VERGONHA NOS CORREIOS – Indicado pelo PT usa empresa para pedir votos em MT

Publicado em 08/10/2014 10:15 e atualizado em 09/10/2014 07:38 1442 exibições
E Mais: Guido Mantega, o ministro defunto, faz terrorismo eleitoral e ainda corta pela metade a taxa de juros reais da era PT. É mesmo um espanto!!!..., por Reinaldo Azevedo, mais Augusto Nunes e Ricardo Setti, de veja.com

VERGONHA NOS CORREIOS 1 – Indicado pelo PT usa empresa para pedir votos em MT

ENTREGA EXPRESSA – Nilton Nascimento, diretor dos Correios em Mato Grosso, reúne funcionários para pedir o envio relâmpago de cartas pedindo votos para Dilma e candidatos do PT (VEJA)

ENTREGA EXPRESSA – Nilton Nascimento, diretor dos Correios em Mato Grosso, reúne funcionários para pedir o envio relâmpago de cartas pedindo votos para Dilma e candidatos do PT (VEJA)

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. Volto nos próximos posts.
Na noite de terça-feira, 23 de setembro, o diretor regional dos Correios de Mato Grosso, Nilton do Nascimento, reuniu a cúpula da empresa e funcionários do setor administrativo a portas fechadas, no Hotel Mato Grosso Palace, em Cuiabá. Horas antes, o espaço havia sido reservado em nome da autarquia para que Nascimento pudesse defender, diante dos seus colegas de trabalho e subordinados, o candidato ao governo pelo PT, Lúdio Cabral, e o deputado estadual que tentava novo mandato Ademir Brunetto (PT). Os dois puderam expor livremente suas propostas e explicar como, segundo eles, os doze anos de governo Lula e Dilma Rousseff (PT) foram bons para a categoria. Depois daquela reunião, Nilton do Nascimento, filiado PT, decidiu enviar cartas em tempo recorde para eleitores do estado pedindo votos para a dupla petista e para dois outros candidatos: o deputado federal Ságuas Morais (PT) e a presidente-candidata Dilma Rousseff.

Ságuas Morais faz parte, em Brasília, do chamado “baixo clero” no Congresso. Deputado de primeiro mandato, é assíduo na Câmara – mais de 95% de presença em sessões deliberativas em 2014 –, mas não tem influência política na bancada e não conseguiu aprovar nenhum projeto de lei durante seu mandato. No último domingo, Ságuas foi reeleito com mais de 97.000 votos. O candidato ao governo, Lúdio Cabral, perdeu no primeiro turno para o governador eleito Pedro Taques (PDT). Ademir Brunetto não conseguiu se eleger.

Dois dias depois da reunião no hotel em Cuiabá, Nilton Nascimento disparou cartas para funcionários dos Correios pedindo voto para os quatro candidatos – Dilma Rousseff incluída. Na capital, Nascimento utilizou, sem autorização, o banco de dados dos Correios para saber onde cada funcionário atuava e poder enviar – nominalmente – os pedidos de voto. A prática configura violação do Manual de Comercialização dos Correios, que é explícito: “a postagem de impressos e malas diretas de propaganda eleitoral somente será autorizada a candidatos e partidos regularmente registrados na Justiça Eleitoral para o evento”.

Parte das cartas políticas foi entregue no dia seguinte à postagem, em alguns casos mais rápido que o próprio serviço Sedex. Em Mato Grosso, uma carta demora, em média, três dias para ser entregue para chegar ao destinatário – ou até cinco dependendo do município do interior. Mais: cada correspondência foi despachada ao custo de 0,60 centavos – preço menor do que o praticado, conforme a tabela dos Correios, que prevê 1,30 real por unidade. “Uma pessoa comum não conseguiria ter feito aquilo, enviar cartas em tempo recorde e ainda usar o cadastro de funcionários. É um privilegio postar correspondências por menos da metade do preço”, disse ao site de VEJA o presidente do sindicato da categoria, Edmar Leite.

Carta enviada por funcionário dos Correios pedindo votos em Dilma e candidatos do PT em Mato Grosso

Carta enviada por funcionário dos Correios pedindo votos em Dilma e candidatos do PT em Mato Grosso

Nilton do Nascimento admite ter enviado 670 cartas. Em Cuiabá e Várzea Grande, por exemplo, todos os mais de 500 carteiros receberam o pedido de votos. Em nota, Nascimento negou irregularidades, disse que pagou do próprio bolso o envio das correspondências e afirmou que os pedidos de votos ocorreram “na condição de cidadão”. “Não houve operação especial para a entrega e os objetos seguiram o fluxo postal previsto para esta modalidade de serviço”, disse. O conjunto de ilegalidades e a suspeita de uso político da máquina federal estão sendo apurados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso após denúncia do Sindicato estadual dos Trabalhadores nas Empresas de Correios, Telégrafos e Serviços Postais.

A denúncia do sindicato é grave, mas não é a primeira vez nestas eleições que os Correios são acusados de uso eleitoral pelo PT. Em Minas Gerais, o PSDB acusa a autarquia de ter confiscado material de campanha do candidato à Presidência, Aécio Neves. O tucano contratou o serviço de mala direta postal domiciliária para a distribuição de 5.634.000 de cartas, mas nem todas as correspondências foram entregues.

Por Reinaldo Azevedo

VERGONHA NOS CORREIOS 2 – Associação denuncia aparelhamento da empresa pelo PT; 66% das diretorias regionais estão ocupadas por pessoas filiadas ao partido

Pois é… No dia 5 deste mês, a Associação dos Profissionais dos Correios – ADCAP – publicou um carta aberta em que denuncia o aparelhamento dos Correios pelo PT. A associação lembra que, em 2011, o governo mudou o Manual de Pessoal e passou a permitir que pessoas estranhas aos quadros da empresa assumissem funções técnicas e gerenciais. Resultado: 18 das 27 Diretorias Regionais dos Correios estão nas mãos de pessoas filiadas ao PT. Leiam a carta.
*
A Associação dos Profissionais dos Correios – ADCAP, entidade sem fins lucrativos fundada em 20/12/1986, sem vinculação a qualquer partido político, em virtude das últimas notícias divulgadas acerca do aparelhamento político da ECT, vem a público manifestar o que se segue:

a) Nos últimos anos o aparelhamento político da ECT se acentuou com as mudanças introduzidas no Manual de Pessoal em 2011, que permitiram o acesso às funções técnicas e gerenciais por empregados e pessoas estranhas aos quadros de pessoal da Empresa sem a observância dos imperativos de competência técnica e capacidade gerencial;

b) Em decorrência dessas alterações, 18 (dezoito) dos 27 (vinte e sete) Diretores Regionais da ECT são filiados ao Partido dos Trabalhadores;

c) Além disso, muitas outras funções são ocupadas por critérios políticos nas Diretorias Regionais e na Administração Central da Empresa;

d) Como exemplos desse aparelhamento, registre-se que enquanto mais de 50.000 mil Carteiros labutam diariamente em condições muitas

vezes desfavoráveis por uma remuneração mensal de cerca de R$ 1.500 (hum mil e quinhentos reais), outros Carteiros ligados à burocracia sindical e partidária ocupam elevadas funções em Brasília e nos diversos estados, alguns deles com remunerações superiores a R$ 20.000 (vinte mil reais);

e) O citado aparelhamento afeta também o Fundo de Pensão dos empregados dos Correios, o Postalis, frequentemente citado em notícias veiculadas pela imprensa contendo suspeitas de investimentos duvidosos e de operações fraudulentas;

f) O Postalis já acumula um déficit atuarial superior a R$ 2,2 bilhões em 2013/2014, levando em breve a uma drástica redução dos salários e benefícios dos empregados e aposentados dos Correios e atingindo cerca de 500 mil pessoal, o que levou a ADCAP a solicitar à PREVIC, junto com outras entidades representativas de empregados, a intervenção no Postalis;

Diante do exposto, a ADCAP comunica que está avaliando as medidas judiciais cabíveis e que oportunamente se manifestará novamente sobre o assunto.

Atenciosamente,
Diretoria Executiva da ADCAP Nacional.

Por Reinaldo Azevedo

VERGONHA NOS CORREIOS 3 – Nesta campanha, parece que Paulo Bernardo perdeu bem mais do que a eleição no Paraná, onde sua mulher foi derrotada no 1º turno

As notícias que chegam dos Correios — empresa que, diga-se, está na raiz dos escândalos que levaram à descoberta da existência do mensalão — são estarrecedoras. Ironia das ironias: a estatal, que é subordinada ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, decidiu, por exemplo, processar o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Por quê? Ora, o tucano acusou o aparelhamento da empresa e seu uso em favor das candidaturas de Dilma Rousseff à Presidência e de Fernando Pimentel ao governo de Minas.

Mera guerrilha eleitoral? Não! Há um vídeo em que o deputado Durval Ângelo, do PT de Minas, confessa, com todas as letras, que os Correios foram utilizados em favor dos dois candidatos. Wagner Pinheiro, presidente da empresa, estava presente quando Ângelo afirmou, entre outras barbaridades: “Se, hoje, nós temos a capilaridade da campanha do [Fernando] Pimentel [candidato do PT ao governo de Minas] e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios.” Foi adiante: “A Dilma tinha em Minas Gerais, em alguns momentos, menos de 30%. Se, hoje, nós estamos com 40% em Minas Gerais, tem dedo forte dos petistas dos Correios.”

Dias antes de esse vídeo se tornar público, descobriu-se que cinco milhões de folders da campanha de Dilma haviam sido distribuídos pelos Correios sem a devida chancela. O Ministério Público deu prazo de 30 dias para Dilma dar explicações sobre as acusações de uso irregular da estatal na campanha. Trinta dias? A eleição ocorre daqui a 17.

Muito bem! Reportagem da VEJA.com de hoje informa que Nilton do Nascimento, diretor regional dos Correios no Mato Grosso, alugou espaço num hotel em Cuiabá, no dia 23 de setembro, e o fez em nome da empresa, para defender, diante de funcionários da estatal, as candidaturas de Lúdio Cabral, que concorria ao governo do Estado, e do deputado Ademir Brunetto, também petista.

Os dois estavam presentes. Mais: o tal diretor decidiu ali usar a estrutura da empresa para enviar a eleitores cartas em tempo real defendendo, então, a eleição da dupla e de dois outros políticos: o deputado federal Ságuas Moraes (PT) e a presidente-candidata Dilma Rousseff. Nota: Brunetto e Lúdio não conseguiram se eleger. Mas Ságuas foi reeleito com 97 mil votos.

O PT acusa seus adversários de quererem privatizar estatais. Digam-me: o que se tem aí é ou não uso privado de uma empresa pública. Isso é ou não é privatização? É. E do pior tipo: ninguém recebe nada por ela. Os únicos beneficiados são um partido político e seus apaniguados.

No dia 5 deste mês, a Associação dos Profissionais dos Correios – ADCAP – divulgou uma nota pública lamentando o uso político dos Correios e lembra que a atual direção da empresa, afinada com as orientações do Ministério das Comunicações, mudou em 2011 o Manual de Pessoal e permitiu que gente estranha à empresa passasse a ocupar cargos técnicos e de gerenciamento. Resultado: 18 das 27 diretorias regionais estão em mãos de petistas de carteirinha.

O uso político-eleitoral dos Correios é dessas coisas que deixam de ser denúncias para ser mera constatação da realidade. Essas práticas aqui listadas ferem disposições internas da empresa, violam a Lei Eleitoral 9.504 e configuram, obviamente, improbidade administrativa. Paulo Bernardo, um ministro que se mantinha prudentemente longe de escândalos, está se revelando nesta campanha — ou, sei lá, foi revelado nesta campanha, não é mesmo?

O PT conseguiu que o TSE, absurdamente, mandasse retirar do ar um vídeo em que um carteiro entrega de porta em porta propagada eleitoral da Dilma. A justificativa é que o filme foi feito com o propósito de prejudicar o PT e que o rapaz apenas executava o seu trabalho. Calma lá! O que aquele vídeo evidencia é que o material não tem chancela nenhuma dos Correios. De resto, fica evidente, o pobre carteiro foi orientado a não falar.

Reitero: por muito menos, o Tribunal Superior Eleitoral já cassou mandatos de prefeitos e até de governador. Parece que o ministro Paulo Bernardo, neste 2014 (ou antes?), perdeu bem mais do que a eleição no Paraná, onde sua mulher, Gleisi Hoffmann, foi derrotada no primeiro turno…

Por Reinaldo Azevedo

‘Basta de PT’, por Marco Antonio Villa

PUBLICADO NO JORNAL O GLOBO 

MARCO ANTONIO VILLA

Estamos vivendo um momento histórico. A eleição presidencial de 2014 decidirá a sorte do Brasil por 12 anos. Como é sabido, o projeto petista é se perpetuar no poder. Segundo imaginam os marginais do poder — feliz expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello quando do julgamento do mensalão —, a vitória de Dilma Rousseff abrirá caminho para que Lula volte em 2018 e, claro, com a perspectiva de permanecer por mais 8 anos no poder. Em um eventual segundo governo Dilma, o presidente de fato será Lula. Esperto como é, o nosso Pedro Malasartes da política vai preparar o terreno para voltar, como um Dom Sebastião do século XXI, mesmo que parecendo mais um personagem de samba-enredo ao estilo daquele imortalizado por Sérgio Porto.

Diferentemente de 2006 e 2010, o PT está fragilizado. Dilma é a candidata que segue para tentar a reeleição com a menor votação obtida no primeiro turno desde a eleição de 1994. Seu criador foi derrotado fragorosamente em São Paulo, principal colégio eleitoral do país. Imaginou que elegeria mais um poste. Não só o eleitorado disse não como não reelegeu o performático e inepto senador Eduardo Suplicy, e a bancada petista perdeu oito deputados na Assembleia Legislativa e seis na Câmara dos Deputados.

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Haddad, o maníaco da ciclofaixa, conta com jornalismo biciclopetista para atacar os conservadores e anuncia pistas para bicicletas em 12 pontes da Marginal do Pinheiros

Um dos meus humoristas prediletos é Fernando Haddad. Ainda que ele me faça rir de escárnio e que não seja esse um sentimento tão nobre. Ele e a imprensa biciclopetista continuam a toda, confiantes nas pesquisas que indicam que 80% dos paulistanos apoiam o ciclofaixismo, ainda que sejam tão poucos os “ciclofascistas” da cidade… Aprovação, é? Ainda descobriremos que a margem de erro era de 80 pontos para mais ou para menos… Que bom! Assim não será preciso explicar o erro, né?, à diferença do que ocorre com as pesquisas eleitorais.

Será que eu sou contra faixas exclusivas para bicicletas? Eu não! Nem eu nem as pessoas que responderam aos pesquisadores. Eu sou contra é a forma como o ciclomaníaco faz as coisas. O que temos em São Paulo não é uma ciclovia, como todo mundo sabe; tampouco é uma ciclofaixa. O que o populismo de minoria do senhor prefeito faz é sair por aí a pintar de vermelho um pedaço de rua. Vejam estas fotos feitas por minha mulher, com um celular, na Alameda Barros, em Santa Cecília.

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Graças a Deus e ao bom senso, também ali as ciclofaixas estão desertas! Ou ofereceriam risco de vida. Eis aí um assunto que deveria interessar ao Ministério Público. Vejam as imagens: a tinta vermelha passa pelos buracos; há pelotes de cimento na pista, o meio-fio, que serve de referência, está todo danado. Reitero: o prefeito não está nem aí. Nem mesmo se ocupou de criar faixas de bicicleta que fossem ao menos transitáveis. E ele não o fez por dois motivos:

a: porque não há bicicletas;
b: porque ele está interessado em mostrar serviço. Algum serviço, qualquer um…

Ao fim de dois anos de gestão, pensem bem: o que resta a saudar — e a saldar (com “ele” mesmo) — na sua gestão? Não será conhecido por seus avanços na educação, na saúde, na moradia, no planejamento urbano, nada… Por mais que conte com o apoio do jornalismo bicilopetista e com colunistas amestrados desta e de outras cidades, o povo insiste em divergir. “Ah, mas a aprovação dele está aumentando…” É mesmo?

Vejam o mapa da votação de Dilma Rousseff e Aécio Neves na cidade de São Paulo.

voto cidade de São Paulo

O azul tomou o Centro, o Centro expandido e avançou para as quatro zonas geográficas da cidade. O vermelho foi banido da Zona Norte e ainda resiste nos extremos das outras três regiões. Aécio venceu em 43 das 58 zonas eleitorais da cidade, e Alckmin bateu Padilha em 54 delas. O presidenciável tucano obteve 43,69% dos votos válidos; Dilma ficou com 26,08%, e Marina, com 23,94%. Eu não sei se os tucanos são gratos a Fernando Haddad por sua obra. Eu sou. Obrigado, prefeito! Ah, sim: nesses extremos em que o petismo resiste, não há ciclofaixas, embora haja bicicletas. Que prefeito curioso! É que a imprensa biclopetista não frequenta a periferia… Prefere falar em nome do povo e do novo, mas em Higienópolis, Moema, Alto de Pinheiros, Vila Nova Conceição…

Aliás, intuo que a ruindade de Haddad contaminou os municípios do entorno também, já que moradores de cidades vizinhas transitam pela capital. Vejam o desempenho de Dilma e Aécio na região.

Mapa votação grande são paulo

Mas o prefeito segue firme — tomara que não mude mesmo, se é que me entendem. E agora promete ciclofaixas em 12 pontes sobre o Rio Pinheiros. Segundo ele, só os “conservadores” reclamam. Eu não sabia que a última palavra em matéria de progressismo é fazer ciclofaixas para ciclistas que não existem. É isso aí, prefeito! Não dê bola para os conservadores. O senhor precisa mostrar serviço. Se só restou pintar um pedaço da rua de vermelho, fazer o quê? Tinta nela! E o povo que fale nas urnas.

Por Reinaldo Azevedo

Oito notas de Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

1) - Acertando os pontos

O PPS, que apoiou Marina, fecha com Aécio. O PV de Eduardo Jorge decide hoje – a dificuldade é que, nos vários Estados, o PV adotou posições diferentes, ora ao lado do PT, ora contra o PT. O PSOL, ao que tudo indica, vai com Dilma.

2) - Primeiras pesquisas

Amanhã, quinta, no Jornal Nacional, saem as pesquisas Ibope e Datafolha. É a primeira oportunidade para saber quem sai na frente – ou não, ou talvez sim. Aplicando-se a margem de erro, talvez saiam os números da eleição na Bolívia.

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O naufrágio no estado onde nasceu e o fiasco no berço político avisam que vem aí a falência do fabricante de postes

LULA EM PETROEm 2010, coligado com o PSB de Eduardo Campos, o PT de Pernambuco garantiu uma das duas vagas no Senado para o companheiro Humberto Costa (a outra ficou com Armando Monteiro) e elegeu quatro deputados federais. Animado com o desempenho do partido, Lula resolveu mostrar em 2012 que dava as cartas na capital do estado onde nasceu. Sem consultar ninguém, proibiu o companheiro João da Costa de concorrer à reeleição, ignorou os demais interessados e avisou que o prefeito do Recife seria Humberto Costa. Eduardo Campos sacou do coldre a candidatura de Gerado Júlio, secretário do Desenvolvimento Econômico, e devolveu ao Senado o poste fabricado pelo ex-presidente.

Passados dois anos, Lula reprisou o show de arrogância. Novamente sem consultas aos sacerdotes, o único deus da seita ordenou ao rebanho pernambucano que se subordinasse à coalizão liderada pelo petebista Armando Monteiro, candidato a governador . O PT teve de conformar-se com a indicação de João Paulo, ex-prefeito do Recife ao Senado. A aliança forjada pelo genial intuitivo foi muito bem nos institutos de pesquisa. Pena que o eleitorado teime em discordar dos ibopes da vida. Escolhido por Eduardo Campos, o quase desconhecido Paulo Câmara massacrou Monteiro com um recorde nacional: 68% do total de votos.

O triunfo póstumo do governador abatido por um acidente aéreo foi ampliado pelos 64% do senador eleito Fernando Bezerra, que devolveu João Paulo às sessões de meditação, e pelo sumiço da bancada na Câmara: o PT não elegeu um único e escasso deputado federal. Pior ainda, o segundo turno da eleição presidencial pode tornar bem mais sombrio o opaco desempenho do PT em Pernambuco. Na primeira etapa, Marina Silva venceu com 48% dos votos, Dilma conseguiu 44% e Aécio amargou minguados 6%.  O apoio público de Marina e da família Campos deverá, na pior das hipóteses, aumentar substancialmente a votação de Aécio e, como efeito colateral, reduzir o raquitismo do eleitorado tucano no Nordeste.

Somado ao naufrágio de Alexandre Padilha e Dilma Rousseff nas urnas de São Paulo, o fiasco de Lula na terra natal informa que a fábrica de postes não sobreviverá à remoção do que escurece o Planalto há quatro anos. Por falta de fregueses, a produção já foi interrompida. A hora da falência chegou.

(por Augusto Nunes)

 

Lista dos deputados mais votados do país só tem um do PT

(Fotos: Douglas Gomes :: Wilson Dias/ABr :: Alexandra Martins/Câmara dos Deputados :: Alesp :: AnoregSP :: Alerj)

Campeões de voto: Russomano, Tiririca, Bolsonaro, Covas, Rodrigo Garcia e Clarissa Garotinho estão entre os 14 mais votados do Brasil (Fotos: Douglas Gomes :: Wilson Dias/ABr :: Alexandra Martins/Câmara dos Deputados :: Alesp :: AnoregSP :: Alerj)

Um único e escasso deputado do PT ultrapassou a marca dos 250 mil votos, carimbo de bom de urna que o eleitorado aplicou em 15 deputados federais eleitos.

Metade dos campeões de voto é de São Paulo, o que não é estranhável, por tratar-se do maior colégio eleitoral do país. Logo em seguida vêm três de Minas Gerais, coerentemente com a situação de tratar-se do segundo maior contingente de eleitores.

O mais votado do país foi Celso Russomano (PRB-SP), conhecido há anos por seu trabalho na TV como “defensor dos consumidores” e que havia obtido expressiva votação na eleição para prefeito da capital em 2012. Beneficiou-se, portanto, da lembrança de seu nome fixado na memória do eleitorado.

O palhaço Tiririca (PR-SP), que conduziu uma vez mais no horário eleitoral uma campanha ridícula, de deboche do próprio Parlamento a que pertence, não atingiu os 1,5 milhão da eleição passada, mas chegou a 1,016 milhão de votos e abiscoitou o segundo posto.

O terceiro mais votado em todo o Brasil foi o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que ainda conseguiu a proeza de reeleger o filho Flávio deputado estadual no Rio, com quase 170 mil votos, e de emplacar outro filho, Eduardo, como deputado federal por São Paulo, com 82.224 votos — à frente, entre outros, do cantor Netinho de Paula (PCdoB), que — imaginem vocês — chegou a ter 7,7 milhões de votos para o Senado em 2010, ficando então em terceiro lugar num pleito para preencher duas vagas.

Seguem-se na lista, com os respectivos partidos, Estados e votações, os demais campeões:

Pastor Marcos Feliciano (PSC-SP), 398.097

Bruno Covas (PSDB-SP), neto do falecido governador Mário Covas, ex-deputado estadual, ex-secretário de Estado: 352.708

Rodrigo Garci(DEM-SP), três vezes deputado estadual, atualmente deputado federal, ex-secretário municipal na gestão do prefeito Gilberto Kassab e ex-secretário de Estado no governo Geraldo Alckmin: 336.151

Clarissa Garotinho (PR-RJ), filha dos ex-governadores do Rio Anthony e Rosinha: 335.061

Reginaldo Lopes (PT-MG), economista, em seu terceiro mandato: 310.226

Carlos Sampaio (PSDB-SP), promotor de Justiça e líder do partido na Câmara: 295.623

Rodrigo de Castro (PSDB-MG), ex-integrante da equipe de governo de Aécio Neves em seu primeiro mandato como governador, vai para seu terceiro mandato: 292.848

Eduardo da Fonte (PP-PE), empresário, teve iniciação política por meio de Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Câmara que renunciou ao mandato em 2005 para não ser cassado por receber mensalinho: 283.567

Delegado Waldir (PSDB-GO): como o nome parlamentar já diz, é delegado da Polícia Civil de Goiás, fez campanha com base no tema segurança pública e se tornou o deputado federal mais votado na história do Estado: 274.625

Misael Varela (DEM-MG), candidato pela primeira vez, herdou os votos do pai, deputado Lael Varela, responsável por uma fundação que oferece tratamento gratuito contra o câncer na cidade de Muriaé. Lael elegeu-se segundo suplente do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). A votação de Misael: 258.363

Duarte Nogueira (PSDB-SP), três vezes deputado estadual, ex-candidato a prefeito de Ribeirão Preto, presidente do PSDB paulista, deputado federal agora reeleito: 254.051

Arthur Bisneto (PSDB-AM), ex-vereador, três vezes deputado estadual, Bisneto é filho do ex-senador e atual prefeito de Manaus, Arthur Virgílio: 250.896.

(por Ricardo Setti)

 

São Paulo, decisivo para Aécio chegar ao 2º turno, estará de novo no coração da eleição

O centro antigo da capital, com o tradicional edifício do ex-banco do Estado no qual tremula há muitos anos a bandeira de São Paulo: palco crucial da eleição (Foto: Estadão)

O centro antigo da capital, com o tradicional edifício do ex-banco do Estado no qual tremula há muitos anos a bandeira de São Paulo: palco crucial da batalha de 26 de outubro (Foto: Estadão)

A coisa foi feita, feíssima — para Dilma, para Lula, para o PT.

surra colossal que levaram no Estado de São Paulo do tucano Aécio Neves no primeiro turno da eleição presidencial não poupou nada nem ninguém do lulopetismo.

São Paulo esteve no coração do enorme susto que o lulopetismo sofreu no dia 5 de outubro — e certamente estará no coração de uma possível derrota de Dilma no dia 26. A esmagadora vitória de Aécio, mesmo num cenário com uma terceira candidata competitiva, Marina Silva (PSB), levou o tucano a alcançar uma vantagem de 4,2 milhões de votos (44% dos válidos), contra 5,8 milhões de Dilma (26%). Por pouco Marina não ultrapassa a presidente, com seus 5,7 milhões (25%).

São Paulo tem 645 municípios, não é mesmo?

Pois bem, Aécio venceu em 565 cidades do Estado — ou seja, em quase 90% delas.

Só na capital, livrou mais de 1 milhão de votos à frente de Dilma — 2,7 milhões de votos contra 1,6 (44% a 26%).

Sabem onde também Aécio ganhou? Em São Bernardo do Campo, sede do “novo sindicalismo brasileiro”, terra adotiva de Lula, onde o Deus do lulalato começou sua vitoriosa carreira de dirigente sindical, onde vive há meio século e cidade da qual o prefeito é o petista Luiz Marinho, ex-presidente da CUT.

Derrotou o PT igualmente em Osasco (700 mil habitantes), cujo prefeito é o petista Jorge Lapas e terra do presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza. O mesmo ocorreu em Araraquara (225 mil habitantes), berço do tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva.

Ao lado da mulher, Letícia Weber, do governador Alberto Pinto Coelho (de óculos) e do senador eleito Antonio Anastasia, Aécio agradece a votação obtida no 1º turno (Foto: Twitter/Aécio Neves)

Ao lado da mulher, Letícia Weber, do governador Alberto Pinto Coelho (de óculos) e do senador eleito Antonio Anastasia, Aécio agradece a votação obtida no primeiro turno. Para o segundo turno, o candidato tucano precisa reconquistar Minas — e avançar mais ainda em São Paulo (Foto: Twitter/Aécio Neves)

Aécio venceu em 9 das 10 maiores cidades de São Paulo — além de São Bernardo e Osasco, que integram a lista, igualmente em Campinas, Santo André, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Sorocaba e Santos, que já foi reduto petista. Na segunda maior cidade do Estado, Guarulhos, quem ganhou foi Marina.

Ex-líder do governo petista na Câmara dos Deputados, Cândido Vacarezza (PT) não foi reeleito — 70 deputados foram eleitos, e Vacarezza ficou em 90º lugar na lista.

Mais: o PT, que uma vez mais não conseguiu chegar ao Palácio dos Bandeirantes, com a vitória avassaladora do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno, perdeu também um de seus dois senadores, Eduardo Suplicy, vencido por larga margem por José Serra, encolheu em seis vagas sua bancada de deputados federais e em oito vagas a de deputados estaduais.

Num partido em que as grandes estrelas, como o hoje presidiário José Dirceu, chegavam a superar meio milhão de votos para a Câmara dos Deputados, seu parlamentar mais bem situado entre os eleitos foi o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, o 19º mais votado, com 169 mil votos — meia dúzia mais do que Ivan Valente, do nanico PSOL.

O Estado de São Paulo, que tem a capital econômica e cultural do país, foi origem e sede dos dois partidos políticos que há 20 anos se revezam na disputa pelo poder na República — PSDB e PT –, sede de todas grandes centrais sindicais e das maiores entidades empresariais, dono de um Produto Interno Bruto de 630 bilhões de dólares (dados de 2013), que representa um terço da economia brasileira e é superior ao de países inteiros, como a Argentina e a Colômbia, mostrou com pontos de exclamação que continua sendo uma fortaleza inexpugnável ao lulopetismo.

É claro que Aécio, na atual campanha para o segundo turno, tem como algo prioritário reconquistar seu próprio Estado, Minas Gerais, onde, como se sabe, perdeu para Dilma por uma diferença de 3,7 pontos percentuais, situação que obrigatoriamente tem que reverter, e muito, para poder chegar ao Planalto.

Mas, com Marina fora do páreo, e com um alto percentual de votos nulos, em branco e pessoas que não votaram, é absolutamente crucial o papel que São Paulo jogará no segundo turno, graças às dimensões enormes de seu eleitorado — 22,4% do total do Brasil, ou 32 milhões de eleitores.

Acompanhado por José Serra, candidato ao Senado pelo PSDB, e pelo governador Geraldo Alckmin, que disputa a reeleição, Aécio investe na campanha paulista (Foto: Reprodução/Twitter Geraldo Alckmin)

CENA DE CAMPANHA — Acompanhado por José Serra, candidato ao Senado pelo PSDB, e pelo governador Geraldo Alckmin, que disputava a reeleição, Aécio investiu na campanha paulista. Agora, deve investir mais ainda (Foto: Reprodução/Twitter Geraldo Alckmin)

Em 2010, tendo São Paulo como terra natal e base política, o tucano José Serra venceu a presidente Dilma com uma vantagem de 1,8 milhão de votos. Foi pouco — poderia e deveria ser mais. O governador Geraldo Alckmin, em 2006, disparou no primeiro turno 4 milhões de votos à frente do adversário petista — e ele era ninguém menos do que o próprio Lula, o “Deus” da ministra Marta Suplicy.

Neste segundo turno, com o empenho já declarado solenemente por Alckmin e o declarado por Serra, é necessário e possível que Aécio amplie a grande vantagem obtida no primeiro turno, uma vez que é altíssima a rejeição a Dilma no Estado. Ao longo da campanha, chegou-se a constatar que 47% dos eleitores diziam que não votariam na presidente em nenhuma hipótese, cifra que atingiu espantosos 49% na capital, que, sozinha, tem 8,8 milhões de eleitores — 1 milhão mais do que todo o Estado do Paraná.

(por Ricardo Setti)

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1 comentário

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    Luizinho Santana.

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