O PT e o futuro — Parece que a população está cansada do ódio como exercício da política e da política como exercício do ódio! F

Publicado em 19/07/2014 12:41 e atualizado em 28/08/2014 10:15 1725 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

O PT e o futuro — Parece que a população está cansada do ódio como exercício da política e da política como exercício do ódio! Fala, Marilena Chaui!!!

Ai, ai… Vocês se lembram deste vídeo, não é mesmo?

Então… A petista com fama de filósofa protagonizou esse espetáculo grotesco no dia 14 de maio do ano passado. Em menos de um mês, teriam início as tais jornadas de junho. Em março, o Datafolha havia publicado uma pesquisa segundo a qual 65% achavam o governo ótimo ou bom. Para 27%, era regular. E apenas 7% o consideravam ruim ou péssimo. O petismo vivia, então, o auge do delírio de poder. E já fazia planos para, como dizer?, eliminar de vez a oposição no país. Nas redes sociais, a patrulha fascistoide assumia violência retórica inédita.

Deu-se, então, esse evento no Centro Cultural São Paulo. O que se comemorava lá? Relembro trecho de um texto que publiquei no dia 17 de maio de 2013 (em azul). Volto em seguida:

O sociólogo Emir Sader, emérito torturador da língua portuguesa, é organizador de um livro de artigos intitulado “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”. Não li os textos, de vários autores (dados alguns nomes, presumo o que vai lá). O título é coisa de beócios. Para que pudesse haver esse “depois”, forçoso seria que tivesse havido o “antes”. Como jamais houve liberalismo propriamente dito no país — o “neoliberalismo” é apenas uma tolice teórica, que nunca teve existência real —, a, digamos assim, “obra” já nasce de uma empulhação intelectual. Pode até ser que haja no miolo, o que duvido, um artigo ou outro que juntem lé com lé, cré com cré, o que não altera a natureza do trabalho. Quem foi neoliberal? Fernando Henrique? Porque privatizou meia dúzia de estatais? A privatização de aeroportos e estradas promovida por Dilma Rousseff — e ela o fez mal e tardiamente — é o quê? Expressão do socialismo? Do “neonacional-desenvolvimentismo”? Sader se orienta no mundo das ideias com a mesma elegância com que se ocupa da sintaxe, da ortografia e do estilo.

Na terça-feira passada, um evento no Centro Cultural São Paulo marcou o lançamento do livro. Luiz Inácio Lula da Silva (quando Sader está no mesmo texto, eu me nego a chamar Lula de “apedeuta”!) e Marilena Chaui estavam lá para debater a obra. Foi nesse encontro que a professora de filosofia da USP mergulhou, sem medo de ser e de parecer ridícula, na vigarice intelectual, na empulhação e na pilantragem teórica. Se eu não achasse que estamos diante de um caráter típico, seria tentado a tipificar uma patologia.

Retomo
O ex-presidente Lula, como vocês viram, aplaudiu. Este fim de semana trouxe uma série de pesquisas devastadoras para o PT. O governo é considerado ruim ou péssimo por 29% dos brasileiros, tecnicamente empatados com os apenas 32% que o veem como ótimo ou bom. Para 38%, é apenas regular. No segundo turno, Dilma já está em empate técnico com o tucano Aécio Neves. É também a candidata mais rejeitada: 35%.  A gestão de Fernando Haddad é reprovada por 47% dos paulistanos, e o candidato do partido ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, aparece com 4% dos votos. O tucano Geraldo Alckmin se reelegeria com 54% dos votos, e sua gestão é vista como ótima ou boa por 46% dos paulistas — só 14% a reprovam. Para a vaga no Senado, José Serra está na liderança.

Em desespero, Lula distribui broncas.

É isso aí. Que fique, mais uma vez, o registro da fala daquela senhora, aplaudida pelo chefão petista:
“É porque eu odeio a classe média. A classe média é um atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. É uma coisa fora do comum a classe média (…) A classe média é a uma abominação política porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética porque ela é violenta. E ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante”.

Parece ser crescente o número de pessoas que rejeitam o ódio como exercício da política e a política como exercício do ódio.

Por Reinaldo Azevedo

Rejeição a Dilma em São Paulo é de 47%; no Estado, Aécio a vence no 2º turno por 50% a 31%; PT decide se colar a movimentos sociais para tentar reverter desvantagem. Grande ideia! Vá fundo!

Ainda voltarei ao tema — e vai me tomar um tempinho —, mas o fato é que foi em São Paulo que tudo começou. Foi neste Estado, especialmente na capital, que alguns aprendizes de feiticeiro do Planalto — entre eles, José Eduardo Cardozo e Gilberto Carvalho — resolveram brincar de insuflar a desordem. A ideia era botar Geraldo Alckmin na frigideira. Deram-se mal. Muito mal. Mas este post vai cuidar de outro assunto. São Paulo decidiu ver quem sobe e desce a rampa. E boa parte do eleitorado não quer saber de Dilma Rousseff, o que está deixando os petistas em pânico. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 47% dos eleitores do Estado não votariam nela de jeito nenhum — a sua taxa de rejeição no país é de 35%, a mais alta entre os presidenciáveis. O busílis é que São Paulo, sozinho, concentra 22,4% do eleitorado. A exemplo de Lênin, os petistas estão tentando descobrir o que fazer. E andam tendo ideias esquisitas. Mas não serei eu a tentar convencê-los do contrário.

A situação para a presidente no Estado é dramática. No primeiro turno, ela e Aécio têm, cada um, 25% dos votos — na capital, ele lidera: 28% a 23%. O dramático está no segundo turno. O tucano vence a petista por 50% a 31%. Mesmo Eduardo Campos (PSB) a bateria por 48% a 32%. É evidente que aquela rejeição monstruosa se transforma em votos para seus opositores. E olhem que, como vocês sabem, não há espaço nas televisões para oposicionistas, não é? Já a presidente Dilma aparece dia sim, dia também, mas “como presidente”. É uma piada, mas é assim.

Tudo contra
É tudo contra Dilma, não apenas a ruindade do seu governo. A cidade de São Paulo tem hoje uma das gestões mais caóticas de sua história, com Fernando Haddad. Ele já se tornou uma caricatura. Malhá-lo é o passatempo predileto de milhões de paulistanos. Segundo o Datafolha, sua gestão é hoje aprovada por apenas 15% e reprovada por 47%. Já escrevi a respeito. É uma avaliação justíssima. Alexandre Padilha, o candidato do PT ao governo do Estado, amarga modestos 4%.

Pois bem. Segundo informa a Folha, os petistas decidiram injetar mais dinheiro na campanha de Padilha — taí uma coisa que não lhes falta, não é? — e se aproximar mais de alguns setores considerados “cativos” do PT: os movimentos sociais e um grupo de empresários. Por que um grupo de empresários apoia o partido? Não sei. Seria por lucro? Eles que o digam.

Movimentos sociais, é? Eis uma coisa que certamente desperta, a cada dia, mais a paixão dos paulistas, muito especialmente dos paulistanos, não é mesmo? Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair de casa sem saber a que hora chegará ao trabalho porque os comandados do sr. Guilherme Boulos, por exemplo, estão obstruindo alguma artéria da cidade. Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair do trabalho sem saber a que hora chegará em casa porque alguns sindicalistas decidiram que é hora de parar os ônibus, os trens, o metrô…

Os esquerdistas não se dão conta de que existe uma óbvia fadiga. Vai ver é por isso que Gilberto Carvalho tanto quer entregar o governo aos tais movimentos sociais. Ele não quer mais saber de eleitores decidindo o futuro do país…

Contra as pretensões petistas, há ainda o governador Geraldo Alckmin, com 54% das intenções de voto — avançou sete pontos em 15 dias, com rejeição de apenas 19%. Na baderna promovida pelo sindicato dos metroviários, ele preferiu, por exemplo, ficar ao lado do usuário. O PT, na prática, emitiu nota em favor dos grevistas. Uma questão de escolha.

A eleição ainda está longe, o horário eleitoral gratuito vem aí — e Dilma tem um latifúndio. Vamos ver. Algumas fórmulas às quais o petismo sempre apelou já não estão dando mais resultado. Até anteontem, parecia que bastava Lula mandar, e o eleitorado obedecida. De certo modo, aconteceu isso com Dilma e Fernando Haddad. Com os resultados conhecidos. Parece que as pessoas que trabalham e estudam e as que estudam e trabalham estão com o saco cheio.

Por Reinaldo Azevedo

 

Mercado reage bem à possibilidade de derrota de Dilma; é parte da reação da sociedade a um governo caduco

Vou aqui fazer algumas considerações que, creiam, nada têm de campanha eleitoral ou de expressão de afinidades eletivas, embora eu, como toda gente, faça as minhas opções. Na democracia, desde que os candidatos transitem no escopo democrático e se coloquem na defesa dos valores que essa democracia pode abraçar, todas as escolhas são igualmente legítimas, como legítimas são as divergências ideológicas. Em ciências humanas, e a economia também é uma ciência humana, quase nunca se tem uma resposta única para um problema. Mas é certo que essa resposta tenderá a ser ineficaz ou mesmo contraproducente se contrariar a matemática, a lógica, a história e, eventualmente, a experiência.

Já há algum tempo estamos diante de um dado eloquente. Aquilo a que chamamos “mercado” tem reagido muito bem à queda da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais e à possibilidade de a oposição vencer a disputa em 2014. Às vezes, para rimar os números com a esperança de mudança, nem se precisa do fato; basta o boato. E não foi diferente nesta sexta. Como a pesquisa Datafolha apontou um empate técnico no segundo turno entre o tucano Aécio Neves e a presidente — 40% a 44% para ela —  e uma diferença de apenas sete pontos entre a petista e Eduardo Campos — 38% a 45% —, o Ibovespa passou a operar em alta. Às 15h1o, estava aos 57.175 pontos. Na máxima do dia, o índice chegou a 3,31%. Os destaques, vejam vocês, ficaram com as estatais: a Petrobras, por exemplo, exibia ganhos de 5,56% nas ações ON (as ordinárias nominativas), aquelas que dão direito a voto, e 5,6% na PN, a preferencial nominativa, a que não dá e é a mais negociada por investidores não profissionais.

Por que é assim? Ninguém precisa ser deste ou daquele partido para saber que, infelizmente, hoje e há muito tempo já, o governo usa as estatais brasileiras não apenas para fazer política de desenvolvimento, não apenas para cuidar do interesse nacional. Ele as utiliza também para cuidar de interesses bem mais mesquinhos, partidários, e como elemento de ajuste — precário e temporário — dos desacertos da política econômica. É sabido, por exemplo, que as tarifas estão represadas para evitar uma elevação da inflação, que já ultrapassa o teto da meta. Como malefício adicional, seguem intocados os fatores que causam a elevação do índice inflacionário.

É claro que isso tem um preço. Até agora, a presidente Dilma e o PT não deram sinais de que vão mudar essa política caduca caso obtenham mais quatro anos de mandato. Ao contrário até: aqui e ali, lideranças do partido, como o próprio Lula, têm preferido atacar o tal “mercado”, como se ele fizesse um mal ao Brasil. Ao contrário. Felizmente temos um mercado relativamente forte no país, que serve de radar e de advertência. A cada bobagem ou medida atabalhoada que o governo toma na economia, ele reage. Mais importante: reage também a expectativas, a partir de alguns indícios. Isso serve de freio à tendência autocrática dos governos. Sabem quem não tem mercado? Cuba! Sabem quem praticamente não tem mercado? A Venezuela! Já a tirania chinesa tem um, sim, e é gigantesco! A existência de um mercado, em suma, não garante a democracia. Mas só existe democracia onde ele atua e serve de instrumento de leitura da realidade.

Quando os investidores reagem bem à perspectiva de alternância de poder, é preciso que o governo ponha a mão na consciência. Em vez de sair por aí demonizando os agentes econômicos e mesmo seus adversários, talvez fosse o caso de tomar medidas efetivas para mudar de rumo. O que vemos, no entanto, infelizmente, são escolhas que caminham no sentido contrário. Além de tentar atrelar a administração pública federal e seus entes a conselhos formados por militantes políticos, o governo já pensa abertamente em estatizá-los, subordinando ainda mais o interesse público às militâncias organizadas.

A reação do mercado é, na verdade, a reação de uma fatia considerável e legítima da sociedade, que contribui de modo efetivo para gerar as riquezas com as quais se administra a máquina pública e que, inclusive, geram os bens necessários para as políticas de compensação e de distribuição de renda. Atacar os seus fundamentos também corresponde a atuar contra os interesses dos mais pobres.

A reação dos mercados é parte importante da reação de uma sociedade que quer mudar porque sente que, hoje, o estado e o governo viraram seu adversário.

Por Reinaldo Azevedo

 

Eleições 2014

O novo Ibope

presidenciaveis

Pesquisas até as eleições

A partir de agora, a sucessão pega fogo, e as pesquisas  de intenção de voto para presidente comandarão parte do espetáculo. Ontem, teve Datafolha. Na semana que vem, Ibope. E assim sucessivamente até as eleições.

Isso sem contar os institutos menores ou – há uma centena deles por aí – aqueles com credibilidade zero, mas que serão usados por políticos para fazer barulho com números sem sentido, seja no horário eleitoral, seja na internet.

Os pesquisadores do Ibope entram em campo hoje e fazem entrevistas até terça-feira. A Globo deve divulgar os resultados no Jornal Nacional de quarta-feira ou quinta-feira. Serão feitas 2002 entrevistas. A pesquisa custará 170 000 reais à Globo.

Por Lauro Jardim

 

Governo

Eu sou o máximo

dilma

Investimento grande

Em maio e junho, os governos estaduais e o federal abriram as torneiras para uma enxurrada de campanhas publicitárias apregoando suas espetaculares realizações. Eram os dois últimos meses permitidos pelo TSE para propaganda governamental, que só voltam após as eleições.

Aos números: de acordo com um levantamento inédito do Ibope Media, em maio o governo Dilma investiu 379,7 milhões de reais em propaganda, 97% a mais do que no mesmo período do ano passado. Em junho, foram 417 milhões de reais, 93% acima de junho de 2013.

Os governos estaduais não ficaram atrás. Em maio, gastaram 163 milhões de reais em anúncios (um volume 54% superior ao de maio de 2013). No mês passado, foram 196 milhões de reais – ou 130% a mais do que foi gasto em junho de 2013.

Por Lauro Jardim

 

Malafaia versus PT

Silas Malafaia decidiu partir para cima do PT em seu programa de TV que vai ao ar logo mais. O pastor vai acusar o partido de perseguição política por colocar a Receita Federal para investiga-lo.

Em quase quinze minutos de vídeo (Veja acima), Malafaia revela que desde 2013 o Fisco brasileiro abriu seguidos procedimentos para investigar a Associação Vitória em Cristo, instituição comandada pelo pastor. Mesmo com uma das investigações finalizada sem encontrar qualquer irregularidade nas contas da igreja e outros negócios, a Receita – acusa Malafaia – fazia novas investidas na Associação, muitas vezes pedindo documentos idênticos aos pedidos anteriormente.

Eis algumas frases de um Malafaia indignado com o PT:

- Quer me investigar, me investigue. Dizer que pastor é ladrão é fácil.
- Vou dar uma sugestão ao governo do PT. Por que não manda investigar o filho do Lula que era um pobre rapaz (…) e hoje é um milionário?
- A cúpula deste partido está na cadeira na maior roubalheira da história deste país

Por Lauro Jardim

 

Governo

Aporte bilionário

comperj

Comperj: Odebrecht e UTC são as donas do canteiro

O governo está recorrendo ao Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) para dar andamento a obras da Petrobras.

Na quarta-feira passada, o comitê de investimentos do fundo analisou um aporte de 2,5 bilhões de reais para obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, que serão feitas por um consórcio liderado pela Odebrecht e UTC.

O mesmo pedido já fora negado em 2013. Acaba de ser reapresentado.

Por Lauro Jardim

 

Economia

Nas alturas

Projeto institui reembolso

Brasil: mais caro para levantar voo

O custo Brasil dá as caras em todos os lugares – inclusive nos céus. As empresas aéreas americanas, por exemplo, pagam 44% mais barato do que as brasileiras pelo querosene de aviação.

Por Lauro Jardim

 

Haddad, com 47% de reprovação, tornou-se uma caricatura de prefeito

Haddad, uma caricatura de prefeito, no traço de Boopo, leitor deste blog

Haddad, uma caricatura de prefeito, no traço de Boopo, leitor deste blog

Pois é, pois é… Que coisa, hein, Fernando Haddad? O negócio tá feio. Vejam bem: há dois dias, Lula afirmou que ele deveria entrar de cabeça na campanha do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Padilha já está com 4% dos votos… Atendendo sei lá a que chamado da (i)lógica, o partido teria decidido que a campanha na TV vai tentar recuperar a imagem do prefeito para, então, o prefeito alavancar o candidato. Então tá. Acho que não funciona, mas dou o maior apoio, se é que me entendem.

Está no ar, saibam os leitores que não são da capital paulista, uma campanha publicitária exaltando a suposta competência da Prefeitura na gestão da cidade durante a Copa. Sabem como é: todos eles tentaram pegar uma carona no evento. Leiam o noticiário sobre a Vila Madalena. Cada morador de São Paulo certamente temeu uma Sodoma e Gomorra na porta de sua casa… A propaganda pode muito, sim. Quando, no entanto, ela afronta a realidade de maneira tão cabal, aí pode ser contraproducente.

O Datafolha foi a campo para saber o que a população da cidade acha da administração Haddad. O resultado é devastador pra ele: a rejeição à sua administração subiu de 36% para 47% em três semanas. No mesmo período, o índice de ótimo e bom oscilou para baixo: de 17% para 15%. Caiu até os que consideram a sua gestão regular: de 44% para 37%. Vejam quadros publicados pela Folha Online.

Datafolha Haddad julho

Datafolha Haddad 2 julho

Só Jânio Quadros e Celso Pitta, com um ano e meio de gestão, tinham rejeição maior: 66% e 54%, respectivamente. O tucano José Serra, derrotado por Haddad, nesse mesmo período, tinha a reprovação mais baixa desde a gestão Jânio: só 8%. À diferença de Haddad, e como!, era aprovado por 56%.

É uma avaliação justa?
Justíssima! Haddad não governa a cidade para o conjunto da população. Sua administração é um mero balcão de demandas de supostos “movimentos sociais” e de grupos organizados que gritam mais — inclusive aquela “subintelectuália” de esquerda que o leva a adotar medidas destrambelhadas, que prejudicam a vida também dos mais pobres. Desde quando, no entanto, esses esquerdistas de universidade & boteco sabem o que quer o povo? Como diria Monteiro Lobato, da pobreza, não conhecem nem o trinco da porta.

Vamos lá. A Prefeitura de São Paulo tem hoje um troço chamado “Braços Abertos”, um programa que, sob o pretexto de reduzir os danos decorrentes do consumo de crack, na prática, o financia. Um secretário do prefeito admitiu que, na Cracolândia, a droga está legalizada. Vários países do mundo têm programas de assistência a dependentes. Só no Brasil existe algo como esse “Braços Abertos”, que financia o consumo. E tentem me provar que não é assim. É a realidade dos fatos. Diante das críticas, Haddad fez o quê? Está criando mais um núcleo na cidade para abrigar os drogados em hotéis. Vai dobrar a dose do remédio ruim.

O prefeito também decidiu espalhar faixas de ônibus, já escrevi aqui, onde elas são e onde não são necessárias. Sim, quando o ônibus transita com mais velocidade nesses lugares, o usuário aprova. Quando, no entanto, fica mais tempo à espera do ônibus — e fica! — reprova. Ao esmagar os carros particulares — em que pobres também circulam — e criar dificuldades homéricas em certas áreas da cidade, aumenta o caos urbano em vez de resolvê-lo. Basta analisar os dados sobre congestionamentos. Não estão contentes nem os usuários de ônibus nem os de carros particulares. A “má boa consciência”, no entanto, pode trair o administrador. As pessoas, em sua maioria, se dizem favoráveis às faixas com receio de serem acusadas de defensoras dos ricos…

Haddad passou a flertar abertamente com os movimentos do sem-isso e sem-aquilo, que ajudaram a elegê-lo, sim. Sobretudo, foram muito úteis na demonização de seus então adversários: Celso Russomanno e José Serra. O prefeito subiu no palanque do MTST, que hoje manda na distribuição de casas de São Paulo e para a cidade quando lhe dá na telha. Não adianta: isso vai parar na conta do prefeito. E com razão. Ou não foi a sua turma que, na prática, convidou Guilherme Boulos e seus sequazes a cercar a Câmara dos Vereadores. Os que já têm casa, na média, não devem gostar disso. Mas será que os que não têm gostam? Para quem governa Haddad? Para os “mobilizados”?

Ele se tornou uma agência de despachos de micromovimentos. Outra grande ideia será acabar com estacionamentos para aumentar as ciclovias. Por quê? Ora, porque algum subintelectual soprou aos ouvidos do companheiro que esse negócio de carro é um atraso, entendem? Assim, Dilma prorroga isenção de impostos para aumentar a venda de carros — comprados majoritariamente por São Paulo —, e Haddad transforma a vida dos motoristas num inferno.

Vamos mais longe. A Prefeitura, hoje, em vez de coibir os “batidões de periferia”, que destroem a tranquilidade de milhares de moradores pobres, decidiu regulamentá-los, porque, afinal, seus interlocutores são os promotores desses eventos, supostos representantes da “cultura da periferia” — coisa dos coxinhas vermelhos de classe média do complexo Pucusp.

Eis aí o homem que nos prometia o Arco do Futuro.

Supercoxinha
Nunca vi um prefeito eleito e em começo de mandato tão incensado pela imprensa paulistana como Haddad. De certo modo, ele era a cara e a expressão da esmagadora maioria dos jornalistas: esquerdista; oriundo da classe média alta; absolutamente ignorante sobre o que é a pobreza, vendo a periferia como um lugar de experimentações antropológicas. A gente lia as reportagens, e lá estava o homem prometendo que resolveria isso e aquilo…

Por isso eu o apelidei de “Supercoxinha”. Leitores chegaram a fazer charges, a meu convite, retratando a personagem. Numa entrevista concedida em abril do ano passado à jornalista Joyce Pascowitch, da revista “Poder”, ainda superpoderoso, travou-se o seguinte diálogo:

Joyce – Notório por suas críticas ao PT, o colunista da Veja, Reinaldo Azevedo, tem chamado você de Supercoxinha, como um sujeito bom moço que quer ser super-herói. Que acha disso?
Haddad -
 Ah, você não vai me perguntar dele, vai? [Irritado.] Não frequento o ambiente virtual dele. Ele é uma caricatura de jornalista, né? Mas acho que para a esquerda é funcional a existência dessa figura. Faz muito bem pro nosso projeto! As pessoas veem o quão patética é a alternativa nesse momento. É como o pastor Silas Malafaia. Os ataques dele à minha campanha foram tão ridículos que acabaram me ajudando.

Retomo
Em relação a mim, Haddad deveria ter feito como Santo Agostinho, preferindo a crítica que o corrige ao elogio que o corrompe (no sentido agostiniano, que não é corriqueiro na política). Mas ele fez o contrário.

Haddad, um ano e três meses depois dessa entrevista, é uma caricatura de prefeito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Em vez de choque de competência, CBF decide dar um choque de testosterona bronca na Seleção: Dunga deve ser anunciado como técnico na terça. Ou: Ele foi conviva de Dilma no Maracanã e fez a presidente rir até as lágrimas…

Dunga: um choque de testosterona bronca na Seleção. Dará erro mesmo que dê certo!

Dunga: um choque de testosterona bronca na Seleção. Dará erro mesmo que dê certo!

O jornalista Wanderley Nogueira, da Jovem Pan, informa em seu blog que Dunga — sim, ele mesmo, Dunga!!! — será o novo técnico da Seleção Brasileira. Eu adoraria que ele estivesse errado, mas errar não está entre os hábitos de Wanderley. Então deve ser isso mesmo. Na verdade, o jornalista tinha essa informação havia alguns dias.

Santo Deus! É o que eu chamaria de triunfo do caipirismo existencial — caipira eu também sou; o caipirismo existencial é outra coisa: é a mentalidade estreita pela própria natureza. Lá em Dois Córregos, a gente está acostumado a larguezas…

O que quer a CBF? Um bedel? Então encontrou! Dunga já recebeu um prêmio por ter sido o “capitão do Tetra”: tornou-se técnico da Seleção em 2006. Ganhou um pouco, perdeu um pouco e foi eliminado nas quartas de final pela Holanda por 2 a 1. De fato, nada que se pareça com os 7 a 1 que o Brasil tomou da Alemanha. O pior resultado foi um 3 a 0 contra a Argentina, placar que foi devolvido na Copa América, vencida pelo Brasil. O melhor resultado foi um 6 a 2 contra a Seleção de Portugal.

Vamos ver: Felipão e Parreira foram campeões do mundo e levaram a Seleção ao pior resultado de sua história. Dunga conquistou um título como jogador e se despediu da Copa nas quartas de final, derrotado pela Holanda por 2 a 1. Por que essas informações? Eu quero saber qual é o compromisso do técnico com o futuro, não com o passado. Por que Dunga agora? A farsa se repete como… farsa!

Vamos ver
Parreira se sagra Campeão do Mundo em 1994 — era o tetra, com Dunga como capitão. Em 1998, há o desastre contra a França, com Zagallo no comando. Vocês se lembram do famoso episódio, nunca suficientemente explicado, do mal-estar de Ronaldo etc.

Aí temos dois anos de desacertos, maluquices e escolhas bisonhas. Até que o comando fosse passado a Felipão, esquentaram o banco Vanderlei Luxemburgo, Candinho e Leão. Em 2002, o Brasil conquista o penta. Em 2006, Parreira assume a Seleção, com o auxílio de Zagallo. Ficou a impressão de que o técnico não tinha controle da equipe, que seria gerida, digamos, por uma turma que gostava mais de farra do que de disciplina, com destaque para Adriano e Ronaldinho. Não só: também teria mantido jogadores já fora de forma, como Roberto Carlos e Cafu.

Então alguém teve a ideia: a Seleção precisa de um choque de ordem. E veio Dunga, com o resultado conhecido. Com a mediocridade também conhecida. De modo impressionante, tem-se a mesma conversa: teria faltado disciplina à Seleção de Felipão: muito jogador com cabelo tingido, com a perna raspada, com a cueca de fora…

Olhem aqui: disciplina é, sim, muito importante. Mas é bom não confundi-la com moralismo tosco. Recomendo mais uma vez uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o sucesso do futebol alemão. É o anti-Dunga. Em vez de um choque de testosterona bronca, de manual, o futebol alemão recebeu um choque de competência e planejamento. A revista até brinca, afirmando que os jogadores, hoje, são um pouco mais “feminis” do que os antigos “machos Alfa”. Em vez de um comandante esporrento, os alemães preferiram enviar seus técnicos para outros países, como Espanha, França e Itália, para ver como se jogava no resto do mundo.

Não que fosse um futebol malsucedido no mundo quando se tomou essa decisão: eles já eram tricampeões mundiais — agora são tetra. Os alemães que vocês viram no Brasil, interagindo com a população da Bahia, enviando mensagens em português aos brasileiros no Twitter, sorridentes, “moleques”… Tudo isso era parte de um planejamento também de marketing.

Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento, meio abestado. Pode ganhar ou pode perder a próxima Copa. Só não conseguirá fazer o futebol avançar. Quando o atraso ganha, diga-se, em certo sentido, é pior. A propósito: depois que ele deixou a Seleção, qual é seu currículo para merecer tal galardão?

Sim, a escolha também dá conta da ruindade da CBF. Vejam que coisa: a confederação chegou a flertar com um técnico estrangeiro e acabou escolhendo… Dunga! É o triunfo da falta de rumo e da… caipirice existencial.

Dilma e Dunga na área VIP
Espero que a convivência de Dilma e Dunga na área super-VIP do Maracanã, na final entre Alemanha e Argentina, não tenha definido a escolha. Ali, os dois conversaram de pertinho. Ele até teria cochichado ao pé do ouvido presidencial:
— Eu tô torcendo para nenhum dos dois ganhar.
Dilma então respondeu:
— Essa foi boa! Eu também, Dunga! Mas não dá! Um vai ter de vencer.

Dilma riu tanto com o gracejo que foi às lágrimas.

Seria a escolha de Dunga o desdobramento de um gracejo sem graça?

Por Reinaldo Azevedo

 

O MTST é mais um caso de polícia do que de política

Na minha coluna de ontem na Folha, escrevi sobre o MTST, com foco em sua personagem mais famosa: Guilherme Boulos, um excelente autor de si mesmo; um ótimo relações-públicas da própria lenda em que pretende se transformar. Demonstrei, para quem sabe ler direito, que a sua vocação para a santidade é um delírio de classe para outros delirantes da… mesma classe! Não vou me repetir.

No arquivo, vocês encontram textos em que afirmo que o MTST repete todas as táticas do MST, mas na cidade. E “todas” inclui inflar os números das invasões para intimidar adversários e emparedar o poder público. Leiam trecho de reportagem na Folha de hoje. Volto depois.

Por César Rosati e Emílio Sant’Anna:
Nos 60 mil metros quadrados do Portal do Povo, área invadida no Morumbi (zona oeste), 4.000 famílias estão instaladas há quase um mês para reivindicar casa própria, segundo divulga a coordenação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). A Folha esteve por dois dias seguidos no local, em horários diversos, e verificou que a maioria das barracas só serve para demarcar território — e tentar vaga futura no cadastro da casa própria.
O movimento era pequeno tanto de dia como à noite, semelhante ao de algumas invasões de sem-terra no interior do país anos atrás. Com cerca de dois metros quadrados cada, as barracas estão fincadas na parte plana do terreno e também em uma encosta íngreme. Abertas nas laterais, a maioria tem os nomes dos “ocupantes” pintados com tinta branca. Nas barracas, porém, não há espaço para a permanência de uma pessoa adulta ou mesmo de uma família. O que se vê dentro é apenas mato. O comando do movimento alegou, após ser questionado, que as 4.000 famílias “ocupam” a área, mas que há um revezamento durante a noite. “O fato de não dormirem 4.000 famílias lá não significa que não precisem de moradia. São pessoas que vivem no entorno em situação precária”, disse Natalia Szermeta, coordenadora do MTST.
(…)
Por volta das 19h, uma assembleia do MTST chegou a reunir cerca de 400 pessoas no Portal do Povo. Duas horas e meia depois, ele começou a ser esvaziado de novo. Após assinar a lista de presença no final da assembleia, a maioria foi embora, formando fila no ponto de ônibus. Às 21h30, próximo à entrada do terreno, era possível ver centenas de barracas — mas somente seis delas ocupadas.
(…)

Retomo
É isso aí. Eu me orgulho muito de uma reportagem que fiz para a revista República, em 1996 — quase 20 anos — em que classifiquei o MST de uma “empresa de criar ideologia”. É nisso que se transformou também o MTST, com a admiração basbaque dos deslumbrados, a covardia dos vereadores e a cumplicidade do prefeito Fernando Haddad (PT), que recorreu à mão de obra do grupo na campanha eleitoral.

Cadê o Ministério Público?

Resta, ainda, outra questão: até quando essa gente continuará a cometer crimes impunemente? Parece evidente que o MTST se transformou numa máquina de privatização do espaço público e de invasão de áreas privadas não para conquistar casas, mas tentar vender seu modelo caduco de sociedade.

É mais um caso de polícia do que de política.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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