REFAÇO O CONVITE: Vamos fugir! Deixemos o Brasil para os peles vermelhas de Carvalho, os peles verdes da Marina e os padres de t

Publicado em 31/05/2014 12:47 e atualizado em 09/07/2014 17:07 1656 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

REFAÇO O CONVITE: Vamos fugir! Deixemos o Brasil para os peles vermelhas de Carvalho, os peles verdes da Marina e os padres de tacape. Que as vastas solidões de Banânia se inundem de sapos, pererecas e ongueiros comendo larva de mosca

Pois é, pois é… José Eduardo Cardozo recebeu as lideranças indígenas um dia depois de um policial militar ter sido ferido por um flechada num dos infindáveis protestos dos silvícolas que tomam conta da Esplanada dos Ministérios. Pois é… Daqui a pouco, nesse processo regressivo que toma conta do Brasil, sob o comando da presidente Dilma Rousseff, os caetés ainda pedirão um novo bispo para deglutir, reavivando o sabor da carne certamente já tenra do bispo Sardinha. Não lhe bastou um naufrágio na costa de Alagoas em 1556, ainda teve de topar com “os verdadeiros donos do Brasil” cheios de fome… Desta feita, sugiro Gilberto Carvalho com batatas coradas.

Sim, senhores! Cardozo, aquele que garantiu que o Brasil é um país seguro para os estrangeiros — os 56 mil brasileiros assassinados em 2012 que se danem! — seguiu o padrão deste governo: bata, faça escarcéu, arranque sangue, mande a lei às favas e seja recebido pelo governo, com o tapete vermelho estendido.

O ministro recebeu uma comissão de 18 indígenas, entre eles, informa a Folha, o cacique Uilton Tuxá, da Bahia, que classificou o encontro como “o pior” de que já participou. “Ele [Cardozo] disse que não vai assinar nada. Que vai insistir na tentativa de construir mesas de diálogo”. Um dos silvícolas ameaçou: “Por culpa dele, muitos fazendeiros vão morrer”. Índios amarrados ao mastro da bandeira se soltaram e tingiram “o símbolo augusto da paz” de vermelho, o que significa, no simbolismo dos povos primitivos da floresta, uma “declaração de guerra”. Então vou de outro índio: “Ai, que preguiça!”.

Números
Querem números? Eu dou. Há 359 territórios indígenas completamente definidos no país, e outros 45 já foram homologados pela Presidência. Estão em discussão mais 212 áreas. Paramos por aí? Não! Há mais 339 pedidos de demarcação. Veja bem, leitor amigo: aquelas 359 áreas já resolvidas correspondem a 13% do território brasileiro. Caso se façam todas as vontades, a elas se acrescentariam, por enquanto, outras… 596!!! Depois falta resolver o problema dos quilombolas… De novo: o Brasil já destina hoje aos pouco mais de 500 mil índios que moram em reservas (de um total de pouco mais de 800 mil) uma área correspondente a 26,6 Holandas, 11 Portugais ou duas Franças.

O governo do PT reencruou a questão indígena, especialmente na gestão Dilma Rousseff. O encarregado da área é Gilberto Carvalho, o secretário-geral da Presidência. Seu braço-direito é um tal Paulo Maldos. Eles é que incendeiam as aldeias com a sua “política”. Esses dois respondem pela destruição de uma vila chamada Posto da Mata, distrito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. A turma de Carvalho e Maldos destruiu um povoado de quatro mil pessoas. É que ficou decidido que ela estava no meio da reserva Suaiá-Missú, dos xavantes. Nada ficou de pé. Nem a escola. Só restou uma igrejinha em meio a escombros. Se vocês querem saber do que é capaz a política humanista de Carvalho, vejam este filme.

Refaço o convite
Refaço um convite que já fiz aqui há quase um ano, no dia 1º de junho de 2013, relembrando, antes, mais um número.

Descontadas as áreas de preservação permanente — sim, também será preciso contemplar a fúria demarcatória dos ambientalistas —, toda a pecuária e toda a agricultura brasileira são produzidas em 27,5% do território brasileiro — pouco mais do dobro do que se destina hoje às reservas indígenas, onde não se produz um pé de mandioca. Quem frequenta praias do Litoral Norte, em São Paulo, passa à beira de uma reserva indígena, às margens da rodovia Rio-Santos. Os guerreiros estão com suas barraquinhas armadas à beira da estrada, vendendo palmito, ilegalmente extraído, e bromélias… É o que a Funai entende por preservação dos povos tradicionais…

Vamos fechar Banânia! Os brancos voltamos para a Europa; os amarelos, para a Ásia, os negros, para a África. Os mestiços podem tentar negociar — talvez servir de mão de obra escrava aos “racialmente puros”, sei lá… Vamos devolver o Brasil aos índios, deixando as vastas solidões para os 800 mil indígenas e para os sapos, as pererecas e os bagres da Marina Silva. A propósito: por que os ambientalistas fazem questão de ignorar a óbvia degradação do meio ambiente nas reservas indígenas? Já sei: ambientalista bom é aquele que briga com o agronegócio — ou não aparece nenhuma ONG estrangeira, geralmente ligada a produtores rurais americanos ou europeus, para financiá-los, né? Como, em regra, os índios não produzem nada e não precisam competir com ninguém — vivem de cesta básica, Bolsa Família e extração ilegal de madeira e minérios —, por que mexer com eles?

Chega de Banânia! Vamos embora deste lugar, gente! Não é que não haja por aqui um povo empreendedor. Mas é chato esse negócio de tentar produzir comida tendo de enfrentar os peles-verdes, os peles-vermelhas e os caras de pau.

Por Reinaldo Azevedo

 

O petismo é o malufismo pós-romântico

Sempre que príncipes do pensamento — e da gramática! — como Emir Sader saúdam o caráter “progressista” do PT, eu e ele pomos a mão na carteira, por motivos diferentes.

O petismo, obviamente, não é e nunca foi, digamos, “progressista”. A turma é autoritária, aí sim, e isso, obviamente, é outra coisa. O petismo é hoje um meio de vida. A turma se apoderou do estado e não quer largar o osso de jeito nenhum. E aí vale tudo.

E, se vale tudo, vale também uma aliança com Paulo Maluf não apenas por motivos pragmáticos. Ao contrário. Eles têm é orgulho mesmo. O petismo é a profissionalização do malufismo. O petismo é malufismo transformado num sistema. O petismo é o malufismo pós-romântico, entendem? O malufismo ainda era aquela coisa que dependia do talento individual para certas práticas, como Butch Cassidy e Sundance Kid. Notem: há uma certa inocência perversa em Maluf, como alguém que não consegue fugir à sua natureza. O PT é a racionalização da voracidade malufista.

A foto em que Lula e Fernando Haddad posam — Emir Sader escreveria “pousam” — ao lado de Paulo Maluf nos Jardins da Babilônia da mansão do notório político já fez história. Alexandre Padilha deve achar que o chefão do PP em São Paulo é uma espécie de talismã. E foi também ele em busca da sorte. Vejam as duas imagens, publicadas pela Folha.

PT E MALUF

É isso aí. Em 2010, Marilena Chaui tentou explicar a aliança do PT com Maluf. Segundo essa grande pensadora, Maluf não é de direita porque “sempre se apresentou como engenheiro”. Para Marilena, quando o sujeito é engenheiro, não é de direita; quando é de direita, não é engenheiro.

Entenderam onde foi parar o petismo? Dá pra descer mais? Sempre dá.

Por Reinaldo Azevedo

 

A FARSA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Leia a “Carta ao Leitor” da VEJA que começa a chegar hoje aos leitores.

CARTA AO LEITOR

Une os governos de Lula e Dilma Rousseff o apoio ao que seus ideólogos chamam de “movimentos sociais”, que nada mais são do que grupos organizados para servir de massa de manobra aos interesses políticos radicais. O encarregado de organizar e manter vivos esses grupos é Gilberto Carvalho, que, de sua sala no Palácio do Planalto, atua como um ministro para o caos social. Essa pasta, de uma forma ou de outra, existe em todos os governos populistas da América Latina e se ocupa da cínica estratégia de formar ou adotar grupos com interesses que não podem ser contemplados dentro da ordem institucional, pois implicam o desrespeito às leis e aos direitos constitucionais. Ora são movimentos de índios que reivindicam reservas em áreas de agronegócio altamente produtivas e até cidades inteiras em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, ora são pessoas brancas como a neve que se declaram descendentes de escravos africanos e querem ocupar à força propriedades alheias sob o argumento improvável de que seus antepassados viveram ali. A estratégia de incitar esses grupos à baderna e, depois, se vender à sociedade como sendo os únicos capazes de conter as revoltas é a adaptação moderna do velho truque cartorial de criar dificuldades para vender facilidades.

Brasília assistiu, na semana passada, a uma dessas operações. Alguns índios decidiram impedir que as pessoas pudessem ver a taça da Copa do Mundo, exposta no estádio Mané Garrincha. A polícia tentou reprimir o ato, e um dos silvícolas feriu um policial com uma flechada. Atenção! Isso ocorreu no século XXI, em Brasília, a cidade criada para, como disse o presidente Juscelino Kubitschek no discurso de inauguração da capital, há 54 anos, demonstrar nossa “pujante vontade de progresso (…), o alto grau de nossa civilização (…) e nosso irresistível destino de criação e de força construtiva”. Pobre jK. Mostra uma reportagem desta edição que progresso, civilização e força construtiva passam longe de Brasília. As ruas e avenidas da capital e de muitas grandes cidades brasileiras são território dos baderneiros.

Há três meses, o MST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, mandou seus militantes profissionais atacar o Planalto. Gilberto Carvalho foi até a rua, onde, depois de uma rápida conversa, se combinou que Dilma receberia os manifestantes. “O MST contesta o governo, e isso é da democracia”, explicou Carvalho, o pacificador, que, com um dedo de prosa, dissolveu o cerco feroz. O MST é um movimento arcaico, com uma pauta de reforma agrária do século passado em um Brasil com quase 90% de urbanização e 80% da produção dos alimentos consumidos pelos brasileiros vinda da agricultura familiar. Por obsoleto, já deveria ter desaparecido. Mas Carvalho não permite que isso ocorra. O MST faz parte do exército de reserva e precisa estar pronto se convocado. Foi o que se deu na semana passada, quando João Pedro Stedile, um dos fundadores do movimento, obediente ao chamado do momento, atirou: “Só espero que não ganhe o Aécio Neves, porque aí seria uma guerra”. É impossível não indagar: contra quem seria essa guerra? A resposta é óbvia: contra a vontade popular e contra a democracia.

Por Reinaldo Azevedo

 

Mosquito da dengue ataca no Mané Garrincha

Por Hugo Marques, na VEJA.com:
A Vigilância Sanitária do Distrito Federal encontrou vários focos do mosquito transmissor da dengue dentro das instalações do estádio Mané Garrincha, uma das doze arenas que receberão jogos da Copa do Mundo e, ironicamente, a que mais consumiu dinheiro público. A descoberta se deu em março e vinha sendo mantida sob sigilo pelo governo local. Larvas do Aedes aegypti, o mosquito transmissor, foram descobertas ao redor do gramado e também próximo às traves. Segundo o gerente de Vigilância Ambiental, Vetores e Animais Peçonhentos da Secretaria de Saúde, Júlio César Trindade de Carvalho, havia água infectada em diversos lugares do estádio.

Os técnicos responsáveis pelas inspeções produziram um relatório detalhando a situação. O documento foi encaminhado à cúpula da secretaria. Como medida de emergência, agentes sanitários têm trabalhado no estádio desde o mês passado, aplicando inseticidas nas áreas onde foram encontrados os focos do mosquito. Na manhã desta sexta-feira, uma nova inspeção foi realizada.

As larvas se espalharam principalmente pelas valas de escoamento localizadas na lateral do gramado. São justamente as canaletas que deveriam impedir o acúmulo de água que têm contribuído para a disseminação do mosquito. Também foram encontradas larvas do mosquito nos buracos onde são fincadas as duas traves do campo. O mosquito se reproduz em água parada.

Havia ainda larvas do mosquito na área externa do estádio. “Encontramos focos em três locais: nos buracos onde se encaixam as traves do gol, no campo e nas canaletas de escoamento do gramado, que têm caixas de retenção de água, e nos canteiros de obras que ainda restam”, diz o agente de vigilância ambiental Reginaldo Feliciano da Silva Braga, um dos responsáveis por encontrar os focos.

Estádio mais caro entre todos os da Copa do Mundo 2014, o Mané Garrincha custou aos cofres públicos quase 2 bilhões de reais, quase três vezes mais do que os 700 milhões orçados inicialmente. De acordo com uma auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal, a obra foi superfaturada em mais de 430 milhões de reais.

A arena tem capacidade para 69.400 torcedores e vai sediar sete jogos da Copa do Mundo – quatro na fase de grupos, um nas oitavas de final, um nas quartas de final e a disputa de terceiro lugar. A primeira partida, entre Suíça e Equador, será no próximo dia 15. A seleção brasileira jogará no estádio no dia 23 de junho, contra Camarões.

Em fevereiro, VEJA revelou que, no ano passado, às vésperas da Copa das Confederações, o governo do Distrito Federal escondeu relatórios técnicos que alertavam sobre o avanço da doença.

Por Reinaldo Azevedo

 

Al Qaeda Eletrônica – Chegou a hora de escancarar os bandidos que atuam na Internet; trata-se de uma forma de crime organizado. Ou: Um mesmo esquema difama Aécio, Paes e Cabral. Quem será?

Em abril, reportagem da VEJA revelou que a Eletrobras — sim, a estatal! — era um dos pontos de difusão de uma campanha de difamação no senador Aécio Neves na Internet. Republico o texto e volto em seguida.

Um documento a que VEJA teve acesso revela a ação de quadrilhas de disseminação de mentiras na internet com o objetivo de manchar a imagem do senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB. O levantamento feito pelo advogado Renato Opice Blum, especialista em crimes digitais, identificou táticas coordenadas e até ilegais. Em um dos casos mais flagrantes, a quadrilha disseminou por blogs, sites e redes sociais a notícia falsa de uma fantasiosa condenação de Aécio, quando governador de Minas Gerais, pelo desvio ora de 3,7 bilhões, ora de R$ 4,3 bilhões de reais, de verbas destinadas à saúde. Segundo relatório, há evidências de que os criminosos chegaram a pagar para promover e espalhar no Facebook posts que continham a calúnia.

O esmiuçamento dos crimes, desenhado em 55 páginas, é um manual da guerrilha digital que está sendo armada para as eleições presidenciais deste ano. O levantamento de Opice Blum focou as táticas que vêm sendo utilizadas contra Aécio. Mas nada impede que outros candidatos também sejam alvos dos mesmos mecanismos digitais de difamação. Os recursos mais banais, com a criação de páginas e perfis falsos no Facebook e Twitter, são facilmente detectáveis. A presidente Dilma Rousseff tem pelo menos cinquenta perfis inventados. Eduardo Campos, do PSB, outra dezena. São práticas que, por deixar marcas indeléveis de autoria, acabam tendo mais efeito humorístico do que a destruição da imagem. O que preocupa os especialistas são os expedientes condenáveis e ilegais como os que aparecem no levantamento que tem Aécio como vítima.

Os detratores do senador se valem de estratagemas mais difíceis de ser descobertos e que requerem domínio específicos de tecnologias feitas para produzir dano. Um texto idêntico e calunioso, tendo como autor um mesmo (e falso) usuário, aparece em áreas de comentários em diferentes sites ao mesmo tempo. Isso é sinal claro do uso de robôs digitais. Um dos rastreamentos feitos por peritos localizou um dos focos de geração de calúnias contra Aécio em um computador da estatal Eletrobras. A produção e a divulgação de conteúdo falso destinado a macular a imagem do senador oposicionista tendo como foco um órgão público deveria chamar a atenção das Justiça Eleitoral. A ilegalidade é óbvia.

Camila Fisco, porta-voz do Facebook, disse a VEJA que, pelo tamanho da rede, que tem mais de 1 bilhão de usuários, as denúncias são sempre um passo efetivo para identificar malfeitores. “Perfis falsos e compras de curtidas são contra nossas regras, e temos ferramentas avançadas para detectar essas práticas, mas precisamos que os usuários nos ajudem”, afirmou. Fica o conselho para os candidatos.

falcatrua na Internet

Voltei
Pois é… Reportagem publicada na Folhadesta sexta, de Alexandre Aragão e Daniela Lima, informa o que segue:
Uma ação que corre em sigilo no Tribunal de Justiça de São Paulo mostra que computadores e sistemas utilizados para produzir ataques em série ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) na internet foram usados com a mesma finalidade contra o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e o ex-governador do Estado Sérgio Cabral (PMDB). A Folha teve acesso à parte dos autos que detalha a ação de dois perfis que atuavam de maneira sistemática postando comentários em sites noticiosos de veículos de grande circulação. As postagens contra os três políticos eram feitas em páginas diferentes no mesmo minuto, mas de lugares a quilômetros de distância um do outro. A operação sugere que havia o uso de robôs –mecanismos que fazem com que a mensagem seja reproduzida automaticamente várias vezes em diferentes endereços.
(…)
Nos perfis há comentários relacionando Aécio, Cabral e Paes ao consumo de drogas. No caso dos dois políticos do Rio de Janeiro, há ainda acusações de que eles se relacionam com o crime organizado, milícias e bicheiros.
(…)
Entre os pontos de origem dos ataques estão um prédio da Eletrobras, um prédio da UFRJ, um cibercafé e prédios residenciais.
(…)

Retomo
Que a polícia se encarregue de desmascarar essa canalha! Cabe a pergunta: a que grupo interessa, a um só tempo, manchar a honra de Aécio e atacar a cúpula do PMDB do Rio? Deve haver alguma coerência nisso, não é mesmo?

Chegou a hora de levar esse troço a sério. Crime é crime, com pena, lápis, caneta, máquina de escrever, computador, não importa. Aécio faz muito bem em tentar identificar a bandidagem. Quanto a um dos centros de irradiação da difamação estar, então, na Eletrobras, dizer o quê? Havia outro na prefeitura petista de Guarulhos.

Por Reinaldo Azevedo

 

O STF e o julgamento dos políticos: bastam dois ministros para condenar ou absolver? Ou: Afinal, embargos infringentes não valem mais em matéria penal?

Já escrevi aqui e repito que não tenho nada “de princípio” contra o que chamam por aí, de modo equivocado, acho eu, de “foro privilegiado”. Prefiro o nome técnico: “Foro especial por prerrogativa de função”. Considero-o uma medida prudencial. Políticos podem, sim, ser vítimas de rixas locais em razão de medidas que tomem e tal… Mas também não é algo em nome do que eu sairia por aí lutando.

Vamos ver. O Supremo decidiu agora que a recepção da denúncia contra políticos e o julgamento propriamente serão conduzidos pelas turmas, cada uma composta de cinco ministros. Para que funcionem, bastam três membros. Ora vejam: se, hoje, para receber uma denúncia ou condenar alguém, são necessários seis ministros, bastarão, então, dois. Ficou mais justo? Não me parece.

É o caso de o Congresso, então, pensar seriamente em extinguir o foro especial. Seja para absolver, seja para condenar, parece-me que se trata de um colegiado muito pequeno. A decisão tem outras implicações estranhas, não é? Como fica, então, a questão dos embargos infringentes? Não valerão mais para matéria penal? Afinal, no Regimento Interno do Supremo está escrito que são necessários ao menos quatro votos divergentes — e o tribunal declarou a sua força de lei por 6 votos a 5. Só por isso José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares se livraram da pena de quadrilha.

Eu estive entre aqueles que consideravam que os embargos infringentes tinham sido extintos pela Lei 8.038. Ora, se o Supremo considerou que não, que os embargos infringentes sobrevivem com força de lei, como é que se escolhe uma forma de julgamento que, na prática, os extingue?

As sessões das turmas também não são televisionadas. Cairá brutalmente a audiência da TV Justiça. Convenham: não haverá muita gente interessada em tertúlias de natureza puramente constitucional, que serão as únicas transmitidas. De resto, fico cá a me perguntar: será que essas mudanças teriam sido feitas se os mensaleiros tivessem sido absolvidos? Tenho cá pra mim que não… Há tempos se vem fazendo uma pressão contra a transmissão das sessões. Há quem jure que o resultado do julgamento teria sido outro se feito no escurinho…

Por Reinaldo Azevedo

 

A “democracia direta” de Dilma é ditadura indireta do PT. Ou: a OAB precisa se preocupar mais com o país e menos com o Zé Dirceu

Onde anda a Ordem dos Advogados do Brasil? Seu Conselho Federal tem se ocupado, excessivamente a meu ver, de questões transcendentais, como os terríveis sofrimentos a que estaria submetido, por exemplo, José Dirceu, e muito pouco de questões de natureza institucional. É claro que estou sendo irônico, não? José Dirceu passa relativamente bem, obrigado! Ninguém que teve cassado por um tempo o seu direito de ir e vir livremente está em condições ótimas, mas vamos falar com seriedade: ele está tendo aviltados os seus direitos fundamentais??? A OAB vai se comportar como uma entidade que ganhou a prerrogativa excepcional da República de dizer quem pode e quem não pode ser um operador do direito ou como um mero sindicatozinho de advogados, preocupada com questões de apelo quase corporativo?

Por que essa minha cobrança? O Conselho Federal da OAB leu as barbaridades contidas no decreto presidencial nº 8.243? Seus doutores se ocuparam dos detalhes da proposta da presidente Dilma, que cria os ditos “Sistema Nacional de Participação Social” e “Política Nacional de Participação Social”? São capazes de perceber que o texto agride de maneira frontal o sistema representativo justamente no que ele tem de mais virtuoso: a igualdade de todos os indivíduos diante do Estado?

Muitos dirão que essa igualdade é maculada pelas diferenças sociais, o que é frequentemente verdade. Sabemos que nem todos podem pagar, por exemplo, os honorários milionários dos advogados estelares dos mensaleiros. Sabemos que, em parte, ainda vigora a máxima perversa de que polícia, no Brasil, existe para os três “pês”: pobres, pretos e putas — estas últimas, não custa notar à margem, no Brasil, começam a ser consideradas, ultimamente, as únicas virtuosas, mas deixo isso pra lá agora. Tudo isso é verdade. Mas será que se corrigem desigualdades instituindo uma canga sobre o estado?

Com que autoridade e com que legitimidade a presidente Dilma Rousseff e seu partido definem o que é e o que deixa de ser um “movimento social” e impõem a sua participação na administração do estado? Então o brasileiro comum, agora, é obrigado a ser um militante político caso não queira se tornar um cidadão de segunda classe? A verdade é que, sob o pretexto de incluir na legislação brasileira mecanismos de democracia direta, Dilma e o PT estão é criando a ditadura indireta.

É escandaloso em si que a OAB não tenha se manifestado até agora sobre essa excrescência.

E noto que, infelizmente, não é a primeira vez que a Ordem, que tem uma bela tradição de defesa da democracia e do estado de direito, cochila diante dos arroubos autoritários dos “companheiros”.

A propósito: a OAB goza de alguns privilégios que a tornam, em certa medida, um órgão público. Está preparada para ser, ela também, controlada pelos “movimentos sociais”?

Por Reinaldo Azevedo

 

Minha coluna de hoje na Folha: “O Partido do Crime”

Não se trata de um evento trivial. Luiz Moura (PT-SP), deputado estadual, foi surpreendido numa reunião na sede da Transcooper, uma cooperativa de vans e micro-ônibus, de que ele é presidente de honra, em companhia de 13 pessoas que, segundo a polícia, são ligadas ao PCC. Um assaltante de banco foragido participava do convescote. Segundo a polícia, o encontro tinha o objetivo de planejar novos incêndios contra ônibus na capital. Os veículos atacados pertencem invariavelmente a empresas privadas, nunca às tais cooperativas.

Moura integra o grupo político de Jilmar Tatto, deputado federal licenciado (PT-SP) e secretário de Transportes da gestão Fernando Haddad. O próprio Tatto é muito influente nisso que já foi chamado “transporte clandestino”, tornou-se “alternativo” e acabou sendo oficializado. Hoje, as cooperativas celebram contratos bilionários com a prefeitura.

Não há um só jornalista ou um só político de São Paulo que ignorem o fato de que o PCC se imiscuiu na área de transportes por meio de cooperativas. Em 2006, foi preso um sujeito chamado Luiz Carlos Efigênio Pacheco, então presidente da Cooper-Pam. Conhecido como “Pandora”, o homem foi acusado de financiar uma tentativa de resgate de presos de uma cadeia de Santo André. Ele negou ligação com o crime organizado, mas disse que, por ordem de Tatto, então secretário de Transportes da gestão Marta Suplicy, levou para a sua cooperativa integrantes do PCC. O chefão petista repeliu as acusações. Só não pode repelir a sua óbvia proximidade com as ditas cooperativas e o incentivo que deu, ao longo de sua carreira, a essa, vá lá, “modalidade de transporte”.
(…)
No PT, Moura já não é um qualquer. Na sua festança de aniversário, a figura de destaque foi Alexandre Padilha, ex-ministro e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. Discursou com entusiasmo. Se Padilha vencer, Moura poderá ajudá-lo a cuidar da área de transportes, como ajudou Marta Suplicy e Fernando Haddad. Está em sua honrada biografia.
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Para ler a íntegra da coluna, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

Adams, um dos cotados para o STF, enroscou-se na Operação Porto Seguro; José Eduardo Cardozo, outro, seria o começo do tribunal bolivariano

Ai, ai… Que chatice! Vai começar, quer dizer, já começou, a bolsa de apostas para o substituto de Joaquim Barbosa. Como no poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, pode acontecer o óbvio, mas também pode aparecer um J.Pinto Fernandes que não havia entrado na história, né?

Quem são os cotados? Desde sempre, está na parada Luís Inácio Adams, titular da Advocacia Geral da União. Faz tempo que é cotado. Em 2012, seu prestígio sofreu um forte abalo por causa da Operação Porto Seguro. Uma das pessoas alvejadas foi o seu então segundo na AGU, José Weber Holanda, considerado uma espécie de chefe da turma à qual pertencia Rosemary Noronha, a Primeira-Amiga de Lula.

Weber era mais do que um subordinado de Adams. Era mesmo um amigo. Seu esforço para emplacá-lo em cargos públicos foi imenso, mesmo sabendo que o rapaz estava envolvido em alguns casos nebulosos, inclusive com processo na Justiça, de quando ainda era procurador-geral do INSS. Considerou-se, ora vejam!, que tinha bens incompatíveis com os seus rendimentos.

Em 2012, Adams estava cotado para a Casa Civil, e o episódio derrubou a sua candidatura. Voltou a cair nas graças do Planalto com o caso do programa “Mais Médicos”, do qual foi um defensor ardoroso. Um jornalista lhe perguntou o que aconteceria se os cubanos pedissem asilo ao Brasil. Ele não titubeou: “Nesse caso me parece que não teriam direito a essa pretensão. Provavelmente seriam devolvidos.”

Cardozo
Outro candidato, também já faz algum tempo, é, acreditem, José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça. Nego-me, vamos dizer assim, a analisar a hipótese. Se for indicado, será a escolha clara pela, digamos, “bolivarianização” do tribunal.

Cardozo foi um dos coordenadores da campanha de Dilma à Presidência. Simpaticamente, ela o apelidava de um de seus “Três Porquinhos” — os outros dois eram Antonio Palocci e José Eduardo Dutra.

As declarações antigas e recentes de Cardozo — que se comporta sempre como militante do PT, nunca como ministro da Justiça — o desqualificam, obviamente, a fazer parte da Suprema Corte do país.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ronaldo continua um craque: “Nos vândalos, mascarados, tem de baixar o cacete mesmo”

Ronaldo Fenômeno

Ótima a performance de Ronaldo, o Fenômeno (foto), na sabatina da Folha. Disse o que tinha de dizer:
- é favorável a manifestações, mas, “nos vândalos, mascarados, tem de baixar o cacete mesmo”. Eis a objetividade de um craque!;
- Apenas 30% do que se prometeu de infraestrutura serão entregues, e isso o envergonha;
- ganhou seu dinheiro trabalhando, sem pedir favores, e não é culpa sua se não há hospitais decentes. Não é mesmo!:
- reafirmou o voto em Aécio Neves.

Leiam trechos do depoimento a Naief Haddad, Uirá Machado e Roberto Dias.
Protestos
Questionado sobre a possibilidade de protestos na Copa, Ronaldo disse que as manifestações pacíficas são “válidas”. As violentas, não. “A partir do momento em que há vândalos no meio disso, mascarados… A segurança pública tem de conter esses vândalos. Parece que as pessoas acordaram [para os problemas do país], mas acordou todo mundo junto. Ninguém sabe como fazer ou por onde ir. A população tem de protestar sem violência. Nos vândalos, mascarados, tem de baixar o cacete mesmo.”

Críticas à Copa
Em entrevista à Reuters, Ronaldo causou polêmica ao manifestar “vergonha” pelas obras da Copa. Nesta quinta (29), ele explicou que a reclamação não era pelos atrasos. ”A minha vergonha é pela população que esperava grande legado. Reformas de aeroporto, obras de mobilidade urbana… Os estádios estão aí. Bem ou mal, estarão prontos. Apenas 30% do que foi prometido [de obras de infra-estrutura] será entregue. Esta é a minha vergonha.”

Cansado de apanhar
Disse quatro vezes estar “indignado” com os atrasos e por, muitas vezes, ser responsabilizado por isso. Nos últimos meses, ele foi chamado de “imbecil” pelo escritor Paulo Coelho por ainda apoiar a Copa. O ex-atacante e deputado federal Romário (PSB-RJ) reclamou que o ex-colega de seleção estava “trocando de lado”. “Faz dois anos que eu venho levando porrada. Eu não mereço. O meu dinheiro ganhei de forma limpa. Não tenho empreiteira. Não peço favor a nenhum político. A culpa não é minha se o Brasil não tem hospital decente.”
(…)
Aécio Neves
Ele reafirmou o apoio a Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência, anunciado na semana passada. Lembrou ser amigo do ex-governador mineiro desde 2000. “Meu voto é dele. Não é grande absurdo eu ter dito que vou votar no Aécio. Eu sou um cidadão como qualquer outro. Minha opinião é sincera. Não tenho ligação com nenhum partido”, disse.

Amigos
Para deixar claro que não tem filiação política, Ronaldo citou amigos que tem no PT e no PSDB. Disse que pretende apoiar Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e candidato a deputado federal. “Ele é meu amigo. E é do PT.” Também citou ter excelente relacionamento com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula. “Fui várias vezes almoçar com o Lula no [Palácio do] Alvorada. Eram almoços maravilhosos. Também gosto muito de estar com o Fernando Henrique, ele conta histórias incríveis. Eu não tenho relação com a Dilma. Talvez porque a Dilma não beba uma cachaça”, disse, rindo, lembrando a suposta preferência de Lula pela bebida.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma decidiu extinguir a democracia por decreto. É golpe!

Atenção, leitores!

Seus direitos, neste exato momento, estão sendo roubados, solapados, diminuídos. A menos que você seja um membro do MTST, do MST, de uma dessas siglas que optaram pela truculência como forma de expressão política.

De mansinho, o PT e a presidente Dilma Rousseff resolveram instalar no país a ditadura petista por decreto. Leiam o conteúdo do decreto 8.243, de 23 de maio deste ano, que cria uma tal “Política Nacional de Participação Social” e um certo “Sistema Nacional de Participação Social”. O Estadão escreve nesta quinta um excelente editorial a respeito. Trata-se de um texto escandalosamente inconstitucional, que afronta o fundamento da igualdade perante a lei, que fere o princípio da representação democrática e cria uma categoria de aristocratas com poderes acima dos outros cidadãos: a dos membros de “movimentos sociais”.

O que faz o decreto da digníssima presidente? Em primeiro lugar, define o que é “sociedade civil” em vários incisos do Artigo 2º. Logo o inciso I é uma graça, a saber: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.

Pronto! Cabe qualquer coisa aí. Afinal, convenham: tudo aquilo que não é institucional é, por natureza, não institucional. Em seguida, o texto da Soberana estabelece que “todos os órgãos da administração pública direta ou indireta” contarão, em seus conselhos, com representantes dessa tal sociedade civil — que, como já vimos, será tudo aquilo que o governo de turno decidir que é… sociedade civil

Todos os órgãos da gestão pública, incluindo agências reguladoras, por exemplo, estariam submetidos aos tais movimentos sociais — que, de resto, sabemos, são controlados pelo PT. Ao estabelecer em lei a sua participação na administração pública, os petistas querem se eternizar no poder, ganhem ou percam as eleições.

Isso que a presidente está chamando de “sistema de participação” é, na verdade, um sistema de tutela. Parte do princípio antidemocrático de que aqueles que participam dos ditos movimentos sociais são mais cidadãos do que os que não participam. Criam-se, com esse texto, duas categorias de brasileiros: os que têm direito de participar da vida pública e os que não têm. Alguém dirá: “Ora, basta integrar um movimento social”. Mas isso implicará, necessariamente, ter de se vincular a um partido político.

A Constituição brasileira assegura o direito à livre manifestação e consagra a forma da democracia representativa: por meio de eleições livres, que escolhem o Parlamento. O que Dilma está fazendo, por decreto, é criar uma outra categoria de representação, que não passa pelo processo eletivo. Trata-se de uma iniciativa que busca corroer por dentro o regime democrático.

O PT está tentando consolidar um comissariado à moda soviética. Trata-se de um golpe institucional. Será um escândalo se a Ordem dos Advogados do Brasil não recorrer ao Supremo contra essa excrescência. Com esse decreto, os petistas querem, finalmente, tornar obsoletas as eleições. O texto segue o melhor padrão da ditadura venezuelana e das protoditaduras de Bolívia, Equador e Nicarágua. Afinal, na América Latina, hoje em dia, os golpes são dados pelas esquerdas, pela via aparentemente legal.

Inconformado com a democracia, o PT quer agora extingui-la por decreto.

Por Reinaldo Azevedo

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Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

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