Nada como uma vaia depois da outra para abalar a fé dos devotos, emudecer o chefe da seita e tirar o sono da guardiã do rebanho

Publicado em 05/05/2014 19:21 e atualizado em 07/07/2014 14:04 1812 exibições
por Augusto Nunes, de veja.com.br

Direto ao Ponto

Nada como uma vaia depois da outra para abalar a fé dos devotos, emudecer o chefe da seita e tirar o sono da guardiã do rebanho

Atualizado às 18h50

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Nada como uma vaia depois da outra para embaralhar a partitura da ópera dos malandros, desafinar o coro dos contentes, tirar o sono dos sacerdotes da seita, emudecer o seu único deus, escancarar a indigência mental da guardiã do rebanho, abalar a fé do mais fanático devoto, induzir convertidos de aluguel a flertar com outros altares. Nada como uma vaia depois da outra para assombrar as madrugadas de quem até outro dia dormia contando votos da vitória no primeiro turno e acordava sonhando com a proclamação da república bolivariana.

As manifestações de rua de 2013 implodiram a farsa do Brasil Maravilha, mas os alvos dos protestos não foram identificados tão claramente quanto neste outono. Os destinatários das mensagens sonoras agora têm nome, sobrenome, endereço e filiação partidária. Cresce em progressão geométrica a imensidão de brasileiros que enxergam as coisas como as coisas são. Milhões de lesados descobriram que o bando acampado no coração do poder foi longe demais até para os padrões do País do Carnaval. E exigem mudanças imediatas.

Todos constataram que o governo lulopetista recruta e acoberta corruptos. Que a roubalheira impune agora é medida em bilhões de dólares. Que os ineptos e os larápios se associaram para enterrar em estádios padrão Fifa o dinheiro que poderia abrandar pavorosas carências no universo da saúde e da educação. Que as promessas não descem dos palanques. Constataram, enfim, que lidam há 12 anos com vendedores de nuvens e camelôs de si próprios.

Alheio às alterações na paisagem, o marqueteiro João Santana imaginou, depois de consumir uma semana na releitura de pesquisas recentes, que a curva descendente da candidata à reeleição seria invertida por outro comício eletrônico transmitido em cadeia nacional. Péssima ideia: a discurseira na véspera do Dia do Trabalho só serviu para comprovar que as cartas na manga acabaram, que as mágicas de picadeiro perderam o encanto e que truques outrora infalíveis ficaram subitamente grisalhos.

Habituada a conjugar impunemente os três verbos preferidos de Lula — mentir, tapear, distorcer —, Dilma soube tarde demais que o senador Aécio Neves e o ex-governador Eduardo Campos não deixariam nenhum embuste sem revide, nenhuma invencionice sem réplica. Dispostos a provar que a oposição voltou de vez das férias, os candidatos do PSDB e do PSB à sucessão presidencial assumiram o papel de porta-vozes dos descontentes.

Dilma garantiu, por exemplo, que “a inflação continuará rigorosamente sob controle”. Ouviu que não se pode continuar o que não começou. Ao “reafirmar o compromisso do governo com o combate incessante e implacável à corrupção”, foi convidada a suspender a guerra de extermínio movida contra quem se atreve a investigar patifarias bilionárias consumadas nas catacumbas da Petrobras. E a tentativa de responsabilizar a oposição pelos estragos na imagem da estatal soou como anedota improvisada por patriotas de galinheiro.

“Os brasileiros não aceitam mais a hipocrisia”, recitou no fim do comício. Não aceitam mesmo, reiteraram as comemorações do Primeiro de Maio em São Paulo. Pela primeira vez desde a fundação do PT em 1980, figurões do Partido dos Trabalhadores foram impedidos de discursar no Dia do Trabalho. O ministro Ricardo Berzoini e o prefeito Fernando Haddad, por exemplo, não conseguiram abrir a boca sequer no palanque da CUT, controlada desde sempre por pelegos companheiros. Lula e Dilma nem deram as caras por lá. Na tarde seguinte, obrigada a visitar a Expozebu, a presidente reencontrou em Uberaba — três vezes — as vaias das quais escapara na véspera.

Nas primeiras 72 horas de maio, João Santana aprendeu, entre outras lições sempre úteis, que o país que não é para amadores também trata sem clemência adivinhos de botequim. Confrontado com a epidemia de apupos (e com mais uma pesquisa atulhada de más notícias para o Planalto), ele certamente se lembrou da entrevista, concedida em dezembro de 2010, em meio à qual resolveu restaurar a monarquia, transformar o gabinete presidencial em sala do trono e coroar Dilma Rousseff.

“Como se trata de uma figura única, que uma nação precisa de séculos pra construir, a ausência de Lula deixa uma espécie de vazio oceânico”, ressalvou o marqueteiro do reino. Apesar disso, ou por isso mesmo, Dilma tinha tudo para transformar-se na herdeira que todo súdito pede a Deus. “A República brasileira não produziu uma única grande figura feminina, nem mesmo conjugal”, ensinou Santana. “O espaço metafórico da cadeira da rainha só foi parcialmente ocupado pela princesa Isabel. Dilma tem tudo para ocupar esse espaço”.

Em novembro de 2012, festejou o acerto da profecia. “Foi uma metáfora que está se cumprindo simbolicamente”, cumprimentou-se o imaginoso publicitário baiano. “Grandes camadas da população têm um respeito, uma admiração e um carinho tão sutil por Dilma que chega até a ser de uma forma majestática”. Os fatos já aposentaram faz tempo o professor de história e o vidente. O marqueteiro só sobreviverá se esquecer os escombros do trono e concentrar-se nas rachaduras do palanque.

Mas vai perder seu tempo se ceder à tentação de descobrir a cura da vaia. E acabará perdendo o emprego.

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História em Imagens

Um vídeo mostra que o Brasil inventado pelo “governo das conquistas trabalhistas” nunca chegou ao bolso dos trabalhadores

A cesta básica em São Paulo custa cerca de R$ 360, ou metade de um salário mínimo (R$ 724). Nos Estados Unidos, onde o salário mínimo gira em torno de US$ 1.280, os mesmos produtos (nas mesmas quantidades) não chegam a 10% desse valor.

Enquanto os americanos desembolsam 13 salários para comprar um Ford Focus, os brasileiros pagam 90 salários pelo mesmo veículo. E a carteira de motorista, que nos EUA sai por US$ 36, no Brasil não custa menos de R$ 1.200.

Esses são alguns dos numerosos dados apresentados no vídeo Brasil, the country of de future (Brasil, o país do futuro), de Carlinhos Troll, autor do também imperdível Fifa World Cup 2014 – The real Brasil (Copa do mundo Fifa 2014 – O Brasil real). Em pouco mais de cinco minutos, o desfile de cifras e informações escancara a obviedade: o Brasil inventado pelo “governo dos direitos e das conquistas trabalhistas, que encontra caminhos para melhorar a vida dos que vivem do suor do seu trabalho”, como proclamou Dilma Rousseff no pronunciamento do Dia do Trabalho, nunca chegou ao bolso dos trabalhadores.

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Opinião

‘A política como ela é’, por Ricardo Noblat

Publicado no Blog do Noblat

RICARDO NOBLAT

Na última segunda-feira, à tarde, o mineiro Bernardo Santana, líder do PR na Câmara, trocou a foto de Dilma que tinha no seu gabinete por uma de Lula e leu com a voz empostada um documento assinado por 20 dos 32 deputados do seu partido pedindo a volta do ex-presidente.

À noite, em um restaurante de Brasília, revelou a uma eclética plateia as verdadeiras intenções que o levaram a fazer o que fez:

 

“Na véspera, espalhei entre os fofoqueiros que a maior parte da bancada estava disposta a romper com o governo. No dia seguinte, a imprensa publicou. Aí eu vi que correria o risco de ficar quase sozinho. Então pensei muito sobre o que fazer em seguida. Foi quando saquei que o apoio ao “Volta, Lula!” seria capaz de atrair a maioria da bancada. Deu certo. A maioria ficou comigo. E não precisa necessariamente largar o governo nem devolver os cargos.

- Era um passito à frente e dois atrás. Se tivesse dependido de mim eu teria ido direto para o rompimento. O rompimento de verdade com o governo Dilma. E aí passaria a apoiar outro candidato a presidente. Quem? A maioria da bancada quer apoiar Eduardo Campos. Eu já disse isso ao Aécio. Não tem jeito. Mas se eu tivesse ido para o rompimento teria sido abandonado pela maioria. E aí perderia uma grande vantagem.

- O “Volta, Lula” é uma forma de romper com o governo sem romper, entende? Por uma questão de segurança, colhi assinaturas dos deputados. Mas garanti a eles que não publicaria os nomes de jeito nenhum. Protegi meus liderados. E ao mesmo tempo me protegi caso duvidassem que a maioria apoia minha posição. Se o PT ficou feliz? Bem, uma grande parte dele ficou feliz, sim. Não viu o Vaccarezza que estava comigo naquela mesa ali?

- O Berzoini me ligou. E a pedido dele fui encontrá-lo no Palácio do Planalto. Ele perguntou: “Porra, que merda é essa?” Veja: não foi ele quem me disse isso. Deduzi pelo semblante dele, pelo tom de voz dele, que estava contente com a posição da bancada de apoio ao “Volta, Lula!”. Não me ofereceu nada. Nem eu aceitaria. Ao apoiar o “Volta, Lula!”, deixei claro que o partido apoiará Dilma até deixar de apoiar.

- Se Lula vai topar ser candidato? Duvido. Lula é muito inteligente. Ele sabe que o próximo presidente, seja ele quem for, será obrigado a fazer os ajustes que a Dilma não fez. Vai ter que adotar medidas duras que deixarão as pessoas insatisfeitas. Lula não entrará nessa fria. Poderá vir mais adiante se apresentando como o pai da pátria, o salvador da Nação. Mas agora, não. Ele não é tão corajoso assim.

- O governo está pressionando todo mundo. Mas não tenho medo que queiram investigar a minha vida. Dizem que fui um dos deputados que mais gastaram para se eleger. Mentira! Posso ter sido um dos que mais admitiram ter gastado muito. Mas 85% do que gastei foram provenientes da minha empresa. Sou industrial. Voto no Congresso de acordo com os interesses da indústria. Mas rabo preso? Não tenho.

- O Youssef [Alberto, doleiro] vai abrir o jogo. Dizem que ele vai entregar cerca de 45 parlamentares entre deputados federais e senadores. Não ligo para isso. Quem não deve não teme. Sou filho, neto, bisneto, tataraneto de políticos. Estou no primeiro mandato como deputado federal. Meu pai foi seis vezes deputado federal e quatro estadual. Tenho orgulho disso.

- A Polícia Federal tem várias alas. E o governo não manda em todas. É por isso que muitas coisas estão por vir.

Tags: Aécio NevesBernardo SantanaDilma RousseffEduardo CamposLula,Ricardo BerzoiniRicardo Noblatvolta

 

Governo

Mercadante em Itaipu

dilma e mercadante

Indicado de confiança de Dilma

Dilma Rousseff nomeou Aloizio Mercadante para o Conselho de Administração de Itaipu. Os integrantes do colegiado recebem jetons de aproximadamente 20 000 reais por mês.

As reuniões ordinárias ocorrem uma vez a cada sessenta dias, além dos encontros extraordinários, que podem ser convocados a qualquer momento. A nomeação de Mercadante vale até maio de 2016.

Por Lauro Jardim

 

Eleições 2014

O novo Datafolha

Os alvos do Planalto

Nova pesquisa

Depois de duas pesquisas que deixaram muitas dúvidas na semana passada, feitas por dois institutos mineiros, o Datafolha vai às ruas entre quarta-feira e quinta-feira para botar um pouco de ordem na chuva de levantamentos eleitorais.

O resultado será divulgado na sexta-feira à noite. É hora de ver se Aécio Neves subiu mesmo e o quanto Dilma Rousseff caiu.

Por Lauro Jardim

Tags: Aloizio MercadanteDilma RousseffItaipu

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Fonte:
Blog Augusto Nunes (VEJA)

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Está comprovado. Desde o ENEM o viés socialista do PT é implantado pelo Método Paulo Freire de "Encino" utilizando as regras preconizadas por Antonio Gramsci... está tudo em execução para doutrinar. Renomado Professor, Dr. em Economia ERROU a metade das questões do ENEM simplesmente porque as respostas tidas como certas pelo ENADE se baseiam em ideologias em não em fatos. Os Marxistas insistem em fazer colheita no pomar plantado pelos outros. Outros para eles são os burgueses, estes malditos capitalistas que teimam em inventar mecanismos de produção de riquezas... Confira!

    http://www.insper.edu.br/noticias/o-objetivo-e-doutrinar/

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