Na VEJA: CPI da Petrobras: uma farsa patética

Publicado em 03/08/2014 14:55 e atualizado em 09/10/2014 10:53 1841 exibições
VEJA revela a trama criminosa que fraudou a CPI da Petrobras para livrar o governo Dilma de mais escândalos bilionários (blogs de Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, de veja.com.b)

Direto ao Ponto

VEJA revela a trama criminosa que fraudou a CPI da Petrobras para livrar o governo Dilma de mais escândalos bilionários

ATUALIZADA Às 21h18

A edição de VEJA distribuída neste fim de semana revela com exclusividade a trama concebida para fraudar a CPI da Petrobras. “Uma gravação mostra que os investigados receberam perguntas dos senadores com antecedência e foram treinados para responder a elas”, informa a capa da revista. “A farsa é tão escandalosa que pode exigir uma inédita CPI da CPI para ser desvendada”. O vídeo que documenta a conspiração criminosa é exibido pelo site de VEJA, no post que resume o caso de polícia nos dois parágrafos abaixo transcritos:

O que se vê e ouve na gravação é uma conjuração do tipo que, nunca se sabe, pode ter existido em outros momentos de nossa castigada história republicana. Mas é a primeira vez que uma delas vem a público com tudo o que representa de desprezo pela opinião pública, menosprezo dos representantes do povo no Parlamento e frontal atentado à verdade. Com vinte minutos de duração, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido.

A decupagem do vídeo mostra que, espantosamente, o encontro foi registrado por alguém que participava da reunião ou estava na sala enquanto ela ocorria. VEJA descobriu que a gravação foi feita com uma caneta dotada de uma microcâmera. A existência da reunião e seus participantes foram confirmados pelos repórteres da revista por outros meios — mas a intenção da pessoa que fez a gravação e a razão pela qual tornou público seu conteúdo permanecem um mistério.

Quem assiste ao vídeo do começo ao fim — ele acaba abruptamente, como se a bateria do aparelho tivesse se esgotado — percebe claramente o que está sendo tramado naquela sala. E o que está sendo tramado é, simplesmente, uma fraude caracterizada pela ousadia de obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas. Barrocas revela no vídeo que até um “gabarito” foi distribuído para impedir que houvesse contradições nos depoimentos. Um escárnio. Um teatro.     ​

Neste sábado, o Brasil decente foi afrontado por outro monumento à canalhice. Os tumores que infestam a Petrobras confirmam o avanço acelerado da necrose —  incurável e letal — que vem devastando a seita lulopetista. Antes dirigida por executivos e técnicos, a estatal aparelhada por Lula e Dilma Rousseff hoje é controlada por um bando de delinquentes dispostos a tudo para prorrogar a permanência dos chefões no coração do poder.

O que já foi uma empresa respeitável se tornou tão desprezível quanto a Papuda sem grades que no século passado abrigou o Congresso Nacional. É natural que ajam em parceria. O vídeo comprova que os vigaristas fantasiados de senadores e os patifes disfarçados de petroleiros nasceram uns para os outros. Eles se merecem. O país que presta é que não merece continuar sob o domínio da tribo dos fora da lei

 

CorrupçãoDemocracia

CPI da Petrobras: uma farsa patética

A reportagem de capa da Veja desta semana explode mais uma bomba no colo do PT: a CPI da Petrobras, que todos sabiam ser “chapa-branca”, não era “apenas” isso, mas sim algo muito pior. Era uma completa farsa, um teatro patético montado por gente ligada ao PT, para simular perguntas e respostas que tinham sido combinadas antes! Diz um trecho:

CPI Petrobras a farsa

 

“Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado, e Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT na Casa, são citados como peças-chave da tenebrosa transação”. É o PT e o governo envolvidos até o pescoço. Fácil entender o ódio que sentem da Veja, não é mesmo?

Até quando o Brasil vai assistir passivo a esse teatro montado pelos petistas? Até quando vamos esperar cada instituição republicana, cada estatal, cada entidade pública ser destruída por um partido que enxerga na democracia apenas uma farsa, um simulacro para se perpetuar no poder? Acorda, Brasil!

Rodrigo Constantino

 

Liberdade de Imprensa

“Tinha que ser na Veja…”

Há certos colunistas e blogueiros que são movidos apenas pelo dinheiro, e precisam elogiar aquele que assina o cheque, independentemente de qualquer sentimento sincero de admiração. Deve ser terrível, e entendo o ódio e a inveja que sentem de quem pode constatar genuíno respeito pelo veículo que abriga o próprio blog.

Teço elogios ao trabalho da Veja há anos, muitos anos, com críticas sempre pontuais. O respeito que tinha por Roberto Civita, por exemplo, era público e notório, e lamentei profundamente sua morte. O Brasil perdeu com ele um gigante defensor da liberdade de expressão.

Há um ano apenas tenho um blog e uma coluna quinzenal na Veja impressa. Ou seja, conquistei um espaço em um canal que já admirava, o caminho inverso da turma chapa-branca, que passa a “admirar” um governo que financia seu “trabalho” jornalístico. Seus elogios são diretamente proporcionais aos anúncios de estatais no blog.

Digo isso pois a Carta ao Leitor da Veja desta semana traz um material inédito sobre Médici, analisado por Lauro Jardim, com base em cartas escritas e recebidas por ele. O general fez questão de guardar uma em que um jornalista de televisão daquele tempo informa sobre a apresentação de um programa a respeito de Veja:

Comunico respeitosamente a Vossa Excelência que levaremos ao ar na próxima segunda-feira pela Rede Globo de Televisão um grave programa, focalizando a ação da revista VEJA junto à opinião pública, numa sistemática campanha de tentativa de desmoralização da Revolução, de seus líderes e de sua obra.

Em primeiro lugar, vale notar que nossa ditadura não era tão dura assim, não é mesmo? Alguém imagina um programa de TV crítico ao regime cubano indo ao ar em Cuba? Aqui os militares eram alvos de inúmeras críticas abertas, inclusive com humor ácido muitas vezes.

Em segundo lugar, a esquerda radical de hoje acusa a Veja de ser parcial, “golpista”, “direitista”, etc. Ignora inclusive várias reportagens de capa que atacavam o governo quando eram os tucanos no poder.

Não deixa de ser curioso o fato de que a revista incomoda a esquerda da mesma forma que incomodava o regime militar. Isso porque a revista faz jornalismo independente, não campanha, como os tais blogs que adoram odiar a Veja. Como conclui o editorial:

Tinha que ser na Veja

Ou poderia sim! A esquerda radical nunca lutou pela democracia, jamais defendeu a liberdade de fato. Desde aqueles tempos queria apenas uma outra ditadura, bem mais opressora, como aquela existente em Cuba, admirada por ela até hoje.

Os seres lobotomizados por tal esquerda gostam de repetir pelas redes sociais, antes mesmo de ler o texto e sem dúvida antes de qualquer tentativa de rebatê-lo com argumentos, o que não teriam capacidade, o já famoso slogan dos idiotas úteis: “Tinha que ser na Veja”.

Tolinhos. Mal sabem que só o fato de usarem tal frase de efeito, tal chavão boboca, ao mesmo tempo em que defendem tudo que há de pior na face da Terra, apenas enaltecem o trabalho independente realizado pela revista e seus jornalistas e blogueiros. Certos ataques e ofensas são elogios para nossos ouvidos.

Tinha que ser na Veja!

Rodrigo Constantino

 

Liminar de Lewandowski lembra que existe liberdade de imprensa no Brasil: tentaram censurar VEJA.com e este blog

Na VEJA.com; Voltarei ao assunto mais tarde.
O ministro Ricardo Lewandowski, presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta quinta-feira liminar para suspender decisões da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro e do Tribunal de Justiça estadual que determinavam a remoção do site de VEJA de reportagem publicada em 8 de março de 2014 sobre o desaparecimento de parte do dinheiro arrecadado para a família do pedreiro Amarildo Dias de Souza. Em decisão individual, o ministro acolheu os argumentos da Editora Abril, que publica VEJA, e derrubou a mordaça.

A Justiça fluminense havia determinado a retirada do ar da reportagem “Cadê o (dinheiro do) Amarildo?” e da reprodução do texto e comentários sobre o tema no blog do jornalista Reinaldo Azevedo, sob pena de pagamento de multa diária. Tanto o juiz Gustavo Nascimento da Silva, da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro, que proferiu a decisão de 1ª instância, quanto a desembargadora Lúcia Helena do Passo, do TJ fluminense, tinham atendido a pedido do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), presidido pelo advogado carioca João Tancredo.

Em recurso encaminhado ao STF no dia 21 de julho, a Editora Abril argumentou que as decisões judiciais contra a publicação da reportagem violam entendimento da própria corte sobre a liberdade de expressão, firmado em 2009 quando do julgamento que declarou inconstitucional a Lei de Imprensa, herdada da ditadura militar. Lewandowski fez parte da sessão histórica e expressou em seu voto, com clareza exemplar, a importância de se garantir o mais pleno direito à manifestação de pensamento.

Por se tratar de pedido em fase de liminar, a Editora Abril ainda não pôde apresentar argumentos sobre a veracidade das informações publicada nas reportagens. Com a retomada dos trabalhos do Poder Judiciário, o STF ainda vai analisar, em plenário, o caso. A relatora é a ministra Cármen Lúcia.

Censura prévia
O bloqueio ao acesso à reportagem de VEJA.com e ao post de seu colunista — agora revogado por Lewandowski — já havia representado um golpe na liberdade de imprensa. Mas outra liminar expedida pela Justiça fluminense foi além e instituiu uma espécie de censura prévia, prática explicitamente vedada pela Constituição. A juíza Andrea de Almeida Quintela da Silva deu provimento integral ao pedido de João Tancredo para não apenas remover uma nota de 8 de abril da coluna Radar on-line, de Lauro Jardim, que informou que a família de Claudia Silva Ferreira, morta arrastada por uma viatura policial, desautorizou o advogado carioca a representá-la na Justiça como também determinou que VEJA seja proibida, na internet ou no papel, “de autorizar ou promover quaisquer outras inclusões de igual teor”. A Editora Abril recorre da decisão.

Por Reinaldo Azevedo

 

Inflação

O Banco Central é cúmplice na produção de inflação

O Banco Central tem um importante instrumento para combater a inflação, e sem a ajuda do governo federal no controle dos gastos públicos tal instrumento impõe um custo elevado à economia. Mas daí a inocentar o BC de culpa no cartório e culpar apenas os gastos públicos vai uma longa distância. Foi o que explicou de forma sucinta o economista Silvio Figer em artigo publicado hoje no GLOBO. Diz ele:

Além disso, quem disse que descontrole fiscal gera inflação? O déficit público é financiado pela emissão de dívida pública pelo Tesouro, que, ao colocar esta dívida no mercado, recebe reais dos investidores, e entrega os títulos. O meio circulante não se altera em um centavo sequer — onde está o efeito inflacionário? Nem poderia ser de outra maneira, posto que o Tesouro não emite moeda, que é função atribuída pelo governo, em caráter de monopólio, ao BC.

A inflação ocorre a partir do momento em que o BC compra (monetiza) esta dívida dos investidores. Aí o processo se inverte, com o BC recebendo os títulos e entregando reais — que ele emite. Está colocado em marcha um processo inflacionário, de exclusiva criação do BC.

[...]

Portanto, discursar sobre a culpa dos outros, sem jamais assumir a sua exclusiva responsabilidade, oculta o fundamental: o BC viabiliza a irresponsabilidade fiscal. Se não concorda, tem a obrigação de mudar o discurso, e denunciar à sociedade a irresponsabilidade de se emitir moeda lastreada em dívida pública, que é a expressão do descontrole fiscal. O BC, longe de ser a vítima, é o próprio agente da inflação.

Para quem acompanha este blog isso não será novidade. Tenho acusado aqui a conivência do BC desde sempre, e cheguei a explicar o processo inflacionário de forma bem minuciosa. Por isso mesmo que os países desenvolvidos garantem independência legal ao banco central, para não ser politizado e usado pelo governo federal como braço monetário para seus programas populistas.

Como diz Figer, sem esse instrumento haveria “a morte de programas demagógicos como o Minha Casa Minha Vida, cartões BNDES e financiamentos imobiliários em 30 anos, com uma moeda cujo futuro não se enxerga além dos próximos seis meses!”

Não é à toa que todo populista clama pelo controle da emissão de moeda: cria recursos do nada para bancar seu populismo, adotando o imposto mais nefasto de todos, o inflacionário, pois disfarçado. Mas quem se dá mal mesmo nessa história é justamente o mais pobre, que não consegue se defender da inflação, criada pelo próprio Banco Central…

Rodrigo Constantino

 

Sindicalismo

Trabalhador quer mais, mas precisa saber como!

Na coluna de Ilimar Franco no GLOBO de hoje consta o seguinte:

A agenda das centrais sindicais é de difícil execução seja qual for o próximo presidente. Ela defende a ampliação dos direitos trabalhistas, o que aumenta custos para empresas e produtores. E também um incremento dos gastos públicos.

É emblemático que, depois do Senado ter aprovado a revisão do Fundo Previdenciário, o tema tenha sido engavetado na Câmara pelo governo petista. As centrais pregam a redução da jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais.

E ainda o aumento da correção do FGTS para um índice equivalente ao da poupança. Independentemente da preferência eleitoral, as centrais não aceitam a flexibilização dos direitos dos trabalhadores.

Ao ler isso, lembrei imediatamente de um desejo esperançoso de Roberto Campos, que está em seus Conselhos a um Economista Enquanto Jovem. Diz ele:

Dia virá, e faço votos para que não tarde, em que um trabalhismo verdadeiro cuidará de ter uma nova agenda – agenda que inclua a busca da produtividade, o aumento das oportunidades de emprego e de oportunidades de treinamento técnico, a organização do esforço cooperativo par acesso à casa própria e a bolsas de estudos, e também a reivindicação de reajustamentos salariais que, por serem realistas, tenham a possibilidade de ser sancionados pelo aumento de produção, ao invés de, por exagerados, serem logo destruídos pela inflação.

Infelizmente, esse dia ainda não chegou, e isso é óbvio. CUT, Força e demais entidades sindicais continuam com uma agenda retrógrada, irrealista, demagoga, pregando apenas mais “conquistas trabalhistas” sem levar em conta as leis econômicas, os impactos na economia e na inflação, a produtividade do trabalho, que é, em essência, o que garante melhores condições de vida para o trabalhador.

Campos chamou esse tipo de “trabalhista desempregador”, que acaba se tornando um encantador da serpente inflacionária. Será que ainda veremos o dia em que haverá um trabalhismo sério, maduro e comprometido, de fato, com a melhoria sustentável da qualidade de vida dos trabalhadores?

Rodrigo Constantino

 

ComunismoCultura

O “novo homem” socialista também quer “alienação”

“Pelo necessário, o homem é capaz de matar; pelo supérfluo, é capaz de morrer.” (Carlos Lacerda)

Para o desespero dos socialistas, que sonhavam em criar um “novo homem”, abnegado e livre da “alienação” burguesa, alguém que seria pescador de dia e filósofo à noite, mesmo em Cuba, sob toda a opressão estatal, o povo dá um jeito de se divertir com os “enlatados” americanos. É o que nos relata o escritor Leonardo Padura em sua coluna de hoje na Folha:

Explico melhor: um grupo de pessoas parece trabalhar recompilando programas de TV e páginas da internet que lhes são fornecidos por outras pessoas que têm acesso à internet de banda larga (geralmente em centros de trabalho aos quais o Estado deu essa possibilidade, num país onde o acesso à rede ainda é restrito e árduo).

Assim, esses recompiladores criam um “pacote” televisivo com filmes, musicais, telenovelas, programas de informação, programas esportivos e até antivírus atualizados e páginas de internet de grande interesse para os consumidores, como o chamado Revolico, um mercado virtual onde são geridas vendas de tudo o que se pode imaginar e são oferecidos os produtos mais inacreditáveis.

Depois de criado o pacote, um grupo maior de distribuidores sai à rua e, com aparelhos portáteis, descarrega nos computadores pessoais de seus clientes esse compêndio de arquivos que pode chegar a mil gigabytes e que é vendido ao preço de 2 pesos conversíveis cubanos –um pouco mais de US$ 2.

Então o consumidor, em seu computador ou, se conseguir visualizá-la, em seu aparelho de televisão, pode desfrutar de uma programação variada em que se encontram as ofertas que os canais de televisão nacional não fazem.

E, embora duras críticas à existência desse “pacote” tenham sido feitas ao nível oficial, a demanda por ele só faz aumentar, e o conteúdo é mais condizente com o que grande parte dos cubanos deseja consumir durante os seus momentos de lazer. 

Deve ser terrível para os “intelectuais” de esquerda ter de aceitar o homem como ele é, em busca de distração frívola e pura diversão. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, como diz a música. As pessoas preferem uma telenovela a um maçante programa revolucionário como aqueles obrigatórios nos países comunistas, em que os “proletários” passavam a noite “debatendo” Marx. Que coisa, não?

Como disse Roberto Campos em seu texto Elogio do Supérfluo, sobre os soviéticos e os chineses: “Estremeço inquieto ante a visão de uma civilização de enorme poder industrial e mecânico que não dê vazão aos seus instintos de conforto e substitua o consumidor aquisitivo pelo planejador revolucionário”. Chamou a isso de “tentação de Esparta”, lembrando que a militarista Esparta não deixou legado comparável a Atenas, que sabia apreciar o luxo e o supérfluo.

Rodrigo Constantino

 

DemocraciaHumorPolítica

Os abutres do bem: só nos resta a ironia…

Abutres

Bolivarianos: abutres de olho na carniça dos pobres e dos ignorantes

Quem acompanha no detalhe a política nacional corre o risco de ter um ataque de nervos. Não é nada fácil aturar as bravatas do governo, as mentiras do PT, o autoritarismo dessa turma que adoraria transformar o Brasil em uma Venezuela. O humor, a ironia fina, o sarcasmo podem ser armas de sobrevivência pessoal, para suportar o asco que é despertado por tanto atraso caudilhesco.

E ninguém melhor do que Guilherme Fiuza para fazer uso desta ferramenta. Seus artigos são engraçados, ao mesmo tempo em que tocam sempre em pontos muito sérios. É muito difícil levar esse governo a sério, e quem tem um pingo de bom senso olha espantado para o baixo nível dos chacais que chegaram ao poder. Só rindo deles mesmo, para não chorar. Diz Fiuza em sua coluna de hoje:

Lula da Silva pediu a cabeça de uma funcionária do Santander. O banco entregou-lhe a cabeça dela. Era uma funcionária abutre, dessas que atacam os cordeirinhos socialistas, escrevendo coisas desagradáveis sobre o governo popular. Como ousa essa agente do capitalismo selvagem dizer que a queda de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais anima o mercado?

É bem verdade que a queda de Dilma nas pesquisas anima o mercado, mas… precisava dizer isso para todo mundo? A analista do Santander não poderia ser mais discreta com seus clientes? Não dava pelo menos para falar mais baixo? Ou mudar de assunto? Não dá para entender por que esses analistas de conjuntura insistem em falar de coisa triste. Em vez desses boletins sisudos e cinzentos, poderiam mandar mensagens coloridas e alegres, prevendo um PIB maravilhoso e garantindo que a inflação está quietinha no seu canto. Se o ministro da Fazenda faz isso, por que um banco não pode fazer? São mesmo uns pessimistas. Abutres!

A reação do governo? Aqui no nosso terreiro, “financista estrangeiro não vai cantar de galo, não”. E logo vem a imagem de Lula à nossa mente, fazendo aquilo que sabe fazer, a única coisa que sabe fazer além de negar que sabia do mensalão: bravatas! Vemos um sujeito sem educação alguma esbravejando sobre a analista do banco: “Não entende porra nenhuma de Brasil”. É um circo, um espetáculo, um show… só que de horrores.

Chávez, como lembra Fiuza, ficaria orgulhoso de seu pupilo: “Meu garoto!”, diria o falecido tirano se pudesse, por meio de algum passarinho. A América Latina foi tomada por bolivarianos ressentidos, por líderes autoritários, oportunistas safados, por gente da pior espécie que conseguiu chegar ao poder abusando da ignorância do povo, vendendo promessas irreais, explorando a miséria alheia com muito populismo e demagogia.

Uma análise mais afastada, de quem consegue esquecer que é cidadão também, de quem olha a ópera bufa de um ponto de vista histórico, pode até levar ao riso, ainda que temporário (depois vem a tristeza de quem sabe o custo que essa gente representa justamente para o povo mais pobre e sofrido, que diz defender). Fiuza conclui:

É bem verdade que o PT ainda não conseguiu torpedear a imprensa com a eficiência dos Kirchner. Mas tem suas listas negras, e continuará caçando essa gente que não entende porra nenhuma de Brasil.

E nós, que não entendemos nada de Brasil, continuaremos aqui, alertando com seriedade ou humor o perigo que corremos sob o governo desses “abutres do bem”.

Rodrigo Constantino

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Fonte:
veja.com.br

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2 comentários

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Numeros bem torturados confessam qualquer coisa que se queira. Para os socialistas não existe verdade. Para eles a "mentira útil" é a verdade. Pelos preceitos de Lênin e da Revolução Cultural do comunista italiano Antonio Gramsci, repetindo uma mentira útil, todos [a maioria] acreditam ser esta a verdade. Quanto ao resto já dizia Carlos Lacerda: “Pelo necessário, o homem é capaz de matar; pelo supérfluo, é capaz de morrer.”

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, começo a desconfiar da frase metafórica :

    “NO FUNDO DO POÇO”!

    As noticias mostram a criatividade, não só da contabilidade criativa dos lumes da área econômica, mas da maioria dos integrantes deste governo e, dos políticos que o sustentam.

    NÃO ESTÁ NA HORA DE DAR UM “BASTA” !!

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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