Vandalismo – É… Quem vê perna peluda não vê coração…

Publicado em 24/06/2014 09:31 e atualizado em 16/07/2014 12:55 1155 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Vandalismo – É… Quem vê perna peluda não vê coração…

Vejam esses dois rapazes, em fotos de Avelar Prado, da Folhapress.

Manifestante da sainha

manifestante preso dois

É, minha gente… Quem vê uma perna peluda numa sainha não vê coração…  O rapaz de minissaia é Rafael Marques Lusvarghi, de 29 anos. O outro é Fabio Hideki Harano. Ambos foram presos na segunda, durante um ato de protesto contra a realização da Copa do Brasil. Nesta terça, Fernando Grella, secretário de Segurança Pública de São Paulo, afirmou que eles foram presos em flagrante por associação criminosa, que rende pena de 1 a 3 anos de reclusão. Eles respondem ainda por incitação à prática de crimes, resistência e desacato. A dupla, vejam que mimo, portava, segundo a Polícia, material explosivo e incitava manifestantes à violência.

É preciso começar a meter em cana essa gente mesmo, sempre, claro!, nos limites da lei. Quem leva explosivos a um protesto não está certamente com boas intenções. Se incentiva os demais à violência, tanto pior. Lusvarghi, em todo caso, é um rapaz corajoso, não é mesmo? A gente vê que ele não teme incitar à violência mesmo com as coxas de fora, nesse seu “minikilt”… Imaginem ser atingido por uma bala de borracha e ter de usar roupa de camponesa escocesa do século 17 por um bom tempo para esconder o hematoma… Preciso mandar depois a imagem para a Glorinha Kalil para ver o que ela acha da composição. A nossa vanguarda sofre com o atraso do povo… Eles estavam no Deic e seriam remetidos ainda nesta terça para um Centro de Detenção Provisória. Espero que os familiares providenciem uma calça comprida para o rapaz. É o mais prudente.

O secretário também afirmou, informa a reportagem da Folha, que membros do Movimento Passe Livre serão levados à força para depor no Deic caso se neguem a comparecer. “A lei prevê que quando uma pessoa é notificada para comparecer e prestar declarações, e ela não atende sendo notificada, ela fica sujeita ao que nós chamamos de condução coercitiva. Não é prisão. Ela pode ser compulsoriamente levada à presença da autoridade para ser ouvida. Nós vamos fazer cumprir a lei”.

É isso aí. Os integrantes do MPL têm de depor sobre os atos de vandalismo de quinta-feira passada. O grupo enviou um ofício à PM pedindo que a polícia não criasse nenhum constrangimento ao protesto, responsabilizando-se pela segurança do evento. A baderna terminou com duas lojas de carros importados, cinco bancos e um veículo da imprensa depredados. O MPL se limitou a dizer que nada tinha a ver com o peixe e, de quebra, ainda hostilizou a… polícia.

Chega dessa gente! Não dá mais. Quem gosta de bater papinho com black blocs é Gilberto Carvalho. À Polícia de São Paulo, cabe cumprir a lei.

Por Reinaldo Azevedo

 

O blog completa oito anos. Muito obrigado a vocês! Estou na lista negra do PT e do governo por, deixem-me ver, uns 7 milhões de bons motivos!

Vejam este vídeo:

Caros,

há oito anos, este blog entrava no ar, hospedado ainda em lugar nenhum. O primeiro post foi publicado às 18h57 daquele dia. Eu mal tinha acabado de sair de duas cirurgias no crânio, a revista “Primeira Leitura” tinha fechado, sobravam dívidas, e faltava emprego. O que me restava? Trabalhar. E comecei assim:

Primeiro post do blog

Os leitores foram reaparecendo e aparecendo. E também a “vanguarda do não”, para lembrar um poeta se fez imediatamente presente. “Não vai durar! Ninguém vai querer ler o que você escreve. Agora que lhe arrancaram o cérebro e largaram o tumor, você está acabado. Morra logo! O câncer ainda não lhe comeu?” Foram algumas das gentilezas com que me premiram aqueles que carimbei depois, para a sua eterna irritação, de “petralhas”, termo que foi parar em dicionário. Um senhor contratado para fazer o “Blog do Planalto” me escreveu afirmando que só me apareceram os tumores na cabeça porque eu não fumava maconha e era muito reacionário…  Sim, contratado pelo Planalto. Desnecessário dizer que repetem até hoje as mesmas baixarias — e, claro, dizem que só o fazem por culpa minha. 

O “blog que ninguém vai ler” deve ultrapassar neste mês a marca de sete milhões de páginas visitadas — ou chegaremos bem perto disso. Enquanto escrevo, são 5.516.930. Dele já saíram três livros, que venderam umas 120 mil cópias. Em setembro ou outubro, se eu conseguir me organizar, vem novidade nessa área. Em novembro do ano passado, comecei a fazer comentários no “Jornal da Manhã”, da Jovem Pan; em fevereiro, a Folha me convidou para ser seu colunista, e, no dia 28 de abril, estreou na Pan meu programa diário: “Os Pingos nos Is”.

Considero esses outros trabalhos desdobramentos do sucesso deste blog — contra a torcida “daquela gente” e contra, vá lá, alguns preconceitos que se alimentaram sobre a Internet ao longo tempo: “Seus textos são longos demais; na Internet, esse seu formato não funciona; seu blog só tem posts, quase sem imagens; não vai dar certo”. Deu. Creio que se faça aqui o blog de política mais visitado do país.

É claro que isso não vem, digamos, de graça. Os valores que se defendem aqui se propagam, como sabem. E isso me rendeu a honra de ter sido incluído numa lista negra de nove jornalistas elaborada pelo PT. Seríamos, eu e os outros, propagadores do ódio. Quem o afirma é o vice-presidente do PT, Alberto Cantalice. Ao fazê-lo, falando a militantes aguerridos, alguns nem sempre prudentes, é evidente que este senhor estimula, queira ou não, a agressão física àqueles que considera desafetos. Afinal, ele não se limita a dizer que discorda de nós por isso ou por aquilo. Não! Seríamos agentes do ódio. Como tal, qualquer ação é válida em nome do “amor”, não é mesmo? Trata-se de uma tentativa inútil de nos intimidar e não sei se útil — talvez — de advertir a outros tantos: “Se vocês nos desagradarem, vão também parar na lista”.

Tanto as visitas como a perseguição petista são evidências do sucesso inequívoco do blog, a despeito da campanha feroz que contra ele promovem os tais blogs sujos, alimentados com dinheiro público. Entre outras delicadezas, atribuem-me coisas que jamais escrevi, que não penso, que não pertencem a meu universo e referências. Acusam-me daquilo que praticam — propagar o ódio, por exemplo — para que possam me satanizar sem culpa.

Esses oito anos e o número crescente de leitores e ouvintes provam que aquela gente não é assim tão eficiente no seu trabalho. Também não parece ser exatamente uma decisão esperta me transformar em “inimigo do regime”. Isso atrai leitores que… não gostam do regime e, curiosamente, também os que gostam.

Com muita serenidade, com trabalho — e eu gosto de trabalhar, à diferença de alguns vagabundos enfatuados que andam por aí —, vamos seguir adiante. Há projetos novos pela frente. “E se Aécio Neves vencer? E se Dilma vencer?” Esta página vai continuar a defender os valores de sempre. As coisas que escrevo não dependem de quem ocupa aquela cadeira.

O vídeo que abre este post é um presente do leitor Marcelo Pinheiro, um fotógrafo de primeiro time. Não foi a única gentileza sua. Logo mais, segue outra. Eternamente grato, meu amigo!

Mais uma vez, eu lhes digo: obrigado por tudo! Você tornam bom o meu dia, ajudam a tornar agradável a minha vida e contribuem enormemente para fazer de mim um homem feliz. Estamos juntos. Sempre!

Texto publicado originalmente às 4h45

Por Reinaldo Azevedo

 

Aniversário – Mais um…

Mais um agrado do grande fotógrafo Marcelo Pinheiro ao blog, no dia em que completa oito anos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Boulos sitia a Câmara e é recebido por Alckmin. Está tudo errado!

Sitiada pelos fanáticos do sr. Guilherme Boulos, líder do MTST, a Câmara dos Vereadores não conseguiu votar o Plano Diretor da cidade por falta de quórum. Os ditos “militantes” estão acampados em frente ao prédio e dizem que lá permanecerão até que suas reivindicações sejam aceitas. Vocês querem saber o que significa, na prática, o famigerado decreto 8.243, da presidente Dilma Rousseff? É isso aí. O MTST quer que suas invasões sejam legalizadas no novo Plano Diretor e que sejam criadas facilidades para outras ocupações. Ainda que possa haver rusgas aqui e ali, o sr. Boulos é só uma das franjas mais ativas do petismo. O movimento alega que havia nove mil militantes por lá. A estimativa da Polícia Militar é que havia mil pessoas reunidas. A cidade de São Paulo tem 8,5 milhões de eleitores. É assim que uma minoria tiraniza uma maioria.

Entrei aqui num debate com o Ministério Público dia desses. A associação de promotores chegou a emitir uma nota bucéfala contra mim, respondendo àquilo que não escrevi. O MP ameaçava, ou ameaça ainda, recorrer contra o que chamou de “emendas de última hora” porque, diz, têm de ser submetidas à consulta popular. É mesmo? Quem é o povo? Os comandados do sr. Boulos? O povo, agora, tem chefe?

O líder do MTST, consta, está reunido com o governador Geraldo Alckmin. Alguns leitores cobram a minha opinião a respeito. É a mesma que expressei quando a presidente Dilma se encontrou com ele. Acho um absurdo e um despropósito. Pode dialogar? Pode! Mas não enquanto ele mantém cercada a Câmara de Vereadores e tenta tirar dos parlamentares eleitos o direito legítimo de votar segundo a sua própria consciência e, sim, as bases que representam. Daqui a pouco, Boulos vai se transformar no Quarto Poder da República. Fico sabendo que sua pauta de reivindicações inclui até procedimentos que deveriam ser adotados pela PM. Tenham a santa paciência!

É assim que se vão criando esses monstros da desordem, que não representam ninguém. A farra começou com o Palácio do Planalto, não é mesmo? Recebeu arruaceiros do Movimento Passe Livre em meio a desordem, como se representassem alguém, além da própria estupidez e do seu sectarismo doidivanas. Gilberto Carvalho tentou estatizar até os “rolezeiros”, lembram-se? Ontem, ficamos sabendo que o homem, ora vejam!, dialogou com os black blocs. Agora, Alckmin conversa com Boulos.

Reitero: não há mal nenhum na conversa, desde que esse senhor retire a sua tropa da Câmara e permita o pleno funcionamento do Poder Legislativo. Ele não representa a população de São Paulo. Caso se candidate a vereador, terá quantos votos? É evidente que estamos diante de uma das consequências da campanha eleitoral do sr. Fernando Haddad em 2012 e de sua eleição. Essa gente constituiu uma das linhas de frente de sua campanha e, agora, cobra um preço.

Daqui a pouco, sabem qual será o grande negócio para as construtoras em São Paulo? Comprar terrenos na periferia e esperar que o MTST os invada para que o Poder Público se veja obrigado a desapropriá-los ou para que possam ser vendidos ao MTST em regime de urgência — onde serão erguidas casas com dinheiro público. Guilherme Boulos logo será o maior incorporador do país, com a ajuda das três esferas do Estado Brasileiro.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilberto Carvalho confessa em entrevista à Folha que cometeu crime de responsabilidade; pode ser denunciando por qualquer cidadão, perder a função e ter cassados seus direitos políticos por cinco anos

Carvalho na mesa com o MST: esse é seu lado, digamos, moderado. Ele fez coisa bem pior...

Carvalho na mesa com o MST: esse é seu lado, digamos, moderado. Ele fez coisa bem pior…

Há muito tempo, talvez há muitos anos, a imprensa brasileira não publicava uma informação tão importante como a que está na Folha de hoje e foi tornada pública ontem à tarde, quando a Folha Online a colocou no ar. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, esteve no ninho dos black blocs. Ele próprio contou isso à repórter Natuza Nery. Na segunda, o jornal trouxe uma entrevista com o chefão petista — na prática, o mais poderoso no PT depois de Lula. Ele dizia que os xingamentos e vaias a Dilma não partiram só da elite branca de São Paulo — claro que não! Mas aí não havia novidade. Repetia a uma jornalista séria o que já havia dito a gente cuja seriedade é regulada pelo caixa. A revelação de que esteve com os black blocs? Bem, esta, sim, é inédita. E, segundo os meus valores ao menos — e, creio, os de milhões de pessoas —, escandalosa e imoral. Nota-se, no entanto, por sua fala, que ele parece se orgulhar de seu feito. Sua percepção indecorosa da realidade está em cada palavra, em cada linha, em cada detalhe.

O que Carvalho queria com a turma do quebra-quebra? Segundo ele, conversar para fazer um “diagnóstico”. Ah, bom. O ministro se refere ao grupo segundo o jargão dos baderneiros, chamando-os de “partidários da tática ‘black bloc’”. Tática? Quem tem tática tem também uma estratégia. O método dos arruaceiros é quebrar tudo. O objetivo, eles já deixaram claro, é mudar o poder. Logo, Carvalho está admitindo, por imposição da lógica, que ele reconhece a prática como legítima, embora diga discordar dela. E o faz em tom professoral. Nas reuniões com os mascarados — que certamente estavam de cara limpa quando falaram com o ministro —, o petista tentou convencê-los de que a violência só os isolava. Coitadinhos! O professor Carvalho queria ser didático.

Mais grave do que isso: na entrevista à Folha, o ministro dá mostras de condescender com os motivos dos black blocs, Diz ele que a tal tática “tem a convicção de uma violência praticada pelo Estado através das omissões nos serviços públicos e denuncia muito a violência policial na periferia, com aquela história de que, na periferia, as balas não são de borracha, são metálicas e letais. E que a única forma de reagir contra essa violência é também com a violência, que eles dizem que não é contra pessoas, mas contra símbolos e objetivos. Por isso escolhem bancos e concessionárias de carros importados”.

Leiam o texto da Folha. O ministro diz discordar, mas, em nenhum momento, critica frontalmente a bandidagem mascarada. Então vamos ver. O MTST invade o que lhe dá na telha e faz ameaças explícitas à ordem. O ministro conversa com eles. O MST, nós já vimos, faz sangrar 30 policiais num dia, e, no outro, lá estão seus representantes com Dilma. O próprio Carvalho compareceu a um evento do grupo. Índios partem para a porrada em Brasília e ferem um policial com flecha, mas, claro!, lá está o intrépido Carvalho para bater um papo.

Nesses casos, é evidente que temos supostos movimentos sociais a aderir a práticas definidas na lei como crimes. Mas, vá lá, há ao menos o véu diáfano da hipocrisia, como diria Eça de Queirós, a arranjar uma desculpa: são movimentos sociais, cujas lideranças podem ser identificadas. Mas e os black blocs? O que são essas pessoas senão criminosas, que saem por aí a depredar bens públicos e privados? Para falar com essas pessoas, Carvalho teve de, necessariamente, negociar com bandidos. Um dos mais altos cargos da República, sob o pretexto de manter o diálogo com a sociedade e ansioso para acalmar as ruas, foi se meter no covil de baderneiros.

E obteve como resposta o quê? Segundo ele diz, um sonoro “não” e a promessa de que os crimes continuariam. Com que outros marginais este senhor pretende ainda negociar? Pergunta óbvia: alguém que sai quebrando tudo por aí em nome de uma suposta ideologia é diferente de quem o faz apenas por gosto pessoal e paixão pelo vandalismo? Para os que tiveram seus direitos agravados, que diferença faz?

Carvalho não gosta de mim
Carvalho lidera o coro dos que não gostam de mim no Planalto, razão por que fui parar na lista negra do PT, junto com outros oito jornalistas. Não dou a mínima. Não precisa gostar. Não sou doce de coco. De resto, esse governo não costuma conquistar o amor dos jornalistas. Manda comprar. Ou, então, atua para intimidar. Não sirvo nem para uma coisa nem para outra. Não gosta por causa de coisas como esta aqui, atenção! O senhor ministro cometeu crime de responsabilidade. Existe uma lei que trata do assunto. É a 1.079, de 10 de abril de 1950. Qualquer cidadão pode denunciá-lo.

É crime de responsabilidade, por exemplo, “violar patentemente qualquer direito ou garantia individual constante do art. 141 da Constituição e os direitos sociais assegurados no artigo 157”. Está na Alínea 9 do Artigo 7º da lei. Mais: as alíneas 4, 5 e 7 do Artigo 8º definem como crimes de responsabilidade praticar ou concorrer para que se perpetre qualquer dos crimes contra a segurança interna, definidos na legislação penal; não dar as providências de sua competência para impedir ou frustrar a execução desses crimes; permitir, de forma expressa ou tácita, a infração de lei federal de ordem pública.

E, lamento, a meu juízo, Carvalho fez tudo isso. Não só o seu governo — mas aí o crime não é dele, ou só dele ao menos — nada fez para combater os black blocs como, ele o confessa, negociou com eles. E ainda foi malsucedido. Segundo seu próprio testemunho, um dos vagabundos jogou um rolo de papel higiênico praticamente na sua cara: “Isso aqui é o ingresso de vocês para a Copa”. Carvalho diz ter reagido “numa boa”. Ora, é este mesmo senhor que se espanta quando um coro vaia e xinga Dilma no estádio? Aí o seu partido decide fazer lista negra de jornalistas supostamente responsáveis pelas ofensas e nos acusa de adversários da Copa? Quando é que Gilberto Carvalho vai se fantasiar de black bloc, como Caetano Veloso fez, metendo um pano preto na cabeça?

Indiretamente, o sr. Gilberto Carvalho infringiu, como ministro de Estado, a Alínea 9 do Artigo 7º da Lei de Responsabilidade. De maneira direta, explícita e deliberada, infringiu as alíneas 4,5 e 7 do Artigo 8º. Ele esteve num cara a cara com os promotores da desordem. Nada fez na hora, além de levar o papel higiênico na cara, nem depois. Ou fez: como sabemos, ele foi a pessoa que mais se opôs a que se votasse uma lei para combater essa canalha.

A lei faculta que qualquer cidadão possa apresentar denúncia ao Congresso. Vejam nos artigos 14 a 18 as formalidades. Atenção, caros! Essa Lei 1.079 é justamente aquela que foi usada para afastar da Presidência da República o sr. Fernando Collor de Mello.

Para encerrar: um dos encontros do sr. Gilberto Carvalho com black blocs se deu em São Paulo. Enquanto os policiais militares, pais de família, eram alvos da bandidagem, sendo atacados, ainda que de modo oblíquo, pelo governo federal, o secretário-geral da Presidência batia um papinho com os delinquentes.

Não há delírio nenhum no que estou escrevendo e conversei antes com advogados que conhecem o riscado: Gilberto Carvalho dá motivos para ser acusado de crime de responsabilidade. Se condenado, sem prejuízo de ação penal, perde o cargo e os direitos políticos por cinco anos. A simples aceitação da acusação já o obrigaria a se afastar. Quem se interessar tem de ser rápido. O Artigo 15 da lei estabelece: “A denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo”. Em princípio, ele fica no cargo até dezembro.

Texto publicado originalmente às 3h32

Por Reinaldo Azevedo

 

A coluna de Janio de Freitas cujo título é “Falta de caráter”

Numa coluna intitulada “Falta de caráter”, Janio de Freitas escreve o seguinte na Folha sobre a lista negra de jornalistas elaborada pelo PT e a reação de repulsa da entidade “Repórteres Sem Fronteiras”:

(…)
FRONTEIRAS
A associação internacional Repórteres sem Fronteiras surgiu com propósitos acima de políticas e de ideologias. Nessa linha, realizou importantes trabalhos em defesa de jornalistas e do exercício do jornalismo.

Sua atual atenção recente para a América do Sul tem suscitado algumas curiosidades. Agora mesmo, a respeito de críticas fortes do vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, a jornalistas antipetistas, Repórteres Sem Fronteiras refere-se à “tensão entre governo e jornalistas da oposição”. Onde e como seria isso?

Alberto Cantalice não integra o governo. Ainda que um só integrante fosse dado como “o governo”, o que não é raro no jornalismo brasileiro, Cantalice não atenderia a tal papel. Quando muito, fala por seu partido. O PT, do qual é dirigente, não fala pelo governo. E, salvo indesculpável desatenção minha, nenhum fato atesta “tensão entre governo e jornalistas da oposição”.

O nível de liberdade de imprensa no Brasil das últimas décadas não precisa ter nem a mais sutil inveja da liberdade em qualquer país. Temos, sim, repórteres e comentaristas com fronteiras entre si, sejam filosóficas, sejam éticas, sejam outras. Isso atesta a plena liberdade de imprensa. E nos dispensa de fingir que não temos fronteiras.

Comento
Não vou esperar a minha coluna de sexta, na Folha, para responder, embora certamente vá voltar ao assunto, porque as respostas que vêm tarde já vêm frias, parafraseando Tomás Antônio Gonzaga. Janio precisa melhorar na arte em que acredita ser mestre: o jogo conceptista. É evidente que as fronteiras existem. Eu mesmo tenho muitas com o articulista: filosóficas, éticas, morais, outras…

Cito uma cerca de arame farpado ético, por exemplo: se, um dia, Janio fosse incluído numa lista de inimigos de qualquer partido ou entidade, em vez de, como ele faz, tentar explicar os motivos, por mais que eu costume abominar o que ele escreve, eu imediatamente protestaria e classificaria a prática de fascistoide. Já fiz isso em relação a pessoas cujo pensamento detesto. Está no arquivo do meu blog. A ética de Janio, que divide o espaço — a despeito de sua vontade, certamente — com duas das nove pessoas que integram a lista negra do PT (eu e Demétrio Magnoli), é outra: como resta claro em sua coluna, ele sugere que só estamos lá por bons motivos. Na prática, justifica e aceita a lista.

Voltem a seu texto. Começa dizendo que a “Repórteres Sem Fronteiras” surgiu “acima de políticas e ideologias”, e ele a elogia por isso. Só não gosta é da “atuação recente para a América do Sul”. Ah, bom! Informo: a entidade criticou, por exemplo, a barbárie na Venezuela e, agora, a lista negra petista. Vale dizer: para este senhor, quando a “Repórteres Sem Fronteiras” protege jornalistas contra governos de direita, ele acha o trabalho meritório; quando os protege da sanha de governos de esquerda, aí não. E, por isso, resolve fazer graça com o nome da entidade. Ora, ela se chama “sem fronteiras” justamente porque não tem na cabeça os arames farpados que delimitam, o, por assim dizer, pensamento de Janio de Freitas.

De resto, meu senhor, atenha-se ao texto. O comunicado da entidade não fala em “jornalistas antipetistas”, mas “de oposição”. Já não é um bom termo, mas ainda é passável porque a “oposição” pode ser coisa mais ampla do que o “antipetismo”. Quem recorreu a essa palavra é Janio — e, como se nota, ele acha que essa suspeita torna, então, aceitável a lista.

Quanto ao PT não ser o governo, aí só posso achar que se trata mesmo de uma piada ou de falha moral. O partido é o ente que foi eleito para dirigir o país — e como dirige! Não há jornalista de Brasília que não saiba como funcionam as coisas por lá. Janio certamente fala bem com Gilberto Carvalho. Por que ele não pergunta ao ministro como surgiu a tal lista — que, de resto, foi parcialmente antecipada por José Trajano, na ESPN?

Janio tem razão. Existem, sim, muitas fronteiras entre os jornalistas. A entidade só se chama “Jornalistas Sem Fronteiras” porque acredita que há valores que nos unem a todos, independentemente de países, de credos, de ideologias.

A mais intransponível de todas as fronteiras, no entanto, é a da decência. Ou a gente a tem ou nunca terá. Achei que a defesa oblíqua que Janio chegou a fazer de Henrique Pizzolato era o seu fundo do poço. Ele nos reservava outras surpresas: a defesa de listas negras de jornalistas dos quais ele discorda. Esses dois anos recentes deste senhor têm servido para que ele coloque nos justos termos toda uma vida profissional.

Parabéns, Janio! Nem todo mundo tem a coragem de corrigir a própria biografia! Faltava defender uma lista negra. Agora já não falta.

Sejam moderados nos comentários. Essa gente adora dar caneladas para provocar uma resposta que os leve a gritar em seguida: “Falta!”. É zagueiro camaronês dando empurrão em Neymar… Viram só? Eu sou um dos colunistas que incitam ao ódio. Janio inspira só amor… Eles contam com a nossa reação para poder nos acusar de truculência. Não caiam no truque.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fala, Dilma! “Queridos, encolhi o PIB”

No Estadão Online:
Economistas de instituições financeiras voltaram a reduzir a projeção de crescimento da economia este ano, a 1,16% ante 1,24%, segundo pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira, 23.

Sobre a inflação, de acordo com a mediana das estimativas, a expectativa para 2014 foi mantida em 6,46%. Para 2015, a projeção subiu de 6,08% para 6,10%. Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2014 no cenário de médio prazo subiu de 6,30% para 6,33%.

Juro
Os economistas consultados pelo Banco Central mantiveram a previsão para a taxa Selic no fim de 2014 de 11 ao ano. Para 2015, a mediana ficou estável em 12% pela quarta semana consecutiva. A taxa básica de juros está em 11% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu em 27 e 28 de maio. O próximo encontro da diretoria colegiada do BC ocorre em 15 e 16 de julho.

 Por Reinaldo Azevedo

 

Adeus, Sarney!

Ai, ai… Lá vamos nós. Como vocês sabem, José Sarney inventou um Estado do qual ele pudesse ser senador: o Amapá. Foi a sua turma que forçou a mão na Constituinte de 1988 para que houvesse a mudança de status do então território. Em 1991, instalou-se o Estado, o político maranhense estabeleceu lá o seu domicílio eleitoral — o que é piada porque, obviamente, nunca morou na região —, elegeu-se um dos senadores e permanece nessa condição até agora, já no seu terceiro mandato. Antes disso, sua carreira toda foi feita no Maranhão, até que a Presidência da República lhe caiu no colo, vocês sabem como. Nesta segunda, fez o anúncio oficial de que não vai disputar a eleição neste ano. A decisão está sendo vendida por sua turma como uma espécie de descanso do guerreiro. Obviamente, não é disso que se trata.

Sarney só está largando o osso porque não conseguiria, vejam que vexame!, se reeleger no Amapá. Não é o guerreiro que decidiu se aposentar da luta; é o povo que decidiu aposentá-lo. A situação no Estado, apesar dos esforços de Lula, está conflagrada. O chefão petista tenta impor o apoio do PT a Waldez Goes, do PDT, que é homem de Sarney, mas o PT quer manter a aliança com o governador Camilo Capiberibe, do PSB. A petista Dora Nascimento, vice-governadora, afirma que não há acordo com o grupo do ainda senador. Vamos ver. Não se esqueçam de que Lula quebrou o PT maranhense para impor a aliança com Roseana. Sarney encomendou pesquisas e chegou à conclusão de que não conseguiria se reeleger.

A presidente Dilma esteve em Macapá nesta segunda para entregar unidades do programa Minha Casa Minha Vida. Estava devidamente escoltada pelo velho político. Esses eventos, como vocês sabem, têm hoje o público rigidamente controlado pela turma do Planalto. Mesmo assim, Sarney foi vaiado cinco vezes.

Pior: Capiberibe estava no palanque e fez um discurso francamente hostil ao senador. Anunciou que as ruas do conjunto habitacional receberiam nomes de pessoas que lutaram contra a ditadura, como Miguel Arraes, avô do presidenciável Eduardo Campos, Leonel Brizola e Vladimir Herzog, entre outros. Parece que citou também Carlos Marighella — aí já vira homenagem a assassino, né? Mas fazer o quê?

Referindo-se indiretamente a Sarney, mandou brasa: “É preciso lembrar e reverenciar os que ousaram lutar. A senhora [dirigia-se a Dilma] lutou e pagou um preço alto. Existem aqueles que se aliaram aos ditadores, não podemos esquecer, o Brasil não pode esquecer, senão, poderemos voltar a viver aqueles anos tristes”.

Sarney, cujo grupo, se a eleição fosse hoje, perderia também no Maranhão — o favorito é Flávio Dino, do PCdoB — ouviu tudo calado. Resta-lhe agora criar má literatura de ficção, no que ele é bom, para tentar fazer parecer um ato de vontade sua o que é vontade do povo. Chegou a hora de ir para casa. O homem exerce cargo púbico desde 1955. Já está bom, né? Nesses 59 anos,  aprendemos a que vieram os Sarneys. O Maranhão, o Estado com os piores indicadores sociais do país, embora não exiba a seca que caracteriza o agreste nordestino, também sabe. E os maranhenses conhecem o atraso literalmente na carne.

A pior obra de Sarney, acreditem, não é a literária. Adeus!

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma lançará o Minha Casa, Minha Vida 3, sua última cartada antes da campanha

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Ainda voltarei a esse assunto:
A presidente-candidata Dilma Rousseff lançará a poucos dias do início oficial da campanha eleitoral no país a terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida. A legislação eleitoral determinou o próximo dia 5 de julho como data da largada das campanhas. ”Quem não teve ainda acesso à casa própria pode ficar tranquilo: nós vamos lançar nacionalmente, ou no dia 1º ou no dia 2 de julho, o Minha Casa Minha Vida 3. Isso vai ser muito importante porque as pessoas que não tiveram acesso à casa própria vão ter a sua oportunidade”, afirmou Dilma, em Macapá, onde entregou 2.148 casas.

A intenção de lançar a terceira etapa para o Minha Casa, Minha Vida já era planejada desde o início do ano pelo governo, mas faltava a data de início do programa. O anúncio oficial deve ser a última grande cartada de Dilma antes de começar a campanha à reeleição. “Acabamos com o apagão habitacional que existia no Brasil”, disse ela.

A exemplo das eleições de 2010, o programa habitacional é uma das apostas do PT na campanha. Como a maior parte das obras fica a cargo da iniciativa privada, o governo investe relativamente pouco e obtém resultados significativos. A meta do Palácio do Planalto é contratar três milhões de imóveis na próxima etapa do Minha Casa, Minha Vida. Mas, como não será possível chegar perto desse número na atual gestão, a continuidade do programa vai ser usada por Dilma para pedir votos para pedir um segundo mandato. Até o fim de 2013, o Minha Casa, Minha Vida 2 tinha 2,2 milhões de imóveis contratados. A expectativa do governo era firmar mais 500.000 contratos até o fim deste ano.

Campanha
Dilma aproveitou mais uma vez a cerimônia de entrega de moradias em Macapá para fazer campanha no Estado e afirmou que o Brasil “precisa atender às demandas das Regiões Norte e Nordeste”. ”Só em água, esgoto e saneamento básico o investimento aqui é de 398 milhões de reais”, disse. A presidente afirmou que o governo também destinou 500 milhões de reais para a BR-156 e voltou a destacar a importância da construção da linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus. “Essa linha traz consigo outro benefício que é a fibra ótica e, portanto, a banda larga, a inclusão digital e o acesso à internet”, afirmou.

Dilma disse ainda que determinou que seja publicado o edital de construção do terminal do aeroporto de Macapá, com a melhoria de pistas e pátio. “Com isso, vamos ampliar a capacidade do aeroporto dos atuais 900 mil passageiros para 4,5 milhões de passageiros”, afirmou. A presidente destacou a importância da parceria com a prefeitura de Macapá para obras de mobilidade urbana e disse que ao todo R$ 132 milhões foram destinados para a construção de 15 quilômetros de corredores de ônibus, dezesseis terminais, além da reforma dos já existentes. “Construímos também 93 ciclovias”, completou.

Em seu discurso, Dilma disse também que o governo tem investido bastante em saúde e educação, pois são “áreas fundamentais na vida das pessoas”. “Colocamos aqui recursos para trinta creches, sendo dez na capital”, afirmou. A presidente disse ainda que o Amapá “deu um show” de inscrições do Pronatec. “Proporcionalmente, o Amapá tem um dos melhores desempenhos. Temos 66 mil amapaenses fazendo, ou que já fizeram, cursos de formação profissional”, destacou.

Ela aproveitou ainda para defender o programa Mais Médicos na região. “O Mais Médicos aqui também está sendo um sucesso. Os dezesseis municípios que solicitaram receberam 126 médicos, de um total de 127. Esse único que falta chega até o final do mês e aí vamos chegar a 100%”, explicou. “Tenho certeza de que fizemos muito e tenho uma certeza ainda maior de que temos muito ainda por fazer.”

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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