Papel da imprensa é investigar sim, Dilma! (por RODRIGO CONSTANTINO)

Publicado em 20/09/2014 10:45 e atualizado em 22/09/2014 07:30 1190 exibições
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Papel da imprensa é investigar sim, Dilma!

Dilma mostra sua cara autoritária contra a imprensa. Fonte: GLOBO

A presidente Dilma fez uma de suas declarações mais infelizes essa semana, e olha que a lista é grande. Trata-se de sua visão sobre a função da imprensa que, para ela, deveria ser apenas de informar, não de investigar. Demonstra, como disse Ricardo Noblat, profunda ignorância acerca do papel do jornalismo, e se aproxima da postura autoritária de Lula sobre o assunto. Disse Dilma:

Pedirei ao ministro Teori a mesma coisa: quero ser informada se no governo tem alguém envolvido. Não tenho porque dizer que tem alguém envolvido, porque não reconheço na revista “Veja” e nem em nenhum órgão de imprensa o status que tem a PF, o MP e o Supremo. Não é função da imprensa fazer investigação e sim divulgar informações. Agora, ninguém diz que a informação é correta. Não prejulgo, mas também não faço outra coisa: não comprometo prova. Porque o câncer que tem nos processos de corrupção é que a gente investiga, investiga, investiga e ainda continua impune. Não é possível que a revista “Veja” saiba de uma coisa e o governo não saiba quem é que está envolvido. Pedi primeiro para a PF, que me disse: não posso entregar, a investigação está em curso e peça ao MP. E o MP me disse a mesma coisa: se ele me disser, ele contamina a prova. Se ele me disser, ele contamina a prova.

O que Dilma finge desconhecer é justamente a enorme quantidade de denúncias e escândalos que vieram à tona somente graças às investigações da imprensa. Não fosse esse exaustivo trabalho de investigação dos jornalistas dos (poucos) veículos independentes que sobraram, inúmeros casos de desvio de recursos públicos sequer seriam de conhecimento do público.

O escândalo que culminou no impeachment de Collor, o dos anões do orçamento, o próprio mensalão que abalou a República, tudo isso foi fruto das investigações da imprensa, que apenas depois virou alvo do trabalho de apuração por parte da Justiça. No Brasil, a imprensa tem exercido um papel fundamental ao lançar luz sobre as sombras na política.

Além do mais, Dilma parece confundir estado com governo, como de praxe no PT. Cita órgãos de estado como se fossem controlados pelo governo, ignorando que sua função é justamente investigar o próprio governo. Merval Pereira resume bem a incoerência em sua coluna de hoje:

A presidente Dilma diz com orgulho que são órgãos do seu governo que estão investigando os escândalos de corrupção na Petrobras: Polícia Federal, Ministério Público. Mas, contraditoriamente, pede, através do Ministro da Justiça, acesso aos depoimentos de Paulo Cesar Costa ao juiz Sérgio Moro. O Procurador-Geral da República negou o acesso, alegando que o processo corre sob segredo de justiça. Isso tudo acontece por que, diferentemente do que pensa a Presidente, o Ministério Público e a Polícia Federal são órgãos do Estado brasileiro, não do governo deste ou daquele partido.

No fundo, o PT adoraria transformar toda a imprensa em órgão oficial de propaganda do governo, divulgando apenas as “informações” previamente autorizadas. É o sonho de todo tirano, de todo ditador, de todo governista autoritário. Os poderosos não costumam apreciar esse papel da imprensa “enxerida”, que insiste em denunciar seus desmandos e “malfeitos”.

Para o bem da nação, que os jornalistas continuem investigando muito, e fazendo emergir do pântano da política a podridão que lá encontram.

Rodrigo Constantino

 

Dilma ainda não sabe para que serve a imprensa

A Procuradoria-Geral da República se negou a fornecer ao governo as informações da delação premiada de Paulo Roberto Costa. E fez bem. Dilma deve ter se esquecido de que o Ministério Público é um órgão independente. Não está subordinado a nenhum dos Poderes da República. A presidente agora diz que vai apelar ao STF. E fez uma afirmação, digamos, muito típica, com toda a falta de jeito que a caracteriza.

“Pedirei ao ministro Teori a mesma coisa: quero ser informada se no governo tem alguém envolvido. Não tenho por que dizer que tem alguém envolvido, porque não reconheço na revista “VEJA” e nem em nenhum órgão de imprensa o status que tem a PF, o MP e o Supremo. Não é função da imprensa fazer investigação, e sim divulgar informações. Agora, ninguém diz que a informação é correta. Não prejulgo, mas também não faço outra coisa: não comprometo prova. Porque o câncer que tem nos processos de corrupção é que a gente investiga, investiga, investiga e ainda continua impune.”

A exemplo de Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgina Mufumbbo, pergunto: “Cuma, presidente?”. De fato, VEJA, felizmente, não é um órgão oficial, a exemplo da PF, do MP e do Supremo. Felizmente, não! E a revista não espera — e o mesmo vale para o resto da imprensa — que as suas apurações substituam inquéritos.

Agora, quanto ao papel da imprensa, é evidente que Dilma está errada. A ela cabe mais do que informar. Ela também investiga, sim! Não com o objetivo de passar informações ao estado, mas com o propósito de informar a sociedade.

Dilma deve sonhar com a imprensa cubana. Só informa. E só informa o que pode.

Por Reinaldo Azevedo

 

Costa cita mais dois ex-diretores da Petrobras em esquema corrupto; um deles era homem de… José Dirceu na empresa! Ou: Uma empresa que fura poços e acha escândalos

Pois é… Reportagem da Folha deste sábado informa que Paulo Roberto Costa envolveu mais duas diretorias no esquema corrupto que vigorava na empresa: a Internacional, que era comandada pelo notório Nestor Cerveró, e a de Serviços e Engenharia, cujo titular era o petista Renato Duque. O PT está preocupado com os cadáveres que podem sair do armário. Faltam duas semanas para o primeiro turno das eleições, mas o segundo ainda está longe, só no dia 26 de outubro. Entre as irregularidades que atingem as duas diretorias, estão a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Segundo o Jornal Nacional, Costa admitiu ter recebido R$ 1,5 milhão de propina só nessa operação.

Duque, note-se, já aparece citado em outro inquérito da Polícia Federal para apurar irregularidades nos negócios da Petrobras. A polícia investiga sua relação com outros funcionários da estatal suspeitos de evasão de divisas.

Em abril, outra reportagem Folha informava que Rosane França, viúva do engenheiro da Petrobras Gésio França, que morreu há dois anos, acusou a empresa de ter colocado o marido na “geladeira” porque este se opusera ao superfaturamento do gasoduto Urucu-Manaus, na Amazônia. Para a sua informação, leitor amigo: esse gasoduto foi orçado pela Petrobras em R$ 1,2 bilhão e acabou saindo por R$ 4,48 bilhões.

A viúva de Gésio não citou nomes, mas em e-mails que vieram a público, ele reclamava justamente da diretoria de Serviços e Engenharia, que era comandada pelo petista Renato Duque, que negociava com as empreiteiras. Duque, aliás, é amigo de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, um dos nomes citados por Costa como parte do esquema corrupto, que recorria aos préstimos do doleiro Alberto Youssef.

Além de amigo de Vaccari, Duque sempre teve um padrinho forte no PT: ninguém menos do que José Dirceu. Quando Graça Foster assumiu a presidência da estatal, em 2012, ela o substituiu por Richard Olm. Mas isso não significa, é evidente, que a Petrobras está livre da politicagem. Lá está, por exemplo, José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT e outro peixinho de Dirceu: é diretor Corporativo e de Serviços. Não só ele. Também é da cota do ainda presidiário Dirceu o gerente executivo da Comunicação Institucional, Wilson Santarosa.

A estatal, diga-se, tornou-se um retrato dos desmandos do PT e da forma como o partido entende o exercício do poder. Como esquecer uma frase já antológica do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, em 2005, em reunião com uma certa ministra das Minas e Energia chamada Dilma Rousseff? Ele cobrou uma promessa que lhe fizera Lula: “O que o presidente me ofereceu foi aquela diretoria que fura poço e acha petróleo”.

Era assim que Lula exercia o poder. E foi assim que a Petrobras passou a furar poço e a achar escândalos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Pior já passou

Costa: o homem-bomba explodiu

Não falou

No Palácio do Planalto, a avaliação é que, em se tratando de CPI mista da Petrobras, o pior já passou. A maior preocupação era o depoimento de Paulo Roberto Costa, ainda que as chances de ele falar fossem mínimas.

As convocações de Alberto Youssef e Meire Poza assustam menos e, para ministros próximos de Dilma Rousseff, mesmo que ambos se disponham a abrir a boca, o potencial ofensivo para as campanha petistas não é bombástico.

Fora isso, todo mundo aposta que os parlamentares, mais do que nunca, tendem a deixar o Congresso vazio nas próximas semanas para cuidar de suas campanhas.

Por Lauro Jardim

pânico

Youssef: em desgraça, perde caego no governo

Youssef: pedido de busca na Camargo Corrêa

Policiais foram à sede da Camargo Corrêa, na terça-feira, dia 16, em busca de documentos relativos à refinaria Abreu e Lima. Cumpriam uma ordem judicial feita a partir de um pedido da defesa do doleiro Alberto Youssef.

A propósito, os fornecedores da Petrobras estão em polvorosa. Na semana passada, correram rumores de que uma grande empreiteira topara a delação premiada.

Não é fato. Mas a turma entrou em pânico.

Por Lauro Jardim

Esse é do ramo

duque

Outro homem-bomba?

Tem outro companheiro de Paulo Roberto Costa na diretoria da Petrobras cujo nome assusta tanto quanto o dele, quando é citado em frente a políticos e grandes fornecedores da estatal.

Trata-se de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, indicado pelo PT, com fortes relações com José Dirceu e defenestrado por Graça Foster, logo após assumir a presidência.

Duque, assim como Paulo Roberto, abriu uma consultoria depois de deixar a Petrobras.

Por Lauro Jardim

 

A arte de roubar dos pobres: ONG teria desviado milhões para políticos do PT baiano

Uma enxadada, uma minhoca. Os 12 anos de PT no poder banalizaram os escândalos de corrupção, as cifras milionárias envolvidas nos desvios de recursos parecem trocado, e nada intimida a turma sedenta por recursos públicos, nem mesmo a exploração da miséria alheia ou o receio de ser pego. É o que mostra uma reportagem de Robson Bonin da Veja desta semana.

A ONG Instituto Brasil funcionaria como uma espécie de banco para o PT baiano. É o que relata Dalva Sele, a presidente da instituição. Com recursos de convênios para a construção de casas populares, a ONG empregava militantes do partido e alimentava as campanhas. A cúpula do PT, segundo Dalva, era quem definia os que receberiam dinheiro. O dinheiro era sacado na boca do caixa e entregue para os candidatos diretamente, ou gasto na infraestrutura da campanha. Diz um trecho:

Reportagem Veja

 

Na Bahia, não custa lembrar, o governador é do PT, Jaques Wagner, e é um dos estados que mais tem dependentes do Bolsa Família. O partido, afinal, adora a pobreza alheia, pois representa um prato cheio para seu populismo demagógico. Enquanto os pobres acreditavam nas promessas do partido e aguardavam suas casas, os recursos, segundo a denúncia, serviam para abastecer as campanhas que garantiriam a perpetuação no poder.

PT, o partido dos pobres? Não. O partido que explora os pobres para benefício próprio, isso sim!

Rodrigo Constantino

Vamos comparar a “banqueira de Marina” — que não é banqueira — com a banqueira (de verdade) do PT? Confiram a ficha de cada uma. A do PT está na cadeia

As duas banqueiras: Neca Setúbal, que na verdade nada tem de banqueira, é educadora de respeito e nunca exerceu qualquer cargo no Itaú, do qual é uma das acionistas, e Katia Rabello, ex-presidente e dona do Banco Rural, hoje na cadeia por ter alimentado os cofres do PT no escândalo do mensalão (Fotos: Sergio Lima/Folhapress :: Nelson Jr./STF)

As duas banqueiras: Neca Setúbal, que na verdade nada tem de banqueira, é educadora de respeito e nunca exerceu qualquer cargo no Itaú, do qual é uma das acionistas, e Katia Rabello, ex-presidente e dona do Banco Rural, hoje na cadeia por ter alimentado os cofres do PT no escândalo do mensalão (Fotos: Sergio Lima/Folhapress :: Nelson Jr./STF)

Absolutamente irretocável, beirando o genial pela constatação daquilo que em geral quase ninguém vê — o óbvio –, este início de artigo do colunista Leonardo Souza, da Folha de S. Paulo:

“A banqueira de Marina é socióloga e educadora, autora de mais de dez livros, um deles ganhador do prêmio Jabuti na categoria de melhor livro didático.

“A banqueira de Marina é fundadora do Cenpec (Centro de Pesquisa para Educação e Cultura), referência nacional na produção de material didático, na formação de professores e na avaliação de escolas.

“Maria Alice Setubal anda de cabeça erguida e é festejada nos principais salões do país e no meio acadêmico como alguém que se dedica a melhorar a qualidade do ensino brasileiro. Especificamente nesta eleição, o “azar” de Neca, como Maria Alice é conhecida, foi nascer filha do dono do Itaú, Olavo Setubal, morto em 2008.

“E a banqueira do PT? Onde está a banqueira do PT? As pessoas esqueceram quem é a banqueira do PT?

Pois a banqueira do PT dorme num banco de concreto em uma penitenciária de Minas Gerais.

Dona do Banco Rural, Kátia Rabello presidia a instituição à época do mensalão. Como presidente do Rural, segundo a Procuradoria-Geral da República, ela negociou os empréstimos que alimentaram os cofres do PT e o valerioduto para a compra de apoio da base aliada ao governo Lula no Congresso.”

Falou e disse!!!

Observação: Kátia Rabello foi condenada pelo Supremo Tribunal a 16 anos e oito meses de cadeia pelos crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O texto completo está publicado no Blog do Tupan.

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