Desastre histórico... – Não é só pelos 7 a 1. É também pela vergonha!

Publicado em 08/07/2014 22:33 e atualizado em 11/08/2014 10:36 1674 exibições
por Reinaldon Azevedo, de veja.com.br

Desastre histórico – Não é só pelos 7 a 1. É também pela vergonha! Ou: A Alemanha honra o futebol, e quatro brasileiros tentaram cavar pênaltis que não existiram!

Sim, foi a maior humilhação da história do futebol brasileiro sob qualquer ponto de vista. Ainda voltarei a esse aspecto. A Seleção da Alemanha honrou o futebol de várias maneiras — e de uma particularmente vexaminosa para os brasileiros.

Em primeiro lugar, os alemães jogaram limpo, com pouquíssimas faltas. Em segundo lugar, já foi o tempo em que se dizia que eles praticavam em campo algo muito parecido com o futebol, mas que era outra coisa, dada a seca objetividade. Continuam objetivos, mas agora têm um belíssimo toque de bola e craques capazes de lances espetaculares. Em terceiro lugar e mais importante: os alemães estavam visivelmente felizes e excitados por estar jogando com o Brasil, a Seleção pentacampeã do mundo. E convidou os nossos atletas para jogar… futebol!!!

Sim, eles, os alemães, se zangaram duas vezes ao menos: quando os brasileiros tentavam cavar pênaltis. Houve ao menos quatro simulações descaradas — ou sem caráter: de Fred (acreditem!), de Marcelo, de Oscar e de um quarto cujo nome não anotei (mas houve).

Um jogador alemão passou uma verdadeira e merecida descompostura em Marcelo. Depois da cena patética protagonizada por Fred no jogo contra a Croácia, é evidente que Felipão deveria ter dito nos bastidores, se é que diz alguma coisa além de tautologias: “O primeiro cai-cai que simular um pênalti está fora do jogo! Só é para cair quando não der mesmo para ficar de pé. Se o outro não fez nada, evite o tombo espetacularmente ridículo”. Mas parece que isso não foi dito.

Na Europa, esse tipo de comportamento é severamente punido; é considerado, e é mesmo!, uma das fraudes mais graves que se podem cometer em campo. Não obstante, lá estava a grande Seleção Brasileira, tão esperada pela da Alemanha, a tentar dar truque em quem jogava limpo. Confesso que, nessas horas, não consegui sentir nem pena nem raiva. Só me sobrava mesmo a vergonha. Parecia que os alemães estavam a dizer: “Levante-se daí, rapaz! Jogue com dignidade! Esteja à altura da Seleção pentacampeã do mundo!”.

Não posso jurar, mas me pareceu que, num dado momento, a Seleção Alemã desistiu do jogo. Recuou, esperou o avanço dos brasileiros, que não veio, e evitou ir adiante, ou os 7 gols poderiam ter sido oito, nove, dez… Quando Oscar fez o gol de honra do Brasil, os alemães aplaudiram — e não pareceu haver ironia naquilo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico – A derrota da Seleção Brasileira e a do PT. Ou: É TOIS, DILMA!

Nunca achei, e os leitores sabem disto, que a vitória ou a derrota da Seleção Brasileira teria uma tradução imediata nas urnas. Tratei do assunto na minha coluna na Folha na sexta-feira passada, intitulada “A derrota da Seleção e a de Dilma”. “A derrota da Seleção e a de Dilma”. Escrevi então:
“A vigarice intelectual tenta transformar o tal ‘pessimismo com a Copa’ numa espécie de metáfora –ou metonímia– do suposto ‘pessimismo com o Brasil’. Também as críticas ao governo e o legítimo esforço para apeá-lo do poder segundo as regras do jogo seriam obra de pessoas de maus bofes, que saem por aí a espalhar o rancor e a amargura –coisa, enfim, de quem deveria deixar ‘estepaiz’, já que se mostra incapaz de amá-lo… Com todo o respeito, a tese de que o Brasil precisa perder a Copa para Dilma perder a eleição é só uma trapaça intelectual de quem quer que Dilma vença a eleição, ainda que o Brasil perca a Copa.”

O desastre a que assistimos no campo, nesta terça, ele sim, é simbólico de certo estado de coisas no Brasil. Reparem que foram muito poucas as críticas contundentes ao desempenho pífio da Seleção Brasileira nos cinco jogos anteriores. Aqui e ali se apontou o descompasso entre a realidade e os fatos, mas nada com a dureza e com a clareza que a ruindade do time estava a pedir. Por quê? Porque também o jornalismo — com raras exceções — vivia e vive sob uma espécie de tutela, com receio de ser acusado de falta de patriotismo.

O governo federal decidiu, infelizmente, fazer politicagem com a Copa do Mundo. A máquina publicitária oficial não teve pudor nem mesmo de pegar carona na contusão de Neymar, tentando transformá-lo numa espécie de herói nacional. Dilma Rousseff resolveu bater um papinho com Dilma Bolada no Facebook, de sorte que não dava para saber se a Bolada era a Rousseff ou a Rousseff, a Bolada. A presidente encontrou tempo para atacar os “urubus do pessimismo”. Referia-se, em princípio, àqueles que previam que o torneio seria um desastre organizacional, o que, é sabido, não foi. Mas não só a eles: os tais “pessimistas” estariam interessados na derrota do Brasil só para o PT perder as eleições…

Há, ainda, uma fatia dos políticos brasileiros que está convicta de que pode manipular a vontade popular a seu gosto. Sim, muitas críticas infundadas foram feitas à realização da Copa no Brasil, mas é evidente que parte delas procedia e procede — como procedentes são milhares de restrições outras que se fazem ao governo de turno, o que é normal numa democracia.

A máquina publicitária oficial, no entanto, incapaz de fazer a exploração rasteira do torneio — como esquecer as vaias do Itaquerão? —, decidiu “monitorar” às avessas o debate: tolhendo as críticas, intimidando os críticos, tentando silenciar as vozes discordantes, colando a pecha de sabotadores naqueles que dissentem. Não custa lembrar que o PT, com o apoio de setores comprados da imprensa — comprados pela publicidade oficial —, criou até uma lista negra de jornalistas, sobre a qual muita gente que chegou a me parecer séria um dia fez um silêncio cúmplice, preferindo olhar para o outro lado. Críticos do governo foram tachados de “jornalistas da oposição” e de “adversários da realização da Copa no Brasil”.

Pois é… Nos últimos dias, especialmente depois que veio a público uma pesquisa Datafolha em que Dilma havia oscilado quatro pontos para cima, na margem de erro, o Planalto se assanhou de novo em pegar carona na Copa. Dilma anunciou na sua conversa no Facebook que vai ao Maracanã, no domingo, entregar a taça ao vencedor — ocasião, então, em que “Maracanaço” talvez passe a ter outro sentido.

Qual é a última torcida que cabe à presidente? Por razões que o técnico argentino chamou nesta terça de “culturais” — ele se referia ao fato de que a imprensa de seu país comemorava o desastre brasileiro —, resta à nossa governanta torcer desde já para que seja a Holanda ou a Alemanha a vitoriosa. Ou lhe caberá a honra, depois de ter esconjurado os urubus, de entregar o troféu ao capitão da Seleção da Argentina.

Eu não acho que a derrota da Seleção fará o eleitor votar dessa ou daquela maneira. Não o subestimo assim. Isso não nega o fato de que o PT tinha planos para tentar fazer da eventual vitória uma arma para esmagar os adversários. Seria ineficaz porque, reitero, não é assim que se dão as coisas. Mas o Brasil ficaria um pouquinho mais incivilizado, matéria em que essa gente é craque.

É TOIS, DILMA!

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico – Dilma e Fred ouvem o coro no Mineirão: “Vai tomate cru”

É claro que dar a notícia logo se confunde com incentivo, como tentaram fazer crer alguns militantes petistas disfarçados de jornalistas, alguns deles recebendo o rico dinheiro de empresa americana e pagando de anti-imperialistas… Que nojinho desses covardes, não é mesmo? Não é incentivo, não! É notícia mesmo!

O estádio inteiro, por razões que, creio, dispensam explicações, mandou ver: “Ei, Fred, vai tomate cru”. Mas não só pra ele: também se ouviu o mesmo coro com a mudança do vocativo: em lugar do centro-nunca-avante, Dilma! Sim, o coro com que a presidente Dilma foi premiada no Itaquerão voltou a ser ouvido de forma reiterada no Mineirão. E não creio que, desta feita, alguém se atreva a dizer que era coisa da “elite branca”, não é mesmo? Até porque Lula e Dilma juraram ter feito a “Copa das Copas” para o povão, não é isso?

Ainda voltarei a esse tema e ao esforço evidente de tentar tratar o povo como marionete.

Dilma poderia ter se mantido um tantinho mais distante da disputa, como estava depois de hostilizada no Itaquerão. Mas seus especialistas decidiram que era hora de “faturar” — inclusive com a vértebra fraturada de Neymar. Quem mete a cara na janela se expõe à reação do povo, não é mesmo? Não acho que se devam dirigir palavrões contra a presidente. Mas também não acho que a presidente deva tentar manipular o sentimento da população.

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico – Princípio de tumulto em várias capitais depois de derrota

Na Folha:
cidade de São Paulo registrou uma série de ataques a ônibus na noite desta terça-feira (8) após a derrota do Brasil na semifinal da Copa do Mundo. Também foi registrado ao menos uma tentativa de saque a uma loja de eletroeletrônicos e um incêndio em um pátio de coletivos desativados. O incêndio no pátio, que pertence a empresa VIP (Viação Itaim Paulista), começou por volta das 19h20 e terminou com 20 ônibus atingidos pelas chamas, sendo 19 totalmente destruídos e um parcialmente. A garagem está localizada na rua João de Abreu e os veículos, segundo a SPTrans, estavam fora de uso. Segundo Jorge Euclides Dias, funcionário da empresa de ônibus, foi encontrado um recipiente que teria sido jogado de fora da garagem, com gasolina. Segundo ele, o galão não estava na garagem antes do incêndio. Havia apenas um segurança no local no horário do ataque. Não há registro de pessoas detidas ou feridas nessa ocorrência.
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Belo Horizonte
A cidade que se coloriu durante esta terça-feira (8) em Belo Horizonte terminou o dia cinza. O amarelo das camisas ficou pálido e, assim que a partida foi encerrada em campo, com goleada histórica da Alemanha sobre o Brasil de 7 a 1, o centro da cidade estava parado. Silêncio absoluto, nem um carro passava. No bairro da Savassi, região com grande concentração de bares, houve um princípio de tumulto ao final do primeiro tempo do jogo, quando um grupo de torcedores começou a queimar uma bandeira. Policiais militares tentaram apagar o fogo e pelas costas foram atingidos por uma lata de cerveja. Para dispersar o grupo, a PM usou gás. Três foram detidos. Para controlar qualquer confusão que possa vir a acontecer por parte de torcedores mais exaltados, a Cavalaria, Tropa de Choque e policiais do Batalhão Copa fazem esse monitoramento. “São 13 mil policiais nas ruas de toda a cidade, preparados para prevenir ocorrências”, afirma o assessor de comunicação da PM, tenente-coronel Alberto Luiz.
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Curitiba
Dois ônibus foram alvo de incêndio no início da noite desta terça-feira (8) na região metropolitana de Curitiba depois da derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo. O primeiro ataque ocorreu às 18h40 no bairro Sítio Cercado. Segundo a Polícia Militar, de quatro a cinco homens assaltaram um dos veículos que faz o transporte urbano no bairro. Eles levaram o dinheiro arrecadado com as passagens e mandaram todos os passageiros saírem do ônibus. Em seguida, jogaram gasolina e atearam fogo ao veículo. Por volta das 19h, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, adolescentes jogaram um coquetel molotov em um ônibus. O motorista conseguiu controlar rapidamente a chama com o extintor do veículo.
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Rio
A Fan Fest, evento organizado pela FIFA em Copacabana, Zona Sul do Rio, terminou com pancadaria e seis detenções depois que a seleção brasileira sofreu sua maior derrota em Copas do Mundo. O Brasil perdeu por 7 a 1 contra a Alemanha. Pouco depois do intervalo do primeiro para o segundo tempo, quando o jogo já estava 5 a 0 para o time adversário, pequenas brigas e confusões já ocorriam tanto do lado de dentro da festa quanto do lado de fora, na avenida Atlântica, que contorna a orla marítima. Alguns torcedores apontaram um suposto arrastão e uma correria se estabeleceu na região próxima ao hotel Copacabana Palace à estação de metrô Cardeal Arcoverde. A assessoria de imprensa da Polícia Militar nega que tenha havido arrastão e afirma que ocorreram apenas “furtos pontuais”, com seis detenções em função da confusão na Fan Fest. Os seis foram encaminhados à delegacia.
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Salvador
O trio elétrico estava lá, posicionado. Mas ao redor dele, ao invés de foliões curtindo a classificação do Brasil para a sua oitava final de uma Copa do Mundo, não havia ninguém. Com a derrota e eliminação brasileira da Copa nesta terça-feira (8), a prefeitura de Salvador decidiu cancelar o show do cantor de pagode Léo Santana, programado para depois do jogo no Farol da Barra. Segundo a prefeitura de Salvador, o cancelamento do show foi uma recomendação da Polícia Militar, que temia um acirramento de conflitos entre torcedores. Ainda no intervalo, houve pelo menos duas brigas na área em frente ao telão principal da Fan Fest. Quatro torcedores foram detidos, um deles com sangramentos na cabeça. A programação do palco da Fan Fest foi mantida com um curto show da banda Oito7Nove9, dos filhos do cantor Bell Marques.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico – PM dispersa torcedores na Vila Madalena após confusão e brigas

Na Folha Online:
A PM dispersou por volta das 2h desta quarta-feira (9) os torcedores brasileiros e estrangeiros que se divertiam na Vila Madalena, bairro boêmio que estava sendo o principal local de confraternização da Copa em São Paulo, após cenas de brigas e correria. O principal foco de confusão foi entre brasileiros e argentinos. Grupos de torcedores do país vizinho começaram a chegar ao bairro por volta das 21h, comemorando a eliminação do Brasil.

Segundo frequentadores do bairro, houve grupos de brasileiros que ameaçaram argentinos que não procuravam confusão. Mas eles também viram torcedores da Argentina que mexeram com o público que estava nos bares. A confusão fez a PM reforçar o policiamento fechar o acesso do público às principais ruas do bairro por volta da 1h. Houve bate-boca entre os policiais e quem chegava ao local e tentava entrar.

Após ao menos dois episódios de briga flagrados pela reportagem da Folha, a PM começou a dispersar os frequentadores. A PM estima que ao menos 5.000 pessoas estavam no local nesta madrugada. Utilizando um megafone o major Marcelo Franciscon falava à multidão que a festa tinha terminado e pedia para abrir espaço para o pessoal da limpeza. O major disse que pediu para o departamento de comunicação traduzir também para o inglês a mensagem. “Decidi utilizar o megafone depois de uma sugestão do repórter Roberto de Oliveira, da Folha de S.Paulo, que viu isso em países da Europa”, disse Francisco.

Algumas pessoas xingavam os policiais militares que formavam cordões de isolamento forçando todos a irem embora. Atrás da PM seguiam equipes de limpeza varrendo e lavando as ruas. No total, 400 policiais militares e 120 Guardas Civis Municipais participaram da operação, além de 20 fiscais da prefeitura. A PM ainda não tinha durante a madrugada um balanço das ocorrências. Segundo o major Franciscon, houve apreensão de mercadorias de ambulante, uma pessoa ferida gravemente em uma briga e furtos de celulares.

A reportagem da Folha flagrou um homem machucado no chão e outro ser agredido por um grupo na frente da PM, que precisou intervir. Ele ficou caído e foi socorrido pelos bombeiros. Nenhum agressor foi preso. No 14º Distrito Policial (Pinheiros), onde as ocorrências foram encaminhadas, havia durante a madrugada PMs registrando caso de apreensão de lança-perfume e pessoas que tiveram os celulares roubados.
(…)

 Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico – A derrota brasileira na imprensa internacional

O alemão ”Bild”: “Vitória para a eternidade: 7 a 1”
Imprensa estr. Bild

No jornal espanhol ”Marca”: “Desonra eterna”

Marca Jornal Espanhol

No francês ”L’Equipe”: “O desastre”

Imprensa estr. francês

No italiano ”La Gazetta dello Esport”: “Brasil, humilhação história: a Alemanha o aniquila”

Imprensa estr. La Gazetta

No americano “The New York Times”: “Derrota devastadora deixa Brasil às lágrimas”

Impr. estrangeira NYT

No inglês The Guardian”: “Alemanha demole o Brasil rumo à final”

Imprensa estr. Guardian

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico  – O improviso como método

Na entrevista coletiva que concedeu, Felipão não admitiu em nenhum momento que errou na escalação do time — tanto é assim que, com as alterações, o vexame no segundo tempo ao menos, foi menor. Ele tem um modo muito particular de ver as coisas, que eu definiria, deixem-me ver, como autocrático-estúpido-fatalista.

É autocrático porque, oh, oh, bate no peito e chama para si a responsabilidade. Vá lá… só faltava jogar tudo nas costas dos jogadores, embora estes não possam e não devam se eximir. É estúpido porque, ao longo de seis partidas, nós só o vimos mudar de ideia quando, santo Deus!, o Brasil perdia por… CINCO A ZERO. E é fatalista porque ele está convicto de que nada havia a fazer.

Atenção! Há uma diferença muito grande entre chamar para si a responsabilidade e admitir o erro. Ainda que pareça piada, e parece, Felipão tentou ser mais “ofensivo” hoje do que nos cinco jogos passados — e decidiu sê-lo justamente contra a Alemanha, a mais arrumada das equipes com as quais o Brasil jogou nesta Copa. O placar está aí. Mas volto a esse particular daqui a pouco.

Quero me fixar num aspecto de sua entrevista. Indagado se Neymar teria feito a diferença em campo, ele até deu uma resposta correta: muito provavelmente, não teria conseguido impedir a vitória da Alemanha porque, atenção para o que vai entre aspas, “ele (Neymar) não teria como defender aquelas jogadas trabalhadas”.

Ah, bom! Então a Alemanha tinha o que nunca tivemos: jogadas trabalhadas. E pôde exercitá-las com desassombro, não é mesmo?, porque o time brasileiro permitiu. Quando a Seleção Brasileira venceu a de Camarões, no dia 23,escrevi o seguinte:

repertório felipão

E isso, obviamente, não mudou. A rigor, nunca existiu um time, o que o talento de Neymar sempre serviu para esconder. O garoto teria feito a diferença? Talvez o placar fosse menos vexaminoso, mas não custa lembrar que, até se machucar, ele fazia uma péssima partida contra a Colômbia.

Desculpem-me pela severidade, mas esse negócio de general que fica assumindo a derrota não me comove. Sim, é melhor do que jogar a culpa dos ombros alheios, mas isso não elimina seus erros.

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico  – É preciso importar técnicos para os grandes times e para a Seleção; salários milionários já há; só faltam agora os técnicos talentosos

Em matéria de Seleção Brasileira, há uma contradição que me parece insanável. Praticamente a totalidade dos jogadores escolhidos atua em times estrangeiros. Além do seu talento, o que se quer é também a sua experiência internacional em centros de alta performance futebolística — coisa que o Brasil, convenham, há muito tempo não é. Na hora, no entanto, de escolher um treinador, ficamos mesmo com a prata da casa — que anda uma lástima. Escrevi há dois anos, quando Felipão foi indicado, e repeti ontem no blog: ele foi guindado para a Seleção Brasileira quando havia acabado de contribuir, de modo importante, para mandar o Palmeiras para a segunda divisão. Tem uma carreira com méritos, incluindo uma Copa do Mundo, mas me parece evidente que está ultrapassado. O vexame que a Seleção Brasileira sofreu foi, antes de tudo, tático.

Nesta terça, nós todos vimos Felipão, na beira do campo, a dar um pito em alguém — talvez em David Luiz: “Não adianta! Está seis a zero!”. Repetiu a fala e reproduziu o placar com uma mímica. O que estaria querendo dizer com aquilo? Nem Deus sabe, não é? Se o Altíssimo gostasse de futebol, naquela hora, estaria se regozijando com outras ovelhas, não com as nossas.

A CBF dispõe de condições e recursos para contratar técnicos estrangeiros. Dos que estão na praça, me digam: quem está em condições de oferecer algum diferencial à Seleção? Felipão, com todo o respeito à sua trajetória, transformou-se num distribuidor de camisas. A escalação que fez contra a Alemanha não evidencia ignorância apenas sobre o seu próprio time, mas me parece, e isto é mais grave, está a evidenciar também uma leitura errada do time alemão. Não me lembro, no tempo em que acompanho futebol, de ter visto um time montado sem meio de campo.

E fomos amargando, então, alguns recordes negativos:

1: a pior derrota da nossa Seleção em Copas;

2: o pior resultado da equipe em todos os tempos, incluindo amistosos: antes, havia perdido de 5 a 1 para a Bélgica, em 1963, e de 6 a 0 para o Uruguai, em 1920;

3: a pior derrota de um time numa semifinal de Copa do Mundo;

4: tomou o maior número de gols em menos tempo: em 29 minutos, foram cinco;

5: quatro dos sete gols alemães foram feitos em 6 minutos: aos 23, aos 24, aos 26 e aos 29;

6: três gols resultaram de bolas roubadas, como quem toma doce de criança;

7: ao fazer seu sétimo gol, a Alemanha tinha realizado 13 finalizações — 54% de eficiência, o que deve também ser recorde;

8: durante todo o primeiro tempo, o Brasil fez 2 finalizações — a Alemanha, sete, com cinco gols.

9: perder é do jogo; deixar-se humilhar é coisa de quem não respeita a história alheia nem a própria.

Pelas mesmas e óbvias razões por que exportamos jogadores, está na hora de importar treinadores — e isso vale também para os grandes clubes. Está na cara que o Brasil se tornou, no futebol, um país de Jecas-Tatus, eternamente de cócoras sobre a própria incompetência. E olhem que não faltam salários milionários aos nossos técnicos. Dá para trazer os melhores que atuam nas grandes praças futebolísticas do mundo.

Os jogadores talentosos estão aí. Continuam a ser fornecidos todos os dias pelas escolinhas e pelas periferias deste Brasil imenso. Mas a  CBF, assim como o país, tem de mudar.

Sim, é preciso aprender com as derrotas. Quando essa derrota é um vexame sem precedentes, é preciso uma terapia de choque.

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico – O que este blog escreveu no dia em que Felipão foi nomeado técnico, com Parreira de “vice”. Ou: Brasil precisa de técnico; quem precisa de “pai” são os órfãos…

Felipão, o paizão ou o tiozão meio rabugento: esse estilo já era!

Felipão, o paizão ou o tiozão meio rabugento: esse estilo já era!

Estou assistindo à entrevista de Felipão. Já trato de algumas sandices lógicas que ela está a soltar pelos cotovelos. Não sou um especialista em futebol, mas sei quando as palavras não fazem sentido.

No dia 28 de novembro de 2011, escrevi um post sobre a sua nomeação para comandar a Seleção, na companhia de Carlos Alberto Parreira. É este que segue.

ESCOLHA DE FELIPÃO

Muito bem! A Seleção passou a ganhar os jogos, levou a Copa das Confederações, e, evidentemente, passei por mau profeta. Alguém dirá: “É fácil criticar o derrotado e elogiar o vitorioso”. Pois é… Felipão nunca foi do meu agrado — e não apenas porque não fazia sentido pegar um técnico que tinha ido para a segunda divisão e mandá-lo para o cargo mais importante do futebol.

Não gosto do modo como ele pensa. Não tenho simpatia nenhuma por essa cascata de “Família Scolari”. Esse negócio de “paizão” ou “tiozão” que trata a “molecada” como menores irresponsáveis, sempre a depender de um coroa meio rabugento, é uma coisa, digamos, tão… latina! Na esfera psicológica, remete-me a coisa pior, de que me dispenso de tratar aqui. Seja como for, não faz pessoas autônomas.

Vamos convir: nos 12 tempos que jogou nesta Copa, o futebol brasileiro só apareceu, ainda que de modo meio atrapalhado, no primeiro tempo contra a Colômbia. E olhem que a agressão covarde de que o Neymar foi vítima escondeu um fato escandaloso para quem pretende estar entre as melhores seleções do mundo: foram 54 faltas ao longo do jogo, 31 cometidas pelos brasileiros. Ninguém fraturou a vértebra de James Rodríguez, felizmente! Mas ele apanhou mais do que Neymar. O Chile não era a equipe que menos batia. Mesmo assim, o Brasil, campeão em faltas até aqui, cometeu 28 infrações contra 23.

Vale dizer: a Seleção Brasileira não teve medo nenhum de jogar feio — o que as equipes de Telê Santana, lembram-se?, não sabiam fazer. Felipão só não conseguiu fazer o time jogar bonito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico  – O triunfo do raciocínio mágico e da burrice. Ou: Macumba lógica

Na segunda, no programa diário “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan (entre 18h e 19h; volta ao ar nesta quinta, em horário normal), esculhambei a tese cretina que vi esposada em muitos lugares segundo a qual a saída de Neymar até poderia representar um ganho para a Seleção Brasileira. O raciocínio estúpido e mágico se sustentava em dois pilares:
a) componente psicológica – o desagravo ao nosso melhor jogador e o sentimento de unidade nacional gerado por sua contusão estimulariam os nossos guerreiros, que, então, lutariam ainda com mais garra;
b) componente técnica – por motivos insondáveis, a ausência de Neymar tornaria cada jogador mais compenetrado e ciente das suas obrigações, o que obrigaria o time a jogar um futebol mais eficiente e solidário.

Obviamente, nada disso aconteceu. Eu, aborrecidamente lógico que sou, considero que, com a possível exceção de Fred, menos nunca é mais, a não ser quando se somam ou se multiplicam entre si grandezas negativas. Se Neymar é nosso melhor jogador e se ele é o único da Seleção que lembra um armador, caso ela saia, a Seleção ficará, obviamente pior.

Mais: como eu não tinha percebido — nem eu nem ninguém — a existência de algum esquema tático de Felipão que não fosse Neymar, a sua saída implicava ficar sem nada. Some-se a isso a ausência de Thiago Silva — esta, sim, muito mais devastadora para o jogo desta terça —, e temos, então, o “Mineiraço”. Explico a referência a Fred, que estava em campo não por culpa sua, diga-se, mas de Felipão: ele atuou na Seleção como massa negativa. Tê-lo era como jogar não com 10, mas com nove jogadores. Era a soma que subtraía. Onde se pensava haver um centroavante, havia apenas alguém lutando contra sei lá que demônios do futebol. Não é que ele não tenha ajudado; ele atrapalhou.

Enquanto o futebol — e o mesmo vale para o país — se deixar perder nessas bobagens, não vamos muito longe, não. É possível que até Felipão tenha caído presa da armadilha: “Ah, vamos fazer do limão uma limonada”. E aí meteu Bernard e Hulk para correr pelas pontas, deixou a armação para David Luiz, e aí foi a zaga que entrou em parafuso. Quando o ataque não marca, a zaga está em pânico e não existe meio-campo, o resultado de 7 a 1  é até barato. Todos vimos que, num dado momento, a Alemanha decidiu parar. Um dos jogadores concedeu uma entrevista e chegou praticamente a se desculpar. Falava a sério. Não era arrogância.

Patético
Na entrevista coletiva que concedeu, perguntaram a Felipão por que ele deu a entender, no treino, que Bernard não estraria, que ele armaria um time um pouco mais defensivo e adensado no meio-campo, e depois fez o contrário. Ele respondeu que agiu daquele  modo porque a imprensa estava no treino, e ele não queria entregar seus segredos.

Ah, bom! Felipão guardava uma surpresa a sete chaves: a derrota por sete a um contra a Alemanha. De tudo o que ele disse na entrevista, concordo com uma coisa: ele é o principal culpado.

Para encerrar, meus caros, reitero a máxima de que macumba, ela mesma, nunca fez ninguém ganhar jogo. Mas também não consta que faça perder. Já as macumbas lógicas, ah, essas conduzem a grandes desastres: no futebol, na política e na vida.

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico – Publicidade no intervalo e depois do jogo tornou tudo mais surrealista

Não há condições técnicas — não ainda ao menos — de programar uma publicidade para a vitória e outra para a derrota. E, é natural — não estou censurando ninguém —, os produtos anunciados (cerveja, bancos, carros etc.) vinham embalados por euforia e otimismo. Só que a realidade era bem outra.

Ok, meus caros, já aconteceu antes. A minha geração — estou com 52 — não teve “Maracanaço”, mas teve a derrota para a Itália em 1982. Ocorre que nós todos amávamos aquele time, mesmo com os seus defeitos. Era inequívoco que jogava com talento incomum — embora tivesse uma defesa descuidada. Também naquele caso e em outros tantos, a propaganda refletia uma realidade que já não nos pertencia mais.

Desta feita, não foi a derrota em si que tornava a coisa toda meio surrealista, mas a forma como se deu e, obviamente, o placar. Apesar da euforia, é evidente que havia e que há certo clima desconfiança cercando a realização do torneio no Brasil.

No intervalo, lá estavam as mensagens ufanistas e insuportavelmente alegres, quando perdíamos por 5 a zero. Terminado o jogo, voltaram os comerciais. De novo, lá estávamos nós, os felizes imbatíveis da tela, derrotados na vida real por sete a um.

No futuro, e a tecnologia se encarrega do assunto, é o caso de pensar alternativas para a vitória e para a derrota. Mas não se peça a ninguém, nem acho que seja o caso, que se faça um anúncio para a humilhação.

Por Reinaldo Azevedo

 

Desastre histórico 7 – Ô partidinho seca-pimenteira este PT!!!

Do meu amigo Carlos Marchi, no Facebook:

Partidinho seca-pimenteira este PT, né, não? Juscelino foi campeão do mundo (1958). Jango foi campeão do mundo (1962). O ditador Médici foi campeão do mundo (1970). Itamar Franco foi campeão do mundo (1994). Fernando Henrique Cardoso foi campeão do mundo (2002).

Com o PT, o Brasil dançou em 2006, 2010 e agora, em 2014, paga esse mico!

Por Reinaldo Azevedo

 

08/07/2014 às 19:19

Desastre histórico – Por onde começar? Pelo pé frio!

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Por Reinaldo Azevedo

 

Copa do Mundo – Um ótimo editorial do Estadão e uma reportagem que repete uma mentira escandalosa do PT

O Estadão desta quarta publica um excelente editorial sobre a tentativa da presidente Dilma Rousseff de faturar com a realização da Copa do Mundo e até com a contusão de Neymar. Chama-se “Dilmar tropeça na bola”. Quem acompanha o que escrevo aqui sabe que não tenho como discordar do que vai lá. Reporoduzo um trecho em azul: “Depois da partida de sexta-feira, em que o Brasil venceu a Colômbia e perdeu Neymar, a equipe da presidente Dilma Rousseff programou para daí a três dias um bate-papo entre ela e internautas sobre um único e óbvio assunto: a Copa. Tanto se tratava de uma jogada eleitoral que a primeira ideia foi usar a página que o PT administra na rede social em nome da candidata. Aí, abandonando-se ao cinismo, resolveram dar um tom “institucional” à marquetagem, transferindo a conversa para a página oficial da Presidência da República. (…)Esperta, Sua Excelência. Em dado momento do chat, para desdenhar das críticas, ela equiparou as previsões pessimistas em relação à Copa às que cercam, com mais razão ainda, o desempenho da economia este ano. A taxa do PIB em 12 meses mal supera 1%. Ninguém com a cabeça minimamente no lugar aposta numa metamorfose que redima os desastres da política econômica. Mas – e aí reside a esperteza dilmista – o resultado final do ano só será conhecido em começos de 2015. A essa altura, a presidente ou terá sido reeleita ou terá deixado o Planalto. Em qualquer hipótese, não haverá quem perca o seu tempo lhe cobrando o despropósito de agora.”

Admiravelmente bem escrito, como costumam ser os textos que se publicam na página 3 do jornal, ainda um reduto de cuidado com a Inculta & Bela.

Eis, no entanto, que, mais adiante, na página A6, topo com uma reportagem intitulada “Goleada em campo não vai influenciar eleição, diz Planalto”. Lá está Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, tentando pautar o debate e coisa e tal. Tratarei de sua tese — que poderia ser resumida assim: “o povo tem memória curta” — em outro post. Neste, quero chamar a atenção para um trecho (em vermelho) do texto, que vem com sete assinaturas:
“Embora o caos previsto pela oposição na organização da Copa não tenha ocorrido, o Planalto teme que o trauma da população com o fracasso do Brasil afete a autoestima dos brasileiros e provoque, sim, impacto eleitoral”.

Pois é…

O que vai acima em vermelho nunca aconteceu. A “oposição” — não sei quais são as pessoas designadas por essa palavra — jamais previu o insucesso da Copa do Brasil, muito menos “o caos”, que já é uma palavra carregada de carga política. Ou, então, os sete que assinam a reportagem, em companhia de quem a editou, exibam reportagens do próprio Estadão (só para começo de conversa) em que “a oposição” anuncie o… caos!

Isso é o que diz o PT sobre seus adversários. Fazer tal afirmação, como se dado da realidade fosse, assim como quem assegura que “hoje é quarta-feira”, corresponde a fazer campanha político-eleitoral. E NÃO ESTOU A DIZER QUE HAJA DOLO NISSO, NÃO! NÃO ESTOU A DIZER QUE OS JORNALISTAS FAZEM TAL AFIRMAÇÃO PORQUE ESTEJAM, DE MODO DELIBERADO, JOGANDO ÁGUA NO MOINHO DO PT. O EFEITO MAIS DELETÉRIO DA PATRULHA PETISTA É JUSTAMENTE ESTE: ESPALHAR A VERSÃO COMO SE FOSSE FATO, DE MODO QUE AQUELES QUE A REPETEM NEM SE DÃO CONTA DO QUE ESTÃO A FAZER.

A imprensa, sim; oposição, não!
Reportagens publicadas pela imprensa, estas sim, anteviram mais problemas do que de fato se estão verificando. E não havia dolo também nesse caso. Um de seus papéis é alertar para dificuldades. É bom possível que muita coisa se tenha corrigido em razão de sua vigilância; é bem possível que muitos problemas tenham sido evitados em razão de suas advertências.

Quem é “a oposição”? Aécio? Serra? Alckmin? Aloysio? Campos? Marina? Preencham aí os nomes à vontade. Onde está a previsão de caos? Ora, ninguém é idiota a tal ponto. De resto, as críticas mais ácidas à realização da Copa do Mundo no Brasil surgiram de movimentos de rua, inicialmente em grupos de extrema esquerda, chegaram a ganhar o cidadão comum, que logo foi empurrado de volta para dentro de casa, constrangido por black blocs, com os quais Gilberto Carvalho dialoga. Ao governo federal, a violência dos mascarados sempre foi útil porque servia para espantar as pessoas de bem. Não estou afirmando, de forma oblíqua, que o Planalto esteja por trás dos black blocs. Estou afirmando de maneira clara, escancarada e inequívoca que o Planto dialogou com eles. E quem dialoga reconhece a legitimidade do outro. Fim de papo.

Mas já me desviei. Acho, como leitor apenas, inaceitável que a pauta de um partido — “a oposição previu o caos na Copa” — seja transmitida a leitores e internautas como se fosse informação séria, como se fosse fato. Não é.

O que oposicionistas fizeram, cumprindo a sua função, foi chamar a atenção dos brasileiros para as promessas que não foram cumpridas (obras de mobilidade), para os acusações de superfaturamento das obras, para o descumprimento de prazos — tudo, em suma, o que cabe, havendo motivos, a adversários do governo fazer numa democracia. Assim como a imprensa, também a oposição tem seu papel institucional.

Mas “caos” não! Reproduzir essa afirmação como se fosse informação corresponde a fazer campanha eleitoral petista. Se, antes, isso não era sabido, agora é.

PS — Ah, sim: quem escreve este texto é alguém que considera que a derrota do PT é fundamental para a sobrevivência da democracia no Brasil; que acha o governo incompetente; que sustenta que o PT é um partido autoritário; que nunca achou ou afirmou que a Copa seria um caos e que defende que lugar de black blocs é a cadeia, enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Quem passa a mão na cabeça deles é Gilberto Carvalho, não eu. Mesmo assim, fui parar na “black list” do PT. Já os black blocs foram convidados para um cafezinho…

Por Reinaldo Azevedo

 

Liminar da Justiça em favor de Luiz Moura anula candidatura de Padilha e dos demais petistas no Estado de São Paulo; partido vai recorrer

Alexandre Padilha (camisa azul) ano aniversário de Luiz Moura (calça branca)

Alexandre Padilha (camisa azul) no aniversário de Luiz Moura (calça branca)

Pois é, pois é… Uma decisão, ainda provisória, da Justiça de São Paulo tornou sem efeito a suspensão aplicada pelo PT ao deputado estadual Luiz Moura — o que o impediu de concorrer à reeleição — e ainda anulou a convenção estadual do partido, que aconteceu em maio. A direção do PT vai recorrer. Caso se confirme o conteúdo da liminar, Alexandre Padilha não poderá se candidatar ao governo de São Paulo. Também as candidaturas do partido à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal estarão anuladas. Como o prazo legal já se esgotou, o PT ficaria fora da eleição no Estado. Já aconteceu antes? Já! Em 1992, uma decisão do TSE anulou a convenção do PFL em São Paulo.

Só para lembrar: Luiz Moura é aquele deputado estadual que foi flagrado pela polícia numa reunião a que compareceram membros do PCC. O objetivo seria planejar novos ataques a ônibus. O partido evitou expulsá-lo, mas decidiu não lhe dar legenda para se candidatar porque considerou que isso prejudicaria a campanha petista. O deputado estadual é um aliado político de Jilmar Tatto, secretário dos Transportes de Fernando Haddad, e o próprio Padilha já compareceu à sua festança de aniversário, onde discursou.

Moura recorreu apenas contra a suspensão — também anulada pela liminar —, mas o juiz Fernando Camargo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, avaliou que a própria lisura da convenção estava comprometida e a tornou sem efeito. O magistrado concordou com o argumento do parlamentar petista, que diz não ter tido direito de defesa, o que a direção do partido nega.

Não tenho nenhuma disposição de defender um grupamento que me coloca numa lista negra e que excita a fúria da turba contra mim, mas a decisão me parece exagerada. Não tenho, em suma, simpatia por quem se candidata a meu algoz, mas tenho compromisso com o que penso. Parece-me que o comportamento de Moura dá motivos para que o PT o suspenda das atividades partidárias, ainda que ele fosse um queridinho da turma até anteontem. Até onde sei, o homem foi ouvido, sim, pelo comando. Ocorre que suas explicações não pareceram, porque não eram, convincentes.

Não conheço o conteúdo da liminar — eu a procurei e não a encontrei. Não sei os motivos da anulação decidida pelo juiz Fernando Camargo. Parece-me, em princípio, que a matéria deveria passar pelo exame da Justiça Eleitoral, a menos que um crime grave de outra ordem tenha sido cometido, tornando ilegítimo o processo.

Comenta-se, nos bastidores, que Lula e a turma de Padilha decidiram mudar o discurso do candidato, que não emplaca: em vez daquela coisa, assim, “coxinha e progressista”, ele assumiria uma inflexão claramente de esquerda, colando-se aos sindicatos e aos movimentos sociais. É um sinal de que as coisas não andam bem por lá. Agora, há uma nova frente de batalha para tentar viabilizar o nome de Padilha: a da Justiça. Definitivamente, é uma candidatura que não estreou com o pé direito — e, por enquanto, nem com o esquerdo.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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