Lula defende controle de conteúdo da imprensa em entrevista a blogs sujos e os convoca para a guerra

Publicado em 08/04/2014 19:00 e atualizado em 11/06/2014 17:32 1457 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Lula defende controle de conteúdo da imprensa em entrevista a blogs sujos e os convoca para a guerra

Quando a coisa aperta, então é o caso de chamar a rede de blogs que se orgulham, com justíssima razão, de ser chamados de “sujos”. É… Faz sentido! Tanto dinheiro público investido nesses patriotas, de forma direta ou triangulada (já explico)  tem de render alguma coisinha, não é? Ao menos uma entrevista chapa-branca. De resto, é sempre um conforto o Apedeuta falar com esses iluminados porque, por dever de ofício e fiel a quem paga a conta, eles são mais lulistas do que Lula, mais petistas do que Lula, mais governistas do Lula — mais realistas, em suma, do que o próprio rei, como vocês verão. Há até gente convicta entre eles, embora nunca gratuita, como na mais antiga profissão do mundo. Mas também há os que já foram antipetistas roxos — esse segundo grupo, não se enganem, tentará vender seus serviços aos tucanos ou aos peessebistas caso Dilma não seja reeleita. Como vocês verão, no caso do deputado André Vargas (PT-PR), fica claro que o chefão petista é mais duro do que as penas alugadas. Dá para entender os motivos: Vargas já foi o poderoso Secretário de Comunicação do PT e era um dos interlocutores dessa verdadeira quadrilha de iluministas. Adiante.

Lula dá a orientação. Para ele, trata-se de uma guerra e, para evitar a CPI, é preciso, para usar a sua expressão, “ir pra cima”. Com aquele desassombro de que só ele é capaz, afirmou: “A gente não pode permitir que, por omissão nossa, as mentiras continuem prevalecendo”. De que “mentira” exatamente ele está a falar? O problema é outro: Lula não acredita é que possa existir a verdade: para ele, é tudo uma questão de guerra de versões. O mais forte vence. Ele se esquece de que foi a própria Dilma quem pulou, voluntariamente, no olho do furacão. Aliás, nos bastidores, ele próprio diz isso, numa linguagem que está mais para o ambiente sem censura da estiva do que para a nobreza dos salões.

E sobre André Vargas, o que tem a dizer? Isto: “Ele [André Vargas] é vice-presidente de uma instituição importante, que é a Câmara dos Deputados, e acho que quando você está em um cargo desse, você tem que ser exemplo. Espero que ele consiga convencer a sociedade e provar que não tem nada além da viagem de avião, porque, no final, quem paga o pato é o PT”. Embora, mais adiante, ele diga que o caso do avião “já é grave”, note-se que ele considera a questão menor. Como se fosse possível dissociar um presentinho de R$ 100 mil que um doleiro dá a um parlamentar dos favores que o dito-cujo presta ao financiador da prebenda. Mas esse é o mundo de Lula. Ele nunca teve dificuldades de justificar essas concessões. Ou não é verdade que, durante um bom tempo, quem cuidava de sua vida, digamos, financeira era seu compadre e advogado Roberto Teixeira? Assim, que mal há em Vargas ter o seu próprio Teixeira? Lula acha até desculpável.

Regulamentação da mídia
Ah, sim: Lula também quer regulação da mídia. E ele quer mesmo é policiar o conteúdo. Destaco falas suas, segundo informa o Valor:
“Tentaram me derrubar em 2005, mas enfrentamos. Tentaram fazer a Dilma brigar comigo. Quando ela ganhou, tentaram se apoderar dela e quiseram fazê-la minha inimiga, dizer que o Lulinha estava fora. Temos que retomar com muita força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país. É necessário. Vejo o mundo todo regulando”. Nota: nenhuma democracia do mundo regula conteúdo, como ele quer. Foi além: “Queremos uma coisa mais digna, mais respeitosa. Quando vejo o tratamento a Dilma, é de falta de respeito e de compromisso com a verdade. Não é possível que [a mídia] não se manque que o telespectador está percebendo”.

Ora, se o telespectador está percebendo, o que Lula quer regular? Alguém aí é capaz de dizer onde está o desrespeito? Vejam como a imprensa americana, por exemplo, cobre as ações do presidente dos EUA e como atua a nossa. Somos umas verdadeiras freiras.

Como Lula falava para a turma que lhe puxa o saco, distribuiu tarefas aos blogueiros sujos: “Vocês têm que começar uma campanha. Já que conquistaram a neutralidade da internet, ter a neutralidade dos meios de comunicação”. Mas ele quer a coisa feita com profissionalismo: disse não almejar uma “mídia que seja chapa branca” porque “as pessoas nem acreditam quando fala muito bem todo dia nem quando fala muito mal”. Entendi. Lula quer um órgão estatal que decida quando falar bem e quando falar mal. É mesmo um democrata exemplar.

Ah, sim: ele aproveitou para dizer que a sua candidata em 2014 é Dilma e que é preciso parar com o boato de que ele pode voltar. O que vem agora parece inacreditável, mas é verdade: um dos, vá lá, “entrevistadores” deu até uma bronquinha em Lula. Segundo disse, o ex-presidente não deveria ter negado a candidatura: “Deixa eles pensarem”...

Ora, não fosse assim, essas páginas seriam conhecidas como “blogs limpos”, certo?

Por Reinaldo Azevedo

 

Wikileaks – Representantes do governo americano debateram Pasadena com a então ministra Dilma pessoalmente

A informação está na página “Direto da Europa”, do jornalista Jamil Chade, no Estadão Online. O site Wikileaks vazou telegramas confidenciais da diplomacia americana que dão conta de que o governo dos Estados Unidos enviou missões ao Brasil para tratar, ora vejam!, da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Um dos telegramas é explícito já desde o título: “A Aquisição pela Petrobras da Pasadena Refining Systems”. Ele relata encontros havidos entre enviados da Casa Branca e representantes do governo brasileiro, inclusive, sim, Dilma Rousseff.

Esse telegrama tem a data de 12 de junho. Nessa data, metade da porcaria já estava feita. Não se esqueçam de que a compra de 50% da refinaria foi efetivada em fevereiro de 2006. Afinal, em 2005, a Petrobras já havia demonstrado interesse na aquisição de 70% da sucata, oferecendo nada menos de US$ 332,5 milhões por essa fatia. Naquele mesmo ano, os belgas haviam adquirido 100% do empreendimento por meros US$ 42,5 milhões. A proposta foi recusada. Em dezembro, a direção da Petrobras mandou bala: propôs US$ 359 milhões por apenas 50%. Ponderando tudo, no prazo de alguns meses, a estatal brasileira elevou a sua oferta em 50%.

A vinda desse telegrama à luz evidencia, mais uma vez, que Dilma sempre soube mais do que disse. Desde que estourou o escândalo, ela tenta se esconder no relatório omisso de Nestor Cerveró, que, de fato, omitiu as duas cláusulas problemáticas do contrato: a Marlim, por intermédio da qual a Petrobras garantia à Astra Oil uma rentabilidade de 6,9% ao ano independentemente das condições de mercado, e a “Put Option”, que impunha à empresa brasileira a compra de 100% da refinaria em caso de desavença entre os sócios.

Alguém acredita que Dilma manteve reuniões com representantes da Casa Branca, em junho de 2006, sem conhecer plenamente as condições do contrato entre a Petrobras e a Astra Oil? Não se trata de ser maldoso, não é?, mas de lidar com informações objetivas. Não posso crer que Dilma, como chefe da Casa Civil, ignorasse o que estava em curso. Tratava-se, afinal, de uma reunião de representantes de um governo com representantes de outro.

Desde sempre, tenho insistido aqui, é bobagem evocar a responsabilidade da conselheira Dilma Rousseff. Para isso, eles têm uma desculpa verossímil. O que interessa é saber o que NÃO FEZ a então ministra e depois presidente Dilma Rousseff. Antes, era só uma questão de ilação lógica. Agora, não é mais. Agora, sabemos, está tudo documentado.

CPI? É pouco! Na letra da lei, Dilma merece ser processada por improbidade administrativa. Vamos ver o que diz o Artigo 10 da Lei 8.429:
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

I – facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;

II – permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;

IV – permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço inferior ao de mercado;

V – permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;

XII – permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente.

Encerro
Se condenada, rende perda de mandato.

Por Reinaldo Azevedo

 

Oposição vai ao STF; Jucá faz a vontade do Planalto; ação governista viola a Constituição e acórdão do STF: leiam!

Representantes do PSDB, PPS, SDD (Solidariedade), DEM e PSOL, que são partidos de oposição, e senadores independentes cujos partidos integram, oficialmente, a base governista, entraram com uma representação no Supremo Tribunal Federal para tentar assegurar a instalação da CPI exclusiva da Petrobras. Tudo será inédito. Explicarei já. E cumpre deixar claro de saída: existe um acórdão do Supremo sobre a instalação da CPI que está sendo violado pela base governista. O relator foi o então ministro Paulo Brossard, que deve entender de direito um pouco mais do que Romero Jucá e Renan Calheiros. Chegarei ao ponto.

Cumpre deixar claro, de saída, que a oposição cumpriu as exigências constitucionais e conseguiu o número mínimo de assinaturas para investigar as lambanças na estatal. O foco, como exige o ordenamento legal, não poderia ser mais específico. O Planalto contra-atacou com o que seria, digamos assim, a arma química na guerra política: propôs a sua própria CPI, incorporando, sim, a investigação da Petrobras, mas ampliando as investigações para os governos tucanos de São Paulo e Minas e para a gestão do PSB em Pernambuco. Ao fazê-lo, pretende engolir a CPI da oposição com uma inconstitucionalidade flagrante.

Como sabem, a questão foi remetida para a Mesa do Senado. Renan Calheiros (PMDB-AL, o presidente da Casa — aliado de Dilma e com interesses na Petrobras —, remeteu o caso para a CCJ. Lá, designou-se um relator, outro fiel governista: Romero Jucá (PMDB-RR). Nota: Jucá é fiel a qualquer governo. Ele não teve dúvida: decidiu nesta terça que são inválidos tanto os argumentos da base governista contra a CPI da oposição como o contrário. Resumo da ópera: vai triunfar a CPI oficialista porque supostamente mais abrangente. A decisão caberá ao plenário, mas a gente já sabe qual é.

O que isso significa? Que não se vão investigar as lambanças na Petrobras. E ponto final. É uma manobra escandalosa. Estamos diante de uma clara violação do direito de a oposição fazer oposição. A criação de CPI está disciplinada no Parágrafo 3º do Artigo 58 da Constituição, a saber:
“§ 3º – As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.”

E acabou. É o que está lá. Em nenhum lugar está dado o arbítrio para a Comissão de Constituição e Justiça decidir — com ou sem o auxílio do plenário — se instala esta ou aquela investigações. Trata-se de uma manobra absurda!

Jurisprudência
E há a jurisprudência do Supremo. No julgamento do habeas corpus nº 71.039-5, decidiu o tribunal sobre CPIs:

 Acórdão sobre CPI 1

Acórdão sobre CPI 2

Traduzo:
1 – O poder de investigar é inerente ao poder de legislar;.

2 – uma CPI tem, sim, de ter fato determinado — não pode investigar toda e qualquer coisa;

3 – uma vez instalada, pode ampliar o seu foco, desde que esbarre em fatos conexos, ainda que não estejam na motivação original;

4 – isso exclui, portanto, que se instaure uma CPI sem fato determinado, como quer o governo, apenas para tentar atingir adversários.

A ação do governismo, em suma, viola uma primeira vez a Constituição, ao tentar impedir a instalação da CPI; viola-a uma segunda vez ao ignorar o requisito constitucional para essa instalação e, finalmente, joga no lixo acórdão do Supremo

Qual será a decisão do tribunal? Em tempos normais, é evidente que a oposição teria atendido seu pleito, com base apenas no estado de direito. Hoje em dia, dadas algumas decisões que andaram saindo de lá, não sei.

Por Reinaldo Azevedo

 

Valesca Popozuda numa prova de filosofia e o fim da escola. Ou: Popozuda é a nossa Schopenhauer

Valesca, cuja música virou tema de uma prova de filosofia: ela dá o que pensar

Valesca, cuja música virou tema de uma prova de filosofia: ela dá o que pensar

A escola brasileira acabou, morreu, foi para o ralo. Virou lixo. Foi vítima de “progressiste” aguda. A “progressiste” é uma infecção provocada por um vírus cuja letalidade se deve à mente torta de Paulo Freire, que muita gente considera um santo. Não é que ele tenha criado o bichinho original. Mas foi quem o espalhou. A “progressiste” — que é o progressismo na sua fase terminal — inverte a lógica da educação: em vez de o professor ter algo a ensinar ao aluno, é o aluno que deve levar a sua experiência ao professor. Ou, então, ter-se-ia uma “relação autoritária” e “não dialógica”, compreendem? No domingo, eu assistia ao Fantástico e fui até o ponto em que uma reportagem cantava as glórias de professores “criativos”, sabem?, que resolvem entrar no universo do “educando”. Era a apologia da morte do conteúdo e do currículo. Cada um brinca do que quiser em sala de aula. Confesso que não aguentei a conversa torta até o fim. Tinha mais o que fazer. Não sei se vi, mas é possível, uma senhora, professora talvez, gingando em ritmo de funk ao algo assim. Ok. Não é aprendendo oboé que os pobres vão parar no “Esquenta” da Regina Casé, tá certo?

Vejo agora que um professor de filosofia do Centro de Ensino Médio 3 de Taguatinga, no Distrito Federal, aplicou uma prova de filosofia — teste!!! — a seus alunos e resolveu, como direi?, “incorporar” Valesca Popozuda, que virou uma questão. Pois é… Até Dilma Rousseff estava dando “beijinho no ombro” no Twiiter outro dia. A Dilma Popozuda é a Dilma Bolada em ritmo de funk. A questão é esta:

filosofia Valesca

Dá preguiça debater o mérito da escolha, entrar nas “paulo-freirices” sobre o universo do educando. O que acho mais espantoso, se querem saber, é a formulação. Não sei se a prova trazia a letra, a saber:
Desejo a todas inimigas vida longa
Pra que elas vejam cada dia mais nossa vitória
Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba
Aqui dois papos não se cria e nem faz história

Como se vê, a resposta não demanda nem mesmo interpretação de texto. Se a letra, no entanto, não estava disponível, muito pior porque, para “acertar”, seria preciso tê-la na memória. O que o professor, Antônio Kubitschek é nome dele (não sei se parente do ex-presidente), queria testar? Não sei.

No dia 27 de setembro de 2011, escrevi aqui um posttexto intitulado “O Brasil precisa de menos sociólogos e filósofos e de mais engenheiros que se expressem com clareza”. Notem que escrevi “precisa DE menos” e não “precisa MENOS”. São coisas distintas. Como há por aí filósofos e sociólogos que precisam DE MAIS LEITURA, muita gente não entendeu o que leu. Fazer o quê? Eu nunca neguei que escrevo para pessoas alfabetizadas. O texto me rende ataques bucéfalos até hoje.

Eu criticava, então, uma proposta estúpida que alguém fez à Secretaria de Educação de São Paulo, sugerindo que o ensino médio desse menos aulas de matemática e língua portuguesa em benefício da filosofia e da sociologia. Felizmente, o governador Geraldo Alckmin repudiou a ideia e pôs um fim à conversa mole.

Qual é o busílis? Seja na escola pública, seja na escola privada, os currículos de filosofia e de sociologia ainda não estão definidos. Cada um “ensina” o que quiser. Não raro, as aulas se transformam em meros pretextos para o proselitismo ideológico — na esmagadora maioria das vezes, de esquerda. “SE FOSSE DE DIREITA, VOCÊ IRIA GOSTAR, REINALDO AZEVEDO?” Não também! Professor não é pregador; não é líder partidário; não é pastor; não é sacerdote.

Hoje, são poucos os alunos que não levam na ponta da língua o discurso — e não mais do que o discurso — da igualdade e da justiça, mas não sabem fazer conta; não dominam o instrumental básico da língua para se expressar com clareza fora de suas “tribos”. Não por acaso, o país fica sempre nos últimos lugares nas provas do PISA, com um desempenho incompatível com o tamanho de sua economia.

A escola brasileira é o reino do vale-tudo.
E estamos piorando. Vou reproduzir um trecho de uma entrevista que o poeta Bruno Tolentino, meu querido amigo, concedeu à VEJA na edição nº 1436, de 20 de março de 1996 — HÁ LONGOS 18 ANOS, PORTANTO. Bruno morreu no dia 27 de junho de 2007 sem ver o fundo do poço. Leiam. Volto para encerrar

VEJA — Por que tantas brigas ao mesmo tempo?

TOLENTINO — Para ver se o pessoal cai em si e muda de mentalidade. O Brasil é um país vital que está caindo aos pedaços. Não quero sair outra vez da minha terra, mas não posso ficar aqui sem minha família, que está na França. Não posso educar filho em escola daqui.

VEJA — Por que não?

TOLENTINO — Foi minha mulher quem disse não. Educar um filho ao lado de Olavo Bilac, última flor do Lácio inculta e bela, que aconteceu e sobreviveu, ao lado de um violeiro qualquer que ela nem sabe quem é, este Velosô, causou-lhe espanto. A escola que ela procurou para fazer a matrícula tem uma Cartilha Comentada com nomes como Camões, Fernando Pessoa, Drummond, Manuel Bandeira e Caetano. O menino seria levado a acreditar que é tudo a mesma coisa. Ele nasceu em Oxford, viveu na França e poderá morar no Rio de Janeiro. Ele diz que seu cérebro tem três partes. Mas não aceitamos que uma dessas partes seja ocupada pelo show business.

VEJA — Qual o problema?

TOLENTINO — Minha mulher já havia se conformado com os seqüestros e balas perdidas do Rio, mas ficou indignada e espantada pelo fato de se seqüestrar o miolo de uma criança na sala de aula. Se fosse estudar no Liceu Condorcet, em Paris, jamais seria confundido sobre os valores do poeta Paul Valéry e do roqueiro Johnny Hallyday, por exemplo. Uma vez entortado o pepino, não se desentorta mais. Jamais educaria um filho meu numa escola ou universidade brasileira.

VEJA — Não é levar Caetano Veloso a sério demais? Ele não é só um tema de currículo, entre tantos outros?

TOLENTINO — Não. Ele está também virando tese de professores universitários. Tenho aqui um livro, Esse Cara, sobre Caetano, uma espécie de guia para mongolóides, e a mesma editora desse livro me pede para escrever um outro, sob o título Caetano Se Engana. É preciso botar os pingos nos is. Cada macaco no seu galho, e o galho de Caetano é o show biz. Por mais poético que seja, é entretenimento. E entretenimento não é cultura.

VEJA — O que você tem contra a música popular?

TOLENTINO — Se fizerem um show com todas as músicas de Noel Rosa, Tom Jobim ou Ary Barroso, eu vou e assisto dez vezes. Mas saio de lá sem achar que passei a tarde numa biblioteca. Não se trata de cultura e muito menos de alta cultura. Gosto da música popular brasileira e também da de outros países, mas a música popular não se confunde com a erudita. Então, como é que letra de música vai se confundir com poesia?
(…)

Retomo
Caetano em sala de aula? Pois é… Já lá se vão quase 20 anos. Poderia valer por um Kant, não é mesmo? Não duvidem: a vaca foi para o brejo. Todas as tentativas feitas, em qualquer esfera, de botar alguma ordem na educação brasileira, dando-lhe, quando menos, um currículo esbarram no gigantismo da estrutura, nas corporações sindicais e da ideologia rombuda.

A escola brasileira é o reino em que tudo é possível. Por lá, “todas as experiências são válidas”. Há 18 anos, como aponta Bruno, as coisas já estavam tortas. Depois pioraram. O que se manifestava como um “trabalho de resistência” virou ideologia oficial.

Ao comentar a sua prova, o professor ainda empresta um certo sotaque feminista à coisa, entendem? Leiam o que disse ao Estadão“A prova foi uma provocação. Recebemos várias críticas, e muitas pessoas nem sabem o conteúdo da prova. Colocaram (a Valesca) como um ser que não é pensante, só porque é mulher e funkeira. Se fosse o Mano Brown ou o Gabriel, o Pensador, não teria dado esta polêmica”.

É, talvez não tivesse dado essa polêmica… Notem que, no seu discurso, Mano Brown e “Gabriel, o Pensador” já se tornaram, como posso dizer?, referências “conservadoras”.

A escola brasileira morreu. Teremos de recomeçar do zero.

Por Reinaldo Azevedo

 

O vídeo de Padilha e um recado ao Youtube

Abaixo, segue o vídeo em que o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, empresta seu apoio à reeleição de André Vargas (PT-PR) para a Câmara Federal. O primeiro arquivo foi retirado.

Tão logo eu o publique de novo, sei que vão recorrer ao Youtube para que o vídeo saia do ar. Nesses casos, o site pode até suspender o meu canal.

Acho que o Youtube tem de fazer a devida diferenciação entre um blog jornalístico e o uso comercial de um vídeo autoral ou algo do gênero. O que vai abaixo tem INTERESSE JORNALÍSTICO. Afinal:

a: o ministro da Saúde dá seu apoio ao deputado;

b: esse mesmo deputado é flagrado pela Polícia Federal metido num esquema que, tudo indica, é criminoso dentro do… Ministério da Saúde;

c: o apoio do ministro ao candidato foi público; não se trata de superexposição da vida privada. O assunto é político.

d: tirar o vídeo do ar caracteriza uma clara censura ao trabalho jornalístico.

Por Reinaldo Azevedo

 

FMI reduz para 1,8% a previsão de crescimento do Brasil em 2014

Na VEJA.com:

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta terça-feira sua projeção de crescimento econômico para o Brasil em 2014 a 1,8%, ante 2,3% previstos no início do ano. Em seu relatório “Perspectiva Econômica Global”, o FMI ainda revisou para baixo sua perspectiva sobre a atividade econômica brasileira para 2015, de 2,9% para 2,7%. Em 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3%, considerado um baixo ritmo. O próprio relatório Focus, do Banco Central, preparado a partir da análise de dezenas de analistas de mercado, já diminuiu de 2% para 1,63% sua estimativa para o crescimento econômico do ano desde janeiro.

Segundo o FMI, a economia brasileira está sendo afetada pelas restrições de oferta no mercado interno, especialmente em infraestrutura, e pelo contínuo fraco crescimento do investimento privado. Também pesa a “perda de competitividade e a baixa confiança empresarial”. O órgão internacional também chamou a atenção para a inflação no país, que tem se mantido elevada e próxima do teto da meta oficial (6,5%) e cada vez mais distante de seu centro (4,5%). A estimativa do FMI é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche 2014 a 5,9% e 2015 a 5,5%.

O FMI também projetou que o déficit em conta corrente do Brasil ficará em 3,6% do PIB em 2014 e em 3,7% em 2015. O aumento do endividamento do país e a política fiscal duvidosa, aliados ao baixo crescimento econômico, fizeram com que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixasse o rating soberano do Brasil no mês passado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma faz campanha eleitoral ilegal em MG para si e para outro petista. Ou: Mais uma vez, economia reage bem à queda de petista em pesquisa

Quando lembro que seis ministros do Supremo Tribunal Federal — Luiz Fux, Roberto Barroso, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio — já se pronunciaram contra a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais e vejo o uso desavergonhado da máquina pública federal em favor de candidaturas do PT, mais evidente se torna a estupidez da decisão dos doutores. É impressionante. Na semana passada, a presidente Dilma participou da solenidade de entrega de moradias do programa “Minha Casa Minha Vida”, em São José do Rio Preto, em São Paulo. Lá estava Alexandre Padilha, candidato ao governo do Estado. Nesta segunda, foi a Contagem, em Minas, para doar caçambas e máquinas de terraplenagem a prefeituras da região. E quem estava pendurado em seu braço? Fernando Pimentel, que vai disputar o Palácio da Liberdade. Trata-se do uso explícito, escancarado, sem rodeios, do dinheiro público em favor das candidaturas do partido. E o que o STF pode fazer a respeito disso? Nada! No máximo, as respectivas oposições podem apelar a Justiça Eleitoral — no fim das contas, para nada.

Em Contagem, Dilma decidiu dar uma de valente. Referindo-se à tempestade de lambanças da Petrobras, afirmou: “É muito usual nos períodos da pré-campanha a utilização de todos os instrumentos possíveis para desgastar esse ou aquele governos. Nós temos experiência disso. Enfrentamos isso em 2006, com a reeleição do Lula, e 2010, na minha eleição. O meu governo continuará governando, mantendo o seu caráter republicano. Não iremos recuar um milímetro da disputa política quando ela aparecer”.

Pois é… A doutora se esquece de que é ela  a principal testemunha de irregularidades na Petrobras, não é mesmo? Ela confessou, de próprio punho, que, na condição de presidente do Conselho de Administração, foi enganada numa patranha bilionária. O que a Soberana não consegue explicar é a sua omissão posterior. Parece que o Planalto não está se dando conta de que, desta vez, a cascata de que tudo não passa de uma conspiração contra a Petrobras não está colando. Pesquisa Datafolha revela que 78% dos entrevistados acreditam haver, sim, corrupção na empresa. E por que não acreditariam? A cada dia, ficamos sabendo um pouquinho mais daquela casa de horrores.

Em seu pronunciamento em Contagem, ao lado do candidato do PT ao governo de Minas, Dilma, cinicamente, disse que a campanha só começa em junho. É mesmo? O orador dos prefeitos foi o prefeito da cidade de Joaíma, Donizete Lemos. Discursou: “Não tenham medo de apoiar a presidente Dilma. Não tenham medo de encarar a campanha. Vamos manter esse governo. Prefeito não tem que ter medo. A Dilma tem que continuar”. E os presentes entoaram “Olê, olê, olê, olá, Dil-má, Dil-má”. Por muito menos, a Justiça Eleitoral já cassou mandato de prefeito e governador. É evidente que isso caracteriza uso da máquina pública em favor de um partido e compra de voto. Aqueles gloriosos ministros do STF, no entanto, estão ocupados em proibir a doação legal de campanha. Há uma coisa positiva. Há sinais evidentes de que, a cada dia, mais gente vai demonstrando que já está com o saco cheio desse estilo. Nesta segunda, mais uma vez, os mercados viveram um dia de otimismo. Por quê? Comemoravam a queda de seis pontos de Dilma na pesquisa do Datafolha. Essa gente atrapalha hoje de tal sorte o país que a simples perspectiva de que possa ser, quem sabe, derrotada em outubro já enche os espíritos de um ânimo novo. 

 Texto publicado originalmente às 4h55

Por Reinaldo Azevedo

 

Empresa investigada em esquema de doleiro doou R$ 4,5 milhões ao PT

Por Andréia Sadi e Fernanda Odilla, na Folha:
Investigada pela Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato, a empresa Jaraguá Equipamentos doou R$ 4,5 milhões ao diretório nacional do PT entre 2010 e 2012. A empresa, que é fornecedora da Petrobras, é apontada pela PF como uma das financiadoras do esquema que seria comandado pelo doleiro Alberto Youssef, atualmente preso em Curitiba. A Jaraguá Equipamentos foi contratada pela Petrobras para a obra da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, no valor de R$ 1,2 bilhão. Em 2010, ano de eleição presidencial, a companhia doou, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), R$ 2,5 milhões para o PT. Em 2011, repassou R$ 1 milhão ao partido. No ano seguinte, mais R$ 1 milhão. A prestação de contas partidárias de 2013 ainda não está disponível no sistema do TSE. Não há registro de doações para outras legendas pelo menos em 2010 e 2011.

A Jaraguá é uma das nove fornecedoras da Petrobras que, conforme revelou a Folha no sábado, depositaram R$ 34,7 milhões na conta da MO Consultoria. A polícia suspeita que essa consultoria repassaria propina para funcionários públicos e políticos. De 2009 a 2013, segundo um lado da PF, passaram pela empresa um total de R$ 90 milhões. Além do diretório nacional do PT, parlamentares do PP também receberam em 2010 doações eleitorais da Jaraguá Equipamentos, como mostrou o jornal “O Estado de S. Paulo”. Um dos deputados beneficiados é o ex-ministro Mário Negromonte (PP-BA), que recebeu R$ 500 mil. Ele disse à Folha que foi apresentado à empresa pelo ex-líder de sua legenda José Janene, que morreu em 2010.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

O Joaquim Barbosa autoritário, amado pelas esquerdas, volta a dar as caras

Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal — que, consta, pode deixar o tribunal ainda neste ano —, perdeu, nesta segunda, uma excelente chance de ficar calado, refletir melhor e, depois, então, se fosse o caso, emitir a sua opinião. Mas este sempre foi um defeito seu, não é mesmo?, estivesse certo ou errado: falar primeiro e, eventualmente, pensar depois. Nesta segunda, o ministro participou do seminário “Liberdade de expressão e o Poder Judiciário”, no Tribunal de Justiça do Rio. E eis que surgiu aquele Joaquim que foi indicado por Lula para o Supremo; eis que se mostrou o Joaquim que ainda não havia sido transformado na Geni do petismo por causa de seus votos contra os mensaleiros.

Vamos lá. O leitor poderia dizer: “Você, que sempre elogiou o ministro, vai criticá-lo agora?”. Pois é. Basta acessar o arquivo deste blog para saber que, ao longo dos anos, mais critiquei do que elogiei Barbosa. O fato de ele ter feito a coisa certa no mensalão não implica que eu endosse seu estilo e apoie sempre as suas opiniões. Ainda há dias, ele votou contra a possibilidade de empresas privadas doarem dinheiro para campanhas eleitorais, por exemplo. Acho que ele está errado.

Nesta segunda, o ainda ministro resolveu fazer digressões sobre a chamada regulação dos meios de comunicação. Afirmou, segundo informa Ítalo Nogueira na Folha: “Normatização, regulação, seja ela do Estado ou autorregulação, é importante. O que não deve haver é falta de qualquer regulação. Não defendo censura, nada disso. A vida social é feita de constantes choques e embates entre direitos, pessoas e grupos. Sem um balizamento normativo, seja ele do Estado ou mesmo dos próprios integrantes de um determinado sistema produtivo, aquele que tem a incumbência de resolver os conflitos entre esses grupos e essas pessoas tem dificuldade de fazê-lo”. Ufa!

Até aí, parece ok. Vale para qualquer assunto. Mas ele decidiu ser mais preciso, e aí meteu os pés pelas mãos. Para ele, “falta diversidade” aos meios de comunicação do país. Sei… Avançou: “Há organizações que fizeram esforços nos últimos 15, 20 anos, para ter mais a cara do Brasil, na chamada paisagem audiovisual brasileira. Outras simplesmente não despertaram para essa necessidade. Precisamos de visões mais plurais e ver isso com mais naturalidade. Vocês não acham que a informação no Brasil é repetitiva, obsessiva, cansativa às vezes? Todo mundo diz a mesma coisa”.

Barbosa está misturando alhos com bugalhos. Quando um sujeito afinado com os valores democráticos fala em regulamentação, pensa em eventuais questões técnicas e legais — não mais do que isso. Há políticos, por exemplo, que recebem concessões de rádio e TV por intermédio de terceiros. Isso precisa parar, mudar. Barbosa, no entanto, está falando de outra coisa: de conteúdo! Quem é que vai fazer isso que ele prega? O estado? Uma comissão de autocensura, que, em nome da tal diversidade, iria policiar a informação? Quem disse a Barbosa que os meios pensam a mesma coisa, defendem a mesma coisa, noticiam a mesma coisa? Trata-se de uma visão vesga, distorcida e, ela sim, preconceituosa. Joaquim deveria é dedicar o seu tempo a ações do Poder Judiciário que têm servido para censurar o jornalismo. De resto, na era da Internet, essa conversa perdeu sentido.

Vamos nos lembrar: o ministro já foi o herói daquele subjornalismo do nariz marrom, que existe só para aplaudir as ações do petismo e das esquerdas. Depois se transformou no grande vilão, quando condenou os criminosos do mensalão. Agora que defende algo que tem cara de censura, cheiro de censura e jeito de censura — e que, pois, deve ser censura —, já pode voltar a ser tratado como um vingador.

Consta que Barbosa vai deixar o tribunal ainda neste ano. Não sei o que vai fazer. De qualquer modo, ele tem o direito de defender o que quiser, mas certas posturas ficam melhor no Palácio do Congresso do que no da Justiça. Ele que se candidate, então, a algum cargo eletivo, atravesse a Praça dos Três Poderes e participe do debate político.

Este comentarista é assim esquisito: quando gosta de alguma coisa diz: “gosto”; quando não, então “não gosto”. Não elogio nem critico pessoas, mas ideias. E as de Joaquim Barbosa sobre meios de comunicação são tão primitivas como as da esquerda mais rombuda.

Por Reinaldo Azevedo

 

Vargas não tem escapatória, diz presidente do Conselho de Ética da Câmara

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
Com a situação cada vez mais grave, o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), tentou protelar a abertura de um processo por quebra do decoro parlamentar no Conselho de Ética. Horas antes de anunciar seu afastamento da Câmara por sessenta dias, o petista telefonou para o deputado Ricardo Izar (PSD-SP), que preside o colegiado, pedindo que só iniciasse os procedimentos regimentais depois de uma conversa entre os dois. Na tarde desta segunda-feira, três partidos de oposição – PSDB, DEM e PPS – ingressaram com uma representação no Conselho pedindo investigação sobre a estreita relação, revelada por VEJA, de Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal em uma operação de combate à lavagem de dinheiro. Pelo telefone, o petista fez um apelo a Izar: “Queria conversar com você. Você sabe que eu estou em um momento difícil. Dá para não aceitar o protocolo, e à tarde a gente conversa?”.

 A estratégia proposta por Vargas, no entanto, nem sequer depende do presidente do Conselho de Ética. Cabe à Mesa Diretora da Câmara, da qual o próprio faz parte, encaminhar o processo ao colegiado. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se comprometeu a remeter o caso nesta terça-feira. “Eu respondi a Vargas que não tenho como segurar o recebimento. A gente vai ter de abrir o processo normalmente, esse é um rito que tem de ser seguido”, disse Izar.

Além de Vargas, a assessoria do deputado procurou o Conselho de Ética em busca de informações sobre os prazos regimentais para a análise do caso, algo que não deveria ser novidade para ele: foi Vargas quem comandou as manobras para atrasar o processo de cassação contra o ex-deputado José Genoino (PT-SP).

“Não tenho dúvidas de que vão usar todos os artifícios para protelar a ação. Mas o André Vargas não tem escapatória. São denúncias gravíssimas”, disse o presidente do Conselho de Ética. O petista pode sofrer desde uma advertência até enfrentar a abertura de um processo de perda de mandato. “Não dá para aliviar. Eu acho que esse é um caso para cassação. Mas depende da análise de todo o processo e da votação do colegiado.” Izar continuou: “É muita malandragem que está sendo descoberta, e o caso está sendo cada vez mais divulgado. As pessoas não têm mais medo. Será que as coisas não servem de exemplo, como o caso do mensalão? Mas, mesmo assim, os fatos não mudam.”

Por Reinaldo Azevedo

 

No Brasil estatista dos companheiros, até o santinho é do pau oco!

Que coisa, né? Estou aqui estarrecido. Até os santinhos, coitados!, quando próximos da Petrobras, acabam ficando com o pau oco. Nada escapa da sanha companheira, nem o território do sagrado. Segundo informa Aguirre Talento, naFolha Online, uma verba doada pela Petrobras para a restauração de uma igreja, na Bahia — terra natal do então presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli —, resultou em um dano de R$ 4,2 milhões aos cofres da estatal. Pior ainda: a restauração não terminou, ficou pelo caminho.

É isto mesmo: a estatal liberou a bolada de R$ 7,6 milhões para que a ONG Grupo Ecológico Humanista Papamel restaurasse a igreja Santo Antônio de Cairu, na cidade de Cairu, que fica a 294 km de Salvador. A tal entidade foi escolhida a dedo, sem nenhum processo de seleção. Como se sabe, a Petrobras não se preocupa com essas bobagens. Entre 2011 e 2013, a maior empresa brasileira executou obras no valor de R$ 90 bilhões sem fazer licitação.

Qual a experiência do tal “Papamel” em restauração? Nenhuma! Nunca chegou a colar a cabeça ao corpo de um santinho de barro nem com Super Bonder. Trata-se de um grupo de militância… ambiental, entendem? Por isso, a ONG subcontratou uma empresa chamada Patrimoni para realizar a tarefa. Aí pensará o leitor: “Essa, sim, sabia tudo de restauração, né?”. Engano! Também não sabia nada. Embora nos relatórios da Petrobras haja a informação de que 100% da obra foi concluída, isso é… mentira!

A grana foi repassada à tal Papamel entre 2005 e 2009. Segundo a Controladoria-Gral da União, além de ter havido direcionamento na escolha da ONG, houve um prejuízo de R$ 1,7 milhão em decorrência de serviços previstos e não prestados, e há nada menos de R$ 2,5 milhões de gastos sem origem conhecida — não se sabe em que o dinheiro foi empregado: nada menos de 33% do total de recursos.

Segundo o relatório da CGU, um certo Manuel Telles, engenheiro, que responde pela Patrimoni, teria tido acesso a informações privilegiadas dentro da Petrobras. Pois é… Telles e o então responsável pela Papamel na época, José Renato Santana Souza, dizem que a obra ficou inacabada porque imprevistos aumentaram o orçamento inicial e que seriam necessários aditivos. Claro, claro! O “aditivo” num contrato em razão de “imprevistos”, como sabemos, é o sal da terra para essa gente.

E pensar que estamos há quase 12 anos submetidos à ditadura vagabunda dos valores estatistas. Venham cá: vocês acham que uma empresa privada faria certas coisas que faz a Petrobras? Vocês acham que uma empresa privada doaria quase R$ 8 milhões para uma ONG restaurar uma igreja sem que ela fosse especializada no assunto? Vocês acham que uma empresa privada pagaria US$ 1,3 bilhão por uma refinaria que custara US$ 42,5 milhões dois anos antes? Vocês acham que uma empresa privada seguraria a onda de um diretor que, num processo de aquisição, omitisse informações essenciais ao Conselho de Administração?

Sempre que alguém começar a defender as glórias do estado empresário na sua frente, leitor, das duas uma: ou é um bobalhão desinformado, com os platinados já colados pela ideologia estatista, ou é um potencial ladrão de dinheiro público.

No Brasil dos companheiros, todo santinho é do pau oco.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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3 comentários

  • Sebastião Ferreira Santos Fátima do Sul - MS

    Como o povo brasileiro é otário, achar que um bandido inescrupuloso desses é Deus, pois adorar um marginal desses é como adorar o "DEMO".

    E o povo paulista que se cuide pois esse PADILHA foi capaz de dizer que em CUBA existe uma democracia.

    Afinal o PT é composto por Terroristas da pior espécie como...Lula, Dilma e tantos outros aliados que agem nos estados brasileiros.

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  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    esse dinheiro de 2006 ja foi pra reeleisão do lula isso da inegelibilidade?

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  • Aredson Inácio Palmeira das Missões - RS

    Quanto maiores os crimes e mentiras do PT, mais os petistas se apaixonam.

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