Para fugir da vaia, Dilma entregou a bola a Putin numa cerimônia semiclandestina. Nem assim conseguiu disfarçar o medo

Publicado em 14/07/2014 17:44 e atualizado em 11/08/2014 13:55 1408 exibições
por Augusto Nunes (+ Lauro Jardim e Geraldo Samor, de veja.com.br)

Para fugir da vaia, Dilma entregou a bola a Putin numa cerimônia semiclandestina. Nem assim conseguiu disfarçar o medo

Decidida a fugir da tempestade de vaias que começou no Itaquerão, ganhou força no Mineirão, intensificou-se no Mané Garrincha e assumiu dimensões perturbadoras no Maracanã, Dilma Rousseff não se limitou a tentar esconder-se dos chefes de estado que acompanharam o jogo entre a Alemanha e a Argentina na tribuna de honra. Também transformou em evento secreto a entrega oficial da organização da Copa de 2018 ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Se a presidente acreditasse mesmo que realizou o que chama de “Copa das Copas”, a cerimônia seria transmitida ao vivo por emissoras de TV de dezenas de países e reproduzida no telão do estádio. Aos 66 anos, a candidata à reeleição optou pela semiclandestinidade. A bola foi repassada ao colega russo longe dos olhos da multidão. Nem assim a presidente conseguiu domar os nervos, informam as pronúncias equivocadas, os verbos bêbados, as reticências atônitas e o “Plutin” que encerra exemplarmente o falatório.

O vídeo prova que ainda não existe cura para medo de vaia.

(por Augusto Nunes)

 

Governo

Brigadeiro azedo

Revolta na arquibancada

Revolta na arquibancada

Os militares que assistiram pela televisão ao chocolate da Holanda no Brasil, no sábado, não esquecem a partida. Fora o trauma de mais uma derrota, uma cena marcou a transmissão do jogo.

Logo após o segundo gol holandês, a câmera foca a torcida e para num sujeito revoltado: brigadeiro Joseli Parente Camelo, responsável pelas rotas do voos de Dilma Rousseff, que estava acomodado na arquibancada.

Na imagem, em close, o brigadeiro põe para fora a revolta que quase todo o Mané Garrincha sentia, com um visível:

- PQP!

Por Lauro Jardim

 

Brasil

Contra Dilma

Cartaz de protesto

Cartaz de protesto

Quem passou no setor de passaportes da Polícia Federal no aeroporto Galeão na semana passada viu cartazes de protestos apócrifos em inglês contra o governo Dilma e a atual administração da instituição. Tudo em inglês (Foto acima), para chamar a atenção inclusive dos turistas que passaram pelo Brasil durante a Copa.

O texto trata da vulnerabilidade dos aeroportos brasileiros com a desvalorização dos agentes federais. Eis o principal trecho, já traduzido :

- Por que a presidente Dilma está depreciando seus agentes federais? (…) por causa das investigações policiais realizadas contra colegas de Dilma, no maior julgamento por corrupção do país, chamado “Mensalão”. Nos últimos anos, os agentes federais estão sofrendo retaliações e Dilma congelou e colocou a Polícia Federal em crise.

Por Lauro Jardim

 

Eleições 2014

Quem ganha?

Thiago Silva e Dilma: futebol e política

Felipão, Thiago Silva e Dilma: futebol e política

Na quarta-feira à noite, o brasileiro saberá quanto a Copa afetou (ou se afetou) a popularidade de Dilma Rousseff, como anda a corrida eleitoral para o Planalto e o humor do brasileiro em geral com a economia.

Contratado pela Globo, o Datafolha entra em campo amanhã e até quarta-feira fará 5468 entrevistas para obter essas respostas.

No questionário, haverá perguntas específicas que juntam Copa e eleições. Por exemplo: “quem mais se beneficiou com a derrota do Brasil para a Alemanha? e “quem menos se beneficiou?”. Em seguida, aparecem os nomes dos candidatos.

O Datafolha também investigará que o brasileiro quer para o lugar de Felipão (ou se quer que ele continue) e quem foi o culpado pela derrota (CBF, jogadores ou comissão técnica)

Também serão divulgados na mesma fornada pesquisas de intenção de votos para governador e senador do Rio de Janeiro e São Paulo.

Por Lauro Jardim

 

Eleições 2014

Comício gaúcho

Boa relação, mas sem acordo por enquanto

Convite feito

Ana Amélia convidou Aécio Neves para ir a Porto Alegre no dia 2 de agosto. Na ocasião, Ana Amélia e candidatos de sua coligação participarão de um comício no Ginásio Gigantinho. O maior argumento para convencer Aécio: a turma estima que levará 10 000 pessoas ao evento.

Por Lauro Jardim

 

Economia

Resultado da Copa

Disciplina fiscal vence populismo econômico. Sem mais.

Por Geraldo Samor

 

Varejistas/empresas de consumo

No Pão de Açúcar, o fim de uma era

Abilio DinizÉ um dia simbólico para a família de Abilio Diniz.

Os filhos de Abilio venderam agora há pouco suas últimas ações da Companhia Brasileira de Distribuição — mais conhecida como Grupo Pão de Açúcar — a empresa fundada pelo pai de Abilio, Valentim Diniz, em 1948.

Com a venda de hoje, os Diniz levantaram 1,1 bilhão de reais.

De acordo com o Valor, uma empresa da família ainda detém um lote que valeria 400 milhões de reais a preços de hoje, mas, segundo uma fonte, este lote se encontra em litígio, portanto não desembaraçado para venda.

Abilio Diniz já havia zerado sua posição na empresa em 6 de maio, quando vendeu 7,9 milhões de ações a 104,30 reais por ação.

Os vendedores de hoje foram João Paulo F. Diniz, Pedro Paulo F. Diniz, Ana Maria F. dos Santos Diniz e Adriana F. dos Santos Diniz, todos filhos do primeiro casamento de Abilio. Os filhos do segundo casamento, Rafaela Marchesi Diniz e Miguel Marchesi Diniz, também venderam. Cada um tinha 1,9 milhão de ações do Pão de Açúcar.

O leilão de venda durou uma hora, com a família ofertando apenas 5 milhões de ações. O preço inicial pedido pela família foi de 101 reais por ação, um desconto de 5% sobre o fechamento de sexta-feira.

Dois fundos internacionais estavam ancorando a transação, ou seja, colocaram ofertas firmes de compra.

Como mais compradores apareceram, o preço foi subindo e a família acabou colocando todas as ações remanescentes à venda, ao preço de 103,58 reais por ação.

Por Geraldo Samor

 

A “ELITE BRANCA” E AS SAÚVAS (por Leonel Kaz)

Isto é que é elite,a capacidade de produir o refinamento da vida em benefício de todos. Serem brancos ou não, o que importa? Drummond, Vinicius, Bandeira, Quintana, Paulo mendes Campos, imensos poetas que ajudaram a unir o Brasil pela palavra e pelo tom de pele, relevando o país e povo mestiço que somos

Isto é que é elite: a capacidade de produzir o refinamento da vida em benefício de todos. Serem brancos ou não, o que importa? Drummond, Vinicius, Bandeira, Quintana, Paulo Mendes Campos, imensos poetas que ajudaram a unir o Brasil pela palavra e pelo tom de pele, relevando o país e povo mestiço que somos

“Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”, dizia na década de 40 uma campanha do Ministério da Agricultura. Desnecessário dizer que não aconteceu nem uma coisa nem outra, mas o ultimato, proferido originalmente em 1822 pelo naturalista francês August Saint-Hilaire (1779-1853) dá idéia da guerra sem quartel entre duas formas de vida muito bem organizadas: os homens e as formigas”, diz texto de SuperInteressante.

Agora, o Governo resolveu dividir os brasileiros também em duas formas organizadas de vida: a elite branca e os outros. Nós e eles. Uma guerra de propaganda, com finalidades apenas políticas, que busca opor o que nunca opomos: uns contra os outros.

De certa forma, a frase proferida pela presidente da República, em entrevista à GloboNews, quase dois séculos depois de Saint-Hilaire, não opõe brasileiros contra formigueiros, mas cria evidente constrangimento pelo seu conteúdo e pela extemporaneidade (estar fora do tempo):

“Quem compareceu aos estádios, não podemos deixar de considerar, foi dominantemente quem tinha poder aquisitivo para pagar o preço dos ingressos, dominantemente uma elite branca. Em alguns casos, devia ter 90%, em outros 80% ou 75%, mas era dominantemente elite branca”

Elite… branca? Estamos no século 21, mas, no princípio do século 20, ainda estávamos dominados pelas teorias morfológicas originárias de Cesare Lombroso (1835-1909), adepto da fisiognomia, que propôs um extenso estudo das características físicas de loucos, criminosos, prostitutas e “pessoas normais” em sua Itália natal. Para começar, os criminosos seriam mais altos que a média (e isso significava 1,70 m na Inglaterra), teriam crânios menores que os dos homens “normais” e maiores do que os crânios dos “loucos”, além de uma aparência desagradável, mas não deformada, sendo que estupradores e sodomitas teriam feições feminilizadas. Outras características comuns seriam orelhas de abano, nariz adunco, queixo protuberante,  maxilar largo, maçãs do rosto proeminentes, barba rala, cabelos revoltos, caninos bem desenvolvidos, cabelos e olhos escuros.”

Todas estas definições (que incluíam, por óbvio, cor da pele) nós sabemos onde desaguaram: na então Alemanha hitlerista.  Aqui no Brasil, encontraram eco em Tobias Barreto, Nina Ribeiro e outros sociológos-juristas, defensores das teorias de “embranquecimento” da população, que nos tornaria mais ágeis, capazes… Essa foi a toada vigente até à chegada do livro “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, em 1933, que nos definiu como o grande país mestiço que somos. Constatava Freyre que “o próprio português que veio ao Brasil, após 1500, já era um povo mestiço”.

Pois bem, voltamos a ser uma elite… branca. Que os que estejam sentados nas arquibancadas dos estádios, diante dos preços escorchantes cobrados, sejam pessoas da elite econômica — e o são! –, só revela o desnível da concentração de renda no Brasil, inacessível aos pardos, mulatos ou negros, que se encontram, em sua maior parte, vivendo em periferias ou favelas.

No entanto, por sermos mestiços, este tema de separar população brancarrona (que não o somos) dos demais – tão ao gosto das teses arianas de superioridade da raça – eu nunca ouvira falar no Brasil, desde que nasci em 1950. Ao contrário! Numa pesquisa de campo do IBGE, de 1976,  as pessoas definiram o tom de sua pele por 136 nomes diferentes. À pergunta de “Qual é a sua cor?” responderam com ‘Café com leite’, ‘Cor firme’, ‘Morenão’, ‘Encerada’ e ‘Queimada de sol’, entre outras. Um ato de beleza, de congraçamento, de poética.

O grande espetáculo que o povo brasileiro ofereceu nesta Copa do Mundo não foi seu futebol, mas sua capacidade de aceitar a convivência de opostos. Colocar a pele como conceito definidor de algo, ao melhor estilo lombrosiano, é ir contra tudo o que somos, em essência. É preconceito fora de época, fora de contexto, fora do Brasil.

(Leonel Kaz, blog de veja.com.br)

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Blog Augusto Nunes (VEJA)

1 comentário

  • João Alves da Fonseca Paracatu - MG

    Prezado Haroldo Faganello,também fiquei abismado com a entrevista da candidata Dilma à jornalista Renata Loprete, da globo news, não vi as entrevistas dos outros candidatos, mas a tal entrevista mais parecia uma propaganda do horário eleitoral gratuito,isto sem falar na propaganda velada do programa "mais médicos" no globo rural do último domingo,onde será que se escondeu a justiça eleitoral?

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