País já vive um racionamento de energia na prática

Publicado em 05/08/2014 10:32 e atualizado em 09/10/2014 12:05 1041 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com.br

País já vive um racionamento de energia na prática

Fonte: GLOBO

Deu no GLOBO: Custo extra de R$ 15 bilhões

A forte seca que está reduzindo drasticamente o nível dos reservatórios tem feito as geradoras de energia hidrelétricas acumularem perdas bilionárias neste ano, por estarem produzindo menos energia do que o previsto. Estimativas feitas pela consultoria Safira Energia a pedido do GLOBO dão conta que o gasto extra deve chegar a R$ 15,83 bilhões em 2014, dos quais cerca de R$ 7,86 bilhões entre agosto e dezembro. Especialistas advertem que a situação crítica do setor elétrico — com a forte estiagem e as mudanças regulatórias — inibe os investimentos, não só na expansão do próprio setor, como em outras atividades, aprofundando a queda da atividade industrial.

Como as geradoras têm produzido menos energia do que a contratada, elas precisam recorrer ao mercado à vista de hidrelétricas e termelétricas com energia excedente para comercializar – com preços em alta – para cumprirem seus contratos. O nível dos reservatórios continua baixo, e as usinas térmicas, que têm uma energia mais cara, precisam continuar operando a plena carga. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o valor do megawatt/hora (MWh) está em R$ 817,53 esta semana, perto do teto estipulado pelo governo. Na semana passada, o preço era R$ 593,73. O nó do setor elétrico atinge também as distribuidoras que têm sido obrigadas a comprar parte da energia no mercado livre. Os gastos maiores das distribuidoras já vêm sendo repassados aos consumidores, que vão pagar uma conta ainda mais alta a partir de 2015.

A culpa não é apenas da falta de chuva. É do governo, da má gestão, do excesso de intervencionismo no setor, que afugentou investidores. No debate “Programas de Governo” ontem na Globo News, moderado por Monica Waldvogel, o especialista Adriano Pires, ligado ao candidato Aécio Neves, afirmou que o país já se encontra em um racionamento de energia, pois esses preços praticados no mercado livre impõem um fardo excessivo à indústria. Muitas empresas estão importando produtos substitutos em vez de produzi-los só para vender a energia excedente no mercado, desviando o foco de sua atuação.

Do lado do governo Dilma, coube à ministra Miriam Belchior defender o indefensável. A “presidenta” teria feito tudo certo, e ficamos sem compreender por que, então, essa crise evidente não só no setor de infraestrutura, como na economia como um todo.

Belchior foi massacrada pelos representantes técnicos dos candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos, que defenderam mudanças radicais no setor, a descentralização e a maior autonomia dos governos locais, o fim das excessivas intervenções arbitrárias do governo federal que destruíram sua credibilidade perante os investidores e a confiança no futuro e nas regras do jogo.

O Brasil precisa, sem dúvidas, de grandes mudanças na área de infraestrutura, se deseja realmente engatar em uma trajetória de crescimento sustentável. Do jeito que está não dá para continuar. Pior que está não fica. Ou fica: se insistirem nos mesmos erros…

Rodrigo Constantino

 

Economia

Mais uma barbeiragem

dilma

Mais um empréstimo para o setor elétrico

governo praticamente acertou a nova operação de empréstimo para o setor elétrico. Serão 6,5 bilhões de reais para a Eletrobras e outros 6,5 bilhões de reais para as distribuidoras. Beleza. Mas quem vai emprestar?

Os bilhões da Eletrobras serão conseguidos assim: 4 bilhões de reais do Banco do Brasil e 2,5 bilhões de reais da Caixa.

E os bilhões das distribuidora? 3 bilhões de reais do BNDES e 3,5 bilhões de reais de um pool de bancos incluindo o BB e a Caixa.

Em resumo, o governo faz a barbeiragem e tenta corrigir através dos seus bancos, cometendo uma barbeiragem maior ainda.

Por Lauro Jardim

 

EconomiaHumor

Expectativa de crescimento: “free falling” e “cabum”!

Foi divulgada nesta segunda a pesquisa semanal Focus que o Banco Central faz com os principais analistas do mercado, e uma vez mais vemos queda nas expectativas de crescimento para o PIB este ano. Os melhores analistas estimam um “crescimento” de míseros 0,86% agora, na média:

Fonte: Bloomberg

Fonte: Bloomberg

Há muito que poderia dizer, mas seria chover no molhado, pois já dediquei vários artigos para explicar os motivos desse resultado patético, responsabilidade direta da gestão incompetente do governo Dilma. Não vou escrever nada. Vou apenas tentar retratar a nossa situação econômica atual com duas abordagens distintas.

Uma delas é essa imagem:

Trata-se, para quem não sabe, daquele típico brinquedo dos parques de diversão, o Cabum. Captura com perfeição o cenário de nossa economia, não é mesmo?

A outra é essa música de Tom Petty cantada por Tom Cruise no filme “Jerry Maguire”:

O rapaz estava todo feliz porque jurava ter dado a volta por cima, fechado o primeiro contrato como agente independente, apenas para descobrir depois que fora traído pelos fatos. A música não poderia ser mais adequada: “Free falling”. Não retrata bem nossa economia sob o governo Dilma?

Rodrigo Constantino

 

CulturaEducação

Aluno gaúcho não poderia mais ser expulso de escola nem por indisciplina: é o absurdo do absurdo!

“O risco de as Ciências Humanas se tornarem alvo de ridículo no futuro é enorme (confiarão mais nas revistas femininas e nas pesquisas publicitárias), justamente porque elas perderam qualquer contato com a realidade e afirmam seus delírios sobre homens e mulheres que não existem.” (Luiz Felipe Pondé, em “A era do ressentimento”)

Pretendo propor uma lei científica para teste aqui, e a chamarei de Lei do Espanto Constante. Diz basicamente o seguinte: por mais que você se prepare para o pior, seguindo o aforismo chinês, jamais deixará de ficar espantado com a capacidade de nossos governantes, especialmente os de esquerda, de produzir normas e leis estúpidas. Duvida? Então veja:

Um parecer em análise pelo Conselho Estadual de Educação (CEED) causa polêmica entre as entidades de ensino. Está sendo debatida uma norma que impediria as escolas de suspender, afastar ou expulsar alunos, mesmo os envolvidos em transgressões disciplinares. A proposta, que ainda é estudada e debatida pelo órgão, defende que o direito do aluno de estudar não pode ser revogado por nenhuma instituição de ensino, tanto privada quanto pública.

A norma prevê que não cabe à escola definir a transferência compulsória de qualquer discente, obrigando-o a deixar de estudar em determinada instituição ou a estudar em outra. Tal resolução seria aplicada em todos os casos, independentemente de o estudante ter histórico violento ou como infrator, dentro ou fora da escola. Caso o parecer seja aprovado, a instituição fica responsável por lidar com casos de indisciplina de outras maneiras.

Representantes do CEED acreditam que, assim, fica evidenciado o papel pedagógico das escolas. Em vez de recorrer à suspensão ou expulsão, com base em um regimento interno, caberia a todas as instituições de Ensino Fundamental e Médio atuar na prevenção e solução de casos onde hoje podem ser aplicadas medidas punitivas extremas. Assim, um jovem que infrinja regras ou apresente mau comportamento em sala de aula e nas dependências da escola teria de ser tratado pela própria instituição.

O leitor dá o braço a torcer? Admite que minha lei tem cores científicas? Alguém seria tolo o suficiente para pensar em uma regra dessas? Pouco provável se o indivíduo em questão se alimenta com apenas os membros inferiores encostados no chão.

Mas é o ridículo a que chegou a doença do esquerdismo em nosso país. Asininos, alguns até com mestrado ou doutorado e muito parecidos com seres humanos, chegaram ao poder e desejam mudar o mundo todo, criar um “mundo melhor”.

Que tal, então, impedir a expulsão dos alunos? Sabe aquele delinqüente que, em vez de assistir as aulas e prestar atenção no professor, fica bancando o rebelde agressivo e intimidando todos em volta? Manja aquele subversivo que depreda patrimônio da escola e bate nos colegas?

Esqueça expulsão. A escola terá de “tratar” dele, oferecer tratamento psicológico, assumir o papel de pai e mãe, tio, avô e polícia. Expulsar, jamais! Na era do coitadismo e da vitimização é assim: os melhores precisam pagar o preço pela indisciplina dos piores. Vamos punir apenas o que for bom e decente. Viva a mediocridade!

Rodrigo Constantino

 

DemocraciaLei e ordem

Os “militantes” querem o poder, não a democracia. Ou: Ainda há jornalismo sério?

Guilherme Boulos, do MTST: casa própria é apenas pretexto para violência e busca pelo poder

Carlos Alberto Di Franco tem usado seu espaço nos jornais para pregar um resgate do jornalismo sério e independente, hoje quase inexistente. O lamentável fato é que, em nome de uma pretensa “neutralidade”, os jornalistas têm apelado sem muito rigor para o uso de eufemismo para designar criminosos. É assim que invasores e terroristas viram “militantes” e “ativistas”.

Em sua coluna de hoje, Di Franco vai direto ao ponto, colocando os pingos nos is e lembrando do que tudo isso se trata: uma agenda marxista e gramsciana pelo poder,contra a democracia. Diz ele:

Prostituir as palavras, deformar a realidade e mentir. A estratégia marxista, flagrada nas ações do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e na violência black bloc, grita nas ruas e avenidas de um Brasil acuado pela covardia e leniência dos seus governantes. E nós, jornalistas, corremos o risco de sucumbir ao gingado gramsciano e à instrumentalização semântica. Criminosos que bloqueiam vias públicas, invadem prédios, lançam bombas, matam um cinegrafista de TV, vendem a imagem de “ativistas” e “militantes”. Quando presos, depois de uma enxurrada de ataques ao Estado Democrático de Direito, assumem o papel de “presos políticos”. E a imprensa, frequentemente refém de uma pretensa imparcialidade, acaba algemada pela inconsistência dos clichês ideológicos.

À medida que avançam, protegidos pela covardia das autoridades, grupos com o perfil do MTST e dos black blocs vão mostrando a sua verdadeira face: arrogância, violência e espírito totalitário.

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, em São Paulo, começa a dizer o que realmente pretende. Guilherme Boulos, líder do MTST, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, já não esconde os objetivos de suas ações. O MTST “não é um movimento de moradia”, mas “um projeto de acumulação de forças para mudança social”. Resumo da ópera: a proclamada luta por moradia não existe. É só uma fachada marqueteira.

Folgo em saber que ainda há jornalista corajoso e sério nesse país. Di Franco questiona algo que já questionei aqui também, e que deveria ser a obsessão de todo jornalista sério: quem financia os baderneiros? Quem arruma recursos para tais vândalos?

Só discordo dele quando diz que o governo tem sido covarde ou leniente. Em minha opinião *, o governo do PT é cúmplice mesmo, parceiro, conivente. Não se trata de covardia, mas de afinidade ideológica, de alinhamento de interesses. O buraco é ainda mais embaixo!

Diante disso, o papel de qualquer jornalista sério deveria ser apontar para tal absurdo, dar nome aos bois, mostrar o desrespeito dos criminosos para com nossas leis e nossa democracia, e não posar de “imparcial” dando cada vez mais voz para simples bandidos, em nome do “outro lado”. Por acaso o estupro é tratado como uma questão de “ponto de vista”?

Vândalos e terroristas são criminosos, não “ativistas” ou “militantes” com alguma causa nobre. Caberia à imprensa deixar isso bem claro para os leitores. O diabo é que tem muito jornalista encantado com os criminosos, simpatizantes da mesma subversão gramsciana dos valores na sociedade…

* Nem chega a ser uma opinião, mas sim a constatação de um fato, como mostra essa reportagem da Veja, onde ainda há vários jornalistas sérios.

Rodrigo Constantino

Tags: Carlos Alberto Di FrancoGuilherme Boulos

 

Lei e ordem

Revolucionários Toddynho: juiz coloca pingos nos is e chama “black blocs” de “esquerda caviar”

Oi coleguinhas, cheguei para salvar o mundo!

Todos conhecem os “revolucionários Toddyinho”, aqueles que querem “salvar o mundo”, mas se recusam a arrumar o quarto. Criados na classe média ou alta, com empregada em casa para lavar a roupa, fazer a comida e arrumar a cama, esses rebeldes niilistas buscam algum sentido para suas vidas medíocres destruindo tudo em volta. Escutaram pouco “não” na vida, não foram bem educados. Viraram “black blocs”.

Eis que agora surgiu um juiz macho para chamar a coisa pelo seu nome. Ao negar a liberdade para dois mimados mascarados, foi direto ao ponto e os acusou de ser “esquerda caviar”. Marcelo Matias Pereira disse que os vagabundos promovem “manifestações” com depredação de patrimônio público e privado, cospem no capitalismo, mas adoram tênis Nike, telefone celular e postam fotos no Facebook.

Usam até a língua inglesa, esses guerreiros que combatem o “imperialismo estadunidense”! O juiz não pestanejou: os moleques agem bem ao gosto do que se denominou “esquerda caviar”. A expressão não é minha, mas admito humildemente tê-la tornado mais popular no Brasil esses dias. Será que o juiz andou lendo meu livro? Gostaria de mandar um exemplar autografado a ele, pois o homem merece!

E do outro lado? Quem era o advogado dos revolucionários mascarados? Ninguém menos do que Luiz Eduardo Greenhalgh, aquele do PT ligado a vários bandidos, o que ganhou rios de dinheiro com a indústria das indenizações por conta do regime militar, o mesmo do desarmamento de civis inocentes. Para Greenhalgh, a decisão do juiz foi “absolutamente ideológica”.

Ideológica? Deixe-me lhe dizer o que é decisão ideológica, advogado: só defender criminosos comuns que se julgam acima das leis porque carregam um discurso revolucionário nas costas! Enaltecer gente que quebra nosso patrimônio privado e comum como se fosse um ato legítimo em busca de um “mundo melhor”! Isso é ideológico!

Aplicar as leis e punir tais criminosos é apenas respeitar o Estado Democrático de Direito. Greenhalgh não vai ganhar livro de presente, até porque não acredito em milagres, sei que de nada adiantaria, pois ali estamos diante de um caso perdido…

Rodrigo Constantino

 

Democracia

Carta do ex-presidente da OAB: o risco gramsciano

Dilma e Maduro: é isso que queremos para o Brasil?

Em resposta ao artigo em que o citei aqui com base em um texto publicado no GLOBO, o ex-presidente nacional da OAB Reginaldo de Castro me enviou uma carta que segue abaixo, após meu pedido de autorização para publicá-la por considerar seu teor e seu alerta muito importantes no momento em que vive o Brasil:

Caro Rodrigo Constantino

Leitor assíduo de seu blog, só agora me manifesto a respeito do que escreveu sobre o artigo que publiquei em O Globo, em 06.07 passado, “Por onde anda a OAB?”.

Agradeço a atenção que me dispensou, com seus comentários, que endosso, lamentando apenas que o teor do que publiquei não expresse por inteiro a realidade brasileira.

O quadro é pior. Nossa frágil democracia corre riscos efetivos e, embora parte substantiva de nossa sociedade já comece a se dar conta disso, não está efetivamente organizada e articulada para barrar a marcha dos insensatos.

O que se convencionou chamar de sociedade civil – e que tão decisivo foi para propiciar a redemocratização do país – transmudou-se em “movimentos sociais”, financiados pelo Estado brasileiro para perpetuar no poder o partido que o comanda.

Das instituições que se insurgiram contra o regime militar, só subsiste parcela da CNBB, em manifestações isoladas, como as recentes de dom Leonardo Steiner, protestando contra o uso inadequado de recursos públicos. As demais tornaram-se células do partido hegemônico, dissociadas da sociedade que se arvoram em representar, oferecendo apoio logístico a uma estratégia de dominação, que tem em Antonio Gramsci sua inspiração.

O decreto 8.243 consolida a ocupação do Estado brasileiro e precisa ser revogado pelo Congresso. Creio que o será, mas ele apenas formaliza algo que ocorre há muito tempo, pois esses movimentos já estão incrustados na máquina administrativa e a comandam, sem qualquer transparência.

O debate político está cerceado. A censura se exerce informalmente, haja vista a recente insurgência do governo contra uma análise técnica do Banco Santander, dirigida a seus clientes, exigindo a demissão dos analistas econômicos que disseram apenas o óbvio: o mercado teme uma eventual reeleição de Dilma Rousseff.

Temo-a eu também e, creio, todos os que querem preservar e consolidar a democracia. Presidi o Conselho Federal da OAB no triênio 1998-2001, no início da redemocratização. Acompanhei – e acompanho – o clássico processo de usá-la para destruí-la.

A tentativa de estigmatizar os que se opõem, a partir de rótulos pejorativos como “fascista” ou “reacionário”, silencia alguns, mas não os melhores. Entre “esquerda progressista” e “direita reacionária”, há uma profusão de ideias e propostas para este país, que precisam se articular – e, nesse sentido, louvo sua atuação na mídia nacional.

Em outubro, teremos uma eleição diferenciada, pois seu resultado não apenas definirá os novos governantes: há de determinar o destino do país pelas próximas gerações.

Receba o abraço fraterno deste seu leitor e admirador,

Reginaldo de Castro

Tags: Reginaldo de Castro

 

Instituições

De tubarão à sardinha: o declínio da diplomacia brasileira

Como o Itamaraty petista se vê…

Por Daniel Rabetti, publicado no Instituto Liberal

O Brasil sempre foi reconhecido internacionalmente por formar os melhores diplomatas da América Latina. Anteriormente ao Governo Dilma, os diplomatas do Itamaraty, eram em sua maioria oriundos do Instituto Rio Branco. Lá, passavam alguns anos estudando diplomacia e relações exteriores no mais alto nível. Os ingressantes sempre esbanjaram profundo conhecimento em geopolítica, cultura e história, sendo a maioria, fluente, além do Português, em mais três idiomas: Espanhol, Inglês e Francês. Para fazer parte do curso de diplomacia, um dos mais disputados no Brasil, os candidatos precisam passar uma séria de exames do concurso de admissão à carreira de diplomata. Este concurso exige o máximo de conhecimento de Direito Internacional, Letras, Geografia, História, Economia, Política e Relações Exteriores dos candidatos e é considerado um dos mais difíceis no Brasil.

O Brasil já teve grandes diplomatas no passado. O maior exemplo deles foi definitivamente Osvaldo Aranha. Aranha ganhou visibilidade nacional durante o Governo de Getúlio Vargas, após ter sido Ministro da Justiça e Ministro da Fazenda na década de 30. Aceitou a função de Embaixador Brasileiro em Washington e se tornou amigo pessoal do presidente Roosevelt, conquistando o respeito Americano ao aproximar o Brasil dos Estados Unidos e importando ao Brasil o molde democrático Estadunidense. Porém, foi durante o Estado Novo de 1937, que Aranha iniciou seus atritos com Getúlio Vargas por discordar do distanciamento diplomático com os Estados Unidos e um aproximamento ao regime Nazista da Alemanha.

Foi durante o conturbado período da Segunda Guerra mundial, e em episódios como o retorno de Olga Benário Prestes aos campos de concentração Alemães, que levaram Aranha à realizar uma verdadeira reforma no Itamaraty, desvinculando a diplomacia Brasileira da política interna de Getúlio Vargas e ganhando uma certa independência na esfera internacional. Nascia, então, o tubarão Brasileiro das relações externas.

Aranha teve enorme projeção internacional por articular países da América Latina, na ala Pan-Americanista, contra regimes ditatoriais militaristas, como aquele fomentado por Eurico Gaspar Dutra, e contra a aproximação da América do Sul com países do Eixo. Aranha ainda teria tido papel importantíssimo na criação do Estado de Israel, presidindo a Assembléia da ONU que declarou em resolução histórica a partilha da Palestina em um Estado Judeu e outro Estado Árabe. Foi devido à esta gigantesca atitude diplomática que Aranha, até hoje, é lembrado pelos Judeus de todo o Mundo, recebendo homenagens em cerimônias internacionais e fornecendo seu nome à Praças e Ruas em Israel.

Porém, o tempo passou e este tubarão diplomático perdeu forças. A diplomacia Brasileira dos últimos anos não é nem de longe semelhante a grandeza de Aranha, e tão pouco desvincula-se do ideologismo político partidário dos atuais Governantes Brasileiros. A diplomacia Brasileira foi transformada da neutralidade, imparcialidade e equabilidade, em veículo ideologista político-partidário e ferramenta populista.

O Brasil vem se comportando estranhamente no palco internacional dos últimos anos. Apoiou, por diversas vezes, o Chavismo na Venezuela, e faz-se de surdo, cego e mudo, ao aprisionamento de opositores do atual regime de Maduro. Se silenciou perante as intervenções do Putin na Crimea Ucraniana, do massacre civil de Assad na Síria e do genocídio étnico em Dafur, Sudão. Ainda apertou as mãos de Ahmadinejad, do Irã, em plena corrida nuclear armamentista. Não fosse suficiente o vexame internacional, o Brasil acaba de manchar sua histórica relação diplomática com Israel, em uma série de atitudes que faria Aranha revirar-se revoltoso em seu descanso eterno.

Como o Itamaraty petista é…

Primeiramente, o Itamaraty publicou uma nota de condenação à Israel por utilização desproporcional de força em Gaza, sem sequer mencionar as práticas terroristas do Hamas. Em sequência a esta atitude desastrosa, o Governo Brasileiro chamou o Embaixador do Brasil em Israel, Sr. Henrique da Silveira Sardinha, de volta à Brasília, em uma atitude clara de protesto. Por fim, o Sr. Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais da Dilma, pronunciou, publicamente, que Israel comete um genocídio do povo Palestino, sendo, ironicamente, corrigido pela presidente Dilma – onde genocídio foi substituído por massacre.

O Itamaraty ignorou que uma guerra tem dois lados, que Israel enfrenta um grupo radical islâmico armado chamado Hamas em Gaza, e que por consequência de uma guerra urbana, vítimas civis são inevitáveis. Falhou em observar que a ONU está ainda em fase de investigação de crimes de guerra e precipitou-se em sua nota condenatória, mostrando forte influência político-partidária em sua decisão. Por fim, foi contra a constituição Brasileira, onde a defesa da igualdade entre estados, a condenação de práticas terroristas e a imparcialidade em conflitos internacionais deveria ser posicionada e mantida em notas diplomáticas.

O Governo Brasileiro, ao chamar o Embaixador Brasileiro em Israel de volta à Brasília, mostrou sua total despreparação geopolítica, adicionando mais material à problemática situação entre Israel e Hamas e se distanciando de conversação por solução pacífica do conflito. Ainda, colocou em xeque a relação diplomática com a única democracia do Oriente Médio. Não fosse suficiente, faltou ao Governo Brasileiro o respeito e a preocupação com as milhares de vidas de Brasileiros que residem em Israel e estão sob alvo constante de foguetes atirados pelo Hamas.

Por fim, o genocídio de Marco Aurélio Garcia é um verdadeiro homicídio semântico, histórico e matemático. A definição de genocídio é o extermínio total ou parcial de uma raça, população ou grupo étnico. O termo ficou historicamente popularizado depois da segunda guerra mundial onde 6 milhões de Judeus foram brutalmente assassinados pelo regime nazista. Além do mais, a população Palestina em Gaza mais que dobro nos últimos 20 anos, crescendo de 900,000 habitantes na década de noventa, para 1.8 milhão de habitantes em 2014.

A postura do Itamaraty, do Governo Brasileiro e de sua assessoria de assuntos internacionais, vergonhosamente mostram ao mundo o despreparo diplomático, a ignorância geopolítica, o ideologismo político-partidário e a destruição da diplomacia Brasileira. A política de relações externas Brasileira se transformou em uma verdadeira sardinha, que se não bastasse a irrelevância de suas atitudes diplomáticas dos últimos anos e seu silêncio catastrófico em observar por vítimas de regimes autoritários e populistas, ainda coloca o Brasil no eixo de países sem nenhum respeito internacional por seus regimes autócratas, como Bolívia, Venezuela, Cuba, Síria e Irã.

Tags: Daniel RabettiItamaratyMarco Aurélio GarciaOsvaldo Aranha

Tags:
Fonte:
Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

0 comentário