Os decapitados de Roseana também são os decapitados do PT. Ou: Ainda o silêncio vergonhoso de Maria do Rosário, José Eduardo Car

Publicado em 06/01/2014 20:59 e atualizado em 26/02/2014 16:07 1455 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Os decapitados de Roseana também são os decapitados do PT. Ou: Ainda o silêncio vergonhoso de Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo e… Dilma

Os decapitados da governadora Roseana Sarney também são os decapitados do PT, o que explica o silêncio vergonhoso de Maria do Rosário, Ministra dos Direitos Humanos, e José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, a quem está subordinado o sistema penitenciário nacional.

Pouco destaque se dá ao fato, mas o PT elegeu o vice-governador na chapa encabeçada por Roseana. A composição foi uma imposição de Luiz Inácio Apedeuta da Silva. O petista Washington Luiz era o vice-governador até novembro do ano passado. Renunciou para assumir uma vaga no Tribunal de Constas do Estado. Deu-se bem: arrumou um emprego permanente até os 70 anos….

No Maranhão das decapitações, o PT é poder, o que explica o silêncio dos companheiros, inclusive da companheira Dilma Rousseff. Por muito menos, essa gente já falou pelos cotovelos. Lembremo-nos da gritaria quando se deu a tal desocupação do Pinheirinho, em São Paulo. A Polícia Militar cumpria uma decisão judicial. Os extremistas de esquerda infiltrados entre os moradores incitaram o confronto com a Polícia. Um assessor do ministro Gilberto Carvalho estava na turma.

Maria do Rosário falou.
José Eduardo Cardozo falou.
Gilberto Carvalho falou.
Dilma falou — achou a desocupação uma “barbárie”.

Felizmente, ao contrário do que alardearam petistas e afins, não morreu ninguém na operação. Denúncias de maus-tratos e espancamentos vieram a se provar falsas. Em Pedrinhas, no entanto, é tudo verdade. Os petistas não disseram um “a”. Dilma não deve achar aquilo… barbárie!

O governo do Maranhão comentou, sim, o vídeo que exibe as decapitações. Por incrível que pareça, numa nota que espanca o bom senso e a língua, preferiu criticar a divulgação das imagens. Numa nota, disparou o seguinte:
“Divulgar esse tipo de gravação é repudiante, pois só corrobora com uma ação no mínimo criminosa, com apelo sensacionalista e que fere todos os preceitos dos direitos humanos e as leis de proteção ao cidadão e à família [dos detentos mortos], que se vê novamente diante de uma exposição brutal”.

Repudiante? O valente que redigiu esse troço pode ter querido dizer “repugnante”.

O Maranhão desafia a lógica e o bom senso. Há estiagens, sim, no Estado — neste ano, inclusive, 81 municípios sofrem com a falta de chuvas. Mas não há a seca propriamente. Não obstante, como demonstrou reportagem da VEJA.com, está em penúltimo lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano. Só ganha de Alagoas. E tem, atenção!, a menor renda per capita do país: apenas R$ 348 reais. Só 4,5% dos 217 municípios do estado contam com rede de esgoto. Segundo o IBGE, 20,8% dos maranhenses são analfabetos.

Por que evocar esses dados num texto que trata da decapitação de detentos? Porque tanto esse show de horrores como os dados sociais do estado remetem a uma mesma questão: a verdadeira tragédia do Maranhão não está na geografia; a verdadeira tragédia do Maranhão não está no clima; a verdadeira tragédia do Maranhão não está na natureza. O mal do Maranhão muda de prenome, mas não muda de sobrenome. Chama-se Sarney.

O homem está no poder, no Estado, pessoalmente ou por intermédio de prepostos, desde 1966. Só a ditadura dos Irmãos Castro, em Cuba, é mais longeva, Sarney também construiu a sua ilha de atraso. Nestes 48 anos em que o Estado está sob a gestão da família, sucessivos governos se encarregaram de transformar a vida da população numa rotina de pobreza e desesperança.

Mas vocês não precisam acreditar em mim. Acreditem na voz do patriarca. Em dezembro, ele concedeu uma entrevista à Rádio Mirante, que pertence à sua família. Em um ano, 59 detentos já haviam sido assassinados. O homem disse esta preciosidade: “Aqui no Maranhão, nós conseguimos que a violência não saísse dos presídios para a rua”.

Graaande pensador! Como se nota, ele conseguia ver algo de positivo naquelas ocorrências trágicas. Os detentos devem ter ouvido a sua ladainha macabra e ordenaram aos “companheiros” que estavam nas ruas que botassem o terror na população. A menina Ana Clara Santos Souza, de 6 anos, morreu às 6h45 de segunda-feira no Hospital Estadual Infantil Juvêncio Matos, em São Luís. Ela teve 95% do corpo queimado em um ataque a um ônibus ocorrido no dia 3. A ordem para atacar os ônibus saiu… dos presídios para as ruas.

Não creio que Dilma tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Maria do Rosário tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que José Eduardo Cardozo tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Gilberto Carvalho tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.

Os petistas só são defensores fanáticos dos direitos humanos no quintal dos adversários

Por Reinaldo Azevedo

 

A barata carne preta e pobre. Ou: O silêncio intelectualmente criminoso da OAB

Quando pobre resolve ser o Robespierre de pobre num presídio infecto do Maranhão, a OAB não tá nem aí, não dá a mínima, dá de ombros, olha para o outro lado. ONGs que se dizem especializadas em direitos humanos — a maioria se dedica mesmo e ao proselitismo ideológico e vive pendurada nas tetas do governo — também se calam. São humanistas de fachada.

No caso da OAB, a coisa é mais grave. O Painel da Folha desta quarta informa que Marcos Vinícius Coelho, presidente da entidade, foi advogado da governadora Roseana Sarney (PMDB) no TSE. Contam-me que a relação entre ambos é de amizade mesmo — e não há mal nenhum nisso. O que é politicamente criminoso — só politicamente, viu, doutor? — é o silêncio a respeito da barbárie.

E vejam vocês quem silencia! A OAB foi a entidade mais saliente na defesa dos delinquentes fantasiados de “black blocs”. Vagabundos mascarados que saíam às ruas para depredar prédios públicos e privados, para incendiar, para quebrar, para enfrentar a polícia no muque, bem, estes sempre tinham, especialmente no Rio, um advogado da OAB a tiracolo.

Onde está Wadih Damous, presidente do Conselho de Direitos Humanos da entidade? Sim, no Facebook e a sites ligados à área jurídica, ele andou classificando as ocorrências de inaceitáveis; chamou tudo aquilo de “barbárie”. Correto. Mas só isso? Comparem a saliência no doutor na defesa dos black blocs com a descrição de agora.

Há muitos anos, como sabem os leitores mais antigos, afirmo que a má consciência dita “progressista” no Brasil distingue dois tipos de agressão aos direitos humanos: as praticadas contra pessoas com pedigree ideológico e as praticadas contra homens comuns, que não tem o “selo de qualidade militante”.

Se o sujeito é ligado a algum ente de esquerda, a algum grupo militante, a algum dito “movimento social”, então tudo lhe é permitido. Chama-se “agressão” até mesmo a justa repressão ao crime que eventualmente pratique. Se, no entanto, é apenas um homem comum — ou, se quiserem, um bandido comum —, aí ninguém dá a menor pelota. Num outro post, tratarei com mais vagar dessa impostura.

De fato, o que se passa no Maranhão nem chega a ser novo, nem chega a ser inédito. Numa rebelião no mesmo complexo de Pedrinhas, em 2011, nada menos de 14 presos foram decapitados; outros morreram em razão de mutilações várias. A novidade, desta feita, é que um vídeo veio a público. E se pôde ter, então, clareza, digamos, empírica do horror.

A OAB está ocupada
Entendo. A OAB está muito ocupada, não é mesmo? No momento, está tentando proibir o financiamento privado de campanha, num esforço — espero que involuntário — para jogar o sistema político brasileiro na clandestinidade. Não tem tempo para — lá vou eu a citar quem me detesta — “pretos de tão pobres e pobres de tão pretos” que decapitam os de sua própria espécie.

Se são iguais, eles que se entendam, certo? A boa má-consciência progressista não tem nada com isso.

Por Reinaldo Azevedo

 

Colapso nas cadeias do Maranhão reflete décadas de gestão da família Sarney

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A sequência de horror registrada nos últimos vinte dias no Maranhão chocou até mesmo uma sociedade já acostumada ao noticiário de crimes brutais. O banho de sangue, com imagens de presos decapitados e esquartejados na penitenciária de Pedrinhas, na Grande São Luís, já deixou 62 detentos mortos no período de um ano. O retrato da barbárie nas cadeias maranhenses inclui ainda estupros de familiares de presidiários nos dias de visitas íntimas. Na última sexta-feira, a selvageria ultrapassou os muros do presídio: ataques a ônibus e delegacias espalharam terror nas ruas de São Luís. Uma criança de 6 anos morreu queimada. O criminoso obedecia a uma ordem de dentro do presídio de Pedrinhas.

Políticos costumam culpar os antecessores pelos problemas crônicos enfrentados por suas gestões. Mas a governadora Roseana Sarney (PMDB), no quarto mandato no Maranhão, não poderá fazê-lo: com exceção de um período de dois anos, o Estado é governado desde 1966 pelos integrantes do clã político de José Sarney. O único revés do grupo ocorreu em 2006, quando Jackson Lago (PDT) derrotou Roseana nas urnas. Mas ele só resistiu até o começo de 2009, dois anos depois da posse: a Justiça Eleitoral tirou o cargo do pedetista sob a acusação de compra de votos. Roseana herdou o mandato, e venceu também as eleições de 2010.

 Sarney nunca fez oposição a um presidente da República: apoiou a ditadura militar enquanto lhe interessou e foi pulando de barco até firmar a improvável aliança com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Dos dois, recebe deferências – e o poder de nomear afilhados em órgãos importantes da administração federal. Enquanto isso, os maranhenses convivem com um cenário desolador: segundo dados do Atlas do Desenvolvimento, o Estado tem o penúltimo lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), à frente apenas de Alagoas. A renda per capita, de 348 reais, é a menor do país. Apenas 4,5% dos municípios do estado têm rede de esgoto.

 Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20,8% dos maranhenses eram analfabetos em 2012. Pior: o número significa um aumento em relação a 2009, quando 19,1% da população não sabiam ler e escrever. Ou seja, durante o governo de Roseana, a situação se agravou – o Maranhão foi o único Estado do Nordeste que regrediu no período.

Um dos poucos índices nos quais o Maranhão não se destacava negativamente no plano nacional era a violência. Mas, como mostra o episódio de Pedrinhas, isto também é passado: entre 2000 e 2010, a taxa de mortes por armas de fogo no Estado subiu 282%. O surgimento de facções criminosas tornou mais evidente o fracasso do governo nessa questão. O governo do Estado falhou ao evitar o conflito sangrento entre criminosos encarcerados e novamente depois, ao tentar debelá-lo. Por fim, receberá ajuda do governo federal para resolver a situação, com a transferência de detentos para outras unidades prisionais do país.

O Maranhão já era pobre quando Sarney assumiu o poder. E sabe-se que não é fácil resolver o problema do subdesenvolvimento crônico. Mas, em 2014, isso já não pode ser usado como desculpa.

Por Reinaldo Azevedo

 

Petições na Internet pedem que mensaleiros sejam transferidos para Pedrinhas, no Maranhão

Correm na Internet petições para que os mensaleiros sejam transferidos para o presídio de Pedrinhas, no Maranhão, capitania hereditária governada pela Família Sarney, a oligarquia que soube se reciclar e que passou a falar, assim, com um sotaque bem companheiro.

É evidente que ninguém — ou, vá lá, quase ninguém — pretende a sério que os corruptos ativos e passivos, peculatários e quadrilheiros sejam decapitados. Seria um desejo estúpido. Aliás, por mais que a maldade em estado puro — e ela pode existir, acreditem — tenha se manifestado no Maranhão, o que aquela gente merece é cumprir a pena a que foi condenada segundo o que lhe assegura a lei.

O gracejo um tanto macabro, no entanto, nos diz muito destes dias. Todos vimos o escarcéu feito pelos mensaleiros e seus porta-vozes na imprensa, nas redes sociais e na subimprensa financiada por estatais. Parecia que aqueles patriotas estavam sendo condenados ao inferno quando ganharam a sua vaguinha na Papuda, especialmente preparada para receber hóspedes ilustres.

Até então, as condições em que se amontoavam e se amontoam os mais de 500 mil presidiários não mobilizavam ninguém. Jamais me esqueço de uma resposta dada por Lula, quando confrontado com a falta de investimento do governo federal em presídios. Segundo disse, ele preferia erguer escolas, como se uma coisa pudesse substituir a outra.

Na essência da resposta, o viés estúpido que pretende associar pobreza e ignorância à violência, como se os pobres e ignorantes fossem também destituídos de moral, o que é uma tese falaciosa. Entre o desídia e a mistificação ideológica, a questão dos presídios foi deixada de lado. Como observei em texto desta manhã, em 2013, o governo federal desembolsou para o setor menos do que em 2012.

E assim foram se constituindo as sucursais do inferno Brasil afora. Investir na reclusão em condições humanamente aceitáveis custa caro e talvez não renda assim tantos votos. Eis uma razão por que, ao contrário do que querem alguns militantes, prende-se pouco no Brasil — no Maranhão, como vimos, menos do que em qualquer outro estado.

Os presidiários só ganharam um lugarzinho na pauta quando os companheiros estrelados foram condenados a passar uma temporada atrás das grades. A diferença entre Pedrinhas e a Papuda de Dirceu é maior do que a separa o inferno do céu.

Quando se faz então o motejo, ainda que tendo eventos trágicos como referência, para que os mensaleiros sejam transferidos para o presídio maranhense, o que se quer é chamar a atenção para essa diferença.

Sim, o desejo civilizado é que todos os presos brasileiros contem com parte ao menos das garantias de que dispõem os corruptos ativos, os corruptos passivos, os peculatários e os quadrilheiros do mensalão. O bom voto é que se nivelem por cima as condições dos presídios, pouco importando quão baixo desceram os condenados.

Por Reinaldo Azevedo

 

Texto apócrifo em página do PT chama Eduardo Campos de “tolo”

Em sua página no Facebook, o PT publicou um texto, sem assinatura, em que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é chamado de “tolo”. Segundo o PT, o pré-candidato do PSB à Presidência não tem “projeto, conteúdo nem compostura”.

O texto diz ainda que ele migrou “para a direita”, aliando-se a Marina Silva, tratada como o “ovo da serpente”. A agressão vai mais longe. Segundo os petistas, Campos é produto dos investimentos que o governo federal fez em Pernambuco. Depreende-se da leitura do libelo acusatório que o governador não tem mérito nenhum por liderar uma das gestões mais bem-avaliadas do Brasil. Tudo seria obra do PT e, muito especialmente, de Lula.

O artigo chama os investimentos federais em Pernambuco de “boa vontade dos governos do PT”. Até parece que o dinheiro não é público, mas propriedade do partido. Está na cara que o objetivo é colar em Campos a pecha de “traidor”.

O ataque é desfechado no momento em que crescem as possibilidades de que Marina Silva venha mesmo a ser a vice de Eduardo Campos. Os petistas não gostariam de ver a ex-ministra na disputa. Nas simulações de voto em que aparece como candidata do PSB, ela fica em segundo lugar.

O texto foi escrito para ser replicado na Internet e iniciar a campanha para desmoralizar o pré-candidato do PSB. Eis o PT. Revejam o vídeo abaixo. Lula aparece sobre o palanque em dois momentos. Em 2000, Roseana Sarney era apontada como pré-candidata do então PFL à Presidência. Ocupava o primeiro lugar nas pesquisas. O chefão petista a esculhambava impiedosamente, atacando também seu pai, José Sarney. O segundo momento se deu em 2006. Lula estava disputando a reeleição e fazia um comício no Maranhão, ao lado de Roseana, que já havia se aliado a ele em 2002. Aí a mulher já tinha virado heroína.

A ex-inimiga Roseana acabou virando amiga do peito. Já o ex-amigo do peito Eduardo Campos acabou virando inimigo. Os petistas não dão a menor bola para a biografia de seus adversários ou de seus aliados, como bem sabe Paulo Maluf. O petismo classifica as pessoas em heroínas ou bandidas na exata medida em que servem ou não servem a seu projeto.

E é bom Eduardo Campos se preparar. A campanha mal começou. Já dei início aqui à contagem regressiva para que estoure um suposto grande escândalo no governo de Pernambuco. A esta altura, o mercado de dossiês apócrifos já está bastante agitado.

O PT não vê mal nenhum em enlamear a honra de ex-amigos e em funcionar como lavanderia de reputações de ex-inimigos.

Como vocês bem sabem, Eduardo Campos está longe de ser um político da minha predileção, mas o texto apócrifo é mistificador e covarde. Sem contar que parece ter restado a óbvia sugestão de que Lula premiava com dinheiro público a fidelidade de um aliado.

Leiam a íntegra:

A BALADA DE EDUARDO CAMPOS

Por um momento, desses que enchem os incautos de certezas, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, achou que era, enfim, o escolhido.

Beneficiário singular da boa vontade dos governos do PT, de quem se colocou, desde o governo Lula, como aliado preferencial, Campos transformou sua perspectiva de poder em desespero eleitoral, no fim do ano passado.

Estimulado pelos cães de guarda da mídia, decidiu que era hora de se apresentar como candidato a presidente da República –sem projeto, sem conteúdo e, agora se sabe, sem compostura política.

O velho Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos, faz bem em já não estar entre nós, porque, ainda estivesse, morreria de desgosto.

E não se trata sequer da questão ideológica, já que a travessia da esquerda para a direita é uma espécie de doença infantil entre certa categoria de políticos brasileiros, um sarampo do oportunismo nacional. Não é isso.

Ao descartar a aliança com o PT e vender a alma à oposição em troca de uma probabilidade distante –a de ser presidente da República–, Campos rifou não apenas sua credibilidade política, mas se mostrou, antes de tudo, um tolo.

Acreditou na mesma mídia que, até então, o tratava como um playboy mimado pelo “lulo-petismo”, essa expressão também infantilóide criada sob encomenda nas redações da imprensa brasileira.

Em meio ao entusiasmo, Campos foi levado a colocar dentro de seu ninho pernambucano o ovo da serpente chamado Marina Silva, este fenômeno da política nacional que, curiosamente, despreza a política fazendo o que de pior se faz em política: praticando o adesismo puro e simples.

Vaidosa e certa, como Campos, de que é a escolhida, Marina virou uma pedra no sapato do governador de Pernambuco, do PSB e da triste mídia reacionária que em torno da dupla pensou em montar uma cidadela.

Como até os tubarões de Boa Viagem sabem que o objetivo de Marina é se viabilizar como cabeça da chapa presidencial pretendia pelo PSB, é bem capaz que o governador esteja pensando com frequência na enrascada em que se meteu.

Eduardo Campos é o resultado de uma série de medidas que incluem a disposição de Lula em levar para Pernambuco a Refinaria Abreu e Lima, em parceria com a Venezuela, depois de uma luta de mais de 50 anos. Sem falar nas obras da transposição do Rio São Francisco e a Transnordestina. Ou do Estaleiro Atlântico Sul, fonte de empregos e prestígio que Campos usou tão bem em suas estratégias eleitorais.

Pernambuco recebeu 30 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, do qual a presidenta Dilma Rousseff foi a principal idealizadora e gestora.

O estado também ganhou sete escolas técnicas federais, além de cinco campi da Universidade Federal Rural construídos para melhorar a vida do estudante do interior.

Eduardo Campos cresceu, politicamente, graças à expansão de programas como Projovem, Samu, Bolsa Família, Luz para Todos, Enem, ProUni e Sisu. Sem falar no Pronasci, que contribuiu para a diminuição da criminalidade no estado, por muito tempo um dos mais violentos do País.

Campos poderia ser grato a tudo isso e, mais à frente, com maturidade e honestidade política, tornar-se o sucessor de um projeto político voltado para o coletivo, e não para o próprio umbigo.

Arrisca-se, agora, a ser lembrado por ter mantido entre seus quadros um secretário de Segurança Pública, Wilson Damázio, que defendeu estupradores com o argumento de que as meninas pobres do Recife, obrigadas a fazer sexo oral com marginais da Polícia Militar, assim agiam por não resistirem ao charme da farda.

“Quem conhece Damázio, sabe que ele não tem esses valores”, lamentou Eduardo Campos.

Quem achava que conhecia o governador do PSB, ao que tudo indica, ainda vai ter muito o que lamentar.

Por Reinaldo Azevedo

 

João Paulo, o mais estridente e falastrão dos petistas condenados, vai para a cadeia

O ainda deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) vai, finalmente, para a cadeia. O ministro Joaquim Barbosa recusou os embargos infringentes contra duas das três condenações que pesam contra ele: corrupção passiva e peculato. Por esses dois crimes, ele foi condenado por nove votos, com apenas duas absolvições. O Regimento Interno do STF exige um mínimo de quatro votos favoráveis para que a condenação seja reexaminada.

A pena total de Cunha soma 9 anos e 4 meses, o que lhe renderia regime fechado, assim distribuídos: 3 anos e 4 meses por peculato, 3 anos por corrupção passiva e 3 anos por lavagem de dinheiro. Nesse terceiro caso, no entanto, ele obteve cinco votos de absolvição: Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli, Cezar Peluso e Marco Aurélio. Nesse caso, então, cabem os infringentes. Ele começará a cumprir os 6 anos e 4 meses restantes em regime semiaberto.

Embora não seja o mais poderoso, João Paulo se mostrou o mais agressivo e mais arrogante dos mensaleiros condenados. Ninguém, como ele, vituperou tanto contra o Supremo Tribunal Federal e contra o ministro Joaquim Barbosa, a quem acusou, explicitamente, de conduzir o processo com viés político.

João Paulo foi mais longe. Chegou a sugerir que Joaquim Barbosa era um ingrato. Disse: “Ele Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”. Ou por outra: o petista achava que o ministro deveria, num gesto de gratidão, ter absolvido os petistas.

Quando percebeu que a pressão era inútil, perdeu a compostura de vez. Numa entrevista, mandou brasa: “Para mim não importa se ele [Barbosa] vai ser ou não vai ser [candidato]. Mas ele não pode ficar, da cadeira de presidente do Supremo, falando bobagem, sem dar direito ao réu de ir se defender lá. (…) Eu estou pronto para qualquer dia ir lá no Supremo e pedir para ele deixar eu falar lá da tribuna dele, para responder ao que ele fala no microfone, não nos autos. Justiça tem dois pratos. A balança do ministro Joaquim Barbosa tem um prato só, o da condenação. Então, ele não é juiz. Ele é promotor.”

Na cadeia, João Paulo terá tempo de refletir um pouquinho.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dirceu faz curso de Direito Constitucional na Papuda

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Preso há quase dois meses na penitenciária da Papuda, em Brasília, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu começou a fazer cursos por correspondência e está estudando Direito Constitucional. Apontado como o chefe da quadrilha dos mensaleiros, Dirceu foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção ativa e formação de quadrilha, embora recorra deste último crime por meio de embargos infringentes.

De acordo com o subsecretário do Sistema Penitenciário, Cláudio Magalhães, os estudos começaram poucos dias depois que os mensaleiros foram levados para a Papuda, em 16 de novembro. Os custos dos cursos à distância são de responsabilidade dos próprios detentos. A Lei de Execução Penal estabelece que os condenados podem ter as penas abatidas caso comprovem frequência escolar no ensino fundamental, médio, profissionalizante, superior ou de requalificação profissional. A legislação prevê o abatimento de um dia de pena a cada 12 horas de estudo.

Exames
Ainda entre os condenados no mensalão, o ex-presidente do PT José Genoino, que tem consulta e exames pré-agendados no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para esta terça-feira, não tem autorização para viajar para fazer uma reavaliação médica. Por decisão judicial, cumpre prisão domiciliar provisória em Brasília pelo menos até o final de fevereiro.

Caso queira ter a saúde reavaliada por seus médicos particulares, Genoino terá de deslocar os profissionais até a capital federal. O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o mensaleiro continue em domiciliar pelo período de 90 dias, contados a partir do dia 21 de novembro, mas determinou que qualquer reavaliação de saúde seja feita em Brasília.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os decapitados de Roseana Sarney e José Eduardo Cardozo

Parece que Deus se esqueceu do Maranhão e deixou o estado entregue às forças de José Sarney — o preposto, ou preposta, da hora no comando do estado é sua filha, Roseana, que governa com o apoio do PT — uma imposição de Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Circula na rede o vídeo com os horrores no presídio de Pedrinhas. Os presos decapitaram colegas de cela e exibem orgulhosos as cabeças das vítimas e seus corpos dilacerados com facas e estiletes. E o fazem sem nenhuma cerimônia — ou, para ser preciso, com os rigores cerimoniosos que o demônio exige para seus banquetes.

Um apressado, que esquecesse de olhar os números, poderia dizer: “Vejam aí no que resulta essa política de encarceramento excessivo! Presídios superlotados são mesmo um convite às artes demoníacas…”. Pois é. Sabem qual é o estado que tem A MENOR TAXA DE ENCARCERAMENTO DO BRASIL POR 100 MIL HABITANTES? Acertou quem chutou o… Maranhão! É o que informa a página 54 da 7ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2012. O Maranhão não prende demais, não senhores! Prende de menos.

Há, no estado, apenas 128,5 presos por 100 mil habitantes — para comparar: em São Paulo, são 633,1. Assim, o Maranhão prende pouco — 5.417 pessoas em 2012 — e trata seus detentos como bestas-feras. O resultado é o que se vê.

A edição desta terça da Folha informa que um contrato firmado em 2011 entre o governo do estado e o Depen — órgão do Ministério da Justiça que coordena a política penitenciária nacional — foi cancelado. Ele previa o repasse de R$ 20 milhões para a construção de dois presídios, com capacidade para abrigar 513 detentos. Segundo o governo maranhense, “um mês e sete dias depois de o Estado do Maranhão ter cumprido as últimas exigências do Depen”, um decreto invalidou “todos os restos a pagar não liquidados até o dia 30 de junho [de 2013]”. E o dinheiro não apareceu.

Cadê José Eduardo Cardozo, o Garboso, ministro da Justiça? Cadê Maria do Rosário, dos Direitos Humanos? Cadê Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e homem encarregado de fazer a tal “interlocução” com os chamados “setores organizados da sociedade”? Desapareceram. Sumiram. Uma ocorrência como essa em um estado que fosse governado pela oposição geraria uma falação dos diabos. Desde 2004, só dois dos sete contratos do Depen com o Maranhão foram concluídos.

Cabe ao departamento, meus caros, acompanhar as execuções penais Brasil afora. Outra de suas atribuições é justamente fiscalizar as instituições prisionais. Mas quê… No ano passado, o governo federal investiu em presídios 34,2% menos do que em 2012: caiu de R$ 361,9 milhões para R$ 238 milhões. E tal queda se deu num ano em que a violência explodiu no país.

A incompetência oficial sempre cobra seu preço. Em regiões pobres ou atrasadas, a moeda de troca são vidas humanas. Quem liga para os desgraçados do Maranhão? O que importa é garantir o devido conforto àqueles almas nobres da área VIP da Papuda.

Por Reinaldo Azevedo

 

Um leninista no Supremo Tribunal Federal

Abaixo, segue trecho da minha coluna na Folha desta sexta.
*
Lênin chegou ao STF pela via cartorial. O ministro Luís Roberto Barroso concedeu uma impressionante entrevista à Folha de domingo. Afirmou: “Em tese, não considero inconstitucional em toda e qualquer hipótese a doação [a campanhas eleitorais] por empresa”. Ele, no entanto, votou pelo acolhimento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que, se vitoriosa, impedirá as doações de pessoas jurídicas a candidatos e partidos. Ocorre que decisões do STF têm a força de uma tese! O ministro está dizendo que a Constituição, ao contrário do seu voto, não veta essa modalidade de contribuição. Ele declarou inconstitucional o que sabe não ser. É intelectualmente escandaloso!

Tivesse uma câmera na mão, Barroso seria cineasta, já que não lhe faltam más ideias na cabeça. Ele nos diz qual é a sua restrição: “[a doação] não tem nada a ver com ideologia. [As empresas] doam ou por medo, ou porque são achacadas ou porque querem favores”. É? Fosse por ideologia, seria uma ação virtuosa? Será que o PT d’antanho teria conseguido se financiar caso as empresas fizessem uma triagem puramente ideológica? E se vigesse o financiamento público? O partido teria deixado de ser nanico?

Só houve alternância no poder –do PSDB para o PT– porque doações não foram feitas por ideologia. De resto, gente achacada, com medo ou em busca de favores não assina recibo. Pior será o modelo do ministro. Se achaque houver, não deixará nem pistas. Eis Barroso, que agora tem uma nova causa: descriminalizar as drogas. Entendo. Quando o assunto é maconha e cocaína, ele acha que a proibição induz ao crime; quando é doação eleitoral, ele acha que a proibição induz à virtude.
(…)
Para ler a íntegra, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

A Copa do Mundo e o marketing oficial do terror preventivo. Ou: O petismo de TPM. Ou ainda: a bola, o aborto e o kit gay

Que título estranho, não? Como é que essas coisas se juntam? Eu mostro. Preparados para a retomada num texto, digamos assim, looongo?

A escumalha a soldo que serve ao governismo na imprensa e no subjornalismo pôs para circular uma teoria conspiratória: a direita — sempre ela, coitadinha! — estaria tramando os piores ardis fara fazer com que a Copa do Mundo seja um fiasco. A trama uniria setores da oposição e a imprensa independente. O objetivo da sabotagem seria, claro!, destituir Dilma Rousseff. E como a tal “direita” faria isso? A canalha não diz. Não diz porque se trata de uma fantasia, de uma mentira estúpida. Os petistas e seus satélites instrumentalizam o marketing do terror preventivo para silenciar a crítica. Não é a primeira vez que recorrem a essa estratégia. Infelizmente, a imprensa séria e as oposições costumam cair no truque. Vamos ver.

O governo brasileiro torrou e está torrando uma fábula, ainda não calculada, para realizar a Copa. Muitas obras de infraestrutura, especialmente as de mobilidade, previstas no plano original não foram feitas. O governo as trocou pela decretação de feriado, mudança no calendário escolar, jeitinhos… Seis dos 12 estádios, que deveriam ter sido inaugurados até dezembro do ano passado, ainda não estão prontos. Joseph Blatter, presidente da Fifa, disse jamais ter presenciado atraso tamanho. Ele está na organização desde 1975. Já batemos o primeiro recorde: “nunca antes na história da Fifa…”.

Pior: alguns desses estádios serão mesmo elefantes brancos, futuras ruínas. A realização do torneio em tantas capitais foi decidida por um misto de populismo com delírio de grandeza. A brasileirada ficou sem o metrô, as estradas, as vias de acesso… Mas ganhou monumentalidades inúteis. E, no entanto, teremos, sim, Copa do Mundo. Se o Brasil for campeão, Dilma Rousseff pode ganhar ou perder a eleição. O mais provável é que ganhe. Se o Brasil não for campeão, Dilma Rousseff pode ganhar ou perder a eleição. O mais provável é que ganhe. Qual a razão da TPM, da Tensão Pré-Mundial?

Ora, a campanha eleitoral já começou. Os petistas sempre foram muito hábeis em vender o que não fizeram, mas são ainda melhores quando se trata de atribuir a adversários defeitos e intenções que não têm. De resto, é preciso que se esclareça: uma oposição que explorasse os erros e a incompetência do governo na realização da Copa do Mundo ou de qualquer outro evento estaria apenas cumprindo a sua função, a sua obrigação, a sua missão, o seu mandato — adquirido nas urnas: opositores existem para vigiar o governo, apontar as suas falhas e tentar tomar o seu lugar quando há eleições, segundo as regras do jogo. Se a incompetência do governo Dilma for parar no horário eleitoral de seus adversários — coisa em que não acredito —, estaremos apenas diante do corriqueiro em sociedades livres.

Quanto à imprensa, não há muito o que dizer além do óbvio: há aquela que se financia na sociedade — por meio da publicidade privada e das assinaturas — para reportar o que tem de ser reportado, segundo os valores conhecidos por seus leitores, telespectadores, ouvintes e internautas, e há aquele outro “negócio”, financiado com dinheiro público, para fazer propagada governista e difamar seus adversários e críticos. E não custa lembrar de um terceiro grupo: os infiltrados. São agentes do oficialismo que escrevem na grande imprensa, aproveitando-se, para fazer proselitismo, da vantagem que esta lhes oferece e que eles próprios jamais ofereceriam a seus adversários se tivessem o poder que almejam: a pluralidade. Sigamos.

TPM
Sim, existe uma compreensível Tensão Pré-Mundial no governo Dilma. Teme-se o renascimento das manifestações de junho, coisa na qual não acredito — e já digo por quê. Depois de quase 12 anos de petismo no poder, as fragilidades do arranjo e as promessas não cumpridas são evidentes. Nada, infelizmente, entendo eu, que possa tirar a reeleição de Dilma. O governo tem âncoras outras, que dispensam a eficiência. A máquina assistencialista, que passou a ser chamada, à direita e à esquerda, de “redistribuição de renda”, tem ocupado boa parte do espaço que caberia à política.

“Política” é e será sempre o nome do jogo — e é precisamente nesse ponto que passa a operar o marketing do terror preventivo. Os petistas e sua máquina de propaganda demonizam a divergência com uma eficiência que não se viu nas duas grandes ditaduras do século passado: a do Estado Novo e a militar. A crítica é tratada como sabotagem. Assim, apontar as ineficiências do governo na realização da Copa do Mundo ou demonstrar os desastres de Guido Mantega na condução das políticas monetária, cambial e fiscal não seriam ações compreendidas no escopo da democracia. Nada disso! Num caso e noutro, interesses inconfessáveis estariam a mobilizar a crítica e o crítico.

A renitência da inflação e a contabilidade criativa para fechar as contas não podem, pois, ser tomadas como erros na condução da política econômica. Segundo um dos porta-vozes do oficialismo, Dilma estava apenas fazendo a sua aposta num mundo melhor para os pobres, mas foi atropelada pelos pérfidos interesses das elites, especialmente do capital financeiro — o mesmo que, vejam que coisa curiosa!, financia regiamente o PT e torce de forma nada secreta pela volta de… Lula! É evidente que também essas teorias conspiratórias não param de pé; alimentam-se, a exemplo de todas as outras, da falta de evidências. Ocorre que estamos no terreno da guerrilha ideológica — e, nesse caso, o que vale é a fantasia.

Não acredito
Não aposto — e, em certa medida, gostaria de estar errado — no renascimento das tais “manifestações”. A razão é simples: seja para analisar a “Primavera Árabe”, seja para entender quebra-quebra em São Paulo e Rio, eu não acredito na efetividade do Facebook, mas da Irmandade Muçulmana e das organizações de esquerda, respectivamente. Num caso e noutro, não mobilizados podem até aderir às ações de rua, mas a centelha original sempre fica a cargo de profissionais. O “junho” brasileiro pode até ter ganhado uma coloração antigovernista em vários momentos, mas o seu ânimo era, entendo eu, de esquerda. Infelizmente, a direita liberal e democrática não dispõe de força para grandes mobilizações de rua — ademais, nem é esse o seu espírito. Nunca se esqueçam de que os protestos violentos nasceram em São Paulo, numa associação entre os petistas radicais e extremistas de esquerda associados. O alvo era o governo Alckmin. Aí o tiro saiu pela culatra. Já demonstrei isso aqui com evidências de sobra.

Assim, ainda que exista a TPM, o governo não leva muito a sério a possibilidade de novos e gigantescos protestos de rua. De resto, seus bate-paus nos sindicatos, nas ONGs, nos movimentos sociais — E NA IMPRENSA — estão e estarão mobilizados para sabotar qualquer tentativa de manifestação antigovernista.

Então por quê?
Então por que essa conversa sobre uma suposta conspiração da direita? Para calar preventivamente a oposição, a imprensa e os críticos, de sorte que tanto o noticiário como as redes sociais sejam inundados só com discursos laudatórios. Eis o PT: antes mesmo que seus críticos apontem seus defeitos e suas falhas, o próprio partido os anuncia como se fossem manifestação do preconceito de seus adversários. E conta, nesse trabalho, com uma rede poderosa, que une os venais, os quadros ideológicos e, como sempre, os idiotas.

Aborto
Lembrem-se das campanhas eleitorais de 2010 e de 2012. Dilma, a então ministra da Casa Civil de Lula, era uma defensora da legalização do aborto. Chegou a comparar a extração de um feto à de um dente. Segundo ela, ninguém poderia gostar nem de uma coisa nem de outra. Um pensamento humanista e chique. Com Deus, havia deixado claríssima a sua relação: rezava um pouco quando o avião balançava. Em terra firme, entende-se, diminui o seu fervor místico…

Atenção! Isto que vai agora é fato, não opinião. Acompanhei a coisa toda desde o início porque, como vocês sabem, esse é um debate que me interessa. O PT temia as opiniões emitidas por Dilma sobre esses temas. Antes que a campanha do tucano José Serra emitisse qualquer juízo de valor a respeito, teve início a guerra — esta, sim, midiática — acusando o adversário de explorar uma questão que, segundo o petismo, não deveria frequentar o debate político porque se trataria de mera questão… religiosa!

Notem que fantástica impostura! Decidir como o Brasil vai tratar os seus fetos não diria, então, respeito à disputa pelo poder. “A política é laica”, gritavam os pilantras, secundados pelos cretinos. A imprensa, esmagadoramente favorável à legalização do aborto, serviu de porta-voz da pregação petista. Mais do que isso: foi sua propagandista. Não se esqueçam jamais de que o jornalismo brasileiro apoiou, quase unanimemente, o recolhimento de um panfleto impresso por um grupo de católicos que recomendava que não se votasse em candidatos favoráveis ao aborto. O TSE atuava como censor, contrariando a Constituição. Jornalistas aplaudiram porque lhes pareceu razoável censurar uma opinião com a qual não concordavam. Uma vergonha!

O PSDB foi posto na defensiva. Repórteres cobravam agressivamente de Serra se considerava justo que se cobrasse de Dilma a opinião que ela tinha sobre o aborto; queriam saber se isso era compatível com a laicidade da política. Raramente a imprensa foi tão intelectualmente delinquente como naqueles dias.

E agora vem o mais estupefaciente: o PSDB não havia tocado no assunto. A questão não foi levada ao horário eleitoral — nem mesmo os dois vídeos, para confronto: num deles, Dilma se dizia favorável à legalização do aborto; no outro, já candidata, contrária. O trabalho do petismo deu resultado: a petista não foi obrigada a se confrontar com as suas próprias opiniões, e o ônus das negativas caiu no colo do seu adversário. Dez em marketing; zero em vergonha na cara.

Kit gay
Em 2012, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, assistiu-se ao mesmo procedimento. Os petistas sabiam que os absurdos do tal kit gay — vetados até por Dilma Rousseff — poderiam pesar contra Fernando Haddad. O arquivo está aí. Apontei a trapaça desde o início. Antes mesmo que o PSDB definisse o seu candidato, os porta-vozes do partido na imprensa e na subimprensa anunciavam: “Os tucanos vão explorar o kit gay! Isso é preconceito! O que o kit gay tem a ver com a Prefeitura?”. Bem, é claro que tem — especialmente quando essa Prefeitura tem milhares de alunos.

E pronto! Lá foi o batalhão de repórteres a tratar o candidato do PSDB como homofóbico — justamente José Serra, o formulador de uma política pública de combate à AIDS, por exemplo, que era e segue sendo uma referência para o mundo. E daí? A delinquência ideológica não respeita competências; ela tem causas.

E, como era de esperar, o tema ficou longe da campanha. O PSDB preferiu não ligar Haddad à sua própria obra, assim como não ligara, dois anos antes, Dilma às suas próprias opiniões. Pior: tucanos ditos “progressistas”, nos dois casos, preferiram atacar a campanha do seu partido, que seria por demais… conservadora!

Concluindo
A máquina petista e seus serviçais estão de volta com o mesmo procedimento. Agora eles pretendem levar os adversários de Dilma para a defensiva no caso da Copa, acusando-os de tentar sabotá-la. Assim como não se podia lembrar que a petista era uma defensora fanática do aborto e que Haddad havia feito os kits gays, deve-se deixar de lado a incompetência do governo na organização do evento.

Infelizmente, os adversários do PT — e a imprensa séria, que não é adversária de ninguém em matéria partidária — têm caído no truque petista de maneira sistemática. Aqui e ali já vejo críticos do petismo fazendo as suas juras de amor à Seleção, ao nosso futebol, à nossa ginga, essas coisas… A questão de fundo é a seguinte (e ainda voltarei ao tema): enquanto os não petistas reconhecerem no PT um tribunal legítimo e permitirem que o partido se comporte como seu juiz, será impossível vencê-lo. Em certa medida, é preciso esquecer o PT para derrotar o PT. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Blatter trata autoridades brasileiras como moleques levados: primeiro, o puxão de orelha; depois, o estímulo. Faz sentido…

Joseph Blatter, presidente da Fifa, trata o Brasil mais ou menos como os pais severos tratam os filhos indisciplinados, que precisam tanto de um estímulo como de um puxão de orelha, este antecedendo aquele, é lógico.

A imprensa brasileira está noticiando o que seria o recuo de Blatter, nessa sua relação de morde e assopra com as autoridades brasileiras. Bem, não há recuo nenhum, né? A velha raposa está apenas recorrendo à esperteza.

Blatter, como ele mesmo lembrou na entrevista em que criticou o atraso nas obras da Copa, é dirigente da entidade desde 1975. Sabe como são as coisas. Tem consciência de que uma entrevista sua será notícia no Brasil e no mundo inteiro. Se diz que nunca viu atraso igual ao do Brasil em quase 40 anos, é porque quer que o mundo saiba disso — e porque quer também que as autoridades brasileiras saibam que os outros sabem.

Agora, vem a público para afirmar o óbvio: tem confiança de que tudo será feito no prazo, que a disputa de 2014 será a Copa das Copas, que haverá recorde de público etc.

Recuo? Não. Ele não se desculpou. Ele não disse que sua avaliação estava errada. Ele não afirmou que trabalhava com dados falsos. Depois do alerta, para despertar os brios da brasileirada, expressou a sua confiança no evento.

Num dado momento, a Copa no Brasil chegou a correr riscos, sim. A Fifa pensou seriamente em mudar a sede da disputa em razão das trapalhadas oficiais. Considerou, depois, que seria um desgaste também para a entidade e preferiu manter a aposta no país, mas sempre com o pé atrás.

Blatter faz o que lhe cabe fazer. Parece que, a esta altura, está claro que as autoridades brasileiras só funcionam sob pressão. O preço do seu elogio é sempre um pito.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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1 comentário

  • celso rebelo de oliveira luis eduardo magalhaes - BA

    Este fala o que muintos brasileiros queriam falar, eu pelo menos.

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