Lucro dos bancos cresceu mais de 30%: o governo das elites!

Publicado em 06/08/2014 22:17 e atualizado em 09/10/2014 14:53 1492 exibições
nos blogs de Rodrigo Constantino e Augusto Nunes, de veja.com.br + Editoriais de O estado de S. Paulo

EconomiaInflação

Lucro dos bancos cresceu mais de 30%: o governo das elites!

Roberto Setúbal, do Itaú

Não está fácil para ninguém. O leitor não está sozinho em suas angústias. A cada ida ao supermercado, aquele espanto! Preços cada vez maiores para tudo. E ainda vem aumento de tarifa de energia elétrica de uns 25% aí!

O pequeno empresário, então, não aguenta mais tanta burocracia, tantos impostos, e uma mão de obra pouco qualificada, mas repleta de “direitos trabalhistas”.

O profissional liberal que atua dentro da legalidade precisa enfrentar um calvário para ver se sobra algum trocado no final do mês, após tantas dentadas do leão. As indústrias sofrem cada vez mais, e a produção de automóvel chegou a cair 20% no ano.

Mas se está complicado para quase tudo mundo, há exceções. Os políticos, claro. Pouco trabalham, mas recebem em dia seus polpudos salários, fora inúmeras outras regalias. Os sindicalistas também não têm do que reclamar: o governo do PT é uma mãe para eles, à custa do trabalhador. Os vagabundos e criminosos, dos tais “movimentos sociais”, nunca tiveram um ambiente tão favorável, pois agem com impunidade e ainda recebem verbas oficiais do governo. E os banqueiros…

Bem, o lucro dos bancos sobe sem parar. O Itaú Unibanco lucrou quase R$ 5 bilhões só no primeiro semestre desse ano, um aumento perto de 40% contra o ano anterior! O resultado se repete nos demais casos do setor:

Imunes até agora ao ambiente macroeconômico mais desfavorável a seus negócios, os três maiores bancos privados do país – Itaú Unibanco, Bradesco e Santander – lucraram R$ 9,2 bilhões no segundo trimestre deste ano, valor 30,9% maior na comparação com igual período de 2013. Em relação ao período de janeiro a março, a alta foi de 9,8%.

Não me entendam mal: sou um capitalista ferrenho, defensor do direito legítimo ao lucro, inclusive dos bancos, que exercem uma função social importante, como canalizar recursos de poupadores para investidores, entre outras coisas. Condeno, isso sim, o maior banqueiro de todos, o estado, pois seu critério de decisão é político, não econômico. Mas os bancos têm mais é que lucrar mesmo!

Só não dá para aturar o PT, depois, falando em governo para os trabalhadores e criticando as tais “elites” o tempo todo. Ora, quer mais elite do que grandes banqueiros? A família Setúbal e a família Moreira Salles são de proletários, por acaso? Esses, no entanto, não estão chorando ou sofrendo como tantos outros da classe média sob o PT.

Ao contrário: o presidente do Santander, amigo de Lula, chegou a demitir uma analista que ousou constatar um fato, qual seja, a correlação entre pesquisa eleitoral e Bolsa, pois não quis se indispor com a presidente Dilma. A analista se deu mal, já o banqueiro…

O PT, com seu “capitalismo de estado”, com sua seleção de “campeões nacionais”, com seu nacional-desenvolvimentismo, com suas medidas intervencionistas equivocadas, com sua estagflação, puniu sobremaneira a classe média brasileira. Mas tudo bem: o lucro dos grandes bancos aumentou mais de 30% no ano. Então está tudo ótimo!

Rodrigo Constantino

 

Direto ao Ponto

Se reprisar num debate na TV o palavrório sem pé nem cabeça sobre a CPI dos Farsantes, a mulher que fala dilmês vai abreviar o naufrágio do barco sem rumo

Encerrada a sabatina promovida nesta quarta-feira pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a programação foi em frente com a sequência de cinco perguntas a Dilma Rousseff formuladas por jornalistas escolhidos por sorteio. A presidente pareceu pouco à vontade com a primeira, que tratou de questões econômicas. Pareceu mais tranquila com as três seguintes, que versaram sobre assuntos agrícolas. A quinta e última quis saber o que tinha a dizer a entrevistada sobre o envolvimento de servidores do Palácio do Planalto na trama forjada para reduzir a CPI da Petrobras a uma ação entre comparsas infiltrados no Congresso e no governo.

Antes que a pergunta chegasse ao fim, a fisionomia de Dilma avisou que o copo até aqui de cólera começara a transbordar. O palavrório reproduzido pelo site de VEJA permite contemplar a erupção retórica que sacudiu a cabeça que preside o país há mais de três anos e meio. Em poucos segundos, o neurônio solitário enriqueceu a paisagem do Brasil Maravilha com outro monumento à maluquice construído apenas com vogais e consoantes. Confira:

“Vou te falar uma coisa. Acho extraordinário. Primeiro porque o Palácio do Planalto não é expert em petróleo e gás. O expert em petróleo e gás é a Petrobras. Eu queria saber se você pode me informar quem elabora perguntas sobre petróleo e gás para a oposição também. Muito obrigada. Não é o Palácio do Planalto nem nenhuma sede de nenhum partido. Quem sabe das perguntas sobre petróleo e gás só tem um lugar. Pergunta só tem um lugar no Brasil. Eu diria vários lugares no Brasil: a Petrobras e todas as empresas de petróleo e gás.  Você sabe que há uma simetria de informação entre nós, mortais, e o setor de petróleo. É um setor altamente oligopolizado, extremamente complexo tecnicamente. Acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”.

Reveja sem pressa a catarata de frases sem pé nem cabeça. É inútil chamar o intérprete: o dilmês primitivo não tem tradução em língua de gente. É inútil chamar o psiquiatra: cérebro baldio não tem conserto. Tampouco adianta chamar o marqueteiro: nem o maior dos tribunos poderá decorar o que será dito necessariamente de improviso. É impossível, portanto, impedir que Dilma Rousseff protagonize derrapagens semelhantes à ocorrida há poucas horas.

Imagine a presidente, no meio do debate na TV, reincidindo num falatório tão alucinado quanto o produzido neste 6 de agosto. Em vez de comentar por 1 minuto o que acabou de ouvir, como estabelecem as regras dos duelos do gênero, o adversário da candidata ao segundo mandato deve confessar que não entendeu nada, doar os 60 segundos à  adversária e pedir-lhe que use esse tempo para tentar explicar o que quis dizer. Isso bastará para consumar o naufrágio do barco pilotado por uma navegante sem rumo.

 

O País quer Saber

“Que que é (sic) R$ 10 mil?”, perguntou Dilma. A coluna responde

Durante a sabatina da Folha realizada há uma semana, um dos entrevistadores perguntou a Dilma Rousseff por que guardava em casa 152 mil reais em dinheiro vivo. A resposta em dilmês arcaico adensou o mistério. Outro jornalista ponderou que, se depositasse a bolada numa caderneta de poupança, lucraria perto de 10 mil reais em um ano: “Que que é (sic) R$ 10 mil?”, quis saber a presidente, sempre impiedosa também com plurais .

Não são pouca coisa, atestam dados fornecidos pela Caixa Econômica Federal. Em maio deste ano, dos 51,6 milhões de clientes que possuem caderneta de poupança, as aplicações de 45,7 milhões (88,5% do total) eram inferiores a  R$ 10 mil.

A quantia equivale a 28 cestas básicas, ao valor pago anualmente a 11 beneficiários do Bolsa Família ou a 5 ingressos da categoria 1 para a final da Copa do Mundo, vendidos a R$ 1.980 cada um. Dividido em 12 parcelas de R$ 833, a fatia mensal da soma desdenhada por Dilma ultrapassa o salário mínimo em R$ 109.

Segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal, são considerados pobres os brasileiros com renda familiar per capita até R$162 mensais. A classe média começa em R$ 441 e termina em R$ 2.480. A partir daí existe o que os técnicos chamam de “classe alta”, o povo qualifica de “ricos” e o PT batizou de “elite branca”.

Adicionando o salário mensal de R$ 26.700 aos R$ 152 mil que guarda embaixo do colchão, Dilma Rousseff tem cacife de sobra para alojar-se nessa tribo que reúne apenas 1% dos brasileiros. Os outros 99% sabem exatamente o que são R$ 10 mil.

Tags: classe altaclasse médiaDilma RousseffR$ 10 mil

 

EconomiaInflação

Se o presidente do BC acha que estamos longe da estagflação, o que seria perto?

Tombini e Mantega: que dupla!

Um dos mecanismos de fuga psicológica mais comuns é a “negação”. O sujeito tem o diagnóstico claro de uma doença à sua frente, mas repete insistentemente que está tudo bem diante de um espelho, na esperança de que o diagnóstico mude se simplesmente for ignorado. O pai tem o filho dando todos os indícios de vício em drogas, mas repete para si mesmo que é apenas uma fase de transtorno absolutamente normal. E por aí vai.

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central do Brasil, resolveu adotar essa estratégia. Negou, ao menos para os outros, a doença que ajudou a produzir no país: a estagflação. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Tombini negou a tese de que o país se encontra em estado de estagflação, ao ser questionado pelo senanor Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

“Que crise é esta que falam, quando o país tem a menor taxa de desemprego da história?”, perguntou o presidente do BC. Em seguida, afirmou que estamos longe de um quadro de estagflação. Longe? Com crescimento esperado abaixo de 1% para esse ano e uma inflação oficial perto do teto da elevada meta, de 6,5%? Isso seria longe?

Tenho calafrios ao pensar o que o presidente do BC, instituição cuja única missão é justamente preservar o valor da moeda nacional, consideraria perto de uma estagflação. Talvez uma recessão e uma inflação de 10%? Ele disse que nossa inflação está totalmente sob controle, isso com um IPCA acima de 6,5% e com vários preços represados pelo governo! Como escreveu Miriam Leitão:

Um presidente do BC que olhe o quadro atual da inflação tem de ficar preocupado. Em toda a administração de Tombini a inflação esteve em torno de 6%, desconsiderando o escrito nas comunicações da autoridade monetária de que o indicador convergiria para o centro de 4,5% no futuro.

O quadro é de inflação alta e crescimento modesto, abaixo de 1%. No Senado, o próprio Tombini admitiu essa fraqueza do PIB em 2014, mas em seguida questionou o termo estagflação. É algo desconfortável para um BC. 

Sim, é algo desconfortável. Como é desconfortável um doente assumir sua doença, ou um pai encarar o vício do filho. Mas a alternativa ao desconforto é fingir que o problema sequer existe. Essa é a postura dos covardes. Que a covardia de Tombini seja fruto de interesses políticos apenas agrava o quadro, pois espera-se de um presidente de um banco central a coragem para ir contra o populismo do governo.

A estagflação é, hoje, uma realidade cada vez mais evidente. Ao observar a negação das principais autoridades envolvidas na criação do monstro, só podemos concluir que a situação irá se deteriorar e muito, caso essa equipe continue no poder. Com recessão e inflação perto de 10%, acho que nem mesmo o Tombini teria a cara de pau de rechaçar a “proximidade” do fantasma da estagflação…

Rodrigo Constantino

 

EconomiaPolítica Fiscal

Carta ao Povo Brasileiro – Movimento Brasil Eficiente

Gasto Público imagem

Movimento Brasil Eficiente(MBE), liderado pelo Instituto Atlântico, de Paulo Rabello de Castro, tem feito um ótimo trabalho na luta pela redução e simplificação dos impostos no Brasil. Estiveram presentes no Seminário “Simplificação Tributária e Gestão Pública Eficiente”, realizado pelo LIDE e MBE, Ives Gandra Martins e Merval Pereira, que mencionou o assunto em sua coluna de hoje, assim como os coordenadores de programa de governo Maurício Rands (Eduardo Campos) e Wilson Brumer (Aécio Neves). O MBE divulgou a seguinte nota:

Carta ao Povo Brasileiro

Brasil, agosto de 2014

Sr.(a) Governante:

Quem aqui se manifesta é o coletivo que chamamos de Brasil. Nossa voz aprendeu a reconhecer, a respeitar e a defender a terra onde escrevemos nossa história e a transmitimos à geração seguinte. Esse é o Brasil que fala agora ao Governante. 

Dessa vez é o povo que manda o recado. Um recado mais do que necessário, porque o velho monólogo dos marqueteiros do governo, soprando crenças no ouvido do povo, não funciona mais. O povo que lê e escreve nas redes sociais não precisa de intérpretes de pensamento. O governante que queremos é aquele que vai governar com o povo. O governante moderno aprende porque escuta, em seguida planeja suas ações e as executa como combinado. Governo sem plano é desgoverno.

Chegamos ao ponto-limite. Brasília virou uma fantasia bilionária, de fato trilionária, cercada de desperdícios e ineficiências. O poder que manipula trilhões de reais nos orçamentos públicos ainda tem a petulância de afirmar ao povo que “faltam recursos”. Não! Recursos abundam. Fizemos, nas ruas, essa denúncia, em junho de 2013. O recado deveria ter sido suficiente, mas caiu no vazio. 

Nesta Carta, retomamos a luta de Tiradentes, nosso maior manifestante civil: não aceitamos mais carregar no lombo um governo que aplica uma tributação impiedosa sobre o bolso do contribuinte indefeso. O empresário, que poderia estar gerando empregos, virou um proletário do governo. Este está sempre cobrando sua fatia na frente; não espera nem o lucro acontecer. E o povo continua carregando uma das cargas tributárias mais onerosas do planeta: trabalha até a metade do ano só para sustentar o governo e os governantes.

O povo brasileiro quer treinamento e trabalho. Quer aposentadorias e pensões compatíveis com os aportes que faz ao longo da vida. O povo brasileiro não precisa de salvadores; precisa mesmo é de gestão séria e confiável, rotativa e verificável, em todos os níveis de governo. 

Chega de burocracia e de roubar descaradamente o tempo e a saúde do povo nas filas do atendimento médico e nas paradas de ônibus; ou queimar o futuro dos jovens com classes sem bons professores, com a falta de um computador por aluno. Esta Carta marca um ponto de virada. O povo brasileiro só precisa de condições e ambiente adequado para trabalhar, para empreender seus negócios, para desenvolver sua pesquisa, se educar e cuidar do ambiente.

Perdas são pedagógicas. Perdemos, um dia, a democracia, para aprendermos a não perdê-la nunca mais; com a inflação, perdemos o sentido e o valor do dinheiro para, hoje, darmos todo o valor à moeda estável. Temos perdido tempo e energia demais com governos que governam mal e nos custam cada vez mais caro. Nossa paciência não tem o tamanho da vida inteira. O povo brasileiro exige ser senhor do seu tempo. Para o Brasil se projetar como líder em sua região e como um exemplo de nação próspera, moderna e justa, perante o mundo.

Queremos de volta a ordem no governo, para termos de volta o progresso, que perdemos.

Rodrigo Constantino

 

‘Para ocultar a podridão’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta terça-feira

Só pode ter uma causa a farsa armada pelo governo, o PT e a Petrobrás na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o escândalo da compra da Refinaria de Pasadena, em curso no Senado – a seleção sob medida e o repasse antecipado das questões a cair nas sabatinas a que se submeteriam figurões da estatal, como revelou a revista Veja -: a ânsia de calafetar até a mais microscópica das frestas do caso para que permaneçam nas sombras as dimensões do pântano profundo que recobre os subterrâneos da transação.

Segundo o transcrito de uma conversa de 20 minutos filmada a que a publicação teve acesso, o chefe do escritório da Petrobrás em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, comentou com o advogado da empresa, Bruno Ferreira, e um terceiro interlocutor não identificado que o assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Paulo Argenta; o assessor da liderança do governo no Senado, Marco Rogério de Souza; e o assessor da liderança do PT na Casa, Carlos Hetzel, foram os autores das perguntas previamente encaminhadas à presidente da petroleira, Graça Foster, ao seu antecessor Sérgio Gabrielli e ao ex-diretor Nestor Cerveró, para que combinassem as respostas a fim de não cair em contradição. Eles depuseram na CPI entre os dias 20 e 27 de maio.

» Clique para continuar lendo

Tags: BrasilCPI da Petrobrasfraudeperguntas marcadasPT

 

Cepal mostra Brasil estagnado

O ESTADO DE S.PAULO

Com expansão prevista de 1,4%, o Brasil perderá mais uma vez a corrida do crescimento, neste ano, para a maior parte dos latino-americanos, segundo os novos cálculos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Para toda a região, ficou em 2,2% o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2014. Em abril, a projeção ainda estava em 2,7%. O pessimismo denunciado com insistência pela presidente Dilma Rousseff parece haver-se tornado uma epidemia. Já havia contaminado outras instituições multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), e continua a espalhar-se, mas com algumas limitações. Ainda há fortes apostas na recuperação dos Estados Unidos e da Europa, embora menos veloz do que se previa no ano passado. Além disso, a China, apesar de alguma desaceleração, ainda deverá crescer uns 7,5% neste ano, segundo as estimativas correntes.

Outra qualificação importante envolve a América Latina: num quadro geral menos brilhante que o dos últimos anos, o Brasil se distingue como um dos países com piores perspectivas de crescimento. O governo brasileiro já contestou o FMI, quando suas novas projeções, divulgadas em julho, reduziram de 1,9% para 1,3% a expansão esperada para o País.

A nova estimativa da Cepal é muito parecida com a do Fundo. Mas há outros detalhes desagradáveis nesse conjunto de previsões. Segundo as contas cepalinas, o dinamismo brasileiro só deve ser maior, neste ano, que o da Argentina (expansão de 0,2%) e o da Venezuela (contração de 0,5%). Mas será tão bom como o de Cuba, com crescimento igualmente estimado de 1,4%. A coincidência pode ser acidental, mas nem por isso menos notável: a convergência no mau desempenho parece acompanhar as alianças políticas, afinidades ideológicas e parentesco de concepções diplomáticas.

O novo relatório da Cepal assemelha-se aos últimos estudos do FMI também no diagnóstico das condições de crescimento. Os problemas externos explicam apenas em parte as dificuldades da América Latina. A maior parte dos obstáculos é de origem interna. Os latino-americanos, como outros emergentes, perderam potencial de crescimento, depois de alguns anos de muito dinamismo. Essa explicação é geralmente válida, mas é preciso levar em conta diferentes condições.

Em muitos países o potencial de crescimento está próximo de 3% ao ano ou abaixo desse nível. Esse grupo inclui a maior parte dos centro-americanos e algumas das maiores economias da América Latina, incluídas a mexicana e a brasileira, além, naturalmente, da venezuelana. O potencial do Chile continua acima de 3%, mas com tendência de baixa. Outro grupo, muito dinâmico nos últimos anos, mantém a capacidade de crescer mais que 4% ao ano por um tempo razoável: Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.

Nem todos, mas vários desses países têm exibido taxas de inflação inferiores às do Brasil. Em alguns, a geração de emprego tem sido inferior à observada no Brasil, mas os números ficam muito próximos quando se consideram os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), muito mais amplos que os da pesquisa mensal divulgada pelo IBGE e realizada em apenas seis áreas metropolitanas. A Pnad cobre cerca de 3.500 municípios.

A receita para o crescimento pode variar nos detalhes, mas algumas recomendações são aplicáveis a todos os latino-americanos. É preciso investir mais em infraestrutura, cuidar mais da formação de mão de obra e, de modo geral, cuidar das condições de produtividade. A diversificação da pauta de exportações tem aparecido há anos como um componente óbvio do receituário. A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda podem continuar rejeitando as projeções econômicas e contestando os diagnósticos. Têm feito isso há algum tempo e os resultados, a começar pelos divulgados p0r fontes oficiais, invariavelmente indicam baixo crescimento e inflação alta. Mudar a política econômica daria mais certo.

Tags:
Fonte:
Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

0 comentário