eleitorais – candidatos prometem incluir eleitores no registro de pescadores profissionais em troca de votos. Para o Contas Abertas, tal situação reduz o interesse efetivo em combater as fraudes, pois elas rendem dividendos políticos, principalmente nas cidades menores. Assim, enquanto o Ministério da Pesca está atrás de bagrinhos, os peixes grandes continuam a predar o erário.

(O Estado de S. Paulo)

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Fonte: Blog de Augusto Nunes (veja.com)

2 comentários

  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Complementando o meu comentário onde se lê "Falta coerência dele" saiu errado !! O correto é falta aos outros "a coerência dele" !!!!!! Fazer e falar o que pensa. Este sim é um verdadeiro homem na plenitude de seus deveres e direitos !!!!!! Que o Midas da Sujeira pensou que ia usar !!!!!! (Risos !!!)

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  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Primeiro de tudo !! Pesquisa comprada que entrevista 1/2 dúzia de gatos pingados e diz que 189 milhões pensam a mesma coisa, se for impressa em papel fofinho, só serve

    para aquilo ! Ainda mais de Ibope, Datafolha, Sensus e bancadas pela CNT e CNI, pior ainda !!! O safadão e seu exército Brancaleoni nos enganam e nos roubam porque a maioria dos nossos cronistas além de simplórios são mal informados como vocês aí em cima e são capazes de acreditar até em Papai Noel, só para não ter que ir atrás para saber o que é a verdade dos fatos. E principalmente não leem o que seus próprios pares escrevem ou registram. E tome falação sem base nenhuma a torto e a direito, como foi dito nesta coluna sobre o Min. Barbosa. Falta coerência dele !!!

    E sobra a sem vergonhice dos safados e irresponsáveis

    que escrevem bobagens sem verificar a fonte !! Dizer/escrever 1/2 verdade é o mesmo que dizer ou escrever 1/2 mentira !!! Omitir a verdade, até por ignorar, é o mesmo que mentir para o coitado do povão que vota (70% do eleitorado é semi-analfabeto e mal e mal sabe "desenhar" / assinar o seu nome justificando o que o TSE está procurando implantar, o verdadeiro voto digital, "dedão", para permitir verdadeiros indigentes votarem)que nada a sabe a não ser matéria

    paga por safados e bandidos para enganá-los e os roubar !!! Até seus sonhos !!! E salário mínimo neste país é uma "OFENSA AO POVO" !

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