Números ruins, por MERVAL PEREIRA (de O GLOBO)

Publicado em 14/06/2014 16:59 e atualizado em 11/07/2014 16:40 2296 exibições
no blog de Augusto Nunes, de veja.com.br + Rodrigo Constantino + Estadão.

A mais recente pesquisa do Ibope sobre a corrida presidencial tem números ruins para a presidente Dilma, mas nenhum igual ao que mostra que hoje, pela primeira vez, na avaliação de seu governo o índice de ruim e péssimo já é maior do que o de bom e ótimo, 33% a 31% respectivamente.

A esse saldo negativo soma-se o fato de que a presidente permanece no menor índice de aprovação possível para a reeleição, na faixa que indica, segundo pesquisas de estudiosos, dificuldades para obter um novo mandato.

Outro dia fiz referência a essa pesquisa do cientista político Alberto Carlos de Almeida, do Instituto Análise, sobre a qual já escrevera anteriormente, e muitos leitores espantaram-se com o fato de a presidente Dilma estar em primeiro nas pesquisas eleitorais e ao mesmo tempo correr o risco de perder a eleição.

Conforme já escrevi aqui, a taxa de aprovação de seu governo está “no limbo”, na definição do cientista político Alberto Carlos Almeida. Ele tem um estudo que mostra que, em 46 de 104 eleições para governador realizadas entre 1994 a 2010 em que havia um candidato à reeleição, todos os que chegaram à eleição com o índice de ótimo e bom igual ou maior do que 46% foram reeleitos.

Ao contrário, os que disputaram a reeleição com a soma de ótimo e bom igual ou menor do que 34% foram derrotados.

Como, na ocasião a presidente Dilma tinha 35% de ótimo e bom, segundo pesquisa do Ibope, estaria em situação delicada, à beira da reeleição ou da derrota, segundo a forma como os números se comportarem durante a campanha.

Hoje, a mais recente pesquisa do Ibope detectou que esse índice já caiu para 31%, e na pesquisa mais recente do Datafolha ele estava em 33%.

Nesse mesmo estudo, o cientista político Alberto Carlos Almeida mostra que 40% a 43% dos candidatos à reeleição nos governos dos estados que chegaram às urnas com índices de ótimo e bom entre 35% e 45% se reelegeram, o que demonstra que a derrota é mais provável nessa faixa de avaliação, embora não uma certeza.

Uma ressalva importante que Alberto Carlos Almeida faz é que é possível melhorar a avaliação no decorrer da campanha. Dilma terá três vezes mais tempo de propaganda eleitoral que o tucano Aécio Neves e sete vezes mais que Eduardo Campos, do PSB.

O fato negativo para a presidente é que quanto mais ações ela faz para reequilibrar sua candidatura, mais ela cai nas pesquisas eleitorais, o que pode indicar que, como disse o candidato oposicionista Aécio Neves, não há marqueteiro no mundo que consiga reeleger a presidente Dilma.

Evidentemente esta é uma linguagem de campanha eleitoral e ainda é muito cedo para decretar a derrota da incumbente.

Ao contrário, ela continua à frente das pesquisas e há algumas até, como a do Vox Populi, que mantém a aposta em uma vitória no primeiro turno.

Esse instituto, que faz pesquisas para a revista situacionista Carta Capital, é o preferido dos petistas, que desconfiam dos números do Datafolha e do Ibope.

Os dois institutos, no entanto, têm um histórico de acertos melhor do que o do instituto do sociólogo Marcos Coimbra, que ficou famoso quando dirigiu a campanha vitoriosa de Collor, seu primo, à presidência.

Um outro detalhe da pesquisa do Ibope, que merece ser acompanhado de perto nas próximas, é que a presidente Dilma começa a perder fôlego nas capitais nordestinas, região em que mantém ampla margem de vantagem para seus adversários.

Se for uma tendência sustentável, é provável que essa perda de substância se alastre pelo interior, o que pode ser uma ameaça à posição de Dilma, que deve sua eleição em 2010 substancialmente à votação que teve no norte e no nordeste.

 

Eleições 2014

Qual é a hora?

lula-dilma-20101215-01-size-598

Desânimo com as chances dos candidatos petistas 

Em recentíssima conversa com um interlocutor, Lula respondeu assim a uma provocação sobre se não era a hora de ele apresentar-se candidato na eleição de outubro, dada a queda da taxa de aprovação de Dilma Rousseff nas pesquisas: “Ainda não é a hora”.

Por essas e outras é que o “Volta, Lula” não morre. Mesmo que de modo oblíquo, Lula alimenta o movimento.

A propósito, aos mais próximos Lula revela grande pessimismo com os candidatos petistas aos governos dos quatro maiores colégios eleitorais do Brasil. Embora nem sob tortura vá admitir de público, avalia que Alexandre Padilha, Lindbergh Farias e Fernando Pimentel não serão governadores. E teme pelas chances de Rui Costa na Bahia.

Por Lauro Jardim

 

Brasil

O Pará ferve

Invasão

Os Xikrin ameaçam incendiar tudo

Um conflito entre índios e a Vale ferve a cidade de Ourilândia, no Pará, onde a maior mineradora do mundo tem uma unidade de extração de níquel desde 2005.

Desde a manhã de quinta-feira, cerca de 350 índios Xikrin do Cateté mantêm, em cárcere privado cinquenta empregados da Vale dentro da própria unidade.

Os índios ameaçam pôr fogo no local agora às 15 horas. O forno da unidade está sendo mantido ligado em potência mínima diante do risco de incêndio.

E o que os índios reivindicam? Dinheiro. A Vale contribui com 9 milhões de reais para as três aldeias dos Xikrin na região, mas eles exigem quatro vezes mais.

Também desde quinta-feira, o governo estadual e a Funai foram avisados do que estava acontecendo em Ourilândia. Talvez mais preocupados com a Copa, ninguém se mexeu.

Por Lauro Jardim

 

Política

A cretinice de Lula

Vamos falar de cretinice?

O ex-presidente Lula é mesmo uma das pessoas mais cretinas deste país. Uso o termo aqui em seu sentido patológico: Lula tem uma compulsão pela mentira, pelo desrespeito à inteligência alheia, aos fatos, à coerência. O uso que ele fez do episódio do xingamento na abertura da Copa é algo da ordem do absurdo, mesmo já se esperando o pior vindo dele. É uma afronta a todos os brasileiros que têm Q.I. acima de 50 e conseguem somar 2 com 2.

Apelar para a vitimização é o que o PT sempre soube fazer. Mas Lula passa sempre de qualquer limite. Ele disse que as vaias foram “a maior vergonha que o país já viveu”. Aproveitando-se de forma extremamente oportunista da coisa, deu uma rosa branca à Dilma, mulher mais poderosa do país transformada imediatamente em símbolo do “sexo frágil” contra o machista. Foi um ato contra a “cretinice” dos torcedores do estádio. Para não deixar por menos, a presidente Dilma respondeu, “emocionada”:

Agradeço essa rosa e agradeço às mulheres do PT de Pernambuco. Hoje é um dia emocionante. Acho que esse gesto do presidente Lula e da Tereza Leitão [presidente do PT em Pernambuco] são simbólicos do que nós somos. Somos guerreiros. Temos essa tradição de militância guerreira. Temos valores, respeitamos a dignidade.

Guerreiros, sim. Lutam pelo comunismo há décadas. Valores? Respeito à dignidade? Nem aqui, muito menos em Cuba! Que valores o PT defende? Aqueles representados na figura de Paulo Maluf? Ou seria Sarney? O PT que defende criminosos presos na Papuda, julgados pelo STF cujos ministros o próprio PT apontou? São esses valores?

A dignidade do mensalão, que tentou comprar o Congresso todo? Ou seria a dignidade dos infindáveis escândalos de corrupção? O PT que destruiu a Petrobras, que a transformou em um duto de dólares ilegais para a Suíça, esse mesmo partido vem falar agora em valores e dignidade? Que tipo de idiota cai nessa?

Lula e Dilma esperam que seja o idiota totalmente alienado, pois é para ele o recado dos dois: tudo isso não passou de ingratidão da elite sem educação! Os ricos, brancos e de olhos azuis: são esses os responsáveis pela “maior vergonha do país”. Para Lula, quem quer ir de metrô até o estádio é “babaca” e quem vaia a presidente é “cretino”. Vejam o que disse Lula, após concluir que o público da vaia era formado por “gente bonita e que sempre comeu”:

Você viu que não tinha ninguém com a cara de pobre, a não ser você, Dilma. Não tinha nenhum pelo menos moreninho. Era a parte bonita da sociedade, que comeu a vida inteira e chegou ao estádio para mostrar que educação a gente aprende em casa, vem de berço. Eu duvido que um trabalhador desse país, que uma mulher ou que um homem tivesse coragem de falar 1% dos palavrões que eles destilaram, de uma cretinice fomentada por uma parte da imprensa brasileira.

Dilma tem cara de pobre? Pode ter cara de poste, de intragável, de arrogante, mas de pobre? Com aqueles cabelos que gastam milhares de reais todo mês para ficar daquele jeito? Não tinha ninguém “moreninho”? Isso não seria… racismo de Lula? Aliás: se o PT diz agora que só tinha elite ali, então ele assume que gastou bilhões do povo trabalhador para realizar um evento para as elites apenas? Isso é uma confissão?

Sim, educação vem de berço, e Lula claramente não teve uma decente. Lula duvida que um trabalhador tivesse coragem de falar 1% dos palavrões ditos ali? Há quanto tempo ele não convive mais com trabalhadores de verdade? Que figura é essa abstrata do “trabalhador” que o oportunista criou só para segregar ainda mais o povo brasileiro entre “trabalhadores” e “elite”? Conheço gente da elite, funcionários públicos e artistas ou empresários, que se venderam para o PT e defendem toda essa indecência de governo; e conheço gente pobre, humilde, trabalhadora, que abomina o PT. Como fica?

Eu vou dizer qual é a maior vergonha que o país já viveu: ter Lula como presidente! Ter Dilma como presidente! Ter o PT no poder há 12 anos destruindo esse país! Ter tido o mensalão, Dirceu no ministério, petistas atacando o presidente do STF, inclusive com base em sua “raça”, só para defender criminosos. A volta da inflação elevada. O aparelhamento da máquina estatal por militantes vagabundos. Os escândalos de corrupção que nem a imprensa dá conta de acompanhar. Isso dá vergonha! O PT é uma vergonha para aqueles seres pensantes deste país!

Outra coisa que talvez seja a maior vergonha que esse país já viveu é justamente a tentativa de uso político do futebol, algo que o PT faz como ninguém, colocando no chinelo até os militares. Dilma usou uma prerrogativa de estado para fazer campanha eleitoral e se apropriar da paixão do brasileiro pelo esporte. Isso é indecente, muito mais do que alguns xingamentos no estádio. Mas Lula culpa os bodes expiatórios de sempre: as “elites” e a imprensa. Canalhice pura.

Merval Pereira, em sua coluna de hoje no GLOBO, comentou sobre as vaias:

Não havia apenas membros das elites brasileiras no estádio, não foram apenas as alas VIPs que xingaram a presidente, e não é nada desprezível o significado político do que aconteceu naquela tarde em São Paulo. A presidente Dilma tem um problema sério pela frente, pois é evidente a má vontade dos paulistas com seu governo e com o PT, provavelmente turbinado pela gestão medíocre do prefeito Fernando Haddad na capital paulista.

[...]

Dias antes, a presidente Dilma havia se aproveitado de seu cargo para, em cadeia nacional de rádio e televisão, num abuso de poder, defender-se das críticas a seu governo, sem que houvesse possibilidade de contestação. A conta chegou no jogo de estreia do Brasil, quando a multidão presente ao estádio soube distinguir perfeitamente o que é nacionalismo real daquele patriotismo forçado pelos políticos que fez o escritor e pensador inglês do século XVIII Samuel Johnson dizer que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.

A presidente Dilma havia mandado que sua imagem não aparecesse no telão do estádio, para não ficar exposta à ira dos torcedores. Mas, num gesto demagógico, colocaram-na no telão ao comemorar o gol de empate do Brasil, ao lado do vice Michel Temer. Foram impiedosamente vaiados.

O torcedor presente ao Itaquerão aplaudiu a bandeira do Brasil sempre que ela surgiu em campo, fosse na cerimônia de abertura ou na entrada dos times, cantou o Hino Nacional à capela num emocionante e espontâneo rasgo de patriotismo, e entoou cânticos populares exaltando o fato de ser brasileiro.

[...]

Essa exacerbação dos sentidos não ajuda a democracia, mas é preciso salientar que esse clima de guerra permanente foi instalado pelo PT, que não sabe fazer política sem radicalização e que precisa de um inimigo para combater. A prática do “nós contra eles” acaba levando a radicalizações como a de quinta-feira. A vaia é um problema da presidente Dilma e do PT.

Quem tem boca vaia Roma. E quem tem cérebro vaia o PT. Tentar tratar a vaia como uma implicância de uma elite sem educação e ingrata é algo tão absurdo, que só mesmo o PT ousaria fazer. Quando o assunto é cretinice, o partido é simplesmente imbatível, e Lula lidera a horda dos cretinos. Essa gente faz muito mal ao Brasil. Até quando?

PS: O que Lula tem a dizer sobre essa cretinice dos militantes petistas, incitados por José Dirceu, que atacaram não verbalmente, mas fisicamente um Mário Covas com câncer?

Rodrigo Constantino

 

Política

Eis aí o “moreninho” que Lula queria!

O ex-presidente Lula, no ápice da cretinice, não só disse que Dilma tem “cara de pobre” como reclamou que não havia um só “moreninho” no estádio durante a abertura da Copa, confessando que o governo gastou bilhões dos trabalhadores para uma festa exclusiva das “elites”. Mas não é bem assim.

Eis aí o “moreninho” que Lula queria! Segundo sua ótica racista, ele deve ter “cara de pobre” também. Mas de pobre o homem não tem absolutamente nada! É ninguém menos do que Desiré Delano Bouterse, líder militar socialista do Suriname, acusado, entre outras coisas, de participação no tráfico de drogas. Vejam a importância do homem pela proximidade da presidente Dilma:

DIlma Suriname

Uma figura incrível, não? Vamos de Wikipedia mesmo, só para ter uma noção da reputação ilibada do “companheiro”:

Bouterse foi uma figura de destaque na guerra civil ocorrida no Suriname após a independência, e é responsável pelos célebres “Assassinatos de Dezembro”, de 1982, e de eventos semelhantes na aldeia quilombola (Marron) de Moiwana, em 1986. Desde então foi acusado por diversas vezes de envolvimento com o tráfico de drogas; em julho de 1999 foi condenado in absentia nos Países Baixos por tráfico de cocaína. O país europeu emitiu um mandado internacional para a sua prisão, o que tornou praticamente impossível que ele abandone o Suriname, que por sua vez não pode extraditá-lo por ser um ex-chefe de Estado.

É isso aí. O que dizer a mais? Lula já tem um “moreninho” para chamar de seu, e com certeza ele não participou da vaia direcionada à presidente Dilma. Não! Pelo contrário: o cara só tem a agradecer ao PT por lhe dar a oportunidade de se fingir de chefe de estado importante, em vez de um traficante de drogas condenado pelos Países Baixos. Cada um com seus camaradas.

Mas: diga-me com quem andas que te direi quem és…

Rodrigo Constantino

 

CulturaInstituições

O “respeito ao cargo” surge apenas quando interessa

O deputado Jean Wyllys foi mais um que engrossou o coro dos indignados com o ataque verbal sofrido pela presidente Dilma na abertura da Copa. Há que se ter respeito à representante de uma instituição, ele disse. O mesmo deputado, porém, havia chamado o Papa Bento XVI de “hipócrita” e “potencial genocida”. Onde estava o respeito ao representante de uma instituição com mais de um bilhão de fiéis?

Duplo padrão moral é o melhor resumo para a esquerda hipócrita. Essa gente simula um conservadorismo aos costumes que simplesmente não possui, apenas quando é de seu interesse. Não é exclusividade nossa. Os artistas de Hollywood também adotam o duplo padrão: atacar Bush era patriotismo; atacar Obama é falta de respeito ao cargo de representante máximo da nação. Mostrei isso com um caso concreto em Esquerda Caviar:

Whoppi Goldberg

A atriz de Ghost é uma raivosa defensora dos “progressistas”. Quando participou de um debate na televisão, em que seu oponente atacou (com argumentos) o presidente Obama, Whoopi Goldberg perdeu a linha. Aquilo era demais da conta. Como alguém ousava criticar Obama?!

Sem ter meios de rebater as críticas, partiu ao que a esquerda caviar faz melhor: atacou as intenções do oponente e blindou seu guru de qualquer crítica, afirmando: “Quando você mostra esse desrespeito insano ao presidente de seu país, outros países pensam que somos idiotas”.

Curioso, já que a própria atriz fora uma das vozes mais desrespeitosas quando o presidente era George W. Bush! Um peso, duas medidas. Quando os “progressistas” amigos de Goldberg chamaram Bush de Hitler, ninguém viu a atriz surgir revoltada, alegando que esse tipo de desrespeito era prejudicial aos próprios americanos.

Pelo visto, ser um “dissidente” é patriótico apenas quando algum Republicano está na Casa Branca; quando é um Democrata, deve-se ter “respeito ao ofício” em homenagem aos valores democráticos e ao patriotismo.

Talvez a explicação esteja nos critérios ideológicos da atriz. Afinal, Whoopi já afirmou que não vê o comunismo como algo ruim, de forma alguma. Muito pelo contrário: citou sua própria experiência de vida, nos anos 1980, na Alemanha Oriental, como ponto positivo para o regime. Lembremos que o lado oriental era aquele com o muro que impedia a saída do próprio povo…

Foi Olavo de Carvalho quem melhor resumiu a incoerência quase esquizofrênica dessa turma, que fomenta o desrespeito a todos os valores e tradições, e depois se quer blindada do mesmo tipo de ataque:

Olavo

 

O PT vem semeando vento há décadas, e agora colhe a tempestade.

Rodrigo Constantino

 

NO ESTADÃO:

Decreto dos conselhos populares é grande risco de derrota para o governo

João Bosco Rabello

 

Editado pela presidente Dilma Rousseff com a justificativa de ampliar os canais de discussão com a sociedade, o decreto que cria os conselhos de consulta popular nos órgãos da administração federal direta e indireta dividiu o Congresso e até o próprio Palácio do Planalto. Na Câmara, onde foram apresentados dois projetos para sustar os efeitos [...]

Tags: Aloísio MercadanteConselhos PopularesDilma Rousseff,Henrique AlvesMendonça FilhoRenan Calheiros

Editado pela presidente Dilma Rousseff com a justificativa de ampliar os canais de discussão com a sociedade, o decreto que cria os conselhos de consulta popular nos órgãos da administração federal direta e indireta dividiu o Congresso e até o próprio Palácio do Planalto.

Na Câmara, onde foram apresentados dois projetos para sustar os efeitos da decisão de Dilma, há chances reais de o texto oposicionista ser aprovado.

Dez partidos se manifestaram contra o decreto de Dilma e a favor do projeto de decreto legislativo suspendendo a criação dos conselhos. Juntos, DEM, PPS, SDD, PV, PSDB, PSD, PSB, Pros e PRB somam 238 deputados, número suficiente para deixar o Palácio do Planalto preocupado com a apreciação da proposta no plenário da Casa.

Para suspender um decreto, são necessários ao menos 257 votos favoráveis, número bom para a oposição e ruim para o governo, que precisaria contar com o apoio integral dos outros partidos da base, como PT, PMDB e PP. Dentro destas legendas, alguns deputados já se manifestaram contra a criação da Política Nacional de Participação Social (PNPS).

“A Casa precisa ser respeitada constitucionalmente. Infelizmente, a presidente Dilma não levou isso em consideração”, afirmou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE). Para a oposição e integrantes da base, o decreto do governo é inconstitucional, tem motivação bolivariana e dribla a força da representação popular, representada pelo Congresso Nacional.

Com a reação da oposição, Dilma escalou o ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, para defender o decreto, que não foi bem sucedido na tarefa. Pudera, nem o próprio Planalto se entende sobre o caso. Enquanto a presidente  disse que “muitas cabeças pensam mais” do que uma, o vice-presidente Michel Temer ponderou que o assunto precisa passar pelo crivo do Congresso sob forma de um projeto de lei.

Sob orientação de Temer, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), resolveu não colocar o projeto de decreto legislativo em votação. Ele ponderou que as chances de a decisão de criar o PNPS ser derrubada era grande. Por isso, passou a negociar com o Planalto o envio de um projeto de lei tratando do tema.

Apesar de estar mais latente na Câmara, as críticas ao decreto também chegaram ao Senado. Líderes da oposição protestaram contra a edição da proposta. No entanto, as principais declarações vieram do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em discurso na terça-feira, o peemedebista cobrou que o Palácio do Planalto recue e revogue o decreto.

Por enquanto não há sinal de que o Palácio do Planalto vá recuar da edição do decreto. Dilma terá até o fim do mês para elaborar uma estratégia para convencer a base a votar contra o projeto de decreto legislativo, já que o Congresso só volta aos trabalhos em julho. Deputados e senadores entraram em recesso branco graças às festas juninas e o início da Copa do Mundo.  (Por Mário Coelho, do Broadcastpolítico)

Tags:
Fonte:
Blog Augusto Nunes (VEJA)

1 comentário

  • João Alves da Fonseca Paracatu - MG

    Tenho insistentemente,às vezes até fico chato com isto,discorrido sobre um tema que acho que é um grande causador das mazelas que vivemos atualmente, é o seguinte: A violência é, na sua maioria absoluta praticada por homens,que historicamente tinham a função de manter a sua prole e seus ascendentes,aí o bicho pegava,corriam atrás,se viravam,agora não precisa mais, o Governo,as igrejas,as ONGs se preocupam com esta parte, lógico que não é com o dinheiro deles, mas com impostos e contribuições de quem trabalha,então sobra tempo e argumentos para se dedicarem ao ilícito, o resultado está aí para quem quiser ver,estamos com tanta insegurança jurídica e social que o respeito ao próximo parece coisa do passado.O GOVERNO DEVERIA ARRECADAR MENOS,GASTAR MENOS,NÃO ROUBAR E PARAR DE FAZER CARIDADE COM O CHAPÉU ALHEIO, DAR SEGURANÇA A QUEM TRABALHA E PARAR COM ESTA POLITICAGEM DE MANTER SE NO PODER ATRAVÉS DE TERRORISMO E AMEAÇAS AOS USUÁRIOS DE PROGRAMAS DISTRIBUTIVOS,IMPLANTANDO UMA CONDIÇÃO PARA QUE EM POUCO TEMPO CADA UM CUIDASSE DE SUA OBRIGAÇÃO, ISTO SÓ SERÁ ALCANÇADO SE TIVERMOS UM MANDATÁRIO ESTADISTA , NUNCA COM ESTES QUE AÍ ESTÃO, INFELIZMENTE.

    0