CASO PETROBRÁS: "Negação: os fracassados nunca aprendem com os erros"...

Publicado em 25/03/2014 15:21 e atualizado em 06/06/2014 16:50 1110 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com.br

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Negação: os fracassados nunca aprendem com os erros

Dilma dedo em riste

No filme Até que a sorte nos separe, com Leandro Hassum e Danielle Winits, Tino e Jane ganham na loteria, e isso muda radicalmente suas vidas. Começam a torrar a grana, como se fosse infinita, transformam seus filhos em pequenos monstrinhos consumistas e fora da realidade, Jane se torna uma perua fútil, etc. Até que…

O inverno chega sem avisar. O dinheiro acabou. Mas Tino não tem coragem de dizer isso para Jane. Não quer magoá-la, acha que se ela soubesse que estavam falidos, não ficaria mais com ele. Esconde dela e dos filhos a dura realidade, uma postura covarde.

Tino é o governo petista. Ganhou na loteria chinesa, gastou por conta como se não houvesse amanhã, fez seus “filhos” acharem que eram o máximo, que os recursos demandados caíam do céu, que não era mais necessário ralar para subir na vida. E quando a farra chegou ao fim, quando a bonança acabou, o governo simplesmente se negou a encarar a realidade, como fazem os covardes.

O rebaixamento da nota de crédito brasileira pela S&P ontem foi apenas mais um sintoma de que a fartura acabou. Como reage o governo do PT? Negando a realidade. Colocando a culpa na S&P. Insistindo na farsa, na mentira de que nossos fundamentos estão muito sólidos. Não aprendeu com os próprios erros.

Aos eleitores do PT, seguem algumas frases de filósofos e especialistas em sucesso empresarial, para ver se cai a ficha:

“Não devemos procurar desculpas, atenuar ou diminuir erros que foram manifestamente cometidos por nós, mas confessá-los e trazê-los, na sua grandeza, nitidamente diante dos olhos, a fim de poder tomar a decisão firme de evitá-los no futuro.” (Arthur Schopenhauer)

“Os sábios  aprendem com os erros dos outros e os ignorantes não aprendem nem com os próprios; felix quem faciunt aliena pericula cautum – feliz daquele que aprende com os erros alheios.” (Benjamin Franklin)

“Mais é aprendido com os erros de alguém do que com seus sucessos.” (Primo Levi)

“Quando erramos, podemos confessá-lo de nós para nós mesmos. E, se formos conduzidos gentil e habilidosamente, poderemos confessar nosso erro para os outros e até sentir orgulho da nossa franqueza e sensatez. O mesmo, porém, não acontece se alguém procura impor um fato que não é do nosso agrado.” (Dale Carnegie)

“Aquele que nunca compara suas noções com as dos outros, prontamente aquiesce com seus primeiros pensamentos, e muito raramente descobre as objeções que podem ser levantadas contra suas opiniões; ele, por isso, muitas vezes pensa estar na posse da verdade, quando está apenas alimentando um erro exposto há muito tempo.” (Samuel Johnson)

“Os fatos não deixam de existir porque são ignorados.” (Aldous Huxley)

“O erro fundamental que tanto intriga os psicólogos é que nós normalmente tratamos qualquer sucesso como nosso mesmo e qualquer fracasso como do sistema.” (Thomas Peters)

“Para os vencedores, os fracassos são uma inspiração. Para os perdedores, o fracasso é uma derrota.” (Robert Kiyosaki)

“Ao entender os erros que as pessoas cometeram no passado é importante considerar o que foi que elas não estavam prestando atenção.” (Robert Shiller)

Em suma, aquelas pessoas bem-sucedidas costumam ser honestas consigo mesmas, reconhecer os próprios erros, tentar aprender com eles e com aqueles de terceiros, com humildade. Já os fracassados tendem a apelar para o autoengano e para a negação da realidade, além de mentirem para aqueles que também serão afetados negativamente por sua covardia. Em qual dos dois perfis o leitor acha que o PT se encaixa?

Rodrigo Constantino

 

Direto ao Ponto

A frase que a candidata recitou em 2010 pode ser repetida pela supergerente que aprovou o melhor negócio da história da Bélgica: ‘Rubricá é rubricá e eu rubriquei’

ATUALIZADO ÀS 13H14

dilmarousseff

Para conter o incêndio em seu começo, o programa de governo da coligação que apoiava Dilma Rousseff na campanha de 2010 ─ produzido pelo PT sem consulta aos parceiros ─ foi retirado para reparos urgentes horas depois de entregue ao Tribunal Superior Eleitoral. Os líderes do PMDB descobriram que o documento incluíra tópicos que  consideravam intragáveis, como a taxação das grandes fortunas, a concessão a invasores de terras dos benefícios previstos no programa de reforma agrária ou a redução para 40 horas da jornada de trabalho. O sumiço das espertezas no segundo texto enviado ao TSE contornou a crise. Mas não removeu a desconfiança provocada pela rubrica que Dilma desenhou em todas as páginas do programa original.

Fez isso porque estava de acordo com os trechos suprimidos, certo? Errado, jurou a afilhada de Lula em 9 de julho de 2010. Segue-se a explicação sem correções: “Pegaram, fizeram toda a documentação e me enviaram, e falaram: ‘Tá tudo pronto conforme o acertado, e é para rubricá todas as páginas’. Não assinei documento nenhum, porque não tem documento a ser assinado, eu rubriquei páginas. Não olhei porque achei que era aquele programa. Não achei que iam colocá um outro programa, o de fevereiro. Foi um erro. Os erros como qualquer erro humano são bem banais, não são arquitetados”. Depois da pausa ligeira, a candidata liquidou o assunto com nove palavras em dilmês castiço: “Me pediram rubrica. Rubricá é rubricá e eu rubriquei”.

Foi mais ou menos isso o que fez a presidente do Conselho de Administração da Petrobras na reunião que aprovou a compra, por US$ 360 milhões, de metade da refinaria no Texas que meses antes custara (inteira) US$ 42,5 milhões a uma empresa belga. Segundo a vassalagem acampada no Planalto, Dilma examina minuciosamente até a lista dos atendidos pela mulher do cafezinho. Em 2006, sem sequer folhear o contrato, autorizou a transação que abriu um buraco de US$ 1,18 bilhão no caixa da Petrobras. Foi o melhor negócio da história da Bélgica.

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DemocraciaFederalismo

As máquinas da propaganda eleitoral

Fonte: GLOBO

O governo Dilma é movido por um único interesse: a reeleição. Tendo esse único objetivo em mente, acaba sendo um governo tocado pelo marqueteiro, sempre de olho na imagem, não nos resultados. Pelo conceito de Churchill, seria exatamente um governo populista, preocupado com as próximas eleições, e não estadista, preocupado com as próximas gerações.

Uma reportagem do GLOBO hoje ilustra bem isso. Os equipamentos e máquinas distribuídos pela presidente a prefeitos aumentou dez vezes em relação ao primeiro trimestre do ano passado, sem eleições. Não há foco na produção em si, na eficiência, no que é melhor para o país, e sim a obsessão por campanha eleitoral, para aparecer e conquistar mais alguns votos. Diz a reportagem:

Pré-candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff acelerou a entrega de máquinas agrícolas em ano eleitoral. Levantamento feito pelo GLOBO, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário e na agenda presidencial, mostra que, apenas nos dois primeiros meses de 2014, foram doados pelo governo federal a municípios 2.182 equipamentos, como retroescavadeiras, motoniveladoras e caminhões (média de 36 por dia). De janeiro a dezembro de 2013, as prefeituras receberam 8.981 máquinas, média de 24 por dia. Em dois anos, as doações totalizaram R$ 3,5 bilhões na compra de veículos e equipamentos.

Dilma também turbinou sua presença na entrega de máquinas. De janeiro último até agora, a presidente participou de cinco eventos para doar 718 máquinas, com investimento de R$ 215,7 milhões. No mesmo período do ano passado, a presidente entregou 71 equipamentos (R$ 11,1 milhões) em três eventos, um aumento de 1000%. Nesta terça-feira, Dilma participaria de uma cerimônia para doação de mais 343 veículos, em Araçatuba, São Paulo, que foi cancelado.

Dos cinco eventos de Dilma este ano, dois deles foram em Minas Gerais, reduto eleitoral do senador Aécio Neves (PSDB), outro pré-candidato à Presidência. O estado recebeu das mãos de Dilma este ano 318 máquinas, com investimento de R$ 98,5 milhões. Os outros beneficiados foram Rio Grande do Sul (118), Ceará (172) e Pará (110), um investimento R$ 117,2 milhões.

Além de isso mostrar um problema conjuntural, de um governo populista que abusa do poder de olho nos votos, mostra também um problema estrutural: a nossa excessiva concentração de poder e recursos no governo federal, o que prejudica o funcionamento do federalismo descentralizado. Os municípios acabam todos reféns do governo central, o que prejudica nossa democracia.

Quando esse modelo de pirâmide invertida cai nas mãos de um partido populista como o PT, temos a garantia de abusos, como estamos vendo agora. O Brasil precisa de muito mais federalismo e muito menos PT…

Rodrigo Constantino

 

ComunismoFilosofia políticaHistória

O despertar de Arnaldo Jabor para a saída liberal

Jabor

“O homem tem tal predileção por sistemas e deduções abstratas que está disposto a distorcer intencionalmente a verdade, a negar a evidência dos seus sentidos para justificar sua lógica.” (Dostoievski)

Arnaldo Jabor foi “comuna” na década de 1960, sonhou o sonho utópico que, se tivesse vingado, transformaria a vida dos brasileiros num pesadelo cubano. Mas Jabor, como Fernando Gabeira, Ferreira Gullar e tantos outros, tem tido a coragem de fazer uma dolorosa mea culpa desses erros juvenis.

É verdade que ainda carrega resquícios dessa época, principalmente quando fala dos Estados Unidos. Sua admiração exagerada por Obama é evidência disso. Quando dá esses escorregões, eu o critico aqui. Mas quando ele acerta, como fez hoje em sua coluna, deve ser elogiado também.

O grande perigo das utopias é que produzem fanatismo. O pensamento doutrinário gera uma legião de soldados dispostos a quaisquer meios para seus “nobres” fins, pois se julgam detentores de uma Verdade inabalável. Monopolizaram as virtudes, e agora precisam impor a luz aos demais, alienados. Mesmo que quebrem alguns ovos no caminho…

É essa a principal mensagem que Jabor traz quando mergulha em suas reminiscências de juventude. Ele sabe bem o efeito entorpecente disso, pois foi sua vítima. Fanáticos imbuídos de certezas são perigosos, pois enxergam quem discorda como inimigos mortais, hereges que devem ser destruídos para que o paraíso possa chegar.

Normalmente é o regozijo pessoal que essa sensação de superioridade moral traz que funciona como entorpecente poderoso. Jabor diz: “Existia uma ideologia que nos dava a sensação de que o ‘povo do Brasil marchava conosco’, um wishful thinking de que éramos o ‘sal da terra’.” Narcisismo puro.

Usando a expressão preferida de Nelson Rodrigues, Jabor toca no nervo dessa esquerda utópica, idealista, sabendo que ficarão eriçados como as cerdas bravas do javali. Ele diz:

E agora, outra “heresia” (mais cerdas eriçadas): eu acho que 64 foi “bom” para nos acordar. Foi uma porrada necessária. 64 abriu cabeças. Aprendemos muito. Ficamos conhecendo a ignorância do povo (que idealizávamos); descobrimos que a resistência reacionária de minhas tias era igual à dos usineiros e banqueiros. Descobrimos a burocracia endêmica, a “burguesia” nacional adesista a qualquer grana externa (que achávamos “progressista”). Descobrimos o óbvio do mundo.

O mundo real é menos atraente do que as fantasias e ilusões. Jabor ataca, ainda, a visão boba que muitos colegas de esquerda têm do liberalismo: “Nossos paranoicos acham que o ‘neoliberalismo’ é uma trama da IBM e da Microsoft em Washington”. Seria cômico, não fosse tão trágico.

Finalmente, Jabor conclui assumindo-se quase um liberal (o que ainda não é), e conclamando todos à luta por reformas dentro da própria democracia, pois fora dela não há solução:

Quando entenderemos que a verdadeira revolução brasileira tem de ser endógena, democrática, porque as instituições seculares são a causa de nosso atraso e fracasso? As velhas palavras de ordem continuam comandando o governo atual. O medo à “globalização neoliberal” (ah… palavras mágicas da hora…) desloca o alvo do problema: o verdadeiro inimigo de uma nova esquerda deve ser a velha estrutura oligárquica e e burocrática do país, alojada no bunker do Estado. E aí vai o terceiro eriçamento das “cerdas bravas do javali”: o Estado não é a solução; o Estado é o problema. Só um banho de “liberalismo” pode ajudar a sanear esta “bosta mental sul-americana”, como disse Oswald de Andrade.

Jabor tem meu apoio como ícone de uma esquerda mais moderna e civilizada. Defende a social-democracia, modelo presente, por exemplo, na Europa. Sou crítico do excesso de intervenção estatal neste modelo, do pesado fardo do estado de bem-estar social que prejudica o dinamismo econômico e a criação de riqueza, mas não resta dúvida de que, com ele, há possibilidade de diálogo, de convergências, de concessões e acordos, ao contrário do que acontece quando se trata de bolivarianos.

O problema é que vivemos num país que ainda “acusa” os tucanos do PSDB, representantes dessa social-democracia europeia, de “direita neoliberal”. Dá vontade de chorar. Mas não devemos desistir. Até porque o despertar de gente como Arnaldo Jabor, que defendia com unhas e dentes o comunismo, enche-nos de esperança…

Rodrigo Constantino

 

Cultura

João Pereira Coutinho recomenda “Esquerda Caviar”

Russell Brand

Existem pessoas mais velhas que admiramos, que consideramos mais cultas, mais sábias que a gente, que servem como uma espécie de meta a ser alcançada, uma inspiração que nos estimula a sempre buscar melhorias no presente. João Pereira Coutinho, colunista da Folha, é um desses para mim. Só há um pequeno detalhe: o patrício e eu temos a mesma idade!

Deve ser algum disfarce ou doença. Só pode! Para não me sentir humilhado demais diante da cultura do gajo, prefiro crer que Coutinho nasceu como Benjamin Button, já idoso, sábio e culto. Quem sabe, com o passar dos anos (Deus queira que não!), ele chegue, então, ao patamar mental de um Russell Brand, ator britânico que não fez, mas deveria ter feito, o filme “Debi & Loide” e que é um ano mais velho do que a gente. Brand é o ícone da esquerda caviar na terra da rainha.

Digo tudo isso, divagando envaidecido e rasgando seda, pois sinto-me muito honrado por ter sido citado por Coutinho em sua coluna de hoje na Ilustrada da Folha. Há quem vibre com os aplausos da multidão; eu prefiro o elogio sincero de alguns poucos, mas por quem nutro profundo respeito e admiração. Fica aqui, portanto, meu agradecimento público pelo reconhecimento de Coutinho. Segue um longo trecho do artigo:

E por falar em Inglaterra: certo dia, almoçando no restaurante do hotel Savoy, vi entrar um personagem com ares de vagabundo e aura de estrela do rock que provocou histeria entre os presentes.

Olhei para a criatura, perguntei à minha senhora se ela conhecia o dito cujo, mas a ignorância era mútua. Só mais tarde, folheando uma revista, reencontrei o rosto e o nome: Russell Brand, ator e humorista. Como ator, confesso que não frequento matinês para a população débil. Como humorista, o guarda-roupa talvez fosse a sua melhor piada.

Agora, parece que o sr. Russell Brand se prepara para escrever um livro. O fato de Brand saber escrever já é uma ideia perturbante. Mas mais perturbante é saber que, no livro, o ator e humorista pretende solucionar todos os problemas do mundo —das alterações climáticas à desigualdade social— com suas proclamações esquerdistas e mentecaptas.

É precisamente contra este tipo de fenômenos que Rodrigo Constantino escreveu o seu “Esquerda Caviar” (Record, 434 págs.), que começa da melhor forma possível: com a conhecida frase de Nelson Rodrigues de que é mais fácil amar a humanidade do que aqueles que nos estão mais próximos.

No fundo, Constantino retoma a célebre acusação que Burke lançou a Rousseau nas suas “Reflexões sobre a Revolução na França”: como levar a sério um homem que amava os Homens (em abstrato) e não hesitou em abandonar os seus próprios filhos na roda?

Infelizmente, é possível levar a sério essa turma porque a “aldeia midiática” em que vivemos promove essas hipocrisias éticas: atores e humoristas que almoçam no Savoy —mas depois gostam de exibir em público as suas “lindas intenções” contra o capitalismo que os alimenta. Exatamente como os tarados gostam de abrir a gabardina para exibir os órgãos genitais a crianças inocentes.

A única diferença é que as crianças normalmente horrorizam-se com o espectáculo. As crianças crescidas, pelo contrário, são as primeiras que correm para as livrarias, esperando encontrar no livro de um ator e humorista a chave para os problemas do mundo.

Seria bem melhor que esses exércitos de retardados comprassem a obra de Rodrigo Constantino. Porque a adolescência interminável é a pior forma de senilidade. 

Uma vez mais, obrigado, meu caro!

Rodrigo Constantino

 

Socialismo

Psicanalistas venezuelanos emitem comunicado contra Maduro

Se tem uma área onde há muito esquerdista, esta é a psicanálise. Não deveria, pois há em Freud, pelo que já li, bastante ceticismo e desconfiança em relação à natureza humana, e o próprio socialismo é duramente condenado. Mas, por alguma razão estranha, muito psicanalista se torna relativista moral com inclinações fortemente esquerdistas. Odeiam os Estados Unidos e, como corolário, adoram aventuras autoritárias socialistas.

Fiquei surpreso – e contente – portanto, ao ler o comunicado oficial que a Sociedade Psicanalítica de Caracas enviou a várias associações de psicanálise latino-americanas. Trata-se de um alerta bem firme contra o governo Maduro. Resta saber se nossos psicanalistas mais de esquerda pretendem insistir na defesa absurda do bolivarianismo, aqui no Brasil representado pelo PT, lembrando que a própria psicanálise costuma ser alvo de perseguição dos socialistas quando chegam de fato ao poder totalitário que sempre almejam. Segue:

A Sociedade Psicanalítica de Caracas , em plena conformidade com os princípios éticos de nossa instituição, principalmente em relação ao capítulo de direitos humanos que se aplicam a nós, concordou em fazer a seguinte declaração:
 
Expressamos nossa profunda preocupação com os acontecimentos em nosso país após o início dos protestos civis, que começaram em 12 de fevereiro de 2014 pelo movimento estudantil venezuelano. As inúmeras mortes durante as diversas atividades de rua realizadas em vários municípios da Venezuela, as graves restrições à liberdade de expressão dos meios de comunicação social de massa, as alegações fundamentadas de tortura, abusos e excessos na supressão de tais manifestações, leva-nos a nos manifestarmos contra qualquer ato prejudicial aos direitos humanos e ameaça à integridade física, psicológica e moral dos cidadãos, independentemente da sua tendência política, ideológica, sexual ou religiosa.

Em Caracas, aos dezenove dias de março de 2014.

Rodrigo Constantino

 

O outro mico da Petrobrás

EDITORIAL DE O ESTADO DE S. PAULO

O ruinoso negócio da compra da refinaria de Pasadena em 2006, que sangrou a Petrobrás em mais de US$ 1,18 bilhão, surgiu, ao que tudo indica, de uma aposta errada - a suposição, varrida pela crise de 2008, de que o mercado mundial de derivados de petróleo continuaria a jorrar lucros espessos para seus fornecedores. A isso se juntou, como ficou escancarado na última semana, a precipitação da então presidente do Conselho de Administração da estatal, Dilma Rousseff, ao dar o sinal verde para a transação. Ela o fez, conforme sua confissão de próprio punho, apenas com base em um "resumo executivo" de três páginas incompletas.

O parecer não fazia referência a cláusulas cruciais do contrato da petroleira com a empresa belga Astra Oil, da qual adquiriu 50% da instalação, e que a obrigariam, ao cabo de uma batalha judicial nos Estados Unidos, a ficar com a outra metade, arcando ainda com os formidáveis custos do processo. Dilma afirma que só veio a conhecer os termos completos da parceria dois anos depois de aprová-la. Por fim, mas não menos importante, é possível, se não provável, que o valor exorbitante desembolsado pela Petrobrás para ficar com metade da destilaria - 8,5 vezes mais do que os belgas pagaram por ela toda um ano antes - tenha servido para acobertar crimes de superfaturamento e evasão de divisas. Daí as apurações em curso no Tribunal de Contas da União, na Polícia Federal e no Ministério Público.

Faz-se esse retrospecto para sustentar que o escândalo de Pasadena tem um concorrente de vulto em território nacional - a sociedade entre a Petrobrás e a Petróleos de Venezuela (PDVSA) para a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cuja pedra fundamental foi lançada em dezembro de 2005 pelo então presidente Lula e o caudilho de Caracas Hugo Chávez. Pelo "acordo de camaradas", como a joint venture é ironicamente chamada na estatal, ela ficaria com 60% do empreendimento, e a venezuelana, com os restantes 40%. Nesse negócio não houve o erro estratégico que levou ao prejuízo de Pasadena, as autoridades brasileiras não ficaram no escuro em relação a cláusulas eventualmente lesivas à Petrobrás nem tampouco teriam sido cometidos crimes contra o seu acionista majoritário: o Estado.

Foi pior. A parceria com a PDVSA, em termos desvantajosos para o País, é o fruto podre das afinidades ideológicas de Lula com o "socialismo do século 21" do autocrata Chávez, de um lado, e, de outro, da néscia intenção de mostrar altivez perante os Estados Unidos. A política bolivariana do governo petista se inscrevia, por sua vez, na anacrônica diplomacia terceiro-mundista adotada por seu titular, que nada trouxe ao País, salvo desmoralização.

Uma das facilidades concedidas à Venezuela foi a de onerar a Petrobrás com as parcelas que Caracas deveria desembolsar para tocar a obra, se assim preferisse. Mais adiante - depois da assinatura do contrato definitivo com a PDVSA - a dívida seria paga com os juros e encargos, podendo a empresa brasileira recebê-la em ações da associada, a preços de mercado. Só que - assombrosamente - esse contrato nunca foi assinado.

A PDVSA nem precisou refutar a sua condição de devedora. Em documento oficial, saiu-se com uma variante do "devo, não nego…". Os valores, afirmou, "deveriam ser contabilizados na data da assinatura do acordo de acionistas" - que ficou para as calendas. Em outubro do ano passado, revelou ontem o Estado, a Petrobrás se resignou ao calote chavista. A essa altura, a estatal já tinha investido na planta US$ 18 bilhões, ou sete vezes mais do que a estimativa inicial. Serão oito vezes quando, como parece certo, o valor definitivo bater nos US$ 20 bilhões. A verdade é que Chávez enrolou Lula com a história de que a Venezuela precisava de infraestrutura para refinar o seu óleo a ser vendido na América do Sul, mas não tinha como construí-la com seus próprios meios. A parceria com a Petrobrás seria boa também para a economia e o prestígio brasileiros. Depois, Chávez enrolou Dilma. Em dezembro de 2011, prometeu-lhe resolver de vez o problema. Claro que não pretendia resolver coisa alguma - e a Petrobrás de novo ficou com o mico.

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veja.com.br + ESTADÃO

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