Regalia presidencial: a bancada do “Jornal Nacional” vai até Dilma em Brasília

Publicado em 12/08/2014 19:14 e atualizado em 09/10/2014 16:31 4146 exibições
nos blogs de Lauro Jardim e Rodrigo Constantino, de veja.com.br

Regalia presidencial: a bancada do “Jornal Nacional” vai até Dilma em Brasília

Dilma no JN, nos tempos em que era só candidata

Dilma no JN, quando era apenas candidata

A entrevista de Dilma Rousseff ao Jornal Nacional, hoje à noite, terá um cenário diferente do oferecido a Aécio Neves, Eduardo Campos e pastor Everaldo.

Dilma vai jogar em casa: William Bonner e Patrícia Poeta irão ao Palácio da Alvorada, residência oficial da presidente em Brasília, e lá farão as perguntas.

Os dois apresentadores titulares só vão participar do JN durante o bloco da entrevista com Dilma, enquanto a bancada do telejornal fica aos cuidados de Heraldo Pereira.

JN repete, assim, o que fez com Lula em 2006, quando o ex-presidente disputou a reeleição.

Por Lauro Jardim

 

Televisão

Repercussão colossal

Aécio: na bancada

Aécio: na bancada

A entrevista ao Jornal Nacional ainda é um dos momentos mais importantes da campanha. Mas já foi mais. A entrevista de Aécio Neves de doze minutos ontem ao JN registrou vinte pontos, de acordo com números prévios do Ibope para a Grande São Paulo.

Há quatro anos, a entrevista de José Serra, nas mesmas condições, rendeu 32 pontos. Em 2006, a audiência do candidato tucano à presidência, Geraldo Alckmim foi de 49%.

Ainda assim, ressalte-se, é uma aparição que repercute nas redes sociais mais do que qualquer ato de campanha. E qualquer escorregada de um candidato pode fazer um estrago monstro para sua campanha. Neste sentido, Aécio passou no teste.

(Atualização, às 13h23: no resultado consolidado do Ibope, a audiência subiu. Deu 23 pontos na Grande São Paulo. No Rio de Janeiro, a entrevista registrou 30 pontos)

Por Lauro Jardim

 

Eleições 2014

Prós e contras

Bonner: considerado agressivo pelos tucanos

Bonner: considerado agressivo pelos tucanos

O tracking encomendado pelo PSDB foi motivo de festa ontem entre os tucanos. Cerca de 78% dos ouvidos para a pesquisa por telefone aprovaram o desempenho de Aécio Neves na entrevista do Jornal Nacional.

O que não agradou nada a cúpula do PSDB foi a conduta – corretíssima, ressalte-se – de William Bonner. Consideram que Bonner foi agressivo demais na condução da entrevista. A reclamação é geral no ninho tucano.

Por Lauro Jardim

 

Eleições 2014

O ibope de Eduardo Campos no “JN”

Campos: ontem foi a vez dele

Campos: ontem foi a vez dele

A entrevista de Eduardo Campos no Jornal Nacional de ontem registrou 21 pontos de audiência na Grande São Paulo, de acordo com números prévios do Ibope. A de Aécio Neves alcançou 23 pontos.

Por Lauro Jardim

 

Em veja.com: Na bancada do JN, Campos tenta explicar contradições 

Candidato do PSB à Presidência foi questionado sobre nomeações no tribunal de contas de Pernambuco, a indicação da mãe para o TCU e as posições antagônicas do seu partido com as de sua vice, Marina Silva

O candidato a Presidência, Eduardo Campos (PSB), durante entrevista ao Jornal Nacional

O candidato a Presidência, Eduardo Campos (PSB), durante entrevista ao Jornal Nacional (Reprodução/TV Globo/VEJA)

Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, o candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, teve de explicar as contradições que pontuam sua trajetória política – inclusive a aliança com sua vice, Marina Silva. Ex-governador de Pernambuco, ele foi questionado sobre indicações feitas ao Tribunal de Contas do Estado e sobre o empenho para emplacar sua mãe, a ex-deputada Ana Arraes, numa vaga de ministra do Tribunal de Contas da União (TCU). "Se a nomeação fosse minha, se dependesse da minha nomeação, seria nepotismo, mas eu fui o primeiro governador a criar a Lei Antinepotismo em Pernambuco", disse. Campos se defendeu ainda dizendo que o apoio à candidatura da mãe foi semelhante ao que seria feito se qualquer outro parlamentar de seu partido concorresse a uma vaga no tribunal. "Eu nem votei, eu simplesmente torci."

Já sobre as indicações para o TCE de Pernambuco, Campos teve um pouco mais de dificuldade: disse que um dos primos de sua mulher, Renata, foi escolhido pela Assembleia Legislativa do Estado e que apenas um deles foi nomeado pelo Executivo quando ele governava o Estado. Ainda sim, Campos defendeu as indicações e disse que os dois tinham as qualidades necessárias e nenhum impeditivo legal para a nomeação.

Aliado de Lula e Dilma até o ano passado, o pernambucano teve ainda de responder se sua saída da base aliada do governo não fora motivada pela "ambição" pessoal. "Não se trata de ambição, mas de direito, o que é comum numa democracia", respondeu. Ele disse que a ruptura com o PT começou nas eleições municipais em 2012, quando o PSB disputou prefeituras com candidatos petistas, inclusive no Recife.

Ao candidato coube ainda explicar se a aliança com Marina Silva não poderia confundir o eleitor. Quando ministra de Meio Ambiente, ela criticou veementemente a criação do Código Florestal, amplamente aprovado pelo PSB. Para se defender, Campos disse que houve um 'racha' em seu partido, e que ele foi um dos dois parlamentares da sigla a votar contra o Código. "Marina não tem nada contra agronegócio e nem contra a indústria. O que ela defende, e eu também, é o que a sociedade quer ver: um desenvolvimento com respeito ao meio ambiente e com inclusão", se defendeu.

Economia — Campos voltou a criticar a gestão econômica da presidente Dilma Rousseff. "A pior coisa é ficar escondendo os problemas. Se nós estamos com problemas na questão da energia, não seria melhor dizer que choveu menos e que investimos menos do que deveria?", indagou. O candidato voltou a fazer analogia da situação econômica com a derrota do Brasil para a Alemanha na Copa. "Este ano já está sendo difícil, nós teremos crescimento de menos 1%. O Brasil perdeu de 7 a 1 no campo e está perdendo fora também", disse, comparando o placar do jogo com a estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) de menos de 1% e de inflação encostando em 7%.

Em entrevista, Dilma se irrita de novo: 'Ai meu Deus'

A presidente Dilma Rousseff concede entrevista

A presidente Dilma Rousseff concede entrevista (Paulo Whitaker/Reuters)

Na entrevista que concedeu nesta segunda-feira a jornalistas do grupo RBS, no Palácio da Alvorada, a presidente Dilma Rousseff foi cobrada por obras que não andaram como deveriam. É o caso da BR-470 entre Blumenau e Itajaí, que não tem sequer um quilômetro de asfalto pronto. A presidente tentou compensar citando empreendimentos federais realizados em Santa Catarina. Mas se atrapalhou, perdeu a paciência e distribuiu dois dos vocativos que usa quando está irritada: "Minha filha" e "Querido". Na entrevista, Dilma argumenta: "Tem várias obras que nós concluímos. Eu queria destacar, por exemplo: nós investimos nos três portos de Santa Catarina. São Francisco, Itajaí e... Ai meu Deus. São Francisco, Itajaí ...". Moacir Pereira, um dos entrevistadores, tentou ajudar a presidente, mas foi rechaçado. "Não, minha filha (?), só um pouquinho. São Francisco, Itajaí... Qual o terceiro porto?". O jornalista continuava tentando ajudar, sem sucesso. Seria o Porto de Navegantes? "Não, querido. Não, não...", disse a presidente. Dilma, então, desistiu: "Bom, nós não vamos lembrar. Eu vou lembrar, ao longo do programa eu lembro da ponte". Mas Moacir recordou-se do nome (do porto, e não da ponte): Imbituba. Acabou ouvindo outra "bronca" da presidente pela demora: "E você é de Santa Catarina. Eu até estou bem, porque lembrei". Ouça o trecho da entrevista abaixo. (Gabriel Castro, de Brasília)

Leia também: Dilma se irrita (e se enrola) ao explicar relação do Planalto com farsa da CPI

 

Eleições 2014

Juntos pela primeira vez

dilma e lula

Juntos à beira do São Francisco

Dentro da campanha de Dilma Rousseff o primeiro ato público da presidente com Lula está sendo tratado com especial cuidado. Tem que ser retumbante a aparição conjunta.

Será no sábado à beira do Rio São Francisco, nas (intermináveis) obras da transposição, iniciadas no governo Lula e que serão concluídas sabe-se lá quando.

Será gravado com esmero pela equipe de João Santana para o programa de TV. Pelo menos por agora, não estão previstos eventos públicos dos dois nas grandes cidades brasileiras.

Por Lauro Jardim

 

Eleições 2014

Catequizando a militância

Dilma e Lula: comparações

Dilma e Lula: comparações

O PT começou a elaborar suas teses para subsidiar o discurso da militância. A Escola Nacional de Formação do partido publicou um texto no Facebook e em seu site para catequizar seus filiados.

A fragilidade de Dilma Rousseff como gestora fica aparente. O material refere-se sempre ao governo PT, unindo Dilma e Lula. Não por acaso. Até os doutores da escola sabem o risco de se analisar os últimos quatro anos isoladamente.

O texto propala as vitórias da administração petista, acompanhadas de uma série de devaneios. Ao final, a turma joga FHC e Fernando Collor no mesmo saco e enumera, em comparação às gestões Dilma e Lula.

Diz que Collor e FHC dirigiram o País com “ajuste fiscal, beneficiando o mercado financeiro e provocando a concentração de renda e o aumento do desemprego e da pobreza”.

Vai adiante falando em subordinação aos interessas dos EUA, criminalização dos movimentos sociais e interdição do debate sobre o desenvolvimento.

Quem publica no Facebook escreve o que quiser. Ninguém apontou o crescimento pífio, a escalada da inflação e a economia cambaleante do governo Dilma, entre outros micos do presente e do passado recente.

A fantasia chega a tal ponto que, ignorando os gargalos de infraestrutura e a crise de energia, o PT afirma que Lula e Dilma orientaram políticas que contribuíram para a redução das desigualdades, com “produção de energia, infraestrutura (…) e políticas industrial, naval e aeroespacial”.

Por Lauro Jardim

 

DemocraciaEconomiaInstituiçõesProtecionismo

“O Brasil não pode continuar atrelado ao atraso”, diz Rubens Barbosa

Chávez, agora “cidadão ilustre” do fracassado Mercosul bolivariano

A política externa do PT virou uma piada de mau gosto. O leitor pode achar que isso não tem tanta importância, mas estaria redondamente enganado. As trapalhadas ideológicas de nossa diplomacia têm causado enorme estrago em nossa economia, o que se traduz em menos riqueza e empregos no fim do dia. A partidarização do Itamaraty, portanto, é da maior importância para o brasileiro médio, mesmo que ele não tenha a menor paciência para as notícias ligadas ao tema.

Em sua coluna de hoje, Rubens Barbosa mostra, com alguns exemplos bem recentes, como o Mercosul se transformou em um palco de bravatas dos bolivarianos, sem nenhuma preocupação legítima com o impacto de suas medidas na economia dos respectivos países membros. Hugo Chávez e Nestor Kirchner, por exemplo, foram declarados cidadãos ilustres do Mercosul, uma decisão realmente crucial para o avanço de nossas economias.

Por outro lado, nada sobre acordos bilaterais de livre c0mércio, que poderiam efetivamente ajudar bastante na criação de empregos e riqueza. O Brasil tinha levado uma proposta para antecipar a formação de área de livre comércio com a Colômbia e o Peru que sequer chegou a ser examinada, mostrando a fraqueza do nosso país dentro do bloco que, supostamente, deveria liderar. Barbosa conclui:

Olhando apenas para o estrito interesse brasileiro, a política passiva e reativa em relação ao grupo regional tem de ser revista. A redução da influência ideológica nas decisões e a flexibilização de algumas regras estão entre as mudanças que o Brasil deveria buscar a partir de 2015, com o objetivo de facilitar as negociações comerciais com países que possam ampliar o mercado para as exportações do grupo e permitir acesso a tecnologias e inovações para as empresas brasileiras. O Brasil não pode continuar atrelado ao atraso.

São palavras contundentes mesmo para o perfil moderado da diplomacia. O embaixador sabe do peso que elas têm, mas não pode se esquivar da dura realidade: sob o PT, o Itamaraty casou com o atraso, com o que há de pior mundo afora. E fez isso por questões ideológicas, abandonando qualquer resquício de foco no “interesse nacional”.

De forma ainda mais contundente disse a mesma coisa, em essência, o diplomata Paulo Roberto de Almeida em seu livro Nunca antes na diplomacia…, cujo prefácio é assinado justamente por Rubens Barbosa:

Ocorreu, de fato, como nunca antes na história do Itamaraty, uma ruptura com teses, orientações e métodos de trabalho que eram os seus desde provavelmente o início da diplomacia do Brasil independente, com a aceitação a priori de uma série de “teses” e de posturas fortemente comprometidas com a visão esquerdista – ou cubana – da política externa do Brasil.

Isso tudo precisa ser revertido urgentemente, ou vamos caminhar cada vez mais de mãos dadas com o que existe de mais atrasado no mundo. Rubens Barbosa, para quem não sabe, é assessor próximo de Aécio Neves…

Rodrigo Constantino

 

EconomiaInvestimentosSindicalismo

A palavra-chave é produtividade, e para isso precisamos de mão de obra qualificada

Um levantamento feito pela Folhacom base nos dados do Ministério do Trabalho mostra que as profissões de baixa formação educacional foram responsáveis por metade das vagas geradas no mercado formal de trabalho entre 2007 e 2013. Os novos empregos se deram basicamente em áreas menos sofisticadas, e isso fez com que a produtividade total do trabalho reduzisse o ritmo de expansão durante o governo Dilma, para míseros 1,7% ao ano.

Ou seja, há baixa taxa de desemprego, mas as vagas que foram criadas são pouco produtivas, o que ajudaria a explicar a estagnação econômica somada ao pleno emprego. Resta lembrar, ainda, que isso é medido apenas com base no mercado formal, e o desemprego é calculado com base em quem procura emprego e não acha, ou seja, todos aqueles da geração “nem-nem”, que nem estuda nem trabalha, e os que vivem de esmolas estatais e optaram por permanecer na informalidade para acumular salários não entram nas estatísticas.

Segundo cálculo do economista Naercio Menezes, do Insper, os salários com formação mais baixa subiram oito vezes mais do que os dos mais qualificados. A política de transferência de riqueza e salário mínimo do PT pode explicar parte disso, mas a questão que surge é: quão sustentável é isso? Se os salários aumentam sem elo com a produtividade, a economia não consegue ser competitiva, e o caminho é o desemprego à frente. Os trabalhadores menos produtivos são os que mais sofrem com a recessão, que já bate à porta.

O desafio é criar vagas em empregos mais nobres e qualificados. Mas isso demanda cursos especializantes, investimento em educação de melhor qualidade, atrelada às necessidades do mercado (a ideologia de esquerda em nossas universidades, especialmente as federais, impede isso), e uma economia mais competitiva em outras áreas, com uma infraestrutura decente, uma carga tributária menor, uma lei trabalhista mais flexível e um ambiente de negócios mais favorável.

Afinal, isso tornaria as empresas mais eficientes e competitivas vis-à-vis seus pares globais, permitindo o pagamento de melhores salários. Infelizmente, no Brasil muitos ainda acreditam que o aumento dos salários depende apenas de “vontade política”, de pressão sindical contra os patrões “exploradores”. Aí não tem jeito mesmo, pois não há milagre que faça o salário maior se sustentar sem a contrapartida na produtividade.

“Os que acharam que a vida ia ser para sempre uma festa agora tendem a ficar sem emprego. Meu conselho é: façam como o time da Alemanha, se preparem, se especializem”, diz Antonio Setin, presidente da construtora Setin. A baixa produtividade do trabalho é o grande calcanhar de Aquiles do país hoje, e mostra como a euforia recente com nossa economia foi injustificada.

Não é que os trabalhadores tenham ficado mais ricos porque aprenderam inglês e matemática, ou a mexer em máquinas modernas, a desenvolver tarefas mais especializadas; foi tudo calcado em transferência unilateral do governo, medida populista e insustentável. Agora está chegando a conta. Ou focamos nas reformas estruturais para aumentar nossa produtividade, ou haverá sofrimento e ranger de dentes em breve.

Rodrigo Constantino

 

Economia

Bilhões para a Eletrobras

Trabalho duro

Mantega: empréstimo autorizado

Agora, é oficial: Guido Mantega autorizou o empréstimo de 6,5 bilhões de reais à Eletrobras. De acordo com o governo, a dinheirama será “destinada à recomposição do capital de giro e programa de investimentos da Eletrobras”.

A Eletrobras terá oito anos para quitar o empréstimo, cujos juros anuais não são brincadeira.

Por Lauro Jardim

 

DemocraciaPolítica

Os jihadistas tupiniquins: agora que o jogo sujo vai começar mesmo

Aécio Neves, a esperança concreta de quem não suporta mais o PT

Atenção! Sei que o leitor típico deste blog é alguém atento aos acontecimentos políticos do país, e não será pego de surpresa. Mas ainda há muita gente que não se deu conta do perigo, que está apática, que prefere simplesmente ignorar a política e jogar todos no mesmo saco podre, como se iguais fossem. Terrível engano! Pregar que todos são igualmente ruins e divulgar o voto nulo ou branco é, hoje, fazer exatamente o jogo que o PT quer. É, indiretamente, votar no PT! Será algo bom para o país?

Em artigo publicado hoje no GLOBO, o historiador Marco Antonio Villa descreve com grande objetividade o que temos a perder com essa estratégia: nada menos do que a democracia, já bastante ameaçada pelo enorme aparelhamento da máquina estatal feito pelo PT. Esse clima de desinteresse é propício ao partido, e em boa parte se deve a ele, que não criou, mas banalizou a imoralidade na política.

O termo usado por Villa pode parecer um exagero, mas não é. A proximidade do alto escalão petista com ditadores e até terroristas mostra bem que não se trata de forçar a barra, e sim usar uma definição correta para essa turma que pretende usurpar nossa jovem democracia e se perpetuar no poder. São como jihadistas fanáticos, que cospem no legado ocidental republicano, que não ligam para valores que os demais julgam imprescindíveis. Diz Villa:

A desmoralização das instituições foi sistematicamente praticada pelo partido. A compra de maioria na Câmara dos Deputados, que deu origem ao processo do mensalão, foi apenas o primeiro passo. Tivemos a transformação do STF em um puxadinho do Palácio do Planalto. O Executivo virou um grande balcão de negócios e passou a ter controle dos outros dois poderes. Tudo isso foi realizado às claras, sem nenhum pudor.

Não há área do governo que nos últimos anos tenha permanecido ilesa frente à sanha petista. Todos os setores da administração pública foram tomados e aparelhados pelo partido. Os bancos, as empresas estatais e até as agências reguladoras se transformaram em correrias de transmissão dos seus interesses partidários.

A coisa tem piorado. O PT não se intimidou com os ataques institucionais. Ao contrário: percebeu que há pouca reação, e seguiu em frente. A Petrobras é prova disso. A farsa montada para sua CPI também. Como diz o autor, “Esta estrutura tentacular tem enorme dificuldade de conviver com a democracia, a alternância no governo e com o equilíbrio entre os poderes. A insistência em impor o projeto dos conselhos populares — uma espécie de sovietes dos trópicos — faz parte desta visão de mundo autoritária”.

Estado Democrático de Direito e PT não se bicam, não se misturam bem. E o PT usará todos os artifícios para derrotá-lo. Fará o “diabo”, como confessou a presidente Dilma. Qualquer coisa, menos abandonar o poder. Mexer em perfis de jornalistas independentes na Wikipedia, como diz Villa, é fichinha, é aquecimento. Essa gente é capaz de coisa muito pior. Seu exército de blogueiros virtuais fará o jogo sujo de sempre nas redes sociais, difamando, mentindo, enganando. E é preciso lembrar, como faz Villa, que o presidente do TSE é ninguém menos do que Dias Toffoli, uma espécie de soldado petista disfarçado de ministro.

Aécio Neves tem tido certa habilidade ao costurar uma oposição com palanques regionais, e em apresentar uma imagem alternativa de gestão mais competente. Mas ainda não empolgou o suficiente. E eis onde os que desejam derrotar o PT precisam ajudar mais. É preciso abandonar a ideia de perfeição em política, de candidato ideal. Precisamos jogar com as fichas existentes. Sou crítico ao PSDB, mas acho absurdo colocá-lo no mesmo balaio do PT. E Aécio, dentro do PSDB, parece ainda melhor do que os demais.

Para quem considera o PSDB muito à esquerda do que gostaria, há também como opção no primeiro turno o candidato Everaldo, do PSC, que adotou um discurso liberal na economia e conservador nos costumes. Tem defendido até a privatização da BR Distribuidora, da Petrobras. Pode agradar mais a ala conservadora da classe média brasileira. É uma alternativa, muito melhor do que anular o voto, pois garante a ida da decisão para o segundo turno e envia uma mensagem de que há apelo para esse discurso mais conservador, hoje ausente nos debates.

“A máquina autoritária petista pode ser derrotada. Os dois próximos meses são decisivos. O PT vai usar todas as suas armas. Sabe que é uma batalha de vida ou morte, pois longe do aparelho de Estado não consegue mais sobreviver”, conclui Villa. Está certo. Resta saber se as pessoas decentes desse país estão dispostas a ajudar a enterrar politicamente o PT, que tanto mal fez à democracia brasileira – sem falar da economia. Sem fantasias, sem ilusões, sem romantismo. É hora de arregaçar as mangas e lutar para salvar nossa democracia.

Rodrigo Constantino

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2 comentários

  • jandir fausto bombardelli toledo - PR

    É isso mesmo a entrevista do JN com Aécio Neves registrou uma audiência muito baixa, se eu fosse o diretor do JN nunca mais entrevistaria esse cara, pode ser o fim do JN, o povo brasileiro não quer mais ouvir tanta mentira, se este candidato tiver o mesmo desempenho nas urnas, Dilma ganha no primeiro turno de lavada.

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  • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

    Vamos em frente AÉCIO , temos que lutar contra o PT e a GLOBO (JN ) que foi a DILMA até de baixo d'agua , hoje bateu no tambem EDUARDO CAMPOS mostrando claramente o seu lado no , precisamos levar esta Eleição para o Segundo Turno e dar um esfrega neste PT e na GLOBO . Srs . Produtores Rurais o agronegócio é mais forte que o JORNAL NACIONAL.

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