Dilma segue a máxima do companheiro Lula: para pobre, qualquer coisa serve. Médico bom é coisa da burguesia e de petistas podero

Publicado em 23/08/2013 15:25 e atualizado em 18/09/2013 11:36
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por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Dilma segue a máxima do companheiro Lula: para pobre, qualquer coisa serve. Médico bom é coisa da burguesia e de petistas poderosos — os burgueses do capital alheio

Vocês se lembram daquele vídeo sensacional, em que um garoto, chamado Leandro, aborda Lula e Sérgio Cabral? Revejam. Por que esse filme remete aos médicos cubanos? Conto já.

Viram?

O vídeo começa com um diálogo entre Lula e Leandro. Uma observação prévia: note-se, justiça se faça ao Apedeuta, que a sua conversa com o rapaz tem aquela rispidez paternalista, é meio grosseirona, mas é cordial. Quem fica bravo mesmo é Cabral. Mas isso é o de menos agora. Vamos ao que interessa neste post. Reproduzo o que dá para entender do diálogo entre o então presidente da República e o garoto.
Lula – Não, não, esquece! Que esporte, porra?
Leandro – É tênis!
Lula - E por que é que você não treina, porra?
Leandro – Porque aqui não tem jogo de tênis.
Lula – Mas tênis é esporte da burguesia, porra! Por que você não treina uma coisa… Natação?
Leandro – A gente não pode entrar na piscina.
Sérgio Cabral – Por quê?
Leandro – Porque não abre pra população.

Voltei
Leandro, sim, representa, vamos dizer, a mídia popular, não alguns vigaristas financiados por dinheiro público — com uma câmera na mão e ideias mortas na cabeça — que se apresentaram como supostos praticantes de um jornalismo sem filtro. Nem é jornalismo, e o que veiculam é filtrado pela ignorância e pela mistificação ideológica. Adiante.

Vejam lá a fala de Lula. Quando Leandro diz que quer jogar tênis, o Apedeuta dispara: “Isso é esporte para a burguesia”. Ah, bom! Pobre tem de se contentar com outra coisa. A lógica é a seguinte: quem não tem nada deve se dar por satisfeito quando recebe um pouquinho. Não é a primeira vez que Lula faz esse raciocínio especioso.

O programa “Mais Médicos”, da presidente Dilma, é mesmo uma graça. Os profissionais brasileiros precisam, obviamente, demonstrar que têm a formação necessária se dele quiserem participar. Os estrangeiros já residentes no Brasil, que cursaram medicina em outros países, tiveram de revalidar seu diploma para poder trabalhar. Caso decidam aderir ao programa, chegam, pois, com essa exigência satisfeita. Mas nada se cobrará, desta feita, à leva que vem de fora. Passarão a trabalhar no Brasil duas categorias de médicos.

Então vamos retomar a conversa de Lula com Leandro. Pobre querendo jogar tênis? Ora…  Como os miseráveis estão sem médico mesmo, qualquer coisa serve. Está se consolidando, então, como política de estado, em que há os brasileiros com direito “a médico que presta” e os brasileiros que podem se virar com médico que não presta.

“Mas quem disse que os cubanos não são bons?” A pergunta é outra: “Quem disse que são?”. Ora, essa não é uma atividade em que o erro é irrelevante, não é mesmo? A culinária, por exemplo, é um ramo profissional que atingiu um impressionante grau de requinte e excelência. Mas convenham: as consequências de contratar um cozinheiro errado não são assim tão graves, não é?

“Ah, então deixa todo mundo sem médico!” Quem disse? Que se contratem mulheres e homens livres, depois de fazerem o devido exame para a revalidação de seu diploma. Exigência semelhante é feita em todo o mundo civilizado. O problema é de outra natureza. O programa que está em curso tem um evidente cunho eleitoreiro. As urnas é que estão ditando a urgência.

A confissão no “Entre Aspas”
No programa “Entre Aspas”, o senador petista Humberto Costa (PE), ex-ministro da Saúde, deixou escapar que o governo brasileiro está negociando a vinda dos cubanos há um ano e meio. O objetivo, atenção!, nunca foi cuidar da saúde dos brasileiros, mas resolver os problemas de caixa de Cuba, país que só tem uma coisa para negociar com o mundo: carne humana. Os governos de esquerda da América Latina resolveram traficar cubanos com Fidel e Raúl Castro para dar uma folguinha à tirania.

Os protestos de rua fizeram com que o Planalto desse uma acelerada no programa. Espalhar a fantasia de que, agora, os “pobres têm medico” interessa à campanha de Dilma à reeleição e à de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.

“Mas que tipo de médico?” Ora, qualquer um! É para pobre mesmo! Pobre não tem de jogar tênis, certo? Médico bom é coisa da burguesia, como poderiam ensinar Lula e Dilma, os burgueses do capital alheio que decidiram se tratar no Sírio-Libanês.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os novos escravos do comunismo – Autoridade cubana proíbe médicos de seu país de deixar alojamento militar no Brasil

Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto no próximo post.
Apenas dois dias depois de desembarcarem no Brasil para o Programa Mais Médicos, os médicos estrangeiros tiveram evidências de que os profissionais cubanos não vão desfrutar da mesma liberdade que os demais inscritos no projeto do governo federal. No que foi classificado como o momento mais tenso desde o desembarque dos cubanos em Brasília, a vice-ministra da Saúde de Cuba, Márcia Cobas, deu ordens expressas para que os médicos não deixem os locais onde estão hospedados para fazer qualquer tipo de atividade de lazer.

O médicos estão hospedados em áreas militares de Brasília, com acesso restrito. Os homens estão no Alojamento da Guarda Presidencial, e as mulheres, no Batalhão da Cavalaria Montada. No domingo, alguns estrangeiros se aventuraram a passear pelos principais pontos turísticos de Brasília, como a Esplanada dos Ministérios e o Teatro Nacional. Os profissionais arcaram com despesas de táxi e lanche para conhecer a cidade. Convidados, os cubanos não puderam ir ao passeio. Oficialmente, o Ministério da Saúde diz que não há restrições de deslocamento para nenhum profissional.

Segundo o relato de médicos, a vice-ministra cubana deu ordens ríspidas para que os profissionais passassem dia e noite estudando o conteúdo programático apresentado pelo governo brasileiro e, em especial, a língua portuguesa. “A ministra deles ordenou ‘vão estudar esta noite, vão estudar português’”, disse ao site de VEJA o médico venezuelano Ankangel Ruiz Medina, formado em Medicina do Trabalho pela Universidad de Oriente.

No alojamento, a segregação entre os médicos é evidente. “Os cubanos têm restrições para falar. Conosco mesmo eles não falam muito”, completou Medina. A cubana Maira Perez Sierra, formada em Medicina Geral Integral, negou qualquer problema nos primeiros dias de estadia no Brasil. “Nos receberam com muito boas condições, com muita qualidade, numeraram nossas camas, nossos nomes estavam afixados. Nos trataram muito bem. Tinham internet e telefone à disposição. Não nos sentimos aglomerados”, relatou.

Aulas
No primeiro dia oficial de aulas dos médicos estrangeiros e brasileiros com diploma do exterior, houve apenas discursos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e uma espécie de ‘ode’ feita pela vice-ministra cubana sobre a qualidade da medicina na ilha dos Castro. Nesta tarde, a ideia é que pelo menos parte dos profissionais comece a estudar noções de “formação do povo brasileiro”, enquanto os demais médicos cuidarão de questões administrativas e burocráticas, como abertura de contas bancárias e documentação para os profissionais. A aula foi acompanhada por olheiros de associações médicas, que tentam na justiça derrubar a validade do Programa Mais Médicos.

Nesta segunda-feira, o representante do Ministério da Educação para o Programa Mais Médicos, Vinícius Ximenes, proporcionou um dos momentos de maior “alívio” aos cubanos. Apesar de serem avaliados por três semanas em programas do governo, os médicos não terão de comprovar proficiência em português após o curso. De acordo com Ximenes, haverá uma avaliação “contínua”, “formativa” e “global”, mas não uma “prova de proficiência”.

Após a aula inaugural, médicos cercaram representantes do governo para tirar dúvidas sobre as regiões para as quais podem ser alocados. As perguntas giraram em torno de dúvidas sobre o tamanho e a diversidade de São Paulo, do Pará e do Paraná, que tipo de pessoas moravam nesses estados e como eram as condições de vida nessas regiões.

Por Reinaldo Azevedo

 

Recado a um Zé Mané

Um Zé Mané manda um chororô nos comentários, lembrando que, em 1999, cinco médicos cubanos foram contratados para trabalhar na cidade de Arraias, em Tocantins. E diz ele: “Reinaldo Azevedo não falou nada”. Sugere que o que acho ruim no governo do PT eu achava bom no governo FHC. Vá catar coquinho no beira do brejo, rapaz! Desconheço as condições em que chegaram aqueles cinco médicos a Tocantins (e não 4 mil). Se o ente remunerado era o governo cubano, não eles próprios; se obedeciam às ordens de Cuba, não às do Brasil; se estavam impedidos de ir e vir e se não passaram por nenhum teste de proficiência, então era a mesma porcaria, só que em escala ínfima. Se não critiquei, é porque nem fiquei sabendo.

Mas qual é a sua hipótese, Zé Mané? Por que você não procura saber tudo o que escrevi sore o governo FHC nas revistas República e Primeira Leitura, antes de sair boquejando por aí? Dirigindo esta última, publiquei, por exemplo, primeira grande reportagem (de capa) antecipando a crise de energia de 2001, chamando a atenção para todos os erros que o governo havia cometido. Também editei o primeiro texto de fôlego com uma análise nada lisonjeira do bolsismo, que resultaria no Bolsa Família. E tudo no governo FHC.

Você, rapaz, que mandou o comentário, é leitor, está na cara, daquelas revistas, blogs e sites sustentados com dinheiro de estatais e de gestões petistas e pensa que todo mundo é igualmente vagabundo. Lá, sim, encontram-se ex-notórios críticos do petismo e que se tornaram agora fanáticos defensores. Não por acaso, com patrocínio, entre outros, da Caixa Econômica Federal. Há lá naquele meio gente que Lula processou pessoalmente por calúnia e difamação. Hoje, o ex-presidente não pode tomar um banho de mar, com a água, ali, pouco abaixo da linha da cintura, sem que eles morram afogados.

Pensava sobre o governo e sobre o estado, na gestão tucana, o mesmo que penso sobre o governo e o estado na gestão petista. Pensava sobre o PT de oposição o mesmo que penso sobre o PT de situação. Se você está a fim de enfiar o dedo na cara de alguém, vá procurar essa corja que você anda lendo que acusava Lula e os petistas de cometer os piores crimes quando eles estavam fora do poder. E que, agora, com eles no poder, os consideram a própria emanação, quem sabe encarnação, do divino. Mas com o patrocínio de bancos federais e gestões petistas.

Essa gente pode até ter criticado o PT de graça lá no passado remoto — isso não sei. Mas que o elogio tem preço, ah, isso tem. Tanto quanto têm preço o ódio que devotam a setores da oposição e da imprensa. Entendeu, Zé Mané, ou agora quer um desenho?

Por Reinaldo Azevedo

 

Ah, agora entendi de onde vem a onda dessa gente mixuruca. Ou: VEJA e os cubanos numa reportagem de 1999

Em 1999, a VEJA publicou uma reportagem sobre a vinda de médicos cubanos para o Brasil. O gancho foi a chegada de doutores para uma cidade de Tocantins. Ao todo, informa o texto, havia no país, naquele ano, 166 profissionais vindos da ilha.

O texto de VEJA segue reproduzido abaixo. Segundo se entende ali, eram as cidades que estavam trazendo os médicos. Ainda que fosse o Ministério da Saúde, tentarei saber nesta terça, tudo indica que o contrato era feito com os próprios profissionais, não com o governo de Cuba. Leiam o texto. Volto em seguida.

 

Voltei
Muito bem! O jornalismo de aluguel, que já começou a fazer a campanha eleitoral de Alexandre Padilha — sempre com o patrocínio de estatais e de gestões petistas (dinheiro público na veia; é gente viciada nisso) —, mobilizando uma tropa de idiotas que trabalham de graça, deu início a uma campanha: “Ah, a VEJA elogiou os médicos em 1999 e agora critica”. E, claro, açula a petralhada contra mim.

Vamos ver.
1: Em 1999 ou agora, não se trata de ser “contra médicos cubanos”. Isso nunca esteve em debate. O que se critica é o regime de contratação; é o fato de Cuba ficar com a maior parte do desembolso; é o fato de os médicos receberem, mesmo no Brasil, um salário miserável — mas ainda muito superior àquilo que se paga na ilha do pesadelo, em 1999 e agora.

2: A reportagem de 1999 já deixava claro que havia, sim, uma questão legal: a falta do Revalida, problema que permanece. E indaga por que os médicos, que estão reclamando da presença dos cubanos, não vão para o interior.

3: Em nenhum momento há evidência, que agora abunda, de um contrato de trabalho que é, por qualquer razão que se queira, análogo à escravidão. Como se nota acima, marido e mulher chegaram para trabalhar.

4: Há, sabemos, casos de médicos cubanos que vieram e se estabeleceram no Brasil, regularizando depois a sua situação.

5: É certo que há médicos competentes em Cuba. Entre os 4 mil que chegarão, muitos podem ser excelentes profissionais. Essa é uma falsa questão, proposta por vagabundos e propagada por tolos. Cubanos e quantos quiserem vir trabalhar no Brasil são bem-vindos. MAS QUE VENHAM COMO CIDADÃOS LIVRES.

6: Para encerrar: ainda que eu divergisse da VEJA de 1999, isso não seria problema nenhum, nem para a VEJA nem para mim. Essa corja que se dedica a esse tipo de fofoca está acostumada a defender trabalho escravo. Por isso imagina que estou obrigado a pensar a tudo o que pensa a VEJA, ontem ou hoje. Mas não estou. As coisas que escrevo aqui são a MINHA OPINIÃO, não a da revista. Não se pode atribuir à revista, nunca!, o que é opinião minha. Ainda agora, mesmo que a VEJA considerasse a vinda dos cubanos a salvação da saúde no Brasil, jamais me seria imposto que escrevesse a mesma coisa — nesse tema ou em qualquer outro. Sei que escravos de uma ideologia e penas que alugam a sua opinião a um partido político — ou a vários, como é o caso de larápios profissionais — não conseguem entender que possa haver jornalistas que escrevem apenas o que querem e o que pensam.

Mas que se note: a única coisa em comum entre 1999 e 2013 é a nacionalidade dos médicos. Calculem aí a inflação acumulada nos últimos 13 anos para saber quanto estariam ganhando hoje os cubanos que recebiam R$ 2 mil em 1999.

Para arrematar mesmo: alguns fanáticos do lulo-petismo de hoje eram antipetistas delirantes há 13 anos. À diferença dos cubanos, estes não trabalham por ideologia. Eles gostam mesmo é de dinheiro. Vejam que coisa: meu blog traz lá no alto a marca “VEJA”, e eu escrevo o que quero. As páginas deles não trazem o logo do PT, mas só escrevem o que quer o partido. Se o PSDB chegasse à Presidência, não duvidem: eles virariam tucanos. Se a negociação fosse bem-sucedida, é claro! São tão independentes quanto um táxi. Eu tenho conseguido a glória de apanhar nos sites do PT, do PSDB, da Rede, do PCdoB… Isso não quer dizer que eu esteja certo, é evidente. Quer dizer apenas que o meu partido tem um único filiado — e, às vezes, ele me dá um certo trabalho… 

Por Reinaldo Azevedo

 

Episódio do senador boliviano, que fugiu com apoio de diplomata brasileiro, evidencia, mais uma vez, a miséria moral do Itamaraty na era Amorim-Patriota. Ou: Os dois pilares da política do Foro de São Paulo. Ou: O segundo tempo dos megalonanicos

O senador boliviano Roger Pinto Molina estava asilado havia 15 meses na embaixada do Brasil na Bolívia. O governo de Evo Morales o acusa de corrupção; ele se diz um perseguido político e sustenta que o processo é só uma tentativa de dar fachada legal à perseguição, o que é verossímil. É o que faz o governo do orelhudo Daniel Ortega, na Nicarágua. É o que faz o governo de Nicolás Maduro, o “cavalo” de Hugo Chávez, na Venezuela. É o que faz o governo de Rafael Correa, o acoitador de terrorista, no Equador. É o que faz o governo da “Loca” de Buenos Aires, Cristina Kirchner. É o que faz, como é sabido, o governo do índio de araque na Bolívia. E, ora, ora, é o que começou a fazer o governo de Dilma Rousseff no Brasil, por intermédio do Cade, aquele órgão federal dirigido por um peixinho de Gilberto Carvalho, que faz acordos de leniência para punir supostos atos de corrupção apenas em estado governado por um partido adversário, embora os delatores mantenham negócios bilionários com o governo federal. Trata-se de uma orientação, de uma escolha, de uma determinação organizada em foro especial: o Foro de São Paulo. A diretriz tem dois pilares: a) usar as eleições para impor leis que eliminem as forças de oposição; b) usar a Justiça e os órgãos de vigilância do estado para eliminar lideranças do “campo reacionário”.

A história ainda está um pouco confusa. Em princípio, a gente tem certa dificuldade de acreditar que o diplomata Eduardo Saboia, que respondia pela embaixada, tenha organizado a fuga de Molina para o Brasil sem o conhecimento do Itamaraty. Mas parece que as coisas se deram assim mesmo. A irritação de Antonio Patriota, o ministro das Relações Exteriores que imprimiu as suas digitais no trabalho escravo cubano, contam-me, é genuína. Também a presidente Dilma estaria furiosa. Pois é…

A situação do senador boliviano na embaixada era mais uma de muitas das situações difíceis que o índio de araque (“o meu querido Evo”, na expressão de Lula) armou para o Brasil. Desde a sua chegada ao poder, tornou-se um notório criador de casos — e o governo brasileiro sempre a lhe passar a mão na cabeça: quando roubou, com armas na mão, a refinaria da Petrobras; quando impôs, unilateralmente, um reajuste no preço do gás; quando criou novos campos de folha de coca na fronteira com o Brasil; quando decidiu legalizar os carros brasileiros aqui roubados e transferidos para seu país; quando não moveu um palha (muito pelo contrário) para libertar os corintianos detidos no país. “Meu querido Evo” ganhou ainda um presentinho do Brasil: financiamento do BNDES para uma estrada que terá um uso principal: transportar folhas de coca. Mais: como sabe a Polícia Federal, a Bolívia não move uma palha para combater o tráfico de drogas na fronteira. Nada! Negar-se a dar o salvo-conduto a Molina, mantendo-o indefinidamente confinado na embaixada, era só mais uma das patranhas de Evo.

Saboia diz em entrevista que o seu hóspede forçado está com depressão; que isso é atestado por laudo médico e que corria o risco de se suicidar na embaixada. Não dá para saber a gravidade do quadro, se isso é verdade ou não. O que se sabe, em regra, é que o estresse do confinamento pode levar as pessoas a fazer tolices. O fato é que Saboia, tudo indica, decidiu correr o risco e resolveu por sua própria conta o que este incrível Itamaraty — depois de Amorim, não pensei que pudesse ficar menor, mas ficou — não resolvia. Segundo o diplomata, as negociações não eram para valer, e a comissão bilateral criada mal conversava a respeito.

Cabia a Saboia manter Molina sem contato com o mundo exterior. Atuava como uma espécie de carcereiro. Por alguns dias, vá lá. Por mais de um ano? Em entrevista à Folha, ele deixa claro que não recebia orientação nenhuma. Reproduzo trechos de sua fala:

“Veja bem: nós, da embaixada, mandamos muitas comunicações sugerindo várias formas de ação. A única coisa que existia [até agora] era um grupo de trabalho do qual a embaixada não faz parte. Nós éramos apenas informados. (…) você imagina ir todo dia para o seu trabalho e você tem uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai. E você que impede ela de receber visitas (…). Falavam [no Itamaraty] que era questão de tempo. Daí eu perguntava da comissão, e as pessoas me diziam: ‘olha, aqui é empurrar com a barriga’. Ninguém me disse isso por telegrama, eles não são bobos. Mas eu tenho os e-mails das pessoas, dizendo ‘olha, a gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando e a gente finge que acredita’”.

Retomo
Eis aí a face mais crua da atual diplomacia brasileira, tomada pela ideologia, pela vigarice intelectual, pela mistificação. Também o Itamaraty passou a funcionar como uma espécie de polícia continental a serviço dos bolivarianos. É evidente que isso deveria ter sido resolvido de outro modo. O Brasil não tinha, é claro, como obrigar a Bolívia a conceder o salvo-conduto, mas que diabo? Dilma não conseguiu resolver a questão num bate-papo com Evo, o seu amigo de fé, irmão, camarada? Que coisa, não? A turma de Evo nem soltava os brasileiros presos em território boliviano nem permitia que um boliviano, confinado em território brasileiro, ganhasse a liberdade. Esse é o governo sonhado por Chico Buarque: fala grosso com Washington e fino com La Paz! O desfecho, ainda que tivesse contado com o suporte do Itamaraty (e não parece mesmo ter sido o caso), seria vergonhoso.

Em outras situações
Em outras situações, no entanto, Dilma e a nossa diplomacia decidiram mostrar as garras e arreganhar os dentes. Como esquecer o caso de Honduras? Lula e Hugo Chávez, com o entusiasmo do Itamaraty, tentaram levar a guerra civil àquele país, que depôs, segundo as regras de sua Constituição, um psicopata. Manuel Zelaya buscou refúgio na embaixada brasileira em Tegucigalpa e, contrariando as leis internacionais, usou o prédio como base de resistência: concedia entrevistas e pregava a deposição do governo legal. Quando deixou o prédio, mandou entregar uma carta de agradecimento a… Lula.

O Brasil demorou para reconhecer o governo eleito democraticamente. Num episódio não menos escandaloso, puniu o Paraguai — que depôs Fernando Lugo também de modo democrático, segundo as leis do país —, suspendendo-o do Mercosul. Aproveitou o ensejo para integrar a Venezuela ao bloco. Entenderam? O Brasil acusou o Paraguai de transgredir regras democráticas e abrigou a Venezuela! Antes, não custa lembrar, Banânia cobrou que a OEA punisse a Colômbia por ter atacado uma base terrorista das Farc em território equatoriano, na fronteira. Quando ao fato de o Equador abrigar os terroristas, não disse uma palavra.

Esse Itamaraty, que agora justifica o trabalho escravo dos cubanos no Brasil, é o ponto mais baixo da história da diplomacia brasileira, que é, sim, cheia de méritos. Quando vi aquele senhorzinho se fazendo de indignado porque o governo do Reino Unido reteve um brasileiro que transportava documentos que tinham sido roubados do governo americano, perguntei: “Quem é esse cara?”.

Esse cara é Patriota.

É a segunda etapa da diplomacia megalonanica.

Por Reinaldo Azevedo

 

Parece que Patriota ainda não era ruim o bastante para que Dilma o considerasse bom. Ou: Tudo indica que Evo deu mais uma rasteira no Brasil. Está virando um hábito

Antonio Patriota não era ruim o bastante para o Brasil. Por isso a presidente Dilma Rousseff o demitiu (ver post na home). Assim, podemos apostar, dada a lógica do processo, que é grande o risco de que Luiz Figueiredo faça uma política ainda pior. A presidente tem razão de estar irritada com o episódio, a ser verdade que foi avisada da operação só depois que o senador boliviano Roger Pinto Molina estava no Brasil, mas os motivos da demissão, vazados por seus áulicos, dão conta da política externa que tem em mente. À diferença do que se pensava inicialmente, quando freou um pouquinho o entusiasmo com Irã, Dilma consegue ser tão canhestra quanto seu antecessor. Afinal, o que ela queria?

O governo já tinha concedido asilo diplomático a Molina. O homem estava confinado na embaixada havia 15 meses. Evo Morales, o índio de araque que governa a Bolívia, negava-se, no entanto, a lhe conceder o salvo-conduto. Se é verdade, como parece, que o diplomata Eduardo Saboia agiu por conta própria, sem a anuência de Patriota (e também parece que é), a única incompetência do chanceler demitido, nesse caso, é não ter conseguido, ao longo desse tempo, demover os bolivianos. Mas também é compreensível. Evo joga para a sua torcida. Não fazer concessões aos adversários políticos, demonizando a oposição, é parte do seu show.

Querem saber? Tudo indica que o Brasil acabou vítima de uma embromação boliviana. Não sei, não! Mas é possível que o índio de araque tenha passado uma rasteira no Brasil. Ora, ora… Se o governo boliviano sabia que um adversário seu estava refugiado na embaixada e se lhe recusava o salvo-conduto, o normal, convenham, é que essa embaixada estivesse sendo monitorada a uma prudente distância: o bastante para não parecer hostil com o Brasil, mas o suficiente para que se percebesse alguma movimentação estranha.

Parece bastante plausível que o governo boliviano quisesse se livrar do pepino, mas sem dar a entender que cedeu — e jogando, adicionalmente, a responsabilidade nas costas do Brasil. O Brasil virou o cobre de plantão do governo boliviano — somos vistos por lá como imperialistas, entendem? Mais dia menos dia, o senador tentaria deixar o prédio. E foi o que fez. É grande a chance de que o governo boliviano soubesse da fuga. Preferiu, no entanto, resolver a questão. Os protestos e exigências de esclarecimento — bem como o pedido de extradição — fazem parte do espetáculo. Quem sabe Evo não arranca mais alguns trocos do Brasil, não é?

Consta que Dilma também teria achado excessivamente cordata a reação de Patriota à retenção do brasileiro David Miranda no Reino Unido. Teria cobrado a seu então ministro das Relações Exteriores, de quem nunca gostou muito, uma resposta mais dura. Qual? O que Dilma pretendia fazer? Invadir aquele país? Por ar, seria difícil. Por mar, pior ainda. Os ingleses são bons marinheiros, não é? Como já disse Castro Alves, “a Inglaterra é um navio que Deus na Mancha ancorou”. A verdade é bem outra.

A reação primeira de Patriota foi é exagerada. Como se sabe, Miranda circulava com documentos oficiais que haviam sido roubados do governo americano por Edward Snowden. Nada menos do que isso! O que Dilma esperava? Alguns dias depois da nota de protesto do governo brasileiro, a Scotland Yard anunciou que se tratava de informações graves, que poderiam pôr em risco a vida de pessoas.

Não sei, não! Pelo visto, Evo Morales passou mais uma rasteira no governo brasileiro; a crise, em vez de estourar na Bolívia, veio parar aqui. E deixa claro que Dilma Rousseff acha que a política externa brasileira ainda tem de piorar muito para que ela a considere boa o bastante.

Texto publicado originalmente às 5h25

Por Reinaldo Azevedo

 

Congresso, Justiça e Ministério Público defenderão as leis democráticos ou vão se candidatar a bananas de pijama?

É um despropósito absoluto o que se passa diante do nariz do Congresso Nacional, do Poder Judiciário e do Ministério Público. Ou esses entes reagem, ou, então, seus integrantes podem se candidatar a protagonistas de uma nova série dos “Bananas de Pijama”. Num post do dia 21, informei aqui que, a exemplo do que ocorre com os profissionais que atuam na Venezuela, no Equador e na Bolívia, os médicos continuariam cubanos a obedecer às ordens do regime cubano. Acusaram-me de estar fantasiando. Eis aí. A determinação (ver post anterior) da vice-ministra da Saúde de Cuba, Márcia Cobas, que proibiu seus escravos de interagir com os demais médicos, mantendo-os confinados em instalações militares, viola as leis brasileiras. Quem é esta senhora para vir dar ordens no Brasil. Sim, meus caros: o Brasil, nesse particular, abre mão de uma prerrogativa soberana. Todo estrangeiro que ingressa legalmente no país, como é o caso, tem assegurado o seu direito de ir e vir. Submete-se à lei brasileira, a 6.815 , que regula a sua permanência em nosso território. E só. Não cabe ao governo cubano, sob nenhuma circunstância, meter o bedelho. A tal Márcia Cobas é que viola a lei.

Que fique claro: essa ingerência do governo cubano não é temporária; não está sendo praticada apenas nessa fase Inicial, que marca a chegada dos primeiros médicos. Pelo tempo que os cubanos ficarem aqui, estarão sujeitos à chefia de representantes da ditadura. Junto com os médicos, chegam os capitães do mato, chegam os seus algozes, que os vigiam de perto. Em se repetindo o padrão vigente na Venezuela, são verdadeiros agentes da polícia política da ilha. Alguns desses “coordenadores” são médicos; outros não; são burocratas do Ministério da Saúde de Cuba e do Partido Comunista. Qualquer insatisfação que o governo tenha com os profissionais, ela terá de ser encaminhada a esses intermediários. Também é a ditadura que decide quando é hora de um médico sair e de outro chegar. Na Venezuela, os agentes cubanos retêm os passaportes dos médicos.

O que mais é necessário para caracterizar trabalho análogo à escravidão, ainda que boa parte dos profissionais, quando conseguem se expressar, falem como militantes políticos? Eles não têm saída. Suas respectivas famílias ficaram na ilha. Mesmo que quisessem desertar, não poderiam. Se decidirem, ainda assim, pedir para ficar no Brasil, Luís Inácio Adams, o mais novo agente do serviço secreto cubano, já avisou: serão “devolvidos”. Sim, ele empregou a palavra “devolvidos”. Adams decidiu, sozinho, exercer o papel do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados, do Ministério da Justiça e do Poder Judiciário). No Brasil, cubano é “coisa”, não é gente. Tarso Genro, como vocês se lembram, é um emérito devolvendo de gente para as ditaduras e um entusiasmado importador de terrorista — o que contou com o apoio de Adams.

Um escândalo de proporções inimagináveis está se consolidando, e noto que setores importantes da imprensa estão deixando de lado a questão essencial para começar a cuidar dos fru-frus do jornalismo de amenidades. Imaginem um país governado por um partido considerado “de direita”, que importasse médicos, nessas condições, negociando com outro governo igualmente de direita. As esquerdas demonstram, assim, o que entendem por civilização. Esse é o seu devir, esse é o seu horizonte. Na sua utopia, cada homem é funcionário do Estado e faz o que o partido mandar.

Cadê as vozes de protesto? Restringem-se quase exclusivamente à área médica. Raciocínios indecorosos são feitos à luz do dia, sem vergonha nem medo de ser feliz. No “Entre Aspas”, o senador Humberto Costa (PT-PE) anunciou que o programa já estava em andamento havia um ano e meio. A oposição deveria ter estrilado na hora, denunciando, então, as mentiras que foram contadas ao país. Tucanos estão muito ocupados em seu esporte predileto — tiro aos tucanos! — para se interessar por isso para valer.

E a OAB? Os digníssimos não viram nada, até aqui, que agrida frontalmente os direitos humanos? Vai ver alguns dos doutores estão muito ocupados oferecendo proteção aos black blocs para se ater a um governo que decidiu entrar no comércio de carne humana.

Por Reinaldo Azevedo

 

ESCÂNDALO BILIONÁRIO – Deputado do PT, amigo de Lula, pergunta a conselheiro da Anatel quanto ele cobra para resolver uma pendência da Oi com o estado que chega a R$ 10 bilhões. O nome disso? Propina!

O petista Vicente Cândido: ele atua como lobista da Oi e ainda pergunta a conselheiro da Anatel: “Honorários?”. Trata-se de um gigante moral!

Eles são quem são. E isso não tem cura. Reportagem de Rodrigo Rangel na VEJA desta semana traz à luz um escândalo de dimensões bilionárias. Há muito tempo, como se sabe, os petistas abandonaram o patamar dos milhões. Isso era para gente amadora; para corruptos que corriam o risco de ser pegos e ser enforcados pela opinião pública. Os companheiros são mais espertos. Praticam com maestria o que antes diziam condenar e ainda mandam enforcar. A síntese da história é a seguinte: Vicente Cândido, deputado federal (PT-SP), um figurão do partido, embora não seja muito conhecido, chamou a seu gabinete um conselheiro da Anatel de nome Marcelo Bechara. O deputado está interessado em livrar a cara da Oi, empresa que tem como sócios amigos do Luiz Inácio Apedeuta da Silva — o mais intimo é Sérgio Andrade. A empresa deve ao estado brasileiro nada menos de R$ 10 bilhões em multas — embora  o valor de mercado da companhia seja de R$ 8 bilhões. O parlamentar quis saber como Bechara podia ajudar a Oi e sugeriu falar em nome de Lula. A conversa, a esta altura, já tinha ultrapassado o limite do aceitável. Mas ele foi mais longe. Num papelucho, escreveu a seguinte palavra, acompanhada de um ponto de interrogação, e exibiu ao conselheiro: “Honorários?”.

Isso mesmo. Vocês entenderam direito. Um deputado do PT, atuando a favor dos interesses de uma empresa privada que tem como sócios amigos pessoais de Lula, abordou um conselheiro da Anatel e indagou quanto ele cobrava para dar um jeitinho. Atenção! BECHARA CONFIRMA QUE ISSO ACONTECEU. Mas ainda é de menos. O PRÓPRIO VICENTE CÂNDIDO ADMITE TER ESCRITO A PALAVRINHA. Mas se sai com uma desculpa esfarrapada. “Eu queria saber se ele tinha honorários.” Sim, vocês entenderam direito: um deputado do PT ofereceu propina a um conselheiro da Anatel.

Houve ainda um segundo encontro. Aí o buliçoso petista entregou a Bechara as pretensões da Oi,  com o timbre da Jereissati Participações (de Carlos Jereissati), uma das acionistas da companhia. Lá está o que quer a empresa, de que o petista virou um negociador: redução de 80% daquela dívida de R$ 10 bilhões e mudança urgente na regra que obriga uma telefônica a manter 4 telefones públicos por mil habitantes na área em que opera. Antes de falar com Bechara, naquele mesmo dia, Vicente Cândido havia se encontrado com Lula. Leiam trecho da reportagem. Volto em seguida.
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No fim de 2008, uma canetada do então presidente Lula permitiu a compra da Brasil Telecom pela Oi, uma das mais complexas e questionadas transações do mercado brasileiro nos últimos tempos. A assinatura aposta por Lula no decreto que abriu caminho para o negócio foi justificada com um argumento repleto de ufanismo: era preciso criar um gigante nacional no setor de telecomunicações para competir em condições de igualdade com as concorrentes internacionais. A operação bilionária foi cercada de polêmica por outras razões. Primeiro, porque a Oi fechou o negócio graças a um generoso financiamento público. Além disso, a empresa tinha e tem entre seus controladores o empresário Sérgio Andrade, amigo do peito de Lula desde os tempos em que o petista era um eterno candidato a presidente. E a mesma Oi, três anos antes, investira 5 milhões de reais na Gamecorp, uma empresa até então desconhecida pertencente a um dos filhos do presidente. À parte as polêmicas, a supertele nacional não decolou como planejado e o discurso nacionalista logo caiu por terra — e com a ajuda do próprio petista, que meses antes de deixar o Planalto criou as condições para que a Portugal Telecom comprasse uma parte da companhia.

Com o passar do tempo, porém, a Oi perdeu valor de mercado, viu aumentar suas dívidas em proporções cavalares e hoje enfrenta sérias dificuldades para investir, o que para uma empresa do ramo de telecomunicações é quase como uma sentença de morte. O destino da companhia é motivo de preocupação para o governo e para o ex-presidente Lula. Em especial, pela possibilidade de o insucesso da empresa causar danos políticos às portas de uma campanha presidencial em que o PT pretende estender sua permanência no poder. Como explicar a ruína de um megaprojeto liderado pela maior estrela do partido e bancado em grande medida com dinheiro dos cofres públicos? Uma tarefa difícil, certamente. É legítimo que haja um esforço para ajudar uma empresa nacional. É legítimo que esse esforço também envolva agentes políticos. O que não é legítimo é a solução do problema passar por lobbies obscuros, negociatas entre partidos e até uma criminosa proposta de pagamento de propina a um servidor público em troca de uma ajuda à empresa — episódio que aconteceu no início do mês nas dependências do Congresso Nacional, em Brasília, envolvendo o deputado federal Vicente Cândido, do PT de São Paulo, e o conselheiro Marcelo Bechara, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Indicado para o cargo pelo PMDB, em 6 de agosto Marcelo Bechara foi ao gabinete do deputado depois de receber um telefonema do parlamentar convidando-o para uma visita. Entre uma conversa e outra, Cândido engrenou o assunto principal: a cobrança de multas bilionárias aplicadas à Oi pela agência. Advogado por formação, Bechara é conhecido por sua capacidade de formatar soluções jurídicas para questões aparentemente insolúveis. Ele fora o relator de uma proposta que pode dar um alívio e tanto ao combalido caixa da empresa e que será debatida em breve no conselho diretor da Anatel. A proposta regulamenta a cobrança de multas aplicadas às companhias telefônicas. As da Oi, atualmente, somam mais de 10 bilhões de reais — uma cifra astronômica em todos os aspectos, ainda mais se comparada ao valor de mercado da companhia, estimado em menos de 8 bilhões de reais.
(…)

Voltei
Leiam a íntegra da reportagem. Ela traz outras informações importantes sobre como funciona a República Petista em Brasília. Verão que o deputado já tratou do assunto com Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, e que a mão que balança o berço por trás dessa história toda pertence a… Erenice Guerra, amigona da presidente Dilma Rousseff. Ficarão sabendo ainda de uma festança em Brasília para comemorar o aniversário de João Rezende, presidente da Anatel. Ele diz nem saber quem pagou aquilo tudo. Uma coisa é certa: entre os convivas, havia diretores de empresas que cabe à sua agência investigar, inclusive Carlos Cidade, um dos chefões da Oi.

Por Reinaldo Azevedo

 

ESCÂNDALO BILIONÁRIO 2 – O PT, a guerra contra Daniel Dantas, a criação da Oi e o dia em que Lula mudou uma lei só para viabilizar um negócio dos seus amigos

(Leia primeiro o post anterior)
No post anterior, vocês leem que um deputado do PT, Vicente Cândido (SP), perguntou a um conselheiro da Anatel quanto ele cobrava para atender a um pleito seu. E que reivindicação era essa? Queria que uma dívida de R$ 10 bilhões da Oi com o estado brasileiro — decorrente de multas em razão do não cumprimento do que vai em contrato — fosse reduzida, descobriu-se depois, em imodestos… 80%. O decoroso e moralista deixou claro que falava em nome de Lula. Muito bem! Cumpre aqui lembrar como e por que se formou a Oi, sob que desculpa e em que ambiente institucional.

Comecemos do começo. A briga de foice entre Daniel Dantas e setores do petismo estava ligada ao controle da Brasil Telecom. Sobraram golpes baixos de todos os lados, mas uma coisa é certa: a companheirada tramou para tentar tirar o empresário da companhia. Eram aqueles tempos que parte do atual JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) acusava qualquer pessoa que se atrevesse a criticar o PT e os petistas de “agente de Daniel Dantas”. Inventaram um demônio para poder demonizar os críticos.

Dantas finalmente cedeu e resolveu vender a sua participação na Brasil Telecom, que acabou sendo comprada pela… Telemar, o que resultou na gigante Oi. Lula, pessoalmente, sem intermediários, se encarregou de protagonizar um dos maiores escândalos do país: decidiu que o BNDES financiaria a operação. Para Dantas, foi um negocião: vendeu a sua parte por R$ 2 bilhões e saiu da mira do petismo. Aquilo a que se assistiu, a partir de então, foi um espetáculo grotesco. Transformou-se a criação da “Oi” numa manifestação de afirmação e resistência nacionalistas.

Segundo a versão oficial, ditada, então, por Franklin Martins e pressurosamente espalhada por áulicos, anões, mascates e jornalistas “dualéticos” (aqueles que têm duas éticas: uma para os petistas e outra para os demais), Lula, o Numinoso, queria criar uma grande empresa nacional para competir com as gigantes estrangeiras — caso contrário, as brasileiras seriam engolidas. Como se vê, o resultado é um espetáculo: a Oi está devendo R$ 10 bilhões só em multas e vale R$ 8 bilhões no mercado.

O Apedeuta mobilizou o governo para dar suporte à operação. Com um detalhe: nunca antes nestepaiz se havia feito um negócio bilionário que dependesse de uma mudança ad hoc da lei: se Lula não alterasse o decreto da Lei das Outorgas, a operação não poderia ser realizada. Mas ele prometeu mudar. Seu amigo Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, ficou feliz. Carlos Jereissati, da Telemar, sócia de Lulinha da Gamecorp, também. Atenção! LULA MANDOU O BNDES FINANCIAR A OPERAÇÃO DE COMPRA DA BRASIL TELECOM ANTES MESMO DE MUDAR A LEI. Ou por outra: quando decidiu que o banco oficial entraria na parada, estava praticando uma ilegalidade.

O Apedeuta deixou claro: o BNDES só financiaria a operação e ele só mudaria a lei se fosse para a Telemar comprar a Brasil Telecom. Se, por exemplo, a interessada fosse a então Telefonica, nada feito! E assim se fez.

O novo escândalo que agora vem à luz indica que a operação continua a depender do dinheiro público. Se a Anatel não livrar a empresa da multa bilionária, a Oi vai para o vinagre — e, como é sabido, um dos seus sócios é o BNDES. À época, defini assim a ação de Lula: nas democracias, os negócios são feitos segundo as leis; nas repúblicas bananeiras, as leis são feitas de acordo com os negócios.

Por Reinaldo Azevedo

 

Enquanto Dilma se recupera, o PSDB repete os velhos erros de sempre e continua imbatível na arte de vencer o… PSDB!

Segundo pesquisa do Ibope, encomendada pelo Estadão, publicada neste sábado, Dilma recuperou parte da popularidade perdida, embora esteja ainda muito distante do seu melhor momento, quando superava os 60% de bom é ótimo. Agora, 38% assim veem o seu governo, contra 31% na pesquisa anterior, de 12 de junho. Os que consideram sua gestão ruim ou péssima caíram de 31% para 24%. Antes e agora, 37% dizem que o governo é regular. O Datafolha já havia registrado o que parece ser um processo de recuperação de prestígio da presidente. Pois é… Por que caiu e por que recomeçou a subir? Pelos mesmos, digamos, não motivos. Sim, eu acho o governo muito ruim e faz tempo. Mas a maioria dos brasileiros dizia o contrário até pouco antes dos protestos de junho. Sem que tivesse piorado muito o que ruim já era (mas poucos viam), a popularidade da petista despencou (e dos políticos em geral; só Marina Silva ascendeu). Sem que tenha melhorado um milímetro o que continuou ruim, a popularidade começou a subir. Eu escrevi aqui umas 300 vezes que esse negócio de esferas de sensações serve para terapia de grupo, para queimar ervas aromáticas e, sei lá, debater assuntos metafísicos. Em política, a soma costuma resultar em zero, quando não é negativa. Quando Dilma desceu ladeira abaixo, afirmei, sob o protesto de muitos leitores, em debate na VEJA.com, que ela seguia sendo a franca favorita para 2014.

Como é sabido — será que o Ibope também fez pesquisa eleitoral? —, Dilma recuperou parte dos eleitores, segundo o Datafolha. A oposição, segundo aquele instituto, não apenas deixou de ganhar prestígio junto ao eleitorado como o perdeu. Naquela pesquisa, Aécio Neves teve uma queda nas intenções de voto. Em vez de subir, caiu. Explica-se por causas que não dependem da vontade do PSDB e por outras que dependem. A variável independente, como se sabe, está, sim, ligada às manifestações de rua: tratou-se de uma ação contra a política tradicional — logo, contra os tucanos também.

Mas é claro que há erros brutais de condução. Aécio ter-se tornado o presidente do partido foi um deles. Tudo para quê? Para tentar eliminar José Serra da corrida logo à partida. Ocorre que era para eliminar, mas, ao mesmo tempo, para conservá-lo na legenda, entendem? Há muito se tenta a quadratura do círculo. Ninguém até hoje foi bem-sucedido. Há dias, Aécio disse que nada tinha contra prévias. O paulista, então, disse que aceitava, indagando as condições em que seriam realizadas. Em vez de essas condições serem expostas, o que se vê é uma espécie de rolo compressor — o mesmo que procurou excluí-lo — para que, então, não se façam as prévias.

Que tipo de notícia?

E aí se deu o fenômeno muito frequente, mas, mesmo assim, curioso. O mineiro, que andava sumido do noticiário, reapareceu, a exemplo do que se verifica neste exato momento. O jornalismo online relata que, em Barretos, interior de São Paulo, seu nome foi “lançado” à Presidência. Nem poderia ser diferente. Num discurso, o senador disse algo como: “Iniciamos o caminho da vitória para a Presidência…”. Mas, é claro, ninguém quer que Serra saia do partido. Então tá.

Vejam bem. Não faltaram, nesses dias, motivos para que o presidente do PSDB aparecesse e procurasse polarizar o noticiário. O PSDB está sendo vítima de uma conspirata asquerosa que passa pelo Cade. O caso Siemens é uma das mais bem urdidas tramoias dos últimos tempos. Não! Não estou negando que larápios possam ter roubado dinheiro. O que não entendi até agora é por que o tal acordo de leniência com a Siemens, que tem contratos bilionários com o governo federal, especialmente na área de energia, só abrange obras de São Paulo. Documentos supostamente sigilosos em poder do Cade são cuidadosamente vazados para comprometer tucanos.

Cadê Aécio? Bem, seus estrategistas, não sem certa razão, devem ter recomendado: “Fique longe disso”. Ele ficou. Mas, então, quem falou? Cadê a voz institucional do partido? Cadê, mutatis mutandis, o Rui Falcão deles? Não há. A defesa ficou inteiramente por conta do PSDB de São Paulo. Até uma iniciativa correta e sensata de Alckmin, ditada pelo destemor de quem sabe que, pessoalmente, nada deve, foi achincalhada pelo petismo e pela imprensa petistófila: a decisão de recorrer à Justiça para recuperar, então, parte do dinheiro que executivos da Siemens, segundo entendi, admitem ter sido roubado do estado em razão da formação do cartel. E não se ouviu a voz institucional do partido.

No caso dos médicos cubanos, a mesma coisa. O que se vê, não há como dourar a pílula, é trabalho escravo. A saúde brasileira está em situação miserável, e o ministério vai repassar à ditadura cubana coisa de R$ 480 milhões por ano — só uma ínfima parte será convertida em salário. Sim, o senador disse uma coisinha aqui, outra ali, mas nada de uma reação substantiva, à altura do seu posto no partido e da gravidade do assunto. Por que não? Pelo mesmo motivo. Vai que a população acabe gostando desse negócio, e ele terá de enfrentar, depois, a candidata-presidente Dilma a acusá-lo de ter sido contra e coisa e tal. Os números dos descalabros da saúde e os aspectos jurídicos e políticos absurdos do programa estão sendo expostos é por parte da imprensa — a outra parte já aderiu e já começou a babar.

Entendo. Os tucanos, como sempre, esperam para ver para onde vai o trem. A depender do caso, tentam sentar na janelinha ou fazer de conta que nada está acontecendo. Não existe alternativa de oposição se não há valores de oposição.

Agora que Serra demonstrou interesse em disputar, sim, e que indagou quais são as condições das prévias, o noticiário é entupido de offs assegurando que não haverá prévia coisa nenhuma, que está tudo decidido, que isso e que aquilo. Tucanos, em suma, só conseguem ser notícia quando estão batendo boca entre si, ainda que por intermédio de terceiros. Eles deveriam ter claro que nós todos já sabemos de sobejo uma coisa: eles são excelentes na guerra interna — e o jornalismo se diverte com as redes de intrigas. Eles só não sabem vencer petistas nas disputas federais — não sem a “novidade” do Plano Real ao menos, que foi o grande estrategista tucano em 1994 e 1998.

Sem polarizar com o governo em nada e sem estabelecer um eixo claro de ação, os tucanos vão levando a vida. O governo, depois de um período de zonzeira, está se reencontrando no que concerne ao marketing. A gestão continua ruim pra chuchu. O país vai amargando resultados que o inviabilizam no médio prazo, tudo o mais constante. Até as eleições, no entanto, nada que possa prejudicar Dilma em excesso.

Mas, é claro, alguns lerão este texto e dirão: “Ah, é que o Reinaldo vota no Serra e então escreve essas coisas…”. Digamos que vote — e, se ele for candidato, votarei, sim —, fica a pergunta: isso muda a realidade tucana em quê? Não existe política que consista numa fuga permanente das questões políticas. O resultado se colhe nas urnas.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma lança ofensiva sobre territórios tucanos

Por Gabriel Castro. Comento no próximo post.
Quando resolveu retomar a rotina de viagens depois dos protestos que chacoalharam o país há dois meses, a presidente da República, Dilma Rousseff, optou por uma rota diferente da que havia percorrido nas semanas anteriores. Até então, ela priorizara o Nordeste. Agora, o foco é outro: São Paulo e Minas Gerais, principais territórios sob influência política do PSDB. Desde 31 de julho, Dilma esteve cinco vezes em cidades paulistas e duas no estado vizinho. As outras viagens foram para o Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude, Rio Grande do Sul, onde vive sua filha, e agendas internacionais para o Paraguai e o Uruguai. Na semana que se inicia, Dilma não vai mudar o roteiro: na terça-feira, ela visitará Belo Horizonte. Na quinta, a presidente volta a Campinas (SP). Ao final de agosto, a soma de viagens somará seis paradas no território paulista e três no Minas Gerais em um mês. É um número incomum.

O pretexto para as viagens de Dilma é o que menos importa: o essencial é ter um palanque para discursar, plateia e espaço na imprensa regional para fazer ecoar seu discurso. Em Cristália (SP), por exemplo, a presidente participou da inauguração da nova fábrica de biotecnologia e de citostáticos da cidade. Em São João del-Rei (MG), relançou um programa que já havia sido anunciado muito tempo antes: o PAC Cidades Históricas. Antes dos protestos que forçaram o governo a corrigir os rumos e prenderam a presidente em Brasília por aproximadamente um mês, Dilma priorizava o Nordeste. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, era visto como uma ameaça real para 2014, e se tornou importante fazer uma ofensiva na região onde o representante do PSB é mais forte.

Com a queda na popularidade, Dilma se recolheu no Palácio do Planalto por um mês. Depois, passou a dar ainda mais importância às viagens. E o cenário se alterou: Eduardo Campos, que ainda hesita em lançar-se candidato, é o último dos quatro principais nomes nas pesquisas eleitorais. Marina Silva ainda luta para formalizar o seu partido, a Rede Sustentabilidade, a tempo de disputar a Presidência em 2014. Por isso, a atenção do Planalto se volta para os tradicionais adversários do PSDB, que têm em São Paulo e Minas Gerais seus redutos eleitorais.

São João del-Rei, cidade visitada pela presidente em 20 de agosto, é nada menos do que a terra-natal do tucano Aécio Neves, virtual candidato do PSDB. Lá, Dilma posou ao lado de prefeitos – muitos deles, aliados de Aécio – e elogiou Tancredo Neves, avô do tucano. É uma clara ofensiva em território inimigo.

Aécio reagiu: diz que os passeios da presidente podem configurar propaganda antecipada. “É uma prerrogativa que ela tem. Mas, obviamente, a Justiça Eleitoral deve estar atenta a essa excessiva movimentação com um caráter evidentemente eitoral”, diz o presidente do PSDB e possível candidato ao Palácio do Planalto. O tucano afirma que o PAC Cidades Históricas, anunciado pela presidente em São João del-Rei, não resultou na aplicação de um real sequer.

Além da ofensiva de viés eleitoral, as viagens de Dilma para São Paulo e Minas Gerais podem ter sido motivadas pela tentativa de recuperar sua popularidade onde ela mais caiu: no Sul-Sudeste. No Nordeste e no Norte, apesar da queda, a presidente ainda tem um prognóstico eleitoral mais confortável. Outro elemento ajuda a explicar a mudança de foco: o interesse do PT em tirar os tucanos de seus dois principais governos estaduais. Reforçar as realizações do governo petista entre paulistas e mineiros ajuda a contrabalancear a hegemonia tucana nos dois estados e pode preparar o terreno para candidaturas de oposição.

Apesar da nítida mudança de prioridade na agenda da presidente, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) diz que a intensificação das viagens de Dilma a São Paulo e Minas é uma “coincidência”, e lembra que esses são os dois estados mais populosos da nação. “É natural a presidente ir a São Paulo, que condensa boa parte do PIB e da população do país”, afirma. Segundo Vaccarezza, também não é verdade que o PT tenha lançado uma ofensiva para, além de reconquistar apoio para Dilma, minar as bases dos governos tucanos nos dois maiores estados do país.

Caravanas
O senador Aécio Neves também deve aumentar as viagens pelo Brasil – embora com bem menos frequência do que a petista. Ao contrário de Dilma, que tem obras a inaugurar e verbas federais a oferecer a prefeitos e governadores, Aécio se dedica a encontros de bastidores e reuniões com militantes. Sempre que possível, ele também concede entrevistas a veículos de imprensa regionais. O foco do tucano, por ora, se divide entre São Paulo – onde há resistência ao seu nome dentro do PSDB – e Nordeste, onde o senador ainda é pouco conhecido.

Nos dias 13 e 14 de setembro, Aécio irá a Curitiba (PR) para um encontro com a militância tucana e seus aliados da região Sul. Nos meses seguintes, ele participará de eventos semelhantes em Maceió (AL), Manaus (AM) e Goiânia (GO), para mobilizar apoiadores no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste, respectivamente. A frequência das viagens de Aécio é bem menor do que as de Dilma. Mas o presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, não vê problema: “Não medimos nosso ritmo pela régua dos adversários. Nosso candidato tem luz própria”.

Por Reinaldo Azevedo

 

A perua enlouqueceu! Ministério da Cultura, sob o comando de Marta Suplicy, concede R$ 2,8 milhões de incentivo da Lei Rouanet para estilista podre de chique desfilar em Paris

Vejam esta imagem. Volto em seguida.

 

Voltei
Marta Suplicy, hoje ministra da Cultura — com o integral apoio de Pablo Capilé —, tem, pode-se dizer, um eixo que a orienta: é podre de chique! Mesmo diante das maiores adversidades, jamais abriu mão de oferecer ao povo o que tem de melhor: seu guarda-roupa. Em 2004, um pequeno texto publicado na VEJA (imagem acima) fez história (link aqui).

A então prefeita tinha acabado de voltar de uma viagem a Londres e, mesmo assim, generosa, resolveu visitar uma área castigada pelas enchentes. Reproduzo trecho daquele texto:

“Com um bem cortado modelito verde, a mesma cor da pedra cravejada nos brincos que os cabelos loiros presos em coque deixaram à mostra, ao voltar de uma rápida viagem a Londres ela visitou uma das áreas mais atingidas pelas enchentes que castigaram a capital paulista durante vários dias. Elegantíssima, pisou com desenvoltura no lamaçal que tomou conta da região de Aricanduva, na Zona Leste, mas, contrariamente ao que costumava acontecer nessas aparições, deu-se mal. Moradores revoltados com as cheias partiram para hostilidades. Marta foi vaiada e chegaram a jogar lama em sua direção, sem atingi-la.”

Marta processou VEJA por causa do título. Lesse o dicionário, veria que “perua”, além de ser a fêmea do peru, também designa a mulher que “que se dá ares de elegante, mas que se veste espalhafatosamente”. Obviamente, a palavra foi empregada com esse sentido. Ela perdeu o processo.

Muito bem! O apreço da agora ministra pela moda, no entanto, é mesmo inquebrantável. Acabo de ler na VEJA desta semana que o estilista Pedro Lourenço poderá captar até R$ 2,8 milhões por intermédio da Lei Rouanet para participar da Semana de Moda em Paris.

Como???

Sim, sim, moda também é cultura e coisa e tal. Mas faz sentido a Lei Rouanet financiar um estilista? VEJA fez uma entrevista com o rapaz. Leiam trechos, com comentários.
VEJA – Por que você resolveu desfilar com dinheiro da Lei Rouanet?
LOURENÇO –
É o começo de uma nova percepção do governo. Tem muita empresa quebrando no Brasil. Se o Cristian Lacroix quebrasse, teria um superincentivo na França. Ele é o que Clô Orozco (morta em março) era aqui. Quando ela quebrou, ninguém olhou.

Comento
Esse rapaz é filho de dois badalados estilistas brasileiros: Reinaldo Lourenço e Glória Coelho. Ele tinha, sei lá, uns sete anos, e já era considerado o Mozart do mundo fashion tupiniquim. Que eu saiba, os pais nunca precisaram de dinheiro público para fazer carreira. Esse cara tem, atenção!, VINTE E DOIS ANOS. Nas ideias, no entanto, tem a idade do atraso e da miséria brasileira. Ele acha que uma das tarefas do governo é socorrer empresas que quebram. Vamos lá: se Pedro Lourenço quebrasse, quantos empregos deixariam de ser gerados no Brasil? Qual seria o prejuízo efetivo dos brasileiros? A esmagadora maioria não poderia comprar as suas roupas ainda que quisesse. Eu sou contra qualquer lei de incentivo, já escrevi aqui, mesmo para a cultura propriamente. Mas vá lá: qualquer brasileiro pode, desde que tenha o gosto para tanto, ouvir um músico de vanguarda que eventualmente conte com apoio oficial. Mas quem pode comprar as roupas do janota enfatuado? Quem tem dinheiro para isso? ATENÇÃO! É LEGÍTIMO QUE OS ENDINHEIRADOS COMPREM O QUE LHES DER NA TELHA! Eu quero saber é por que esse rapaz vai participar de um evento da alta moda em Paris com o dinheiro dos desdentados. A perua enlouqueceu. 

Pedro Lourenço – Ele produz artigos de luxo para os muitos ricos e é bem-sucedido nisso. Por que precisa desfilar em Paris com o dinheiro dos desdentados?

 

Qual será o destino das peças dos seus desfiles financiados pela Lei Rouanet?
Serão destinadas a instituições brasileiras que as guardarão.
Quais?
Você pode entrar em contato com a Juliana aqui do marketing que ela lhe passa o contato da Didi, que está cuidando dessa parte.

Comento
Ah, esse descolamento da vida prática que exibem os gênios, né? Ele só vai ter acesso à grana, gente! É demais querer saber isso tudo. Aí é com a Juliana, que vai falar com a Didi, que… Imagino como era chato quando indagavam Rimbaud ou o jovem Mozart sobre coisas corriqueiras. Esses “enfants terribles” logo se entediam. Não é diferente com Pedrinho. Ele acabou perdendo a paciência com a repórter. Mais um pouco, pegava o seu bodoque. Acompanhem.

Sua roupa é relevante?
Peça de estilista que tem trajetória internacional vai se tornar história no futuro.
Por que acha que sua coligação será história?
Pode se tornar. Olhe, você disse que ia fazer três perguntas e já fez um monte.

Comento
Viram só? Ficou irritado! Quer usar o nosso dinheiro, mas acha que não tem de dar satisfações a ninguém. É, pensando bem, se a Marta aprova, que se dane o povo. Ora, ora… Por que, então, um “estilista de trajetória internacional” precisa do dinheiro público? Folga? Preguiça?

O cantor, compositor e escritor Lobão concede uma entrevista às Páginas Amarelas da VEJA desta semana (depois comento). Entre outras coisas, trata dos descaminhos da Lei Rouanet. Eu também acho que a intenção, na origem, pode até ter sido boa. Mas as consequências são desastrosas para a cultura e para a moralidade pública. A proteção do estado torna preguiçosos os criativos e permite toda sorte de desmandos. Ainda voltarei ao tema. De todo modo, convenham: ninguém esperava algo muito melhor de Marta Suplicy à frente do Ministério da Cultura, não é mesmo? E o pior é que essa nem é a coisa mais estúpida que ela fez na pasta.

A perua endoidou. Como diria Pedro, o estilista, “isso ainda vai se tornar histórico no futuro…”.

Ô se vai!

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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