"É preciso acabar com a barbárie e devolver o Brasil ao século 21"..., por REYNALDO ROCHA

Publicado em 09/02/2014 08:54 e atualizado em 24/04/2014 11:39 1151 exibições
no blog de Augusto Nunes, de veja.com.br

Opinião

Reynaldo-BH: É preciso acabar com a barbárie e devolver o Brasil ao século 21

REYNALDO ROCHA

A capa de VEJA desta semana nos mostra a volta da escravidão: um ser humano acorrentado pelo pescoço. É um menino. Criminoso, sim. E não me aventuro a esposar teses de sociologia de botequim segundo as quais pobreza gera violência ou banditismo. É coisa antiga, mais velha que a Catedral da Sé em Portugal, e inteiramente desmoralizada até pela estatística. Por outro lado – que me desculpem os partidários “desses “justiçamentos” –, é a expressão da barbárie. A volta da senzala. O pelourinho modernizado com trava de bicicleta. O feitor de chicote nas mãos, pronto a castigar em nome próprio.

Não falo sequer do estado de direito. Falo – e me assusto com isso – do que leva uma sociedade a tal nível de degradação. Quais valores  levam à abjeção nojenta que se vê na substituição de valores humanos por valores ditatoriais. Quanto o Brasil caminhou para trás? Quem é cristão deve tentar buscar uma explicação. Quem não é deve tentar entender o que leva uma sociedade a recuar alguns séculos.

Qual foi o atalho em que nos perdemos? Qual caldo de cultura foi substituído por um caldeirão de bruxarias? Qual futuro nos traz o passado de modo tão presente?

O que determina a impunidade e desfaçatez como regra de convívio social. A falta de limites, onde cada um determina o que fazer e como agir. Onde o estado de direito é assunto de estudiosos ou, quem sabe, de insistentes conservadores (que querem conservar a dignidade!) acusados de formarem a vanguarda do atraso.

A falta de crença na punibilidade necessária a quem transgrida a regra social comum leva ao vale tudo e à abolição de parâmetros.

A mentira, o disfarce, a defesa do que é crime como se fosse um valor, a política do totalitarismo companheiro que transforma os membros de um grupo social em heróis mesmo quando são bandidos, tudo isso está na origem de tamanha distorção.

Os “justiceiros” que restauraram a escravatura para prender um jovem num poste não diferem em nada de um vice-presidente da Câmara que elogia bandidos e tenta ofender o presidente do Poder Judiciário.

Esta é a verdadeira herança maldita, nascida da subversão (e inversão) de valores e de civilidade. Do uso e abuso de mentiras e falsificações. Do pensamento único que perdoa sabujos e persegue dissidentes.

O Brasil está no século XIX.  Nossa missão é fazê-lo retornar ao século XXI.

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Direto ao Ponto

O ataque da tribo liberticida ao cinegrafista Santiago Andrade foi tão surpreendente quanto a mudança das estações do ano

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“Segura a tropa, não deixa a tropa perder a cabeça”, dizia o coronel da PM de São Paulo Reynaldo Simões Rossi enquanto era atacado por vândalos travestidos de manifestantes, em 25 de outubro de 2013 (Foto: Eli Simioni / CPN / Sigmapress)

Black Bloc é o codinome pernóstico de uma ramificação da família dos fora-da-lei, resumiu o título do post aqui publicado em 28 de outubro de 2013, que tratou da inverossímil agressão sofrida por um coronel da PM de São Paulo. A releitura do texto atesta que ninguém com mais de cinco neurônios tem o direito de espantar-se com o drama protagonizado pelo cinegrafista Santiago Andrade, da Band, gravemente ferido na cabeça enquanto cobria para a Band, nesta quinta-feira, outro confronto entre policiais e delinquentes mascarados nas ruas do Rio. O disparo do rojão assassino era tão previsível quanto a mudança das estações. Confira:

Num parágrafo do artigo que publicou em seu blog neste domingo, ilustrado por vídeos que documentam a ação abjeta dos agressores e a reação exemplarmente sensata do coronel Reynaldo Simões Rossi, da PM de São Paulo, o jornalista Josias de Souza fez o resumo da ópera: “Já passou da hora de definir melhor as coisas. Está nas ruas uma estudantada corpulenta, de cara coberta e violenta. Esse grupelho adquiriu o vício orgânico de tramar contra o sossego alheio. Vândalos? É muito pouco! Black Blocs? O escambau! Traduza-se para o português: bandidos, eis o que são”.

Perfeito: bandidos, é isso o que são os integrantes dessa ramificação da grande e prolífica família dos fora-da-lei. Em sua versão brasileira, Black Bloc é o nome pernóstico de uma quadrilha sem chefe. No País do Futebol, o time vestido de preto é o primo mais idiota da pior das torcidas uniformizadas. No País do Carnaval, é o filhote poltrão do Comando Vermelho, que cobre o rosto com máscaras para fazer em liberdade o que os colegas engaiolados fazem de cara lavada.

O ataque ao coronel Rossi parece ter acordado os responsáveis pela manutenção da ordem pública. “Não vamos tolerar as ações desses marginais”, subiu o tom neste sábado o governador Geraldo Alckmin. “O Estado vai dar uma resposta muito forte a esse bando de criminosos”, prometeu no mesmo dia o major Mauro Lopes, porta-voz da PM paulista. “É necessário restituir o que a cidade perdeu. A cidade é nossa”.

Não existe resposta mais forte do que a imediata aplicação da lei. Basta identificar, capturar, processar, julgar e prender os sequestradores de cidades. “O direito de se manifestar será sempre garantido pela polícia”, lembrou o coronel Rossi no hospital onde se recupera de uma fratura na clavícula. “Mas os manifestantes precisam ter responsabilidade. Devem separar-se dos criminosos e nos ajudar a identificá-los. O silêncio dos bons é muito pior do que o ruído dos ruins”.

Os pastores do vandalismo não querem negociação, pondera Rossi, um dos 70 policiais militares feridos nas manifestações deste ano. “Eles atacam a PM por representar o Estado, é o Big Brother deles”. Atacam sobretudo porque se sentem impunes. Nada que uma boa cadeia não resolva. É hora de mostrar aos rebeldes sem cabeça que chegou ao fim a paciência da cidade flagelada por devotos da violência gratuita.

A ofensiva começa pelo fim da fantasia: não existem Black Blocs. Existem bandidos, que de bandidos devem ser chamados. E como bandidos precisam ser tratados pelas instituições incumbidas da preservação do Estado de Direito.

A ofensiva não aconteceu. Foi abortada pela frente que misturou a tibieza crônica dos governantes, o cinismo suprapartidário dos políticos, a idiotia melosa das viúvas de 1968,  a cegueira suicida dos chefes de redação e a cretinice engajada dos repórteres, a passividade do rebanho que tudo engole sem engasgos e outras marcas congênitas  da Era da Mediocridade.

Em nome da democracia, os integrantes da aliança algemaram as forças policiais encarregadas de defendê-la. Em nome da liberdade, impediram que fosse barrado o avanço dos que tentam assassiná-la. Tudo o que os Black Blocs querem é que a polícia lhes jogue um cadáver no colo, recitaram nos últimos meses os camelôs do capitulacionismo.

Como se vê no vídeo, os devotos da violência é que estão prestes a jogar um corpo sem vida na cara do Brasil.

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História em Imagens

NÓS SABEMOS O QUE ELES ANDARAM FAZENDO NESTE VERÃO (1): Dilma depois do jantar que festejou o encerramento da animada ‘escala técnica’ em Lisboa

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Opinião

‘Rolezinho em Lisboa’, um artigo de Roberto Pompeu de Toledo

Publicado na edição impressa de VEJA

Roberto Pompeu de Toledo

Da comitiva da presidente Dilma acomodada nos melhores hotéis de Lisboa ao apartamento com aluguel de 54 000 dólares ao mês ocupado pelo embaixador Guilherme Patriota em Nova York, o Brasil oficial continua a dar shows de embasbacar os gringos. Aqui dentro se incendeiam ônibus, caminhão com a caçamba erguida derruba passarela de pedestre, a polícia dá tiro em manifestante que a ameaça com estilete e, para completar os temores do turista que se apresta a vir para a Copa do Mundo, há até o caso, num bairro de Campinas (SP), em que esses santos propugnadores da paz, da concórdia e da comunicação entre os homens, que são os carteiros, precisam da companhia de um segurança para bem cumprir seu trabalho. Já lá fora, ah!, lá brilhamos.

O caso de Dilma é intrigante. O Palácio do Planalto escondeu que, entre os compromissos oficiais na Suíça e em Cuba, a presidente e sua portentosa comitiva fariam escala de algumas horas em Portugal. Quando a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo flagrou a brasileirada em Lisboa, o chanceler Luiz Alberto Figueiredo explicou (ou foi constrangido a explicar) que se tratou de decisão de última hora, tomada no próprio dia da partida. Os mesmos repórteres do Estado apuraram, no entanto, que desde dois dias antes o governo português fora avisado da passagem da presidente brasileira e havia sido feita a reserva no premiado restaurante onde Dilma jantaria. Ao segredo se juntava a mentira, e sobravam duas indagações. Primeira: por que o segredo? Segunda: como foi possível guardá-lo, entre os cinquenta e tantos membros da comitiva?

Nas tentativas de resposta, tateia-se entre conjeturas. Estaria programada uma grande farra em Portugal, entre um compromisso e outro? Não, Dilma não é disso. Teria a presidente encontro com autoridades portuguesas, ou de terceiro país, para cujo sucesso o sigilo seria vital? Não, não se vislumbra na política externa brasileira item que levasse a tal necessidade. Quereria ela esconder que jantaria no Eleven, restaurante com recomendação do Guia Michelin e soberba vista para o Tejo? Ora, se Dilma e acompanhantes pagaram eles próprios a conta, cada um a sua parte, como a presidente houve por bem esclarecer de viva voz, por que escondê-lo? Ou quereria ocultar que a comitiva ocuparia 45 quartos dos nobres hotéis Ritz e Tivoli? Ora, para a missa inaugural do papa Francisco ela também se fez acompanhar de numerosa comitiva, hospedou-se no hotel Westin Excelsior Roma (que se apresenta como “um ícone da dolce vita”), e não viu razão para ocultá-lo. Por que o faria agora?

Sobraria que a presidente, notória motoqueira nas noites de Brasília, fosse possuída daquele prazer secreto das pequenas transgressões, tanto mais saborosas quando cometidas sob o risco de ser descobertas, mas… Não, não fica bem ao colunista meter-se a intérprete da alma alheia, muito menos da alma presidencial. Voltamos à estaca zero ─ e nela ficamos, desamparados e impotentes. Quanto a manter o segredo entre tão numerosa comitiva, imagina-se que a informação tenha sido repassada como máximo cuidado. “Vamos para Portugal, mas não conta para ninguém.” “Para Portugal?” “Psiu, fala baixo.” Alguns teriam sido informados só já a bordo do avião. “Por que Portugal?” “Não sei, a chefa não explicou.” “Onde ficaremos hospedados?” “No Ritz.” “Oba!”

No caso do embaixador Guilherme Patriota, por sinal irmão do ex-chanceler Antônio Patriota, que por sinal é seu chefe na missão brasileira junto às Nações Unidas, a justificativa-padrão para o soberbo imóvel alugado pelo Itamaraty para seu usufruto é que os representantes brasileiros se devem apresentar condignamente no exterior. Patriota 2º, segundo apurou a Folha de S.Paulo, tem como vizinhos de bairro Woody Allen, Madonna, Bono e Al Pacino. Que faz o representante de um país remediado, cujo desafio atual é manter-se acima da linha d¿água que separa os emergentes dos que submergem, em tal companhia? Em vez do pretendido respeito que o endereço possa inspirar, é mais provável que ocorra o contrário.

Não foi Dilma quem inventou as luxuriantes viagens, acompanhada por portentosas comitivas, umas e outras de fazer inveja a ditadores africanos, nem foi Patriota quem introduziu entre os diplomatas brasileiros o hábito de escolher endereços de pasmar um astro do rock. Isso não os isenta de culpa. Antes a agravam, pelo pecado da reiteração. Poupemo-nos derepisar a cantilena do mau uso dos recursos públicos. Se ao menos eles se tocassem para o ridículo de tais situações… Não se tocam.

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Opinião

‘Sem anestesia’, um texto do Oliver

VLADY OLIVER

Uma bala, quando atravessa o crânio, costuma fazer mais estragos quando entra lateralmente, na região do ouvido, do que quando entra frontalmente, afetando apenas um dos lóbulos. Na segunda hipótese, a chance de alguém sobreviver com menos sequelas é maior, embora também diminuta. Sei disso porque acompanhei o calvário do irmão adolescente de minha mulher, em sua luta pela vida depois de alvejado por traficantes de drogas em Porto Seguro, na Bahia, por conta de uma dívida feita por familiares que eram viciados. Ele foi morto para servir de exemplo para quem realmente devia. A equipe cirúrgica estancou a pressão intracraniana, retirou o máximo de fragmentos de osso que se alojaram no cérebro ─ e esperamos todos pelo pior.

Normalmente, um cérebro jovem e sadio consegue dar uma sobrevida ao seu portador que significa uma esperança, mas aí atua uma segunda bateria de condições adversas que uma pessoa precisa superar, se quiser sobreviver. Hospitais públicos no meio do nada deixam seus pacientes sujeitos à infecções oportunistas que, em alguns casos podem ser fatais, como foi no caso de meu cunhado quase sobrinho. Duas semanas depois de um coma interminável, exausto por lutar contra tantas intempéries no caminho, ele finalmente encontrou seu último suspiro, vitimado por uma infecção generalizada, muito comum em casos como esse. Foi um enterro simples, cercado de indignação e resignação. A polícia local jamais encontrou os autores do crime, que atuam a dois quarteirões de onde morava o garoto. Melhor não mexer com quem paga a propina em dia, certo?

Por que este desabafo? Porque a TV russa já mostrou o morteiro que atingiu em cheio o cinegrafista da Band e, provavelmente, o autor do disparo segundos após ter acendido o artefato. E os camelos de sempre não sabem quem disparou o morteiro; a polícia ou os terroristas que atendem pela alcunha de Black Blocs. Prendam o Caetano. Ele deve saber quem foi que efetuou o disparo fatal, se não foi ele mesmo com sua língua e sua retórica de idiota. Pagando com a vida pela jumência alheia, o assassinato de meu cunhado não teve a repercussão deste lamentável episódio de provocação e enfrentamento no Rio de Janeiro.

Mas era um brasileiro, tanto quanto o cinegrafista abatido em serviço. Nem tinha idade para ter passagem pela polícia. Seu mundo ainda se limitava a empinar pipas. Jamais imaginaria o que o futuro lhe reservara. Minhas orações à família do bravo radialista. Que ele resista ao Brasil que estamos cultivando com essa anestesia e essa indiferença, quase desprezo, pela vida.

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Feira Livre

‘Era eu comigo. Agora sou eu com mais 80′, por Ieda Dias

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IEDA DIAS

Vou tentar ser objetiva. Há muito, cuido da minha vida sozinha. Quem me acompanha sabe que, há cerca de dois anos, o meu “bloco do eu sozinha” é composto de mais ou menos 80 figurantes. Você tem me ajudado, porque eu não canso de pedir. O barco é meu, a responsabilidade e o querer são meus, mas preciso de auxílio. Sozinha tudo fica muito mais difícil e mais lento.

Há dois anos, quando conheci a Premametta School, a escola era uma casinha de três cômodos, sem portas nem janelas, um professor, sem água nem luz, sem qualquer tipo de alimento e sem privada. As crianças se sentavam no chão e o conforto necessário para que pudessem ter um bom aprendizado era quase zero.

Hoje, nossa escola tem uma sala equipada com oito computadores (fruto de doações), três professores, sala-escritório, sala de costura com três máquinas , sala grande de aula, cozinha e uma banheiro ─ com privada e chuveiro.

Na laje, temos um espaço muito bom e seguro, onde as crianças brincam, estudam, comem e se reúnem. Fizemos uma cisterna e colocamos bomba d’água. Instalamos ainda duas pias ─ uma para lavar rosto, mãos e escovar dentes, e outra para a cozinha. Acabamos de ganhar um fogão a gás e montamos um galinheiro.

Agora, foram instalados os postes e toda a fiação necessária. Finalmente temos luz elétrica! Não precisamos mais puxar um fio do vizinho. Nossa cisterna, além de alimentar a escola, irriga toda a plantação no entorno.

Esta é uma espécie de prestação de contas do que fizemos nesse tempo. Além de fazer piqueniques, passeios e almoços para as crianças, distribuímos material escolar, roupas e calçados.

Por mais que muita gente tenha ajudado ─ e continue a ajudar ─, os apertos são constantes. Construímos um ambulatório médico que, infelizmente, só durou três meses, mas foi um sucesso. Paramos porque não tínhamos condições de atender as dezenas de pessoas que viajavam quilômetros em busca de atendimento gratuito. Pagávamos médico, enfermeira, remédios e aluguel, mas não deu. A ideia, contudo, não morreu.

Agora, precisamos comprar uma van. Com esse carro, conseguimos transportar turistas e ganhar um dinheiro extra para a escola, além de utilizar o carro como uma espécie de ambulatório ambulante.

É evidente que qualquer tipo de ajuda é muito válida, mas precisamos de dinheiro para comprar a van, pagar os professores e comprar os alimentos dos alunos. Já comecei a poupar dinheiro para comprar o nosso carro. Mas precisamos de mais. 

No meu blog, descrevo detalhadamente meus projetos e desafios diários. E, claro, divulgo os dados bancários para doações. Acesse e não deixe de ajudar!

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Fonte:
veja.com.br

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