Na VEJA: Assustada com o livro-bomba, a seita tenta desqualificar o delegado que Lula sempre achou ‘muito respeitado’...

Publicado em 10/12/2013 18:21 e atualizado em 25/02/2014 16:00 4368 exibições
por Augusto Nunes, de veja.com.br

Direto ao Ponto

Assustada com o livro-bomba, a seita tenta desqualificar o delegado que Lula sempre achou ‘muito respeitado’

A esgotosfera transformou-se num tsunami de chiliques depois de confrontada com a reportagem de VEJA que antecipou a péssima notícia para quem tem culpa no cartório: o delegado Romeu Tuma Junior resolveu revelar, num livro de 557 páginas, boa parte do muito que sabe sobre bandalheiras produzidas, dirigidas e/ou protagonizadas por figurões do governo. Nomeado pelo então presidente Lula, Tuminha chefiou por três anos a Secretaria Nacional de Justiça. Demitido em 2010, esperou mais três para revidar com chumbo grosso. Ele conta coisas de que até Deus duvida.

Ainda atarantada com a prisão dos mensaleiros,a seita lulopetista decidiu recorrer à safadeza mais antiga que o Dia da Criação: se faltam aos acusados álibis sustentáveis ou mesmo desculpas esfarrapadas, resta a tentativa de desqualificar o acusador. Engajados na conversa fiada, alguns blogueiros estatizados vêm republicando trechos de artigos em que, apoiado no que afirmavam autoridades federais, defendi o afastamento de Tuma Junior. Nesta segunda-feira, ele reiterou que nenhuma das denúncias prosperou. “Não sofri uma única sanção judicial”, garantiu.

Não tenho compromisso com o erro. Se porventura foi assim, devo desculpas ao delegado. Devo também reconhecer que a razão estava com quem, à época, defendeu Tuminha. Luis Nassif, por exemplo, enxergou outra conspiração na reportagem do Estadão sobre o aparente envolvimento do secretário nacional de Justiça com a máfia chinesa que age em São Paulo. Encabeçada pelo próprio blogueiro, uma lista de vítimas que Nassif qualificou de “assassinato de reputações” incluiu o nome do secretário nacional de Justiça.

Confiram o que Nassif escreveu em 7 de maio de 2010:

“O delegado Romeu Tuma Junior consegue o bloqueio das contas do Opportunity nos Estados Unidos e sugere a utilização dos recursos no Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública). É alvo de um ataque, agora do Estadão, em cima de vazamento seletivo de grampos, apesar de nem o Ministério Público ter encontrado elementos para indiciá-lo. Ou seja, um grampo, que não se sabe de onde surgiu, atribuído à Polícia Federal, sem que esta confirme, é transformado em peça de acusação”.

“É preciso levar em conta a folha de serviços prestados ao país por um delegado muito respeitado”, concordou Lula na época.  ”Ele é um delegado muito experimentado na polícia paulista, na polícia brasileira. É preciso esperar o fim das investigações”. Como as investigações deram em nada, o autor deveria enriquecer a contracapa do livro os testemunhos elogiosos de Lula e Nassif.

Os esclarecimentos e ressalvas acima registrados são necessários, mas irrelevantes. O que importa é o conteúdo estarrecedor do livro-bomba. O essencial é levar adiante as revelações de Tuma Junior, que continuariam exigindo aos berros confirmações ou desmentidos. Mesmo que Tuma Junior fosse um meliante de nascença, mesmo que fosse ele o mandante da morte de Jesus Cristo, o bando de alvejados pelos disparos do delegado continuariam obrigados a explicar-se.

Fatos não são revogados pela biografia de quem os testemunha. Denúncias não são anuladas pelo prontuário de quem as revela. A máfia italiana foi duramente atingida, e tanto o terrorismo de extrema-esquerda quanto o de extrema-direita acabaram desmontados, graças aos depoimentos dos pentitti, ou arrependidos. É compreensível que um ex-mafioso como Tommaso Buscetta tivesse muito mais a dizer sobre a organização criminosa do que o Papa João Paulo II. E o depoimento de um ex-militante do PCC será sempre muito mais revelador que as declarações de uma carmelita descalça.

Se Tuma Junior está mentindo, que seja processado pelas vítimas de falsidades. Se o que diz é verdade, Dilma Rousseff terá de cumprir às pressas a promessa feita por Lula em 2003: construir mais prisões federais. Um puxadinho na Papuda não bastará para abrigar a multidão.

Tags: denúnciasDilma RousseffLuis NassifLulaPTTuma JúniorTuminha

 

Direto ao Ponto

Tuma Junior abre o baú (1): As fotos provam que o autor do livro-bomba foi agente do Dops. A esgotosfera mentiu em coro

Num dos trechos da entrevista a VEJA, o repórter Robson Bonin lembra a Romeu Tuma Junior que, no livro Assassinato de Reputações, o delegado afirma que o ex-presidente Lula foi informante da ditadura. “É uma acusação muito grave”, ressalva o entrevistador. Segue-se a resposta:

Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. O que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai, Presenciei tudo. Conto esses fatos agora até para demonstrar que a confiança que o presidente tinha em mim no governo, quando me nomeou secretário nacional de Justiça, não vinha do nada. Era muito tempo. O Lula era informante do meu pai no Dops.

No minuto seguinte, blogueiros estatizados começaram a desmentir aos berros a declaração, garantindo que Tuma Junior não tinha idade para ser agente do Dops em 1980. Nesta segunda-feira, Reinaldo Azevedo informou que Tuminha nasceu em 1960, não em 1963. As fotos abaixo mostram quem mentiu.

Caderno fotos 01-2

Com o presidente João Baptista Figueiredo na antiga Ala Oficial, hoje Pavilhão do Aeroporto de Congonhas – São Paulo, 1981

Caderno fotos 01-3

Na porta do Dops, acompanhando o casal Lula da Silva, a pedido de meu pai, como guarda-costas do mais ilustre hóspede que por ali passou – São Paulo, maio de 1980

Caderno fotos 01-4

Em operação do Dops, no início da década de 1980. Ao fundo, veem-se os dois agentes que, por ordem do Tumão, acompanharam Lula em sua visita secreta à mãe, Dona Lindu: Armando está à esquerda e Oswaldo à direita (ambos com bigode)

Caderno fotos 01-5

O autor deste livro na mesma operação do Dops

Caderno fotos 01-6

No Dops paulista, comemorando o 47o aniversário do Tumão na sala em que Lula dormiria quando ficou “preso” – Outubro de 1978

Tags: DOPSfotosLulaO baú de Tuma JuniorTuma JúniorVeja

 

Direto ao Ponto

Tuma Junior abre o baú (2): O documento sobre a conta do mensalão nas Ilhas Cayman que o ministro da Justiça não quis investigar

“Eu descobri a conta do mensalão nas Ilhas Cayman mas o governo e a Polícia Federal não quiseram investigar”, afirmou Romeu Tuma Junior, na entrevista a VEJA. “Quando entrei no DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), encontrei engavetado um pedido de cooperação internacional do governo brasileiro às Ilhas Cayman para apurar a existência de uma conta do José Dirceu no Caribe. Nesse pedido, o governo solicitava informações sobre a conta não para investigar o mensalão, mas para provar que o Dirceu tinha sido vítima de calúnia, porque a VEJA tinha publicado uma lista do Daniel Dantas com contas dos petistas no exterior. O que o governo não esperava é que Cayman respondesse confirmando a possibilidade de existência da conta. Quer dizer: a autoridade de Cayman fala que está disposta a cooperar e aí o governo brasileiro recua? É um absurdo”.

O documento abaixo reproduzido mostra parte da resposta enviada das autoridades das Ilhas Cayman à consulta feita pelo Ministério da Justiça. Se o governo queria efetivamente saber se existiam as contas reveladas por Daniel Dantas, ficou subentendido que havia pelo menos uma: a de José Dirceu. O ministério desistiu de seguir adiante com as investigações.

Doc Cayman_Alta

Tags: Daniel DantasIlhas CaymanJosé DirceuMinistério da JustiçaO baú de Tuma JuniorRomeu Tuma Júnior

 

Opinião

Reynaldo-BH: O PT tem a obrigação de assumir que é um partido comunista

REYNALDO ROCHA

Passou da hora de se chamar as coisas pelo nome. De dar nomes aos bois.

Nos últimos dez anos, o PT se disfarçou de partido democrático. Como gato, deixa o rabo de fora. Não é. Nunca foi.

documento que orientará o debate sobre suas posições pragmáticas é a prova inconteste de que é, sim, um partido stalinista.

Hoje, ser stalinista é ─ no mundo civilizado ─ uma pesada acusação. Por aqui, um orgulho para os lulopetistas.

No documento citado (para ler, é preciso tempo e estômago), o objetivo declarado é alcançar o socialismo do século XXI. O mesmo de Chávez, Evo Morales e outros populistas de boutique. Não se sabe o que venha a ser isso. Há UM (somente UM) documento ─ de um pesquisador americano (SIM!, dos USA!) ligado à Fundação Rosa de Luxemburgo ─ apoiando esta aberração.

E mesmo nesse texto ─ insisto, o ÚNICO  ─ o socialismo do século XXI é criticado. Pelos fatos posteriores ao paper.

Agora o PT assume a junção entre partido e governo: É fundamental mostrar como essas mudanças fazem parte de um projeto mais amplo de transformação da sociedade brasileira. Temos de evitar a autocomplacência, a perda de perspectiva crítica e analisar os obstáculos que se colocam à ação governamental e partidária.

Ataca o Judiciário: O sistema judicial, lento, elitista e pouco transparente tem sido igualmente permeado por interesses privados.

E expõe, cristalinamente, o que deseja para o Brasil: o controle absoluto dos meios de produção.

Ou seja, a ideologia comunista ─ a mesma que rege Cuba e Coreia do Norte: A agenda é vasta e complexa e envolve a discussão de formas de propriedade e de organização da economia, inclusive a democratização do espaço fabril e de todos os locais de trabalho. Envolvem, também, a democratização e socialização da política, mudanças radicais na esfera da cultura e no cotidiano, sob a égide da mais ampla liberdade e do respeito dos Direitos Humanos.

Precisa ser mais claro? Além do controle social da mídia, dos investimentos na impressa dita progressista, no aparelhamento do estado, na luta de nós e eles, temos agora a “democratização do espaço fabril e de TODOS os locais de trabalho”.

Sim, todos! Redações, escritórios, empresas privadas, universidades, associações e qualquer outro vetor da economia.

Que nome se pode dar a este delírio? Democracia? Sindicalismo à moda de Fidel? Ou controle da produção ao formato do socialismo bolivariano de Chávez?

Quem ousar criticar o DOCUMENTO OFICIAL nascido do PT será designado como direitista raivoso com receio de comunistas?

Antes, não seria HONESTO (minimamente) que os lulopetistas assumissem a posição ideológica explicitada no documento oficial? Assim poderia ─ sem ser rotulado ─ combater tais ideias bolorentas e do século XIX.

Não tenho (nunca tive) qualquer receio de comunistas. São risíveis e patéticos. Escondem a sujeira debaixo do tapete da história que eles mesmos tentam reescrever.

Mas há outra história: a verdadeira. Fatos, dados e números. Filosofia e sociologia. E até antropologia para explicar estranhas espécimes que se fossilizaram e tentam retornar à vida.

Que tenham coragem de se assumir publicamente, não em documentos oficiais para uso interno.

Eu sou contra o comunismo, assim como sou contra o fascismo.

Basta a mim que os comunistas se assumam como tal.

E saiam da barra da saia do PT bolivariano para a luz do dia.

Que sejam, por um único momento, decentes para assumirem suas próprias escolhas.

Eu assumo as minhas. E entre elas está a rejeição ─ reforçada por este panfleto bolorento ─ ao PT.

Tags: comunismoPTReynaldo RochaReynaldo-BHstalinismo

 

Opinião

‘Triênio para esquecer’, um texto de Marco Antônio Villa

Publicado no Blog do Marco Antônio Villa

MARCO ANTONIO VILLA

É muito difícil encontrar na história brasileira um triênio presidencial com resultados tão pífios como o da presidente Dilma Rousseff. Desde a redemocratização de 1985, o único paralelo possível é com o triênio de Fernando Collor, que conseguiu ser pior que o da presidente. Em dois dos três anos houve recessão (1990 e 1992).

Mas Collor encontrou um país destroçado. Recebeu o governo com uma inflação anual de 1.782%, as contas públicas em situação caótica e uma absoluta desorganização econômica.

Dilma assumiu a presidência com um crescimento do PIB de 7,5%. Claro que o dado puro é enganoso. Em 2009 o país viveu uma recessão. Mas o poder de comunicação de Lula foi tão eficaz que a taxa negativa de 0,2%, deu a impressão de crescimento ao ritmo chinês — naquele ano, a China cresceu 8,7%.

No campo da ética, o triênio foi decepcionante. Nos dois primeiros anos, a presidente bem que tentou assumir um discurso moralizador. Seus epígonos até cunharam a expressão “faxineira”. Ela iria, sem desagradar a seu criador, limpar o governo de auxiliares corruptos, supostamente herdados de Lula.

Fez algumas demissões. Chegou até a entusiasmar alguns ingênuos. Logo interrompeu as ações de limpeza e, mais importante, não apurou nenhuma das denúncias que levaram às demissões dos seus auxiliares. Todos — sem exceção — continuaram livres, leves e soltos. E mais: alguns passaram a ser consultores de fornecedores do Estado. Afinal, como conheciam tão bem o caminho das pedras….

Sem carisma e liderança, restou a Dilma um instrumento poderoso: o de abrir as burras do Tesouro para seus aliados. E o fez sem qualquer constrangimento. As contas públicas foram dilaceradas e haja contabilidade criativa para dar algum ar de normalidade.

Todos os programas do seu triênio fracassaram. Nenhum deles conseguiu atingir as metas. Passou três anos e não inaugurou nenhuma obra importante como um aeroporto, um porto, uma estrada, uma usina hidrelétrica. Nada, absolutamente nada.

O método petista de justificar a incompetência sempre foi de atribuir ao antecessor a culpa pelos problemas. É construído um discurso que sataniza o passado. Mas, no caso da presidente, como atribuir ao antecessor os problemas? A saída foi identificar os velhos espectros que rondam a história brasileira: os Estados Unidos, o capitalismo internacional, o livre mercado.

A política externa diminuiu o tom panfletário, que caracterizou a gestão Celso Amorim. Mas a essência permaneceu a mesma. O sentido antiamericano — cheirando a naftalina — esteve presente em diversas ocasiões. Em termos comerciais continuamos amarrados ao Mercosul, caudatários da Argentina e, quando Chávez vivia, da Venezuela (basta recordar a suspensão do Paraguai). Insistimos numa diplomacia Sul-Sul fadada ao fracasso. No triênio não foi assinado sequer um acordo bilateral de comércio.

A política de formar grandes grupos econômicos — as empresas “campeãs nacionais” — teve um fabuloso custo para o país: 20 bilhões de reais. E o BNDES patrocinou esta farra, associado aos fundos de pensão das empresas e bancos públicos. Frente à burguesia petista, J.J. Abdalla, o famoso mau patrão, seria considerado um exemplo de honorabilidade e eficiência.

A política de energia ficou restrita à manipulação dos preços dos combustíveis fornecidos pela Petrobras. Enquanto diversos países estão alterando a matriz energética, o Brasil ficou restrito ao petróleo e apostando na exploração do pré-sal, que poderá se transformar em uma grande armadilha econômica para o futuro do país.

A desindustrialização foi evidente. Nos últimos três anos o país continuou sem uma eficaz política industrial. Permaneceu dependente da matriz exportadora neocolonial, que gerou bons saldos na balança comercial, porém desperdiçando bilhões de reais que poderiam ser agregados ao valor das mercadorias exportadas.

O Ministério da Defesa sumiu do noticiário. Celso Amorim, tão falante quando estava à frente do ministério das Relações Exteriores, é uma espécie de titular fantasma. Pior, continuamos sem política de defesa, e as Forças Armadas estão muito distante do cumprimento das suas atribuições constitucionais. Sem recursos, sem treinamento, sem equipamento — sempre aguardando o recebimento da última sucata descartada pelos europeus e americanos.

A equipe ministerial ajuda a explicar a mediocridade do governo. Quem se arriscaria citar o nome de cinco ministros? Quem é o ministro dos Portos? E o da Integração Nacional? Alguém sabe quem é o ministro da Agricultura?

A presidente recebeu o governo com 38 ministérios. Não satisfeita com o inchaço administrativo, criou mais: o da micro e pequena empresa, tão inexpressivo que sequer possui um site.

Se as realizações do triênio são pífias, é inegável a eficiência da máquina de propaganda. O DIP petista deixou seu homônimo varguista no chinelo. De uma hora para outra, segundo o governo, o Brasil passou a ter mais 20 milhões de pessoas na classe média. Como? Tal movimento é impossível de ter ocorrido em tão curto espaço de tempo e, mais importante, com uma taxa de crescimento medíocre. Mas a repetição do “feito” transformou a fantasia estatística em realidade econômica.

Dilma Rousseff encerra seu triênio governamental melancolicamente. Em 2012, o crescimento médio mundial foi de 3,2% e o dos países emergentes de 5,1%. E o Brasil? A taxa de crescimento não estava correta. A “gerentona” exigiu a revisão dos cálculos. O PIB não cresceu 0,9%. O número correto é 1%! Fantástico.

Tags: BrasilCelso Amorimclasse médiaDilma RousseffFernando CollorLula,Marco Antonio Villapolítica econômicatriênio

 

Opinião

‘Pensando em 2022′, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta segunda-feira

Lula prevê que o PT ainda estará no poder em 2022, na comemoração do segundo centenário da Independência. Como se sabe, o ex-presidente que imagina ter transformado o Brasil num país maravilhoso é extremamente confiante em seu poder de encantar as massas, habilidade da qual já deu provas suficientes. Mesmo assim, considerando que as perspectivas de curto e médio prazos na área da economia não são entusiasmantes e colocam em risco a possibilidade de sustentar por muito tempo o sentimento de prosperidade que bem ou mal ainda perdura e resulta na ampla aprovação popular ao governo petista, fica no ar a pergunta: afinal, o que Lula tem em mente quando está “pensando no Brasil de 2022″, como declarou na semana passada, na presença de Dilma Rousseff, ao receber seu 26.º título de doutor honoris causa, na Universidade Federal do ABC?

Populista competente e estritamente pragmático, como na verdade sempre foi, desde os tempos de sua militância sindical, Lula sabe muito bem que é preciso dizer o que o povo quer ouvir. Bolsa Família e promoção de 40 milhões de brasileiros à classe média já não são mais novidade. Ao contrário, são conquistas a esta altura com toda razão consideradas direito adquirido. O brasileiro quer mais. Mas quer, sobretudo, garantir o que já conquistou. E ninguém, nem o mais otimista manipulador de índices econômicos ou formulador de contabilidade criativa põe a mão no fogo pelo que se pode esperar mais à frente.

Nas voltas que o mundo dá, a surpreendente e ruidosa mudança de comportamento de Lula e do PT a respeito do mensalão pode fornecer uma pista sobre o que ele tem na cabeça quando pensa no futuro.

Apesar de arreganhos esporádicos e isolados durante todo o longo processo de julgamento do mensalão e o ano inteiro que precedeu à decretação das primeiras prisões e o encarceramento de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares (os demais para eles não interessam), Lula e seu partido (incluindo, principalmente, a equipe do governo Dilma), mantiveram uma atitude rigorosamente discreta a respeito do processo. Era um comportamento que parecia se justificar pela suposição de que, às vésperas do próximo pleito presidencial, era mais prudente fingir que nada estava acontecendo, varrer o lixo para debaixo do tapete, de modo a não contaminar a campanha pela reeleição de Dilma. Afinal, o povo tem memória curta e quanto mais cedo parar de falar de mensalão, melhor.

Mas, a partir de 15 de novembro, quando a trinca de líderes petistas foi colocada atrás das grades, tudo mudou. Talvez contrariando o que Lula e o comando partidário deles esperavam, Dirceu e Genoino, declarando-se “presos políticos”, promoveram uma ruidosa espetacularização política do episódio, em que não faltaram a exibição de punhos revolucionariamente cerrados, além da exploração das condições de saúde de Genoino. Foi o que bastou para botar fogo na militância, que explodiu nas redes sociais em manifestações de indignados protestos contra a “injustiça” cometida por uma Suprema Corte em que 8 de seus 11 integrantes foram nomeados pelos governos petistas.

Até então, o assunto mensalão estava oficialmente interditado no PT. Agora, virou tema do 5.º Congresso do partido que se reunirá a partir do dia 12 em Brasília. Com a participação de Lula, haverá um “ato de desagravo” aos “companheiros injustiçados”. Será o partido no poder declarando guerra a um dos Poderes do Estado.

A guerra, contudo, terá um objetivo mais amplo e difuso, um inimigo mais “poderoso”, normalmente referido como “eles” ou a “elite”, onde se enquadram a “mídia de direita” os “detentores do poder econômico” (exceto, é claro, os empresários amigos escolhidos pelo governo para se tornarem “campeões”) e todos aqueles que não são petistas.

Esses são o inimigo. E essa gente má pode muito mais do que condenar injustamente companheiros amigos do povo. Pode sabotar a economia, acabar com o Bolsa Família e fazer muitas outras malvadezas. Contra essa gente má é que Lula está pensando em 2022. É mais do mesmo, claro. Mas, até agora, funcionou.

Tags: Bolsa FamíliaDelúbio SoaresDilma RousseffEstadãoJosé DirceuJosé GenoínoLulamensalãoPT

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Fonte:
Blog de Augusto Nunes (de VEJA)

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1 comentário

  • DALMO HENRIQUE FRANCO SILVA Dourados - MS

    Bom dia a todos!

    A semana passada eu postei um comentário aqui, e até parece que estava prevendo o que realmente aconteceu e acontece nos bastidores do poder.Se todos nós, produtores ou não,não deixarmos de verificar apenas se a bolsa vai subir ou não para realizarmos nossos lucros, e não discutirmos um pouco a atual conjuntura do país e seus desdobramentos, estaremos em pouco tempo fadados a vivermos em uma ditadura civil como nunca visto nem em país árabe dominados pelos magnátas do petróleo.VAMOS ACORDAR E DEIXAR DE OLHAR PARA O PRÓPRIO UMBIGO,TEMOS POUCO TEMPO,ou nimguém está vendo o que está acontecendo?

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