Reservatórios do Sudeste estão a 17,3%. No racionamento de 2001 era de 23,04%

Publicado em 10/11/2014 14:05 e atualizado em 13/11/2014 11:17 272 exibições
por Lauro Jardim, de veja.com

Secura extrema

Preocupação à vista

Níveis mais baixos que os do racionamento de 2001

De acordo com dados do próprio governo, os níveis de armazenamento dos reservatórios doSudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% de toda a energia consumida no Brasil, estão com somente 17,3%.

Há uma semana, esse percentual era de 19%. Ressalte-se que, pelo calendário, o país já está no período chuvoso. Esse índice está 5,7% abaixo daquele observado em pleno racionamento em 30 de novembro de 2001, que era de 23,04%.

Por Lauro Jardim

 

No vermelho

balança

Exportações em baixa

Começou com pé esquerdo o novembro da balança comercial brasileira: o déficit foi de 747 milhões de dólares, de acordo com a Secex. No ano, esse vermelho alcança 2,618 bilhões de dólares.

Por Lauro Jardim

 

CARLOS BRICKMANN: Os deuses atenderam aos pedidos dos homens após a reeleição de Dilma

(Foto: Ueslei Marcelino)

Aumento da gasolina, juros mais altos, José Dirceu solto… Não foi um ótimo começo para o novo mandato de Dilma Rousseff (Foto: Ueslei Marcelino)

Notas de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em diversos jornais

carlos_brickmannUm país em movimento

Quem se queixava de que o país estava parado desde o início do ano já pode ficar contente: seus desejos foram atendidos.

A partir da reeleição de Dilma, no domingo, José Dirceu foi solto, os juros cresceram, a gasolina subiu, a eletricidade aumentou, o governo anunciou o maior rombo já ocorrido nas contas do país, as autoridades da área de energia acham que não vai haver racionamento, mas por pouco. 

São Paulo resolve reutilizar os esgotos para não ficar sem água, e Guido Mantega, o demitido adiado, continua sem substituto.

Quando os deuses querem destruir um homem, atendem a seus pedidos.

Hermanos bolivarianos

Deve-se ao repórter Cláudio Tognolli, do Yahoo, a descoberta dos documentos mais impressionantes dos últimos meses: as provas de que o governo venezuelano do Hermano Nicolás Maduro assinou acordos de cooperação, sem conhecimento das autoridades brasileiras, com o MST, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, liderado por João Pedro Stedile.

Os acordos incluem treinamento dos brasileiros por venezuelanos, seja lá que tipo de treinamento for. 

O vice-presidente do Desenvolvimento do Socialismo da Venezuela e ministro das Comunas, Elías Jaua, viajou ao Brasil a serviço da causa, sem comunicação ao governo brasileiro. Veio armado; e, para disfarçar, enviou a arma com a babá de seu filho, em outro avião.

Não deu certo. Ela foi presa no aeroporto, por porte ilegal, e aguarda julgamento.

Jaua agiu com tanta desenvoltura que o Brasil decidiu reagir: o chanceler Luiz Alberto Figueiredo chamou o encarregado de Negócios da Venezuela, Reinaldo Segovia, para protestar contra a interferência do ministro em assuntos internos brasileiros. E pensar que houve época em que os EUA interferiam na política brasileira. 

Hoje, até a Venezuela se mete por aqui.

Ahn? Soberania? 

Agora, a não novidade: o PSDB, partido que diz liderar a oposição ao governo petista de Dilma, não se manifestou sobre a ação do ministro venezuelano.

Quem protestou foi o DEM. O deputado e senador eleito Ronaldo Caiado (GO) pediu a convocação do chanceler brasileiro pelo Senado para que explique o que pretende fazer para evitar que o MST seja treinado ilegalmente por militares estrangeiros.

 

Excesso de legislação: maioria de brasileiros acha que há poucos motivos para seguir leis

O advogado mineiro Vinicius Leoncio e o livro gigante “Pátria Amada”: 23 anos para condensar legislações nacional, estaduais e municipais

A desconfiança diante das nossas instituições públicas faz com que 81% dos brasileiros concordem com a afirmação de que é “fácil” desobedecer as leis. São as mesmas pessoas que costumam escolher “dar um jeitinho” no lugar de seguir as leis.

Os dados são de uma pesquisa da FGV, e ilustram o rompimento entre o cidadão e as instituições. Quase 60% acham que há poucos motivos para cumprir as leis. A desconfiança está presente em todas as faixas de renda, e a impunidade faz com que essa sensação só aumente. 

Outro motivo é o excesso de legislação no país. São produzidas centenas de leis novas todo ano, e há aquelas que “pegam” e as que “não pegam”. Isso produz paradoxalmente um clima de anarquia. O excesso de leis faz com que as necessárias sejam ignoradas. Escrevi um texto antigo sobre isso, com base no livro do libertário Herbert Spencer:

O Excesso de Legislação

“O que sempre fez do Estado um verdadeiro inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso.” (Hoelderlin)

Uma das características mais marcantes do mundo moderno é a crença na onisciência e clarividência do Estado. Este ente praticamente se transformou num Deus para muitos. E uma das conseqüências mais nefastas dessa mentalidade é o excesso de legislação, que asfixia a liberdade dos indivíduos.

Em 1853, o filósofo Herbert Spencer escreveu um artigo, Over-Legislation, chamando a atenção para este lamentável fato. O que era um perigo já em seu tempo e na Inglaterra, tornou-se uma ameaça constante no mundo atual, principalmente no Brasil. Aqui, o governo cria infinitas leis sobre cada mínimo detalhe da vida cotidiana, transformando indivíduos em súditos.

Todos os dias as pessoas observam várias falhas nas ações governamentais e, não obstante, demandam sempre novos atos do Congresso e um time de burocratas para atingir os efeitos desejáveis. Repetem que falta apenas “vontade política”, e para cada novo fracasso do governo, mais governo é visto como necessário. Em nenhum outro campo a fé eterna e inabalável dos homens pode ser mais bem notada.

A iniciativa privada tem sido responsável pelos grandes avanços da humanidade, pelo progresso na saúde, pelas técnicas de produção modernas que permitem mais conforto a todos, pelos revolucionários métodos de transporte, pelas inovações da informática e mais uma infinidade de coisas. No entanto, permanece em muitos uma grande desconfiança em relação ao setor privado e aos empresários que buscam lucros, enquanto o governo fica blindado e protegido de todas as desgraças que causa, sendo visto como panacéia pelos esperançosos. Eis que o caminho para o combate a todos os males é o governo, para estes crentes.

Uma coisa é garantir a cada indivíduo o direito de perseguir seu próprio bem; outra coisa bem diferente é perseguir este bem por ele. Se definirmos como o principal dever do Estado a proteção de cada indivíduo contra os demais, então todas as outras ações estatais entram na definição de proteger o indivíduo contra si mesmo – contra sua estupidez, preguiça, irresponsabilidade, incapacidade etc.

Trata-se de uma postura arrogante e ingênua. A proposição que os advogados de muito governo precisam aceitar é que, as coisas que as pessoas não serão capazes de obter por conta própria, serão oferecidas por uma parte do povo apontada pela lei. Os funcionários públicos amam seus vizinhos mais que eles mesmos! A filantropia dos burocratas é mais forte que o egoísmo dos cidadãos!

Esta fé tola no governo gera uma quantidade absurda de leis, regulando sobre tudo da esfera privada. Mas estes atos do governo não apenas falham; eles costumam piorar a situação. Como Spencer reconhece, milhares de famílias foram arruinadas pelos efeitos dos esforços legislativos para oferecer mais segurança material a elas.

Poucas pessoas conseguem enxergar com clareza a ligação causal dessas medidas e dos fracassos que se seguem no decorrer do tempo. A miopia dos leigos faz com que apenas os efeitos de curto prazo sejam notados, ignorando-se as conseqüências negativas no longo prazo. O organismo social é complexo, e cada parte afeta a outra, muitas vezes de forma imprevisível. Nos esforços de curar males específicos, os legisladores causaram continuamente males colaterais que eles não esperavam.

Na iniciativa privada, aqueles que são mais competentes costumam obter sucesso, enquanto os incompetentes acabam ficando para trás. Nas organizações estatais isto não é verdade. As empresas privadas precisam alterar seu curso rapidamente se emergências surgem. Mas o setor público vive da rotina e da hierarquia, com os privilégios que lhes são garantidos.

A vitalidade do setor privado advém da livre competição, enquanto as agências estatais sucumbem com freqüência à inércia. Quando a conexão entre o lucro obtido e o trabalho executado é destruída, a eficiência quase sempre é deixada de lado. Além disso, a corrupção é um resultado praticamente inevitável do modelo estatal de gestão.

Na maioria dos casos apontados como falhas do funcionamento da livre iniciativa, a aparente falta do setor privado é um resultado das interferências prévias do governo. Por um problema gerado pelo próprio governo, mais governo é a solução oferecida. Como um alquimista que atribui suas constantes decepções a alguma desproporção nos ingredientes, alguma impureza ou temperatura aplicada, e nunca à futilidade do processo ou impossibilidade de sua meta; todo fracasso das legislações do governo são explicadas, pelo crente do Deus Estado, como sendo causa de algum detalhe qualquer, da falta de vontade dos políticos envolvidos, da ganância de alguns homens. Todas as superstições demoram a morrer, e Spencer temia que esta crença na onipotência do governo não seria uma exceção. Ele estava certo, infelizmente.

E no Brasil, mais do que em muitos outros países, sabemos disso muito bem. As leis brasileiras, incontáveis, tratam até da forma pela qual o pão será vendido! Temos um excesso incrível de legislação, incluindo uma enxurrada de medidas “provisórias” dignas de uma ditadura, fruto da mentalidade de que o governo é um ente perfeito, uma espécie de Deus. Todos os fracassos diários deste ente “maravilhoso” não foram suficientes para abalar a fé dos crentes. Para estes, se ao menos tivéssemos um pouco mais de governo para resolver os nossos males, viveríamos num paraíso!

O que importa a experiência mostrar que o inferno é gerado justamente pelo excesso de legislação? Quando os fatos vão contra a fé, os crentes simplesmente os ignoram. E eis o motivo de tanta gente demandar mais governo nesse país.

PS: Apesar de toda a campanha progressista contra as Forças Armadas e a Igreja Católica, estas são as duas instituições mais confiáveis para os pesquisados, enquanto os políticos são os menos confiáveis:

Rodrigo Constantino

 

Safra paga 3 bilhões de reais por prédio londrino

O banqueiro José Safra acaba de comprar o edifício Gherkin, um ícone da paisagem londrina e um marco da arquitetura contemporânea mundial.

O dono do Banco Safra pagou 726 milhões de libras esterlinas, o equivalente a 3 bilhões de reais, pelo prédio desenhado por Norman Foster. De acordo com o Financial Times, o “cap rate” foi de 3,8%. (O cap rate é uma métrica usada no setor imobiliário que divide o fluxo de aluguéis de um imóvel pelo valor pago por ele.)

O prédio comercial de 41 andares fica na 30 St. Mary Axe, na City — o centro financeiro de Londres — e foi inaugurado em abril de 2004.

O principal locatário do Gherkin é a resseguradora Swiss Re, o que faz com que muitos se refiram ao Gherkin como “the Swiss Re building”.

No mês passado, “seu José”, como é conhecido no mundo bancário, comprou a produtora de bananas Chiquita Brands em sociedade com a família Cutrale por 1,3 bilhão de dólares.

“A dúvida é se esses movimentos de compra do Safra são oportunidades de investimento pontuais ou se, no seu conjunto, significam que ele está negativo em relação ao real,” disse um gestor de investimentos quando soube da aquisição do Gherkin.

A proposta do Safra foi a melhor entre mais de 200 ofertas feitas pelo prédio, que foi colocado à venda depois que os donos atuais — a firma de private equity Evans Randall e o investidor alemão IVG — deixaram de honrar um empréstimo que tinha o prédio como garantia. A venda foi conduzida pela Savills e a Deloitte Real Estate.

The Gherkin

Por Geraldo Samor

 

Os bastidores da (outra) tentativa de fatiar a TIM

O mundo dá voltas, e às vezes acaba no mesmo lugar.

No setor de telecom, um seleto grupo de pessoas sabe que esta não é a primeira vez que se discute fatiar e vender a TIM Brasil — o projeto que, se vingar desta vez, vai pagar o bônus deste ano no BTG Pactual.

(Como se sabe, o banco negocia com a Oi, a Claro e a Telefonica uma oferta conjunta pela operadora italiana, uma operação complexa cujo sucesso reduzirá de quatro para três as opções de telefonia celular no Brasil.)TIM - logo

Em 2007, quando a Telecom Itália desistiu de participar do grupo de controle da Brasil Telecom e vendeu sua participação para o Citigroup, a matriz italiana se encontrava em dificuldades financeiras e se preparou para vender, também, a TIM Brasil, que já era listada na Bovespa. A America Móvil (Claro) era candidatíssima à compra, mas a Telefonica tinha outros planos.

Arquiinimiga da Claro, a Telefonica não podia admitir que os mexicanos comprassem a TIM, mas estava impedida de fazer ela mesma uma oferta porque seu CEO havia assumido um compromisso junto aos acionistas de não gastar mais que 3 bilhões de dólares em aquisições naquele ano. Quem quisesse comprar a TIM, na época, teria que desembolsar algo da ordem de 23 bilhões de reais, incluindo o prêmio de controle.

Foi então que o management da Brasil Telecom, então controlada pelo Citigroup e os fundos de pensão (liderados pela Previ), sonhou grande.

Assim como as teles planejam fazer hoje, a Brasil Telecom fez um acordo com a Telefonica para fatiar a TIM e vender uma parte dela aos espanhóis — a parte que o CADE provavelmente não permitiria que ficasse com a Brasil Telecom e mais o Estado de Minas, pois a Telefonica ainda não havia comprado a Telemig Celular. Obviamente, essa fatia não poderia sair por mais de 3 bilhões de dólares, o limite da Telefonica. A Brasil Telecom ficaria com todo o restante.

Para financiar a jogada da Brasil Telecom, o Santander botou na mesa uma linha de crédito de 20 bilhões de reais. (O cheque era tão grande que estourava os limites locais do banco, e teve que ser aprovado pela matriz na Espanha.)

Para evitar que os mexicanos comprassem, não havia tempo sequer de montar um sindicato de bancos, como é a praxe nestes casos. O Santander deu uma carta dizendo que garantiria os recursos (uma exigência da Telecom Italia, que do contrário não topava nem conversar com a Brasil Telecom), e montaria o sindicato depois. A maioria dos bancos nunca ficou sabendo do que se passou.

A operação fazia sentido porque, assim como hoje, a TIM não era endividada. A Brasil Telecom também não, e ainda por cima gerava bastante caixa.

Por que a operação não saiu? A Telefonica, que parecia estar a bordo do plano, encontrou outra alternativa: comprou uma participação no controle da própria Telecom Italia, dentro do limite de 3 bilhões de dólares, e com isso conseguiu impor que a Telecom Italia não vendesse a TIM, afastando o risco dos mexicanos fazerem uma oferta mais alta e levar a empresa.

É este nó societário que está sendo desamarrado agora, e que deve levar, finalmente, ao fatiamento e venda da TIM.

A menos que, mais uma vez, alguém saia do script.

Por Geraldo Samor

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Fonte:
veja.com

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