Datafolha: Segundo turno já é uma realidade; diferença de Dilma para Aécio vai a apenas 7 pontos: 46% a 39%; presidente segue a

Publicado em 03/07/2014 17:16 e atualizado em 23/07/2014 15:08 1765 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br (com Rodrigo Constantino e Lauro Jardim

Datafolha: Segundo turno já é uma realidade; diferença de Dilma para Aécio vai a apenas 7 pontos: 46% a 39%; presidente segue a mais rejeitada; pesquisa de há um mês era melhor para a petista

Os petistas vão encontrar motivos para comemorar a pesquisa Datafolha publicada hoje pela Folha. E a oposição poderá fazer o mesmo. Vejam o quadro (todas as ilustrações foram publicadas na edição impressa da Folha).

Datafolha 3-07 - 01

Em um mês, a presidente passou de 34% para 38% pontos. Aécio Neves, do PSDB, aparece agora com 20%, contra 19% no levantamento anterior, e Eduardo Campos, do PSB, foi de 7% para 9%. Todos oscilaram dentro da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos. Mesmo com um avanço numericamente maior, diminuiu a vantagem de Dilma sobre os adversários. Quando considerados todos os candidatos, há um mês, ela tinha 34% contra 32%. Agora, 38% a 38%. No mês, passado, os demais postulantes somavam 6 pontos; agora, somam 9. Pastor Everaldo, do PSC, continua a marcar expressivos 4 pontos. Nesse caso, os não petistas é que comemoram. E não só por isso. Vejam os números do segundo turno:

Datafolha 3-07 - 02

Embora a presidente tenha oscilado quatro pontos para cima no primeiro turno, diminuiu a distância numérica para seus adversários no segundo. Há um mês, Dilma vencia Aécio por 46% a 38%; agora, por 46% a 39%. Ainda que dentro da margem de erro, Campos também pode ter se aproximado: uma diferença de 15 pontos (47% a 32%) é, agora, de 13: 48% a 35%.

Há dois outros fatores preocupantes para Dilma: em primeiro lugar, ela segue sendo a mais rejeitada pelos eleitores, com 32%. A rejeição a Aécio é a metade: 16%; a de Campos é de apenas 12%. Em segundo lugar porque ela é, de longe, a mais conhecida: afirmam que a conhecem muito bem 50% dos entrevistados, mas só 16% dizem o mesmo sobre Aécio, e 7% sobre Campos. Os especialistas em pesquisa costumam dizer que candidatos pouco conhecidos, desde que tenham estruturas partidárias sólidas, como é o caso, têm potencial de crescimento. Notem: só 16% dizem conhecer o tucano muito bem; mesmo assim, 39% votariam nele contra Dilma — no caso de Campos, essa proporção é de 7% para 35%.

Datafolha 3-07-04 - rejeição conhecimento

O Nordeste segue sendo a grande fortaleza do PT. Na região, Dilma obtém 55% dos votos, que cai para 44% na Norte, vai a 35% no Centro-Oeste, a 33% no Sul e baixa a 28% no Sudeste, região em que os candidatos de oposição estão na frente: somam 36% (27% para Aécio e 9% para Campos).

Datafolha - 3-007-03 região e renda

A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 1º e 2 de julho de 2014, com 2.857 entrevistados, em 177 municípios e foi registrada no TSE sob o número 00194/2014.

Copa do Mundo
O Datafolha também mediu o humor dos brasileiros em relação à Copa do Mundo. Cresceu, em um mês, de 51% para 63% os que se dizem favoráveis à realização do evento no país, e caiu de 35% para 27% os que se dizem contrários. Mesmo assim, 46% dizem que ela traz mais prejuízos do que benefícios — estes são 45%. Os protestos provocam mais vergonha do que orgulho: 65% a 26%; já a realização do evento no país, mais orgulho do que vergonha: 60% a 28%.

Datafolha 3-07-05 - Copa

Houve uma discreta melhora nas expectativas econômicas da população, mas a avaliação do governo variou sempre dentro da margem de erro: há um mês, 31% o achavam  ótimo ou bom; agora, 33%; diziam que era regular os mesmos 38%; e o “ruim/péssimo” oscilou de 28% para 26%.

Dados os números, não parece que a substancial mudança de humor em relação à Copa tenha tido grande impacto na avaliação que fazem os brasileiros do governo Dilma — a variação é bem menor — ou mesmo no quadro eleitoral. Embora ela tenha oscilado quatro pontos para cima no primeiro turno, os dados do segundo turno mostram tendência adversa. Mesmo com todo o justo auê noticioso que envolve a Copa do Mundo, tudo somado e subtraído, a pesquisa Datafolha de há um mês era melhor para Dilma do que esta. Por que afirmo isso? A existência do segundo turno é ainda mais certa do que antes — e a diferença numérica para os adversários caiu.

Por Reinaldo Azevedo

 

Eleições 2014

Lula que manda

carro

Qualquer um que Lula indicar (clique para aumentar)

A campanha ainda não começou e os carros ainda não circulam pelas ruas com adesivos que indicam o dono do voto do motorista. Mas quem se aventura no trânsito caótico de São Paulo já percebe ares eleitorais. A imagem acima é um exemplo.

O carro é vermelho e a marca é uma estrela, mas não se trata disso. O adesivo colado no vidro traseiro do veículo, fotografado próximo à sede da CUT, no Brás, anuncia “só vou votar em quem o Lula mandar” e tem espaço até para o desenho de uma mão com quatro dedos, só não tem o nome de Dilma.

Por Lauro Jardim

 

NO ESTADÃO:

Datafolha mostra Dilma de volta aos 38% e indica estabilidade

POR JOSE ROBERTO DE TOLEDO

Nada indica que a intenção de voto da presidente Dilma Rousseff (PT) tenha crescido após o início da Copa do Mundo, assim como nada indicava que ela havia caído antes de o campeonato começar. A pesquisa anterior do Datafolha foi um ponto fora da curva – talvez porque foi feita em meio a uma série [...]

Nada indica que a intenção de voto da presidente Dilma Rousseff (PT) tenha crescido após o início da Copa do Mundo, assim como nada indicava que ela havia caído antes de o campeonato começar. A pesquisa anterior do Datafolha foi um ponto fora da curva – talvez porque foi feita em meio a uma série de greves e manifestações que alteraram o perfil de quem passa pelos pontos de fluxo usados pelo instituto.

O levantamento desta semana do Datafolha difere do anterior, e leva a presidente de volta ao patamar em que ela estava na pesquisa de maio do mesmo instituto: era 37%, agora é 38%. O ruído foi a pesquisa de junho, que deu 34% para Dilma. Indicativos de que esse foi um ponto extraordinário são dois levantamentos do Ibope feitos um pouco antes e logo depois: mostraram a presidente com 39% e 38%, respectivamente.

Se levarmos em conta as oito pesquisas de Ibope e Datafolha feitas desde abril, todas apontam Dilma entre 37% e 39% das intenções de voto – com exceção do levantamento do Datafolha de junho. Se não foram causados por um problema metodológico, os 34% foram um espasmo fugaz e sem consequência.

A média das pesquisas feita pelo Estadão Dados aponta estabilidade desde abril, com a presidente na casa dos 37%, Aécio Neves (PSDB) com 21%, e Eduardo Campos (PSB) com 10%. Há 9% de eleitores dispersos entre os candidatos nanicos, e o restante – cerca de um quarto do eleitorado – não tem candidato, seja porque diz que vai anular/votar em branco, ou porque simplesmente não sabe responder.

A evolução da média confirma a tendência de que haja segundo turno, porque a soma dos adversários dá 40% das intenções de voto, tornando improvável que Dilma obtenha maioria absoluta no primeiro turno. Os eleitores que saíram do grupo dos sem candidato migraram maciçamente para a oposição. E entre os que permanecem dizendo que vão anular, a maioria avalia mal o governo Dilma. Se votarem em alguém, não deve ser nela.

A questão agora é se essa estabilidade das intenções de voto que dura três meses vai continuar no período da ressaca pós-Copa: uma janela em que a propaganda governamental estará proibida e que se estenderá de 14 de julho a 19 de agosto, quando começa o horário eleitoral no rádio e na TV.

A dúvida se deve ao fato de que, apesar de o mau humor da opinião pública ter diminuído por causa do sucesso da Copa, os indicadores de percepção da economia, como os índices de confiança do consumidor e de medo do desemprego da CNI (Confederação Nacional da Indústria), continuam piorando. E eles têm forte correlação com a popularidade presidencial.

A Copa é uma grande distração para boa parte do eleitorado. Ela alivia desconfortos do dia-a-dia e quase monopoliza a atenção do público. Assim, retarda eventuais repercussões políticas do aumento do pessimismo econômico. Mas por quanto tempo? O suficiente para que haja uma reversão de expectativas? Só as pesquisas feitas ao longo de agosto dirão.

 

Um dos relatórios do TCU inclui Dilma, Mantega e Coutinho entre os responsáveis por prejuízo causado à Petrobras pela compra da refinaria de Pasadena

Por Vinicius Sassine e Eduardo Bresciani, no Globo:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, também estão relacionados em parecer técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) como responsáveis por supostas irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras. A área técnica do tribunal tem pareceres divergentes sobre o tema e a menção não consta do parecer mais recente, assinado pelo supervisor da fiscalização, no qual a responsabilização de conselheiros da estatal é afastada. A presidente Dilma Rousseff é outra ex-conselheira responsabilizada no primeiro relatório e excluída do segundo. Ela presidia o Conselho de Administração na ocasião da compra da refinaria, em 2006. Hoje, Mantega é o presidente do colegiado e Coutinho, um dos conselheiros na ativa.

A inclusão de Mantega e Coutinho entre os responsáveis foi feita pelo auditor Alberto Henriques de Araújo em 4 de junho. Ele afirma que a decisão tomada pelo conselho em 2009, referendando a posição da diretoria de recorrer de decisão arbitral que obrigava a Petrobras a comprar a parte em poder da sócia Astra Oil, ampliou o prejuízo do negócio. Para o auditor, a presidente Dilma, o ministro da Fazenda, o presidente do BNDES e outros cinco conselheiros que participaram dessa decisão devem dar explicações sobre a suposta prática de “ato de gestão ilegítimo e antieconômico”. Segundo os cálculos apresentados, o prejuízo somente de juros decorrentes do recurso até o acordo firmado em 2012 totalizaram US$ 93 milhões.

Os nomes da presidente e dos ministros, porém, foram retirados da lista de responsáveis pelas supostas irregularidades, em parecer posterior, de 18 de junho, assinado pelo diretor da Secretaria de Controle Externo (Secex) de Estatais do TCU Bruno Lima Caldeira. A retirada, porém, não é conclusiva, uma vez que o ministro relator, José Jorge, poderá se basear nos pareceres anteriores para elaborar seu voto sobre o caso. As divergências entre os técnicos estendem-se ao montante a ser ressarcido aos cofres da Petrobras pelo prejuízo total na compra. O valor caiu de US$ 873,1 milhões para US$ 620,1 milhões, caso as alegações dos diretores não sejam convincentes.

Dilma também tinha a responsabilidade apontada em outro ponto no parecer inicial. Alberto Henriques sustenta que a presidente e os conselheiros que participaram da compra da primeira metade em 2006 deveriam ser ouvidos em audiência para explicar suposto “exercício inadequado do dever de diligência” por não terem solicitados mais documentos para subsidiar a decisão.

O diretor responsável pelo processo mudou o entendimento, em parecer de 18 de junho. Ele não viu culpa de Dilma e dos conselheiros e retirou o grupo do rol de responsáveis. Dos 23 dirigentes e conselheiros da Petrobras constantes na lista anterior, restaram apenas nove. No mesmo dia, o secretário de Controle Externo de Estatais do TCU, Osvaldo Vicente Perrout, referendou a proposta do diretor. O processo foi aberto pelo tribunal em fevereiro de 2013 para apurar as circunstâncias da compra, que teve custo de aquisição superior a US$ 1,25 bilhão.

Os autos estavam na fase técnica, tramitando na Secex Estatais, que fica no Rio. Agora, caberá ao ministro José Jorge decidir quais responsáveis convocará para audiências e quais serão citados, para então elaborar o voto e submetê-lo ao plenário. É o colegiado que decidirá quem será responsabilizado pelas supostas irregularidades na compra de Pasadena. Não há previsão de quando isso ocorrerá. José Jorge tem mantido silêncio sobre o processo.

O parecer de Bruno Caldeira tem 28 páginas e aponta a necessidade de ressarcimento de US$ 620,1 milhões aos cofres da Petrobras por conta do negócio malsucedido, caso os diretores responsáveis não apresentem alegações plausíveis para as irregularidades apontadas. Devem ser citados para explicar os prejuízos, na sua visão, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, os outros integrantes da Diretoria Executiva na ocasião da compra, Almir Guilherme Barbassa, Renato de Souza Duque, Guilherme de Oliveira Estrella e Ildo Luis Sauer, e dois ex-funcionários, Luís Carlos Moreira da Silva, ex-gerente executivo da Área Internacional Desenvolvimento de Negócios, e Gustavo Tardin Barbosa, ex-chefe do escritório financeiro da Petrobras America.

O grupo deve se explicar ou ressarcir a estatal em US$ 580,4 milhões em razão do “prejuízo causado ao patrimônio da Petrobras em decorrência da celebração de contratos junto à Astra”, a companhia belga que vendeu a refinaria à empresa brasileira. Os auditores concluíram que a diretoria desconsiderou o laudo da consultoria especializada Muse & Stancil, que apontava um valor de US$ 186 milhões. A diretoria se comprometeu a comprar a segunda metade de Pasadena por US$ 766,4 milhões, “resultando injustificado dano aos cofres da companhia, em desacordo com o princípio da economicidade e da prudência”, concluiu o diretor da Secex do TCU.

Outro prejuízo apontado foi no valor de US$ 39,7 milhões. A área técnica do tribunal pede a citação do então chefe do escritório financeiro da Petrobras America, subsidiária da Petrobras responsável pelo negócio no Texas. Ele deve ressarcir o valor ou apresentar explicações por não ter cobrado da Astra uma quantia prevista em contrato.

Em relação ao conselho, o diretor entendeu que a responsabilização não é correta devido à omissão no resumo que subsidiou a decisão das cláusulas que obrigavam a compra da outra metade da refinaria e que garantiam rentabilidade mínima à sócia. “Em que pese o Conselho ter deliberado definitivamente sobre a aquisição em fevereiro de 2006, como pontuado pelo auditor, a decisão foi tomada com base em resumo executivo incompleto, elaborado pelo diretor da Área Internacional. De fato, o texto do resumo executivo citado realmente omitiu expressa ou indiretamente menção às cláusulas marlim e de put option”, cita o parecer.

Sem nomes
No parecer que antecedeu o de Bruno Caldeira, Dilma, Mantega, Coutinho e outros conselheiros aparecem no rol de responsáveis investigados pelo TCU, além dos diretores executivos na ocasião da compra. A proposta do auditor federal Alberto Henriques é converter o processo numa tomada de contas especial, para posteriores citações – quando há intenção de ressarcimento aos cofres públicos – e audiências – instrumento usado para apurar uma eventual irregularidade ou má gestão.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Sabe o que você é? Um sem-direitos, um sem-Constituição, um sem-Código-Penal, um sem-poder-público, um sem-ONG, um sem-movimento-social

A falta de vergonha na cara transformada em palavra de ordem

A falta de vergonha na cara transformada em palavra de ordem

Você acorda, leitor amigo, e se pergunta, antes mesmo de lavar o rosto para se livrar dos humores do sono: “Hoje haverá manifestação dos sem-o-quê? Será dos sem-terra? Será dos sem-teto? Será dos sem-eira-nem-beira?” A expressão “sem eira nem beira”, diga-se, originalmente, queria dizer “sem terra (eira) nem beira (casa — numa referência ao beiral do imóvel). Com o tempo, como é sabido, passou a designar as pessoas que saem por aí, a fazer o que lhes dá na telha, livremente, sem prestar satisfações a ninguém, muito especialmente à lei. Ah, você… Você é um pagador de impostos, um trabalhador, alguém que ganha a vida segundo a predição bíblica: com o suor do seu rosto

Nesta quinta, paulistanos e brasileiros de todos os lugares, a Avenida Paulista e imediações foram tomadas, mais uma vez, pela manifestação dos “sem-alguma-coisa”. No caso, eram os sem-terra de José Rainha — não os de João Pedro Stedile — e os sem-teto de Guilherme Boulos. Todos eles são, claro, “militantes profissionais”. Alguém lhes paga as contas — ou, é evidente, estariam fazendo como toda gente, como você faz: trabalhando. Não! O trabalho deles é lutar por aquilo que consideram “a causa” e transformar a sua vida num inferno. Eles estão livres da maldição bíblica.

Os “sem-terra” de Rainha se autodenominam “Frente Nacional de Lutas”. Seu símbolo é uma estrela vermelha, igualzinha à do PT, num círculo branco, com a sigla FNL inscrita no centro do ícone. Coincidência? Não! Há mais do que identidade aí. Rainha é um conhecido militante petista, e seu movimento é apenas uma das franjas do partido. Na passeata, que parou avenidas e gerou transtornos no trânsito, os ditos sem-terra carregavam uma faixa em que se lia: “Liberdade aos presos políticos do PT: Zé Dirceu, Genoino, João Paulo e Delúbio”. Três deles, como se sabe, foram condenados por corrupção ativa; o outro, por corrupção passiva e peculato.

A estrela como símbolo do FNL não é mera coincidência, é evidente

A estrela como símbolo do FNL não é mera coincidência, é evidente

Vale dizer: o seu direito de ir e vir, pagador de impostos, é obstado por pessoas que, sob o pretexto de sair às ruas para cobrar reforma agrária, conduzem faixas fazendo a defesa de criminosos — criminosos que avançaram, diga-se, sobre o dinheiro público.

Sim, também estava lá o tal Movimento dos Sem Teto, que, há dias, agredindo a Constituição, cercou uma casa legislativa, a Câmara dos Vereadores, e arrancou de vereadores acovardados, no berro, a legalização de invasões. Guilherme Boulos, o líder, é agora um agenciador de mão de obra para protestos. Quem quer que tenha uma causa pode pedir a ajuda deste grande líder, e ele põe a sua tropa na rua. Assim, o MTST assume as características de uma milícia ou de uma agência de mercenários — ainda que a compensação seja, sei lá, apenas ideológica.

E você, leitor amigo? É o quê?

Você é um sem-direitos.
Você e um sem-Constituição.
Você é um sem-Código-Penal.
Você é um sem-poder-público.
Você é um sem-ONG.
Você é um sem-movimento-social.

A você, em suma, cabe trabalhar para gerar a riqueza que outros que também não trabalham proclamarão, no horário eleitoral gratuito, ter distribuído.

Até quando?

Por Reinaldo Azevedo

 

Dirceu: enfim, um trabalhador?

Leiam o que informa O Globo Online:
O ex-ministro José Dirceu deixou o Centro de Progressão Penintenciária do Distrito Federal na manhã desta quinta-feira para o seu primeiro dia de trabalho, após a prisão pela condenação no processo do mensalão. Dirceu deixou o prédio sozinho, às 7h25m, e entrou em sua caminhonente Hilux, dirigida por um motorista que atende o petista em Brasília. Ele vestia paletó cinza escuro, calça jeans e camisa azul.

O petista vai trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi. Pelo contrato de trabalho, Dirceu deverá trabalhar das 9 às 18 horas, com direito a duas horas de almoço. O ex-ministro terá como atribuição organizar a biblioteca do escritório que, segundo Grossi, está bagunçada. Dirceu, que foi o principal ministro da primeira fase do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá salário de R$ 2,1 mil por mês.

“Minha biblioteca está uma bagunça. Se ele quiser trabalhar, terá muito trabalho. Se não quiser, será mandado embora como qualquer outro funcionário”, disse Grossi.

O trajeto do presídio ao escritório durou aproximadamente 25 minutos. Ele aguardou dentro do carro, pois não havia ninguém no local para recebê-lo. Logo depois, dirigiu-se à portaria para fazer seu cadastro e subiu ao 9º andar acompanhado de duas pessoas.

O advogado disse também estar consciente de que a presença de Dirceu em seu escritório atrairá a atenção da imprensa, sobretudo nestes primeiros dias. Mas ele entende que esse é um movimento previsível. O ex-ministro é um político muito conhecido. A informação de que Dirceu tem autorização judicial e pode começar a trabalhar amanhã foi repassada a Grossi pela advogada Ana Luiza Souza.

“É natural que isso (o assédio da imprensa) aconteça. O Zé virou a Geni, do Chicio Buarque”, brinca Grossi, numa referência as críticas que o ex-ministro vem recebendo desde o início do processo do mensalão.

Dirceu foi transferido no início da tarde de quarta-feira da Papuda para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), onde estão os presos autorizados a trabalhar fora do presídio. O trabalho externo de Dirceu foi autorizado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou decisão anterior do ministro Joaquim Barbosa desfavorável ao ex-ministro. Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa. Ele está preso desde 15 de novembro, quando teve a prisão decretada por Barbosa.

Comento rapidamente
Que bom! Além de trabalhar, o que é inédito, Dirceu também poderá entrar em contato com livros…

Por Reinaldo Azevedo

 

Economia

Pior desempenho da América Latina

Em baixa

Em baixa

O conhecido estresse entre mercado de ações e governos petistas tem agora uma medida em números. De acordo com uma pesquisa inédita da Economatica, durante os governos do PT o Brasil teve o pior desempenho entre todas as principais bolsas da América Latina.

A valorização do Ibovespa entre janeiro de 2003, quando Lula assumiu, e ontem foi de 8,2%. Neste período, as bolsas de Peru, Argentina, México e Chile se valorizaram, respectivamente, 21%, 14,1%, 13,9% e 8,8%.

Entre 1995 e 2002, período em que FHC, comandou o Brasil, a valorização foi menor, 3,1’%, mas ainda assim o Brasil teve o melhor desempenho da região. Neste período, todas as outras bolsas da América Latina registraram fortes desvalorizações.

Por Lauro Jardim

Tags: América LatinaBovespaPT

 

Economia

Um desastre

industria

Consumo de energia em queda na indústria

Quem comparar o consumo de energia da indústria em maio com o mesmo mês do ano passado verificará que houve uma queda de 4,3%. Nada menos do que um desastre.

Por Lauro Jardim

 

A narrativa ausente: o PT já perdeu, mas não há oposição para ganhar!

PT: o partido dos corruptos, ricos e poderosos!

Poucos presidentes chegaram a esta altura do campeonato para disputar uma reeleição com tanta rejeição como Dilma. O PT já perdeu. Mas talvez não exista ninguém para ganhar. Esse é o grande problema nessa eleição: a oposição ainda não mostrou sua cara. O alerta consta na coluna de Demétrio Magnoli de hoje, e deveria ser lida com muito carinho e atenção por todos os tucanos.

Digo tucanos pois, apesar de Eduardo Campos e Marina Silva tentarem de tudo para se vender como “terceira via” fora da polarização PT e PSDB, há, como reconhece Demétrio, um vício de origem: Campos era companheiro do lulopetismo até “ontem”, e tenta focar suas críticas apenas no governo Dilma, ignorando que “Lula é Dilma” e “Dilma é Lula”. Marina passou a vida toda no PT e foi ministra de Lula. Oposição? Nova forma de fazer política? Fechando parceria com o PT no Rio? Conta outra!

Restaria, então, ao PSDB assumir o papel de verdadeira oposição ao modelo que está ali, e que engloba Lula e Dilma. Mas onde está a narrativa de oposição para derrubar os mitos criados pelo lulopetismo? Choque de gestão é muito pouco. Cortar ministérios, ainda que louvável e necessário, é muito pouco. Trocar Mantega por Armínio Fraga, ok, isso não é muito pouco, mas não basta. É preciso muito mais!

O PT sempre foi bom em criar narrativas, ainda que falsas. Conseguiu desconstruir até o legado positivo de FHC, sem que o PSDB saísse em sua defesa. Foi contra o Plano Real e todas as reformas que melhoraram o país, mas isso nunca foi devidamente explorado pelos tucanos. E conseguiu, acima de tudo, criar a ilusão de que o PSDB governava apenas para a elite, sendo o próprio Plano Real a maior conquista dos pobres nas últimas duas décadas. Conquista hoje ameaçada pelo PT.

Já o PSDB parece incapaz de criar uma narrativa que conte aos eleitores mais simples o que o PT representa de fato. E seria uma narrativa verdadeira! Por exemplo: o PT, como o próprio ex-presidente Lula já assumiu, ajudou a enriquecer os grandes empresários como nunca antes neste país. O Bolsa Empresário via BNDES faz o Bolsa Família parecer apenas migalhas para a compra de votos dos pobres. Terá Aécio coragem de bater nessa tecla, mesmo que incomodando parceiros tradicionais? Acrescenta Demétrio:

Nos três mandatos do lulopetismo, o governo promoveu o consumo de bens privados, descuidando-se da geração de bens públicos. Os manifestantes de junho de 2013 foram rotulados pelo PT como “despolitizados” por apontarem essa contradição, levantando as bandeiras da educação e da saúde (“escolas e hospitais padrão Fifa”). No fundo, as multidões que ocuparam as ruas até serem expulsas pelos vândalos e depredadores estavam tomando uma posição sobre as funções do Estado. Terá Aécio a lucidez de reacender esse debate, do qual o PSDB foge sempre que o PT menciona a palavra “privatização”?

O sistema político do país vive um longo outono, putrefazendo-se diante de todos. A “solução” oferecida pelo PT é uma reforma política que acentuaria seus piores aspectos, junto com a rendição do Congresso à pressão dos “conselhos participativos”. Mas a raiz da crise crônica está fora do sistema político: encontra-se na própria administração pública, aberta de par em par à colonização pelos partidos políticos. Aécio promete operar uma cirurgia puramente simbólica, reduzindo o número de ministérios. Terá ele a ousadia de, desafiando o conjunto da elite política, propor um corte profundo, radical, no número de cargos públicos de livre indicação?

O PSDB pode preferir sonhar com uma vitória por W.O., como se a própria incompetência petista, a economia em frangalhos ou fatores exógenos ajudassem a derrotar o PT e jogar o governo no colo tucano. Mas não funciona assim a realidade. Como conclui Demétrio, o PSDB precisa criar uma narrativa política coerente se quiser triunfar. É preciso derrubar os mitos inventados pelo PT, sem poupar o “Padim Ciço”. É necessário expor a verdadeira face petista a todos!

Rodrigo Constantino

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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