Eleições: Ação da Petrobras vira ‘consenso’, mas risco aumenta

Publicado em 21/07/2014 21:39 e atualizado em 28/08/2014 10:51 1335 exibições
no blog de Geraldo Samor, de veja.com.br; e "O Maior Problema desde o Início do Plano Real" - por Felipe Miranda, da Consultoria Empiricus.

Petróleo, gás e mineração

Ação da Petrobras vira ‘consenso’, mas risco aumenta

As ações da Petrobras estão batendo o índice Bovespa este mês de goleada.Aécio Neves

Em julho até agora, Petrobras sobe 22%, enquanto o Ibovespa sobe 9%. O rali tem nome e sobrenome: Aécio Neves.

De acordo com um grande banco, muitos gestores de fundos de ações — que só recebem taxa de performance se derem um retorno maior que o índice em seus fundos — estão ‘correndo atrás do prejuizo’ e comprando ações da Petrobras, com medo de que o contínuo avanço da oposição nas pesquisas leve o papel a subir ainda mais.

No mercado, os grandes gestores do Rio são vistos como ainda mais confiantes numa vitória da oposição do que os de São Paulo, e estão aumentando a aposta.

Um deles, Dorio Ferman, do Opportunity, já havia explicado sua aposta em Petrobras aqui em abril, antes mesmo das pesquisas colocarem a reeleição da Presidente Dilma em dúvida.

Investidores estrangeiros também tem feito apostas em Petrobras para não perder o ‘rali Aécio’.

“Os gringos estão traumatizados porque perderam o rali da India e da Indonésia, que foram ralis eleitorais recentes, e estão tentando evitar repetir o erro,” diz um operador de mercado. Tanto na India quanto na Indonésia, a oposição venceu a situação.

Geralmente, os gestores tentam comprar barato e depois vendem as ações aos poucos, na medida em que o preço sobe. Mas, no relato de um corretor, o que está acontecendo com Petrobras é o oposto. “Tem muito investidor aumentando o lote quanto mais o papel sobe.”

Nos últimos dias, as negociações com opções de Petrobras aumentaram muito, e os compradores de calls (opções que apostam na alta do papel) estão aceitando pagar prêmios caríssimos, demonstrando um nível de convicção incomum.

Na sexta-feira, por exemplo, uma opção que dá ao seu detentor o direito de comprar as ações da Petrobras a 25,16 reais (o chamado “strike”) em dezembro negociou 5 milhões de contratos a 1 real cada. Esse investidor só ganhará dinheiro se a ação subir pelo menos 25% a partir dos níveis atuais.

“Até fundos que nunca operam com opções estão comprando,” diz outro corretor.

A volatilidade das opções da Petrobras — uma medida da variação do preço — subiu de 35 para 55 nos últimos dois meses.

Obviamente, o fato de que o mercado migrou para Petrobras em massa aumenta muito o risco para todos os comprados. Qualquer mudança nas pesquisas que favoreça Dilma ou qualquer manchete negativa sobre a empresa pode potencializar o movimento de queda no papel.

Ainda assim, a Petrobras provavelmente continua sendo o ativo mais assimétrico na Bolsa, aquele em que o potencial de ganho supera mais o potencial de perda dependendo do resultado da eleição.

Como regra geral, os investidores estimam que a ação PN — hoje em 21 reais — possa ir para 30-40 reais se o PSDB ganhar a eleição; se Dilma se reeleger, a ação poderia voltar para 12-15 reais.

Por Geraldo Samor

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Dilma, Aécio e os juros: raiz quadrada ou invertida?

Enquanto as ações da Petrobras se beneficiam das chances crescentes da oposição, investidores e operadores de mercado começam a falar de um outro movimento que parece estar começando, ainda que timidamente: a alta das ações de empresas cujos negócios são sensíveis à taxa de juros.

Dilma Rousseff

A perspectiva de uma queda da Selic na reunião do Copom em setembro (e as pesquisas indicando empate técnico no segundo turno) estão levando alguns investidores a montar posições nestes nomes desde já.

Maior empresa de gestão de imóveis comercais do País, a BR Properties subiu 6,5% na última semana, com um volume de negócios duas vezes maior que a média.

Se esta aposta aumentar, poderá beneficiar nomes como as concessionárias de infraestrutura, as empresas de shopping centers e as elétricas. “Todo fluxo de caixa de longo prazo, como os pedágios das rodovias da CCR e os aluguéis dos shoppings, vale mais quando o juro cai, porque a taxa de juros é usada para calcular o valor presente deste fluxo,” explica um gestor.

A palidez da economia — que ficou mais evidente com o fim da Copa — contribui para a aposta de que o Banco Central vai reduzir a Selic em setembro, apesar da inflação estar mordendo o Copom no rosto.

“Estamos no meio de uma forte desaceleração econômica, e os números que estão pra sair devem vir bem ruins,” diz outro gestor.Aécio Neves

Mas ainda que o Copom de setembro tenha alguma relevância, o grande evento que vai mesmo definir a aposta nos juros — um mercado que movimenta muito mais dinheiro que a Bolsa — será o resultado das eleições de outubro.

“Para quem olha a curva de juros, o cenário é binário,” diz um gestor. “Com uma vitória da Dilma, a gente vai ter um movimento igual aquele símbolo da raiz quadrada: uma queda pequena nos juros de curto prazo, justificada pela fraca atividade corrente, e depois uma pernada pra cima grande.”

Enquanto a queda do juro à vista (a Selic) é uma decisão do BC, a ‘pernada’ para cima nos juros de longo prazo vai ser obra do próprio mercado. Preocupados que um Governo Dilma 2 seja incapaz de conter despesas e equilibrar as contas do País, os compradores de títulos públicos vão querer cobrar mais caro para financiar o Estado, fazendo os juros de mais longo prazo subir na BM&F Bovespa.

“Mas se realmente ficar claro que vai haver uma vitória do Aécio, a coisa é o contrário,” diz o gestor.

Por esta tese, o economista Arminio Fraga, universalmente visto como futuro Ministro da Fazenda ou presidente do BC num governo tucano, vai subir os juros logo no início do governo para resgatar a credibilidade do sistema de metas de inflação.

Mas enquanto Fraga faria os juros de curto prazo subir, a chamada curva longa — os juros de longo prazo — afundaria, dado que os investidores veriam com confiança o ajuste fiscal.

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(por Geraldo Samor, de veja.com.br)

 

O Maior Problema desde o Início do Plano Real

(Por Felipe Miranda, da Consultoria Empiricus): "Eu acredito que nós, como brasileiros, estamos prestes a observar um verdadeiro colapso no nosso sistema econômico, com desdobramentos relevantes sobre o cotidiano de cada cidadão".

Basicamente, há cerca de cinco anos, o Governo brasileiro mudou dramaticamente sua política econômica. Passamos a desafiar décadas de um conhecimento acumulado e consolidado em macroeconomia. Abandonamos o pilar ortodoxo para nos render à maior intervenção do Estado na Economia, a uma economia pautada no assistencialismo e ao estímulo excessivo ao consumo.

Qual o resultado? Falência das contas públicas e impossibilidade das famílias continuarem aumentando o consumo nesta velocidade.

Mais uma vez, aponto esses elementos a partir de meus conhecimentos em contabilidade e em finanças. Com o mesmo viés crítico que analiso empresa, observo as contas públicas e o balanço das empresas.

Veja, por exemplo, a questão mais simples associada à análise de uma companhia com ações listadas em Bolsa, a saber: sua capacidade de gerar caixa. Ou seja, quanto varia seu caixa, ponderado pelas mudanças na dívida evidentemente, ano após ano? Se uma empresa queima caixa de forma sustentada, sua própria existência em longo prazo está em risco. Dificilmente você compraria a ação de uma empresa que, resultado após resultado, queima caixa.

O Brasil, se entendido de forma análoga, tem queimado caixa de maneira sistemática. O total de suas despesas supera suas receitas. Pior ainda, a diferença em desfavor das receitas tem aumentado. O déficit nominal brasileiro, que mede esta relação, mira os 4% ao ano e as contas públicas tiveram em maio seu pior resultado da história, mesmo com uma contabilidade nacional bastante criativa e uma porção de receitas extraordinárias.

A sustentabilidade das contas do Estado brasileiro está em risco, como fruto de uma política deliberada de aumento dos gastos públicos.

Os empresários não confiam mais no Brasil e veem seu espaço ocupado pelo setor público. Há, inclusive, um termo técnico para isso: crowding-out.

Sem confiança, os empresários simplesmente não investem. É aquilo que se convencionou chamar de “espírito animal dos empresários”. A relação Investimento sobre PIB, que nunca foi uma maravilha, vem caindo de maneira consistente: depois de atingir o ápice de 19,5% no fim de 2010, recuou para apenas 18,1%.

Somente essa variação impõe impacto negativo da ordem de 0,5% na capacidade de crescimento do PIB.

Breve pausa para reflexão: há certo consenso entre os mais competentes economistas de que a variável-chave para o crescimento sustentável e de longo prazo, sem inflação, é o investimento. Isso porque, ao investir, o empresário aumenta sua capacidade produtiva à frente e pode responder a aumentos da demanda oferecendo mais produtos. Caso contrário, ou seja, sem investimentos, só pode responder com aumentos de preço.

Agora, pasmem!

Perguntada recentemente sobre as razões para o Brasil não crescer, a presidente Dilma respondeu da seguinte forma: “Eu não sei”.

Se não temos um diagnóstico, como poderemos sequer considerar um bom prognóstico?

Isso é absolutamente inacreditável, não é mesmo?

Entretanto, não se dá a devida publicidade ao fato.

Talvez você discorde sobre o quão ruim está a situação da economia brasileira. Eu respeito sua opinião. Peço, porém, que considere os seguintes pontos – todos os dez elementos estritamente factuais:

1 - O crescimento médio do PIB no governo Dilma, se confirmadas as projeções de consenso para 2014, deve ser de 1,8% ao ano. Veja: esse é o pior resultado desde o governo Collor. Temos a primeira evidência empírica e incontestável de que retornamos a   condições anteriores a 1994. O gráfico abaixo resume a evolução recente da economia brasileira:

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Há ainda de se pontuar que minha projeção de 1,3% para crescimento da economia brasileira em 2014 está entre as mais otimistas.

O Banco Santander, por exemplo, já estima evolução de apenas 0,9% neste ano, enquanto o brilhante economista Affonso Celso Pastore sugere pífio crescimento de 1% em 2014 – e de, acreditem, 0,8% em 2015.

“Mas este crescimento mais baixo desde a Era Collor não é resultado de uma conjuntura internacional desfavorável?”

A simples observação da imagem abaixo comprova a resposta negativa. O gráfico compara a evolução do PIB brasileiro nos governos Dilma, Lula, FHC, Itamar e Collor, contextualizando com o resto do mundo, os países emergentes/pobres e nossos vizinhos latino-americanos. Eis o resultado:

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Até 2013, mesmo sem considerar o resultado pífio previsto para este ano, observamos o crescimento mais baixo desde a Era Collor.

2 - A inflação tem sido persistentemente alta e acima do centro da meta, de 4,5% ao ano. Simplesmente, temos ignorado esses 4,5% e observado, de maneira sistemática, uma inflação beirando o teto da meta.

A imagem abaixo ilustra bem o argumento:

 

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Mas isso não é o pior.

As estimativas para a inflação oficial de 2014, conforme levantamento do próprio Banco Central junto a agentes de mercado, rondam exatamente os 6,50%, teto da meta. E até mesmo o Relatório Trimestral de Inflação, do nosso BC, projeta 6,40% para este ano, colado nos 6,50%.

Isso é particularmente problemático porque corremos um risco grande de estourar o intervalo da meta, ferindo a credibilidade do Banco Central e impondo um custo alto à sociedade.

A rigor, em 12 meses, já estamos acima da meta. No intervalo encerrado em junho, a inflação foi de 6,52%.

Para 2015, a situação não é muito diferente. A mediana das projeções dos economistas também aponta inflação próxima a 6,50%.

Não custa lembrar: o trabalhador é quem mais sente os efeitos negativos da inflação, ao ter o poder de compra de seu salário corroído pela escalada dos preços. 

Sim, há coisas ainda mais desagradáveis a respeito da inflação. Já teríamos estourado o teto da meta não fosse pelo controle de preços. Ou seja, estamos artificialmente maquiando a inflação, ao represar alguns preços, com exemplos mais claros nos setores de energia e combustíveis.

Sem desonerações, a inflação ronda 8,50% ao ano.

O próprio governo admite controlar preços, sem nenhum tipo de constrangimento. Em entrevista à Folha de S. Paulo em 14 de maio, o ministro Mercadante reconheceu que o governo controla preços de combustíveis e energia elétrica.

O represamento de preços tem consequências conhecidas e desastrosas, como sugestão de maior inflação futura, desalinhamento de preços relativos e destruição de determinados setores.

O setor de etanol foi simplesmente destruído pelo controle deliberado do preço da gasolina. Veja o que diz matéria do jornal Valor Econômico, do dia 17 de junho de 2014:

“A indústria de etanol do Brasil enfrenta tanto pressões de aumento do custo da terra e da mão de obra, como tornou-se uma vítima não intencional do controle de preços da gasolina para frear a inflação, avalia a Agência Internacional de Energia.”

E completa:

“No Brasil, a AIE nota que o aumento da capacidade de produção de etanol estagnou, várias plantas foram fechadas e mais capacidade pode estar em risco.”

Quando todos achávamos que havíamos consolidado a política de combate à inflação, passamos a cometer erros triviais, com impactos gigantescos sobre a sociedade. Nem sequer estamos sendo criativos. Tivemos a proeza de resgatar erros antigos e com consequências conhecidas.

Esses dois primeiros pontos já seriam suficientes para provarmos o argumento do quão grave é o problema atual. Combinamos simplesmente baixíssimo crescimento econômico e inflação alta.

Temos, portanto, o mais negativo dos mundos, a chamada estagflação.

Mas, calma. Há coisas graves ainda pela frente, capazes de reforçar o prognóstico de algo simplesmente catastrófico para os próximos 12 meses. Falamos de inflação que pode chegar a 15% ao ano, forte redução do poder de compra, aumento do desemprego para 10% e interrupção súbita do crédito, com consequente dificuldade das famílias em arcar com suas obrigações financeiras.

Estamos prestes a observar concreta mudança em nosso cotidiano. Precisamos nos blindar.

Continuemos na nossa lista…

3 - As contas públicas estão completamente desajustadas, de tal sorte que o Governo brasileiro vai, em breve, encontrar grandes dificuldades para se financiar. Ou seja, as taxas de juro devem subir com vigor, impactando fortemente o orçamento das famílias e a capacidade de crédito.

Não há como brigar contra os fatos. Vemos uma clara deterioração das contas públicas brasileiras.

Nossa economia para pagar dívida e juros, o chamado superávit primário, foi, na média, de 3,1% do PIB no intervalo de 2001 a 2008, sem considerar aqui receita de dividendos e concessões.

Considerando agora o intervalo de 2009 a 2013, esse percentual caiu para 1,5% do PIB. Para 2014, devemos terminar com menos de 1% do PIB, algo que é, obviamente, insuficiente para estabilizar dívida bruta ou líquida.

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Isso sem nenhum incremento significativo do investimento público. O que tem aumentado é o consumo do governo – esta métrica bateu 22% do PIB, o nível mais alto da série histórica iniciada em 1995. Mais uma proeza notável ao Brasil: somos um dos poucos países do mundo em que essa variável supera o investimento.

4 - O resultado de nossas relações com o resto do mundo, que já era péssimo, fica cada vez pior. O chamado déficit em transações correntes, medida do saldo de nossas contas com o exterior sem considerar as movimentações de capital, vem crescendo sistematicamente e atinge níveis preocupantes.

Em maio, o déficit brasileiro em conta corrente montou a US$ 6,635 bilhões, o mais alto para um mês de maio em toda a série histórica.

O desempenho é inclusive pior do que projetado pelo próprio BC, em US$ 6 bilhões. Soma-se ao já delicado resultado apresentado até abril, conforme demonstrado por gráfico abaixo:

 

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Qual o problema disso?

Para que não haja saída líquida de dólares do Brasil e perda de reservas internacionais, precisamos da entrada de moeda estrangeira por meio da conta de capital.

Por sua vez, a conta de capital possui, grosso modo, duas subdivisões: i) Investimento Estrangeiro Direto (IED); e ii) Investimentos de portfólio.

O ponto nevrálgico aqui é que o IED está inferior ao déficit em conta corrente. Portanto, para fechar nosso balanço com o resto do mundo, estamos dependendo do investimento em portfólio, que é muito volátil e sensível à menor das mudanças das condições da economia mundial.

Por enquanto, com o Brasil oferecendo um juro estratosférico e os Bancos Centrais mundiais mantendo juro zero, parece não haver grande problema.

Mas a situação está próxima de mudar. O Banco Central norte-americano deve começar a subir sua taxa de juro em 2015, voltando a atrair recursos para os títulos dos EUA hoje presentes nos mercados emergentes.

Neste momento, vai faltar dólar no Brasil. Teremos uma disparada da taxa de câmbio, com impactos diretos sobre a inflação, sobre os importadores e sobre as empresas com dívida em dólar.

Peço a devida atenção a este ponto. Em resposta à crise, o Banco Central dos EUA injetou uma quantidade cavalar de dólares no mercado. Conforme mostra o gráfico abaixo, os ativos totais do Fed saíram de US$ 869 bilhões em agosto de 2007 para US$ 4,3 trilhões em junho de 2014.

 

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Ou seja, para voltar à normalidade histórica, o Banco Central norte-americano precisa retirar cerca de US$ 3,5 trilhões do sistema. As condições de liquidez vão mudar dramaticamente a partir de 2015.

 

5 - O mercado de trabalho se enfraquece em ritmo assustador. 

A criação líquida de postos de trabalho em maio foi de 58.836, segundo dados do Caged. Trata-se do pior mês de maio desde 1992. Estamos com novo argumento de situação sem precedentes desde o Plano Real.

Isso não é coincidência.

Por que o desemprego, então, ainda não aumentou?

Simplesmente, por uma questão de forma de se medir. Só é considerado desempregado quem está procurando emprego, mas não encontra.

O desemprego não aumenta simplesmente porque as pessoas têm desistido de procurar emprego.

Tomo a liberdade de emprestar argumento do excepcional economista Alexandre Schwartsman para o fechamento do primeiro trimestre: a População em Idade Ativa cresce entre 1% e 1,5% ao ano (1,3% no trimestre em questão), enquanto a geração líquida de empregos foi próxima a zero.

Trocando em miúdos, só há redução da taxa de desemprego porque parcela da população simplesmente desistiu do mercado de trabalho, e não se pode atribuir o pleno emprego à competência da gestão pública.

 

6 - Estamos à beira do apagão.

Os analistas do banco Brasil Plural escreveram relatório recentemente apontando uma pequena chance de 100% de racionamento de energia ainda em 2014. De acordo com eles, o nível dos reservatórios chegará a 10% em novembro, a se manter o atual ritmo.

Isso é extremamente preocupante.

Para usar as palavras dos próprios analistas, “há um elefante político que não pode ser ignorado.”

Sejamos justos aqui. Há um único culpado para o nível tão baixo dos atuais reservatórios: São Pedro. Realmente, choveu muito pouco e ninguém detém controle sobre isso. Ponto final.

Agora, a falta de planejamento, a concentração da matriz energética e o impedimento ao aumento da capacidade de oferta de energia é culpa total e irrestrita do Governo.

Em setembro de 2012, foi anunciada a famosa MP 579, que alterou as regras para concessões de energia, com o objetivo de reduzir as tarifas de eletricidade – de novo, o tal controle de preços.

A medida destruiu a rentabilidade de empresas de energia, adicionou incerteza jurídica ao  marco regulatório do setor e, portanto, afastou iniciativas em prol de novos investimentos.

Além disso, desrespeitou contratos existentes.

O exemplo de Cemig é emblemático. A companhia tinha concessões vencendo em 2015, com renovação automática prevista para mais 20 anos, conforme definido em contrato inicial.

Quando se fala em renovação automática de qualquer contrato, supõe-se, obviamente, preservação das mesmas condições iniciais.

Então, veio a MP 579 propondo condições completamente diferentes para a renovação das concessões, ferindo com clareza o pressuposto de “automática”.

O resultado foi a devolução, pela Cemig, das usinas de São Simão, Jaguara e Miranda, por não aceitar a aplicação das novas regras.

Ou há uma nova definição para o conceito de renovação automática ou houve quebra de contrato.

 

7 - A Petrobras foi simplesmente destruída.

O gráfico abaixo apresenta a evolução das ações da Petrobras nos últimos cinco anos. Ele fala por si só:

 

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De uma máxima de R$ 40,00, as ações chegaram à mínima de R$ 12,57.

O patrimônio nacional sendo simplesmente reduzido a 1/3 de seu valor. Quem tinha R$ 40 mil em ações da Petrobras chegou à mínima de R$ 12.570.

Além de ser historicamente motivo de orgulho, Petrobras tem em sua base de acionistas milhares de brasileiros, de forma direta ou através da aplicação de seu FGTS.

Estamos mexendo com a poupança do cidadão comum.

Chegamos a essa situação simplesmente porque a empresa tem o preço de seus produtos controlado pelo Governo. Quando impede-se o reajuste de preço da gasolina, Petrobras se vê obrigada a comprar produtos por um preço superior a seu preço de venda.

O resultado? Queimas sucessivas de caixa, num momento em que a companhia tem um ambicioso plano de investimento para tocar, e explosão de sua dívida líquida.

Mais uma conquista para o Brasil: Petrobras hoje apresenta a maior dívida corporativa de todo o mundo. A evolução abaixo resume a questão.

 

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8. Com inveja da Petrobras, a Eletrobras, outra estatal relevante, também foi destruída.

Eletrobras nunca foi exemplo de eficiência. A empresa é historicamente reduto do PMDB, possui rentabilidade sobre o patrimônio baixa e entra em projetos ruins, para atender anseios políticos.

Sempre foi assim. E a empresa, de uma forma ou de outra, se virava. Mas a situação degringolou a partir da MP 579 – a mesma que falei acima.

O gráfico abaixo traz a trajetória das ações de Eletrobras nos últimos cinco anos. Não é muito diferente de Petrobras:

 

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A situação de Eletrobras é ainda mais complicado do que aquela apresentada acima para Cemig. A empresa também foi exposta a condições piores (e de baixíssima rentabilidade) para renovar concessões.

Mas, diferentemente de Cemig e de outros participantes de mercado, Eletrobras aceitou termos que implicavam retornos negativos para determinados projetos.

Isso porque era do interesse da União (principal acionista e que votou proporcionalmente às suas ações em Assembleia) manter as concessões pouco rentáveis.

A resposta foi imediata. Suas ações simplesmente derreteram em Bolsa.

Ultrajados com a questão, acionistas minoritários recorreram à CVM (regulador do mercado de capitais), basicamente dizendo que a União não poderia votar na Assembleia sobre o tema, por uma questão de conflito de interesse – o que me parece óbvio, não é mesmo? A União propõe novos termos, que só servem a ela mesma, e vota sobre a questão?

Assim diz o artigo 115, parágrafo 1 da Lei das S.A.s: o acionista deve exercer o direito de voto no interesse da companhia e será considerado voto abusivo aquele exercido com o fim de causar dano à companhia, aos seus acionistas ou a obter vantagem ou que possa resultar em prejuízos.

A adesão à renovação das concessões sob os termos previstos pela MP 579 trouxe benefício exclusivo ao controlador (o Governo) e prejuízo aos demais.

A União reagiu ao pedido dos minoritários.

Fez uma oferta bastante justa para compensar os danos bilionários: um evento sobre mercado de capitais, com a presença do ministro Guido Mantega.

E o pior: a CVM flerta com o aceite da proposta.

Pode parecer engraçado, mas somente para quem não é acionista de Eletrobras.

A prática inibe não somente investimentos nas ações de Eletrobras, mas também de outras ações do setor elétrico, além de inibir a confiança de empresários no segmento.

 

9. A indústria brasileira fica menor, a cada dia.

De novo, imagens valem mais do que mil palavras:

 

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A produção industrial brasileira está simplesmente atônita. Isso num Governo que supostamente tinha uma política industrial explícita.

O tal Plano Brasil Maior, lançado em 2011, tinha objetivos muito bem definidos para 2014. Eram eles:

- aumentar a taxa de investimento dos 18,4% vistos em 2010 para 22,4% do PIB;

- elevar dispêndio empresarial de Pesquisa e Desenvolvimento como percentual do PIB de 0,59% para 0,90%; e

- diversificar a pauta de exportações, aumentando a participação brasileira no comércio internacional de 1,36% para 1,60%.

Pronto. Chegamos em 2014, o que nos dá a prerrogativa de analisar se atingimos os resultados.

A conclusão é assustadora. Não cumprimos nenhum dos três objetivos.

A relação Investimento sobre PIB não somente descumpriu a meta de 22,4%, como inclusive caiu frente ao ponto inicial. Dos 18,4%, batemos vergonhosos 18,1%.

Sobre o investimento em P&D, ainda não há dados muito atualizados. Mas pesquisas feitas para 2011 apontaram uma enorme subida da razão gastos em P&D sobre PIB de 0,49% para 0,50%. Alguém, em sã consciência, admitiria um crescimento dessa relação para 0,90% em três anos?

A respeito das exportações, a coisa fica ainda mais pitoresca. Não diversificamos nossa pauta, tampouco aumentamos nossa representatividade na corrente de comércio mundial.  A participação dos produtos manufaturados nas exportações era de 39,4% em 2010. Passou a 38,7% em 2013. Tínhamos 1,35% da exportação mundial em 2010. Encerramos o ano passado em 1,29%.

A política industrial é um fracasso retumbante.

 

O Medo é Político Também

Os pontos acima resumem o tamanho de nosso problema econômico. Mas ainda preciso de, ao menos, uma menção honrosa à questão política.

Em entrevista recente ao Valor Econômico, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, falou assim:

“O brasileiro gosta do seu país, gosta de morar aqui, de investir aqui. Mas o grau de incerteza hoje é tal que as pessoas estão pensando em investir fora do Brasil, estão pensando até em sair do Brasil. Há um medo que vai além da economia, é medo político também. Há uma sensação de medo que as pessoas não têm coragem de manifestar abertamente. Medo de uma atitude contra a liberdade de imprensa, contra a democracia.”

Há razão de ser nesse medo.

Não há nada mais antidemocrático e desrespeitoso à democracia quanto uma lista negra de jornalistas, a serem perseguidos pelo Estado e seus defensores.

Veja, então, texto recente publicado no site do partido do Governo:

“Personificados em Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Gentili, Marcelo Madureira entre outros menos votados, suas pregações nas páginas dos veículos conservadores estimulam setores  reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes.”

Tratam críticos como inimigos de guerra e convocam companheiros a lutar.

Há exemplos semelhantes na História daqueles que não respeitam a liberdade de imprensa e querem calar as vozes dissonantes.

Em 10 de fevereiro de 1933, Joseph Goebbels, responsável pelo marketing do Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista, alertou assim: “Um dia nossa paciência vai acabar, e calaremos esses judeus insolentes, bocas mentirosas!”

O resto da História todo mundo conhece.

O princípio democrático deve ser respeitado em sua integralidade.

Além de ferir o preceito da liberdade, qualquer recrudescimento dessa condição teria um resultado rápido e com consequências desastrosas: fuga de capitais, tanto de brasileiros remetendo seu dinheiro ao exterior quanto de estrangeiros preferindo outros mercados ao nosso.

Tudo isso trará consequências gigantescas antes do que as pessoas pensam. Para ser preciso, já está trazendo.

Os primeiros passos dessa crise estão em curso. Estão acontecendo justamente agora, bem em frente aos nossos olhos.

Desculpe, mas eu não consigo esgotar o tema em sua totalidade.  A esta altura, porém, imagino que já tenha ficado claro que você precisa proteger seu patrimônio e aumentar sua poupança nos próximos anos.

Em poucos minutos, vou lhe mostrar exatamente como eu estou protegendo meu dinheiro, e o que eu recomendo que você também faça.

Antes, deixe-me mostrar exatamente como chegamos neste ponto…

 

A morte do Brasil aos 20 anos de idade

O Brasil, tal qual nós conhecemos hoje, nasceu em 1994, com a estabilização da economia.

Antes disso, tínhamos um outro país, em que famílias, amedrontadas com a inflação, corriam para o supermercado tão logo recebiam seus salários, empresários não investiam por conta da falta de confiança na moeda e da incerteza jurídica, consumidores não compravam porque a inflação era galopante e não existia crédito.

O Plano Real marca, inequivocamente, um novo Brasil. Com isso, até mesmo o maior dos radicais, de esquerda ou direita, há de concordar. A História começa em 1994. O período anterior era pré-História.

A implementação do Plano Real divide-se em três partes. A primeira marca o ajuste fiscal, com a criação do Fundo Social de Emergência e do Imposto sobre Movimentações Financeiras.

A segunda corresponde ao período da URV, caracterizado pela indexação completa da economia e alinhamento forçado de todos os preços relativos. Finalmente, a última transforma a URV em moeda, com a introdução do Real. Eis o impacto imediato do Plano:

 

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A inflação desabou com o real.

Em paralelo, houve vigoroso crescimento econômico, sob empurrão da demanda reprimida, confiança nos negócios e recomposição dos salários reais.

O crescimento da economia em 1994 foi de 5,9%. A indústria andou muito bem e também a agropecuária, cuja evolução foi de 5,5%, rendendo-a o apelido de “âncora verde do real.”

O surto de crescimento durou pouco.

Para manter a inflação baixa, foi usada a chamada “âncora cambial”. O real foi forçadamente sobrevalorizado por meio de taxas de juros muito altas.

A consequência foi óbvia: baixo crescimento econômico e disparada das importações nos anos seguintes.

Para manter o câmbio apreciado e oferecer dólares ao mercado na taxa desejada, chegamos a perder US$ 1 bilhão de reservas internacionais por dia, durante vários dias.

Duas crises simultâneas como resultado: nas contas externas e nas contas públicas.

A semente da destruição estava plantada. O estouro do modelo era inevitável.

A resposta veio em 1999, quando inicia-se uma nova fase, marcada pelo famoso tripé macroeconômico. Abandona-se a âncora cambial, com o novo regime sendo detalhado em junho.

Ficaram definidos como elementos centrais da política econômica:

1 – câmbio flutuante;

2 – metas de superávit primário; e

3 – sistema de metas de inflação.

O tripé caracteriza o final do Governo FHC e também o primeiro mandato do Governo Lula.

Durante esse período, observamos dois ciclos de crescimento no Brasil. O primeiro veio do rali das commodities. O preço dos produtos que vendemos ao exterior ficou 40% mais caro frente ao preço dos produtos que compramos do setor.

É o que os economistas chamam de melhora dos termos de troca. Com 40% de ganho chegando de navio do exterior, pudemos distribui-los entre os cidadãos brasileiros.

E o segundo ciclo representou a explosão do consumo sob empurrão do crédito.

Qual o problema? Ambos acabaram.

As commodities andam de lado ou até mesmo caem desde a crise de 2008. E as famílias brasileiras, sem crescimento econômico, já muito endividadas e enfrentando juros muito altos, não conseguem mais crescer seu consumo.

Precisamos de um terceiro. Mas não há nenhum sinal de que ele vai acontecer. Ao contrário, o modelo está esgotado e as coisas tendem a piorar fortemente.

Precisamos agir antes disso.

Ficará claro para você nas próximas linhas.

Em resposta à crise de 2008, o Governo brasileiro abandonou o clássico tripé macroeconômico e adotou a chamada nova matriz econômica. Entre as medidas mais emblemáticas da nova política econômica, destaco:

- Aumento dos gastos públicos;

- Maior intervenção do Estado na Economia;

- Leniência no combate à inflação;

- Incremento da participação do BNDES, com estímulo à criação e ao fortalecimento de gigantes nacionais;

- Controle de preços;

- Atuações pesadas e frequentes no mercado de câmbio;

- Novo marco regulatório do setor petróleo e publicação da MP 579 (aquela do setor elétrico;

- Criatividade na contabilidade nacional; e

- Concessões mal feitas, fixando-se simultaneamente taxa de retorno e qualidade – é, óbvio, numa bivalência inatingível.

 

Deixe que o próprio Governo apresente a tal “nova matriz econômica”.

Em entrevista ao Valor em dezembro de 2012, Márcio Holland, secretário de Política Econômica, apresentou os pontos do novo tripé da seguinte forma: i) taxa de juro baixa; ii) taxa de câmbio competitiva; e iii) consolidação fiscal amigável ao investimento.

Sobre a taxa de juro, Holland destacou a queda de 5,25 pontos percentuais em 12 meses, num processo que permitiria aos agentes econômicos rever seus modelos de negócio e criar um ambiente favorável ao crescimento. Parecia fazer sentido.

O governo Dilma havia começado com taxa Selic de 10,75% ao ano, levara o juro básico num primeiro momento a 12% para combater a inflação e logo implementara afrouxamento monetário vigoroso, levando o juro ao piso histórico de 7,25% ao ano.

Não há mentiras nisso. Mas há uma nuance de interpretação.

Atingimos a mínima histórica para os juros simplesmente por uma janela de oportunidade criada pelo contexto internacional, com juros reais negativos em todo mundo, como resposta dos Bancos Centrais desenvolvidos à quebra da Lehman Brothers em setembro de 2008.

Não houve qualquer novo equilíbrio de taxa de juro.

A Selic já é superior àquela do início do Governo Dilma. E deve subir (muito) mais para combater a inflação em 2015.

Agora preciso falar em tom severo da tal taxa de câmbio competitiva.

A política cambial brasileira tem sido desastrosa. Simplesmente ignoramos o pressuposto do câmbio flutuante.

Primeiro, a tentativa do Governo era depreciar o real, para poder aumentar a competitividade das nossas exportações e estimular a indústria. Dá-lhe IOF e coisas parecidas.

Agora, o Banco Central usa o câmbio como instrumento de combate à inflação, deixando claro nas atas de suas reuniões que precisa do dólar a R$ 2,20 para manter a Selic no nível atual.

A turma de Alexandre Tombini vem sistematicamente vendendo dólares (de forma direta ou por meio de swaps cambiais) para impedir a inflação.

Com isso, reduz reservas internacionais num momento de farta liquidez global. Estamos queimando munição quando mais precisaríamos guardá-la.

Com isso, tornamo-nos cada vez mais frágeis às vésperas do início do ciclo de alta das taxas de juro pelo mundo. Quando efetivamente precisaremos vender dólares, estaremos com nível de reservas no limite. De novo, vai faltar dólar.

Para encerrar o ponto e combater em caráter definitivo a hipótese de taxa de câmbio competitiva, não há qualquer ganho de competitividade das exportações vindo da melhora dos fundamentos da economia brasileira.

A desvalorização do real nos últimos tempos é resultado exclusivo do elevado déficit externo e da falta de poupança pública.

A imagem abaixo resume o quão competitivas têm se tornado nossas exportações na comparação com outros emergentes:

 

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Ficou para o final a questão fiscal. Não foi à toa. Aqui temos a cereja do bolo.

A política fiscal brasileira tem sido ultrajante, não havendo qualquer tipo de consolidação, muito menos amigável ao investimento. O governo tem, cada vez mais, ocupado o espaço do investimento privado, sem ele mesmo preencher adequadamente essa lacuna.

Na entrevista em questão, Márcio Holland foi categórico. “No ano que vem (2013), voltamos à meta de superávit cheia, sem desconto.” Ou seja, falávamos de um primário de 3,1% do PIB para 2013.

E o que aconteceu, de fato? O superávit primário do ano passado foi de 1,9% do PIB, mesmo com as receitas extraordinárias do campo de Libra e do Refis. Filtrando por esses elementos, teríamos um primário pífio de 0,9% do PIB.

Alguém poderia argumentar que o primário foi menor porque o próprio governo resolveu fazer investimentos, tendo notado ausência desse componente no setor privado. Isso já seria ruim, per se, dado o impacto de queda média da produtividade. Mas nem sequer é verdadeiro.

Tirando as estatais, o investimento público da União passou de R$ 59,4 bilhões em 2012 (equivalente a 1,35% do PIB) para R$ 63,2 bilhões em 2013 (1,31% do PIB).

Então, pergunta-se: a que consolidação fiscal se refere o governo?

Eu não tenho nada contra o Sr. Márcio Holland. Ao contrário. Eu gosto dele. Fui seu aluno no mestrado da FGV. Ele é certamente um sujeito de bem, trabalhador e bom economista. Mas o diagnóstico está completamente errado, beirando a dissimulação.

 

Qual o resultado da nova matriz econômica?

Há pouco tempo, o Brasil era destino certo do investidor estrangeiro. O queridinho entre os BRICs (grupo que reúne também Rússia, Índia e China).

Atraímos a Copa do Mundo, seremos sede das Olímpiadas. Em pouco tempo, ganharíamos posto da quinta maior economia do mundo, algo impensável antes.

Protagonizamos a capa da revista The Economist, talvez a mais importante do mundo sobre economia e finanças.

Em novembro de 2009, a conceituada revista britânica trouxe o Cristo Redentor em forma de foguete, desgarrando-se do morro do Corcovado e dirigindo-se a maiores altitudes. O Brasil teria decolado, com argumentos esmiuçados numa longa reportagem de 14 páginas.

A imagem era inspiradora:

 

Captura de Tela 2014-07-10 às 15.43.08

 

Pouco tempo depois, como resultado da desastrosa “nova matriz econômica”, aquele conjunto de medidas adotada pelo governo brasileiro em resposta à crise de 2008, as coisas haviam mudado completamente.

Exatos quatro anos depois, a mesma The Economist, também em reportagem de capa de 14 páginas, questionava: o Brasil estragou tudo?

A imagem, desta vez, já não inspirava ninguém.

 

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Bastaram quatro anos para destruirmos todo o otimismo.

A ideia de quinta maior economia do mundo foi abandonada, a presença entre os BRICs foi até mesmo questionada e especialistas apontam legado nulo dos grandes eventos esportivos.

Talvez você ainda esteja anestesiado pelo futebol da Copa do Mundo. Mas peço que saia do escopo esportivo por um minuto.

Veja, por exemplo, o que diz matéria da CNBC publicada no dia 26 de junho:

“Especialistas em mercados emergentes estão pessimistas em investir no Brasil, a despeito da Copa do Mundo. (…) 

‘Não há potencial positivo algum neste Governo, mesmo se tudo der certo’, afirma Drausio Giacomelli, responsável por pesquisa de mercados emergentes do Deutsche Bank.

‘Não se trata de ganhar ou não a Copa. Falemos do que interessa: um Governo incapaz de entregar os anseios populares por educação, transporte e infraestrutura no geral. Eles podem entregar estádios, mas não o que realmente importa’, diz ele.

Giacomelli também critica a condução da política monetária na administração Dilma: ‘Eles fizeram tudo errado desde o começo. Colocaram-se na pior posição possível para um mercado emergente, de estagflação (baixo crescimento e alta inflação).”

A agência internacional de classificação de risco Standard and Poor’s já rebaixou o rating brasileiro, de forma que, na opinião da agência, há um maior risco de que o país dê um calote em sua dívida.

E a agência Moody’s acaba de alertar para a mesma possibilidade, caso o próximo governo não tome atitudes severas.

A situação certamente já não é boa. E deve piorar muito mais. A Economia é impiedosa. Se você comete erros de política econômica, não passa impune.

O economista Ricardo Amorim, aquele que comenta no programa Manhattan Connection, foi outro que recentemente alertou.

Em matéria com o economista, o site InfoMoney, citando Amorim, trouxe o seguinte: “ a inflação está alta e grávida. Os preços administrados terão de subir após as eleições porque os governos vêm represando todo tipo de tarifa pública há dois anos. A conta deverá ser parcelada porque, se subir tudo de uma vez, a inflação das tarifas pode chegar a 14% em 2015.”

 

A pergunta é: o que acontece a partir de agora?

A metáfora com a gravidez é clássica. Não existe inflação um pouco alta. Inflação necessariamente cresce. E deve crescer muito.

Marcio Garcia, professor de Economia da PUC-RJ, trouxe tese semelhante em resposta ao jornal Valor Econômico de 27 de junho: “A inflação não vai ficar parada nos 6,5%, há uma inflação represada de 1,5 ponto percentual; os [preços] monitorados vão ter que subir; o câmbio não pode ficar muito tempo nesse nível de R$ 2,20 porque o déficit em conta corrente continua crescendo e é elevado. Tudo isso vai colocar pressão na inflação. Se você não tiver um BC que leve a inflação de volta à meta, passamos por um outro regime. Um regime turco, argentino ou até venezuelano.”

A situação é mesmo grave.

Depois de represar preços por dois anos, o Governo precisará soltar as amarras em 2015.  Somente esse movimento, supondo uma liberação única, deve colocar a inflação brasileira em 10% ao ano.

Mas temos riscos ainda maiores.

O Banco Central norte-americano deve começar a subir sua taxa básica de juro justamente em 2015. Isso vai causar um grande retorno de recursos para os EUA, com maior demanda por dólar.

Ou seja, a taxa de câmbio pode caminhar rapidamente para cima. O dólar não salta gradualmente quando se trata de valorizações.

Eu tenho um mestrado em câmbio e, se tem uma coisa que aprendi, é que a moeda norte-americana, quando se move para cima, o faz através de grandes saltos.

O dólar deve bater, com margem para algo ainda mais alto, R$ 2,50.

Essa é uma projeção conservadora e está bastante alinhada àquela prevista para 2015 pela mediana das estimativas dos economistas brasileiros, conforme o relatório Focus, levantamento feito pelo próprio Banco Central.

Temos dois problemas importantes derivados dessa subida de taxa de juro nos EUA.

O primeiro é a grande dificuldade para fechar nossas contas com o exterior. Lembre-se que estamos dependendo da conta de capitais para fechar o balanço – e observaremos justamente fuga de capitais. Pela terceira vez, faço o alerta: vai faltar dólar.

E o segundo relacionado ao reforço importante ao problema da inflação, através do famoso repasse cambial. A disparada do dólar significa aumento do preço dos produtos transacionados no mercado internacional, os chamados tradeables. Aos poucos, também os não tradeables, por uma questão de preços relativos, também vão reagindo. Em certo tempo, temos uma escalada generalizada dos índices de preços apenas por conta do efeito câmbio.

Peço a gentileza de prestar atenção nas seguintes variações: entre maio e junho do ano passado, o Ibovespa, nosso principal índice de 2013, caiu nada menos do que 15,12%. Em paralelo, o dólar disparou 10,69%. Em apenas dois meses.

Por que tamanha mudança? Simplesmente porque o Banco Central dos EUA, em maio de 2013, sinalizou que poderia, em breve, começar a reduzir seus estímulos à economia e subir suas taxas de juro.

Uma simples sinalização verbal foi suficiente para causar destruição de valor para as ações brasileiras e essa valorização do dólar. Imagine quando houver, de fato, aumento das taxas de juro nos EUA.

Um investidor norte-americano que estivesse comprado em ações brasileiras em maio do ano passado teria perdido 25% em apenas dois meses. Você acha mesmo que este sujeito vai ficar comprado em nossas ações quando o juro começar a subir lá fora?

Eu acho que não.

E toda essa disparada do dólar vai também impactar sobre a inflação.

Combinando o repasse integral das tarifas públicas represadas e a desvalorização esperada do câmbio, entendo que a inflação brasileira pode chegar a 12% ao ano, para uma meta de 4,5%.

Não há saída para uma inflação bem acima da meta. O Banco Central terá de subir a taxa Selic. E como a diferença entre a inflação projetada e a meta é grande, o movimento dos juros terá de ser expressivo.

Não haveria surpresa em vermos taxa Selic de 15% ao ano.

A implicação imediata de um juro básico desse tamanho é óbvia: recessão.

Imagino que você entenda esse conceito.

Se o Brasil cresce 1% ao ano com juro básico de 11% ao ano, quanto vai crescer com a Selic a 15%?

Falamos de estagnação da economia, queda dos salários, aumento dramático do desemprego, esgotamento do crédito, queda vertiginosa do preços dos imóveis (muito sensíveis às taxas de juro) e aumento do endividamento das famílias.

Tudo isso num ambiente de inflação alta.

Já temos: o menor crescimento econômico desde o Governo Collor, a menor criação de postos de trabalho para um mês de maio desde 1992, o pior resultado das contas públicas para um mês de maio de toda a série histórica e o maior déficit em conta corrente para um mês de maio em toda a série histórica do Banco Central.

E teremos: a maior taxa Selic desde 2006 e descumprimento da meta de inflação, com a maior variação de preços desde 2002.

Rasgamos o que foi construído em 1994 e aperfeiçoado em 1999, sob o pretexto de implementação de uma nova matriz econômica, heterodoxa.

Temos um único resultado prático: voltamos a 1993.

Se, metaforicamente, nasce um novo País em 1994, com a estabilização da economia, podemos dizer que a nova matriz econômica e suas consequências representam o falecimento desse Brasil.

Morremos aos 20 anos de idade, de forma prematura.

 

Isso é coisa da Venezuela… Mas, no Brasil? É possível?

Eu conheço amigos, colegas e familiares ainda reticentes em aceitar essa ideia. Talvez você esteja com postura semelhante também.

É o que os psicólogos chamam de “normalcy bias”, uma espécie de estado mental em que os seres humanos entram quando deparam-se com um desastre ou uma grande crise. As pessoas simplesmente subestimam tanto a probabilidade de uma catástrofe quanto seus efeitos.

Alguns chegam a reconhecer o problema, mas afirmam: “uma crise dessas proporções é impossível. Pode ser coisa de Venezuela, Argentina… Mas no Brasil, não.”

Pois bem. Veja o que aconteceu com a Grã-Bretanha nos anos 70.

Embora muitas pessoas não saibam, a libra esterlina foi a reserva de valor clássica por cerca de 200 anos. A moeda era a grande referência internacional até o final da Segunda Guerra.

A partir de então, quando a Europa se recompunha com o Plano Marshall, os britânicos passaram a perseguir uma agenda social-nacionalista, com o governo tomando conta da maior parte das indústrias, sob a alegação de maior distribuição de renda.

Em pouco tempo, o país basicamente quebrou.

Uma marca emblemática ocorre em 1967, quando o Partido Trabalhista decide por uma desvalorização da moeda de 14%, de maneira súbita. Isso, supostamente, teria impacto positivo no endividamento das famílias.

O desdobramento, porém, foi justamente o empobrecimento da população, procedido por rápido aumento da inflação, culminando no famoso Inverno do Descontentamento na década de 70.

Para conter a inflação, salários foram congelados, greves aconteciam diariamente nos mais variados setores, até mesmo em postos de saúde. A situação chegou a ser tão grave que alguns hospitais passaram a atender somente casos de pacientes cujo estado era de emergência.

Em 1975, a inflação britânica subiu a 26,9%… em apenas um ano!

Em 1974, o governo local estabelecera a chamada “semana de três dias”, em que o uso de energia elétrica nos negócios foi limitado a três dias por semana, sem permissão de hora-extra. As televisões tinham de interromper suas transmissões às 22h30, como forma de economizar energia.

Imagine isso. A Inglaterra foi uma superpotência global por 150 anos. Quando começaram a permitir um pouco de inflação a partir da desvalorização de sua moeda, as coisas simplesmente colapsaram.

A foto abaixo evidencia o tamanho do problema. Isto é Londres, com lixo empilhado na praça porque não havia dinheiro suficiente para pagar aos lixeiros um salário minimamente justo:

 

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Talvez você ainda esteja cético sobre a possibilidade dessas coisas acontecerem aqui e agora. Mas eu posso lhes garantir: já estão acontecendo!

Com efeito, a inflação brasileira já estaria acima da meta e beirando os 10% ao ano caso as tarifas de energia e os preços da gasolina não estivessem sendo controlados.

Outro exemplo: no começo dos anos 90, um certo país europeu resolveu brincar de conviver com um pouco mais de inflação e com um governo gastador. Rapidamente, a poupança pública acabou. Qual foi o próximo passo do governo? Simples! Passaram a contar com a poupança da população, limitando o acesso das pessoas às suas contas nos bancos públicos.

E, obviamente, para financiar suas operações, o tal país começou a imprimir moeda, em ritmo frenético. Sem dinheiro, a infraestrutura local caia em pedaços e a inflação galopava, mesmo com tentativas de controle de preços.

A esta altura, o desemprego batia 30%.

Já era suficientemente ruim, mas ficou pior, muito pior.

Um brilhante economia teve a genial ideia de exigir das empresas o preenchimento de uma série de documentos governamentais a cada vez que seus preços fossem reajustados para cima. O racional era de que isso retardaria o processo inflacionário, pois parte do tempo empresarial seria consumido justamente para preencher os formulários.

Qual foi o resultado?

Obviamente, mais inflação.

Para preencher os documentos, as firmas viram-se obrigadas a contratar mais funcionários. E como o processo era bastante demorado, a resposta imediata foi começar a aumentar preços de produtos básicos em velocidade ainda maior, de forma que precisariam preencher os formulários apenas uma vez.

A inflação diária beirava 100%. Sim, preços dobrando da noite para o dia, no mais perfeito caos econômico.

A resposta governamental foi a mais típica dos planos econômicos adotados em períodos de hiperinflação: a criação de uma nova moeda, removendo seis zeros da anterior.

De novo, não funcionou.

Veja o tamanho do percentual abaixo:

5.000.000.000.000.000%.

Não é brincadeira. Esse foi o percentual  (cinco quatrilhões) de aumento dos preços desse país entre outubro de 1993 e janeiro de 1995.

As pessoas não podiam comprar comida, simplesmente estocavam ou passavam fome. Postos de gasolina foram fechados, o número de ônibus em operação caiu 60%, apagões eram generalizados e recorrentes, e as pessoas foram proibidas de aceitar cheque.

Enquanto isso, o discurso do governo era de que a inflação acontecia por “sanções sem justificativa contra a população e o Estado.” Incrivelmente, nunca há culpados na gestão de política econômica.

Isso aconteceu, de fato, e nessas exatas proporções, na Iugoslávia. E, em menor medida, tivemos situações semelhantes em Islândia e Grécia, onde o estrago só não foi maior por conta dos planos de resgate financeiro internacional.

Esse é o caminho natural e devidamente documentado daqueles que optam pela via da tolerância à inflação e do gasto público irresponsável.

Não precisamos ir muito longe para ter novos exemplos. Ao nosso lado, temos as referências trágicas de Venezuela e Argentina, que sucumbem ao caos econômico, financeiro e social por conta de medidas inadequadas de política econômica.

Mais do que isso, não precisamos sequer cruzar as fronteiras, basta recorrer ao nosso próprio passado. Anteriormente ao Plano Real, a desconfiança com nossa moeda era tal que o poder de compra do trabalhador caia pela metade durante um único mês e o empresário não pensava em investir, sem visibilidade para o futuro, com um novo plano econômico por ano.

Entre 1990 e 1994, o crescimento médio do PIB foi de 1,3% ao ano, enquanto a inflação anual foi de 1.210%. Isso depois de já termos vindo da famosa Década Perdida. Do período de 1986 a 1991, tivemos cinco choques (Plano Cruzado, Bresser, Verão, Collor I e Collor II).

Não há como existir consumo nem investimento em ambiente de tamanha desconfiança sobre a moeda e incerteza sobre o futuro.

Foram várias tentativas de congelamento e tabelamento de preços, com resultados trágicos. A qualidade dos produtos era péssima e vendiam-se, inclusive, latas vazias nas prateleiras dos supermercados – era o melhor que se podia oferecer àquele preço tabelado.

Problemas de abastecimento e falta de produtos eram recorrentes, o que obviamente resultava, ao final, na ruptura com os congelamentos de preços. Dá-lhe volta da inflação, que ultrapassava 80% ao mês.

A imagem abaixo é representativa do tamanho do problema. Simplesmente, faltavam produtos nas prateleiras:

 

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Talvez o ponto máximo da adversidade seja a restrição do acesso à poupança por meio do Plano Collor.

Lançado no mesmo dia da posse do presidente Collor, o novo plano reintroduziu o cruzeiro como padrão monetário e estabeleceu, mais uma vez, congelamento do preço de bens e serviços. Novos tributos foram criados, afetando ainda mais o poder de compra e a confiança dos empresários.

Mas foi no âmbito financeiro que se deu a maior mudança: o sequestro de liquidez. Sem dúvida, foi a medida mais traumática. Todas as aplicações financeiras superiores a NCr$ 50.000 foram bloqueadas por um período de 18 meses.

O cidadão simplesmente não poderia acessar seu próprio dinheiro. O Plano colocou a economia em recessão e não foi capaz de conter a inflação de forma sustentada.

Tenho uma experiência pessoal marcante e extremamente negativa nesse sentido. Às vésperas do Plano Collor, meu pai havia comprado um apartamento. Comprometia-se a pagar as parcelas restantes nos meses seguintes. O acesso ao dinheiro foi bloqueado e simplesmente perdemos o apartamento. Nossa família precisou de anos para se recuperar do golpe.

Não há nada mais assustador do que ter seu dinheiro bloqueado. Governos desesperados tomam medidas desesperadas.

 

Os maiores experts estão agindo

Luis Stuhlberger, gestor do fundo Verde, é o maior – e possivelmente o melhor – investidor brasileiro. Ele tem um histórico impressionante e secular de bons resultados. Stuhlberger está pessimista com os mercados brasileiros a curto prazo e tem comprado dólares. O gestor escreveu o seguinte em carta recente a seus cotistas:

“Continuamos acreditando na tese de depreciação do real (…). Dá para ficar otimista com o Brasil no médio prazo pelas suas potencialidades, mas aparentemente teremos de passar por uma turbulenta arrumação de casa no caminho. Apertem os cintos!” (grifo meu)

Jim Rogers, um dos maiores investidores do mundo, especialista em mercados de commodities (como o brasileiro) e fundador do Quantum Fund junto a George Soros, concedeu entrevista há poucos meses à Exame. Perguntado se o Brasil ainda é um bom lugar para investir, respondeu, categoricamente, assim:

“Não. O governo brasileiro está cometendo erros. Deveria ser um lugar maravilhoso para investir, mas seu governo segue cometendo erros, colocando tarifas especiais contra alguns de seus melhores parceiros, controle cambial e por aí vai. O Brasil segue fazendo coisas que restringem a economia. Por isso, não estou investindo e não quero investir no Brasil, enquanto tiverem um governo anti-capitalismo ou anti-eficiência. Enquanto tiverem um governo que não entenda a economia eu não quero investir aí.

Eu prefiro investir na Rússia. A Rússia não está tomando medidas para desencorajar a eficiência e os investimentos, e o Brasil está. A Rússia tem uma moeda flutuante, o Brasil faz controle cambial.”

Mark Mobius, da Franklin Templeton, é um dos grandes conhecedores de mercados emergentes. Em março deste ano, matéria do Wall Street Journal trouxe o seguinte comentário do gestor:

“O Brasil corre o risco de entrar em recessão caso não seja capaz de corrigir pressões que incluem gastos públicos elevados, endividamento dos consumidores e racionamento de energia. A Templeton está menos entusiasmada com as ações de grandes empresas brasileiras.”

A lista de grandes investidores históricos ficando pessimistas com o Brasil é grande.

Os maiores experts estão agindo antecipadamente. Eles sabem que há sérios problemas com a economia nacional

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Fonte:
Blog Geraldo Samor (veja.com.br)

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